Imagem no espelho
Capítulo 9-- Um novo depois
Narrado por Gina
Havia passado uma semana desde a festa em Hogwarts e eu sabia que havia ocorrido algo que tinha deixado Harry extremamente pensativo. Outra clara mudança que se fez presente era o fato do Dino estar me ignorando completamente.
No primeiro dia, realmente achei aquilo refrescante, mas, depois de quatro dias, já estava se tornando uma situação insuportável. Afinal, ele me olhava como se eu tivesse feito uma coisa que beirava a um crime hediondo.
A Zoey já tinha me perguntado uma ou duas vezes se eu tinha feito algo para ele, mas o que era para eu supostamente dizer? Que ele tinha se sentindo profundamente ofendido por eu estar namorando um bruxo que não era ele? Quer dizer, eu nunca tive nada com ele, nem mesmo insinuei que ele em um futuro extremamente distante teria uma chance.
- Posso falar com você? – Perguntei quando já estávamos de saída, na sexta à noite.
- O que você teria para falar comigo? Não era você que queria que eu me afastasse? – Questionou Dino me olhando sem nenhuma expressão no rosto.
- Eu queria que você parasse de dar em cima de mim e não que ficasse me olhando como se eu tivesse matado sua mãe – Falei irritada passando a mão pela franja a tirando da frente dos meus olhos – Olha, eu realmente não sei o que eu te fiz e vou parar de tentar descobrir. Só que você ainda é meu colega de trabalho e temos que fingir que nada aconteceu.
- Mas nada aconteceu – Sussurrou Dino respirando fundo – Olha, desculpa. Eu realmente espero que o Harry não a machuque.
- O Harry nunca me machucaria – Falei com um sorriso no rosto e ele me encarou com intensidade.
- Espero que você esteja certa disso – Disse antes de sair, deixando-me sozinha com minhas neuroses.
Não tive muito tempo para pensar na nossa breve conversa, já que o Harry estava lá parado, encostado em seu carro com um sorriso que como sempre me fez perder a linha de raciocínio.
- Decidi fazer uma surpresa – Falou Harry segurando minha cintura com as duas mãos, puxando-me para mais perto e beijando-me com calma. E eu só pude suspirar.
- Desde já estou gostando da surpresa – Disse sorrindo, beijando-o novamente com carinho, aspirando o seu perfume, sentindo-me um pouco entorpecida.
- O que você acha de um jantar em um restaurante bruxo onde você irá provar maravilhas estranhas e depois sair para dançar? - Perguntou Harry e eu deixei um lento sorriso aparecer no meu rosto.
- Você sabia que é o melhor namorado do mundo? - Perguntei e ele sorriu me dando um selinho antes de abrir a porta do carro para eu entrar.
A viajem passou tranquila com o Harry comentando sobre onde eram as coisas pela quais passávamos da Londres Bruxa. Paramos em um pub que a parte de fora nada combinava com o interior. Por fora parecia velho, antigo e quase em decadência. Mas, por dentro, tinha uma elegância velada misturada a um senso de intimidade. Era perfeito, sem contar as velas sem castiçal, os quadros se movendo e o fato do ato de usar bandejas não ser praticado.
- Gostou? - Perguntou Harry ajudando-me a sentar e eu sorri.
- Adorei, mas espero que você faça o pedido – Falei sorrindo e ele beijou minha mão sentado na minha frente com um pequeno sorriso no rosto.
O jantar passou bem tranquilo com conversas triviais. O Harry, como sempre, me fazia rir, mas eu continuava a acreditar que ele estava me escondendo algo. Se não escondendo propriamente dito, apenas não querendo compartilhar. Eu sabia que ele não falava nem metade das coisas que o incomodavam. Sabia que nosso relacionamento por mais que parecesse bom ainda era recente. E eu me segurava nessas idéias para não exigir mais do que eu podia dele.
- Isso é realmente delicioso – Falei pegando mais um pedaço da torta élfica que estava na minha frente. Eu nunca tinha comido algo tão bom.
- Um dia peço para um elfo meu amigo preparar uma apenas para você – Falou Harry em um tom divertido que me fez rir, servindo mais um pedaço em seu garfo.
- Mas só se for uma vez apenas, senão vou ficar enorme de gorda – Falei fazendo bico e ele me beijou de leve antes de pedir a conta e pagá-la com aquelas moedas estranhas que deduzi ser dinheiro bruxo.
- Eu falei que nós não estávamos enganados, querido, era mesmo o grande Harry Potter – Falou uma senhora que aparentava tem entre cinquenta a sessenta anos. Seus cabelos eram negros com uns fios grisalhos presos em um coque. Seus olhos puxados assim como o do homem parado ao seu lado deixava claro sua descendência oriental.
- Sr. e Sra. Chang, há quanto tempo – Falou Harry em um tom seco e notei como seus olhos escureceram. Se bem que podia ser efeito da luz.
- É. Desde o enterro da minha menina – Falou a mulher com seus olhos faiscando e tom ressentido.
- Sayumi, já chega – Falou o homem apertando o braço da mulher com mais força como se quisesse arrastá-la para dentro do restaurante.
- Não sei como você consegue se olhar no espelho depois do que vez com a minha filha – Disse a senhora para logo focar seus olhos nos meus – Cuidado, menina, sua mãe não irá gostar de chorar na sua lápide.
- Você quer me explicar o que foi isso? - Perguntei e minha voz não passou de um sussurro.
- Eu prefiro que a gente converse na minha casa – Falou Harry, mas algo no meu rosto vez sua expressão modificar – Na sua, se preferir.
- Na minha, então – Falei entrando no carro.
* * *
Narrado por Harry
Eu nunca imaginei ver medo nos olhos de Gina. Não direcionado a mim. Eu senti algo quebrar dentro do meu corpo ao ver o que a minha hesitação em contar tudo provocou. Ela estava temerosa. Seu corpo estava tenso e, mesmo sem perceber, ela inclinava no seu banco para o mais distante de mim que o carro permitia.
- Agora você pode me explicar tudo – Falou Gina em tom sufocado enquanto eu me sentava no sofá da sua sala e ela se encostava à porta agora fechada. Percebi, sem muita dificuldade, que a chave não havia sido passada e que sua mão continuava na maçaneta como se pudesse fugir a qualquer momento. Fugir de mim. Por medo de mim – O que aquela mulher quis dizer?
- Eu nunca vou poder te explicar em palavras o desespero que foram os anos negros – Comecei em tom baixo. Se ela queria a verdade a teria nua e crua... – Eu não era apenas um soldado em busca da vitória. Eu era a esperança de um povo. Eu passava dias escondido. Mudando de esconderijo em esconderijo quando era descoberto. E não me orgulho de tudo que fiz naquela época. Em minha defesa, digo que literalmente era matar ou morrer. Mas, antes de toda a loucura começar eu tive uma namorada.
- A filha daquela mulher – Disse Gina e sua voz pelo jeito ia demorar a voltar ao normal. E eu esperava mesmo que voltasse.
- Sim. Seu nome era Cho Chang – Falei olhando para as minhas mãos – Nós começamos a sair do sexto ano e eu era patético no começo, mal conseguia falar direito na sua frente. Mas superamos os primeiros encontros e eu pensei mesmo que a amava e que seria a mulher da minha vida.
- E não amava? - Perguntou Gina e eu notei que sua mão escorregou da maçaneta.
- Eu era um adolescente, solitário, carente – Falei fazendo um gesto displicente com a cabeça – Eu pensei que a amava. E, talvez, eu até tenha amado, mas não acho que haja um amor infantil que sobreviva aos horrores de uma guerra.
- Vocês se separaram? - Perguntou Gina e, para o meu alívio, ela não estava mais encostada na porta, tinha dado um passo à frente. Um passo em minha direção.
- Na verdade, não. Nós eramos um casal que todos se espelhavam pela força de suportar toda a distancia e tensão de não saber se o outro estava vivo – Falei resistindo à vontade de usar um pouquinho de ironia. Já que a mesma não cabia nessa história, por mais que eu tentasse me convencer que sim – Então aconteceu! Foi um dia antes da batalha final. Eu estava na França resolvendo umas coisas e vi que já tinha passado seis meses que não vinha até Londres e que era hora de voltar.
- Comuniquei-me com a Hermione e descobri onde eram os esconderijos da Ordem na capital e foi ainda mais fácil descobrir onde a Cho estava protegida – Continuei, dessa vez olhando para o chão. Apesar do tempo que passou, eu não conseguia tratar desse assunto como algo superado. Nunca estaria – Quando cheguei lá, a vi com outro. Michel, eu acho, não tenho muita certeza. Foi ali que eu descobri que não a amava. Eu não senti nenhuma dor ao vê-la na cama de outro.
- Ela te traia? - Perguntou Gina e quando levantei meus olhos percebi que ela estava sentada no chão na minha frente.
- Acredito que era uma maneira de matar a saudade. Não devia ser fácil namorar o salvador do mundo bruxo – Falei com certa amargura.
- Ainda não é – Disse Gina segurando minhas mãos entre as suas.
- Bom – Falei sorrindo por um breve segundo –, apesar daquela traição não doer, magoou e nós acabamos. Só que, na batalha final, quando éramos apenas eu e Voldemort, novamente uma mulher se colocou entre nós e morreu no meu lugar. Eu nunca entendi o porquê. Nunca me perdoei. E obviamente os pais dela nunca me perdoaram também.
- Independente do que ocorreu, foi uma escolha dela, Harry. Você não tem culpa – Falou Gina segurando minhas mãos com mais força depois de alguns segundos.
- Quando alguém morre por você, não tem como não se sentir culpado – Falei segurando seu rosto com calma, acariciando a sua bochecha com carinho.
- Pode ser que sim, mas você não pode deixar de viver por isso, às sombras disso – Falou Gina em um tom calmo se levantando, sentando no meu colo – O que mais você está me escondendo, Harry? Eu preciso ter a certeza que você não está me escondendo nada.
- Eu não quero te relatar tudo que fiz ou vi na guerra – Murmurei baixando a vista, mas ela segurou meu queixo, fazendo contato visual.
- Eu não estou falando da guerra. Você está estranho desde aquela festa – Falou Gina e eu sorri aliviado.
- Dumbledore me ofereceu o cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas – Falei em tom baixo com minha testa encostada na sua – Eu sempre me imaginei lecionando.
- Então lecione, você não ficou desatualizado durante todo esse tempo afastado, já que trabalha no tal ministério uma vez por mês – Falou Gina com um sorriso tranquilo no rosto.
- Eu não quero ver o olhar de medo nos olhos daquelas crianças – Sussurrei admitindo um dos meus medos mais constantes.
- Ninguém vai olhar com medo e sim com admiração – Disse Gina querendo me animar.
- Você me olhou com medo essa noite – Falei em tom baixo e seus olhos encheram de lágrimas.
- Desculpa – Pediu Gina mordendo o lábio e limpo a lágrima que escapou dos seus olhos – Eu não queria, juro que não, eu confio tanto em você.
- Está tudo bem, eu não vou fazer mais nada que a faça me temer – Falei com carinho abraçando-a com força, vendo-a moldar seu corpo no meu.
- Eu realmente amo você – Falou Gina levantando o rosto segurando o meu entre suas mãos. Percebi que aos poucos ela foi fechando os olhos e aproximando seus lábios dos meus, arrastando-me para a sua doçura.
Narrado por Hermione
Uma semana e meia se passou desde a maldita festa em Hogwarts. O Rony havia me ligado pedindo para almoçarmos juntos e eu aceitei, afinal, éramos amigos ainda. Fui pensando no que a Gina havia me dito. De parar de agir como uma menina e partir a ser a mulher que sou. Quando o encarei naquela tarde me focava no que o Draco havia falado. Instigar, mas sem deixar que ele me tocasse. E eu meio que não cumpri essa parte.
- O que foi? - Perguntou Draco assim que abriu a porta me deixando entrar.
- Eu transei com o Rony – Respondi me sentando no seu sofá de coro preto – E eu me senti tão culpada por gostar.
- Você é uma idiota – Disse Draco em tom frio se sentando na minha frente – Você deixou a situação da forma exata como o idiota queria. Sem problemas com a Lovegood e você como a outra.
- Eu não sou a outra dele – Falei com desdém.
- E o que você foi essa tarde? - Perguntou Draco maldoso e meus olhos perderam o foco. É claro! Se fosse assim a situação ficaria cômoda para um Rony.
- Eu sou uma idiota – Falei abaixando o rosto.
- Eu sei, eu acho que você ama tanto aquele idiota que esquece de ser a racional e sabe-tudo Granger – Disse Draco pegando as minhas mãos entre as suas – Está na hora de assumir o controle novamente.
- Eu sei disso, só não consigo fazer – Falei quase desesperada.
- Então comece a planejar, Hermione, porque você está caminhando para a sua autodestruição – Disse Draco como sempre melodramático – Porque eu sei que você vai odiar a pessoa que vai se refletir no espelho daqui a alguns meses se continuar como está.
- Você já amou alguém para dar esse conselho? - Perguntei tentando machucá-lo da mesma forma que eu estava mesmo isso não sendo justo.
- Não a esse ponto de perder a racionalidade – Falou Draco com uma calma irritante e seu sorrindo cínico – Eu amei você.
- Eu... eu nunca soube – Falei completamente surpresa com aquela afirmação.
- Não era para saber – Disse Draco totalmente sério – Essa filosofia de magoar os outros por estar magoada não funciona comigo, Hermione. Você é a errada, não a heroína dessa história. Agora pense na Luna da próxima vez que tiver que se segurar.
- Você é mal, Draco – Falei suspirando tentando não pensar na Luna pelo menos por acaso.
- Um pouquinho, mas se lembre que não sou o vilão da novela que se tornou a sua vida – Falou Draco reencostando-se no sofá com um sorriso no rosto.
Narrado por Harry
Eu ainda me surpreendia como escrever me fazia bem. Era um prazer que fui conhecendo aos poucos e que hoje tomava grande parte da minha vida. Nunca fui lá muito expressivo durante minha adolescência, mas depois era como se conseguisse extravasar as minhas emoções.
As palavras saiam rapidamente da minha cabeça que vez ou outra era difícil acompanhar digitando. Mas é claro que isso nunca foi um grande problema para mim. Essa nova história parecia se tecer sozinha sem o mínimo esforço. Mas, também, nunca estive mais inspirado do que agora.
Fazia muito tempo que eu não me entregava desse modo às emoções. E eu estava sentindo um contraste delas. Eu me sentia excitado em talvez voltar para Hogwarts como professor. Sentia temor pelo que estava acontecendo entre Rony e Hermione. Alívio por suportar que eu não posso mudar o que aconteceu na guerra. E amor, carinho, desejo por essa mulher que apareceu de modo tão espontâneo na minha vida.
E quando eu estava no mundo em que as minhas personagens dominavam, eu realmente odiava quando tocavam a campainha.
- Que é? - Perguntei deixando o Draco entrar no apartamento.
- O quê? Estava tendo um sonho erótico com a Gina e eu atrapalhei? - Perguntou Draco sentando-se no sofá, fazendo uma xícara de café. Fim voando em sua direção. E, ah!, como eu queria que aquele café tivesse caído!
- O que é que você quer, Draco? - Falei com calma tentando muito desfrutar da companhia de um velho amigo.
- Sabe, eu odeio como está difícil obter um endereço de um bruxo evitando perguntas – Comentou Draco e eu baixei a cabeça para o açucareiro não bater em mim.
- Para que você quer um endereço? - Perguntei com vontade de rir. O Draco com suas indiretas chegava a ser relaxante. Era algo normal em meio a qualquer caos.
- A pergunta que você deveria ter feito era: "Qual endereço que você quer, Draco?" – Falou meu amigo parecendo bem impaciente.
- Tá. "Qual endereço que você quer, Draco?" - Perguntei em um tom extremamente monótono.
- O da sua editora, a Raven – Respondeu Draco parecendo bem satisfeito consigo mesmo e eu levantei uma sobrancelha sorrindo.
- Para quê você quer o endereço dela? - Perguntei e ele revirou os olhos.
- Qual parte do sem perguntas você não entendeu? - Quis saber Draco e eu ri.
- Sempre tão educado – Disse enquanto anotava o endereço da Raven. Ela provavelmente ia me matar, mas quem era eu para parar Draco Malfoy? – Tenho apenas uma pergunta: você vai matar? Torturar? Esquartejar? Ou agarrar a Raven?
- Seu idiota, foram quatro perguntas, mas, como estou de bom humor, é "não" para todas as perguntas – Respondeu Draco se levantando se aproximando da porta.
- Nem para a parte do agarrar? - Perguntei malicioso.
- Vai à merda, Potter – Mandou Draco aparatando e eu só consegui rir enquanto fechava a minha porta.
- NÃO FECHA! - Gritou Gina aparecendo no corredor correndo de salto alto e sorri, deixando-a entrar.
- Você não deveria estar trabalhando, senhorita? - Perguntei beijando seus lábios de leve.
- Dia de folga! Meu patrão estava de muito bom humor e como eu ganhei muito esse mês me deu a tarde folga – Falou Gina enquanto tirava o casaco o jogando junto à bolsa no sofá – Então, eu pensei, porque não ficar com o meu namoradinho lindo e perfeito a tarde inteira?
- Merlin! Como eu adorei esse seu pensamento – Falei a puxando para mim roubando seus lábios com os meus a beijando com carinho. Ela passou seus braços pelo meu pescoço e eu a abracei com mais força e senti seu sorriso – Adoro beijar você.
- E eu amo ser beijada por você – Disse Gina sentando no sofá se livrando da sandália ficando bem mais baixinha do que antes – Senta aqui comigo. Atrapalhei você?
- É claro que não. Eu estava escrevendo, mas o Draco me interrompeu – Falei sentando no sofá fazendo-a se aconchegar de encontro ao meu corpo.
- Estou louca pelo seu novo livro – Falou Gina sorrindo beijando meu peito e mesmo que por cima da camisa senti o calor dos seus lábios – Você vai me deixar ler antes?
- Claro que não! Se você fosse menos curiosa até quem sabe, mas... - Falei e ela emburrou, fazendo-me rir, estreitando-a em meus braços – Tá! Eu vou pensar no seu caso com muito carinho.
- Pensa mesmo, amor – Falou Gina em tom que mais pareceu mel aos meus ouvidos. Ela virou seu rosto e ficou me encarando. Seus olhos prenderam os meus, até que um sorriso começou a nascer em seu rosto me roubando o fôlego.
- O que foi? - Perguntei segurando seu rosto com minha mão.
- Eu adoro coisas espontâneas – Comentou Gina e quando viu a minha expressão ela sorriu – Perderia a espontaneidade se eu dissesse que quero fazer amor com você aqui e agora?
- Não se eu fingir que não sabia disso – Respondi e ela sorriu subindo no meu colo, afundando suas mãos em meus cabelos – Mas você tem certeza disso?
- Eu... você tirou todas as minhas dúvidas – Falou Gina dando pequenos beijos por todo o meu rosto, fazendo-me fechar os olhos, sentindo os toques que lembravam o bater de asas de uma borboleta.
- Você sabe que eu posso esperar o quanto você quiser – Disse segurando sua cintura com força, descendo uma mão para sua coxa.
- A questão é que não quero mais esperar – Falou Gina antes de me beijar e deixei cair qualquer barreira; entreguei-me ao momento.
(N/a: Olá, meus amores!! Cenas Nc-17. Quem não gosta pule até a próxima nota da autora, tá? ^^)(N/B: Quem não gosta levanta a mão! _o_ _o_ _o_ _o_ _o_ _o_ \o _o_ Aff, ser ¬¬' ... Brinks =D)
Narrado por Gina
Eu não sabia bem de onde veio essa vontade, mas fazer amor com o Harry era algo que há muito tempo eu vinha pensando. Não que isso fosse difícil de imaginar, já que ele mexia comigo de uma forma que às vezes beirava a pura luxuria com meu corpo.
Mas essa era uma questão que tinha que ser calculada. Nunca foi fechada em relação a isso, contudo nunca estive em um relacionamento como esse. Nunca havia me entregado tanto a uma pessoa sem pensar nas consequências. Eu tinha medo de me entregar e estragar todas as horas que passávamos apenas abraçados conversando. Eu ainda tinha tanto a descobrir sobre ele e seu mundo.
O Harry era sempre tão misterioso. Seus olhos eram sempre tão pouco legíveis, só que ao mesmo tempo tão quentes e prometiam tantas coisas.
Fui tirada dos meus pensamentos pela boca exigente do Harry que me beijava de uma forma que apenas ele conseguia. O beijo era lento, enlouquecedor. Era quase como se nossas línguas dançassem em um ritmo próprio completamente sedutor. Na minha cabeça eu precisava saciar o meu desejo, arrancar sua roupa. Mas o Harry não parecia ter pressa. E aos poucos meu desejo foi refreando, mostrando uma maneira única de fazer amor.
Desci minhas mãos, que estavam em seu cabelo, para seu pescoço, pedindo mais do beijo, arranhando a sua pele sensível com minhas unhas. Ele soltou meus lábios, permitindo-me respirar e foi baixando os beijos pelo maxilar. Sua mão, que estava na minha cintura, foi subindo lentamente pela minha coluna até o meu pescoço onde ele tirou meus cabelos deixando completamente a mostra o lado direito que foi logo reivindicado por seus lábios.
Arqueei as costas, oferecendo mais do meu pescoço no qual ele beijava, raspava os dentes de leve e sugava. Eu sabia que depois ficariam marcas por toda a extensão branca daquela área, mas no momento eu só conseguia me focar no prazer que sentia através daquele ato.
Puxei seu rosto de encontro ao meu novamente e o beijei. Ele me enlouquecia com seus lábios e toques e nossas bocas só se separaram por um breve instante em que tirei sua blusa. Espalmei minhas duas mãos perto no seu umbigo e fui lentamente modelando cada músculo do seu abdômen e peito arrancando baixos gemidos.
Ele voltou a beijar meu pescoço, dessa vez no lado esquerdo. E novamente fechei os olhos, mordendo o lábio inferior com força para evitar fazer qualquer barulho. Suas mãos frias entraram em contato com a pele da minha cintura e foram lentamente subindo minha blusa, já que havia tirado meu blasé antes.
Gemi baixo quando senti o contato de nossa pele nua apesar do sutiã. Ele sorriu voltando a me beijar e abracei-o pelo pescoço com mais força. Eu estava cada vez mais excitada com os toques e beijos e quando Harry circulou meu seio esquerdo com a mão e massageou meu mamilo por cima do sutiã, quase gritei.
-Você é tão linda – Sussurrou Harry ao meu ouvido – Tão doce e delicada.
Sorri perante os elogios, sentindo seus dentes no lóbulo da minha orelha. Passei minhas mãos pelas suas costas, arranhando-o de leve para logo fazer o mesmo subindo pelo seu peito. Ele sussurrou mais alguns elogios e quando percebi sua mão já estava lutando contra o fecho do meu sutiã. Corei quando ele me viu nua da cintura para cima.
- Não precisa ficar com vergonha – Murmurou Harry e tentei me segurar quando ele circulou meu seio agora sem o empecilho do sutiã – Você é tão perfeita. Parece moldada para mim.
Eu aspirei o ar com dificuldade, sentindo-me entorpecida. Friccionei meu sexo no seu apesar nas roupas que ainda restavam buscando um pequeno alívio e foi a fez dele gemer. E eu admito que adorei o som.
- Você... você – Tentei articular, mas não era lá muito boa com palavras. Principalmente em um momento como aquele.
- Você me enlouquece, Gina – Sussurrou Harry me beijando novamente – Eu quero você.
- Eu sou sua e quero ser por completo – Falei encontrando a minha voz e ele sorriu, pegando-me no colo, pedindo que eu circulasse sua cintura com as pernas. Não demoramos para chegar ao seu quarto. Senti minha pele de encontro a maciez dos lençóis que cobrias sua cama.
- Você pode parar agora se quiser – Falou Harry enquanto beijava a linha da minha pele que era acima da minha calça, fazendo-me gemer arqueando as costas.
- Você sabe que eu não quero – Respondi entre gemidos enquanto ele distribuía beijos pela minha barriga enfiando a língua em meu umbigo imitando uma penetração me fazendo gemer mais alto.
- Só para constar – Disse Harry sorrindo antes de circular meu mamilo direito com a língua e tomá-lo com a boca. Enquanto sugava, sua mão dava a atenção devida ao outro e me surpreendi ao notar que já estava próximo do meu primeiro clímax. E quando ele trocou de posição sugando o esquerdo e acariciar o direito gritei seu nome em puro êxtase.
- Eu te amo – Murmurei tentando controlar minha respiração e logo sua boca estava colada na minha novamente. Como eu amava os seus beijos.
Suas mãos abriram o botão da minha calça e logo depois o zíper. Ergui o quadril para ajudá-lo a tirar minha calça e ele sorriu quando viu minha calcinha da Pucca.
- Espontaneidade – Cantarolei e ele sorriu antes de me beijar acariciando minha barriga por saber que ali era um dos meus pontos fracos.
Minhas mãos, que estavam em seus cabelos, foram descendo por suas costas, aproximando-se do cós de sua calça, onde tracei o cumprimento com as pontas dos dedos. Abri o botão com dificuldade e desci o zíper. Minha mão pequena entrou na sua calça e, quando acariciei o centro do seu prazer, ele gemeu alto.
- Não, não – Falou Harry tirando minha mão e beijando minha boca – Hoje é só sobre você.
- Mas é injusto – Reclamei e ele sorriu voltando a beijar meu pescoço – Quero te dar prazer.
- Já estou sentindo prazer em saber que estou te fazendo delirar – Disse Harry voltando a me beijar e aproveitei para tirar a sua calça, permitindo que tivéssemos mais contato.
- Eu quero você agora, Harry – Implorei e ele me encarou.
- Tem certeza? - Perguntou Harry, tirando a última peça que me cobria e fiz o mesmo com ele. Ouvi-o sussurrar algo que pareceu um feitiço e quando ele me preencheu me senti completa pela primeira vez em minha vida.
Gemi baixo quando ele quase saiu completamente de mim e voltou com lentidão. Ele voltou a me beijar e circulei sua cintura com minhas pernas, facilitando o contato e deixando-o ainda mais prazeroso. Uma de suas mãos estava no meu quadril enquanto a outra estava no meu rosto, acariciando-o delicadamente. Meus lábios deixaram os seus, que foram para minha orelha, onde sussurrava declarações que aos poucos foram perdendo o nexo.
Minha pele estava grudada a sua. Seu toque me enlouquecia e, quando novamente cheguei ao êxtase, ele me acompanhou gritando meu nome. Ele desabou em cima de mim e eu o abracei com força, sem permitir que ele se separasse de mim.
- Eu amo tanto você – Sussurrou Harry e eu sorri me sentindo um tanto sonolenta.
- Não mais do que eu a você – Disse beijando seu queixo e logo depois seus lábios quando ele se deitou ao meu lado, permitindo-me deitar a cabeça em seu peito.
- Isso você nunca vai saber – Disse Harry divertido beijando a minha testa – Agora descansa um pouco, amor.
(N/a: Quem parou de ler por causa da Nc-17 pode voltar agora ^^)
* * *
Narrado por Draco
Saí da casa do Harry, apressado, mesmo sem saber o que dizer quando chegasse. Mas sabia que não podia mais esperar por isso. Vi-me em um beco sujo e percebi que seu prédio era claramente trouxa, então aproveitei o lugar vazio para transfigurar minhas roupas.
Agradeci mentalmente ao fato de o lugar ter um elevador e, quando cheguei ao seu andar, notei a proteção quase patética que ela tinha colocado. Desfiz o feitiço pensando o quanto as pessoas ficaram mais despreocupadas depois de alguns anos de pós-guerra.
Toquei sua campainha e, quando ela apareceu, sorri. Seus cabelos pretos que estavam presos em um coque frouxo. Seus lábios cheios estavam entreabertos de surpresa assim como seus olhos estavam arregalados. Seu rosto sem maquiagem estava ainda mais iluminado e seu corpo cheio de curvas estava coberto por uma regata branca e um short jeans. E eu descobri o quanto uma mulher ficava charmosa descalça. Estava extremamente satisfeito em continuar observando-a, mas fui retirado dos meus pensamentos quando o copo que ela segurava caiu fazendo barulho ao se estraçalhar no chão.
- Raven! Está tudo bem, querida? - Questionou uma mulher que devia ter seus quarenta anos, saindo da porta vizinha à dela – Oh! Eu não podia imaginar que você estava acompanhada! Eu sou a Aline, vizinha da Raven.
- Prazer, Aline – Sorri simpático sem precisar de muito esforço para notar que a mulher flertava descaradamente comigo – Eu sou Draco Malfoy, amigo da Raven.
- Bom, vou entrando, então – Disse a mulher demorando mais alguns segundos para entrar. Percebendo que estávamos novamente sozinhos, concertei o copo e limpei a bagunça, já que Raven mais parecia ter sido atingida por um feitiço paralisante.
- Vamos conversar no corredor ou eu posso entrar? - Perguntei sorrindo e ela piscou os olhos algumas vezes antes de abrir espaço e me permitir entrar em seu mundo – Bela casa.
- O que você está fazendo aqui? - Perguntou Raven, pelo jeito recobrando a voz. Ela estava ainda mais rouca e melodiosa do que eu lembrava da festa de reencontro em Hogwarts.
- Não posso? Vim visitá-la, minha bela dama – Falei sorrindo, colocando o copo concertado em cima da mesa, sentando-me em um dos sofás dispostos na sala.
- Você...
- Lembrou? - Completei com um pequeno sorriso no rosto, vendo-a corar. E, de novo, tive que sorrir. Era incrível como a única coisa que eu conseguia pensar era se seus lábios ainda possuíam o mesmo gosto.
- O que você quer? - Perguntou Raven parecendo atordoada e levantei, começando a me aproximar dela.
- Na verdade, eu quero muitas coisas – Falei levando a mão ao bolso pegando o broche que ela me deu de lá e tracei todo o contorno com a ponta do dedo – Ele me deu sorte.
- Não precisa devolver – Disse Raven e levantei a vista, sorrindo para ela, guardando o broche no meu bolso.
- Não vim aqui para devolver – Falei sorrindo da expressão questionadora dela e, sem mais me aguentar, segurei sua nuca com calma, acariciando-a de leve e, sem mais esperar, roubei seus lábios com os meus.
Ela tentou resistir bravamente ao contato, mas quando pedi para aprofundar o beijo ela se rendeu ao meu toque. Senti seus braços circularem meu pescoço e fiz o mesmo com sua cintura, colando nossos corpos, fazendo-a ficar de ponta nos pés. Como fiz naquela noite tão longínqua, soltei seus cabelos, acariciando-os com calma com uma mão, enquanto a outra a mantinha firme pela cintura.
- Eu passo aqui às oito – Falei quando nossos lábios se desgrudaram – Quero te levar para jantar.
- E se eu não quiser ir? - Perguntou Raven parecendo ter saindo de um transe e eu sorri.
-Bom, não vou achar nem um pouco ruim almoçar aqui no seu apartamento – Falei a beijando novamente antes de sair. Eu realmente não deixaria minha bela dama se afastar de novo.
***
Narrado por Harry
Eu tentava, mas não conseguia tirar o sorriso bobo que insistia em permanecer nos meus lábios. Já fazia alguns minutos que estava acordado e não resisti em apenas ficar observando Gina dormir.
Era uma imagem tão pacifica e bela. E, vendo-a ali, deitada ao meu lado na minha cama, que sempre estava vazio... Eu, eu simplesmente faria tudo para nunca mais deixá-la partir.
* * *
N/B: Harry, Draco, peguem eu! Pode ser o Rony, também! A seca tá tão grande que eu aceito até o Xenofílio –n Own, que fofo esse capítulo, viu *-* Devo confessar que prefiro NC's onde as pessoas não são virgens. Aquele papo de primeira vez, na maioria das vezes, é muito superficial. È uma ficção, mas cadê a verossimilhança, povo? #desabafo. E Draco e Raven, hein? (66' Bjss, Marininha Potter
N/A: Er...pois é. Eu quero me desculpar muito pela demora horrorosa para postar. Eu sei que demore muito, mas é que estava em fim de semestre na faculdade, ou seja, muitas provas e minha pessoa quase morrendo. Mas, agora to de férias com muito tempo para escrever.
Quanto ao capítulo, aos que leram a Nc espero que esteja passável e admito que não resisti a colocar a pucca na história
huahauhauahuah
Bom meus amores, espero mesmo que tenha valido a pena esperar tanto por esse capítulo.
Próximo poste: 13/04
Mas, se tiver muitos comentários eu tento postar antes
=***
Até o próximo.
29/03/2010
