Capítulo 9 – O dia anterior
"Estou surpresa que nos deixaram correr depois do que aconteceu." Gina ponderou. Ela e Draco lideravam o grupo de corredores pelo mesmo caminho de todas as manhãs, com a professora Monroe indo mais na frente.
Draco não respondeu. Gina esperou alguns minutos em silêncio antes de tentar novamente.
"A Professora Monroe não parecia meio cansada?"
De novo, sem resposta. Ela resistiu à tentação de olhar a expressão dele. Apesar do silêncio incomodá-la, não queria dar nenhuma indicação de como se sentia.
Desde o encontro deles na biblioteca na noite de sábado, Draco vinha sendo muito breve com ela. No início, ela se parabenizou por enfrentá-lo com sucesso, se é que se podia chamar esse tratamento frio de "um sucesso".
Agora ela tinha vontade de se bater porque sentia falta do Draco antigo, malvado e irônico como ele era. Ela não queria admitir, mas tinha chegado a ponto de gostar das discussões que tinha como companheira de corrida de Draco. Por que ele estava tão calado?
Correram em silêncio por mais alguns minutos, o ar frio de setembro fazendo o nariz de Gina doer quando respirava. Estava frio e úmido, a névoa grudava no cabelo e nas roupas dela como pequenas gotas de chuva numa teia. A luz do sol dispersa deixava tudo cinza e brilhante como os olhos dele.
"Então, você acha que vai devolver meu livro ainda neste século?" ela perguntou quando eles começaram a subir uma das áreas mais alta do caminho.
"Como te disse ontem, e no dia anterior, não tenho idéia do que está falando, Weasley." Draco retrucou, respirando forte por causa do exercício.
"Você sabe sim." Gina respondeu, tentando esconder um sorriso. Até a pequena vitória de fazê-lo falar era algo a ser comemorado. Mas sua alegria não durou muito.
De novo, eles caíram no silêncio. Finalmente olhando para ele, ela esperava vê-lo rolar os olhos ou balançar a cabeça, irritado. Ao invés disso, ela notou a pele azul sob os olhos dele e uma ruga de preocupação no canto da boca dele. Ele aumentou um pouco o passo, coisa que raramente fazia nesse trecho do curso.
"O que você tem hoje?" ela perguntou, sem conseguir esconder sua preocupação e irritação. "O que você fez com Draco Malfoy? Se não fosse pela resposta de mais de uma sílaba que me deu nesse instante, ia começar a te chamar de Crabbe ou Goyle".
Draco suspirou irritado. "Ouça, Weasley," ele respondeu friamente, "Tenho muita coisa na cabeça nessa manhã e preciso pensar. Suas baboseiras não estão ajudando. Claramente, se você pode falar tanto, precisamos apressar o passo". Seguindo suas palavras, ele aumentou a velocidade.
Apesar de estar se recuperando do tom malvado de Draco, Gina apressou o passo e acompanhou. Seus olhos doíam enquanto ela reprimia lágrimas de raiva por ter tentado ser gentil com alguém que claramente não valorizava seus esforços. Depois de alguns minutos, ela diminui de propósito, deixando-o correr na frente sozinho.
Meia hora mais tarde, Gina entrou em seu quarto enrolada numa toalha e passando os dedos pelo cabelo molhado. Ela parou. Casualmente em sua cama estava seu livro de poesia. Um arrepio percorreu seu corpo e quando ela o pegou e olhou ao redor do quarto como se procurasse um invasor.
Sem encontrar nada fora do comum, ela sentou na cama, segurando a toalha a seu redor. Passando as páginas para ver se estava intacto, ele abriu numa página com a orelha dobrada, mas não por ela. Apertando os olhos na luz fraca, ela aproximou o livro para ler:
Fogo e GeloAlguns dizem que o mundo terminará com fogo,
Alguns dizem que será com gelo.
Pelo que provei do desejo
Fico com aqueles que votam no fogo.
Mas se tivesse que perecer duas vezes,
Acho que conheço o suficiente do ódio
Para dizer que a destruição por gelo
Também é grande.
E seria adequada.
Perplexa com o que esse poema podia representar, Gina fechou o livro e passou o indicador pelo corte no lábio inferior que descobrira essa manhã.
******
Harry tomou seu lugar durante o café da manhã, sentindo o desconforto da atmosfera no Salão Principal. Parecia que metade da escola sabia do aparecimento da Marca Negra no céu na noite anterior e a outra metade parecia pensar na notícia apenas como um rumor. O estado de Rony no momento, por causa do fim do namoro com Megan completava a tensão que cobria a mesa da Grifinória.
"Vamos, Rony," Hermione disse, "Você tem que comer alguma coisa, mesmo sem fome."
Rony estava com os cotovelos na mesa, descansando a cabeça sobre as mãos. "Acho que vou vomitar." ele sussurrou.
Hermione olhou ansiosa para Harry. Rony não estava levando bem o rompimento com Megan dessa vez. Isso era muito pior que das outras vezes que eles terminaram. Harry e Hermione nunca viram Rony recusar comida ou perder o apetite. O desejo de Rony por comida era algo aceito como se fosse uma lei da natureza, como a gravidade. Era algo dado como certo, do mesmo jeito de Snape ser irritante ou Pirraça ser uma peste.
"Vamos, Rony. Quantas vezes você me incomodou até que eu tomasse café antes de uma partida de Quadribol? Eu engoli muitos pedaços de torrada que não queria, graças a você." Harry insistiu.
"Você sabe o que é horrível?" Rony disse, a cabeça ainda sobre a mesa, repousando sobre as mãos.
"O que?"
"Eu ainda nem parei pra pensar no Moody. O cara está morto e tudo o que consigo pensar é que terminei com Megan."
"Rony," Hermione disse num tom confortante, "Está tudo bem. Não se culpe por isso também." Ela tocou levemente seu braço e ele levantou a cabeça das mãos.
"Não acredito que acabou." Rony disse. "Nós terminamos!".
Harry e Hermione trocaram mais olhares preocupados enquanto Rony relaxou na cadeira e começou a mexer na comida que Hermione colocara em sua frente. Seus olhos tinham grandes olheiras. Parecia que ele não tinha nem tentado pentear o cabelo; alguns fios estavam entre suas sobrancelhas. Até as sardas dele tinham uma palidez diferente. Em todos esses anos que Harry conhecia Rony, ele nunca o vira tão desanimado.
"Então é verdade?" veio uma voz deleitada por cima do ombro de Harry. Malfoy, novamente. Harry nem virou para ver ser era mesmo.
"O que você quer?" Hermione perguntou. Neste instante, Gina chegou à mesa. Lançando um olhar ilegível para Malfoy, ela puxou um banco e sentou ao lado do irmão.
"Queria ter certeza que ouvi certo." Malfoy respondeu, depois de observar Gina sentando. "É verdade que Megan Jones está disponível? Ela tem um corpo que dá vontade a qualquer bruxo..."
"Sai, Malfoy!" Harry disse, levantando de repente e empurrando o banco contra os joelhos de Malfoy.
"Veja onde empurra as coisas, Potter. Você pode arranjar problemas." zombou Malfoy, piscando.
"Alguém por favor o faça ir embora porque se eu levantar, não vou sentar até que ele seja um ponto naquela parede ali." Rony resmungou, sem levantar os olhos. Gina colocou uma mão confortante a seu redor e olhou zangada para Malfoy.
"É melhor treinar esse olhar malvado, Weasley. Duvido que intimidaria mesmo o Longbottom." Malfoy retrucou, olhando para Gina.
"Por que não volta para sua mesa, Draco?" Hermione disse. Harry tirou a varinha e cruzou os braços, os olhos estreitados.
"Quero falar com você, Hermione." Malfoy disse, tentando não olhar a ponta da varinha de Harry. "Precisamos fazer uma reunião hoje à noite. Algo urgente aconteceu".
"O que foi?"
"Te direi à noite. Me encontre no escritório e explico tudo." Malfoy respondeu, se balançando em seus sapatos.
"Não posso te encontrar hoje." Hermione disse, tomando um gole de seu suco de abóbora.
"Por que não? É importante".
"Nós temos planos." Harry disse entre os dentes cerrados. "Sua reunião vai ter que esperar. Ponha a culpa em mim se quiser. Não a culpe".
"Está bem, Potter." Malfoy respondeu, ainda olhando para Hermione. "Precisamos conversar hoje. Vou estar no escritório se mudar de idéia e quiser ser uma monitora-chefe responsável". Ele levantou as sobrancelhas, inclinou a cabeça para um lado e foi embora, deixando Hermione e Gina olhando feio para ele e Harry puxando o banco irritado para sentar novamente.
Quando Malfoy se aproximava da mesa da Sonserina, Dumbledore levantou, chamando a atenção de todos. "Tenho que fazer um anúncio importante." ele começou. Olhando para a mesa dos Professores, Harry notou que o lugar de Maddie estava vazio.
"Como alguns de vocês podem não saber, a Marca Negra foi vista ontem à noite flutuando sobre a Floresta Proibida".
Ele foi interrompido pelos suspiros aterrorizados e pelos murmúrios. Ele bateu palmas e levantou as mãos para que se calassem.
"Como dizia," ele continuou, "tenho notícias tristes para dar. Envolve a morte de um ex-professor". O salão ficou no mais completo silêncio.
"Ontem à noite, o corpo de Alastor Moody foi encontrado na Floresta Proibida. Não sabemos quem o matou, mas desconfiamos que seja trabalho dos apoiadores de Voldemort, tentando criar pânico nos pais para que eles tirem seus filhos da escola. Mandamos corujas para todos os pais, informando da situação. Espero sinceramente que continuem com a confiança que Hogwarts é um dos lugares mais seguros para seus filhos".
Mais sussurros e murmúrios vieram de todas as mesas das casas.
"Devido ao que ocorreu," Dumbledore disse, levantando a voz, "Acho que entenderão porque todas as viagens a Hogsmeade foram canceladas por enquanto. Os alunos não podem andar pelos terrenos da escola a não ser para aulas ou treinos de Quadribol. Apesar de não acharmos que os alunos correm riscos de serem atacado, queremos ser mais cautelosos, tendo em vista o que aconteceu."
Dumbledore olhou ao redor do Salão Principal, seu rosto triste, seu olhar pesado. Ele parou por um momento, olhando para a cadeira vazia de Maddie. "O Professor Moody era um grande Auror, professor e amigo. Peço que vocês mantenham os amigos e família dele em seus pensamentos durante esse tempo difícil. É só".
O diretor sentou devagar e virou para conversar com a Professora McGonagall. Todos os olhares dos alunos permaneceram nele por alguns segundos, até que o barulhos dos talheres nos pratos e os murmúrios indicaram a volta das atividades do café da manhã.
*****
Hermione saiu mais cedo do salão Principal para a reunião agendada com a Professora Monroe. O dia não tinha começado bem e ela estava tão preocupada com Rony, que não teve tempo nem energia para se preocupar com essa reunião.
Ela bateu incerta na porta, mordendo o lábio.
"Entre." a Professora Monroe falou do outro lado. Hermione girou a maçaneta e entrou na sala que vira tantas mudanças de professor que fazia as pessoas pensarem se o cargo não era amaldiçoado.
"Oi, Professora, vim para nossa reunião." Hermione disse. Ela parou indecisa em frente à mesa onde a professora Monroe escrevia algo num pergaminho.
"Falo com você num minuto. Por favor sente-se, srta. Granger." Monroe respondeu, sem levantar os olhos. Ela apontou para uma das cadeiras na frente da mesa.
Ela largou a mochila no chão e tentou, sem sucesso, ficar confortável na cadeira de madeira dura. Os tremores e nervosismo que associava com tensão e ansiedade estavam começando a aparecer. Seu estômago doía e ela se sentia um pouco enjoada. Por que ela não aprendia que engolir sem mastigar para economizar tempo não era uma boa idéia?
Alguns minutos de silêncio passaram antes que a Professora terminasse levantasse os olhos. Hermione conseguiu conter o espanto. Os olhos de Monroe estavam vermelhos, inchados e estufados. Seu rosto, que normalmente tinha um brilho de saúde, parecia tão fúnebre quanto o de Rony no café da manhã. Até o cabelo dela estava diferente. Não estava mais completamente liso, mas solto e ondulado. Era óbvio que ela não se incomodara com a maquiagem hoje; seus lábios vermelho-escarlate de sempre estavam numa cor rosa e pareciam tão irritados quanto seus olhos. Apesar da aparência descomposta, Hermione continuava intimidada pela beleza natural sentada a sua frente.
A Professora apertou as sobrancelhas e entrelaçou as mãos, repousando-as sobre a mesa. Ela olhou para Hermione esperando.
"Você está bem, Professora?" Hermione perguntou.
Monroe respirou fundo e desviou o olhar para o canto superior direito da sala. Seus olhos estavam vidrados e suas narinas mexiam rápido como as de um coelho. Contraindo os lábios, ela retornou o olhar para Hermione.
"Vou sobreviver." sussurrou, falando mais para si do que para Hermione. Ela olhou vagamente para frente, quase como se estivesse em transe.
Desconfortável com essa cena, Hermione tentou sair dessa situação embaraçosa. "Tem certeza que não quer remarcar para outro dia? Talvez amanhã seja mais conveniente?" ela ofereceu, mexendo em sua mochila para tirar sua agenda.
"Não!" a professora respondeu, chamando sua atenção. "Temos que perseverar, Srta. Granger. Agora, o que posso fazer por você?" ela pegou um lenço e assou o nariz.
"Eu, hã, um, gostaria de falar com você sobre uma coisa." Hermione disse. Sua boca parecia estar muito seca e ela lutou contra uma vontade repentina de chorar.
"Sim?"
"Mas não posso."
"Por que não?"
"Não é tão importante. Pode esperar." Hermione respondeu, sentindo que seria insensível falar de algo como a escolha de roupas numa hora dessas.
"Tem certeza? Você parecia muito ansiosa quando marcou essa reunião." a professora disse.
"Sim, eu deveria ter cancelado." Hermione mentiu, "Não é tão importante, pensando melhor. Espero que aceite minhas desculpas por não ter te dito antes."
Um pequeno silêncio desconfortável se seguiu, no qual Hermione olhou o escritório, seu olhar finalmente repousando em uma fresta na parede do outro lado. Finalmente decidindo que esse silêncio indicava que a reunião acabou, Hermione fez menção de se levantar.
"Espere," Monroe disse, "Tem uma coisa que quero falar com você." Hermione se mexeu em sua cadeira e cruzou as pernas, se perguntando o que a professora queria. Por mais que tentasse, não conseguia manter o joelho quieto por causa do nervosismo.
Monroe lançou um olhar de avaliação antes de continuar.
"Eventos recentes me fizeram tomar um diferente..." ela começou, mas depois parou.
"Não..." ela continuou, "...o que quero dizer é que devido ao que aconteceu... não, isso também não está certo." A mulher sentada em frente à Hermione parecia zangada e irritada consigo mesma por começar errado tantas vezes.
Finalmente se recompondo fechando os olhos e com uma respiração profunda, a Professora Monroe se inclinou para frente. "Eu apostaria que você não está acostumada aos professores serem tão duros com você quanto tenho sido nas últimas semanas."
Hermione gaguejou quando começou a falar, mas a professora levantou a mão para interrompê-la.
"Você não precisa responder isso." Monroe disse. Hermione parou.
"Estou sendo dura com você de propósito e injustamente. Pelo que sei, esse não é o tipo de tratamento a que está acostumada." ela disse rápida.
Hermione arregalou os olhos. Por que a Professora Monroe estava falando nisso agora? Ela ficou mais ansiosa e se preparou para o pior. Como ela ficaria composta se ela começasse a falar do que aconteceu com Harry no verão?
"Está me ouvindo, Srta. Granger?" Monroe perguntou séria.
"Sim, Professora. Desculpe, estava pensando."
Monroe sorriu. "Sim, você é muito boa em pensar, pelo que vejo. Mas essa não é sua única qualidade, como mostrou na aula de esgrima. Preferi não dizer naquela noite, mas fiquei impressionada com seu talento."
"Obrigada, Professora." Hermione disse incerta. Milhões de pensamentos passavam por sua cabeça, alguns incluíam a possibilidade disso ser um estranho pesadelo trazido pelo estresse do dia ou que a professora tinha cedido sob a pressão dos acontecimentos.
"Como você sabe, estou de licença dos Aurores, mas isso não quer dizer que estou de licença de meus deveres. Uma das maiores responsabilidades de um Auror é achar candidatos qualificados para adicionar a nossa classe. Cada Auror indica uma pessoa a cada cinco anos depois que eles passam por seus treinamentos. Pode adivinhar quem vou indicar, Srta. Granger?"
Piscando com força, Hermione tentou se segurar quando sentiu um peso em cima dela. Ela se encheu de descrença. Pensando rápido, ela percebeu que isso devia ser um truque. A verdadeira mensagem seria uma lição sobre os perigos de ser namorada de Harry ou as responsabilidades de se envolver com alguém que era colocado em perigo quase diariamente. Sem querer caí no truque de Monroe, Hermione respondeu o mais neutro que pode, sem parecer rude.
"Prefiro não tentar adivinhar quem é, Professora." Hermione respondeu, limpando a garganta.
"Não quer? Vamos lá. Nem uma tentativa?"
"Harry?" Hermione tentou, engolindo a seco.
Monroe riu. "Não! Não o Harry! Todos estão lutando para indicá-lo. Por favor. Você acha que eu sou tão Maria vai com as outras?"
Hermione deu os ombros.
"Claramente, você não percebeu quais são minhas prioridades. Vamos consertar isso." a professora falou segura, recostando-se na cadeira com os braços cruzados. "Então não. Eu não escolhi Harry. Quero nomear alguém como eu. Você sabia que as bruxas têm muito pouca representação entre os aurores?"
Hermione balançou a cabeça devagar, sem saber direito se estava respondendo a questão ou expressando o choque de onde esta conversa estava indo.
"Bem, elas são," Monroe falou, bastante ressentida. Ela levantou da mesa e começou a caminhar de um lado para o outro no pequeno escritório enquanto falava, os braços cruzados e os olhos no chão.
"Quero uma pessoa que não se intimide pelos bruxos falantes que agem como todo-poderosos. Precisamos de Aurores que possam traduzir Runas Antigas de cabeça enquanto derrotam um oponente em um duelo. Inteligência, equilíbrio, bom senso e habilidade mágica são características essenciais em um Auror, e você as tem em abundância, Srta. Granger. Você lembra eu mesma quando estava na escola. Apesar de não ter sido monitora-chefe devido a um pequeno problema com o monitor-chefe... bem deixa isso pra lá. Vou guardar essa história para outra oportunidade."
"Desculpe, Professora." Hermione disse, a voz arranhando a garganta como um biscoito seco, "Você quer dizer que vai me indicar para ser Auror?" A descrença de Hermione deve ter refletido em seu rosto, pois a professora Monroe parou de caminhar pela sala e a olhou nos olhos, sorrindo assegurando.
"Essa é minha intenção, Srta. Granger. Queria te conhecer desde que Harry falou sobre você no verão." ela disse. Com a menção de Harry, a respiração de Hermione ficou presa no peito e ela sentia a ponta da cadeira apertando sua coxa. Mas essa foi a última vez que a Professora falou nele. Sentou-se novamente na cadeira atrás da mesa e olhou para Hermione.
"Quando vim para Hogwarts e te conheci," Monroe disse, "logo determinei que você seria um excelente candidato. Fui tão dura com você porque queria avaliar como você lidava com pressão. Isso vem em abundância com o meu emprego, pressão incessante. Você deve manter vigilância constante se quiser suceder em ser uma Auror."
Uma pontada de tristeza atravessou a sala com menção da famosa frase de Moody.
"Então, o que isso significa?" Hermione perguntou.
"Significa que se estiver interessada, precisamos trabalhar para mandar seu pedido." a Professora respondeu. "Mas você não deve se decidir agora, é muito cedo. Geralmente os indicados não sabem até bem mais tarde."
"Quanto tempo tenho para decidir?" Hermione perguntou.
"Eu te aviso quando chegar a hora. Os pedidos geralmente começam a ser enviados em dezembro, mas às vezes isso muda."
"Ah."
"E tem mais uma coisa," A professora disse, muito séria. "Se eu te indicar, significa que serei sua responsável, sua tutora, se você conseguir o emprego. Cuidaria de seu treinamento, então trabalharíamos juntas todos os dias. Achei que deveria saber porque se não aceitar isso, tem que dizer logo."
Hermione afirmou com a cabeça, indicando que entendera.
"Mas não tem que se decidir hoje." Monroe continuou. "Apenas pense nisso."
"Claro, Professora." Hermione respondeu. Descrença ainda dominando-a, ela queria sair dali para poder pensar no que a Professora Monroe acabara de dizer.
"Ah, e por favor, sinta-se livre para me chamar de Maddie quando estivermos sozinhas. Eu concordo em seguir regras, mas não suporto títulos. Eles são tão... sufocantes, não acha?"
"Ah, claro, Professora."
Maddie (esse nome algum dia seria confortável?) levantou, oferecendo a mão para Hermione, determinação em seu rosto. Levantando, Hermione apertou a mão oferecida firmemente.
"Obrigada." Hermione disse constrangida, largando a mão prematuramente. "E devo dizer que lamento muito pelo professor Moody."
Uma pontada de tristeza e arrependimento passou pelo rosto da professora. "Espero que o tenha deixado orgulhoso hoje." ela murmurou. "Te vejo na sala, Srta. Granger." ela completou, abrindo a porta para que Hermione saísse.
Quando a porta fechou atrás dela, Hermione ajeitou a mochila no ombro e tomou seu caminho pelo corredor para a próxima aula, Trato de Criaturas Mágicas. Antes de chegar muito longe, ela percebeu que esquecera a agenda na sala da Professora Monroe.
Apressando-se de volta, Hermione parou na frente da porta. Quando ela ia bater, hesitou. Um barulho de choro alcançou seus ouvidos.
Sem saber o que fazer, Hermione parou e decidiu não interromper. Ao invés disso, ela voltou para o corredor, perdida em seus pensamentos. Pela primeira vez na vida, ela se sentia mal pela mulher que desprezara pelas duas últimas semanas.
"Srta. Granger, vai se atrasar para aula." falou a Professora McGonagall, fazendo Hermione parar e virar.
"Olá, Professora." ela disse apressada. "Sim, eu sei que estou atrasada, mas acabei de sair da reunião com a professora Monroe."
McGonagall pareceu se interessar, então ela continuou. "Correu bem, mas preferi não mencionar o assunto que tinha com ela. Não era importante, falando relativamente."
"Sim, bem," McGonagall disse, "ela realmente o amava como um pai. É tão triste que tenha sido ela que o encontrou, deve ter sido horrível para ela."
"Como assim, Professora?" Hermione ficou chocada com a notícia.
"Ah, você não sabia?" McGonagall disse, levantando a sobrancelha. Ela parecia estar arrependida do que dissera. "Bem, acho que você vai logo descobrir... ele era o tutor dela. Uma terrível perda para todos nós..." ela deu um tapinha no ombro de Hermione e continuou pelo corredor.
Pasmada com mais uma notícia surpresa, Hermione virou e saiu correndo para a aula seguinte na cabana de Hagrid.
*****
As pequenas chamas queimando no Salão Comunal da Grifinória formavam longas sombras na bandeira da parede do lado oposto. Tudo estava quieto, exceto por duas figuras sussurrando no sofá e barulhos ocasionais das labaredas.
"Francamente, Harry! Se eu não estivesse extremamente preocupada com Rony, nunca deixaria me convencer a fazer isso. Se formos pegos, vamos ter muitos problemas. Dumbledore disse..."
"Eu sei. Mas você não queria ir para Hogsmeade, então essa é a melhor alternativa. E não vamos ser pegos. Vamos tomar muito cuidado, e estamos com minha capa." Harry sussurrou em resposta.
Os pensamentos dele voltaram para Moody, a única pessoa que ele sabia que podia ver através da capa. Para lutar contra o sentimento de tristeza que surgiu ao lembrar do assassinato de Moody, colocou o braço ao redor de Hermione, puxando-a para mais perto. Eles sentaram em silêncio por um tempo, antes de Hermione levantar a cabeça do ombro dele.
"Por que ele está demorando tanto? Ele não disse que já ia descer?" ela perguntou.
Harry olhou para as escadas. "Desde o rompimento o estômago dele está mal. Aposto que é isso que está atrasando-o."
"Ugh. Ainda bem que quando me estresso isso não afeta meu estômago." Hermione murmurou.
Harry sorriu, "É, com certeza é melhor andar por aí com as costas tensas, os ombros doloridos e cheia de olheiras por falta de sono."
"Está falando de mim ou de você?" Hermione deu uma risadinha.
"Você. Mas acho que isso também vale para mim, não é?" ele disse, sorrindo.
Seus olhos se encontraram, e eles sorriram. "Queria sair com você hoje," Harry sussurrou, apertando-a contra ele e procurando os olhos dela. "Para celebrar seu aniversário."
"Isso seria legal, mas podemos celebrar amanhã." ela respondeu com um olhar que acelerou o coração dele. "Até lá não vai ser meu aniversário mesmo. Além disso, se esperamos até amanhã, vamos ter que celebrar mais que o meu aniversário." Os lábios dela passaram levemente pela bochecha dele, arrepiando-o.
Harry respondeu com um beijo, cobrindo delicadamente a sua boca com a dele. Era um beijo que prometia ser muito mais, assim que chegasse a hora. Pena que o tempo ainda não tivesse chegado. Hermione estava irresistível, sendo beijada sob a fraca luz da lareira.
Quando ela terminou o beijo, seu rosto estava cheio de preocupação. "Rony precisa de nós hoje mais do que precisamos comemorar meu aniversário. Estou realmente preocupada com ele."
Harry logo se recuperou. O beijo o deixara muito excitado, o que não era muito bom, levando em conta os planos da noite. "Ele vai sobreviver. Só temos que animá-lo. Com sorte essa pequena excursão vai servir." Harry disse, esfregando o ombro dela assegurando.
"Assim espero." ela disse. Eles sentaram em silêncio por alguns instantes, Harry massageando a tensão dos ombros dela.
"Então, pensou mais sobre o que Mad- quer dizer, a Professora Monroe disse?" Harry perguntou, tentando distrair Hermione de ficar muito preocupada com o por que Rony estava demorando tanto.
Hermione mudou de posição de forma que ficou sentada sobre uma perna. "Pra ser franca, ainda estou chocada," ela respondeu, "e não sei se posso confiar nela ou não. Depois do que ela fez com você nesse verão, acho difícil de acreditar no que ela diz."
"Concordo com isso," Harry sussurrou. "Por isso que ainda acho que você deve conversar com Sirius." Ele parou a massagem.
Hermione franziu a testa. "Talvez eu fale."
"Acredite em mim, Hermione. Ele não vai se importar." Harry assegurou. Sorrindo para ela, ele esticou o braço e enfiou o pente mais no cabelo dela.
Quando eles iam se beijar novamente, o barulho de passos na escada anunciaram a chegada de Rony. Harry e Hermione levantaram, Harry pegando a capa da invisibilidade.
"Oi." Rony sussurrou, "Desculpe pela demora. Estava decidindo se queria mesmo fazer isso."
"Se preferir ficar, está tudo bem também." Hermione disse, indo para o lado dele e colocando uma mão sobre seu braço. Ele olhou para ela e deu um pequeno sorriso.
"Não, está tudo bem. Acho uma ótimo idéia. Talvez me ajude a esquecê-la," Rony disse amargamente.
Harry e Hermione se olharam ansiosos enquanto Harry desdobrava a capa e jogava por cima dos três. Comparando com o quanto parecia grande da primeira vez que fizeram isso, a capa agora mal cobria o trio. Eles toda hora pisavam no pé dos outros, na saída da Torre da Grifinória.
"Ai, Harry. Isso é meu pé." Hermione sussurrou, enquanto eles passavam pelo gramado.
"Desculpe," Harry murmurou, por entre os dentes. Rony acabara de pisar no lado de seu tornozelo, deixando um grande arranhão.
Instantes depois, quando a cabana de Hagrid apareceu, Hermione quebrou o silêncio. "Queria que Hagrid ficasse, preciso falar sobre a lição de hoje. Malfoy ficou me importunando com a reunião de hoje e não consegui ouvi metade do que ele disse sobre elfos domésticos."
"Francamente, Hermione. Quando sua obsessão por elfos domésticos cai terminar? Por favor não diga que quer recomeçar o F.A.L.E. novamente." Rony disse.
"Muito engraçado," ela sibilou, "mas não é por isso que quero saber. Hagrid falou algo sobre elfos-domésticos serem resistentes à Dementadores, e não consegui ouvir os detalhes. Talvez se a resistência deles for estudada mais, possamos achar um antídoto para as pessoas que são potencialmente atingidas por eles. Você sabe, como Harry e Gina..."
"Por favor, não fale de mim como se não estivesse aqui." Harry interrompeu, "Já faz um tempo que consigo enfrentar Dementadores."
"Sim, eu sei disso," Hermione respondeu, "Mas e as pessoas que não podem conjurar um Patrono?"
"Você não pára de pensar na escola?" Rony repreendeu. "Parece uma obsessão."
Esse era o ponto em que geralmente Rony e Hermione começariam mais uma de suas discussões calorosas, mas isso não aconteceu. Harry sabia que Hermione estava segurando a língua por causa da preocupação com Rony. Ninguém falou mais nada até que chegaram à cabana de Hagrid.
"Ele sempre deixa a chave sob o capacho." Harry disse, usando o pé para verificar. Como esperado, uma grande chave estava guardada sob o emaranhado de tranças. Harry pegou a chave e abriu a porta. Eles passaram pela porta desajeitados, fechando-a atrás deles.
"Queria que o homenzarrão estivesse aqui hoje." Rony disse, quando eles tiraram a capa. "O que Hagrid está fazendo?"
"Rony! Você sabe que todas as quintas ele vai para Hogsmeade para encontrar com a Associação de Amadores de Dragões. Além disso, ele achou melhor deixar a gente sozinhos." Hermione relembrou, impaciente.
Harry olhou para seus dois amigos. Nenhum dos dois parecia de bom humor. Sinceramente, Harry também não estava muito bem, mas parecia que ele devia manter o clima. Indo até o rádio mágico de Hagrid, ele o ligou e virou para Rony e Hermione.
"O propósito de vir aqui era para te alegrar, Rony. Agora, o que quer fazer?"
Rony sorriu para seu melhor amigo, se desculpando. "Eu ainda não agradeci vocês dois por saírem comigo hoje. Sei que estariam sozinhos agora se não fosse por mim. Muito obrigado por isso." Ele se inclinou e deu um beijo na bochecha de Hermione.
"Estamos preocupados com você." Hermione disse, corando um pouco. "Sabe que faríamos qualquer coisa para que se sinta melhor."
"Obrigado." ele disse, sentando à mesa de Hagrid. Harry e Hermione se juntaram a ele, Harry, puxando a cadeira para Hermione. Ela tocou a mão dele ao se sentar, fazendo-o sentir quente por dentro. Em menos de vinte e quatro horas, eles estariam juntos de um jeito novo e excitante, se a espera não o matasse antes.
A cabeça de Rony estava em suas mãos, os cotovelos repousando sobre a mesa. A voz estava abafada quando ele falou. "Queria conseguir parar de pensar nisso, mesmo que fosse só por uma hora." Ele parou alguns segundos. "Talvez beba alguma coisa." ele disse levantando a cabeça. Levantando da mesa de repente, ele começou a olhar os armários de Hagrid, ignorando as broncas de Hermione.
"Rony, beber não é a resposta. Você não devia bisbilhotar as coisas de Hagrid assim." ela disse, com as mãos na cintura.
Harry se intrometeu. "Eu concordo. Por que não jogamos xadrez ou Snap explosivo?"
"Ora, vocês dois!" Rony disse, "Só um drinque não vai nos matar."
Harry estreitou os olhos, ele não gostava nada de onde isso estava indo. Ele ouviu Hermione batendo os dedos na mesa impaciente.
"Isso parece bom." Rony disse, descendo do balcão onde tinha subido para continuar sua procura. A garrafa fez barulho quando ele a colocou no centro da mesa.
"Bafo de Dragão Caseiro de Hagrid 1995", Rony leu. "Isso deve ser forte o bastante para me fazer esquecer por pelo menos duas horas."
"Rony, eu não acho -," Hermione começou, mas Rony levantou a mão para silencia-la,
"Não seja estraga prazeres, Hermione. Vamos lá! Não vai doer nada em mim, tomar só um." ele disse. "Espere um pouco, vou pegar uns copos." Rony voltou da cozinha com três copos enormes.
Voltando para mesa, ele colocou os copos sobre ela e tirou a rolha da garrafa. Antes que ele derramasse uma única gota, Hermione colocou a mão para para-lo. "Se me deixar terminar," ela disse, "Ia dizer que isso é Bafo de Dragão, Rony, eu li que é um pouco perigoso."
Rony deu um sorriso. "Tenho certeza que as histórias sobre a potência dele foram exageradas."
"Eca." Hermione disse, levantando e tomando a garrafa da mão de Rony. "Deixa-me mostrar." Ela colocou um pouco da bebida em um dos copos.
"O que está fazendo, Hermione?" Harry perguntou. Ele já a vira desse jeito, e geralmente o que vinha depois era bastante interessante.
Ela não desapontou. Pegando o copo e derramando uma gota na mesa, ela fez uma chama azul e laranja queimar. Os três pularam para trás, de olhos arregalados.
"Acho que não vamos tomar nada disso." Rony disse, olhando surpreso para as chamas que morriam lentamente. A garrafa ficou esquecida no canto da mesa enquanto eles se preparavam para uma partida de Xadrez de Bruxo.
Duas partidas depois, Hermione estava sentada relaxada numa cadeira olhando Harry e Rony rearrumando as pedras. Harry sabia que ela estava entediada, especialmente depois da última partida, quando ninguém falou por quase meia hora. A última vez que Rony falou alguma coisa, foi para explicar um dos movimentos mais complicados que ele esperava usar durante o torneio, o Dilema de Merlin. Hermione não achava Xadrez de Bruxo tão interessante, e seus olhos estavam pesando.
Quando ele ia perguntar se ela estava com sono, uma batidinha na janela anunciou a chegada de uma coruja. Harry levantou e abriu a janela, olhando quando a coruja voou para dentro e pousou sobre o ombro de Hermione.
"Ei, essa é a coruja de Malfoy. Que será que ele quer?" Rony disse, tirando os olhos do tabuleiro por um instante. "Sua vez." ele disse, avançando um peão, que prontamente decapitou um dos de Harry.
Mas ele o ignorou. Estava muito ocupado observando Hermione desamarrar o bilhete da perna esticada da coruja. Depois de entregue a carta, o pássaro voou até a mesa e bicou a mão de Rony, procurando alguma coisa para comer.
"A idéia que eu tenho é dar um pouco de Bafo de Dragão." Rony disse. "Vá embora, coisa chata. Não vê que estou tentando jogar?" O pássaro voou pela janela quando Rony levantou o cotovelo, espantando-o desajeitado.
"O que ele quer?" Harry perguntou.
Hermione franziu a testa enquanto lia o bilhete. Seu rosto estava cheio de ansiedade quando ela olhou para Harry. Entregando o bilhete para que ele pudesse ler, ela começou a andar pela cabine. Harry apertou os olhos para ler as letras tortas com as quais não estava familiarizada e leu em voz alta para que Rony pudesse ouvir.
Hermione, Hermione, Hermione. O que Dumbledore diria se soubesse que você saiu escondida hoje? Estou chocado, muito chocado que você tenha arriscado sua posição como monitora-chefe, fazendo algo estritamente proibido pelas regras da escola.
Venha pra nosso escritório agora e posso pensar em não contar a ele.
Draco.
P.S.: Não se meta onde não foi chamado, Potter.
"Quem ele pensa que é?" Harry perguntou, amassando o bilhete.
"Ignore." Rony opinou quando Hermione começou a andar. "Malfoy está blefando. Mesmo que não esteja, seria sua palavra contra a dele e Dumbledore -"
"Eu vou." Hermione disse firme, interrompendo Rony.
Harry cruzou os braços e olhou sério para ela. "Não acho que seja uma boa idéia" ele disse. Rony concordou com a cabeça.
"Vamos lá," Hermione respondeu, parando em frente a Harry. "Eu preciso ver o que ele quer. E se for importante e eu estiver ignorando minhas obrigações? Não vai demorar, nenhuma de nossas reuniões demora. Depois vou direto para Torre da Grifinória."
"Deixa que eu te levo," Harry ofereceu. "Espero na porta do escritório, depois te levo até seu quarto."
"Não," ela respondeu, surpreendendo-o. Rony ficou quieto, deixando que eles dois resolvessem isso. Ele estava ficando bom em saber quando eles precisavam discutir as coisas sozinhos.
"Desculpe, Harry." ela completou num sussurrou. Hermione foi até a porta e colocou a mão na maçaneta. Virando, ela olhou para Rony que estava concentrado no jogo à sua frente.
"Olhe para ele." ela apontou, "Ele parece muito melhor. Fique com ele. Posso lidar com Malfoy sozinha." Dando um beijo na bochecha dele, ela abriu a porta.
Harry a interrompeu antes que ela descesse os degraus da entrada. "Não é seguro voltar sozinha. Nunca me perdoaria se algo acontecesse. E você não está com a capa. E se for pega?"
Hermione virou para ele e sorriu. "Você e Rony precisam dela mais que eu." ela respondeu. "Fique com Rony. Vou ficar bem. Estou com minha varinha e sou mais que capaz de me defender sozinha. Se for pega, estou fora da cama 'por assuntos de monitora chefe'." Ela estava decidida.
"Por favor, Hermione," Harry insistiu mais uma vez, balançando a cabeça. "Quero que fique. Isso não pode esperar?"
"Não, não pode esperar." ela respondeu, tranqüilizando-o com um sorriso. "Volte pra dentro e jogue mais Xadrez de bruxo com Rony." Depois disso, ela virou e começou a correr na direção do castelo. Harry a olhou indo embora, uma sensação estranha por dentro. Quando ele ia correr atrás dela, um barulho atrás dele o fez virar e ver o chão da cabana de Hagrid em chamas. A garrafa de Bafo de Dragão estava vazia sob a mesa. Ele se apressou para ajudar Rony a apagar o fogo com um pouco de água saída de sua varinha e com um poderoso feitiço cobertor. Quando voltou à porta, não podia ver Hermione e supôs que ela tinha chegado ao castelo a salvo.
Mas ele estava errado em sua suposição. Quando Hermione estava correndo para o castelo, tropeçou e caiu em algo. Seus joelhos e mãos se machucaram, pois ela os usou para amortecer a queda. A varinha, que ela estava segurando à sua frente, se perdeu em algum lugar da escuridão.
"Droga." ela praguejou, procurando pela varinha sobre a grama.
"Perdeu alguma coisa?" perguntou uma voz rouca. Antes que ela pudesse ver quem era, a voz disse "Pretificus Totalus". Ela ficou dura como pedra e caiu para trás, a queda no chão trazendo uma grande dor.
Havia umas cinco sombras sobre ela. Duas dela a carregaram e a levaram para a Estufa B. Quando procurou pelos outros três, eles tinham desaparecido, provavelmente sob capas da invisibilidade como a de Harry. Tentando ao máximo gritar, Hermione lutou contra o feitiço, dando a sensação que seu peito estava se partindo em dois.
O feitiço foi retirado depois que eles a colocaram numa alcova na estufa. Os cinco agressores colocaram um feitiço silenciador ao redor deles. "Ninguém vai ouvi-la gritar, sangue-ruim." um deles zombou, quando eles se alinharam na frente dela. Eles avançaram sobre ela e ela recuou, até achar uma parede atrás dela.
"O que vocês querem?" ela perguntou, os olhos estreitados bravamente. Por dentro, ela estava morrendo de medo.
"Precisamos fazer um pequeno teste em você. Mas antes, queremos nos divertir um pouco, não é, pessoal?" uma das sombras que parecia ser o líder respondeu. Todos riram maléficos, se aproximando rapidamente dela. Seus rostos eram cruéis e estranhos. Ela pressionou as costas contra a parede.
"Será que ela grita?" um deles perguntou, apontando a varinha para ela. Ela se preparou para o ataque, sem saber o que esperar.
Harry uma vez tentara explicar como era ser atingido pela Maldição Cruciatus. Ele não queria falar sobre isso, mas ela insistiu, sabendo que o ajudaria a superar os terríveis eventos do quarto ano. A dor alucinante que ela experimentava agora não foi totalmente descrita pelos murmúrios de Harry.
Com certeza essa dor a mataria. Parecia que dezenas de facas eram enfiadas em seu corpo, atingindo os ossos e depois eram torcidas sem compaixão. Talvez seu corpo se quebrasse, sem conseguir suportar essa tortura. Ou então ela ia desmaiar logo.
Seus olhos se abriram quando o feitiço terminou. Ela sentou-se, com dor. Com grande esforço, levantou a mão para tirar o cabelo dos olhos. Estava enjoada, por causa da dor que ainda ecoava por seu corpo. Sangue escorria por seu braço e ela percebeu que seus joelhos estavam cortados. Olhando mais perto para suas mãos, ela se horrorizou ao notar que o sangue saía de marcas de suas unhas. Risadas enchiam seus ouvidos, fazendo com que voltasse a atenção para os homens a sua volta. Eles estavam a meio metro de distância. Ela se forçou a levantar.
"Doeu?" o líder caçoou, sem olhá-la nos olhos com seus olhos azuis. Hermione olhou feio para todos eles, levantando a cabeça em desafio.
"Me deixe em paz." ela disse, o mais firme que pôde. Ao ouvir a própria voz, ouviu o quanto soou patética, mas não importava. Tinha que haver uma saída, e ela a encontraria antes que esses bruxos fizessem algo pior.
"Te deixar em paz ou o que?" o que estava logo à esquerda dela zombou. "Você não tem sua varinha e ninguém vai te ouvir gritar."
Um raio de inspiração a atingiu, e ela levantou a mão, para pegar o pente que segurava seu cabelo. Harry. Tudo o que ela tinha que fazer era tocar o pente e chamar o nome dele e ele estaria ali em menos de um minuto. Ela só desejava que ele tivesse o bom senso de se aproximar cautelosamente, e com a varinha em punho.
Tão rápido quanto o pensamento lhe deu esperanças, ele desapareceu, quando ela percebeu que o pente não estava lá. Passando as duas mãos nos cabelos molhados de suor, ela deduziu que ele provavelmente caíra. Olhando cuidadosamente o chão a sua volta, ela tentou se acalmar para poder pensar com calma o que fazer.
"Procurando por isto?" o homem à direita dela perguntou, balançando o pente na frente dela. As risadas encheram o ar novamente e ela tentou desesperada achar uma saída. O homem que segurava seu pente parecia ser o menor do bando. Talvez um chute certeiro o tirasse do caminho para que ela pudesse fugir da área silenciada e gritar por ajuda. Primeiro, ela precisava juntar forças.
"Me devolva!" ela disse para o homem segurando o pente. "Isso é meu e é importante para mim."
"E o que vai me dar em troca?" ele respondeu, sarcasticamente. Os outros riram. Eles não pareciam ter mais que vinte anos. Esses seriam os mesmos bruxos que atacaram aquela bruxa no Beco Diagonal?
Com grande esforço, Hermione conseguiu mover os braços e colocá-los na cintura. "Não vou te dar nada que não mereça." ela respondeu, encarando o bruxo nos olhos.
"Ela é bravinha, hein? Talvez devamos acabar logo com isso." o líder disse.
Agora era sua chance. Apertando os dentes e se concentrando no lugar do ataque, Hermione correu e chutou o homem baixo onde ela sabia que doeria mais. Curvando-se para frente, ele gritou, caindo no chão de dor. Cambaleando de dor, Hermione passou pelo homem caído no chão.
Antes que pudesse escapar, um deles segurou seu ombro, virando-a. Ele a segurou com uma força estrondosa e ela se contorceu e gritou, tentando se libertar. O homem que ela chutara levantou, grunhindo de dor e se apoiando em outro agressor.
"Vai pagar por isso." ele rosnou, mancando na direção dela. Sem se entregar, Hermione o encarou, rezando silenciosamente para que alguém, qualquer um, os achasse ali.
Muito provavelmente para vingar o chute, e com certeza para causa-lhe mais dor, o baixinho deu-lhe um tapa com as costas da mão, inchando a bochecha dela. O mundo na frente dela começou oscilar como uma chama se extinguindo. Seus ombros foram largados e ela caiu no chão. Mesmo caída de bruços no chão, ela tentou se levantar para encará-los novamente, mas descobriu que mal conseguia se mexer. Virando a cabeça para o lado, ela os viu se aproximando.
"O que está acontecendo aí?" uma voz brusca perguntou. Hermione mal registrou o fato que a voz não pertencia a um dos agressores. Ela lutou contra a dor para virar a cabeça para o outro lado e olhar a fonte da voz, já agradecida por ele ter interrompido o avanço de seus agressores.
"O que está fazendo aqui, Mestre Malfoy? Isso não é de seu interesse." o líder falou para a figura encapuzada que se aproximava.
Um lampejo de cabelos loiros platinados passou pelos olhos dela quando Draco tirou o capuz. Deve ser Draco, ela pensou vagamente. Quando ela estava completando o pensamento, ele se apressou em sua direção, a imagem dele embaçada pelas lágrimas em seus olhos. Ajoelhado ao lado dela, ele usou os braços para virá-la gentilmente.
"Espere aqui," ele disse com pressa, "isso só vai levar um minuto."
Ela o agarrou antes de concordar com a cabeça, fazendo uma careta por causa da dor que isso causou.
Levantando e puxando sua varinha, Draco andou confiante até os cinco homens que recuaram uma pequena distância. Hermione se forçou a permanecer consciente, observando Draco falar com seus agressores. Eles pareciam conhecê-lo. Sentindo-se completamente desamparada, Hermione começou a chorar, os soluços trazendo enormes dores. Ela rolou para ficar deitada de costas, e concentrou todas suas energias e pensamentos em não desmaiar.
