HARRY
Dentro da casa de banho, o Duque de Hawling vivia seu momento íntimo de prazer. Sozinho.
Ele sabia que, de agora em diante, teria que ser assim. Teria que se aliviar sozinho, ele e sua mão. E Gina estaria apenas em seus pensamentos pecaminosos, linda, ruiva e gloriosa.
Quando encontrou sua liberação, Harry tomou um banho gelado, para terminar de relaxar a tensão muscular. Ele jamais havia pensado que pudesse ficar tão excitado apenas com beijos puros e apertos. Havia precisado de muito mais estímulos com outras mulheres.
Porém, já chegara à conclusão que Gina não era qualquer mulher. Ela era a paixão de sua vida! E por isso, ficava mais atraente e sedutora dentro de um pijama gigante, listrado e masculino do que qualquer outra mulher ficaria em roupa íntima.
E agora, relaxado, ele só queria mergulhar novamente naquele corpo acolhedor e cheiroso e adormecer.
Vestiu-se com um roupão de banho e retornou ao quarto. Mas se assustou quando ele viu a razão de sua vida, encolhida com a cabeça entre os joelhos.
"Gina" – ele a chamou.
A jovem levantou a cabeça e seu rosto estava vermelho e coberto de lágrimas.
"Por que está chorando, minha querida?" – ele subiu na cama e a aninhou, o coração dolorido só de imaginar que ele poderia, mais uma vez, ser o causador desse sofrimento. Ele não suportaria!
"Eu...o que foi que eu fiz de errado dessa vez?"
O quê?
"Fez de errado? Do que você está falando, Gina?"
Ela fungou e enxugou as lágrimas.
"Nós estávamos nos beijando, nos abraçando aqui na cama...estava tão bom! – ela suspirou - E de repente, você simplesmente saiu! Me deixou sozinha e foi para a casa de banho e...bem, eu só posso imaginar que eu tenha feito alguma coisa de errada, de novo".
Por Deus, como ela podia ser tão terna e inocente?
Era um poço de ingenuidade e realmente não fazia a menor ideia do motivo que fizera Harry se afastar. E não era de se estranhar, afinal de contas, ela era virgem e imaculada e até três noites atrás, não sabia nem sequer como eram os beijos.
Mesmo assim, Harry se surpreendia. Como uma menina, ainda tão inocente, podia ser extremamente sedutora? Como ela podia fazê-lo sentir como um homem extremamente viril e desejado? Até parecia magia ou feitiço!
Ele segurou o rosto dela entre as mãos.
"Meu amor...você não fez absolutamente nada de errado!"
"Não?"
"Não! Muito pelo contrário!" – ele sorriu e enxugou suas lágrimas.
Gina fez um biquinho duvidoso.
"Harry, não seja complacente comigo".
"Eu não estou sendo, querida. É a mais pura verdade. Você não fez nada do que possa se envergonhar."
"Então...por que você me deixou?"
Porque se eu ficasse, iria explodir de desejo e acabar de vez com esses limites que nos separam!
Harry não disse isso. Ele suspirou, pensativo, buscando na mente a forma mais prudente para explicar a ela o que ocorrera.
"Escute bem, vou lhe explicar" – ele disse, ajoelhado diante dela e segurando suas mãos – Os homens, quando se envolvem fisicamente com as mulheres, ficam excitados".
"Excitados?" – os olhos de Gina brilharam.
Harry sorriu, descobrindo o quão difícil era traduzir em palavras uma das relações mais naturais e biologicamente ocorrentes entre machos e fêmeas. O sexo.
"Sim, excitados. E por isso, eles precisam se aliviar de alguma forma. E como a nossa relação peculiar é restringente em aspectos físicos, eu preciso me aliviar sozinho. Entendeu?"
"Então, você se afastou de mim e foi para a casa de banho para se aliviar?"
Harry balançou a cabeça positivamente e sentiu o rosto esquentar quando Gina direcionou seus olhos curiosos para o seu...
"E esse alívio, Harry... – ela perguntou, mordendo o lábio inferior – tem alguma ligação com essa parte do seu corpo...hum...protuberante?"
Oh, meu Deus. Harry não queria voltar a ficar excitado.
Então, ele riu, para disfarçar o tamanho nervosismo.
"Tem, Gina. Isso... – ele tossiu. E pigarreou - Mas, como...? A sua preceptora não te ensinou nada sobre...quer dizer, à respeito da biologia masculina e feminina?"
Não podia ser possível que Gina não soubesse nem ao menos sobre a diferença física tão óbvia entre os homens e as mulheres.
"Bom... – Gina abaixou os olhos – Não era bem esse tipo de educação que a Sra. Bessel mais apreciava. Ela preferia me ensinar línguas e bordado. Nessas artes, eu posso dizer que me tornei uma expert. Mas...biologia masculina?"
"Sobre os órgãos do corpo humano? Nenhuma aula sequer?"
Harry notou um desapontamento nos olhos de Gina e sentiu pena. Não pena por ela em si, mas pelas mulheres em geral. Gina e suas irmãs mais velhas tiveram as melhores preceptoras do país e mesmo assim, a educação feminina era muito restrita.
Como as suas irmãs haviam chegado à noite de núpcias sem saber o que o marido escondia debaixo das calças? Ou como os filhos seriam gerados? Isso era um total absurdo! Até mesmo covardia.
"Sem problemas. Vem cá". – ele voltou a se deitar na cama e a puxou para os seus braços.
A sua inocência e ignorância a respeito desse assunto a deixavam parecer ainda mais frágil e atraente aos olhos dele.
Gina fungou e sorriu, enquanto mergulhava no peito de Harry.
"Mas... – ela começou um pouco tímida, movendo a mão por cima da lã que cobria o peito dele – eu gostaria de saber mais, sobre essa biologia, se você quiser me explicar".
Harry sorriu. Não por achar esquisito o pedido de Gina. Na verdade, era completamente legítimo.
Harry riu e hesitou, por não saber se conseguiria conversar sobre esse assunto com ela. E se perguntou também se manter Gina na ignorância não seria mais favorável a eles. Podia ser egoísta da sua parte, mas poderia ser melhor se Gina não soubesse tudo sobre sexo, o que ele consistia na prática. Afinal de contas, eles nunca poderiam concretizar.
"Amanhã vou procurar entre os livros científicos do papai. Se encontrar alguma coisa que possa ajudar, eu te mostro – ele disse tentando não dar muita importância, e bocejou – Agora vamos dormir. O dia hoje foi uma caixinha de surpresas".
Ele a abraçou mais forte, e beijou o topo da cabeça da menina, inspirando o doce aroma do seu cabelo, antes de fechar os olhos.
Alguns segundos depois, ele ouviu.
"Harry?" – Gina perguntou contra o seu peito.
"Hum".
"Lembra que eu te disse que a mamãe, antes de morrer, pediu pra você cuidar de mim?"
"Sim, eu lembro" - Harry suspirou.
Não queria começar novamente a se perguntar se estava cuidando de Gina da melhor forma, pois sabia que iria se arrepender.
"Ela não falou só isso".
Harry abriu os olhos e Gina apoiou o queixo em seu peito, para olhá-lo.
"Ela falou muitas coisas desconexas nas últimas horas e por isso, eu não dei muita atenção. Mas só agora estou entendendo algumas. Era como se... ela soubesse o que ia acontecer...sobre eu e você."
Harry despertou por completo.
"O quê, Gina? O que ela falou?"
"Ela segurou a minha mão e disse alguma coisa assim: Alguns amores são difíceis de compreender, Gina, mas fugir nunca é o caminho".
O Duque de Hawling nunca imaginou que a vida ao lado de Gina pudesse fazê-lo tão feliz.
Já fazia uma semana desde que eles haviam decidido ficar juntos, desde que ele finalmente declarara seu amor pela irmã e decidira viver essa relação sob as normas possíveis.
Havia simplesmente esquecido que algo além de Gina existia e passara todos os dias em Hawling Garden junto a ela.
De manhã cedo, ele corria e se exercitava enquanto Gina dormia. Sabia que o exercício fisíco podia ajuda-lo a gastar grande parte da energia sexual que ficava contida nos encontros com Gina.
Depois, ele a acordava e tomavam café da manhã juntos. Cavalgavam juntos, passeavam pela propriedade, liam juntos, mas a maior parte do tempo definitivamente passavam entre as quatro paredes da suíte dele.
Para Harry, amar Gina era o momento mais maravilhoso do seu dia e da sua noite, mas também o mais doloroso. Era como chegar à porta do Paraíso, ouvir o assobio dos pássaros, sentir o cheiro das flores, o canto dos anjos, mas nunca poder entrar de fato.
Mesmo assim, era muito melhor do que não tê-la de forma alguma. Era dez mil vezes melhor! E ele acabaria se acostumando a isso: pegar fogo nos braços dela e se afastar para apagar o fogo por conta própria.
Fugir, no entanto, não era mais uma opção viável. Seguiria as palavras que sua mãe dissera antes de morrer e não fugiria mais do amor que sentia por Gina.
Agora que a tinha tão perto, ali, sentada serenamente na grama, ao lado de uma cesta de piquenique, ele não conseguia entender como vivera tantos anos sem saber o deleite que era simplesmente olhar pra ela.
Admirar aquela pele branca como porcelana reluzindo sob a luz do sol ou as bochechas corando toda vez que ela descobria que estava sendo observada por ele. Aquilo fazia o coração do duque inchar de ternura.
"O que foi?" ela perguntou, notando que o duque continha o riso para implicar com ela.
"Nada. Só é melhor não comer mais amoras".
"Por quê?"
"Você está ficando muito vermelha".
"Harry!"
Ele apenas riu, achando graça e Gina deu um leve empurrão em seu ombro, por cima do casaco, mas ela queria fazer muito mais que isso.
"Você vai ver só!" – ela vociferou, quase num sussurro, e olhou para trás deles – "Judith!"
A criada, que estava sentada há uns metros deles, levantou-se e se aproximou.
"Senhorita?"
"Oh, Judith, eu esqueci por completo de avisar a Gertrudes o cardápio do jantar. Já são quase três horas e até retornarmos, não vai dar tempo das ervilhas cozinharem. Você poderia ir até a mansão?"
"Claro, Senhorita".
"Aproveite e fique por lá, Judith, ajudando no que for necessário – Harry piscou para Gina – Nós não demoraremos de qualquer maneira".
"Sim, senhor, Milord. Com licença".
Foi um alívio tanto para Harry quanto para Gina ver a criada sumir de suas vistas, levando a cesta de piquenique quase vazia.
Eles já haviam comido bastante e a fome que o duque ainda sentia era de outra natureza. A fome que seria parcialmente saciada assim que Gina largasse a sombrinha e se jogasse em cima dele. O duque deitou de bom grado e sentiu o peso dela sobre o seu corpo e o seu riso encantador antes do beijo tão desejado.
A sua pele estava quente do sol e os lábios estavam macios e ávidos por ele. Ele envolveu a sua cintura fina quando ela começou a acelerar o beijo, que mesmo sendo casto, podia ser extremamente sensual e intenso. Quando ela mordeu seu lábio inferior e o puxou levemente, Harry já estava bastante duro debaixo dela.
E pelo sorriso travesso que ela lhe lançou, ela parecia saber perfeitamente disso.
"Quem está vermelho agora, Duque Implicante de Hawling?"
Sua diabinha!
Harry teve vontade de virá-la na grama e lhe dar o troco. E ele tinha plena habilidade para fazer isso! Mas sabia que deixar Gina tão excitada quanto ele podia ser muitíssimo arriscado na situação em que se encontravam: dois irmãos apaixonados tentando viver um amor puro e casto, que nunca poderia ser concretizado por completo.
Então, ele apenas sorriu e depositou um beijo em seu ombro enquanto a retirava gentilmente de cima dele para poder se levantar.
"Vamos voltar".
Ela deu um salto.
"Ah, não, Harry! Ainda é cedo! E é tão raro fazer um dia assim, tão ensolarado em Londres! – ela segurou seu pulso com as duas mãos – "Eu ainda quero te mostrar o meu lugar favorito e não aceito não como resposta!".
Harry revirou os olhos, mais por implicância com ela do que por qualquer outra coisa.
Essa era uma das poucas oportunidades em que podia dizer sim aos desejos de Gina e quando deu por si, já estava sendo arrastado pelo campo por aquela fada de cabelos de fogo.
Ainda dentro da propriedade de Hawling Garden, o duque foi levado por uma trilha de pedras que conhecia bem, apesar dos anos que haviam passado. E assim que ouviu o ruído de água corrente, soube exatamente para onde Gina o levava, tão animada.
A cachoeira onde a sua família inteira brincara durante a infância continuava igual à imagem guardada em sua lembrança. A enorme cascata que despencava lá do alto e fazia espuma antes de desaguar e formar um lago profundo e apropriado para mergulhos.
"Você se lembra?" – ela perguntou, sorrindo.
"Eu quase consigo ouvir a mamãe gritando: "Harry, Rony, desçam já daí de cima! A pequena Gina cismou que quer pular também!".
"E se eu tiver que entrar nessa água gelada... – continuou Gina, tentando imitar a voz embravecida da mãe – "...vocês nunca mais vão saber o que é um banho quente na vida, ouviram?!"
Os dois riram.
Era só fechar os olhos que Harry conseguia ver aquela menina magrela, batendo as pernas com esforço para conseguir nadar e ir atrás dele. Harry plantava bananeiras, a ensinava a dar cambalhota, catava as pedras brilhantes do fundo, tudo para agradar a pequena Gina.
"Você já se convenceu que não há nenhum mundo mágico atrás do véu da cach...?"
Mas o duque não conseguiu terminar a pergunta. Quando olhou para Gina, o seu vestido já estava no chão, embolado em seus pés e ela usava apenas a roupa de baixo, uma calçola e uma espécie de camisola curta e branca de tecido leve por cima.
"Gina..." – Harry conseguiu dizer – "O que você está fazendo?"
"O que você acha, Harry?" – ela riu – "Eu não posso vir aqui sem dar ao menos um mergulho".
Harry engoliu em seco quando a viu se abaixar para amarrar ingenuamente os lacinhos da calçola, cujo comprimento chegavam à altura dos joelhos. Ele conseguiu ter um vislumbre do seu soutien e pensou que poderia enlouquecer.
Porra, Gina! Onde foi parar o maldito combinado das roupas grossas e recatadas?
Ah, por certo, isso não se estendia aos passeios para cachoeiras, não é mesmo?
"Você devia vir comigo!" – ela riu, sem notar como Harry já estava ficando fora de si, comendo-a com os olhos - "Como nos velhos tempos!".
"E você devia se vestir e começar a andar! Agora!"
Gina levantou a cabeça para encarar o duque, os olhos arregalados de susto.
GINA
"Harry..."
Ele deu um passo atrás quando Gina tentou tocá-lo, como se ela fosse...uma serpente venenosa.
"Você me ouviu, Ginevra. Vista-se agora!".
Gina Potter não podia acreditar no que estava acontecendo!
Harry estava gritando com ela? Estava sendo rude e autoritário com ela?
Depois de uma semana maravilhosa, a melhor de sua vida, em que haviam passado dias juntos, sem brigar e discutir. Uma semana em que ela havia obedecido absolutamente todas as regrinhas, usando pijamas quentes, controlando todos os movimentos, ou espiando todos os cantos da casa antes de beijá-lo.
E agora, apenas porque ela queria dar um simples mergulho, ele fazia aquele escândalo?
"Harry, eu não posso mergulhar de vestido, vou ficar ensopada!"
"Eu não quero saber, Gina. – seus olhos estavam irredutíveis – Ou você se veste e volta pra casa comigo nesse instante, ou pode ir sozinha por sua conta e risco depois!".
Ele deu meia volta e começou a andar pela trilha de retorno.
Gina deixou os dois braços caírem ao lado do corpo. Por que ele precisava ser assim, tão controlador? Por que tudo tinha que ser do seu jeito?
Ela só queria poder mergulhar com ele, nadar, se divertir, subir nas pedras e pular, como faziam há anos atrás. Compartilhar com ele algo que os dois haviam vivido, algo em comum! Ele não precisava estragar tudo daquela forma!
Gina olhou para o seu vestido lilás no chão, considerando se não devia pegá-lo, vesti-lo e evitar problemas com o duque, que continuava caminhando a passos bem lentos pela trilha.
Mas ao contrário disso, o que ela fez foi tirar o grampo que prendia seu cabelo e gritar:
"Então eu vejo o senhor em casa, – e observou quando ele parou de andar – Milord."
Ela não esperou se ele a olharia ou não e caminhou em direção à cachoeira.
Sentiu a água gelada em seus pés anestesiar o indício de culpa que sentia por ter optado pela segunda opção e quando submergiu por completo, sabia que a culpa havia passado.
Ela não queria ir contra Harry, muito menos abandonar a única possibilidade que provavelmente teria de viver seu amor possível com ele.
Por Deus! Amava a Harry mais do que tudo no mundo! Mas também não podia viver na submissão, não podia abrir mão de si mesma.
Quando se virou e olhou para as pedras, viu que ele não estava ali. Ainda tinha algumas esperanças que ele pudesse...mas não. No fundo, sabia que ele não abriria mão de seu orgulho por ela.
Sem pensar muito, mergulhou profundamente, observando os peixinhos coloridos lá em baixo e as pedras que reluziam sobre a luz do sol que penetrava pela água doce e cristalina.
Quando Harry a ensinara a mergulhar, ela tinha apenas seis anos, mas a sua missão era buscar uma pedra de cada vez no fundo do rio.
"Então, a quantidade de pedras que você tiver ao final, será o número de mergulhos que você deu!" – dizia Harry.
"Mas e no dia que as pedras acabarem?" – ela perguntara, com a ilusão natural e surpreendente de uma criança.
"Bom, quando este dia chegar, você terá tantas pedras que poderá construir uma casa com elas". – Harry disse, alimentando a sua imaginação.
"Uma casa? Uau! Do tamanho da mansão de Hawling Garden?"
"Precisará de muitas cachoeiras, com muitas pedras, Gina. Não será um trabalho fácil".
Gina suspirou quando voltou à superfície. Deitou o corpo para boiar e fechou os olhos.
Também não seria um trabalho fácil construir a sua casa de pedras com Harry. Precisaria dar muito mergulhos, incansavelmente.
Mas sabia que conseguiria.
Da mesma forma como sentia o sol banhar a metade superior da sua pele, da mesma forma como sentia a roupa branca grudar em seu corpo molhado, da mesma forma como o seu cabelo se espalhava como um leque enquanto boiava na água doce. Da mesma forma como o céu de Londres estava aberto e azul naquela tarde. Da mesma forma, sabia que Harry estaria esperando por ela em casa quando retornasse e eles acabariam fazendo as pazes...
"Ah!" – Gina levou um susto quando sentiu algo além de água tocar nela.
"Gina..." – ela ouviu aquela voz familiar chamar seu nome, ao mesmo tempo que segurou nos braços fortes dele para se equilibrar.
Oh, meu Deus! É você mesmo que está diante de mim?
"Harry?" – ela piscou, tentando compreender a visão daquele homem seminu a sua frente.
"Desculpe-me" – ele disse verdadeiramente, os olhos verdes muito brilhantes.
"Não, Harry. Não precisa..."
"Claro que precisa, Ginevra. Eu fui grosseiro, fui autoritário com você e não devia. Eu fiquei louco, louco quando vi você tirando a sua roupa. Eu não esperava e...pra mim é muito difícil me conter ao ver você assim, tão linda..."
Gina sentiu o rosto esquentar ao ver os olhos de Harry passearem por seu corpo coberto pela roupa íntima, agora transparente sob o efeito da água.
Agora, ela podia compreender com perfeição a atração que ele sentia. O duque de Hawling jamais estivera tão bonito como estava naquele momento, com o cabelo escuro molhado e pingando sob aquele peitoril forte e musculoso, completamente nu.
Ele vestia apenas a suas ceroulas e Gina se dava conta de como havia sido irresponsável ao romper a bendita lei de vestimentas grossas e recatadas. Pois agora seus dedos coçavam para tocar aquele tórax bronzeado e ela não resistiu.
"Me perdoe também, Harry, por favor" – Gina pediu, abraçando-o – "Eu fui uma inconsequente!".
Ela ouviu uma risada e voltou para olhá-lo. Era um alívio ver Harry bem humorado novamente e a olhando com ternura e com carinho e não como se ela fosse um abismo perigosíssimo onde ele podia cair.
"Eu não devo, mas eu amo a sua inconsequência, Gina Potter". – ele beijou a ponta do seu nariz.
"E eu amo você, Harry! Principalmente por estar aqui comigo!".
O coração de Gina cantarolou quando Harry a beijou. Sentir a fricção dos lábios molhados dele contra o seus era magnífico. E mais ainda quando podia descer as mãos pelos cachos molhados da nuca dele e explorar o seu pescoço e o seu peito torneado. Naquela musculatura tão definida estava o resultado dos exercícios matinais de Harry.
Era incrível a beleza do seu tônus e ela só queria poder acariciar, esfregar e por que não beijar?
Gina tomou coragem e desceu seus lábios pelo pescoço de Harry, distribuindo beijos molhados por seu tórax, até chegar no coração, que batia acelerado. Harry gemeu, mas ela sufocou aquele som grave ao reivindicar seus lábios novamente. Dessa vez, ele deslizou os dedos pelos longos cabelos dela numa carícia até chegar às pontas e segurou firmemente a sua cintura, puxando-a para mais perto. Gina praticamente arquejou ao sentir seus seios serem apertados contra o peito másculo e nu de Harry. O tecido que os separava era tão fino...
Era uma sensação tão prazerosa, sentir seus mamilos endurecendo de encontro ao peito dele, que suas pernas tremiam e a abertura entre as suas cochas começou a dar sinais de vida. Aquela pressão maravilhosa e simultaneamente angustiante que vinha acompanhando Gina todas as noites em que era beijada e acariciada por Harry.
Sentia seu corpo tão quente que duvidou se continuava dentro da água gelada de uma cachoeira. Mas quando moveu impulsivamente seu quadril para frente, ela congelou.
Sentiu na altura de seu umbigo o volume latente escondido embaixo das ceroulas de Harry. Aquela parte misteriosa de Harry que ela morria por conhecer!
Oh, meu Deus! Era a prova irrefutável de que ele já estava bastante excitado e eles teriam que se separar. Harry precisava se aliviar. Mas como faria isso ali, se no meio de uma cachoeira, ou de uma trilha no mato, não havia casa de banho?
Ela sabia que não podia ajuda-lo e que ele tinha que se aliviar sozinho, como em todas as noites antes de dormir. Já havia descumprido uma regra muito importante para descumprir outra no mesmo dia e Harry não ia gostar nem um pouco. E além disso, ela nem tinha ideia de como fazer aquilo!
Mas Harry continuava beijando-a tão ardentemente que talvez, ela pudesse ao menos indicar, lembrar a ele do seu alívio. Então, sem pensar muito, desceu lentamente a mão para debaixo d'água, seguindo a linha do seu abdômen, sentindo seus bíceps bem formados e tocou a barra da sua ceroula.
E soube que não havia feito a coisa certa, quando Harry agarrou com força seu pulso, impedindo-a de continuar. Ele tinha os olhos escuros e furiosos.
"Desculpe. – Gina se afastou - É só...bom, aqui não tem casa de banho. – ela tentou se explicar, mas se sentia muito envergonhada – Como...? O que você vai fazer? Quer dizer...pra se aliviar?"
Gina, sua burra, burra, burra! Se ele brigar com você, agora terá toda a razão!
Para a sua surpresa, no entanto, um brilho de diversão perpassou os olhos de Harry. Ele mordeu o lábio para conter o sorriso malicioso.
"Você pode se afastar e eu logo resolverei isso, querida".
Gina balançou a cabeça afirmativamente com rapidez, acatando a ordem indiscutível dele. Então, se virou e caminhou pra longe do duque.
Seu coração ainda estava acelerado quando ela saiu da água sem nem ousar olhar pra trás. Pegou o seu vestido e se embrenhou no mato para se vestir com a mesma privacidade que o Duque de Hawling merecia.
Mesmo com o vento batendo em seu corpo molhado, ela sentia tanto calor e ria nervosamente sem parar. Agora, Gina Potter tinha mais motivos do que antes para aquela cachoeira ser o seu lugar favorito no mundo inteiro!
NOTA DA AUTORA
Olá a todos!
Me desculpem a demora! Viajei a trabalho na semana passada e não consegui postar.
Queridas Kamy e Nayane, muito obrigada pelas reviews!
No próximo capítulo, uma dificuldade surgirá na vida desses dois irmãos apaixonados, que desafiará mais ainda a força desse amor.
Até sábado que vem!
Larinha
