-- TAMAKI-NII! – uma voz vinha de um quarto próximo e podia ser ouvida pela casa toda. Sakura se assustou tanto com o grito que acabou caindo no meio do corredor.
Tamaki logo apareceu correndo escada acima, também parecendo assustado. Parou diante da porta e se ajeitou.
-- O que foi, Ryuu-chan? – ele abriu a porta e sorriu, meio sem jeito.
-- NÃO ME CHAME ASSIM, SEU LOIRO! – e algo voou na cabeça do anfitrião, que caiu para trás, com um vermelho na testa.
Sakura se levantou e foi até ele.
-- Tamaki-senpai…! Você está bem?
Ryuu então apareceu com a cabeça para fora da porta, estranhando a voz de Sakura.
-- Quem é ela, Tamaki-nii? – Ryuu apontava para Sakura com uma expressão de desinteresse.
-- Estou sim, Sakura-san… - ele ignorou a pergunta da irmã.
-- Quem é "Sakura-san", loiro? – Ryuu mantinha a expressão.
-- Tamaki-senpai… Quem é o garotinho…? – Sakura finalmente notou Ryuu.
"NANI? Eu sou garota, saco!"
Ryuu abriu a boca para falar, mas Tamaki foi mais rápido e respondeu primeiro.
-- Não se incomode… Irmãos mais novos costumam ser sempre assim, não…? – Tamaki riu, um tanto sem graça.
Sakura não reagiu e Ryuu preferiu voltar a seu quarto.
Pouco depois, Sakura e Tamaki já estavam de volta na sala, onde o resto do Host estava. Tamaki ficou sem saber o que Ryuu, mas não parecia se incomodar. Afinal, estava com a testa vermelha por causa dela, não? Ninguém parecia notar, no entanto, o que deixou Tamaki um pouco frustrado. Aquele hematoma em sua testa realmente não chamava a atenção?
O dia ainda estava na metade e talvez por isso ninguém parecia com muita pressa de fazer algo. As férias tinham apenas começado. O Host, sentado ao redor da mesa de centro da sala de Tamaki, discutia o que poderia ser feito nos dias seguintes.
-- Podíamos conhecer a cidade. – sugeriu Sakura – As construções francesas são realmente maravilhosas – ela sorriu.
-- Ou podíamos sair agora para comer doce! – Hani sorria.
-- Hani-senpai, você não acabou de comer um bolo inteiro…? – Haruhi olhava descrente para o pequeno loiro.
O Host estava tão interessado em seus planejamentos que ninguém notou quando uma loira parecida com Tamaki desceu as escadas, passou por eles e foi para a cozinha. Foi o cheiro que começou a vir de lá que lhes chamou a atenção. Era um cheiro doce, mas não de forma exagerada. Era gostoso e envolvente, de certa forma.
Hani logo pulou do sofá e foi até a cozinha, seguido de Mori. Os outros não demoraram em fazer o mesmo. Ninguém se lembrava mais da discussão. Tamaki foi o primeiro a reagir à cena.
-- Ryuu-chan! O que você pensa que está fazendo?! Você pode se queimar!
Ryuu estava aquecendo alguma coisa em uma panela preta, que se encontrava no fogão de boca grande. Ela simplesmente ignorava todos ali, continuando a mexer no que estava esquentando. A colher de madeira em sua mão parecia pouco firme, o que fez Tamaki andar a passos largos até a pequena e lhe tomar a colher.
-- Você não pode fazer, isso Ryuu-chan! – Tamaki parecia um tanto desesperado.
-- Oras, você não me ouviu quando eu chamei… Ia pedir para você isso, mas no fim tive que vir fazer. – ela o olhava como se o achasse patético, o que era verdade.
-- O que nossos pais diriam se vissem isso? Pior! Se você se queimasse!
-- Papai nunca ligou para mim, sempre foi você o preferido. E mamãe provavelmente me deixaria de castigo alguns dias. – ela deu os ombros.
Os outros integrantes, parados na porta, olhavam sem entender. Tamaki e o outro eram irmãos? Tamaki e Ryuu não percebiam a expressão desentendida dos outros, continuando em sua conversinha, por assim dizer. Tamaki já havia posto a colher na pia e desligado, a muito custo, o fogão. A panela continuava no mesmo lugar.
Haruhi foi a primeira a reagir.
-- Tamaki-senpai… Quem é o loirinho…?
-- Ryuu-chan. Somos irmãos. – Tamaki finalmente havia se tocado que não os havia apresentado.
-- COMO É QUE É? – ninguém parecia acreditar. Tamaki tinha irmãos?!
-- Até mais, Tamaki-nii... u.u Seus amigos são muito chatos. – Ryuu deu as costas e saiu, encontrando um moreno na sala, alheio ao que acontecia. Olhou-o de cima a baixo sentado no sofá e continuou seu caminho, desinteressada.
Ryuu estava em seu quarto, lançando alguns dardos na foto de Tamaki que mantinha pregada à parede. Estava deitada em sua cama, com uma terrível expressão de tédio, quando alguém bateu na porta.
-- Ryuu-chan? – ela logo reconheceu a voz de seu irmão.
-- O que foi? – ela havia se levantado e aberto a porta antes de falar.
-- Só para avisar que eu e os outros vamos sair. Quer ir conosco? – Tamaki sorriu, parecendo intimidado pela expressão de desgosto de Ryuu.
-- Não. – ela fechou a porta e voltou ao seu tédio. Não aceitaria nem morta sair com seu irmão abestalhado e seus amigos estranhos.
Tamaki estava na porta da casa, esperando o carro. Havia avisado que Ryuu não iria, então não precisavam voltar tão cedo para a casa. Passariam a tarde visitando a cidade. Todos pareciam bastante animados, independentemente do que faziam. Claro, animados dentro de seu normal. Ninguém estava dopado ou qualquer outra coisa. Mas a mente dos gêmeos parecia estar trabalhando a mil, principalmente depois de conhecerem Ryuu, o irmãozinho de Tamaki. É, ninguém havia notado ainda.
A noite já estava caindo e o Host ainda não havia voltado. Ryuu anda distraída pela casa, um tanto preocupada, apesar de tudo que pensava deles. E se tivessem se perdido? Ou sido roubados? Talvez seqüestrados! Quanto mais ela pensava nas possibilidades, mais se preocupava, afinal, era seu irmão cabeça-oca que havia organizado tudo, não?
Então um loiro apareceu atrás da jovem. Sua voz calma, mas um pouco fria, assustou Ryuu.
-- Você não é a irmã de Tamaki-sama?
-- Kyaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! – ela se assustou tanto que tropeçou no próprio pé e caiu de cara no chão.
Quando se virou, estava um tanto pálida e falava gaguejando, enquanto apontava freneticamente para o recém aparecido.
-- Q… Q-quem… Quem é você?! O.o
-- Oh, desculpe a minha indelicadeza. – ele se curvou, estendendo a mão a Ryuu – Sou Umehito Nekozawa. Vim em viagem com o Host. – ele notou a cara de desaprovação da outra – Não faço parte.
Ryuu melhorou sua expressão ao ouvir a última frase, mas ainda assim hesitou. Por fim segurou a mão do loiro, que a ajudou a levantar.
-- Sou Ryuu Suoh… E infelizmente a irmã mais nova de Tamaki-nii… – ela sorriu sem jeito. Era a primeira vez que reconheciam direto que era uma garota.
-- Vocês são bastante parecidos. – ele sorriu. Era um sorriso que transmitia calma e que por um instante fez Ryuu corar.
-- E-eu não sou parecida com aquele filhinho-de-papai totalmente descerebrado! -u.ú-
Nekozawa começou a rir. Era a primeira vez que alguém lhe fazia tão bem, com exceção de sua irmã mais nova. Ryuu apenas olhava sem entender, com uma sensação estranha para ela lhe percorrendo a espinha.
-- Então… – o loiro voltou a falar quando se acalmou – Você gosta de gatos, Ryuu-san? – ele tinha um pequeno sorriso no rosto.
-- Gatos…? Nah… É… Talvez sejam melhores companhias que o Tamaki-nii… Eu acho, né…? – ela desviava o olhar para todos os cantos. O importante era não olhar para Nekozawa – Por que… Não vamos comer algo…?
Então Ryuu ouviu alguma coisa. Parecia a voz dos gêmeos.
-- Ryuu-chan! Chibi! Onde você está?
Ela girou sobre os calcanhares e foi arrastando os pés até a fonte do som. Quando começou a falar, Nekozawa, que havia ido pouco depois, percebeu um tanto de raiva na voz da jovem.
-- Não é para me chamarem assim, seus depravados! E "chibi" são vocês! – e Ryuu lhes mostrou seu… Lindinho (?) dedo do meio, como costumava fazer quando se irritava.
-- Ryuu-chan! Não faça isso! – era a voz chorosa de Tamaki.
Nekozawa observava tudo escondido enquanto colocava suas vestes tradicionais, tiradas sabe-se lá de onde. Uma vez pronto, revelou sua presença aos demais.
-- Ora, ora… Já voltaram?
Todos, incluindo os irmãos Suoh, tremeram com aquilo.
-- Tamaki-senpai… O-o que ele faz aqui…? – Sakura sentia seus joelhos fracos.
-- Nekozawa-senpai… Pediu para vir… Não pude negar… – Tamaki recuou um pouco.
-- Ne… Nekozawa-kun? Mas… Como? E você não era loiro? – Ryuu era a mais assustada dentre todos naquele momento.
-- Vocês se conhecem?! – o comentário fez os Host's se assustarem mais do que a loira.
-- Nos conhecemos a pouco tempo, logo antes de voltarem. – Nekozawa falava calmamente, apesar de parecer medonho.
Os olhares foram desviados para onde Ryuu estava, mas já não havia ninguém lá. A garota havia fugido.
Ryuu estava em seu quarto, deitada na cama e olhando o teto. Muitas coisas passavam em sua mente e ela sentia-se incomodada com algo. Seus pensamentos confusos então foram interrompidos por duas batidas na porta. Provavelmente seria um dos criados e não alguém do Host… Ou Nekozawa.
-- Pois não? – ela abriu a porta, indiferente. Mas então viu dois clones parados, juntos, com um sorriso malicioso – Tchau.
E fechou a porta. Mas não a ouviu bater, se virando para conferir porquê. Viu que alguma coisa a prendia e foi conferir. Obviamente eram os dois, com a mesma expressão, e o pé entre a porta e o batente.
-- O que foi? – a voz da loirinha saía seca, fria.
-- Por que você fugiu tão rápido quando Nekozawa-senpai estava falando?
-- Vazem daqui. – Ryuu ignorou a pergunta e se voltou para seu quarto. Andava calmamente até sua cama, mas não por muito tempo.
-- Olha, Kaoru… Acho que ele gosta de Nekozawa-senpai… - Hikaru falava com o rosto voltado para o irmão, mas o olhar cravado em Ryuu. Falava em um tom zombeteiro, o mesmo usado por Kaoru ao responder.
-- Pois é, Hikaru… Será que podemos tirar proveito disso no Host?
Ryuu girou sobre os calcanhares, fuzilando-os com o olhar. Sabia que a qualquer momento podia corar, mas lutava a todo custo contra isso. Respondeu entre dentes a eles:
-- Saiam.
-- Você gosta dele. – os gêmeos olhavam Ryuu de forma a mostrar o quanto era óbvio o que tinham dito. Hikaru tinha um braço em torno da cintura do irmão e Kaoru tinha um braço em torno dos ombros do mais velho.
-- Vocês não me deixam escolha. – Ryuu tomou distância, correu e saltou. Estava bem na mira para cair sobre os dois e derrubá-los, mas havia tomado distância demais, o que permitiu que eles se abaixassem antes de serem atingidos.
-- Não conseguiu. – eles sorriam satisfeitos, vendo Ryuu com as pernas para cima, encostadas na parede, e a cabeça no chão, observando-os de baixo.
"Malditos clones u.ú"
Ela logo se pôs em pé e tratou de voltar logo para o quarto. Apenas ignorava os gêmeos em pé na porta, acompanhando-a com o olhar. "Não sei o que é pior… Eles achando que eu sou um garoto amando outro… Ou se descobrirem que sou menina e continuarem achando que gosto de Nekozawa-kun…"
Uma vez acomodada em sua cama, voltou a arremessar dardos na foto de Tamaki pregada na parede oposta. Acabou se distraindo o suficiente para não perceber os gêmeos entrando. Quando notou era um pouco tarde. Eles olhavam as coisas de Ryuu que estavam mais próximas.
-- SAIAM DAQUI! – ela pulou da cama e ia até eles.
-- Chibi-chan! Não se estresse! XD – os dois ruivos pareciam se divertir.
-- Já disse para não me chamarem assim! u.ú Seus clones! – ela os empurrava para fora do quarto.
Então eles se adiantaram um passo, o que quase fez Ryuu cair.
-- Saiam de uma vez!
-- Hm… Não! \o
"Malditos experimentos de clonagem…"
-- Por que não podemos ver seu quarto, Chibi-chan?
-- Porque é meu, talvez? – Ryuu tinha desprezo saindo com suas palavras – Agora saiam! – ela os empurrou porta afora e se fechou no quarto.
Sakura andava calmamente até seu quarto, quando encontrou os dois gêmeos rindo descontroladamente no corredor.
-- Hikaru-senpai? Kaoru-senpai? O que aconteceu? o.o'
-- Hahahahahahahahaha XD Definitivamente… O irmãozinho de Tono… Hahahahahaha XD Serão as melhores férias!
-- Vocês mal conseguem falar… E o que vocês fizeram…? – Sakura parecia preocupada.
-- Por enquanto, nada. – eles se recompunham aos poucos – Bem, vamos dar uma voltar pelo jardim. – eles sorriram e se foram pelo corredor.
