"Hum!" Acordei com o som estridente de um despertador, quando o som parou uns lábios começaram a trilhar beijos no meu pescoço. "Que idiota tem um despertador para o domingo?"
"Isso doeu." Ele diz atrás de mim.
"Vá lá Ezra… abraça-me pertinho e vamos ficar mais um tempo aqui." Eu disse ainda com os olhos fechados. Ele saiu da cama. "Eu não acredito..."
"Pensei que podíamos aproveitar o dia." Ele diz da área da cozinha.
"Eu ficaria realmente satisfeita se pudesse aproveitar o meu dia na cama contigo." Dei-lhe um sorriso provocador ainda deitada na cama contemplando o seu corpo apenas em boxers. Ele estava a preparar panquecas? Eu tentei-me levantar, mas cai novamente na cama cansada. "Ontem mataste-me… ainda estou exausta." Comentei.
O sorriso dele disse tudo. Ele mostrou-me por longas horas quais as suas habilidades com a boca e os dedos. "E ainda queres ficar na cama para mais?" Ele pergunta brincalhão.
"Não… agora é apenas para carinho. Podemos ficar aqui agarradinhos, juntinhos e depois logo se vê." Disse-lhe.
"Eu estava mais a pensar levar-te ao Central Park ou a um museu." Ele diz.
"A sério?" Eu sorri.
"Eu gostava de sair contigo e mostrar ao mundo como tenho sorte em ter uma namorada tão bonita." Ele diz.
"És um romântico." Comentei com um sorriso.
"Tu também és… só estás um pouco enferrujada." Ele comenta.
"Nunca fui tão romântica como tu… e eu tinha desistido disso há muito tempo."
"Estás enferrujada, eu sei que lá no fundo está a pessoa mais romântica e lamechas do mundo."
"Não…"
"Ainda agora estavas a pedir para eu ficar na cama para te dar carinho."
"Ok… talvez goste de ser mimada."
"Eu sei que também gostas de dar mimos." Ele diz.
"Eu não sou egoísta, gosto de retribuir o que me dão."
"Porque estás a fazer isso?" Ele pergunta. "Porque não podes aceitar que és uma pessoa romântica? Nós fizemos amor ontem à tarde, não foi apenas físico, os teus olhos mostraram mais do que isso."
Ele conseguia ler-me como ninguém, isso deixa-se nervosa, eu ainda tinha medo que ele visse as minhas fraquezas. Eu nunca deixei ninguém entrar dentro da minha concha protectora por anos, mas ele foi diferente. Eu deixei que ele ganhasse terreno rapidamente, deixei-o ficar confortável e permiti deixar uma parte do meu coração nas suas mãos. Eu ainda tenho medo que ele me descarte, é esse o medo que impede que me entregue completamente… tenho medo de nunca recuperar se algo acontecer. E se me entregar e ele despedaçar cada parte de mim? Eu deixei-o chegar tão perto… eu permiti-o ver. Eu não sei se posso superar uma dor emocional tão forte.
"Aria?" Eu olhei para ele. "O que se passa?" Ele caminhou até à cama novamente.
"Nada, está tudo bem."
"Não, não está." Ele diz pegando a minha mão. "Sabes que me podes dizer tudo? É sobre ontem à tarde? Arrependeste?"
"Nunca me arrependeria." Isso é verdade, o que fizemos a tarde passada foi o ato de amor mais bonito que tive na vida. "Eu apenas tenho medo…"
"De quê?" Ele pergunta.
"Tu sabes, de não estar à altura… de não ser uma boa namorada e que me deixes." Eu estava a ser tão tola. Dizer o meu medo em voz alta faz-me sentir tão ridícula.
"Eu tenho o mesmo medo." Ele diz, eu olhei bem nos seus olhos. "Não podíamos ser mais diferentes, tu és uma editora de sucesso e eu um simples professor. Podes ter todos os homens que quiseres num estalar de dedos, aliás tens um que corre atrás de ti o tempo todo. Eu não estou a tentar dizer que me vais trair ou algo do género, só estou a dizer que tu és linda e que qualquer homem te deseja. Até agora tens sido uma excelente namorada e deixar-te está fora de questão."
"Obrigada." Eu corei.
"Eu digo isto com sinceridade Aria. Eu prometi-te a verdade e eu espero o mesmo, se quiseres deixar-me ou se quiseres ir mais devagar eu vou ter de aceitar isso. Porque eu amo-te e quero que sejas feliz mesmo que não seja comigo."
Eu não consegui parar as lágrimas que escorreram dos meus olhos. Ele é literalmente tudo o que eu preciso, amor verdadeiro. "Eu amo-te muito." Eu realmente amo. "Eu não podia imaginar a minha vida sem ti neste momento." A ligação apesar de recente é forte. "És o melhor namorado de sempre." Abracei-o.
Ele abraçou-me apertado. "Eu tenho razão… és uma romântica."
Eu ri. "Talvez um bocadinho."
"Talvez muito!" Ele beijou-me com paixão.
"A culpa é tua." Digo contra os seus lábios.
Nunca pensei que me pudesse sentir tão bem apenas passeando de mão dada com alguém. Outros casais também passeavam, todos estavam muito entretidos para reparar em nós.
Então eu fiquei curiosa, eu sabia que o Ezra adora livro, filmes preto e branco, é professor de literatura na faculdade, tem alguns problemas familiares com o pai, já teve três namoradas antes de mim e adora panquecas tanto como eu. Ele faz-me incrivelmente feliz tanto fisicamente como emocionalmente, mas os conhecimentos que temos um do outro parecem tão superficiais. Ele sabe do meu problema de segurança com homens, da morte do meu irmão, que sou um editora chefe bem-sucedida, mas e o resto? Os pequenos detalhes dos nossos gostos. Ele será uma pessoa de cães ou gatos? Ele quer filhos? Ele gosta de viajar? Qual a sua cor favorita? Eu podia ter um pequeno palpite sobre todas essas questões pelos comportamentos e pelo apartamento, mas não haviam certezas de nada.
"Eu acho que precisamos de nos conhecer melhor Ezra."
Ele olhou para mim. "Certo." Ele concordou. "Por onde começamos?"
"Bom… não sei." Eu comecei a pensei. "Tive uma ideia!" Tirei o telemóvel da mala.
"Qual é a ideia?"
"Vou procurar perguntas online, assim podemos responder os dois. Como um jogo. Achas parvo?"
"Não, vamos a isso."
Procurei e rapidamente encontrei um bom resultado para a minha pesquisa. "O que achas de tentar adivinhar as respostas? Pode ser divertido."
"Pode ser." Ele diz.
"Esta vai ser muito fácil para ti e difícil para mim… Que animal preferes ter em casa?"
"Eu nem preciso responder… tu gostas de cães, tens um em casa." Ele diz.
Eu concordei. "Eu diria que tu também gostas, tu adoras o Mike." Eu arrisquei.
"Na verdade, eu tinha medo de cães." Eu olhei para ele. "Eu fiquei aterrorizado quando ele entrou pela cozinha a primeira vez, só tentei agir normal porque não queria que ele me sentisse com medo dele."
"A sério? Tu enganaste-me, eu podia jurar que nunca tiveste medo dele."
"Eu apeguei-me a ele rápido, já não tenho medo dele agora." Ele diz.
"Quem diria… mas já tiveste algum animal antes?"
"Alguns peixes." Ele diz.
"Próxima pergunta. Verão ou inverno? Eu acho que… tu gostas do inverno." Eu disse.
"Certo." Ele diz. "Eu acho que tu gostas do verão." Ele diz.
"Eu gosto das duas. Eu gosto de aproveitar na piscina, mas também adoro ficar perto da lareira. E quando é inverno eu quero verão e quando é verão quero o inverno…"
"Precisas escolher um." Ele diz.
"Eu acho que vou escolher o verão… posso andar confortavelmente com pouca roupa." Dei-lhe um olhar sugestivo. Ele ri. "Cor favorita?"
"Tu gostas de roxo, tu referiste isso uma vez na semana passada."
"O senhor anda atento." Eu sorri. "Eu não sei a tua… azul escuro? Como a cor do teu quarto?" Perguntei.
"Essa era a minha cor favorita."
"Qual é agora?"
"A minha cor favorita é a cor dos teus olhos." Eu não consegui esconder o sorriso, ele é tão querido… "Filme favorito?"
"Isso é um possível adivinhar… vou dizer o meu. It Happened One Night."
A minha boca abriu chocada. "O meu também…" Qual era a probabilidade?
Depois de caminharmos durante vários minutos e respondermos a perguntas, podia sentir que conhecia muito bem a Aria e ela é incrível. Temos gostos muito diferentes em alguns aspectos, mas eu adorei saber o que ela gosta e sinto que ela também gostou de saber as minhas preferências.
Sentamo-nos num banco junto ao lago. "Vens aqui muitas vezes?" Ela pergunta.
"Não muitas, normalmente tenho trabalho para fazer. Mas o ano lectivo está quase a terminar." Digo-lhe.
"Tens a certeza que não tem problema faltares ao trabalho para viajar comigo?"
"Não, vou pedir a um colega para trocar as aulas. Assim posso ir contigo, mas na próxima semana vou ter o dobro do trabalho. Mas vai valer a pena."
Ela sorri.
"Posso tirar-vos uma fotografia?" Uma senhora já com alguma idade e com o neto pela mão pergunta. "Vocês fazem um casal muito bonito." Ela diz.
A Aria sorri para a senhora e fala com ela amavelmente explicando-lhe como tirar a fotografia com o telemóvel. Então a Aria sentou-se ao meu lado novamente, eu abracei-a e sorrimos para a foto.
"Já está." A senhora diz. Agradecemos em conjunto à senhora, ela devolveu o telemóvel à Aria. "Vocês fazem-me lembrar eu e o meu marido." Ela diz com um sorri. "Felicidades!" Agradecemos em couro mais uma vez e a mulher deixou-nos sozinhos novamente.
"A senhora foi simpática." A Aria diz observando a fotografia que a mulher tirou. "Ficamos muito bem." Ela mostra-me a foto.
"O que vais fazer?" Ela estava a recortar a fotografia.
"Vou colocar no meu fundo do ecrã de bloqueio." Ela sorri para mim.
Eu abracei-a mais perto. Ela pode dizer que não é romântica, mas eu vou provar-lhe o contrário.
Obrigada pelo comentário EzriaBeauty! ;) Agora que reli isto até parece que tirei a ideia da série Life Sentence, mas foi pura coincidência com a semana passada... eu já tinha escrito este capítulo na semana anterior juntamente com mais 2 capítulos xD
Imagens relacionadas no tumblr ;) shanalystuff (podem fazer perguntas e comentários)
Obrigada a todos!
