Capitulo 7 – Picks
EPOV
Desde a nossa primeira vez estávamos cada vez mais íntimos e decidimos logo contar para a nossa família, céus eu estava um poço de nervos, o que será que meu pai iria achar?
- Calma Edward. – Disse Bella me dando um selinho
Estávamos os dois no meu quarto a espera de que o nosso pai chegasse… apesar do meu pai ter sempre visto Bella como uma filha eles não tinham o mesmo sangue e eu apesar de ter o mesmo sangue dele só o conheci a pouco tempo… era complicado.
- Eu estou calmo.
- Pois, como se eu não tivesse aprendido a distinguir as tuas emoções.
Olhei para ela que tinha um sorriso divertido no rosto
- Ele vai me matar.
- Não vai nada.
Neste momento alguém bateu na porta
- Pode entrar. – Eu disse
- Olá. – Disse Alice – O pai já chegou.
- Já estamos indo Alice. – Disse Bella, Alice saiu do quarto e Bella segurou levemente meu rosto – Se lembre, eu amo-te. Apesar de tudo, eu amo-te.
- Eu também te amo.
- Vamos.
Dito isso descemos e encontramos todos, os únicos que sabiam do motivo da reunião dali eram a May e a Alice, o resto estavam a olhar para nos atentamente.
- Então o que se passa? – Perguntou meu pai ao se sentar numa cadeira
- Bem… eu vou directo ao assunto. – Disse Bella
Directa ao assunto?! Ela não poderia enganar o assunto?! Porque directo ao assunto?
- Eu gosto disso.
- Eu e Edward estamos juntos.
- Sim eu sei, vocês ficaram amigos.
- Não pai o que Bella quer dizer é que Edward e ela estão juntos… como um casal. – Disse Alice
Meu pai começou a rir e eu e Bella olhamos para ele incrédulo
- Eu sabia que isso iria acontecer… desde o primeiro dia eu notei algo entre vocês, mas os dois como são tão teimosos evitaram sempre…
- Como é que é? – Perguntou May e Jasper perguntaram ao mesmo tempo
- Eu sabia que isso iria acontecer… e posso confessar que se seus pais fossem vivo Bella eles iriam aprovar o vosso relacionamento. – Disse com um sorriso no rosto – Bem, já que está tudo eu tenho de ir a uma viagem ao Instituto de Salém. Juízo a todos.
- Como sempre papá. – Disse Alice
O nosso pai saiu dali e trocamos olhares confusos.
- Confesso que eu esperava algo mais. – Eu disse finalmente
- Eu também… - Disse Bella
- Bem agora que estamos só nos eu tenho algo a contar. – Disse May com uma cara preocupada
- O que se passa? – Perguntou Alice
- Bem ontem eu estive com uma nova amiga… e aconteceu algo estranho.
- Mas estranho do que o mundo que vivemos? – Perguntou com um meio sorriso Jasper
- Há sério, eu tive uma premonição. Ela estava no meio de um tiroteio e morreu.
- Tiroteio? Parece-me faroeste. – Eu disse
- Além disso as suas premonições não envolvem gente malvada e diabólica? – Nick perguntou confuso
- Normalmente, mas nem sempre.
- Seus poderes estão aumentando. Acho normal que possas detectar ameaças naturais assim. – Disse Jasper
- Naturais ou não, não importa. Agradeceria muito se alguém pudesse ir ao almoço comigo, para ajudar-me.
- Não. – Disse Bella rapidamente
Todo mundo olhou confuso para ela, como assim não? Ela estaria negando a ajuda para um inocente?
- Bella…
- Não Edward, sinto muito Maya. Escute, ela vai morrer. Chegou a sua hora, é o destino.
- Se é o destino porque eu vi? – Disse May devidamente irritada
- Porque tinhas de ver. May tens de compreender que não podemos salvar estes tipos de inocentes, ele morre nas mãos dos humanos e não de demónios ou feiticeiros, eu já vi o que a morte faz, se lembra?
- Do que estás falando? – Eu perguntei confuso
- Bella em uns dos nossos casos "morreu" por algumas horas e era uma mensageira da morte, ou seja, levava as almas para a luz… porque tinha de ser. – Disse Alice
- Mas… - May respirou fundo – Eu nunca vou ficar bem perdendo um inocente. Sabe eu… esta sendo difícil para mim aceitar o facto de que eu não deveria salvá-la.
- Vais ficar bem, eu sei que vais. – Disse Bella com um sorriso – Agora vá se distrair, eu sei que é difícil mas é a vida.
Dito isso Bella saiu dali e eu a segui, confesso que desde que eu cheguei eu tinha me impressionado muito com Bella a forma que ela via certas coisas eram tão maduras… já outras.
BPOV
Sai rapidamente em direcção a praia e Edward seguiu-me, sentei num dos rochedos e senti seus braços protectores a minha volta.
- Queres falar…
- Sobre o quê? – Perguntei confusa
- Eu não sei parecias chateada quando falaste aquelas coisas para May.
- É complicado.
- Então explica, simples não? – Disse com um meio sorriso
Respirei fundo e aninhei-me melhor nos seus braços
- Há dois anos aproximadamente eu tive uma experiencia com um feitiço… - Eu parei um pouco tentando lembrar de tudo e continue – Eu nunca aceitei a morte… minha mãe morreu quando eu nasci e meu pai quando eu era pequena, foi o destino, é o que dizem todo mundo.
- E tu não aceitavas isso?
- Não, por isso que eu tinha um ódio mortal pela morte… mas com este feitiço eu pude ver que ele apenas faz o que tem de ser.
- Ele? – Perguntou confuso
- Sim a morte é um homem… ele não é exactamente um demónio e não é bom e nem mal… é algo neutro que segue a lista. – Eu disse tentado lhe explicar
- Hum é interessante… posso lhe fazer uma pergunta?
- Claro.
- Como foi a tua infância?
- Minha infância? – Perguntei confusa
- Sim, eu quero saber como foi os tempos em que vivia aqui… o que se lembras.
- Foi uma infância saudável, eu não lembro-me muito da minha vida em Londres… eu era muito pequena, a Alice que se lembra mais.
Sim eu realmente não lembrava-me de quase nada apenas um vislumbre do meu pai sempre alegre a animado… fora isso era como se uma névoa tivesse abatido sobre as minhas memórias.
- E a tua? – Eu perguntei depois de ter ficado bem distante com os meus pensamentos
Ele respirou fundo como estivesse atrás de uma resposta adequada
- Foi feliz… apesar de tudo, foi muito feliz. Minha mãe era uma mulher formidável, ela estava sempre tentando alegrar-me era uma grande mulher que me fez esquecer a ausência do meu pai.
- Eu sinto muito Edward. – Eu disse num sussurro
- Porque? – Ele perguntou incrédulo
- Porque se talvez, eu e Alice não tivéssemos vindo morar com o nosso pai… talvez…
- Não Bella. – Ele segurou no meu rosto fazendo-me olhar para ele – Ele escolheu ficar separado da minha mãe bem antes de perderes o teu pai. Não tiveste culpa, nunca penses nisso ok?
- Ok.
- Promete-me? – Ele disse com aquele sorriso irresistível
- Sim eu prometo. – Lhe dei um sorriso e tentei mudar de assunto – o que achas de irmos ao vilarejo Finn? Poderíamos fazer umas compras.
- Claro, parece-me divertido.
E foi isso que fomos fazer, passamos a tarde comprando alguns doces mágicos a qual Edward comeu um feijão mágico com sabor a cera de ouvido que ele detestou, era por isso que eu odiava estes feijões, havia sempre sabores surpresas.
Eu estava feliz com Edward, confesso que nunca tinha sentido isso por ninguém e também confesso que com ele eu pude amadurecer melhor. Edward era exactamente meu anjo da guarda, sempre atencioso e carinhoso comigo.
EPOV
Sentei-me no alpendre no meu quarto e observei a chuva caindo numa noite quente de verão, estava tudo perfeito, tão perfeito que comecei a escrever:
"Podia dizer, filosofando, que perdi no tempo e no espaço, a recordação do gosto que tinha beijar alguém pela primeira vez, sem saber o que vai acontecer no dia seguinte, se tem mesmo que acontecer alguma coisa, mas com aquela sensação que não se vai encontrar no segundo encontro. Mas não digo, porque o primeiro beijo é algo que ultrapassa todos os nossos sentidos, que suplanta a nossa imaginação e que sempre nos faz reviver anos nunca vividos, sensações jamais sentidas. É como se, de repente, todas as nossas incertezas da juventude ganhassem de novo forma e nos dominasse, todas aquelas tremuras.
Perdera já nos confins da memória há quanto eu não sentia aquela interior timidez de encostar meus lábios de olhos fechados aos que, com igual receio, se aproximavam. O leve roçar e o ligeiro entreabrir e depois aquela vontade de me abandonar no colo de alguém. E permitir que viessem todas as palavras e sentimentos num correr suave, sem a preocupação com o que se vai pensar. Tinha mesmo esquecido como era delicioso dividir tudo, absolutamente tudo o que se tem vontade, sem disso se tomar consciência. Como as águas do rio, ou as noites de chuva. Deixar que as palavras brotassem ao ritmo da melodia que nos embalava, com uma certa timidez, sim, até mesmo com receio, mas sem temor de as dizer num sussurro, enquanto as nossas faces de roçavam e as nossas bocas chegavam aos ouvidos, proferindo as coisas que desejávamos ouvir, mesmo a não proferindo, por não necessário.
Depois de dinamitar todas as pontes que me levavam a lugares incertos, atravessar paisagens mortas onde a água deixara há muito de existir, parei junto ao precipício e, naquele instante, tomei a decisão de iniciar a descida, só para ter a possibilidade de experimentar o prazer da subida, devagar, com passos firmes, mas tranquilos e chegar à outra margem. Quem sabe se não terei uns braços à minha espera e um regaço para descansar.
Desconheço em absoluto quanto tempo é que o tempo dura, nem mesmo sei se amanhã sentiremos o mesmo, mas acho que isso nada importa, nada tem importância a não ser o agora, porque é agora que todas as certezas nos dominam e eu sinto a vontade de reviver coisas que estavam adormecidas.
Edward Fontanet"
Dei um leve sorriso e pensei na minha delicada Bella… hoje como todas as noites eu sonharia com ela, mas o melhor era que quando eu acordasse eu veria que meu sonho continuava a ser um sonho, afinal na realidade eu ainda lhe pertencia.
