Capítulo 9 - Uma Casa Para Amar
A casa de pedras amarelas parecia muito cômoda e grande. Com janelas marrons e uma porta pequena na frente da mesma cor. O terreno da casa era todo cercado por um muro com um portão de ferro.
Eles desmontaram e assim que colocaram os pés no chão Hermione saiu a frente e parou no portão colocou suas mãos na grade bonita e coberta de limo. Severo parou atrás dela e ficou olhando para a casa. O terreno em volta parecia ter abrigado um jardim ou outro tipo de plantação lamentavelmente estava tudo destruído pelo descuido. O bruxo teve certeza que ninguém morava naquela casa há muito tempo.
- Quem morou aqui antes – Severo perguntou e o administrador respondeu – Essa casa foi feita para a avó do duque. Quando o pai dele se casou e trouxe uma esposa para o castelo ela preferiu se mudar para sua própria casa. Depois da morte dela há uns vinte anos a casa foi usada por um parente do duque, depois que ele foi embora há uns sete anos ninguém mais morou aqui. – o homem passou a mão na cabeça do cavalo que ainda segurava – Deve estar uma sujeira danada ai dentro. – Severo arregalou os olhos concordando com o homem. Hermione ao que parecia nem tinha ouvido a conversa de tão encantada que estava com a casa que a ela parecia saída de um sonho.
O administrador os afastou, abriu o portão por onde passou indo em direção a porta da frente tirou de seu cinto um grande molho de chaves e abriu-a. assim que o fez entregou as chaves na mão de Severo e dando um passo para trás.
- A casa é de vocês, assim como tudo que estiver ai dentro. Se precisarem de ajuda na limpeza acredito que não terão problemas em arrumar alguém na vila para isso, procurem o padre na igreja que ele os auxiliará.
O homem já ia saindo quando se lembrou de que tinha se esquecido de falar algo. – O jantar no castelo é servido às seis horas, vou mandar uma carruagem para busca-los as cinco, estejam preparados. E boa sorte na casa nova.
O administrador fez um cumprimento respeitoso para ambos e saiu montando no cavalo e voltando ao castelo.
Severo entrou na frente sendo seguido por sua esposa, à porta em questão dava acesso a uma sala de estar mobiliada. Não era possível ver os moveis, pois todos estavam cobertos por lençóis muito empoeirados, Hermione franziu o nariz e soltou um espirro que logo foi seguido por outro e outro.
Severo amparou Hermione em sua crise de espirros e percebendo que a causa era a poeira o bruxo a fez desaparecer com um feitiço de limpeza, igual ao que tinham feito na hospedaria, e com outro aceno de varinha retirou os lençóis e os fez se empilharem dobrados em um canto do cômodo revelando uma mobília fina de madeira escura quase negra com acentos estufados de veludo escuro que de tão puído pelo tempo já estavam com uma cor indefinida. O detalhe, no entanto não tirava a beleza e a riqueza das cadeiras e das poltronas. Hermione andou até o centro da sala e passou a mão pela madeira da cadeira, sentiu que ela tinha uma textura acetinada mostrando que o artesão que a havia feito era um mestre.
Em frente a elas havia uma lareira de pedra grande cercada por uma grade de ferro finamente trabalhada e no centro um tapete que estava em frangalhos.
Era uma pena o estado dos tecidos e do tapete, esses teriam que ser substituídos sem duvida. A bruxa se precipitou até um das janelas e tentou abri-la, parecia emperrada, sacou a farinha e forçou a abertura com um feitiço, esta se abriu e a entrada de luz natural só tornou o lugar mais bonito e acolhedor.
Sobre a lareira havia um escudo de armas que ela não conhecia, era diferente do escudo do Duque que haviam visto no castelo, imaginou que deveria ser da família da avó do nobre, mesmo sendo estranho ela usar um escudo diferente do de seu marido.
Severo notou o escudo assim que a luz entrou no ambiente, ele tinha certeza que já o tinha visto em algum lugar pensou que provavelmente em algum livro de história.
Continuaram e explorar os outros cômodos. Notaram que tinha outra sala, Severo a limpou e abriram as janelas, era uma sala de jantar que tinha uma mesa e sete cadeiras, nesta não haviam outros ornamentos. Partira logo para o próximo cômodo, era uma cozinha espaçosa, dotada de um fogão de lenha uma pia com uma bomba de água manual e uma mesa rústica de madeira ladeada de bancos retos e sem encosto. Havia varias panelas e utensílios espalhados pelas paredes presos por ganchos e uma porta bem ao fundo que Hermione abriu para constatar ser uma despensa com prateleiras totalmente vazias. A cozinha também foi limpa e teve as janelas abertas.
Os próximos cômodos eram quartos. Um deles, Severo explicou para Hermione, deveria servir como banheiro já que tinha uma bomba de água igual a da cozinha, uma banheira branca e uma cadeira.
Um dos quartos eles notaram era de solteiro, com uma cama pequena envolta em um dossel muito trabalhado e entalhando com figuras de anjos e rosas, a cortina que deveria estar ali já havia sumido há tempos assim como o colchão. O outro quarto era de casal e tinha uma enorme cama também com dossel trabalhado. O entalhe deste era muito peculiar eram símbolos célticos diversos como nos anéis de casamento de prata que eram vendidos em Hogsmead. Hermione se lembrou de seu anel de casamento e procurou o símbolo igual na cama, o achou bem no meio da cabeceira cercado por vários corações, se recriminou por não ter tido tempo para pesquisar sobre o símbolo em Hogwarts e prometeu a si mesma arrancar o significado de Severo.
Os dois notaram que no quarto que assumiram como deles, havia além da cama um armário de madeira escura como o da sala e dois grandes baús no chão próximo a janela, assim como no outro quarto não tinha cortinas e nem colchão na cama.
O quarto foi limpo e arejado e assim que Hermione terminou de abrir a janela foi em direção ao armário, tentou abrir a porta, mas ela estava emperrada, forçou com a varinha e não conseguiu, Severo veio em seu auxilio, achou muito estranho a porta do armário não abrir, lembrou-se de um feitiço arrombador muito poderoso que não era ensinado em Hogwarts por motivos óbvios, o fez e a porta se abriu, não havia nada dentro. – tanto trabalho por nada – pensou
- Temos que deixar esse lugar habitável para essa noite – Hermione constatou.
Severo teve uma ideia. – Acho que posso transfigurar os lençóis que estavam sobre os moveis da sala em um colchão e roupas de cama. – Sem esperar resposta ele os chamou com um accio e começou a muda-los, deu certo até a hora de fazer os travesseiros, pois só havia sobrado um lençol – Preciso de dois para fazer dois travesseiros. – Hermione riu e teve uma ideia:
- Faça um só, bem grande, assim a gente o divide. – Severo gostou da ideia e assim foi feito, ele transfigurou o lençol em um travesseiro comprido que ia de um canto a outro da cama. Agora tinham colchão e travesseiros, mas não roupa de cama. Para poder forrar a cama o bruxo foi até sua sacola tirou de lá uma capa fina das que ele usava esvoaçante na época de Hogwarts.
Hermione se assustou – Você vai abrir mão de sua capa? – Severo riu. – Agora que não sou mais professor não tem mais utilidade, não preciso assustar ninguém. É um bom pedaço de tecido e ira servir muito bem, além disso... – Ele fez uma cara de debocho. - Eu tenho outra.
A bruxa riu. - Uma vez morcego, sempre morcego – pensou.
O bruxo terminou o trabalho e a cama estava forrada de um lençol negro como a capa apesar de não ter cobertas estava usável e resolveria por aquela noite. Assim que terminou Severo foi em direção à janela e olhou o sol. – Pelo que vejo já está escurecendo, perdemos a noção do tempo limpando a casa temos que tomar banho e nos arrumarmos para o jantar do Duque.
Hermione concordou e Severo indicou que ela deveria ir tomar banho primeiro e a bruxa fez uma cara de inocente ao discordar. – Achei que seria mais rápido tomarmos banho juntos.
- Boa tentativa, mas acredito que se formos tomar banho juntos perderemos o jantar e deixaremos a pessoa que vier nos buscar com muita raiva por fazê-lo o perder também. – a bruxa deu uma risada aguda.
- Tudo bem você que sabe, mas eu ia adorar que você esfregasse a minhas costas. Já que você não quer eu vou lá sozinha. – Ao dizer isso fez uma cara de muxoxo fingida.
Dando um passo largo ele a alcançou e a puxou em seus braços dando um longo beijo em sua boca. Ficou deliciado por ela o estar tentando, demonstrando tão abertamente que o desejava, sentiu sua virilidade pulsar contra suas calças quase como uma tortura. Ele a apertou em seus braços mordendo seu pescoço e passando a mão por todo seu corpo, ela gemia de um jeito que o fazia perder o juízo, e quando ela desceu a mão e o tocou onde ele mais a queria Snape quase mandou tudo as favas e a possuiu ali mesmo encostada na parede do quarto. Usando de uma força de vontade que ele não sabia de onde tirou a afastou rápido de seu corpo.
- Para com isso, você é tentação demais até para um santo, coisa que estou longe de ser, vai tomar seu banho enquanto eu espero e tento recuperar o controle sobre meu corpo.
Hermione deu uma gargalhada e mandou um beijinho com a mão para ele enquanto se virava para sair do quarto. Severo se aproximou rápido e desferiu um tapa bem dado no traseiro de sua esposa falando: – E vê se não demora tentação que eu também quero tomar banho.
A garota se assustou com a reação dele, o tapa na bunda a deixou muita excitada, seu rosto ficou vermelho na mesma hora e ela correu para dentro do banheiro, nunca imaginou seu marido fazendo algo do tipo, mas adorou as perspectivas que isso abria, assim como gostou de ser chamada de tentação.
Quando saiu do banho Hermione comentou morrendo de rir sobre uma cadeira que encontrou no quarto de banho que tinha um penico embutido no assento, era ridículo, mas seria algo que ela teria que se acostumar, agradeceu aos Deuses ser bruxa e não precisar lavar o retirar aquilo dali, depois de usar bastava evanescer. Severo concordou com ela e foi tomar seu banho e ter sua própria impressão sobre a cadeira.
Agora estavam os dois sentados nas puídas cadeiras da sala esperando a carruagem, Hermione estava vestindo o vestido verde novo e Severo achou que ela estava muito bonita, ficou imaginando como ia ser mais tarde retirar aquela roupa toda e aplacar todo o desejo que estava sentindo por ela. Ele estava todo de preto, apesar do modelo da túnica ser um pouco diferente, ele a copiou do duque tirando os ornamentos e as cores e claro.
Levantaram-se juntos quando viram a carruagem chegar e pouco depois já estavam em frente ao salão do duque que agora estava lotado de pessoas.
O jantar do Duque era frequentado por pessoas das mais diferentes incumbências no feudo, tinham os cavalheiros sentados todos juntos em uma das mesas vestidos com aprumo em suas melhores roupas, outra mesa para os administradores, uma para artesões e artistas, e outras para todas as classes de funcionários que se sentavam juntos. Snape e Hermione não sabiam onde deveriam sentar, ficaram a porta aguardando para saber para onde ir. Severo já estava ficando impaciente quando Sir Alister veio cumprimentá-los.
- Olá meus amigos, vejo que estão perdidos acho que posso ajuda-los, imagino que ficariam bem na mesa dos professores e do padre.
Hermione sorriu para o cavalheiro e afirmou que ele deveria ter razão, e ambos o seguiram até a mesa determinada. Snape não estava tão certo, ele tinha um mau pressentimento sobre o padre, não pôde deixar de notar que o pároco os olhava com desconfiança desde que puseram o pé no salão, ele podia supor que o homem estivesse curioso há seu repeito ou talvez não gostasse de estranhos, todavia quando o olhava de volta sentia um arrepio sinistro na nuca, como se o estivesse especulando.
Sentaram-se a mesa entre um senhor muito idoso que depois ficaram sabendo ser o tutor do filho mais velho do duque e um rapaz que era professor de musica e poesia dos filhos mais jovens do nobre. A sua frente o padre, um senhor meio calvo já muito idoso com cabelos bem brancos e olhos verdes nublados pela idade. Como Severo previu o pároco não tirava os olhos dele.
Os dois professores os cumprimentaram e puxaram assunto com Severo querendo saber de onde ele veio e como ele aprendeu seu oficio, onde tinha ensinado e toda a sorte de perguntas constrangedoras que o bruxo adoraria ignorar mandando os homens cuidarem de sua vida, mas ao contrario se viu inventando uma enxurrada de mentiras curtas e evasivas. O que era seguido por sorrisos amarelos de Hermione que ouvia calada a tudo.
A pergunta que quase o tirou do serio veio do velho tutor, este insinuou veladamente se por acaso Hermione tinha sido aluna dele e eles tinham fugido para casar. A bruxa que estava tomando um gole de vinho que tinha acabado de ser servido quase engasgou. Severo ficou muito serio e desconversou dizendo que esse não era o caso, mas não explicou nada. O velho olhou para ele e suas reações com cara de sonhador, e contou:
- Quando eu era moço, há muitos anos, eu trabalhava como professor da filha de um nobre próximo a Londres, ele queria dar erudição a filha como a que é dada a um Homem, a garota era brilhante e linda, foi impossível eu não me apaixonar perdidamente por ela, a garota era uns quinze anos mais nova que eu, mesmo assim ela me correspondeu. Passamos meses maravilhosos juntos vivendo aquele amor escondido do pai dela. Mas fomos traídos pela camareira da mãe da moça que nos viu juntos e depois disso foi tudo tão rápido que nem sei como explicar, no mesmo dia a moça foi mandada para a casa de uma parenta e eu mandado embora sem referencias, logo arranjei outro emprego graças a um conhecido, já meu coração, esse nunca se recuperou, passei o resto da minha vida sozinho. Queria ter tido coragem para fugir com o meu amor, ela teria me seguido na época. Se vocês fizeram isso, tem minha admiração pela coragem e minha amizade por viverem aquilo que eu não tive coragem.
Hermione ficou muito tocada pelas palavras do homem e quase falou para ele que estava certo que eles haviam fugido, só para fazê-lo feliz, no entanto achou melhor se calar e se virar para Severo. Ficou assustada com o que viu, ele estava com o olhar vidrado, perdido, ela não estendeu muito bem o que o havia deixado daquele jeito.
Severo estava sentindo um tremor em sua alma, ele viu no velho professor uma dor com a qual ele conviveu por muitos anos, a dor de um amor perdido por sua própria covardia, ele chegou a se imaginar velho e triste como o tutor, em uma vida solitária que ele achou ser seu destino até pouco tempo atrás. Mas o que na verdade o chocou foi que apesar de reconhecer o sentimento ele não o tinha mais em seu peito, aquilo não era mais parte dele, em seu lugar estava algo muito mais quente e aconchegante, um sorriso alegre e brilhante que derretia todas as suas angustias e receios, sem entender bem por que só ali naquele momento tinha percebido ele estava apaixonado por Hermione.
Não fazia ideia de como ia agir com essa descoberta, era fácil lidar com o desejo, ou como alguma amizade com privilégios, mas o amor complicava tudo, tornava tudo mais intenso, ele estava com medo de olhar para ela a seu lado e a garota perceber seu embaraço perante o sentimento. Decidiu esperar o impacto passar para voltar a encara-la, fingiu de desentendido e puxou assunto com o professor de musica para em sua turbulência emocional nem ouvir a resposta que o rapaz disse.
Hermione estava se sentindo abandonada, depois do relato do velho tutor seu marido não dignava ao menos a olhar-lhe a face. O bruxo nem se virava para ela, e quando a comida foi servida se entregou a alimentação sem proferir palavra para ela.
A bruxa quase não comeu. A dor que ela sentia pela rejeição dele era terrível, todo o amor que ela sentia por ele parecia aumentar a sensação de perda, ela o olhava e imaginava se ele estava pensando na Lilian sonhando como seria sua vida com ela se ele tivesse tido coragem de viver com ela, tremia em pensar que talvez ele estivesse com nojo dela, uma mulher que ele não queria e que estava no lugar de seu amor perdido. Teve vontade de sair correndo do salão e se esconder em algum lugar distante, se pudesse arrancava o que sentia por ele para não sofrer. Por fim quando ela achou que nunca mais veria os olhos dele novamente seu marido se virou e encarou-a.
Severo notou o olhar sofrido dela, não imaginava o porquê daquilo, passou por sua cabeça que talvez ela não tivesse se sentindo bem e quisesse ir embora para casa. Não teve tempo de perguntar, pois foram surpreendidos pela duquesa que veio até a mesa deles para conhece e cumprimentar Hermione. A duquesa era uma mulher jovem, talvez uns cinco anos mais velha que sua esposa e tinha o cabelo castanho cacheado e olhos esverdeados, ela não era bonita, mas também não era feia. A duquesa estendeu a mão à bruxa e falou alegre:
- Que bom conhecê-la! Meu nome é Abigail sou a esposa do duque, o rapaz que vocês cuidaram é meu enteado, fiquei muito contente com a recuperação dele, sou muito grata a vocês por que sei que meu marido não suportaria perder seu filho mais velho.
A senhora deu um pequeno sorriso e tampou a boca com a mão – Desculpe-me nem perguntei o seu nome. – Hermione respondeu e a duquesa continuou- Espero que possamos ser boas amigas. Diga-me, a senhora sabe ler?
Hermione estranhou a pergunta, mas logo concluiu que muito poucas mulheres sabiam ler naquele tempo e respondeu – Sim, sua graça, eu sei ler muito bem, e a propósito essa é uma das coisas que mais gosto de fazer.
A duquesa bateu palmas – Que bom, eu também sei ler, cheguei a pensar que era a única mulher no mundo que sabia – deu uma risada sonora e agradável – podemos dividir nossos livros, será um prazer ter com quem comentar as histórias.
Hermione ficou feliz e concordou, mesmo ainda estando abalada com a rejeição de Severo praticamente esqueceu-se de tudo quando a duquesa a arrastou pelo braço dizendo que ia lhe apresentar as pessoas.
Severo ficou sozinho na mesa, se servia de mais um caneco de vinho quando foi interrompido pelo padre.
- Eu não sei que tipo de medico o senhor é, mas se eu notar que está enganando ou sendo desonesto com o povo dessa vila eu juro que terá um inimigo implacável.
Severo se sobressaltou com o modo como o homem falou, até aquele momento todos tinham sido gentis com ele, a desconfiança do homem o indignou. Olhou para o homem com cara de desprezo e disse: – Senhor, eu não lhe dei motivos para que tivesse uma má impressão das minhas intenções. Não pretendo enganar ninguém, estou aqui por que fui convidado a ficar e o senhor não tem nada com a minha vida. Se me der licença – Levantou-se deixando o padre sozinho na mesa, procurou Hermione com os olhos e a viu em meio a outras mulheres ela parecia feliz, achou que pudesse sair e esperar por ela do lado de fora, no entanto Sir Alister tinha outras ideias e se ofereceu para apresentá-lo, ele ia dizer que não queria, mas o homem já estava o conduzindo pelo salão quando o bruxo deu por si.
Três horas depois Severo abria a porta de sua nova casa para sua esposa, Hermione ainda estava estranha com ele, notou que a bruxa fez todo o caminho do castelo a casa em silêncio olhando pela janela da carruagem, Severo imaginou que ela fazia isso para não encara-lo e se perguntava o que tinha feito de errado, o que mais temia era que ela tivesse notado os sentimentos dele para com ela e o estivesse evitando por isso, ele não acreditava que ela o tivesse notado, mas não descartada a hipótese.
A mulher entrou rápido na frente e foi logo para o quarto, Severo que já tinha tomado mais vinho do que deveria desejou ter mais bebida para aplacar a angustia que sentia por ela nem lhe dirigir a palavra.
Tinha se jogado em uma cadeira imaginando se ela o deixaria dormir na cama quando a ouviu gritar assustada. Levantou em um salto e correu para o quarto, assim que entrou meio trôpego se segurando na porta não por causa do álcool e sim do susto, em sua mão segurava firme a varinha. Olhou para dentro e notou que sua esposa estava sozinha.
Hermione estava pálida e tremula, e assim que viu Severo correu para ele como se fosse se jogar nos braços dele, o homem chegou até a se preparar para o impacto, no entanto ela parou antes fincando os pés no chão a alguns centímetros dele e falou:
- Olhe a cama Severo.
O bruxo que estava se sentindo abandonado por não ter sido abraçado pareceu não entender o que ela dizia, percebeu pelos gestos que era algo com a cama e olhou. Aquilo era realmente inesperado.
Ao invés da cama estar arrumada como eles a haviam deixado, com a capa como lençol e sem cobertores, ela estava luxuosamente arrumada, com cobertores de pele e lençóis de linho. O bruxo levou a mão ao rosto e esfregou os olhos, aquilo não era possível, devia estar enganado, quem teria feito aquilo, e por quê?
Virou-se para Hermione e ela falou: - Pela sua cara você não tem nada haver com isso, eu também não tenho, então, alguém entrou na nossa casa.
Severo se aprumou, ela tinha razão alguém tinha entrado e ainda podia estar lá dentro. Apesar quem quer que fosse de ter arrumado a cama e isso ser algo bom podia muito bem ser uma armadilha. Snape chegou perto de Hermione e a abraçou, sentiu que ela amoleceu o corpo em seus braços, aproximou de seu ouvido e disse: - Peque sua varinha e vamos dar uma revista na casa, depois se não acharmos nada, reforçaremos a segurança teremos que ficar alerta, isso pode não ser boa coisa.
Ambos seguiram de cômodo em cômodo, verificando cada canto e não acharam ninguém. De volta ao quarto Severo testou a cama para ver se tinha algum feitiço, não tinha nada e ele achou seguro dormir ali.
- Para quem ia dormir sobre uma cama sem coberta até que não está mal.
Hermione sorriu meio de lado e falou – É pode ser, mas ainda estou muito intrigada e com medo, isso não tem explicação.
Severo ergueu a varinha e falou vários feitiços protetores que impediriam qualquer um mágico ou trouxa de entrar na casa, se sentindo seguro começou a se despir sentado na cama, achou que o clima entre ele é Hermione tinha melhorado nos últimos minutos, e se ela não reclamasse ele iria se enfiar na cama com satisfação, afinal foi um longo dia.
Hermione estava tão cansada que quase já tinha esquecido o motivo de estar triste com Severo resolveu deixar para depois e caiu na cama com vontade, mas não se deitou nua, manteve o vestido de baixo e não se aproximou de seu marido, o que foi percebido por Snape.
Eles dormiram logo e o dia veio radiante lá fora e escuro e tenso dentro da casa. O humor de Severo estava péssimo e ele se levantou sem nem olhar para a sua mulher. Foi até o banheiro se arrumou, tomou um banho e começou o seu dia.
Hermione acordou com o barulho que severo tinha feito foi até a cozinha, notou que sobre a mesa estava um desjejum completo, com pães, bolo e queijo, assim como leite e chá, ficou imaginando que Severo tinha o feito para tentar agrada-la sentiu um pouquinho de esperança nascer em seu coração e começou a comer, estava partindo o pão quando Snape entrou na cozinha.
- Obrigada pelo café, está uma delicia.
O bruxo estacou e correu para impedir que ela levasse o pedaço de pão a boca, a bruxa se assustou e ele explicou:
- Eu não fiz café nenhum, como isso veio parar ai? Se você não se lembra: a única comida que tem nessa casa foi dada por Helga em Hogwarts e nela não tinha nada dessas coisas.
Hermione ficou branca e se levantou rápido da mesa e pegou sua varinha para verificar a comida, não havia nada de errado assim como na cama na noite anterior. No entanto, estavam muito incomodados com aquilo. Quem estaria fazendo essas coisas? E o pior quem tinha conseguido quebrar as proteções de Severo e invadido a casa com eles dormindo sem que tivessem notado?
O bruxo estava chocado, ninguém, nunca tinha quebrado seus feitiços de proteção, seu quarto em Hogwarts tinha ficado trancado até que ele regressou depois de ter sido inocentado da morte de Dumbledore, somente ele o abriu novamente, quem teria esse poder tão grande naquele lugar onde só havia trouxas, quem mais seria bruxo por ali, ele teria que descobrir pela segurança dos dois.
Vendo que não havia perigo os dois comeram, em silencio, Severo notou, Hermione ainda não o havia perdoado seja lá do que tivesse acontecido.
Um mês tinha se passado desde o incidente com a mesa de café da manhã Severo e Hermione já conversavam mais amiúde mais não voltaram a se tocar, o bruxo estava muito preocupado, todos os dias ele tentava se aproximar de sua esposa, mas ela o rechaçava. Era uma tortura sentir o perfume dela nos travesseiros da cama e não poder toca-la.
Quanto ao trabalho tudo ia bem, ele tinha trazido muitos ingredientes em sua sacola e fazia poções para todos os males da vila. Em troca recebia pagamento das mais diferentes espécies, desde pão fresco e leite até galinhas assadas.
Estavam indo bem, mas ainda precisavam de dinheiro, o inverno estava chegando com vontade e logo seria Natal, eles precisavam de roupas quentes e suprimentos para o frio. O Duque os havia chamado algumas vezes para jantar e a duquesa tinha feito uma boa amizade com Hermione ela tinha vindo varias vezes a casa deles para conversarem e lerem livros que esta trazia.
O coração do bruxo estava ficando tão frio quanto o clima, ele queria resolver as coisas com a esposa mais não sabia como, ela não falava nada e ele não era bom em relacionamentos para saber lidar com aquilo. Um dia ele entrou na sala e notou que Hermione chorava, teve ímpetos de ir até ela, mas não o fez, não conseguiu encarar as lagrimas da mulher que ele amava cada dia mais e sentia que estava perdendo.
Em um dia em que Snape estava especialmente mal humorado alguém bateu á porta e ele foi abrir, era um homem e sua mulher carregando um garoto de uns oito que tinha o braço muito ferido com um corte até o osso. A mãe chorava junto ao menino que tentava parecer forte segurando as lagrimas que teimavam em escorrer por seu rosto.
- Senhor ajude meu filho ele se feriu no arado, não quero que ele perca o braço ou morra. Deus o livre! – Ela gritava entre as lagrimas.
Severo mandou que colocassem o garoto num banco da cozinha e chamou Hermione para ajudar. Disse a ela que ficasse com eles e foi buscar Ditamno, trouxe junto com uma faixa branca para fazer o curativo, chegou perto do menino e ele se encolheu um pouco, a mãe o encorajou a deixar Severo tocar seu braço e o menino ainda ressabiado deixou. Snape passou o Ditamno e enfaixou rápido o braço para que o efeito mágico não fosse notado e disse aos pais:
- Terão que trazê-lo aqui amanhã para eu trocar o curativo e olhar como ficou. – ele sabia que o corte já estava fechado, mas tinha que manter as aparências. O menino que antes estava tenso tinha relaxado no colo de sua mãe e essa olhava para o Severo muito agradecida.
- Devem dar a ele algo forte para comer por que ele perdeu muito sangue, pode ser uma canja ou sopa de carne.
Assim que acabou de falar notou que o casal ficou estranho e sem graça, foi ai que ele notou que ambos estavam vestidos muito pobremente e pareciam magros. O marido notou o olhar especulativo de Severo e falou muito orgulhoso:
- Senhor, infelizmente, esse ano a colheita não foi muito boa e nós estamos em dificuldades, mas verei se o duque deixa meu filho comer da cozinha dele esses dias até ele se recuperar.
Hermione que assistia a tudo ficou compadecida, e levantou-se indo até a cozinha, de lá trouxe uma galinha gorda morta que a mulher do ferreiro tinha trazido de manhã para pagar por mais um vidro de poção para o cabelo, pois ela achava que os dela estavam caindo, quando na verdade era apenas um efeito da idade avançada que ela não queria aceitar, e ofereceu ao casal dizendo que daria uma boa canja.
A esposa choramingou um pouco e escondeu o rosto no menino em seus braços, sem saber o que dizer e envergonhado o homem aceitou a oferta desde que fosse um empréstimo, ele se propôs a devolver assim que pudesse. Aquilo deu uma ideia a Severo.
- O senhor é agricultor não é verdade? – O homem disse que sim. – Bem deve ter visto que o meu jardim está um matagal, eu adoraria que alguém o capinasse, se o senhor quiser fazer isso para mim estaremos quites.
Severo viu a cor e o brio voltar ao rosto do homem, ele se aprumou e cheio de orgulho lhe estendeu sua mão calejada e grossa aceitando de bom grado o serviço.
Severo combinou com ele que deveria trazer o filho no dia seguinte e que começaria a capinar quando tivesse tempo. O homem saiu de lá carregando a galinha e levou sua família para casa satisfeito.
No fundo do corredor alguém observava a cena todo satisfeito, e com um sorriso no rosto voltou de onde viera.
Faltava uma semana para o natal, a vila inteira estava se preparando para as comemorações e para o inverno que tinha chegado cruelmente frio aquele ano. Severo tinha ido para Londres aquele dia, ia passar o dia todo fora, tinha que comprar ingredientes para as poções e alguns outros suprimentos medicinais trouxas.
Hermione estava sozinha em casa, tinha trabalhado bastante junto a duquesa para arrumar o castelo para a festa de natal, não que tivesse se oferecido para isso, tinha era sido convocada, sem opção partiu de manhã cedo para o castelo e agora no fim da tarde tinha chegado em casa, deu a desculpa que Severo iria voltar e ela queria espera-lo, lógico que não havia falado que ele tinha ido a Londres, para todos os efeitos ele tinha ido ver um paciente um pouco mais distante.
Agora ela estava sentada na sala de visita pensando sobre os incidentes estranhos da casa, na semana anterior podia jurar que tinha ouvido passos no corredor, foi olhar e não viu nada. Ainda não faziam ideia do que estava acontecendo.
A porta se abriu e Severo entrou batendo a neve de seu ombro. Sorriu contidamente para a esposa e arrastando uma cadeira se sentou bem próximo do fogo. Hermione foi até ele.
- Como é Londres? – perguntou curiosa.
- Um horror, cheia de gente por todo lado um cheiro horrível de esterco de cavalo e muito barulho, o beco diagonal pelo menos é civilizado, na verdade é muito parecido com o que você conhece. Arriscar-me-ia até a levá-la lá um dia desses.
Como se tivesse lembrado de repente enfiou a mão no bolso e tirou algo de lá uma caixa pequena que assim que se viu no ar cresceu e ele estendeu para a esposa.
Ela a abriu e dentro tinha uma capa de veludo negra forrada de pele muito vistosa e bonita, Hermione a retirou da caixa e Severo ficou feliz de notar que seus olhos estavam brilhando.
A bruxa a vestiu e imediatamente notou que era encantada quando ela se adaptou ao seu tamanho e a deixou muito quente e confortável.
- Severo! Muito obrigada é linda.
– Você precisava de um bom agasalho e essa capa além de se adaptar ao tamanho tem um feitiço aquecedor que vai lhe manter quente.
A bruxa o olhou nos olhos e ele a puxou para seus braços e foi se aproximando para beija-la quando ela o afastou.
Severo ficou nervoso com aquilo e resolveu acabar logo com a situação.
- Vamos Hermione fala logo. O que foi que eu fiz para você estar me repelindo todo esse tempo?
A bruxa foi pega de surpresa e tentou disfarçar: - Nada, só estou cansada.
Severo não acreditou: - fala logo, você está estranha desde o jantar na casa do duque no nosso primeiro dia que chegamos aqui a mais de um mês que não posso tocá-la, o que aconteceu.
No fundo estava morrendo de medo da resposta, se ela o rejeitasse, não o quisesse mais e nem ao seu amor, ele não conseguiria suportar conviver sobre o mesmo teto que ela, seria sofrimento demais para ele que nunca se abria para ninguém ter seu coração partido.
- Severo. Não quero falar sobre isso, por favor, vamos parar com esse assunto...
O bruxo não se deu por vencido: - Fala ou vou ler a sua mente.
A bruxa se sobressaltou, se ele lesse sua mente ia ver que ela o amava e tinha medo de ser desprezada, não tinha como saber qual seria a reação dele a isso. Era preferível falar alguma coisa.
- Eu vi sua reação quando o tutor contou a história de amor dele, vi que você ficou mexido, eu... – parou um instante pensando se falava ou não. – Eu... Ora que se dane! Eu vi e imaginei que tivesse pensando na mãe do Harry na sua Lilian em como teria sido com ela se você tivesse tido coragem de se declarar e isso dói: saber que ela é a mulher da sua vida e que eu nunca vou poder ser assim para você.
Severo ficou espantado, ela quase, ou melhor, praticamente tinha se declarado a ele, ou pelo menos dito que se importava e sentia ciúmes. Toda a dor e a angústia que sentia por achar que amava e não correspondido se esvaiu de seu corpo junto com sua expiração. Puxando-a pela cintura para bem perto a ponto de não haver um espaço se quer entre seus corpos ele disse bem baixinho com uma voz grave e sonora.
- Hermione a Lilian nunca foi a mulher da minha vida, até por que ela nunca foi minha mulher, - Hermione levantou os olhos para ele - Ela era meu amor de infância, dói as vezes pensar nela, não vou dizer que não, mas cada vez dói menos, é como uma ferida antiga, deixou uma cicatriz, mas não está mais lá. A única mulher que eu tenho, que está na minha vida é você, é você que está do meu lado, na minha cama, no meu corpo, que dorme nos meus braços, e por você que eu sinto algo vivo, eu... – Ele ia se declarar, mas não conseguiu por que foi impedido por um beijo molhado delicioso e sensual que o fez perder o fôlego. Quando ela o soltou ele estava entorpecido demais de desejo para falar e ficou mais louco quando sentiu a roupa de Hermione desaparecer.
Severo a pegou no colo e a levou em direção ao quarto, no meio do caminho fez suas próprias roupas desaparecerem. Ele a jogou na cama e a visão de sua mulher nua com sua pele acetinada sendo valorizada pela luz suave das velas e da lareira acesa o olhando com os olhos brilhando de desejo fizeram seu sangue correr mais rápido em suas veias. O corpo de Hermione todo vibrou ao senti-lo observa-la com paixão.
- Um mês sem você, sem saber o porquê que não me queria mais. – falou com a voz grave entrecortada e se deitou sobre a mulher a beijando com devoção e necessidade – Nunca mais me deixe desse jeito, eu não sei mais ficar sem você. – implorou.
Hermione suspirou emocionada – Eu o amo Severo. Nunca mais vou ficar longe de você. - Ela tremia de desejo.
O homem a puxou para si e desceu uma linha de beijos pelo pescoço indo até o peito e ali, beijando bem ensina do coração de sua esposa, falou baixo sem conseguir olha-la nos olhos, era difícil para ele falar de sentimentos tão abertamente – Eu a amo também. – e voltou a beija-la como se não tivesse dito nada. Para Hermione, no entanto tinha sido muita coisa, ela sabia como ele era fechado estava tão feliz com ele, junto dele, que teve vontade de gritar, e gritou na verdade mais não pelo motivo que pensou e sim por que ele tocou em um ponto sensível de sua pele na junção de sua perna com seu sexo.
A língua quente e macia umedecendo a pele já aquecida daquela região, as mãos macias e grandes do homem passando por suas pernas e pelas curvas insinuantes de seus quadris até achar o seu centro desejoso de toques mais profundos. O contorcer do corpo da bruxa erguendo os seios, o fez toca-los com a mão para depois, deixando a região em que estava sua boca pousá-la sobre um dos seios saboreando-o.
Um fogo líquido percorreu as regiões mais intimas e másculas de Snape. Assustado com a força de seu próprio desejo falou. – Ah, Hermione você será minha perdição...
Ela riu – Acho que não sou você parece saber muito bem o que está fazendo.
Severo riu – Não se iluda, eu estou perdido em seus encantos. - Tomou os lábios dela suspirando entre beijos molhados.
Hermione deliciou-se com a proximidade de ambos e com a respiração acelerada de Severo enquanto ele a beijava, a cada instante sentia seu desejo aumentar.
Severo traçou uma linha com a ponta dos dedos nas costas de Hermione, tão leve foi o toque como se tivesse sido uma pluma, ela se arrepiou inteira fazendo-a ansiar por tê-lo dentro de si. Hermione sentiu o coração pulsar descontroladamente e ergueu o corpo puxando seu homem para mais junto de si e se embrenhando em seu cabelo negro dando beijos no pescoço e mordiscando a pele pálida, seguiu até o maxilar forte e mordeu com mais força do que queria a curva feita pelo osso. Severo sentiu um pouco de dor o que resultou em uma nova onda de excitação percorrendo seu corpo, ele a puxou para seus braços a erguendo junto de seu corpo e se colocando entre suas pernas. Tomou sua boca com loucura dando tudo a ela todo o sentimento que ele tinha tanta dificuldade de dizer em palavras espremido naquele beijo.
Hermione estremeceu nos braços de Severo, sentiu tudo que ele queria dizer e ficou sem palavras, só conseguia se prender naqueles olhos negros e transmitir seu amor a ele com o olhar. E foi assim que o sentiu a invadir profundamente.
- Severo! Ela gemeu.
- Sim meu amor. – Ele voltou a beija-la enquanto abria caminho por seu corpo e aumentava o ritmo, dizendo a Hermione que agora era uma esposa verdadeiramente amada. O amor de Severo a envolveu docemente, dando-lhe a certeza que eles se pertenciam de corpo e alma.
O dia de natal chegou nevado e frio. Era uma data religiosa muito importante e o padre não cansava de chamar a todos para a igreja, Hermione e Severo tinham passado o dia da véspera de natal toda no castelo ajudando a organizar a festa, nem tiveram tempo de arrumar a sua própria casa, haveria uma ceia no castelo após a missa de natal. Severo tinha decidido não ir à missa de jeito nenhum, ele não gostava de missas e nunca foi católico na vida, seu pai era presbiteriano e sua mãe era o que ele queria que ela fosse.
Tinha vivido a maior parte da vida no meio de bruxos e não professava uma religião. Nessa altura de sua vida ele também não queria ter uma. Hermione, no entanto o fez ver que não ir a missa era comprar uma briga gratuita com o padre que já não gostava muito dele. De tanto falar ela o convenceu e ele resolveu ir à celebração para não causar confusão. Ficou o tempo todo quieto em um canto, a missa foi celebrada toda em latim e Snape tinha certeza que ninguém ali estava entendendo nada, ele sabia um pouco dessa língua, mas não estava prestando a atenção. Logo após a missa as pessoas foram para a suas casas. Eles não já que tinham sido convidados para a ceia no castelo e a carruagem veio busca-los.
Hermione achou que a festa da véspera de natal era muito diferente da do tempo moderno, parecia mais com um carnaval que uma festa religiosa, depois da missa as pessoas saiam para a praça da vila cantando e bebendo e faziam arruaça até altas horas, não existia o natal em família a festa ainda sofria a influencia da comemoração pagã do Solstício de inverno. Era tudo uma bagunça, Severo que não gostava nem das comemorações de Hogwarts que eram calmas e solenes estava achando aquilo terrível, se pudesse ia para casa e trancava bem a porta, ele esperava que no castelo as coisas fossem mais formais.
Ele se frustrou, no entanto a baderna era a regra ali também, o que ele viu foram cavalheiros bêbados cantando musicas de natal em altas vozes e todos fazendo um barulho infernal, queria ir embora mais tinha que ficar. Notou que os homens alcoolizados estavam menos respeitosos com as mulheres, tratou de dar o braço para Hermione e a protege, levou-a rápido para a mesa do padre que parecia ser a mais calma.
O homem de Deus não parecia apreciar a festa tanto quanto ele, e assim que o viu se aproximar notou que o clérigo se endireitou na cadeira. Severo chegou e se jogou no banco fazendo sua esposa sentar-se bem próxima a ele. Hermione notou a preocupação de seu marido com sua segurança e se deixou proteger, ela gostava quando ele dava uma de cavalheiro protegendo sua dama.
O padre vendo a cara feia de Severo falou: - Pelo visto o senhor também não gosta de festa.
- Realmente, principalmente uma onde as pessoas perdem os limites e começam a agir como animais.
O padre bufou: - Preferia que todos fossem dormir e meditar depois da missa ao invés dessa bagunça toda.
- O senhor nem imagina como eu adoraria estar na minha cama.
O padre sorriu para Snape pela primeira vez desde que o conheceu. Severo foi distraído do padre quando Hermione puxou sua manga para mostra-lhe que o duque, a duquesa e seus três filhos tinham chegado ao salão.
Naqueles meses eles tinham conhecido melhor a família do duque que viúvo da primeira mulher a mãe do conde de Haven e tinha, mas dois filhos com sua atual esposa, uma menina chamada Gertrude de seis anos e um garoto de quatro, chamado Teobaldo, Hermione os achava umas graças.
O Duque se aproximou dos dois e estendeu a mão para Severo que o cumprimentou. O nobre tirou de debaixo do braço uma pasta e a estendeu ao bruxo.
- Como prometido os documentos da casa de vocês, estava tudo assinado, a casa e tudo que tem dentro desta lhe pertencem. Feliz natal meu amigo.
Hermione sorriu e o Duque o chamou Severo para uma conversa, o bruxo detestou a ideia de deixar Hermione sozinha, se tranquilizou quando viu a duquesa ficar com ela e ambas sentarem a mesa do padre, ele achava que ninguém ia tentar nada ruim com ela na frente do padre.
O jantar ocorreu calmamente e Severo se sentiu agradecido quando o duque se retirou e ele pode fazer o mesmo, a festa parecia que ainda ia longamente pela madrugada, mas ele não queria presenciar mais nada, chega de bebedeiras, ele já tinha visto muitas festas ruidosas em seus tempos de comensal para achar graça daquela festança, queria a paz do natal que estava acostumado. Queria sua casa, ele alisou a pasta sobre seu braço, mais sua do que nunca.
Chegaram a casa tarde da noite e foram para a cama sem demora, não havia árvore ou decoração para admirarem era melhor dormir logo aproveitando que tudo já estava muito quieto e o sono viria embalado pelo vinho e a comida do castelo.
Hermione acordou junto com o marido e foi para a sala entrou na frente e estacou se apoiando em Severo para não cair. A sala da casa deles estava toda decorada para o natal, guirlandas, árvore com frutas e velas acesas. Sobre a lareira repousavam pinhas e flores vermelhas iguais as que tinham sido usadas no castelo as quais Hermione sabia eram importadas e caras. Severo a fez sentar em uma das cadeiras e parou bem no meio da sala.
- Assim já é demais, quem está fazendo isso, e o principal como? Temos que descobrir de qualquer jeito Hermione isso não pode continuar assim.
A bruxa estava sem voz, aquilo seria um milagre de natal digno de filme se não fosse a situação misteriosa envolvendo o fato. Novamente Severo correu a casa toda e não achou nada. Quando voltou encontrou Hermione ajoelhada na beira da árvore ela mexia em alguma coisa ele se aproximou e ela mostrou que tinha presentes sob a árvore, pegou uma caixa e a abriu dentro tinha um vestido amarelo ricamente bordado, tão bonito quanto o vestido pela duquesa na noite de natal. Hermione o estendeu sobre o corpo e achou que o fino tecido de cetim era deslumbrante.
Severo estava chocado, mesmo assim pegou a outra caixa e a abriu dentro tinha um livro sobre poções muito raro escrito por um mestre do oriente, Severo já tinha ouvido falar do livro e sabia que no seu tempo o único exemplar estava trancado no ministério da magia. Era incrível poder tocar em um daqueles. A realidade se abateu sobre eles por um instante, apesar dos finos presentes era obvio que quem quer que fosse era bruxo e sabia que eles também o eram, tudo muito perigoso Snape pensou.
- O que vamos fazer Severo?
- Não sei, de qualquer forma acho que seja quem for, não nos quer mal afinal, até agora só nos deu coisa boas e raras como esse livro.
- Até há pouco tempo ele era uma ameaça terrível, mas bastou lhe dar um livro raro para você ficar amigo dele, tenho que me lembrar disso, pode me ser útil.
Severo nem escutou o que Hermione falou de tão entretido que estava com seu presente de natal.
Eles não viram ou ouviram, mas uma risada feliz foi lançada do corredor escuro.
Oi gente!
Um feliz natal atrasado e feliz ano novo!
Queria ter postado esse capítulo antes do natal, mas não deu tempo, de qualquer forma, é um capítulo especial enorme como presente de fim de ano para vocês que sempre estão acompanhado a fic e me fazendo muito feliz com os comentários...
um grande beijo
Leyla
