Capítulo 9
NO LIMITE!

Gina rodopiava prosopopeicamente em direção aos tais túneis subterrâneos e escusos que levavam à liberdade. Logo atrás vinham todos os outros, prendendo a respiração por causa do incalculável fedor que emanava de sua guia.

Atravessaram os portões da cantina incendiada, adentraram os escombros da cantina e chegaram a um alçapão negro meio escondido num dos cantos abandonados da escola.

– É aqui? – perguntou Draco.

– Sssssssssim, sssssssssim, Messssssssstre... É aqui! Aqui é osssssssssss túneissssssssss sssssssubterrâneosssssssss...

Draco e Dino forçaram a entrada, arrancando a tampa do alçapão. O mesmo fedorzão impregnado em Gina exalou de dentro da passagem. As meninas fizeram umas caras horríveis.

– Escuta, gente... – falou Mary Sue. – Não é melhor simplesmente esperar geral ir embora e aparatar pro lado de fora da escola, ao invés de passar por esse Katinguelê aí embaixo?

– Claro que não, MS! – respondeu Lilá. – Se todo mundo aparatasse pro lado de fora não tinha história pra contar!

– Tá bom, então! Vamos para o fedor! – aquiesceu Mary Sue, relutante.

– Ah, não! Ninguém merece! – chiou Parvati.

– Serei obrigada a concordar com a Pata-de-porco! – falou Hermione. – Por mais que isso me doa!

– Pata-de-porco? – Dino levantou as sobrancelhas. – Como assim?

– NADA! – gritou Parvati. – E entra logo nesse buraco, Dino!

Gina mergulhou de cabeça na fedentina, seguida pelos meninos – Draco, Dino, Rony e Harry, nessa ordem –, e, por fim, as meninas – Hermione, Parvati, Lilá e uma reclamante Mary Sue. Todos foram seguindo Gina por um corredor estreito e escuro, até o ponto em que o caminho se dividia em três. Gina foi na frente para descobrir qual o trajeto a percorrer.

Pelo lado esquerdo, subia até um enorme paço de ouro, ornado de pedras preciosas. Ao fundo do corredor dourado, estava a lâmpada mágica de Aladdin e um harém sem dono.

Pelo lado direito, seguia uma viela coberta de heras e flores diversas, que dava num pequeno laguinho cristalino. Parados de pé, um pouco mais ao fundo, estavam Galadriel e os elfos de Lothlórien.

Pelo meio, continuava a trilha da podridão fétida, dessa vez, num atoleiro de água de esgoto que dava na altura dos joelhos.

Gina retornou num pulo doido anunciando que o caminho a se seguir era, naturalmente, o do meio.

– Cara, sente só esse fedor! – revoltou-se Mary Sue. – Por que eu preciso passar por isso? Por quê? Vê se qualquer outra protagonista se enfiou no esgoto? Só eu mesmo!

Harry, sensibilizado, abraçou Mary Sue e a consolou. Enquanto isso, Draco olhava em volta, esperando por Gina, que fazia um reconhecimento da área. Parvati choramingava num canto. Lilá e Dino, na falta de coisa melhor pra fazer, dançavam a Macarena.

– Faz alguma coisa que presta, Harry, – falou Mary Sue, - e me carrega nas suas costas!

O moreno deu às costas para a deusa, que tratou de se aboletar o mais alto possível, para não encharcar seus lindos pezinhos! Parvati gostou da idéia e saltou em cima das costas de Dino.

– Vai! Sobe! – falou Rony, vendo a cara de Hermione de quem também não queria se cagar toda, mas não queria ter de voluntariamente assumir que achou a idéia de Mary Sue e Parvati boa.

– Obrigada! – ela sussurrou no pé do ouvido do ruivo.

Lilá olhou para Draco, e Draco olhou para Lilá. O menino colocou uma mão no bolso e outra na nuca, assoviando meio sem jeito uma canção qualquer.

– Bem, você sabe... Eu posso, tipo... Se você quiser, isto é... Sabe? Meio que carregar você e tal... Tá geral carregando o outro e tudo... Aí...

Ela deu um sorriso amarelo, colocou uma mão no bolso e, com a outra, ficou remexendo no cabelo.

– Não, não... Que isso! Tipo... Não por minha causa... Sabe? A gente nem é... A não ser que você... Isto é... Se você fizer questão e tudo... Aí...

– Andem logo, vocês dois! – falou Mary Sue. – Que a Gina já quase sumiu de vista!

A galera parou diante de duas gigantescas estátuas que reluziam um leve brilho azul. Geral ficou meio assustado porque as estátuas eram enormes e pareciam ter vida própria, como se não fossem feitas de mármore.

– Não tenham medo! – disseram as estátuas.

Aí é que o povo pirou mesmo. Uma coisa é achar que uma estátua de pedra tá viva e ficar com uma paranóia hipocondríaca doida de que você tá com um tumor no cérebro e tá tendo ilusões, outra pior ainda é a porra da estátua realmente falar.

Cansadas de verem os garotos correndo para cima e para baixo em círculos procurando a saída, enquanto as meninas se descabelavam escandalosamente em cima de seus lombos, as estátuas deram um gritão:

– VAMOS PARAR COM ESSE AUÊ!

Instantaneamente, todos ficaram mudos e imóveis.

– Obrigado! – disse uma das estátuas.

– Nós somos o Oráculo do Sul! – continuou a outra. – Nós somos os guardiões dos portões mágicos de Fantasia!

Todos ficaram olhando para as estátuas com cara de paisagem. Ninguém sabia se já podia falar novamente ou não.

– A partir daqui, vocês serão submetidos a inúmeras provas! Terão de se provar corajosos, inteligentes, leais, bonitos, sensuais e despojados para saírem vencedores. – continuou o Oráculo.

– Só isso? – Mary Sue cochichou ao pé do ouvido de Harry. – Corajosa, inteligente, leal, bonita, sensual e despojada eu tiro de letra!

– Cuidado! – a voz da estátua trovejou mais uma vez! – A primeira prova já começou!

Dito isso, as estátuas do Oráculo do Sul racharam e começaram a se espatifar no chão.

– Se a primeira prova for sobreviver a um terremoto, eu nem quero imaginar a última! – falou Dino.

Só então que os jovens perceberam que não era um terremoto o primeiro desafio, e sim uma imensa bola de pedra que vinha rolando em sua direção, como no início de Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida.

Nessa altura, as meninas saltaram de cima das costas dos rapazes e saíram correndo como doidas, até o outro extremo do portal, onde havia uma ponte estreita que ligava um lado de um precipício ao outro lado.

– Agora essas desocupadas resolveram correr! – reclamou Draco.

– Não se esqueçam! – gritou Lilá. – Não vale aparatar!

– De que serve saber aparatar se ninguém pode aparatar nas horas difíceis? – protestou Rony.

– Eu aparatei! – disse Dino, lembrando-se do episódio da explosão do banheiro.

A bolona se aproximava cada vez mais. As estátuas do Oráculo do Sul já tinham se desfeito por completo ("eita, coisinhas vagabundas!"). A galera se aproximava da ponte, que parecia seu único meio de salvação, mas, ao contrário das expectativas, a grande pedra rolante não arrebentou a ponte com seu enorme peso e despencou abismo abaixo. Ela rolou ponte adentro e passou para o outro lado, assim como nossos amiguinhos.

– UUUUUAAAAAAAAAAHHHHHH! – gritou Parvati, começando mais um de seus ataques histéricos.

– Cala a boca e corre! – advertiu Dino.

A galerinha desembestou em direção à segunda prova, enquanto o bolotão vinha a mil por hora na cola deles.

Chegando ao local do segundo desafio, havia algumas carteiras distribuídas por uma saleta, todas viradas para uma mesinha de madeira, onde estava uma velha tão velha que mais parecia um fóssil.

– Peraê, moça! – interveio Harry. – Tá vindo um mega bolão assassino pra cá!

– MOÇA? – perguntou Parvati, incrédula. – Onde você está vendo uma moça por aqui?

– Realmente! – Dino riu com malícia. – Nem Hermione, que é nerd e feia, é mais moça!

– Que tipo de prova é essa? – questionou Mary Sue.

– De Matemática! – respondeu a velha múmia. – Sentem-se. Há lugares vagos ao lado dos candidatos já sentados.

Só então nossos amiguinhos perceberam a presença de He-Man, Gilberto Barros e Regina Duarte, cada um segurando um lápis nº 2 e uma caneta BIC azul.

A velha foi irredutível aos apelos de Harry e companhia e os obrigou a sentar e fazer a droga da prova. E o pior é que nenhum deles tinha a menor idéia do que eram derivadas, integrais, P.A.s, P.G.s e logaritmos. Exceto Hermione, é claro, que à noite, estudava num colégio supletivo trouxa. Para revolta geral, contudo, ela se recusava a passar cola. A bolona realmente alcançou nossos coleguinhas, mas a velha a agarrou e a colocou por cima duma das carteiras para ela própria fazer a tal prova de matemática.

Lá pelas tantas, Mary Sue cansou sua beleza e passou uma rasteira na velha. Assim que escutaram os ossos do quadril da velhota se quebrando, os garotos saíram correndo, com o pedregulhão rolante logo atrás. He-Man ficou para trás, atrapalhado ainda na primeira questão ("2 + 2 = ?").

Draco, vinha à frente, carregando Gina enrolada num pano velho (ela não parava de se debater). Quando alcançou uma clareira mais adiante, ele se virou e gritou:

– BICICLETAS!

O louro enfiou o embrulho com Gina dentro da cestinha e montou na bicicleta, pedalando o mais rápido possível. O resto da patota – Mary Sue, Harry, Dino, Parvati, Lilá, Rony, Hermione e Regina Duarte – montou em suas bicicletas e vieram logo atrás, também pedalando. Infelizmente, Gilberto Barros ficou para trás porque subiu numa bicicleta ergométrica.

Tão logo o imenso pedrão giratório alcançou a clareira, e quase achatou nossos coleguinhas, Gina ergueu-se de sua cestinha, estendendo o dedo para fora. A ponta do dedo brilhou e, ao som da música-tema de "E.T. – O Extraterrestre", as bicicletas alçaram vôo. Teriam passado diante da lua, se ainda não estivesse sol (era o meio da tarde, afinal de contas) e se eles não estivessem presos no esgoto subterrâneo da cidade.

– Ué, pode sair voando em bicicleta, mas não pode aparatar? – perguntou Dino.

– Que coisa mais ridiculamente inacreditável! – chiou Parvati. – Até parece que bicicletas voam!

– Se Ford Anglia voa, e vassouras voam... – ponderou Hermione. – Por que não bicicletas?

– Será que podemos descer? – interrompeu Rony. – A Regina está reclamando que tem medo de altura!

O grupo embicou as bicicletas e pousou numa outra clareira mais a frente. Guiados por Mary Sue, seguiram adiante, subindo uma escadinha que dava de volta às ruas. Draco forçou a passagem, erguendo a tampa do bueiro, no meio da avenida.

O louro salta para fora do esgoto, seguido de perto pela incansável Gina, Dino, Mary Sue, Harry, Rony, Hermione, Lilá e Parvati.

– CONSEGUIMOS! – comemorou Mary Sue.

– ABRAÇO DE GRUPO! – anunciou Lilá.

Todos chegaram a erguer os braços, mas desistiram da idéia no meio do caminho, por causa do fedorzão de esgoto impregnado no corpo.

– Bem o que importa mesmo é que nós conseguimos! – Hermione falou. – Estamos livres!

– Livre! Livre! Sméagol esssstou livre! – Gina começou a rodopiar no chão como um dos Jackson Five.

– Pára com isso! – Draco deu um tapa na namorada. – Quantas vezes eu já te disse que seu nome não é mais Sméagol, nem Gollum! Seu nome agora é Gina!

– Gina... Gina! Sméagol sabo!

– Gente, "sabo" é demais! – reclamou Hermione. – Vocês têm de me deixar dar um estudo para essa criatura! Eu não me incomodo nem um pouco de alfabetizá-la, instruí-la ou o que for preciso! Sério!

– E transformá-la numa Hermione nº 2? Nem morto! – respondeu Draco.

– O que nós vamos fazer agora? – perguntou Dino.

– Não sei quanto a vocês, mas eu quero tomar uns mil banhos! – falou Lilá.

– É uma boa idéia! – concordou Harry. – Vamos, Mary Sue. Vamos para a sua casa.

– Não, Harry! – disse Mary Sue, com lágrimas correndo pelo seu lindo rosto de porcelana. – Durante a nossa viagem eu cheguei a conclusão que você não é o meu par ideal!

– Como não? – o garoto arregalou os olhos. – Eu sou o personagem principal! Os livros todos têm o meu nome! É sempre "Harry Potter e a Família Trololó", "Harry Potter e a Zica da Fubica"... Você não pode estar falando sério!

– Olha só! Não quero ficar pensando sobre isso agora! – Mary Sue deu as costas a Harry.

– É! – Lilá interveio. – Ela só vai pensar sobre isso amanhã, em Tara!

– Não é hora de gracinhas! – irritou-se Harry. – Mary Sue, volta aqui!

– Sinto muito, mas ACABOU! – Mary Sue não voltou a encarar o garoto. Apenas seguiu o seu caminho. – Não quero mais saber de você!

– Mas, mas... Nos estávamos noivos... MARY SUE!

Lilá abraçou gentilmente Harry e sussurrou em seu ouvido.

– Deixe-a ir, Harry! – consolou Parvati. – A Mary Sue não pode pertencer a um único homem! Ela deve ser livre para voar!

– Do que está falando, sua maluca? Se ela for embora, você vai voltar a ser uma ponteira como era antes!

Lilá e Parvati se entreolharam rapidamente, ambas com os olhos arregalados de quem só depois de muito tempo percebe que fez uma besteira muito grande. As duas arrancaram como doidas correndo atrás de Mary Sue, aos gritos:

– Mary Sue! Volte aqui, querida! Não se precipite!

Enquanto isso, Harry baixou a cabeça, deu as costas para todos e seguiu por um caminho oposto.

– Geral tá indo embora! – constatou Dino. – Vou vazar também! Falou, malandragem! A gente se vê!

Dino seguiu seu caminho. Enquanto o menino sumia de vista, Rony virou-se para Hermione e falou:

– Olha só, Mione! Vou aproveitar que a Mary Sue detonou o Harry pra te avisar: eu não quero mais namorar você, não! Você é feia pra caramba e ainda por cima fica regulando a mixaria! Eu prefiro pegar uma mulé mais gata e mais vagaba também! Tipo a Ana Luisa, a vadia!

– COMO ASSIM? – Hermione se desesperou. – Mas eu sou muito feia! Nunca mais vou arrumar outro namorado!

– Dá plantão na porta do quartel em dia de dispensa... Os caras tão secos há tanto tempo que nem ligam se tão pegando baranga! Você vai se arranjar! Pode ter certeza!

– Estou chocada com essa sugestão! – Hermione debulhava-se em lágrimas, enquanto Rony ia embora.

– Não vai levar sua irmã, Rony? – gritou Draco, que ainda estava do lado de Gina. – Agora que a fic vai acabar eu não preciso mais ficar com ela!

Uma figura idosa trajando branco surgiu rodeada de luz prateada. Segurava um cajado e tinha uma longa barba branca e cabelos compridos também alvos.

– Dumbledore? – perguntou Draco, cobrindo os olhos.

– Não, eu sou o Gandalf! – respondeu o velho. – Vim buscar o Gollum! Estamos precisando dele!

Draco apontou para Gina. Gandalf girou seu bastão e, com algumas palavras em élfico, a jovem ruiva retornou ao seu aspecto escamoso e medonho de antes.

– Venha, Sméagol! – falou Frodo, que surgiu de trás de Gandalf.

– Messsstre! O Preciosssso! – Gollum saltou em direção ao hobbit e disse. – Vou matar o Messssstre e ficar com o Preciosssssssso!

– Que gracinha! – disse Frodo, fazendo um afago na cabeça de Gollum.

– Mas, Sr. Frodo! – interrompeu Samwise Gamgi. – Ele disse que vai nos matar!

– Cale-se, Sam!

Gandalf continuou observando os hobbits e a criatura se afastarem, de pé ao lado de Draco, com Hermione tendo uma síncope logo atrás porque Rony a tinha abandonado.

– Vou indo, galera! – anunciou Draco, depois que Gina desapareceu de vista. – Vou ver se ainda dá pra pegar uma praia de fim de tarde!

– Tchau, tchau! – despediu-se Gandalf. – Agora você, minha jovem!

Hermione parou por alguns momentos o seu chilique para ouvir o que o velho mago tinha a dizer:

– A sua Sociedade chegou ao fim! É chegado o momento de você seguir seu próprio rumo!

– Você veio me oferecer uma carona nos barcos élficos que saem dos Portos Cinzentos e vão para uma terra linda e amara, onde não há dor e sofrimento? – perguntou Mione, esperançosa.

– Bem, na verdade, eles saem de Cuba e vão para Miami! – explicou Gandalf. – E, não! Não estou aqui para isso! Até porque você está fedendo como uma porca tresloucada com varíola e vai empestear todo o barco!

– O que você quer então?

– Quero lhe dizer que os autores dependem muito de você para terminar essa fic!

– Sério? Por quê?

– Porque eles prepararam um final superelaborado e complexo para essa fic! E para isso, eles dependem de você, a única personagem com o mínimo de inteligência e cultura geral!

– Pode ser mais específico?

– Você precisa explicar ao leitor a diferença entre a vegetação de caatinga e de tundra, no tocante à proliferação de gramíneas, apontar a localização mais comum de ambas no mundo e no Brasil, bem como imitar o crescimento de cada espécie de planta rasteira de cada uma dessas duas categorias!

– QUÊ?

– Hohoho, estava brincando – divertiu-se o Mago. – É que alguém tem de tomar conta da Regina!

Hermione arregalou os olhos e só então percebeu que Regina Duarte ainda estava enfiada no meio da turma tremendo como uma vara verde.

– TENHO MEDO! – gritou a global, pulando no colo de Hermione.

– Ei, peraí! – desesperou-se a bruxa-trouxa. – Que é que eu faço com essa mulher? Gandalf, pelo amor de Deus! Gandalf? GANDAAAAAALF!

FIM