Pra começo de conversa, Supernatural, Sam e Dean não me pertencem, se pertencessem eu teria dinheiro na carteira e em "Created by..." aparecia meu nome e não o do Eric Kripke.

"Tudo o que ele quer é" contém Slash e Incesto! Não sabe o que é? Eu explico, são dois homens, no caso irmãos, se pegando. Gosta do tipo? Boa leitura! Não gostou? É bem simples, não leia!

A Fanfic se passa em alguma parte da 2º temporada, não importa qual, se você não assistiu não vai fazer diferença.


Tudo o que ele quer é - Capítulo Nove


Fazia um dia muito bonito. Não estava tão frio, não tanto quanto estava nos últimos dias. O céu estava com poucas nuvens, de forma que sol estava completamente visível. As poucas nuvens brancas se destacavam no céu azul, muito azul.

Dean saiu do seu quarto com um sorriso enorme nos lábios. Ele foi passando pelo corredor e indo até a lanchonete, cumprimentando as pessoas que via pelo caminho com um aceno de cabeça, e ele simplesmente não conseguia tirar o sorriso dos lábios. Algumas garotas olhavam para ele, com certo interesse, mas era como se Dean nem visse, ele só olhava para frente e sorria, ria sozinho. Essa era uma coisa que ele nunca tinha feito na vida, talvez quando seu pai disse que ele podia ficar com o Impala, mas nunca que ele ficou rindo sozinho.

Ele entrou na lanchonete, chamando a atenção das pessoas que estavam ali tomando o café. Dean as cumprimentou com o mesmo aceno de cabeça e foi até o balcão, se apoiando e estalando a língua, olhando o menu.

- Olá. – Cumprimentou uma garota do outro lado, morena com os cabelos presos numa trança. Dean desviou o olhar do menu para ela e sorriu, o seu típico sorriso que fazia qualquer uma suspirar. – O que o rapaz bonito vai querer?

- Eu vou querer o especial de hoje. – Dean disse, deixando o menu de lado. – Dois, pra levar.

- Okay. – Ela disse, dando uma última olhadela em Dean antes de anotar o pedido e sumir dentro da cozinha, provavelmente pra ir falar o pedido ao cozinheiro. Dean continuou lá apoiado no balcão, olhando o movimento e ainda sorrindo.

Porque cara, a noite passada tinha sido o máximo!

- Dean Winchester. – Ele ouviu uma conhecida voz dizer logo ao lado dele. Dean virou o rosto para olhar para Rachel, que tinha acabado de chegar e estava ao seu lado, olhando para Dean e segurando o menu que ele estivera olhando. – Sempre arrancando suspiros das garotas, e dos garotos também.

Ela deu uma risadinha, deixando o menu de lado. Dean se virou, ficando de frente para a porta e para as pessoas no estabelecimento, mas ainda estava apoiado no balcão, só que agora com os cotovelos, de costas para o balcão.

Dean e Rachel não tinham feito nada além de conversar na noite passada, ele basicamente ficou explicando para ela as coisas básicas do sobrenatural, o que é verdade e o que não é. É claro que a garota lhe deu uma cantada ou outra, mas Dean foi firme. Até porque ele estava nessa relação pra valer, e Dean é extremamente fiel quando ele encontra a pessoa certa.

E quem ia acreditar que a pessoa certa era aquele para quem Dean contava historinhas idiotas para ele dormir quando crianças?

Ah, claro que na noite passada Rachel ficou sabendo que eles não eram federais, e sim os caçadores, e também ficou sabendo os sobrenomes verdadeiros deles.

- Então... – Ela voltou a dizer, parecendo mais séria. Dean a olhou, ainda sorrindo, só que um sorriso mais de lado. – Fez as pazes com seu irmão?

- Aham, está tudo perfeito agora.

- Perfeito na medida do possível, não é? – Ela disse sem pensar, com um leve toque de desaprovação. Dean não se abalou, apenas soltou uma risada baixa e sem emoção. – Desculpa, não quis dizer... É que é estranho, quer dizer, vocês são...

- Corta esse papo, Rach. – Dean disse, tirando o sorriso dos lábios, a olhando mais sério. Ela sentiu-se arrepiar diante daquele olhar. – Não é o convencional, todo mundo diria que é errado pra caramba, mas eu não dou à mínima.

- Que bom pra ele. – Ela disse, tentando sorrir. – Sério, é que... Foi meio chocante descobrir daquela forma.

Dean riu, e Rachel sorriu.

- É mesmo. Olha... – Ele tornou a olhá-la, mais sério. – Me desculpa por aquilo, eu não queria que descobrisse daquela forma. Não queria magoar você, mas foi repentino. As coisas foram repentinas demais e quando eu vi já estava acontecendo, eu sei que deveria ter te falado, mas foi muito... De repente.

- Eu entendo. – Ela disse, olhando para baixo. Então tornou a encará-lo, mudando de assunto. – Então, quanto tempo vão ficar na cidade?

- Acho que vamos embora ainda hoje. Sabe como é, nesse trabalho não tem férias. Tem sempre alguma coisa esperando pela gente por aí.

- Olá? – A atendente interrompeu os dois, e Rachel fechou a boca antes que tivesse oportunidade de fazer algum comentário. Ela sentiu o coração ir parar na garganta quando Dean disse que iriam embora ainda hoje. Sentiu o coração palpitar porque talvez nunca mais o fosse ver. – Seu pedido.

A atendente estendeu dois pacotes, colocando-os em cima do balcão. Era o pedido de Dean, e o cheiro estava ótimo. Dean se virou, sorrindo para ela. Ele pegou a carteira e estendeu um cartão.

- Crédito?

- Débito. – Dean disse. Rachel observava os dois sem dizer nada. A moça passou o cartão, Dean digitou a senha e logo ela entregava o cartão a ele e ele o colocava na carteira, guardando-a no bolso e pegando o café da manhã.

- Obrigada, senhor Hopkins. – Ela disse com um sorriso simpático e tornou a atender o próximo cliente. Rachel controlou uma risada, olhando para Dean que apenas sorriu de lado para ela. Ela balançou a cabeça, como se desaprovasse alguma coisa, mas não disse nada.

- Até mais, Rach.

- Até mais, Dean. – Ela o observou sair da lanchonete, e conteve um suspiro de desânimo. – Até mais.


- Sam? – Dean fechou a porta, deixou o café da manhã em cima da mesinha e chamou por Sam, mas Sam não respondeu. Ele estava deitado na cama, com as cobertas cobrindo quase todo o corpo. Dean sorriu, tirou os sapatos, as meias, tirou a jaqueta e caminhou até perto do seu irmãozinho, se sentando na beirada da cama como ontem à noite. – Sammy?

- Huh? – Sam murmurou com a voz abafada pelo travesseiro. Parecia estar meio acordado e meio que dormindo ainda, o que só fez com que Dean sorrisse mais ainda. O mais velho puxou as cobertas até a cintura de Sam, e Sam virou o rosto para o irmão. Ele estava deitado de bruços, com a cara parcialmente afundada no travesseiro. Dean se lembrou do quão difícil foi dividir a cama de solteiro com Sam, o bom é que era uma cama de solteiro um pouco grande, maior que o normal, mas mesmo assim eles tiveram que dormir praticamente colados, o que não foi problema algum.

- Acorda, bela adormecida. – Dean disse com ironia, passando a mão pelas costas nuas de Sam, sentindo o mais novo suspirar e sorrir.

- A bela adormecida só acorda com um beijo. – Ele disse, se lembrando da história. Dean se abaixou, Sam se virou e ficou deitado de costas. Ele olhava para Dean com um sorriso bobo nos lábios, e ainda sonolento. A noite havia sido cansativa, mas extremamente divertida e, bem, prazerosa.

Dean roçou seus lábios nos lábios de Sam e lhe deu um selinho, que se tornou um beijo mais intensificado. Ele sentiu a mão de Sam na sua nuca, e a outra na sua mão que estava apoiada no peitoral de Sam. Ele sentiu essa mão de Sammy subir pelo seu braço, até que o beijo teve que ser interrompido para eles pegarem ar.

- Acho que isso faz de mim o príncipe encantado, né? – Dean disse, sorrindo ironicamente e dando um beijo na bochecha de Sam antes de voltar a se sentar direito. Mas ele continuou ali sentado, apreciando o rosto sonolento de Sam, apreciando o corpo nu de Sam coberto apenas da cintura para baixo pelas cobertas.

- Você não tem nada de príncipe encantado, Dean. – Sam disse rindo. – Primeiro você tem que ser puro de coração ou qualquer porcaria dessas pra ser um, e você é o mais impuro de todos.

- Okay, isso me magoou profundamente, Sammy. – Dean retrucou, fingindo-se ofendido. – Eu sou uma pessoa pura, 'ta legal? Eu sou muito puro, extremamente puro!

- Está se contradizendo, Dean. – Sam disse, após rir com vontade do que acabara de ouvir. – Os seus atos, principalmente os de ontem, negam isso.

Dean revirou os olhos, mas depois de alguns segundos acabou perdendo a pose de quem está ofendido e riu.

- E você não é exatamente o garoto tímido que eu pensei que seria na cama.

- Você já pensou isso? – Sam perguntou com um sorriso nos lábios, se sentando na cama e olhando Dean com curiosidade. – Já tentou me imaginar na cama?

- Ahm... – Dean passou a mão pela nuca, mordendo o lábio inferior. – Bem... Eu já tentei imaginar se você seria tão santo na cama como dá a entender no dia-a-dia...

Sam não se ofendeu com isso, ele apenas riu. Então olhou para o café da manhã em cima da escrivaninha, o cheiro tinha chamado a sua atenção. Ele tornou a encarar Dean com aquele olhar, aquele olhar que faz com que Sam consiga qualquer coisa que quisesse, especialmente de Dean.

- O que é?

- Você buscou o café pra mim? – Sam perguntou, numa voz forçadamente melosa. – Que fofo, Dean!

- Você não vai bancar a garota de novo, vai?

- Idiota. – Sam retrucou, mostrando a língua para Dean infantilmente antes de se levantar da cama e, se Dean tinha pensado em retrucar o palavrão esse pensamento virou um ponto de interrogação assim que ele bateu os olhos em Sam, nu, de costas, andando até a escrivaninha. Ele sentiu o rosto esquentar, na verdade não foi só o rosto, foi todo o corpo, e então ele sentiu que seu cérebro tinha mandado mensagens do tipo "Hora da festa!" para certas partes do seu corpo. Porque a calça estava extremamente apertada agora e Dean tinha perdido a capacidade de falar. – Dean?

Sam se virou, ficando de frente e.. Oh, meu Deus do céu, o olhar de Dean desceu desde o rosto de Sam até o pescoço, e então para o peitoral definido, até o abdômen, e então para lá... Para o...

- Sam? – Havia um tom de súplica na voz de Dean e ele não parava de encarar Sam daquele jeito faminto. Sam sentiu o rosto corar, e sentiu que estava começando a ficar animado só pela atenção que Dean estava dando a ele.

- Sim, Dean?

- Podemos tomar café mais tarde, por favor? – Sam arqueou as duas sobrancelhas diante do pedido, mas antes que pudesse dizer "É claro!" Dean já tinha se levantado da cama com uma velocidade surpreendente e, antes que Sam pudesse dizer qualquer coisa, ele foi interrompido pela língua de Dean entrando na sua boca. Foi interrompido pelas mãos de Dean na sua cintura o segurando com força e pelo corpo de Dean encostado no dele o empurrando em direção a parede. Ele podia sentir a ereção do irmão.

- De-Dean... – Ele ia tentando dizer entre o beijo, mas a mão de Dean desceu para partes mais interessantes no corpo de Sam. O mais novo só conseguiu encostar a cabeça com tudo na parede e gemer qualquer coisa sem nexo quando o irmão começou a masturbá-lo ao mesmo tempo em que devorava seu pescoço, mordendo e chupando e deixando marcas, outras marcas além das que tinha deixado ontem.

Okay, não era como se Sam estivesse com fome. Quer dizer, como é que ele ia conseguir pensar em comida numa hora dessas?


Era de tarde, o sol ainda estava lá, só que agora o tempo estava esfriando. Nada que fosse insuportável também, e não parecia que ia chover, o dia ainda estava agradável. Sam e Dean tomaram o café quase agora, porque eles tiveram que fazer uma pausa para Sam mostrar seus dotes com a boca e provar para Dean que ele é um ótimo aluno, daqueles que aprendem muito rápido. Então depois de uma rodada de sexo eles foram tomar um banho e, certo, outra rodada de sexo.

Não era como se Dean se cansasse disso, não é mesmo? Ele não cansa, e ainda mais com um parceiro como Sam. Ele ainda ria de si mesmo por se lembrar que ele chegou a pensar que Sam era dos tipos tímidos. Timidez? Sam Winchester? Não combinavam, pelo menos não na cama.

Eles passaram o resto do dia na cama, e acabaram adormecendo e acordando um tempo depois, daí eles tomaram café e resolveram arrumar as coisas para irem embora.

Dean jogou a mochila com as armas e toda a tralha utilizada para pesquisar o caso dentro do porta-malas e o fechou, não havia mais nada para guardar. Assim que bateu a porta do porta-malas e olhou para frente ele deu de cara com Rachel, e isso meio que o assustou de primeira, mas não era como se ele tivesse gritado de susto ou qualquer coisa dessas. Ele só estava surpreso por vê-la ali, e assim tão do nada.

Ela sorriu. Estava encostada na porta do Chevy Impala, com os braços cruzados.

- Ia cair fora sem se despedir? – Ela perguntou com um sorriso travesso nos lábios. – Jura? Mesmo depois da nossa aventura naquela floresta?

Os lábios tentadores de Dean se curvaram num sorriso sarcástico, e ele cruzou os braços, ficando em frente à garota. Seu olhar desceu pelo corpo dela. Estava usando uma camisa branca masculina, e a saia preta compensava a camisa grande em sinal de tamanho, só que ao contrário, porque era curta e deixava as coxas da garota à mostra. O coturno estava sujo de barro e a meia ia até um pouco depois dos joelhos. Ele não se lembrava, mesmo, de tê-la visto vestida desse jeito hoje mais cedo.

- Gostou do meu coturno? – Ela perguntou irônica, notando que Dean estava olhando para algum ponto abaixo da sua saia. Dean ergueu o olhar, o sorriso ainda nos lábios, e não parecia assustado por ter sido pego em flagra.

- Não, gostei do desenho da sua meia. É o frajola, né? – Ele tornou a olhar a meia, e segundos depois estava olhando para a garota de novo. – Eu nunca fui com a cara do Piu-piu.

Rachel deu uma risadinha, e mesmo que estivesse rindo, estava um pouco decepcionada. Talvez esperasse que ele estivesse apreciando o conteúdo, as pernas dela. Mas pelo visto ele só estava olhando a meia.

- Até quando você vai continuar com isso? – Ela perguntou, já sem sorrir. Dean franziu a testa em sinal de desentendimento, então ela fez um gesto com a cabeça indicando a recepção do Hotel, um pouco distante deles, mas pelas portas de vidro dava para ver Sam no balcão, pagando a estadia.

Dean observou o irmão por alguns segundos, antes de olhar novamente para Rachel. Ele pensava que tinha deixado bem claro, ontem, como se sentia a respeito do irmão. Mas pelo visto Rachel era das insistentes.

- Não entendi o que quis dizer. – Ele disse, fazendo o tom irônico desaparecer. Ele tinha entendido.

- Qual é, Dean. Nós dois sabemos o tipo de cara que você é. – Ela foi dizendo, sem vergonha alguma. – É o tipo oposto do seu irmãozinho.

Ela frisou a palavra com algum desprezo, talvez por relação ao próprio Sam, talvez porque eles tenham uma relação incestuosa, era difícil saber qual das duas opções a irritavam mais. Claro que ela não é homofóbica, mas incesto? Talvez não a incomodasse tanto se a pessoa no meio daquilo tudo não fosse Dean, o cara por quem ela tinha se interessado.

- O que quer dizer com isso, Rachel? – Dean não estava mais sorrindo, pelo contrário, parecia bem sério agora. Rachel deu de ombros.

- Vai acabar magoando o garoto. – Rachel disse, sem rodeios. – Vai se dar conta um dia de que precisa sair com outras pessoas, daí vai fazer alguma besteira e vai magoar o Sam.

Dean ficou observando a garota por um longo tempo, sem dizer nada. Talvez estivesse pensando no que responder, talvez estivesse pensando no que ela acabara de falar, mas se ele ia dizer algo a respeito disso, Rachel não ficou sabendo porque ela voltou a falar:

- Você sabe como ele é. Quer dizer, o pouco que eu conheço dele já dá pra notar que tipo de cara ele é. É o genro que o papai pediu a Deus, é o Senhor Perfeição, é o príncipe encantado de qualquer garota. Quais serão os planos dele? – Rachel fez uma pausa, fingindo pensar. – Eu aposto que os planos dele são se casar e formar uma família, e Dean... Não dá pra ter isso com você.

- Você não conhece o meu irmão. – Dean disse, sem vontade de prolongar o assunto.

- É, tem razão, você o conhece melhor do que ninguém. Mas eu conheço você... – Rachel se aproximou de Dean, o olhando nos olhos, estava perigosamente próxima. – Ele é seu irmão, devia pensar no que é melhor pro Sammy.

Ela abaixou o olhar, segurou a mão de Dean e chegou mais perto, estava flertando com ele, o olhando de um jeito sugestivo, o comendo com os olhos. Dean sorriu de lado, sarcástico, e retirou a mão do alcance do toque de Rachel.

- Não chame ele assim. – Dean disse, e a sua voz tinha um tom frio que não combinava com ele, e que ele nunca tinha usado para se referir a Rachel. – Só eu posso chamar ele assim.

Rachel franziu a testa, se surpreendendo. Não estava esperando aquela reação.

- Você não me conhece, não o conhece. Não fica achando que só porque caçou uns "monstrinhos" junto com a gente, que sabe tudo de nós. – Dean sorriu um pouco mais.

- Dean, eu não...

- Se me conhecesse, saberia que eu nunca magoaria meu irmão. – Dean tornou a dizer, olhando nos olhos dela. Ignorando o que quer que a garota fosse dizer. – Se me conhecesse, também saberia que se isso fosse um caso pra uma noite só, como teria sido com você, eu nunca teria começado. Eu ia preferir ficar do lado dele e fingir que não sinto nada.

Rachel abriu a boca para dizer alguma coisa, estava indignada com o que Dean acabara de falar, mas nessa mesma hora Sam apareceu logo atrás de Dean olhando dele, para ela, e de volta para ele, não gostando muito de ver os dois ali no papo.

Mas vale ressaltar que ele confia em Dean, e que também aprendeu a confiar no próprio taco.

- Bem, a gente se vê, Rach. – Dean passou por ela e parou em frente a porta do carro. Sam continuou encarando o irmão antes de olhar para a garota que parecia irritada com alguma coisa, então fez um gesto com a cabeça, um aceno para se despedir e parou ao lado da porta do passageiro. Rachel deu uma boa olhada nos dois antes de andar na direção do próprio quarto, e sumir de vista.

Sam franziu a testa e encarou Dean, não entendendo nem um pouco o comportamento hostil repentino da garota.

- O que aconteceu por aqui?

- Sabe como é, elas preferem não me ver partindo, é doloroso demais. – Dean sorriu irônico. Sam revirou os olhos.

- Falo sério, cara.

- Eu também! – Dean abriu a porta do carro e entrou, Sam entrou em seguida e os dois se olharam mais uma vez antes do irmão mais velho ligar o rádio e ligar o carro, começando a dirigir, saindo daquele Hotel aonde a vida deles tinha virado de cabeça para baixo e mudado por completo. A música que começou a tocar em tom mediano era "You Shock Me All Night Long", do AC/DC.

- Sabia que essa música me lembra você? – Dean comentou do nada, olhando sacana para o irmão que parou de observar a paisagem para prestar atenção na música.

She was the best damn woman that I ever seen

She had the sightless eyes telling me no lies

Knocking me out with those American thighs

Sam olhou para o rádio, sem entender aonde raios a música poderia lembrar ele.

Taking more than her share

Had me fighting for air

"She told me to come, but I was already there¹". Sam franziu totalmente a testa e olhou para o irmão que tinha aumentado o rádio e batucava no volante, seguindo o ritmo da música.

Cause the walls started shaking,

The earth was quaking,

My mind was achin',

And we were makin' it and you...

Shook me all night long²

- Você só pode estar brincando! – Sam elevou a voz para superar o som. Dean riu, olhando para ele com a cara mais safada que tinha no estoque de expressões.

- Yeah you! – Dean gritou do nada, assustando o irmão. Ele estava cantando! - Shook me aaaaall night long!³

- Dean!

- O que é?

- Essa música não tem nada a ver comigo! – O mais novo protestou, indignado.

- Como não? Qual a parte do "Me sacudiu a noite toda" você não pegou?

- Ele fala de uma mulher! – Sam tornou a elevar a voz, tentando superar a voz do vocalista.

- Isso é um detalhe, e além do mais... – Dean sorriu, olhando para Sam sugestivamente.

- Se você me disser que não faz diferença eu juro que...

- Que o que? – Dean o cortou, sorrindo mais ainda. – Cuidado hein, não vai querer estragar o pacote.

- Eu estava pensando em colocar você contra o carro e mostrar quem é a garota da relação!

Dean riu, ou melhor, gargalhou, abaixando um pouco o rádio só porque a discussão com Sam tinha ficado mais interessante.

- Eu não ia reclamar...

- Aposto que não. – Sam sorriu torto, voltando a olhar para o lado. Dean o cutucou no ombro, querendo a atenção dele de novo.

- Ah, qual é Sammy, a música me lembra você, e eu não estou falando da parte em que ele fala de uma mulher, eu falo da parte em que...

- Eu sei de qual parte se trata. – Sam o cortou, olhando para ele de novo, com um sorriso torto nos lábios. Claro que ele sabia, ele não era lerdo.

- Ainda mais quando eu me lembro da noite passada, e de hoje mais cedo... Você me deixou sem fôlego cara, meu Deus, você faz maravilhas com a sua boc...

- Dean!

- Deixei você sem graça, baby? – Dean riu, com vontade. – Então é melhor nem citar o modo como você geme e pede pra eu ir mais...

- Dean Winchester!

- Porra, Sammy, você está vermelho! Cara, eu tenho o dom de te deixar constrangido, huh?

- Pode ter certeza que não é constrangimento!

- Qual é, deixa disso, podemos falar de qualquer coisa. Ah, eu estava pensando... A gente podia treinar umas posições novas, huh? Eu até podia te ensinar umas coisas que eu sei e, do jeito que você é um bom aluno... – Dean riu, estava com os olhos na estrada, mas estava rindo da cara de Sam. Não precisava nem olhar para o lado para ver que o irmão estava no ápice da irritação e do constrangimento. E, porra, como Dean ama provocar seu Sammy.

- Como é?

- É, eu tenho uma certa experiência nisso, sabe? Sexo... Ou você já sabe algumas coisas quentes? – Dean o encarou de novo, Sam estava com os olhos fixos na estrada. Ele se recusava a olhar para o irmão mais velho, e Dean sorria todo sarcástico e o cutucava de novo, querendo atenção. – Já sabe algumas? Não ficaria surpreso se soubesse. Porque eu juro que pensava que você estava pronto pra virar padre!

Dean sorriu mais ainda, rindo.

- Pensava. – Ele acrescentou com um sorriso enviesado.

- Dean... – Sam não queria mais ouvir, até agora ele não sabia se socava o irmão, ou se ele ria. Porque mesmo irritado, ele estava achando a situação engraçada. Difícil de entender, não é? Só mesmo Dean para confundi-lo.

- Padre, até parece! – Dean foi dizendo, quase como se falasse sozinho ou para uma terceira pessoa que não existia. – Se a gente for analisar o seu "eu" entre quatro paredes...

- Dean, quer calar a boca?

- Se bem que não é uma má idéia... – Dean o olhou daquele jeito sugestivo, de novo, com uma malícia no olhar de intimidar qualquer alma pura.

- O que é agora?

- Imagina só você de padre. O pessoal iria pra Igreja bem mais vezes, só pra apreciar a vista, confessar os pecados... – Dean disse, tentando imaginar Sam com trajes de padre, em uma Igreja, recebendo olhares devassos de metade, ou mais, das pessoas. Oh, com certeza Dean estaria lá, faria questão de ir a Igreja todos os dias e se confessar o máximo de vezes ao dia também, porque ele pecaria só de bater os olhos no irmão.

- Por que você ainda está falando de padres?!

- Porque eu estou pensando em comprar uma fantasia pra você. Ah não, acho que a gente ainda tem umas guardadas, né? – Dean sorriu, mas disse bem naturalmente. A idéia era boa demais para ser descartada. Sam arregalou os olhos, e ele ainda abriu a boca para dizer algo, retrucar alguma coisa, mas não ia adiantar de nada.

E não era como se ele estivesse achando a idéia ruim.

- Você não presta, Dean!

- Que calúnia!

Sam riu, balançando a cabeça em sinal de desaprovação. Não acreditava no que estava acontecendo com ele. Mas ele não estava reclamando, nem um pouco. Pelo contrário. Era tudo o que ele queria.

Absolutamente tudo o que ele queria.

- Idiota!

- Vadia!

Eles sorriram um para o outro, se olharam durante alguns segundos antes de Dean quebrar o contato visual, só para prestar atenção na estrada. Sam ainda continuou o observando durante algum tempo, se lembrando dos dias em que ficava observando Dean dirigir e o encarava com luxúria, mas que tinha que ser discreto para não levantar suspeitas, tinha que se controlar. Bem, agora não precisava mais disso, não é?

- Não me seca muito não, Sammy. – Dean disparou, sem tirar os olhos da estrada.

- Desculpa, é que você é tão irresistível. – Sam ironizou, voltando a observar a estrada.

- Oh, eu sei baby. É uma tortura pra você, não é? Mas eu acho que posso aliviar o seu lado...

- Ah, é? – Sam sorriu, interessado. – Como?

- Aposto que tem um Motel há alguns quilômetros daqui e, não sei se sou só eu, mas não estou com o pingo de sono.

- Não é só você não. – Sam disse, cruzando os braços. A música já tinha acabado, já estava tocando outra. Highway To Hell, a mesma música que Dean estava ouvindo quando foi até o Motel onde Sam estava hospedado, bêbado, tirar "satisfações". Isso trazia boas lembranças.

Certo, Bobby podia esperar mais um pouco. Sam e Dean precisavam fazer uma pausa em algum Motel, para "descansar".

- Okay, já temos o que fazer nesse final de tarde. – Dean disse, sorrindo com as mais péssimas intenções que poderiam surgir na cabeça de alguém.

- Esse final de tarde?

- Esse e as noites, as manhãs também, as madrugadas... Sabe como é, né?

- Eu não sou um coelho, Dean! – Sam disse, forçando-se a parecer indignado, perplexo. – Seu ninfomaníaco!

- Hey, outra calúnia! Digamos que eu só seja viciado em... – Dean o encarou fixo, se possível, teria despido Sam só com o olhar.

- Em o que? Sexo?

- Isso é um problema pra você?

- Problema nenhum, cara.

- Mas eu não ia dizer isso...

- Ia dizer o que?

- Ia dizer que eu sou viciado em Sammy. – Dean piscou para o seu irmão e Sam riu.

- Qual é cara, depois eu que sou a garota!

- Você anda me caluniando muito, sabia?

- Daqui a pouco você me convida pra um jantar, me trás chocolates e um buquê de rosas, e sai cantarolando "Because You Loved Me¹"...

- Eu não disse que você era a garota da relação? Já está até sugerindo que eu te compre flores!

- Vai se foder. – Sam retrucou, tentando não rir dessa vez. Ele tinha uma imagem a prezar, e se risse seu orgulho ia sair ferido. – Eu vou te mostrar quem é a garota da relação!

- Uh, manda ver machão. Já disse que adoro quando você assume o controle das coisas?

Sam riu de novo, não conseguiu se segurar, apenas riu e não disse nada. Dean simplesmente sorriu para ele e continuou a dirigir. Eles ficaram um tempo assim, em silêncio. Sam passou a observar o irmão, e seu irmão passou a prestar atenção na estrada. Dean ficava sexy dirigindo aquele carro, ficava sexy naquela jaqueta e com aquela expressão de concentração no rosto.

Sam molhou os lábios, descendo o olhar para as coxas do irmão, cobertas pelo jeans.

- Sammy? – Dean perguntou distraído, um tempo depois, sem tirar os olhos da estrada.

- Hum?

- Tem certeza que quer, sabe... Ir pra outro trabalho logo assim de cara? Não quer tirar umas férias ou algo assim...

- Não, Dean. – Sam respondeu com convicção, Dean o olhou rapidamente antes de desviar o olhar de novo.

- Sério?

- Sério. – Sam se ajeitou mais no banco, olhando para frente, sorrindo. Sorrindo com satisfação. – Assim está ótimo para mim.

Ele olhou mais uma vez para Dean, que o olhou também. Dean estava sorrindo. Aquele sorriso genuíno, que falava mais do que mil palavras. Aquele sorriso que ele raramente via nos lábios de Dean, mas que agora estava virando rotina.

Sam voltou a olhar para estrada. Nem parecia que alguns dias atrás sua vida estava um inferno, nem parecia que uns dias atrás ele estava pensando em se afastar de Dean para o bem dos dois.

Quem ia acreditar que o sentimento que ele sentia por Dean era correspondido? Quem ia acreditar que era recíproco?

- Se você quiser, eu posso colocar "Because You Loved Me". – Dean disse ironicamente, alfinetando. Pelo visto ele não ia parar com essas brincadeirinhas sobre o lado "afeminado" de Sam tão cedo, a menos que...

- Dean?

- Hum?

- Pára a porcaria do carro.

- Pra que?

- Só pára o carro, ou eu paro.

Dean franziu a testa sem entender, mas mesmo assim obedeceu.


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N/A: ¹= "Because You Loved Me" é uma música da Celine Dion. E acho que todo mundo conhece "Highway To Hell", do AC/DC, né? ;P