Oi!

Espero que gostem, Esse foi um dos capítulos que mais me deixou com vergonha até agora, apesar de saber que isso é só o começo. Hehehe

Boa leitura

All Yours

-X-

8 - Hábitos

Adaptado Por Ana2Uzumaki

Fomos à loja de celulares primeiro.

A vendedora que nos atendeu parecia especialmente suscetível aos atrativos de Sasuke. Assim que ele demonstrou o mínimo interesse em um produto, ela já se abriu toda, alongando-se em explicações detalhadas e se aproximando o máximo possível na hora de fazer as demonstrações. Tentei ficar longe dos dois e encontrar alguém disposto a me ajudar, mas a mão de Sasuke, sempre colada à minha, impedia que eu me afastasse.

Depois houve a discussão de quem ia pagar, apesar de o telefone e a conta serem meus. "Você já escolheu a operadora", argumentei, empurrando seu cartão de crédito para o lado e estendendo o meu para a vendedora.

"Porque é mais prático. Se formos da mesma operadora, podemos nos ligar de graça." Ele trocou os cartões em um movimento habilidoso.

"Se você não guardar esse cartão, não vou nem querer ligar pra você!" Isso pareceu convencê-lo, apesar de Sasuke não ter ficado muito satisfeito. Ele que engolisse essa.

De volta ao Bentley, seu bom humor voltou. "Pode ir para a academia agora, Kakashi", ele ordenou ao motorista, recostando-se no assento. Depois tirou o celular do bolso e adicionou meu número à sua agenda. Em seguida, adicionou seu celular no meu, acrescentando o número de casa e do escritório. Ele mal havia terminado quando chegamos à UchihaTrainer, uma academia de três andares que era o sonho de qualquer entusiasta da boa forma. Fiquei impressionada com cada canto de sua estrutura bonita, moderna e bem equipada. Até mesmo o armário do vestiário feminino parecia algo saído de um filme de ficção científica. Mas meu encantamento foi eclipsado pelo próprio Sasuke quando acabei de me trocar e o encontrei esperando por mim no corredor. Ele estava de bermuda e regata, o que me proporcionou a primeira oportunidade de ver suas pernas e seus braços. Parei de repente, e a pessoa que vinha atrás esbarrou em mim. Só esbocei um pedido de desculpas — estava ocupada demais devorando o corpo de Sasuke com os olhos. Suas pernas eram fortes e torneadas, impecavelmente proporcionais a seus quadris e sua cintura bem delineada. Já os braços me deram água na boca. Os bíceps eram muito bem pronunciados, e os antebraços ostentavam veias grossas, criando um apelo visual brutal e totalmente sexy. Ele tinha penteado o cabelo para trás, permitindo que eu visse o contorno de seu pescoço e os caminhos angulosos de seu rosto.

Minha nossa. Eu queria conhecer intimamente esse homem.

Minha mente não conseguia se ocupar de outra coisa, pelo menos enquanto estivesse diante da prova irrefutável de sua beleza incomparável. E ele estava olhando feio para mim. Desencostando da parede à qual estava apoiado, ele se aproximou e me rodeou. Seus dedos percorreram meu abdome despido enquanto contornava a distância ao meu redor, deixando minha pele toda arrepiada. Quando ele parou diante de mim, lancei meus braços em torno de seu pescoço e dei um beijinho estalado na sua boca.

"O que é isso que você está usando?", ele perguntou, não muito feliz com minha recepção entusiasmada. "Roupas."

"Parece que você está nua com esse top."

"Pensei que você quisesse me ver nua." Fiquei feliz com minha escolha de vestuário, que havia sido feita de manhã, antes de saber que ia malhar com ele. O top tinha tiras presas com velcro nos ombros e nas costelas, que podiam ser ajustadas de forma a proporcionar o melhor suporte para os seios. Era especialmente projetado para mulheres de curvas avantajadas, e era o primeiro que eu usava capaz de impedir que meus seios ficassem balançando o tempo todo durante a ginástica. Sasuke não tinha gostado, na verdade, era da cor, muito próxima do tom da minha pele, que combinava com as listras da minha calça preta de ioga.

"Quero ver você nua num local com privacidade", ele murmurou. "Agora vou ter que acompanhar você toda vez que for à academia."

"Não vou reclamar, já que estou gostando demais do que estou vendo agora." Além disso, eu preferia aquela possessividade à frieza do sábado à noite. Duas demonstrações diametralmente opostas — foi a primeira vez, mas eu tinha certeza de que não seria a última.

"Vamos deixar isso pra lá." Ele pegou minha mão e me levou dali, apanhando de uma pilha duas toalhas com a logomarca da academia. "Eu preciso te comer."

"Eu preciso ser comida."

"Meu Deus, Sakura." Ele apertou tanto minha mão que até doeu. "O que vai ser? Pesos? Aparelhos? Esteira?" "Esteira. Preciso correr um pouco." Ele me levou até lá. Vi as mulheres do local o seguirem com os olhos, depois com os pés. Elas queriam estar onde ele estava, e eu era capaz de entender isso. Também estava ansiosa para vê-lo malhar. Quando chegamos às fileiras intermináveis de esteiras e bicicletas, constatamos que não havia duas esteiras adjacentes que estivessem livres. Sasuke foi até um homem que tinha uma esteira livre de cada lado. "Você me faria um grande favor se usasse uma dessas outras." O homem olhou para mim e sorriu.

"Claro, sem problemas."

"Legal. Eu agradeço." Sasuke subiu na esteira em que estava o homem e me apontou a que havia ao lado.

Antes que ele programasse seu exercício, eu me curvei em sua direção. "Vê se não gasta muita energia", sussurrei. "Quero fazer um papai-e-mamãe pra começar. Andei fantasiando com você em cima de mim, mandando ver com toda a força." Seu olhar me fuzilou.

"Sakura, você não faz ideia."

Quase morrendo de ansiedade e sentindo uma agradável onda de energia feminina, subi na minha esteira e comecei com uma caminhada leve. Enquanto me aquecia, pus meu iPod no modo aleatório e, quando começou a tocar "SexyBack", de Justin Timberlake, passei a correr a toda a velocidade.

A corrida para mim era um exercício físico e mental. Bem que eu gostaria de ser capaz de resolver todos os meus problemas correndo. Depois de vinte minutos diminuí o ritmo e parei, arriscando uma olhada para Sasuke, que corria com a fluidez de uma máquina bem azeitada. Ele estava vendo a CNN nos monitores de TV acima de sua cabeça, mas abriu um sorriso para mim enquanto eu enxugava o suor do rosto. Quase esvaziei minha garrafa d'água a caminho dos aparelhos, e escolhi um de onde pudesse mantê-lo no meu campo de visão. Ele fez meia hora de esteira, depois passou para os pesos, sempre com os olhos procurando por mim.

Enquanto se exercitava, de maneira eficiente e incansável, eu não conseguia deixar de pensar no quanto aquele homem era viril. O fato de eu saber o que estava escondido sob aquela bermuda ajudava a criar essa impressão, mas, mesmo que não soubesse, ele tinha toda a aparência de uma pessoa que, apesar de trabalhar atrás de uma mesa, mantinha seu corpo pronto para a guerra. Quando peguei uma bola para fazer uma sessão de agachamentos, um dos instrutores veio até mim.

Como era de esperar em uma academia de primeiríssima classe, ele era bonito e tinha um corpo muito bem trabalhado.

"Olá", o instrutor disse, com um sorriso de astro de cinema que revelava dentes brancos e perfeitos. Seus cabelos eram castanhos e os olhos, quase da mesma cor. "É sua primeira vez, né? Nunca vi você aqui antes."

"Sim, é a primeira vez que venho."

"Meu nome é Lee." Ele estendeu a mão, e eu disse meu nome. "Está encontrando tudo de que precisa, Sakura?" "Por enquanto está tudo bem, obrigada."

"De que sabor de vitamina você gosta?" Franzi a testa. "Como é?"

"Sua vitamina grátis de boas-vindas." Ele cruzou os braços, e seus bíceps alargaram as mangas apertadas da camiseta polo do uniforme. "Você não ganhou uma na lanchonete lá embaixo quando fez a matrícula? Eles deveriam ter oferecido."

"Ah, tá." Encolhi os ombros, apesar de ter gostado da oferta. "Não cheguei até aqui pelas vias normais."

"Ninguém mostrou a academia pra você? Eu posso fazer isso." Ele pegou de leve no meu ombro e mostrou as escadas.

"Você também ganha uma hora grátis com um personal trainer. Podemos fazer isso hoje mesmo, ou então marcar para um dia desta semana. E eu ficaria feliz em acompanhar você até a lanchonete, pra não ficar sem sua vitamina."

"Ah, eu não posso, na verdade." Franzi o rosto. "Não estou matriculada."

"Ah." Ele piscou para mim. "Você só veio conhecer? Tudo bem. Mas você só vai poder se decidir se puder aproveitar tudo o que temos a oferecer. Eu garanto para você, a UchihaTrainer é a melhor academia de Manhattan." Sasuke apareceu por sobre os ombros de Lee.

"Você tem direito a tudo o que temos a oferecer", ele falou enquanto se dirigia para o meu lado e passava o braço pela minha cintura, "já que é a namorada do dono."

A palavra namorada reverberou pelo meu corpo, inundando meu organismo com uma onda de adrenalina. Eu ainda estava em dúvida se tínhamos mesmo esse nível de comprometimento, mas isso não me impediu de gostar da ideia. "Senhor Uchiha." Lee corrigiu a postura e deu um passo atrás antes de estender a mão. "É uma honra conhecer o senhor."

"Lee ia me mostrar a academia", eu disse para Sasuke enquanto os dois se cumprimentavam.

"Acho que a melhor pessoa para fazer isso sou eu." Seus cabelos estavam úmidos de suor, e o cheiro dele era delicioso. Nunca pensei que um homem suado pudesse cheirar tão bem. Ele me pegou pelo braço e senti o toque de seus lábios no topo da minha cabeça. "Vamos lá. Até mais, Lee." Eu me despedi com um aceno enquanto nos afastávamos.

"Obrigada, Lee."

"Quando quiser."

"Sou capaz de apostar", murmurou Sasuke, "que ele não tirou os olhos dos seus peitos."

"Eles são muito bonitos." Ele soltou um grunhido grave. Precisei esconder minha satisfação.

Sasuke bateu na minha bunda com força suficiente para me fazer descer um degrau e deixar uma marca vermelha e dolorida, apesar de eu estar de calça.

"Esse maldito band-aid que você chama de top não deixa muito espaço para a imaginação. Não demore muito no chuveiro. Logo você vai ficar toda suada de novo."

"Espere." Segurei seu braço antes que ele passasse pelo vestiário feminino a caminho do masculino. "Você acharia ruim se eu pedisse para você não tomar banho? Se eu dissesse que quero encontrar um lugar aqui pertinho e pular em cima de você todo suado mesmo?" Sasuke cerrou os dentes e seus olhos se tornaram perigosamente sombrios. "Estou começando a temer pela sua segurança, Sakura. Pegue suas coisas. Tem um hotel ali na esquina."

Abandonamos a ideia de trocar de roupa e em quinze minutos estávamos na rua. Sasuke caminhava a passos largos, e tive que me apressar para acompanhá-lo. Quando ele parou de repente, virou-se e me envolveu em um beijo ardente na calçada lotada, fiquei atônita demais para fazer alguma coisa além de aguentar firme. Foi um encontro arrebatador de duas bocas, tão cheio de paixão e espontaneidade que me deu um aperto no peito. As pessoas ao redor nos aplaudiram. Quando ele me pôs de pé de novo, eu estava atordoada e sem fôlego.

"O que foi isso?", perguntei, ofegante.

"Um prelúdio." Ele retomou o caminho do hotel, cujo nome eu nem consegui ler ao ser puxada para dentro e levada diretamente para o elevador. O fato de aquele prédio ser propriedade de Sasuke ficou claro para mim antes mesmo de o gerente cumprimentá-lo pelo nome pouco antes de a porta do elevador se fechar.

Sasuke largou a mochila no chão do elevador e se ocupou da tarefa de tirar meu top. Eu estava batendo nas mãos dele quando a porta se abriu e ele apanhou de volta a sacola. Não havia ninguém esperando o elevador no nosso andar, e o corredor também estava vazio. Sasuke sacou uma chave-mestra de algum lugar e, um instante depois, estávamos em um quarto.

Não perdi tempo: enfiei as mãos sob sua camiseta para sentir sua pele úmida e a rigidez dos músculos por baixo dela.

"Tire a roupa. Agora." Ele deu uma risada ao tirar os tênis com os pés e arrancar a camiseta. Meu Deus... a visão do corpo dele daquela maneira — por inteiro, depois que sua bermuda foi ao chão — era de derreter os neurônios. Não havia o mínimo excesso em parte nenhuma, apenas massas compactas de músculos. Ele tinha barriga de tanquinho e aquele V sexy apontando para a pélvis que Sai chamava de Quadril de Apolo.

Sasuke não depilava o peito como Sai, mas cuidava do corpo com a mesma atenção. Ele era um espécime masculino em estado bruto, a encarnação de tudo o que eu cobiçava, fantasiava e desejava.

"Acho que morri e fui pro céu", falei, olhando embasbacada.

"Você ainda está vestida." Ele atacou minha roupa, arrancando meu top antes que eu pudesse respirar. Minha calça foi abaixada com força, e eu tirei os tênis com tanta pressa que perdi o equilíbrio e caí na cama. Mal havia recuperado o fôlego e ele já estava em cima de mim. Rolamos engalfinhados na cama.

Em todo lugar que ele me tocava, deixava um rastro de calor. O cheiro límpido da sua pele depois da malhação era um afrodisíaco intoxicante por si só, incitando meu desejo por ele até as raias da loucura.

"Você é tão linda, Sakura." Ele apertou um dos meus seios antes de abocanhar o mamilo. Soltei um gemido bem alto ao sentir a onda de calor e o toque de sua língua, derretendo a cada movimento leve de sucção. Minhas mãos percorriam avidamente sua pele úmida, apalpando e apertando, procurando pelas partes que o fariam urrar e gemer. Entrelacei minhas pernas na dele e tentei fazê-lo rolar para que eu ficasse por cima, mas ele era pesado e forte demais.

Ele levantou a cabeça e sorriu para mim. "Agora é a minha vez."

O que eu senti naquele momento, vendo seu sorriso e o afeto nos seus olhos, foi quase doloroso de tão intenso. Rápido demais, eu pensei. Estava me deixando envolver rápido demais.

"Sasuke..." Ele me deu um beijo profundo, passando a língua pela minha boca bem à sua maneira. Imaginei que ele seria capaz de me fazer gozar apenas me beijando, caso aquilo continuasse por mais tempo.

Tudo nele me deixava com tesão, desde sua aparência e o toque do seu corpo sob minhas mãos até o modo como ele me olhava e encostava em mim. Sua avidez e os sinais silenciosos que ele emitia em seu desejo de possuir meu corpo, a impetuosidade com que ele me dava prazer e extraía de mim seu prazer, tudo isso me deixava nas nuvens.

Percorri com as mãos seus cabeços sedosos. Os pelos encrespados do seu peito estimulavam meus mamilos endurecidos, e o toque do seu corpo rígido era mais que suficiente para me deixar molhada e louca para dar.

"Adoro seu corpo", ele sussurrou, passeando com sua boca do meu rosto para a minha garganta. Sua mão acariciava meu corpo, alternando-se entre os seios e os quadris. "Não me canso de admirá-lo."

"Você ainda não desfrutou dele o bastante", provoquei.

"Acho que nunca vou me fartar dele." Mordendo e lambendo meu ombro, ele foi um pouquinho mais para baixo e agarrou um dos meus mamilos com os dentes. Ele o apertou, e a leve pontada de dor me fez arquear as costas e gemer alto. Ele compensou a mordida com uma leve sucção, depois foi abrindo caminho aos beijos mais para baixo. "Nunca senti tanto desejo na minha vida."

"Então me fode."

"Ainda não", ele murmurou, indo mais para baixo, circundando meu umbigo com a ponta da língua. "Você não está pronta."

"Quê? Meu Deus... não dá pra ficar mais pronta que isso." Eu puxei seus cabelos, numa tentativa de trazê-lo de volta para cima. Sasuke agarrou meus pulsos e os apertou contra o colchão.

"Você tem uma bocetinha apertadinha, Sakura. Se não estiver totalmente molhada e relaxada, vou machucar você." Um violento tremor de excitação atravessou meu corpo. Sasuke me deixava louca de tesão quando falava daquele jeito. Ele voltou a deslizar lá para baixo, e eu fiquei toda tensa.

"Não, Sasuke. Nem tomei banho." Ele enfiou o rosto entre as minhas pernas, e eu me contorci contra seu toque, repentinamente vermelha de vergonha enquanto ele mordia de leve minhas coxas. "Não. Por favor. Você não precisa fazer isso."

Seu olhar paralisou meus movimentos frenéticos. "Você acha que meu desejo pelo seu corpo é diferente do seu pelo meu?", ele perguntou asperamente. "Eu quero você, Sakura." Passei a língua pelos meus lábios ressecados, tão excitada por sua volúpia animalesca que não consegui dizer uma única palavra. Ele soltou um gemido suave e mergulhou de cabeça na umidade do meio das minhas pernas. Sua língua abriu caminho para dentro de mim, lambendo e separando os tecidos sensíveis. Meus quadris se remexiam sem parar, meu corpo implorava silenciosamente por mais. A sensação era tão boa que tive vontade de chorar.

"Ah, Sakura. Penso na minha boca na sua boceta desde a primeira vez que vi você." O toque aveludado de sua língua chacoalhava meu clitóris excitado, e eu enterrei minha cabeça no travesseiro.

"Isso. Assim mesmo. Me faz gozar." Foi o que ele fez, alternando entre leves sucções e lambidas com a língua enrijecida. Tremi toda quando o orgasmo invadiu meu corpo, sentindo espasmos violentos, com os membros fora de controle. Sua língua entrava no meu sexo em meio às minhas convulsões, gemendo ao ritmo daquela penetração rasa, tentando entrar ainda mais fundo. Seus gemidos reverberavam na minha pele sensível, prolongando ainda mais o clímax. Lágrimas caíram dos meus olhos e escorreram pelas têmporas. O prazer físico destruiu todas as barreiras que mantinham meus sentimentos sob controle.

E Sasuke não parava. Continuava a circundar com a língua a trêmula porta de entrada para meu corpo, lambendo meu clitóris super estimulado até que eu esquentasse novamente. Dois dedos seus entraram em mim, curvados e inquietos. Eu estava tão sensível que me contorci diante da nova investida. Quando ele avançou sobre meu clitóris com um movimento contínuo e ritmado, eu gozei de novo, soltando gritos e gemidos roucos.

Depois disso ele enfiou três dedos em mim, remexendo-os e me abrindo inteirinha. "Não." Sacudi a cabeça de um lado para o outro, sentindo cada canto do meu corpo queimar. "Já chega."

"Mais uma vez", ele insistiu, ofegante. "Mais uma vez e depois eu te como."

"Eu não aguento..."

"Aguenta, sim." Ele soprou um jato de ar frio sobre minha pele molhada, o que reacendeu minhas terminações nervosas. "Adoro ver você gozar, Sakura. Adoro ouvir seus gemidos, sentir seu corpo se contorcer..." Ele massageou um ponto sensível dentro de mim, e um orgasmo me invadiu na forma de uma lenta e morna onda de prazer, não menos devastadora por não ser tão violenta como nas duas vezes anteriores. O peso e o calor de seu corpo se afastaram de mim. Em um ponto distante da minha mente entorpecida, registrei o ruído de uma gaveta se abrindo, seguido pelo som de uma embalagem sendo rasgada. O colchão afundou no seu retorno, com suas mãos fortes me puxando para o centro da cama. Ele se deitou sobre mim, prendendo-me, cercando-me com seus antebraços e os apertando contra mim, capturando-me. Meus olhos estavam vidrados em seu rosto bonito e austero.

Suas feições estavam tensas de luxúria, a pele bem esticada sobre a mandíbula e as maçãs do rosto. Seus olhos escuros estavam bem dilatados, e eu sabia que estava vendo o rosto de um homem que já havia perdido o controle sobre si mesmo.

Gostei do fato de ele ter feito tudo aquilo por mim, de ter me dado tanto prazer e me preparado para o que parecia ser uma jornada inesquecível. Minhas mãos agarraram os lençóis, e a ansiedade só crescia. Ele tinha me feito gozar, de novo e de novo. Agora seria a vez dele.

"Me fode", eu ordenei, incitando-o com os olhos.

"Sakura." Ele disse meu nome ao entrar em mim, enfiando até bater com as bolas em mim, em uma estocada furiosa.

Fiquei sem fôlego. Ele era grande, duro como pedra, e tinha entrado bem fundo. A ligação entre nós era absurdamente intensa. Emocional. Mental. Eu nunca tinha me sentido tão completamente... entregue. Possuída. Eu jamais poderia imaginar que suportaria a ideia de ser imobilizada durante o sexo, não com meu histórico, mas o domínio total de Sasuke sobre meu corpo fez meu desejo chegar a níveis inimagináveis. Nunca tinha sentido tanto tesão na minha vida, o que parecia impossível depois de tudo o que já havia experimentado com ele. Eu o apertei todo, deliciando-me com a sensação dele dentro de mim, preenchendo-me. Seus quadris investiram contra mim, como se dissessem: Está sentindo? Estou dentro de você. Você é minha. Seu corpo inteiro enrijeceu. Seus músculos peitorais se distenderam por completo enquanto ele tirava quase tudo. A contração do seu abdome foi o único aviso que eu pude notar antes que ele voltasse a entrar com tudo.

Todo duro. Dei um grito, e o peito dele ressoou com um grunhido grave e primitivo. "Nossa... Você é muito gostosa." Apertando-me mais forte, ele começou a me foder com força, fazendo meus quadris afundarem no colchão com estocadas violentas e ferozes. Uma onda de prazer percorreu meu corpo de novo, intensificando-se a cada investida do corpo dele contra o meu.

Assim, eu pensei. Era bem assim que eu queria você. Sasuke enterrou a cabeça no meu pescoço e me prendeu com força onde eu estava, metendo mais forte e mais rápido, murmurando safadezas com uma voz ofegante, fazendo-me enlouquecer de desejo.

"Meu pau nunca ficou tão duro. Entrou tão fundo em você..." Pensei que seria a vez dele, mas Sasuke ainda estava pensando em mim, preocupado comigo, remexendo os quadris para levar prazer ao meu ventre em ebulição. Soltei um breve e inevitável som de desejo, e sua boca logo chegou até mim. Eu estava desesperada por ele, minhas unhas se encravaram em seus quadris em movimento, lutando contra a necessidade torturante de sentir as investidas furiosas do seu pau enorme. Estávamos pingando de suor, com a pele fervendo e colados um ao outro, ofegantes, lutando para controlar a respiração.

Quando um orgasmo se formou como uma tempestade dentro de mim, todo o meu corpo se enrijeceu e se contorceu. Ele soltou um palavrão e posicionou uma das mãos sob o meu quadril, levantando minha bunda na direção das suas estocadas para fazer com que seu pau entrasse mais fundo e chegasse ao lugar que ansiava por ele.

"Goze, Sakura", ele ordenou com um tom áspero. "Agora." Cheguei ao clímax com uma intensidade que me fez sussurrar seu nome, uma sensação amplificada pela maneira como ele havia dominado meu corpo. Ele jogou a cabeça para trás, estremecendo.

"Ah!" Sasuke me agarrou com tanta força que eu mal conseguia respirar, enquanto seus quadris continuavam seu movimento incessante, fazendo com que ele entrasse e saísse de mim em toda a sua extensão. Não faço ideia de quanto tempo permanecemos assim, deitados, com nossas bocas passeando por ombros e pescoço até enfim nos acalmarmos. Meu corpo inteiro tremia e pulsava.

"Uau", consegui dizer finalmente. "Você acaba comigo", ele murmurou com a boca encostada no meu queixo. "Vamos acabar morrendo de tanto trepar."

"Ei, eu não fiz nada dessa vez." Ele tinha assumido totalmente o controle, e não havia nada mais sexy que isso. "Você estava aí deitada, respirando. Isso já basta." Dei risada e o abracei. Ele ergueu a cabeça e esfregou o rosto dele no meu.

"Vamos comer alguma coisa, e depois começamos tudo de novo." Ergui as sobrancelhas.

"Você consegue fazer tudo isso de novo?"

"A noite inteira." Ele saiu de cima de mim, e pude sentir que ainda estava um pouco ereto.

"Você é uma máquina", eu disse. "Ou então algum deus."

"A culpa é sua." Com um beijo suave e carinhoso, Sasuke se afastou de mim, tirou a camisinha, enrolou em um lenço de papel que encontrou no criado-mudo e jogou na lixeira ao lado da cama. "Vamos tomar banho e pedir alguma coisa do restaurante lá de baixo. A não ser que você queira descer."

"Acho que nem consigo andar." O brilho do sorriso dele fez meu coração parar de bater por um instante.

"Ainda bem que não sou o único."

"Você parece estar muito bem."

"Eu me sinto ótimo." Ele sentou na lateral da cama e afastou com a mão os cabelos grudados na minha testa. Seu rosto tinha uma expressão tranquila, e seu sorriso transmitia um afeto apaziguador. Imaginei ter visto algo mais em seus olhos, e só de pensar nisso senti um nó na garganta. Fiquei com medo.

"Venha tomar banho comigo", ele pediu, acariciando meu braço. "Me dê um minutinho para me recompor. Eu já vou."

"Certo." Ele foi para o banheiro, proporcionando-me uma visão em primeira mão de suas costas musculosas e seu traseiro impecável. Suspirei de admiração feminina diante daquele espécime perfeito de beleza masculina.

No chuveiro, a água começou a correr. Consegui sentar e deslizar as pernas para fora da cama, sentindo-me deliciosamente trêmula. Espichei os olhos para a gaveta um pouco aberta do criado-mudo e vi umas camisinhas lá dentro.

Senti meu estômago embrulhar. Aquele hotel era sofisticado demais para oferecer camisinhas junto com a habitual Bíblia no criado-mudo. Com a mão ligeiramente vacilante, abri a gaveta por completo e encontrei uma quantidade razoável de apetrechos sexuais, incluindo um frasco de lubrificante e gel espermicida.

Meu coração disparou mais uma vez. Na minha cabeça, retracei nossa jornada luxuriosa até o hotel. Sasuke não havia nem perguntado qual quarto estava disponível. Fosse aquela uma chave-mestra ou não, ele não precisou se perguntar quais quartos estavam ocupados antes de escolher um... devia saber de antemão que não teria ninguém naquele quarto. Obviamente, era o quarto dele — um abatedouro equipado com tudo de que Sasuke precisava para se divertir com as mulheres que usava com esse propósito. Enquanto eu caminhava até o armário, ouvi a porta de vidro do box se abrir e depois se fechar de novo. Peguei os puxadores das portas de correr do armário e as afastei.

Havia uma pequena seleção de roupas masculinas penduradas nos cabides, camisas e calças sociais e também bermudas e calças jeans. Senti meu corpo gelar e o sentimento de exaltação do orgasmo dar lugar a um sofrimento enojado. Nas gavetas do lado direito havia camisetas, cuecas e meias. Na primeira da esquerda, brinquedos eróticos ainda na embalagem. Nem abri as últimas gavetas.

Já tinha visto o bastante.

Vesti depressa a calça e roubei uma das camisetas de Sasuke. Enquanto me trocava, minha mente repassava a rotina que eu havia aprendido na terapia: Ponha tudo para fora. Explique ao seu parceiro qual foi o gatilho do seu sentimento negativo. Enfrente esse gatilho e tente superá-lo. Se eu não estivesse tão abalada pela profundidade de meus sentimentos por Sasuke, talvez eu conseguisse fazer tudo isso. Se não tivéssemos acabado de fazer um sexo inesquecível, talvez eu não me sentisse tão exposta e vulnerável. Isso eu jamais saberia. Estava me sentindo um pouco suja, um pouco usada, e estava muito, muito magoada. Ao me dar conta disso, com uma intensidade atordoante, senti uma necessidade infantil de magoá-lo também. Passei as mãos nas camisinhas, no lubrificante e nos brinquedinhos eróticos e joguei tudo na cama. Quando ele me chamou com um tom de voz divertido e provocador, peguei minha mochila e fui embora.

Mantive a cabeça baixa ao passar pela recepção e saí do hotel por uma porta lateral. Fiquei vermelha de vergonha ao me lembrar do gerente que cumprimentou Sasuke no elevador. Era capaz de imaginar o que ele pensava de mim. Ele devia saber para que servia aquele quarto. Eu não conseguia suportar a ideia de ser apenas mais uma de uma longa lista, mas foi exatamente isso o que me tornei quando pus os pés naquele hotel. Teria dado muito trabalho parar na recepção e pedir um quarto que seria só nosso? Saí andando sem direção e sem destino definido.

Já havia escurecido, e a cidade ganhava uma nova vida e se reenergizava depois de mais um dia de trabalho. Barraquinhas fumegantes de comida dominavam as calçadas, junto com vendedores ambulantes oferecendo quadros, camisetas ou até roteiros de filmes e episódios de seriados de TV. A cada passo que eu dava, a adrenalina da fuga baixava um pouco mais. A imaginação maliciosamente excitada pela visão de Sasuke saindo do banheiro para encontrar o quarto vazio e a cama repleta de parafernálias sexuais foi perdendo o efeito.

Comecei a me acalmar... e a refletir seriamente sobre o que tinha acontecido. Teria sido uma coincidência Sasuke me convidar para ir a uma academia tão convenientemente próxima de seu abatedouro sexual? Lembrei da conversa que tivemos no escritório na hora do almoço, e a dificuldade que ele sentiu para expressar seu desejo de ficar comigo. Ele estava tão confuso e dividido quanto eu, e nessa situação o mais natural seria mesmo recorrer aos hábitos rotineiros. Afinal de contas, eu mesma não tinha acabado de fazer isso, apesar de ter investido tantos anos em terapia para aprender a não me fechar e fugir quando estivesse magoada?

Angustiada, parei em uma cantina e me sentei a uma mesa. Pedi um cálice de syrah e uma pizza margherita, esperando que o vinho e a comida acalmassem minha ansiedade para que eu pudesse voltar a pensar direito. Quando o garçom voltou com meu vinho, virei metade da taça de uma vez sem nem sentir o gosto. Já estava com saudade de Sasuke, do bom humor que ele demonstrou antes de eu ir embora. Seu cheiro estava impregnado em mim — junto com o do sexo inacreditável que fizemos. Senti meus olhos arderem, e deixei algumas lágrimas caírem, apesar de estar em público, em um restaurante cheio de gente. A pizza chegou e eu provei um pedaço. Tinha gosto de papelão, e isso não tinha nada a ver com a qualidade dos ingredientes, do cozinheiro ou do lugar. Puxei a cadeira em que havia deixado minha bolsa e peguei o celular novo, com a intenção de ligar para o dr. Travis e deixar um recado. Ele tinha proposto que continuássemos com as sessões à distância até que eu encontrasse um terapeuta em Nova York, e decidi aceitar a oferta.

Foi quando vi as vinte e uma ligações perdidas de Sasuke e uma mensagem de texto: Estraguei tudo de novo. Não me abandone. Fale comigo. Por favor.

As lágrimas voltaram a rolar. Apertei o telefone contra o peito, sentindo-me perdida. Não conseguia afastar da cabeça a imagem de Sasuke com outras mulheres. Não conseguia deixar de imaginá-lo trepando feito louco com outra mulher naquela mesma cama, usando aqueles brinquedinhos nela, levando-a à loucura, extraindo prazer do corpo dela... Era um pensamento irracional e sem sentido, que fazia com que eu me sentisse mesquinha e patética, e se manifestava em uma dor física. Levei um susto quando o telefone começou a vibrar, e quase o derrubei.

Dominada pelo sofrimento, pensei em deixar tocar até cair na caixa postal, porque estava escrito na tela que era Sasuke — a única pessoa que tinha aquele número —, mas não fui capaz de ignorar, porque ele estava claramente histérico. Por mais que eu quisesse magoá-lo antes, naquele momento essa ideia era insuportável. "Alô." Estranhei minha própria voz, abafada pelas lágrimas e pela tristeza que sentia.

"Sakura! Graças a Deus." Sasuke parecia ansiosíssimo. "Onde você está?" Olhei ao redor e não encontrei nada que me dissesse o nome do restaurante.

"Não sei. Eu... sinto muito, Sasuke."

"Não, Sakura. A culpa foi minha. Preciso encontrar você. Pode descrever o lugar onde está? Você foi andando?" "Sim, vim andando."

"Eu sei qual foi a saída que você usou. Pra que lado você foi?" Ele estava ofegante, e eu conseguia ouvir o barulho do trânsito e das buzinas ao redor.

"Pra esquerda."

"Você virou alguma esquina depois disso?"

"Acho que não. Não sei." Olhei em volta à procura de um garçom. "Estou em um restaurante. Italiano. Com lugares na calçada... e uma cerquinha de ferro. Portas vazadas... Pelo amor de Deus, Sasuke, eu..." Ele apareceu, a princípio como um vulto na porta de entrada segurando um telefone contra a orelha. Eu o reconheci imediatamente, observei sua reação de paralisia quando me viu sentada junto da parede dos fundos. Ele enfiou o telefone no bolso da calça jeans que mantinha no hotel e passou direto pela hostess que o abordou antes de chegar até mim. Mal tive tempo de me levantar e ele avançou contra mim e me abraçou bem forte.

"Pelo amor de Deus." Ele estremeceu de leve e enterrou a cabeça no meu pescoço. "Sakura." Retribuí o abraço. Ele cheirava como alguém recém-saído do chuveiro, o que me fez lembrar que estava precisando demais de um banho.

"Eu não poderia estar aqui", ele disse asperamente, recuando um pouco para envolver meu rosto com suas mãos. "Não posso aparecer em público assim. Podemos ir para minha casa?" Alguma coisa no meu rosto deve ter denunciado minha preocupação, porque ele me deu um beijo na testa e sussurrou: "Não vai ser como no hotel, eu prometo. A única mulher que já esteve na minha casa foi minha mãe, além da governanta e das empregadas".

"Isso é idiotice", murmurei. "Estou sendo idiota."

"Não." Ele afastou os cabelos do meu rosto e se inclinou para cochichar na minha orelha. "Se você tivesse me levado a um lugar reservado para trepar com outros homens, eu teria perdido a cabeça." O garçom apareceu, e nós nos afastamos. "O senhor quer um cardápio?"

"Não, obrigado." Sasuke sacou a carteira do bolso e estendeu a mão com o cartão de crédito. "Já estamos de saída."

Pegamos um táxi até a casa de Sasuke, que ficou segurando minha mão durante todo o trajeto. Fiquei mais nervosa do que deveria ao pegar o elevador privativo para a cobertura na Quinta Avenida. O pé direito alto e a arquitetura no estilo anterior à Segunda Guerra Mundial não eram novidade para mim e, para ser sincera, era meio que o esperado quando se namora alguém que é dono de quase todos os lugares que frequenta.

E quanto à vista para o Central Park... bom, era até óbvia. Mas o nervosismo de Sasuke era nítido, o que me fez perceber que aquela visita era muito importante para ele. Quando a porta do elevador se abriu diretamente no hall de entrada com revestimento de mármore, ele apertou ainda mais minha mão antes de me soltar. Destrancou a porta dupla da entrada e permitiu meu acesso à sua privacidade.

Sua ansiedade era visível enquanto observava minha reação. O apartamento era lindo como ele. No entanto, era bem diferente de seu escritório, que era ousado e moderno. Sua casa era aconchegante e suntuosa, repleta de antiguidades e obras de arte, com magníficos tapetes Aubusson revestindo pisos reluzentes de madeira nobre.

"É... incrível", eu disse baixinho, sentindo-me privilegiada por estar ali.

Era um vislumbre de um lado de Sasuke que eu ansiava por conhecer, e era belíssimo.

"Entre." Ele me puxou para dentro. "Quero que você durma aqui hoje."

"Não trouxe roupas nem nada..."

"Você só vai precisar da sua escova de dente e da bolsa. Podemos passar na sua casa amanhã de manhã e pegar o resto. Prometo que você não vai se atrasar para o trabalho." Ele me abraçou e apoiou o queixo no topo da minha cabeça.

"Quero muito que você fique, Sakura. Não culpo você por ter saído correndo daquele quarto, mas seu sumiço me deixou desesperado. Preciso de mais um tempinho na sua companhia."

"Preciso de um abraço." Enfiei as mãos sob a camiseta dele para sentir a maciez suave de suas costas musculosas. "E um banho também me faria bem."

Ele inspirou profundamente, com o nariz bem próximo dos meus cabelos. "Adoro sentir meu cheiro em você." Mesmo assim, ele me conduziu por um corredor até seu quarto.

"Uau", suspirei quando ele acendeu a luz. Uma enorme cama de casal dominava o centro do quarto, feita de madeira escura — que parecia ser a de sua preferência — e coberta com uma roupa de cama creme. O restante da mobília combinava com a cama, e os detalhes eram adornados com tons de dourado. Era um cômodo acolhedor e masculino, sem nenhuma obra de arte nas paredes que concorresse com a vista serena do Central Park e dos imponentes prédios residenciais do outro lado do parque. Do meu lado de Manhattan.

"O banheiro é aqui." Enquanto eu me dirigia ao gabinete de pia, que parecia construído a partir de alguma escrivaninha antiga com pés em forma de garra, ele retirou toalhas de um armário e as deixou ali para mim, movendo-se com a sensualidade e confiança que eu tanto admirava. Vê-lo em sua casa, vestido tão casualmente, foi comovente. E saber que eu era a primeira mulher a entrar ali me emocionou ainda mais. Foi como se, mais do que nunca, ele tivesse se despido para mim. "Obrigada."

Ele me olhou e pareceu entender que eu não estava falando só das toalhas. Seu olhar fez com que uma onda de calor se espalhasse pelo meu corpo. "É muito bom ter você aqui."

"Não faço ideia de como vim parar aqui com você." Mas estava gostando muito. Muito mesmo.

"E isso importa?" Sasuke veio até mim, levantou meu queixo e deu um beijo na ponta do meu nariz. "Vou deixar uma camiseta na cama. Caviar e vodca está bom pra você?"

"Ora... é um belo avanço em relação à pizza que comi." Ele sorriu.

"Caviar tipo ossetra da Petrossian." Retribuí o sorriso.

"Preciso me corrigir. É um tremendo avanço." Tomei um banho e vesti a camiseta tamanho grande das Indústrias Uchiha que ele havia separado para mim; depois liguei para Sai para avisar que passaria a noite fora e contar meio por alto o que tinha acontecido no hotel. Ele soltou um assovio.

"Não sei nem o que dizer sobre isso." Sai não saber o que dizer significava muita coisa.

Encontrei Sasuke na sala, e sentamos no chão para comer o badalado caviar com torradinhas e crème fraîche enquanto assistíamos a uma reprise de um seriado policial de TV que tinha uma cena filmada em frente ao Uchiha's.

"Acho que seria legal ver um prédio meu numa TV como essa", comentei.

"Até que não é ruim, mas eles fecharam a rua durante horas para as filmagens." Atingi o ombro dele com o meu. "Quanta negatividade." Fomos para a cama às dez e meia e assistimos ao restante do programa deitados juntinhos.

A tensão sexual entre nós era palpável, mas ele não tomou nenhuma iniciativa, então fiquei na minha. Desconfiei que ele queria compensar o incidente ocorrido no hotel.

Ele estava tentando provar que gostaria de passar um tempo comigo quando "poderíamos estar trepando". Funcionou. Por mais que eu estivesse a fim, era muito bom ficar ali sem fazer nada. Ele dormia sem roupa, o que tornava o contato ainda melhor. Joguei uma das pernas por cima dele, abracei sua cintura e apoiei meu rosto sobre seu coração. Nem me lembro do fim do programa, devo ter dormido antes.

Quando acordei o quarto ainda estava escuro, e rolei para o lado da cama. Sentei para consegui olhar para o relógio digital no criado-mudo e vi que ainda eram três da manhã. Eu costumava dormir a noite toda, o que me fez concluir que era o ambiente desconhecido que estava atrapalhando meu sono.

Apenas quando Sasuke gemeu e começou a se mexer, inquieto, que descobri o que me havia feito despertar. Seu gemido era de dor, seguido por um sussurro atormentado.

"Não encoste em mim", ele disparou asperamente. "Tire essas mãos de cima de mim!"

Fiquei paralisada, com o coração disparado. Suas palavras atravessavam a escuridão e o silêncio da noite, carregadas de fúria.

"Você não vale nada." Ele se sentou, chutando as cobertas. Suas pernas se encolheram e ele soltou um gemido que me pareceu perversamente erótico. "Não. Ai... Está doendo."

Ele se enrijeceu, contorcendo o corpo inteiro. Eu não aguentava mais ver aquilo.

"Sasuke." Como Sai tinha pesadelos de tempos em tempos, eu sabia que não deveria tocar em um homem nessa situação. Em vez disso, ajoelhei-me na cama e disse seu nome em voz alta. "Sasuke, acorde."

Despertando de repente, ele desabou para trás, tenso e defensivo. Seu peito oscilava com a respiração ofegante. Ele estava tendo uma ereção. Falei num tom de voz firme, apesar de estar com o coração partido. "Sasuke. Você está sonhando. Acorde e fique comigo."

Ele se soltou sobre o colchão. "Sakura...?"

"Estou aqui." Saí do caminho da luz do luar que entrava pela janela, mas não vi nenhum sinal de que seus olhos estavam abertos. "Você está acordado?"

Sua respiração ficou mais lenta, mas ele não disse nada. Seus punhos estavam fechados sobre o lençol. Arranquei a camiseta que estava usando e a deixei em cima da cama. Cheguei mais perto e passei a mão pelo seu braço. Ele não teve reação, e eu o acariciei, passando as pontas dos dedos sobre seu bíceps.

"Sasuke?"

Ele teve um sobressalto. "Quê? O que foi?"

Sentei sobre os calcanhares com as mãos nas coxas. Vi quando ele piscou para mim, e depois passou as mãos pelos cabelos. Pude sentir quando tomou consciência do pesadelo, pela rigidez que dominou seu corpo.

"O que foi?", ele perguntou bruscamente, apoiando-se em um dos cotovelos. "Está tudo bem?"

"Quero você." Eu me deitei ao lado de Sasuke, estendendo meu corpo nu junto ao seu. Pressionando meu rosto contra seu pescoço úmido, lambi suavemente sua pele salgada. Pela minha experiência com pesadelos, eu sabia que abraços e um pouco de amor poderiam fazer os fantasmas voltarem para o armário por uns tempos.

Ele me envolveu em seus braços, percorrendo com a mão a curvatura da minha coluna. Senti quando ele se esqueceu do sonho soltando um suspiro longo e profundo.

Deitei-o de costas, montei sobre ele e beijei sua boca. Sua ereção encontrou meus lábios vaginais, o que me fez querer abrir caminho para ela. A sensação da mão dele nos meus cabelos, agarrando-me para assumir o controle do beijo, logo me deixou molhada e pronta para recebê-lo. Minha pele estava quase em chamas. Esfreguei meu clitóris contra seu membro duro e grosso, usando-o para me masturbar até que ele emitiu um som áspero de desejo e rolou para cima de mim, invertendo a posição.

"Não tenho camisinha aqui em casa", ele murmurou antes de envolver um dos meus mamilos com os lábios e sugá-lo suavemente.

Adorei o fato de ele estar desprevenido. Ali não era um simples abatedouro; era a casa dele, e eu era a primeira a estar ali. "Sei que você falou em apresentar exames quando falamos sobre a pílula e que isso é o mais certo a fazer, mas..."

"Eu confio em você." Ele ergueu a cabeça e me olhou sob a luz pálida da lua. Abriu minhas pernas com os joelhos e me penetrou sem proteção pela primeira vez. Pude sentir todo o seu calor e toda a sua maciez.

"Sakura", ele suspirou, apertando-me contra si. "Eu nunca... Meu Deus, como você é gostosa. Estou muito feliz por você estar aqui." Puxei seus lábios para perto de mim e o beijei. "Eu também."

Acordei da mesma forma que tinha dormido, com Sasuke sobre mim, dentro de mim. Seu olhar estava carregado de prazer quando despertei com aquele momento delicioso. Com os cabelos caídos sobre os ombros e o rosto, ele parecia ainda mais sexy por estar despenteado. Mas, o melhor de tudo, não havia nada de obscuro em seus lindos olhos, nem uma sombra da ameaça que tinha pairado sobre seus sonhos.

"Espero que não se incomode", ele murmurou com um sorriso malicioso enquanto entrava e saía de mim. "Você estava quentinha e molhada. Não pude evitar."

Abracei sua cabeça e arqueei as costas, pressionando meus seios contra seu peito. Através das janelas encimadas por arcadas, vi a luz do amanhecer começar a preencher o céu.

"Humm... Eu adoraria acordar todos os dias deste jeito."

"Foi isso o que eu pensei às três da manhã." Ele mexeu os quadris e entrou ainda mais profundamente em mim. "Pensei em retribuir o favor."

Meu corpo inteiro renasceu, minha pulsação acelerou. "Sim, por favor."

Sai não estava mais lá quando cheguei em casa; ele havia deixado um bilhete avisando que estava trabalhando, mas que voltaria a tempo para a pizza com Kiba. Como minha experiência com pizza na noite anterior não tinha sido muito boa, eu estava disposta a tentar de novo, dessa vez em uma ocasião descontraída.

"Tenho um jantar de negócios hoje à noite", disse Sasuke, lendo por cima do meu ombro. "Queria que você fosse, para tornar a coisa mais suportável."

"Não posso dar o cano em Sai", eu disse, já me desculpando antes de me virar para ele. "As amigas vêm em primeiro lugar, você sabe como é."

Ele sorriu e me cercou pondo com as mãos no balcão. Estava usando o terno que eu havia escolhido, um Prada grafite levemente brilhante. A gravata era de um tom de cinza escuro que combinava com seus olhos e, deitada na cama observando enquanto ele se vestia, tive que lutar contra a vontade de arrancar tudo aquilo.

"Sai não é uma amiga sua. Mas entendi o que você quis dizer. Quero ficar com você hoje à noite. Posso vir depois do jantar e dormir aqui?"

Senti uma onda de calor percorrer meu corpo. Passei minhas mãos pelo colete dele, sentindo-me como uma portadora de um segredo especial por saber exatamente como ele era por baixo das roupas. "Eu adoraria que você viesse."

"Ótimo." Ele acenou com a cabeça, satisfeito. "Vou fazer um café enquanto você se troca."

"Os grãos estão no freezer, e o moedor, do lado da cafeteira. E eu gosto de bastante leite e só um pouquinho de adoçante."

Vinte minutos depois, quando saí do quarto, Sasuke encheu duas canecas de café para viagem e descemos para o saguão. Iruka nos escoltou da porta da frente do prédio à porta traseira do Bentley.

Enquanto o motorista arrancava com o carro, Sasuke me olhou dos pés à cabeça e falou: "Você está mesmo querendo me matar. Está usando cinta-liga de novo?".

Puxei a barra da saia e mostrei as meias de seda preta presas à cinta-liga de renda preta. Ele soltou um palavrão abafado que me fez rir. Eu havia escolhido uma blusa de seda de manga curta e gola rulê, combinada com uma saia vermelha razoavelmente curta, na medida do possível, e sapatos Mary Jane de salto alto. Como Sai não estava por lá para me fazer um penteado mais elaborado, prendi os cabelos em um rabo de cavalo. "Gostou?"

"Estou de pau duro." Sua voz estava rouca, e ele se ajustou dentro da calça. "Como é que vou conseguir trabalhar pensando em você vestida desse jeito?"

"Temos sempre a hora do almoço", sugeri, já fantasiando uma rapidinha no sofá do escritório dele.

"Tenho um almoço de negócios hoje. Eu poderia remarcar, se já não tivesse feito isso ontem."

"Você remarcou um compromisso por minha causa? Que honra." Ele se inclinou e acariciou meu rosto com os dedos, um gesto de carinho que estava se tornando habitual e cada vez mais íntimo. Eu estava prestes a me tornar dependente desse tipo de toque. Inclinei meu rosto sobre a palma da mão dele. "Você consegue reservar quinze minutos do seu dia pra mim?"

"Dou um jeito."

"Ligue pra avisar quando puder."

Respirando bem fundo, revirei minha bolsa e apanhei um presente que eu não sabia ao certo se ele ia gostar, mas o fato é que a lembrança daquele pesadelo não me saía da cabeça. Eu esperava que aquilo o fizesse lembrar do nosso sexo na madrugada, e o ajudasse a lidar com seu sonho traumático.

"Eu trouxe uma coisa. Achei que..." De repente, arrependi-me.

Ele franziu a testa. "O que foi?"

"Nada. É que..." Eu suspirei de tensão.

"Então, eu trouxe uma coisa pra você, mas acabei de me dar conta que é o tipo de presente que... não é bem um presente. Agora estou pensando que talvez não tenha nada a ver e..."

Ele estendeu a mão. "Dê aqui."

"Você não precisa ficar com ele se não quiser..."

"Pare de falar, Sakura." Ele fez um movimento com os dedos. "Dê aqui."

Tirei o objeto da minha bolsa e entreguei na mão dele. Sasuke olhou em silêncio para a fotografia emoldurada. Era um porta-retratos moderno com recortes de imagens relacionadas a formaturas, que incluía um relógio digital marcando três da manhã. A fotografia era minha, posando de biquíni em Coronado Beach com um chapelão de palha na cabeça — eu estava bronzeada, feliz, mandando um beijo para Sai, que estava se fingindo de fotógrafo de moda, passando-me instruções ridículas. Arrasou, gata. Agora brilha. Mostra esse corpão. Agora quero ver a tigresa... rawr...

Envergonhada, eu me contorci no assento. "Como eu disse antes, você não precisa ficar com ela se..."

"Eu..." Ele limpou a garganta. "Obrigado, Sakura."

"Ah, tudo bem..." Fiquei feliz ao ver o Uchiha's pela janela. Saltei assim que o motorista estacionou e passei as mãos pela saia, envergonhada. "Se quiser, posso ficar com ela e entregar para você outra hora."

Sasuke fechou a porta do Bentley e sacudiu a cabeça. "Ela é minha. Você não vai pegar de volta." Ele pegou minha mão, entrelaçando meus dedos com os dele, e me mostrou o caminho da porta giratória segurando o porta-retratos. Fiquei contente de ver que ele ia entrar no escritório com minha foto nas mãos.

Uma das coisas mais divertidas no mundo da publicidade é que um dia de trabalho nunca é igual ao anterior. Eu tive uma manhã corridíssima e, quando parei para pensar no que ia fazer na hora do almoço, o telefone tocou. "Escritório de Hozuki Suigetsu. Sakura Haruno falando."

"Tenho uma novidade", Sai disparou em vez de dizer alô.

"Qual?" Senti pela voz dele que a notícia era boa.

"Estou na campanha da Grey Isles."

"Ai, meu Deus! Sai, isso é demais! Adoro os jeans deles."

"O que você vai fazer na hora do almoço?" Abri um sorriso.

"Comemorar com você. Consegue chegar aqui ao meio-dia?"

"Já estou a caminho." Desliguei o telefone e me recostei na cadeira, tão empolgada por causa de Sai que senti vontade de sair dançando pelo prédio. Para matar o tempo durante os quinze minutos que faltavam para meu horário de almoço, abri o e-mail e vi o alerta do Google sobre novas entradas no mecanismo de busca com o nome de Sasuke. Mais de trinta novas citações ao seu nome em apenas um dia.

Abri o e-mail e surtei diante das várias manchetes fazendo menção a uma tal "mulher misteriosa". Cliquei no primeiro link que apareceu e fui direcionada a um blog de fofoca. Lá, em cores vivas, havia uma foto de Sasuke me beijando enlouquecidamente na calçada diante da academia. O artigo que acompanhava a imagem era breve e ia direto ao ponto:

Sasuke Uchiha, o solteirão mais cobiçado de Nova York desde John Kennedy Jr., foi visto ontem em uma manifestação pública de afeto. Uma fonte de dentro das Indústrias Uchiha identificou a sortuda mulher misteriosa como sendo a socialite Sakura Haruno, filha do multimilionário Danzou Himura e de sua esposa Mebuki. Quando questionada a respeito da natureza da relação entre Uchiha e Haruno, a fonte confirmou que ela é a "mulher mais importante" da vida do magnata no momento. Somos capazes até de ouvir os coraçõezinhos se partindo por todo o país nesta manhã.

"Droga", suspirei.

E então?