N/A: tem música nesse cap! Possivelmente vocês já conhecem essa música, pois é mto linda e conhecida! De qualquer forma, tem no meu perfil para vocês ouvirem!
Capítulo 8 – Pontos de vista
Blaise Zabini
Eu nunca quis essa vida. Eu sempre fui o tipo de rapaz boêmio, que se divertia a cada momento, que não pensava muito nas consequências. Então conheci uma garota sensacional, que me fez mudar meus planos; eu agora queria estar sempre com ela, ouvindo o som de seu riso, vendo seus olhos brilharem a cada comentário meu.
Draco era meu melhor amigo. Nunca entendi como nos tornamos assim, ou como eu consegui aguentar todo o seu mau-humor, mas era a verdade: eu sabia que ele confiava em mim. O ápice desse confiança foi quando me pediu para ser seu padrinho de casamento; um padrinho é aquele cara que o noivo confiava que fará o necessário para ajudar e proteger o casal.
Eu falhei. Na noite de formatura, eu achava que tinha conseguido ajudá-lo; a família Weasley parecia ter aceitado, todos estavam felizes, principalmente ele. Via minha namorada sorridente, meus pais haviam gostado dela e também estavam contentes. Mas tudo foi por água abaixo.
Minha culpa. Sim, eu me culpava. Se eu não gostasse tanto de um drama, não teria causado toda aquela cena com a família Weasley. Só teria entregado o diploma à Draco e depois ele se resolveria com a família da noiva. Mas eu quis ajudar, preparar uma cena emocionante, e me culpava por tudo ter dado errado. Eu estava próximo ao Potter, eu deveria ter visto quando ele se levantou, mas estava tão extasiado com a vitória que não reparei.
Agora estávamos ali, na sede da Ordem da Fênix. Vi Gina Weasley ser raptada, ajudei a apagar o fogo que cobria Hogwarts, mas já era tarde. Meu amigo estava em um coma profundo, e meu pai fazia de tudo para acordá-lo, sem muito sucesso. Luna estava comigo; ela chorava quase todas as noites. Sentia falta de Gina, queria ter feito algo para ajudar.
Enquanto eu me dedicava à ajudar o planejamento de batalha, após criar uma nova codificação para as mensagens, ela procurava aprender a curar. Vivia com meu pai e Madame Ponfrey, aprendendo como reverter feitiços e maldições. Combinava com ela; sempre tão doce e delicada, possuía as mãos certas para salvar vidas, e eu não deixaria que ela entrasse em batalhas.
Eu treinava. Depois que Draco acordou e virou um ditador (mas no bom sentido, sempre ajudando a melhorar), eu me dediquei a ficar forte também, pois queria ajudá-lo, queria me desculpar por não ter sido mais útil. Meu relacionamento com Luna ainda estava de pé, mas estávamos afastados. Compartilhávamos o mesmo quarto (uma conversa com Black e ele me deixou partilhar o quarto com ela), mas nossas conversas estavam um tanto frias. Luna parecia distante, evitava me encarar no rosto, e eu sentia um aperto no coração. Não queria perdê-la, mas aquele clima de guerra estava estragando nosso namoro. Será que ela não me queria mais? Eu não a via mais sorrir; estava sempre com uma expressão determinada ao lado dos curandeiros, sempre se concentrando em aprender, e eu não interrompia. Na cama, apesar de já termos tido momentos muito íntimos (ou seja, ela não era mais virgem, e fico orgulhoso em dizer que sou o culpado), ultimamente não fazíamos mais nada. Apenas trocávamos um beijo e desejávamos boa noite um ao outro.
Tudo estava desmoronando. Mesmo com as esperanças de vencer a guerra, com o clima de determinação nos integrantes da Ordem, parte de mim estava triste. Certa noite, deixei Luna dormindo na cama e fui até o último andar, onde imaginei que encontraria Draco. Nós havíamos feito de campo de treinamento, e ele costumava ficar por lá mesmo quando todos saíam, utilizando de quarto. E eu o encontrei, encostado no beiral da janela, olhando para uma lua cheia brilhante do lado de fora. Seu olhar estava fora de foco, e vi sua boca remexer, como se estivesse falando sozinho.
- Eu não sei onde você está, mas vou te encontrar... Você ficará orgulhosa de mim, nem acreditará quando souber de tudo que fiz...
Ele parecia estar falando com a Gina, olhando para a lua. Claro, isso não era possível, mas era uma forma dele desabafar. Aquilo mexeu comigo; eu sabia que ele estava sofrendo, mesmo que evitasse falar a qualquer custo. Mas eu podia sentir o que ele sentia; toda a dor que o preenchia por dentro.
Desci novamente, desta vez indo para uma sala de estar onde havia um piano antigo. Me sentei, experimentando as teclas; ainda estava afinado. Comecei a tocar algumas notas, mentalmente compondo algumas frases. Eu me coloquei no lugar de Draco, pensando em tudo o que ele deveria estar sentindo; em como as pessoas agora o admiravam, mas ainda achavam tudo uma loucura; em tudo o que ele fazia para ter Gina de volta. Logo em seguida, comecei:
I know you're somewhere out there
(Eu sei que você está em algum lugar lá fora)
Somewhere far away
(Em algum lugar longe)
I want you back
(Eu quero você de volta)
I want you back
(Eu quero você de volta)
My neighbors think I'm crazy
(Meus vizinhos pensam que sou louco)
But they don't understand
(Mas eles não entendem)
You're all I have
(Você é tudo que eu tenho)
You're all I have
(Você é tudo que eu tenho)
At night when the stars
(À noite, quando as estrelas)
Light up my room
(Iluminam o meu quarto)
I sit by myself
(Eu me sento sozinho)
Talking to the moon
(Falando com a lua)
Try to get to you
(Tento chegar até você)
In hopes you're on the other side
(Na esperança de que você esteja no outro lado)
Talking to me too
(Falando comigo também)
Or am I a fool
(Ou eu sou um tolo)
Who sits alone
(Que fica sentado sozinho)
Talking to the moon
(Conversando com a lua)
Eu parei, olhando para as teclas na minha frente. Ouvi um barulho e olhei para a porta, deparando com Luna encostada no batente.
- Ficou bonita – ela falou, sua voz em um sussurro – só falta terminar.
Dei um sorriso triste.
- Se eu olhar para o Draco de novo, consigo escrever mais.
Ela aproximou-se e me abraçou pelas costas, apoiando a cabeça em meu ombro. Envolvi seus braços, fechando meus olhos.
- Me desculpa – ela sussurrou – eu sei que estou distante ultimamente, mas...
- Você tem me evitado – falei – seja sincera. Não quer mais ficar comigo?
Ela afastou-se rapidamente, e me virou, de forma que pudesse olhar em meus olhos.
- Não! – sua voz estava chorosa – eu não quero ficar longe de você!
Segurei sua mão, apertando forte.
- E eu não quero me separar de você – a olhei nos olhos, falando – eu sei que as coisas estão difíceis ultimamente, com todas as batalhas acontecendo, mas se nos deixarmos afetar por isso, podemos nos afastar pra sempre.
- Não quero isso – as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto, e com meu polegar, sequei – eu não quero perder você, mas estou com medo de que se machuque nas batalhas.
- Eu sei – a puxei, fazendo-a se sentar em meu colo – mas eu vou voltar por você Luna. Mesmo que vire um fantasma, irei lhe assombrar.
- Não brinque com isso, por favor – ela afundou o rosto em meu pescoço – não quero pensar na possibilidade de perdê-lo. Eu... – ela afastou o rosto, me encarando – eu te amo.
Fiquei alguns momentos a observando, antes de abrir um sorriso genuíno.
- Eu também te amo. E não acho isso justo – ela me olhou indagativa – eu queria ter dito primeiro essa frase.
Ela riu, e o som do seu riso despertou em mim a antiga felicidade.
- Vamos dormir – ela pediu – você precisa descansar. Sei que está se dedicando para ajudar o Draco, mas também precisa recuperar as energias.
Assenti e me levantei, levando-a no colo.
- Sabe, ainda tenho energia para usar antes de dormir.
- Blaise! – ela ficou completamente vermelha, mas um sorriso preenchia seu rosto de orelha a orelha.
Nós lutamos em uma guerra. Nunca deixarei de apoiar Draco, de ser seu melhor amigo e estar ali, do lado dele, partilhando sua dor. Mas não deixarei o meu raio de sol escapar; Luna era a minha felicidade, e eu faria o impossível para mantê-la ao meu lado. Da mesma forma que Draco fazia para recuperar Gina.
Luna Lovegood
Eu estava perdida, sem chão. Blaise era única pessoa que mantinha minha sanidade; se não fosse por ele, eu teria enlouquecido depois do que houve na formatura.
Gina era minha melhor amiga; poderia até dizer que era a única que eu tive em toda a minha vida. Mesmo quando eu era esquisita, ela sempre conversava comigo, e nunca me lançava nenhum olhar indicando que eu era louca. E graças à ela, eu tinha o Blaise. Se não tivesse me ajudado a melhorar minha aparência, eu jamais teria confiança de fazer sozinha. Eu estava extasiada por sua felicidade, e pela minha também. Na formatura, quando tudo estava dando certa entre ela e sua família, eu comemorava, pois queria vê-la feliz. Mas tudo desmoronou.
Ninguém sabia onde ela estava neste momento. Draco ficou em coma por um bom tempo, mas depois que acordou, fez grandes mudanças. As esperanças estavam renovadas, e eu sabia que ele fazia tudo aquilo pela Gina e seus filhos.
Filhos. Gina estava grávida dele, e logo teriam uma família. O que era isso? Eu só tinha meu pai, ele também estava na Ordem. Apresentei Blaise, e ele gostou instantaneamente do meu namorado. Não sabia que dividíamos um quarto, lógico; para ele, eu dormia junto das outras garotas. E foi assim no início, para falar a verdade. Quando todos foram viver na Ordem, eu divida o quarto com algumas outras estudantes de Hogwarts, e encontrava Blaise pela casa, geralmente vigiando Draco de coma. Numa das noites, não consegui dormir, pensando no que nos aguardava. Tantos ataques já feitos! E ele poderia se envolver, se machucar, e eu não queria isso. Fui para seu quarto no meio da noite, e desde então, passei todas as noites lá.
Não me arrependia de ser dele; mesmo se não me quisesse mais, eu jamais me arrependeria de ter me entregado por completo. Eu o amava, mas não sabia como dizer. Era cedo demais para isso...?
Eu queria fazer algo, mas não sabia o quê. Depois que Draco acordou, todos estavam motivados a lutar, com as novas ideias que ele trazia. E eu queria fazer parte disso, mas nunca fui boa em lutas. Então, certa tarde, procurei Madame Ponfrey e me voluntariei em aprender técnicas de cura. Segundo a enfermeira, eu tinha um dom para isso, e deveria continuar a estudar a área depois que a guerra acabasse.
Parecia uma boa escolha; pensei em Gina e nos bebês que carregava, e logo comecei a estudar a pediatria, pois queria ajudar minha amiga quando a recuperássemos. Mas tinha uma outra razão, e essa ninguém mais sabia.
Eu estava grávida. Demorei um bom tempo para perceber, pois não tive tantos sintomas quanto Gina. Mas meus seios começaram a inchar, e só reparei nisso quando estava com Blaise certa noite, e ele comentou que meu corpo ainda estava amadurecendo, já que meus seios pareciam maiores. Depois, fiz uma poção para confirmar e agora tinha certeza: eu esperava um filho.
Como contar para o Blaise? Nós ainda éramos namorados recentes, e nós dois estávamos muito dedicados com a guerra. Eu não conseguia olhar em seus olhos, por isso, me afastava cada vez mais. O que ele faria quando soubesse? Ficaria feliz, como Draco ficou com Gina? Eu não sabia se ele planejava nosso futuro juntos; eu sonhava em ter minha casa no meio das montanhas, passando minha vida com ele, mas não sabia se ele pensava o mesmo.
Com nossa distância aumentando, nosso relacionamento só piorava. Tinha medo de que, quando tivéssemos momentos mais íntimos, ele pudesse notar algo diferente em meu corpo. Pelas contas, eu deveria estar com três meses de gravidez; em breve minha barriga apareceria.
Acordei no meio da noite, vendo a cama vazia. Me levantei e passeei pela enorme mansão, ouvindo o som de um piano. Lá estava Blaise, tocando algumas notas, e depois cantando uma música que fazia meu coração doer. Ele era bem próximo de Draco, eu sabia disso. E partilhava a dor do amigo; sofria tanto quando eu sofria por Gina.
Nos declaramos naquela noite, voltamos a agir como um casal. Abraçados na cama, depois de um momento maravilhoso (ainda tinha vergonha em pensar na palavra "sexo"), eu deveria ter contado, mas não consegui. Não queria estragar tudo. Por isso, puxei outro assunto.
- Você deveria se tornar cantor – eu falei brincando – sua voz é linda, e você consegue compor músicas que acertam na alma de quem escuta.
Ele acariciou minha cabeça, seus olhos já se fechando.
- Comporei dezenas de músicas só para você, prometo.
Blaise adormeceu, mas eu continuei acordada, pensando no que nos aguardava. Com toda aquela guerra eu poderia perder o bebê; se Blaise soubesse agora, não me deixaria estar no campo de batalha para ajudar aos outros, e eu precisava. Por Gina, por mim. Eu devia muito à ela, e precisava ajudar.
A gravidez esperaria. Só contaria ao Blaise depois que tudo terminasse, e só poderia torcer para que ele ou qualquer outra pessoa não descobrisse antes.
Carlinhos Weasley
Escovava um testrálio fêmea, fazendo pequenas massagens em seu abdômen. Desde a ideia de Draco Malfoy, eu e Hagrid cuidávamos dos animais, e estava fazendo efeito; em breve, as fêmeas teriam seus filhotes.
Era meio da tarde e, quando terminei, olhei para o horizonte. Suspirei.
- Essa ideia maluca está dando certo – Hagrid falou, terminando mesmo serviço em outro animal – quem diria que o jovem Malfoy poderia ser mais do que um garoto arrogante.
Um sorriso triste surgiu na face no treinador de dragões.
- Minha irmã havia visto isso – minha voz estava embargada – ela havia visto quem ele era de verdade, e se apaixonado por ele. Se eu... Se ela tivesse...
Parei, emocionado. Cada vez que pensava em minha irmã, uma dor cobria meu peito. Sempre fui próximo dela; sempre procurei agir como um herói para ela. Senti Hagrid colocar a mão em meu ombro, e respirei fundo.
- Eu ia ser tio, Hagrid – sussurrei – minha irmã ia ter filhos daquele arrogante. Eu quase não acreditei quando contaram, mas...
- Vai ficar tudo bem – o gigante tentou consolá-lo – o Malfoy parece estar levando a sério a missão de recuperá-la.
Ergui a cabeça. Sim, ele estava; a Ordem parecia um verdadeiro caos, com tudo sendo destruído com as novas invenções, mas todos estavam mais confiantes do que nunca. Jamais imaginaria que a pessoa que traria esperanças seria justamente o Malfoy, e todos pareciam pensar como eu. O loiro era arrogante e prepotente, mas transbordava de uma confiança que todos desconheciam. Ele traria minha irmã de volta, sabia disso.
Gui Weasley
Gênio. Arrogante, louco, porém, gênio. Só essa palavra definiria os planos que via na minha frente. Nunca imaginei que olharia para a pessoa mais mal querida pela minha família e pensaria isso, mas só assim para defini-lo.
Ele reorganizou a Ordem; ele criou esperanças onde não havia mais. Da mesma forma que Harry havia feito, ao sobreviver de Voldemort, Draco Malfoy estava fazendo o mesmo, após voltar do coma.
Ele era voraz, não parava um minuto. Ninguém nunca o havia visto dormir. Numa das noites, voltei até o último andar, onde estávamos usando o espaço para testar as funcionalidades do colete, e o encontrei escrevendo mais pergaminhos, já com uma pilha do lado.
- Você nunca para? – perguntei, interrompendo sua escrita.
Ele virou-se para me olhar.
- Não posso dormir com minha mente funcionando.
Assenti. Olhei para as paredes destruídas, os móveis em pedaços. Uma pergunta estava na minha mente desde a reunião da Ordem que ele apareceu.
- Por que você faz tudo isso, Malfoy?
Ele ficou alguns segundos em silêncio, voltando a escrever.
- Você já sabe a resposta.
- Mas quero ouvir de você.
Ele parou novamente, e me encarou.
- Eu vou trazer Gina de volta. Eu vou ter minha família com ela, onde ninguém poderá nos perturbar.
Encarei aquele olhar determinado, não vendo nenhum receio neles. Ele acreditava em suas palavras, ele faria até o impossível para trazê-la. Ele lutaria com quem fosse preciso, até mesmo Voldemort.
- Toda nossa família vai ajudá-lo – não pude deixar de dar um sorriso – mesmo você sendo arrogante, vamos ajudá-lo a trazer minha irmã de volta.
- Obrigado.
E ele voltou a escrever. Suspirei, retirando-me do cômodo. Era um rapaz estranho, introspectivo. Fiquei imaginando o que minha irmã havia visto nele, o que a fez se apaixonar. Talvez a mesma paixão que agora o impulsionava a convencer a todos de que vencer aquela guerra era possível. Com todos lutando, ele encontraria Voldemort e, por consequência, Gina.
Molly Weasley
Chorava o tempo inteiro. Me culpava por não ter dado mais atenção à minha filha, por não ter acreditado em suas palavras. Eu realmente acreditei em Harry, afinal, ele também era como um filho para mim. Mas jamais deveria ter me virado contra minha Gininha.
Eu e Artur achávamos que era rebeldia; no dia da formatura de Rony, achamos que, se agíssemos com frieza, ela retornaria para nós, pois aquele namoro só podia ser algo falso, certo...?
Mas não era. Tão logo a formatura começou, nós soubemos que era tudo real. O garoto que ela escolheu estava lá, falando à nossa frente no tablado, demonstrando maturidade em suas palavras. Gina subiu ao palco, e o sorriso que lhe lançou mostrava que estava sendo sincera. Ela realmente nutria sentimentos por ele, eu podia ver em sua expressão. E o filho dos Malfoy demonstrava sinceridade em cada gesto.
Eles se amavam. Como eu não dei a chance de mostrarem isso antes...? Artur me convencia de que a culpa não era nossa; o que aconteceu com Harry iria ocorrer de qualquer forma, mesmo que não fosse na formatura.
Mas Gina agora estava sumida, e ninguém conseguia localizá-la. O filho dos Malfoy estava em coma, e eu via sua mãe chorar pela casa. Ao contrário do que pensávamos, os Malfoy juntaram-se à Ordem, e Lucio arrancou a própria marca negra. Uma atitude digna para um pai de família, que faria o que fosse preciso para ver seu filho feliz.
O jovem Draco acordou, e causou uma revolução na Ordem. Meus filhos não paravam de dizer que ele era um gênio, ou um completo louco de acordo com os gêmeos. Mas todos o apoiavam em suas empreitadas, se dedicando.
Ele fazia tudo aquilo por Gina? A determinação em sua face demonstrava isso. Nunca desistia, nunca deixava de se dedicar. Ele morreria por minha menina, agora eu podia ver isso. E morreria por meus netos.
Ah, meus netos! Como eu chorei quando descobri que seria avó! Vi os jovens amigos de minha filha chorando por seus bebês, e demorou para que meu cérebro anexasse que minha garotinha estava grávida!
Por isso o casamento. O jovem Malfoy queria fazer as coisas certas, e se casaria para que minha filha não tivesse filhos solteira. Era um jovem com honra, que faria minha filha feliz.
Suspirei, indo para a cozinha preparar o café da manhã da Ordem. Outras pessoas me ajudavam, mas eu costumava ser a primeira a levantar. Fiquei surpresa ao encontrar alguém acordado, sentado à mesa e concentrado em vários mapas abertos.
O jovem Malfoy. Olheiras profundas em seu rosto enquanto traçava planos. Pensei em falar algo, mas resolvi me retirar. Acabei esbarrando em uma panela, causando um estrondo. Instantaneamente ele apontava a varinha para mim, de pé.
- Ah... – ele notou quem eu era, e abaixou a varinha, sem dizer nada.
- Molly, você está bem? – Artur desceu correndo as escadas; estava vindo logo atrás de mim, para me auxiliar.
- Estou, querido, só esbarrei em uma panela.
Artur olhou em volta, vendo Draco parado em pé, juntando todos os pergaminhos da mesa.
- Já estou de saída – ele falou rapidamente, usando a varinha para agilizar.
O silêncio tomava o ambiente enquanto o jovem se retirava, mas eu o impedi.
- Malfoy – ele parou – nós... Eu sei que não vale muito agora, mas... Nós lhe damos nossa benção para se casar com nossa filha.
Artur me olhou surpreso, mas depois assentiu, falando também.
- Nós erramos muito a seu respeito, rapaz. Mas saiba que não cometeremos mais o mesmo erro, pois você provou que uma pessoa é mais do que um nome.
O jovem ficou de costas, em silêncio. Depois, assentiu com a cabeça e saiu, sem dizer nenhuma palavra.
Artur meneou a cabeça ao meu lado.
- Diga o que quiser, Molly, mas ainda me pergunto como nossa filha se apaixonou por ele.
- Querido, ele está muito abalado, como todos nós. E está se esforçando mais do que todos juntos – Artur me abraçou – ele quer trazer a nossa Gina de volta tanto quanto nós, ou talvez mais.
Afastei-me do abraço, fungando e segurando minhas lágrimas. Já havia chorado tanto por minha filha que já havia perdido as contas; precisava fazer algo para ajudar.
- Agora, vamos preparar essa comida – bati as mãos – todos precisam estar bem alimentados, ou não conseguirão se esforçar o suficiente!
Meu marido me deu um sorriso confiante e foi em direção à dispensa. Se preparar comida de qualidade era uma das únicas coisas que poderia fazer, então eu faria.
Narcisa Malfoy
Em um primeiro momento, achei que meu filho estava louco. Chorei muito ao pensar que o havia perdido para sempre, vendo-o naquele coma sem fim. Mas quando acordou, não agiu normalmente. Se trancou em algum cômodo e tornou-se inacessível para todos.
A perda dele era muito grande, eu sabia disso. Aquela dor também era minha; toda a perspectiva de aumentar nossa família, os planos para a nova casa dele e de Virginia... Tudo havia sumido no ar.
Mas Draco agiu diferente do que as pessoas esperavam, até mesmo eu. Ele tornou-se um líder, uma pessoa em quem todos confiavam, aquele que traria essa guerra ao fim com suas ideias. E tudo para recuperar sua noiva.
Alguém escreveria histórias à respeito de seu heroísmo, com total certeza; se tornaria um dos contos mais famosos para as crianças bruxas futuramente. Mas meu filho não queria saber da glória ou da fama, apenas de ter seu sonho de volta.
Eu estava preocupada; sua genialidade era mesmo incrível, mas não era normal. Uma noite, após uma das reuniões, fui conversar com Dumbledore.
- Alvo... O que aconteceu com meu filho? – fui direto ao ponto.
O diretor suspirou, retirando seus óculos.
- Tenho apenas um palpite, Narcisa – ele suspirou – Draco... Levou uma maldição muito forte quando Voldemort surgiu àquela noite, ao ponto de levá-lo a quase morrer. Nessa passagem entre a vida e a morte, ele pode ter despertado uma outra parte de seu cérebro ainda não ativada. Você sabe que os seres humanos não utilizam mais de cinco por cento de sua capacidade, certo?
Assenti.
- Mas estou preocupada. Isso não poderá lhe fazer mal?
- Não sei. Nunca vi um caso como o de Draco antes, ao menos, não tão potente. Já ouvi casos de trouxas que se tornaram gênios, mas não chegavam perto de como Draco está agora. Talvez tenha sido mais forte por ele ser um bruxo de linhagem pura, não sei.
Fiquei pensativa, me concentrando nas palavras do diretor. E se meu filho sofresse depois, por conta do que estava fazendo agora? Ainda assim, tinha por mim de que, mesmo se ele confirmasse isso, continuaria fazendo. Ele não deixaria de salva Gina, mesmo se tivesse que morrer para isso.
- Não se concentre nisso, Narcisa – Alvo continuou – Draco está sendo de grande auxílio para a Ordem, mesmo que o esteja fazendo por motivos próprios.
- Ele não descansará até encontrar Virginia, Alvo.
- Eu sei. E meu único receio é o que pode acontecer caso a Srta. Weasley não seja encontrada.
Não queria pensar nisso. Se Virginia não fosse encontrada, eu tenho certeza que perderia meu filho, para sempre.
Rony Weasley
Eu estava me mantendo o mais calmo e maduro que podia para as pessoas à minha volta, mas uma única sabia a verdade: Hermione. Era ela a única que entendia de verdade como eu me sentia. Nós dois confiamos em Harry, ele era nosso melhor amigo. Mas da noite para o dia, tornou-se outra pessoa.
Ou talvez não. Nós que nunca reparamos no monstro que ele tinha por dentro. Era nossa culpa também. Minha irmã estava sumida por minha culpa.
Eu realmente procurei ser maduro, graças à minha namorada. Quando Gina começou seu namoro com Malfoy, eu quis amaldiçoá-lo e mandá-lo para o cemitério, mas Hermione me convenceu de que aquilo não era o certo, de que Gina podia fazer escolhas.
E ela estava certa. Eu nunca vi minha irmã tão feliz antes, como estava ao lado daquela doninha. Ele a fazia sorrir, cuidava dela de todas as maneiras, incluindo as financeiras, que minha família nunca teve condições de dar. E eu via que não era apenas por isso; a forma como Malfoy cuidava dela era quase da mesma forma como eu cuidava de Hermione. Eu ainda era melhor do que ele, já que possuía um coração.
Na formatura, eu achei que tudo ia se acertar. Já sabia que ia ser tio e, mesmo minha irmã tendo condições de ter os filhos sozinha, eu sabia que ela preferia nossa família ao lado. Procurei demonstrar maturidade, e estava dando tudo certo, até Harry se levantar.
Como ele poderia ter se tornado Voldemort...? Aquela pergunta rondava minha cabeça sem resposta. Ele havia traído nossa amizade, mas eu tinha esperanças que, tão logo minha família aceitasse o namoro de Gina, ele voltasse a ser meu amigo. Afinal, ele havia delatado Gina por gostar dela, em um ato de desespero... Eu entendia isso, só que esperava que ele estivesse arrependido, e não cheio de raiva.
O que mais me torturava era o que ia acontecer com ele. Ninguém parecia se preocupar, mas, uma vez que Voldemort fosse morto, Harry também morreria. E todos da Ordem não se importavam.
Malfoy muito menos. Ele me ajudou a ganhar respeito na Ordem, colocando-me no grupo de estratégias de batalhas, mas eu sabia que não podia contar com ele para salvar Harry, apenas para salvar minha irmã. Procurei então as duas únicas pessoas interessadas, mas tomei um choque.
- Rony... – Lupin falou lentamente, após eu explicar o que me atormentava – Malfoy está certo. Não podemos arriscar uma separação dos dois, ou Voldemort pode nunca morrer, ou mesmo retornar para Harry algum dia.
- Vocês... – eu estava incrédulo – vocês não podem estar falando sério!
- Ron, tente entender – Sirius falou, sua voz embargada – ele era meu afilhado, e meu melhor amigo o colocou sob minha guarda.
- E você vai deixá-lo morrer? – gritei.
- Tiago não iria querer o filho dele destruindo o mundo mágico! –ele berrou de volta, e me calei – meu amigo e sua esposa deram a vida para proteger esse filho, para que ele tivesse uma vida feliz, e ele se tornou o próprio assassino de seus pais! Você acha que eles iriam querer isso?
Um silêncio preencheu o ambiente. Era só eu e eles dois no campo de treinamento. Lupin soltou um suspiro.
- Nós admiramos sua coragem, Rony, mas você precisa encarar a verdade. Uma vez que Voldemort tomou o corpo de Harry, devido à ligação que eles já tinham desde que era um bebê, será impossível separá-los. Pense na parte prática – ele praticamente implorou – mesmo que aparentemente estejam separados, Harry nunca voltará a ser quem era, e ninguém confiará nele novamente. Sempre estaremos desconfiados de que ainda reste algo de Voldemort em seu ser, de que ele poderá voltar a ser possuído. O medo de uma guerra nunca acabará. Você tem família, entende o que quero dizer.
Eu engoli em seco, entendendo o que Lupin dizia. Se Harry ficasse vivo, a guerra poderia continuar. O mundo não teria paz, ninguém acreditaria que seria possível ele ter voltado ao normal. Afinal, se embaixo do nariz de Dumbledore ele se tornou Voldemort, como não poderia se tornar fora? E minha família continuaria a lutar. Os Weasley nunca fugiriam da luta, eu nunca teria uma vida tranquila com Hermione.
Sirius se aproximou, colocando a mão em meu ombro.
- Eu amo o Harry, como um filho. Mas não deixarei que ele destrua esse mundo, Ron. Se você for realmente um bom amigo, entenderá o que quero dizer e nos ajudará em nossa empreitada. Eu sei que todos nós sempre odiamos os Malfoy, mas o que o Draco está fazendo é o que o próprio Harry deveria ter feito. Não é a mesma coisa, ele jamais tomará o lugar de meu afilhado, mas ele agora é nossa esperança.
- Quem diria que um homem seria capaz de fazer isso por uma mulher – Lupin deu uma risadinha.
- Draco não se importa se todos ficarão vivos ou não, contanto que recupere a garota. A liderança da Ordem e a ajuda que está nos dando é apenas uma consequência para ele – Sirius continuou – por isso, se preocupe com o que é importante: manter as pessoas vivas. Todo o mundo, não apenas seus amigos.
Eu saí de lá vendo o mundo girar. Sim, os dois estavam certos. Eu deveria me preocupar com o que eu realmente poderia proteger: Neville, sempre desastrado em uma batalha; Fred e Jorge, que se distraíam muito fácil, esquecendo-se que alguém poderia acertá-los de longe; e Hermione, que apesar de ser incrível em todos os sentidos, eu não gostaria de vê-la lutando em campo. Eu os protegeria; se eu fosse bom o suficiente em minhas estratégias de ataque e defesa, então eu os estaria protegendo, certo?
Pensando nisso, corri para meus aposentos, onde poderia me concentrar em novos planos para traçar.
N/A: E aí gente!
Primeiramente, desculpe pelo ligeiro atraso. Prometi atualizar em dezembro, e cá estou! Claro, era para ter sido início do mês, mas meus professores atrasaram todas as provas na faculdade, dando a segunda prova só na segunda semana. Ainda fiquei em prova final em uma das matérias, tendo que estudar até a terceira semana. Mas o lado bom é que agora eu tô de férias na faculdade, além de também estar de recesso no trabalho, só voltando em janeiro!
E aí, o que acharam desse cap? Eu prometi um com o ponto de vista dos outros personagens, já que o último foi só do Draquinho. Acabei fazendo em primeira pessoa, dando um toque pessoal de cada personagem! O que acharam? Respondeu algumas dúvidas? Teve muita gente achando a reação do Sirius estranha, ele "apoiando" Draco na empreitada de matar Harry. Eu só quis deixar bem esclarecido os motivos (na minha mente já estava, desculpe se não deixei mais claro antes).
Próximo cap, a guerra de verdade! E ele já está escrito! mas só posto se tiver reviews!
Ah sim, para as que perguntaram, meu livro já está escrito e registrado na Biblioteca Nacional. Estou à procura de editora, mas agora o negócio é esperar, pois as editoras só recebem originais para avaliação à partir de março, e demoram um bom tempo para responder. Mas ao menos, o primeiro volume já está escrito! Quero começar o segundo, mas prometi a atualização das fics, então, só começo depois que atualizar tudo :)
Sim, a fase I está na reta final! Nem sei se vou escrever a fase II, pra falar a verdade. Sei lá, começo a achar que vai ficar mto "viajada". Os personagens principais não serão os mesmo, entendem? Mudará completamente o foco, acabará virando uma fic de personagens originais, e não mais nosso querido casal como foco. Enfim, isso é algo que só será decidido depois!
Bjinhos e espero reviews! Meu aniversário tá chegando (dia 28!), e quero de presente mtos comentários!
(¯`·._.·[ Princesa Chi ]·._.·´¯)
