Capítulo oito: O Imperador Chinês

Faltava um mês para o aniversário de Sasuke quando este mandou Lee entregar ao Imperador da China o convite de seu aniversário. Esperava poder nesse dia, que era de festa para todos seus súditos, chegar a um acordo com Inuzuka Kiba e poder assim, cancelar o aviso de ataque.

Lee, chegando ao país, foi recebido com desconfiança pelos guardas reais. Fora levado até uma ampla sala ricamente decorada e enfeitada, onde, ainda com olhar analítico, pôs-se a se sentar em uma das almofadas que o cômodo oferecia. Eis que surge uma voz por de trás das grossas cortinas de veludo:

- Não me lembro de mandar-lhe sentar – rapidamente, o rapaz pôs-se de pé. Estava diante do Imperador

- Desculpe-me, senhor – se curvou com a face rubra pela vergonha – A viagem foi cansativa... Desculpe-me – disse mais uma vez

- Problema algum. – disse sem olhar para quem lhe dirigia a palavra – Diga logo o que pretende

- Em nome do Imperador do Japão, Uchiha Sasuke, trago ao senhor os mais sinceros cumprimentos de meu senhor e de todo o povo japonês. – após breve pausa estendeu-lhe um envelope vermelho, lacrado com o brasão imperial japonês dos Uchiha – Meu senhor mandou

- O que é? – indagou enquanto abria o mesmo – Aniversário de "Vossa Majestade"? – riu – O que o Uchiha pretende? Dar uma festinha e reunir os amigos?

- Ele gostaria de sua presença em seu aniversário – rebateu – Se me permite falar, acho que seria uma ótima oportunidade de colocar as cartas na mesa e resolverem de uma forma diplomática a questão do ataque – surpreendido e irritado com o desabafo audacioso do rapaz trajado de verde, Kiba respondeu:

- Pois diga a sua majestade – irnozou – que eu vou à sua festinha – e virando-lhe as costas, encerrou – agora vá.

Seguindo o conselho ameaçador do poderoso, este se retirou com pressa, parando somente na saída da cidade para beber um pouco d'água, comprar mantimentos e retornar para a pátria.

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Faltava uma semana para os festejos quando Lee enfim chegou. Deixou de dormir uma noite toda para chegar o quanto antes ao império japonês. Quando avistou os portões da mansão, deixou-se cair nos degraus de entrada, chamando a atenção das criadas que ali passavam. Foi levado para dentro do recinto dos empregados, sentado num confortável amontoado de almofadas de plumas, enquanto era ajudado por duas criadas. Uma delas fazia compressas sobre o rosto queimado pelo calor escaldante e o frio cortante do deserto, enquanto a outra colocava seus pés machucados numa banheira de água morna. O Imperador logo foi avisado de sua chegada, indo de imediato ao encontro de seu informante:

- Meus cumprimentos, Lee – este apenas curvou a cabeça, tamanho o cansaço – Espero que melhore

- Obrigado senhor, vou melhorar, tenho o fogo da juventude! - disse com a voz rouca – Trago notícias

- Diga, se estiver em condições

- O Imperador da China confirmou presença. Ele virá aos festejos de seu aniversário, senhor

Sasuke não sabia se a notícia lhe agradava ou perturbava. De certo modo, precisava que seu atual inimigo comparecesse em sua residência para tentar de forma amigável, convencê-lo de que uma guerra naquele momento, não seria de nada conveniente. Por outro lado, desejava ver a cabeça do adorador de cães, rolar pelos imaculados degraus de seu palácio. Embora quisesse a morte do oponente devia evitar ao máximo que pudesse qualquer conflito por mínimo que fosse. Tudo o que agora precisava, era de uma companhia agradável, que não ficasse lembrando-o de suas tarefas e funções para com o país, tais que ele sabia de cor. Despedindo-se cordialmente de Lee, seguiu a passos rápidos para o jardim.

Parou tendo em vista aquela paisagem que jamais sairia de sua mente. Notando que sua presença ainda era desconhecida pela jovem, ficou observando a cena detalhadamente, para que quando se lembrasse, pudesse vê-la fielmente em seus sonhos. Hinata estava trajada com um kimono branco, coberto por detalhes coloridos, que deixavam fora de vista a cor real do tecido. Na vestimenta, haviam várias gueixas pintadas em situações diferentes: umas costurando, outras se penteando, arrumando colegas ou dançando. Um laço típico da região na cor vermelha, presa em sua cintura e os longos cabelos negro-azulados estavam presos num coque, preso por um pente de marfim detalhado, trazido da Espanha.

A bela lia. Entretida no livro de uma maneira, que nem se dava conta de que era observada de duas formas diferentes: uma delas era de forma crítica, pelo pintor Sai que estava na metade do quadro. A outra por Sasuke que a observava de forma apaixonada. Quando o pintor, instantes depois se retirou para retocar algumas partes de sua arte, Sasuke se aproximou da jovem sorrindo:

- Ainda lendo? – ela voltou os olhos para Sasuke e sorriu – Parece que vive em meio às ilusões.

- Nada parece. Vivo realmente em uma – sorriu serena – Por favor, sente-se – apontou à ele a cadeira do jardim, ao lado da sua. Sasuke sentou-se e ambos começaram descontraída conversa. Ao longe, quem os olhava com desaprovação era Sakura. A gueixa tinha sido deixada de lado, não por Sasuke estar apaixonado pela Hyuuga, mas sim pela rosácea demonstrar ser aos outros criados, superior a eles, agindo como uma menina mimada, querendo, pedindo, exigindo tudo o que queria. Ganhou como punição, a única coisa que temia: a exclusão por parte de Sasuke.

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Na varanda de seu quarto, Ino observava o amplo e colorido jardim com os olhos cheios de admiração. O que o par de cristalinos olhos gravava para depois poder ser reaplicado no lindo bordado que a loira fazia, era o casal de dois pássaros azuis que possuíam a ponta da cabeça e o cumprimento das asas num tom de verde resplandecente, que brilhava quando o pequenino animal voava por entre o céu iluminado pela hora do dia. Sorriu ao ver o pequeno alçar vôo para fora das dependências imperiais.

Enfim, retomou atenção ao bordado e aos poucos, percebia que os riscos esboçados naquela parte do lençol de linho ganhavam vida e cor, deixando o antes sem-graça lençol branco agora muito mais belo. Sem perceber, passou duas horas assim, bordando e admirando vez ou outra, a paisagem á sua volta. Até que seus olhos pousaram sobre a imagem de Sai. Este, sentado no seu banquinho de madeira, esboçava com o pedaço de carvão vários traços que a princesa não podia ver, devido à grande tela na frente do rapaz.

Um tanto insegura, ela levantou-se de onde estava e, deixando o bordado sobre a cama, foi até o jardim. Gostava de ver Sai pintando e o artista nunca se negou a deixá-la vê-lo executando seu trabalho, ainda mais por ninguém nunca pedir-lhe permissão para ver nenhuma de suas pinturas. Sai começou a se interessar pela moça, não pelo fato de ter uma admiradora ou ver que ela tinha tamanho dom par as artes, mas sim porque ela não tinha medo de ser quem era. Era quieta, tímida, meiga e atenciosa. Defeito? De modo algum. Uma grande qualidade, na opinião do artista. Por ser tímida e quieta, não fazia muitos amigos, o que a fazia ter mais atenção, por não dar ouvido à tantas bobagens ditas em seu meio social. A atenção que tinha era com as pessoas principalmente crianças. Meiga com quem precisava da atenção que ela tanto tinha para oferecer. E, não eram necessárias palavras para saber sua opinião. Sai só precisava olhar o brilho dos olhos da moça para saber o que sentia ela em cada um de seus silêncios.

Por mais que gostasse dela, aquele quando que pintava agora não podia ser visto por ela. Mas não tomou o cuidado de ver se ela se aproximava ou não, sendo surpreendido pela voz baixa lhe indagando:

- Posso ver? – deixando a respiração prender-se por um momento. Retornado o susto, cobriu a tela ainda em branco e com a voz alterada disse

- Saia daqui

- O que... Aconteceu? – balbuciou com o semblante confuso

- Agora! – gritou ele sem querer magoá-la, mas a reação foi bem essa

Pôde vê-la dando dois passos para trás com os olhos lacrimejantes e depois, ouviu os passos abafados pela grama se apressarem numa breve corrida. Sentiu-se a pior pessoa do mundo. Não sabia como agir com as pessoas e, justamente quem não queria machucar, acabou o fazendo. O quadro, que antes com tanto entusiasmo fazia, agora não lhe interessava mais. Guardou-o e ficou pensativo durante bom tempo em baixo de uma vasta árvore. Quando notou, o sol estava há alguns instantes de se pôr. Teve uma idéia.

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Já era a terceira vez que Ino trançava os cabelos, desta vez, com uma fita na cor azul. Não conseguia entender porque havia sido repelida daquela maneira por Sai, a pessoa que ela tinha certeza que conquistara como amigo. Zangava-se consigo mesma quando pensava no pintor de uma forma mais afetiva. Ele era apenas seu amigo! Como poderia ter seus olhos pregados tanto na face pálida e inexpressiva daquele homem? Como poderia se alegrar tanto quando ele lhe dirigia a palavra? Por que gostava tanto de atravessar a madrugada conversando com ele? Ainda fixada em seus pensamentos, quase não notou que alguém batia á sua janela. Abriu-a:

- Sai! – exclamou espantada e confusa

- Pode me acompanhar? – pediu com a feição indecisa, o que deixou a loira ainda mais confusa, porém, acabou concordando.

Seguiram os dois para a longa escadaria que os levou à um pagode, na colina que dava vista á cidade que começava a se iluminar, preparando-se para a noite. Ino olhou a cidade com imensa emoção, porém, não era aquela visão que o rapaz queria que a jovem guardasse:

- Garanto que este lado é mais bonito – apontou para o lado contrário que esta estava virada.

Quando a princesa voltou-se, viu o entardecer mais lindo de sua vida. O céu, num misto de vermelho, laranja, aos poucos dava espaço a um céu salpicado de rosa, que escurecia até chegar num azul escuro. A noite começaria dali a um tempo. E o Sol, que aos poucos abandonava o horizonte, era como se estivesse se despedindo de mais um dia. Ino deixou que uma lágrima escorresse de seus olhos, ainda abertos, admirando a paisagem não querendo perder nenhum segundo do que via. Foi quando Sai começou a falar:

- Desculpe-me se não deixei que visse meu quadro. É para ser uma surpresa – ela o fitou compreensiva – tanto para mim, quanto para você.

- Quem deve desculpas sou eu. Não deveria ter me intrometido. Só não consigo entender porque ficou tão irritado... – balbuciou a última frase envergonhada

- Não é preciso entender – disse ele depositando nas mãos da princesa, o pássaro que horas antes esta bordava – Apenas... Observe – disse apontando o pôr-do-sol, que estava quase desaparecendo. Então, ela soltou a pequenina e frágil ave que bateu as asas e saiu voando em direção ao sol.

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O jantar havia sido servido e todos estavam à mesa. Hinata, já acostumada com o traje de gueixa, se vestia como tal e Sakura que embora não gostasse se vestia como uma também. Todos jantaram e, a contragosto de Sasuke, conversavam sobre o aniversário do anfitrião:

- Não está animado, Sasuke? – perguntou a Hinata

- Definitivamente, não

- Eu já mandei buscarem meu vestido no alfaiate – informou dando atenção excessiva a si mesma, Sakura

- Isso não nos interessa – disse Sai

- Sasuke! Não vai dizer nada? – escandalizou incrédula

- Apoiado – disse o Imperador – Não podemos falar de outra coisa?

- Mas a cidade não fala em nada que não seja sobre os festejos. Ainda mais agora que o boato de que o Imperador da China compareça se espalhou – informou Sai

- Não é boato – disse Sasuke querendo acabar com aquele mistério – Inuzuka Kiba realmente vem à festa

Hinata empalideceu. De repente, viu em frente aos seus olhos a cena de sua família sobre uma poça de sangue, ela, obrigada a se casar com um monstro, os dias incontáveis que passou no deserto e o medo que tomara conta dela quando se encontrou em meio à escuridão de um quarto desconhecido.

- Hinata? – chamou mais uma vez Ino – Tudo bem?

- Tudo... – gaguejou num tom de voz quase inaudível

- Por que essa feição de preocupada? – foi à vez de Sasuke perguntar

- Com licença – pediu se levantando da mesa e indo, de cabeça baixa até seu quarto.

Precisava pensar, precisava manter a calma. O Imperador da China estaria ali, bem em seu esconderijo, o único lugar que ela achava estar segura. E se pedisse à Sasuke que o dispensasse? Não, ela sabia que isso era impossível, estaria sendo descortês e provavelmente provocaria a ira do inimigo. Além do mais, não tinha esse direito. Talvez, se ela pedisse para ficar em seu aposento durante a festa, alegando estar sentindo mal-estar, poderia evitar vê-lo e ser reconhecida.

Limpou o rosto com gestos automáticos, o medo era tanto que a impedia de raciocinar direito. Foi dormir com a cabeça doendo, latejando de perguntas e soluções nada agradáveis.

Na China, Kiba se preparava para a longa viagem que faria. Não sabia por que ir, mas algo lhe dizia no íntimo que a viagem seria proveitosa.

Com as bagagens prontas, dez servos se revezando na ida para o Japão, este se sentou em sua luxuosa carruagem e, enquanto durante a noite os cavalos puro-sangue deslizavam pela areia agora fria, o imperador respirava o ar sentindo o perfume que nele estava impregnado.

Reconheceria este cheiro em qualquer lugar.

- É o cheiro dela.

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" Nóis tarda mais num falha!"

Hehe! n.n'

Então gente, eu sei que eu demorei, eu sei, mas, antes tarde do que nunca, pelo menos eu escrevi o capítulo =D

Espero que esteja do gosto de vocês. Eu sei povo, ficou pequeno o capítulo, mas não tinha muita coisa para dizer nele... Tipo uma prévia do próximo capítulo que eu garanto, vai ser maior que este x.X'

Beijos e mais beijos!

Até o próximo post!