Esta história é uma fan fiction sobre a obra de Charlaine Harris, Southern Vampire Mysteries. Algumas personagens e passagens têm direitos de autor pertencentes a CH.
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CAPÍTULO 9
CPOV
Não me conseguia decidir qual dos dois tinha o ar mais letal. O Eric e a Pam estavam absolutamente transfigurados. Os seus olhos estavam subitamente negros. As suas presas estavam completamente estendidas. Podia ouvir claramente um rugir, como o de um grande predador que saia das suas gargantas. Um calafrio percorreu-me a coluna como se alguém me tivesse subitamente electrocutado. Fiquei instantaneamente gelada. Não sei para onde foi o meu sangue mas deve estar todo encolhido numa zona mais interna do meu corpo.
O Eric voou para fora do escritório e através da clientela do bar com a Pam atrás dele. Não literalmente mas deslocou-se tão depressa que quase parecia um qualquer truque de ilusionismo feito pelo David Copperfield.
Hesitei uns segundos enquanto recuperava forças para fazer mexer as minhas pernas numa qualquer direcção. O meu bom humor eclipsou-se.
Respirei fundo e tentei pensar no que fazer. Como nada me parecia lógico, funcionei por instinto. Afinal nós humanos também somos animais e conseguimos faze-lo quando necessário.
Segui na direcção que me pareceu vê-los desaparecer. Encontrei um corredor e uma porta de serviço. Abri-a e estava no exterior, nas traseiras do bar.
A cerca de vinte metros vi o Eric, a Pam, o vampiro que parecia o Conde Drácula e mais dois outros que não reconheci. Estavam todos em silêncio a olhar para algo que estava caído na estrada. Não era preciso ser muito inteligente para perceber que deveria ser o Chow. Não me apetecia ver um corpo morto, mesmo sendo um de um vampiro. Não sabia o que esperar. Forcei-me a avançar.
Quando estava a pouco menos de dois metros do grupo, através da luz da pouca iluminação pública que restava na zona vi o corpo, ou pelo menos o que restava dele.
- Foda-se!
Quando o Conde Drácula olhou para mim reparei que o tinha dito em voz alta. Os outros pareceram nem me ouvir.
A minha reacção não faz jus à cena que estava perante os meus olhos. O vampiro era agora um corpo em decomposição rápida. Podia ver que se desintegrava apenas com a brisa da noite. Pequenas partículas de algo que parecia cinza elevavam-se no ar. O mais estranho era que o corpo estava em duas partes. Uma maior que a outra. Pelas roupas podia claramente ver que a parte mais pequena tinha sido a cabeça. O Chow tinha sido degolado.
Desculpem a minha ignorância em todos estes assuntos vampíricos. Quando eles se revelaram parecia que o mundo ia explodir. Não se falava em outra coisa. Até cansava. A minha primeira reacção foi pensar que era dia 1 de Abril. Afinal não era. Aos poucos apercebi-me que era verdade e senti uma estranha alegria. Eu sempre gostei de mitos e ao saber que este tão antigo era verdade, quase que me sentia o Neil Armstrong a pisar o solo da lua pela primeira vez.
A partir daí, ignorei a questão. Todos pareciam ter uma opinião contra ou a favor. Eu não podia emitir nenhuma.
Até conhecer um pessoalmente não iria perder o meu tempo a tirar conclusões precipitadas. É a minha forma de agir. Faço isso em relação a tudo. Não sou racista, xenófoba, intolerante ou de ter medos irracionais. Há bondade e maldade em todo o lado. Eles são uma espécie diferente. Predadores! Isso não significa que não tenham o seu lugar neste mundo.
Com o meu desinteresse veio também a minha ignorância. Para mim, um vampiro morria com uma estaca na zona do coração ou se enfrentassem o sol. Este tinha morrido degolado. Enquanto tentava fazer sentido a tudo o que via, o Eric e a Pam começaram a falar numa língua estrangeira obviamente alterados. Mesmo não entendendo uma palavra poderia jurar que o Eric estava a desfiar todas as obscenidades que conhecia.
- Como é que sabem que foram humanos? – Sim, resolvi abrir a boca sem pensar. Todas as cabeças se viraram na minha direcção. Oh raios! Se calhar devia ter estado calada.
- Podemos farejar o seu rasto! – Disse o Eric entre obscenidades.
Ah claro que estupidez a minha. Eles farejam como os cães. Bolas! Já é a segunda vez que os comparo com cães e sejamos realistas, comparar o Eric com um Chihuahua, era quase hilariante. Quase que ri com a ideia. Isto só pode ser nervos!
A Pam falava ao telemóvel demasiado rápido para eu conseguir ouvir. O Eric parecia recuperar algum controlo mas eu não estava demasiado confiante. Os dois vampiros que eu não reconhecia desapareceram na noite. Não percebi em que direcção.
- O que faz este saco de sangue aqui? – Vociferou o Conde Drácula.
Senti imediatamente uma dor no braço esquerdo e preocupei-me com a ideia de sentir outra parte do meu corpo esmagada nas mãos de um vampiro.
- Vasile!
Ah, o Conde tem nome!
- Catherine é minha convidada. Preciso ser mais explícito? – Ele não estava com a mínima paciência. Pensei que iria esmagar alguma coisa e fiquei contente com a ideia que essa coisa não seria eu.
Vasile olhou-me furiosamente, com um desdém tal que pensei que seria capaz de me cuspir na cara mas ficou em silêncio.
A Pam atendeu outra vez o telemóvel. Ia jurar que não tocou sequer. Não disse uma palavra e desligou em seguida.
- O rasto desaparece no rio. Deviam ter um barco à sua espera.
Alguém me ensina uma linguagem estranha para também eu desfiar um rol de obscenidades?
Nunca fui uma pessoa ingénua. Posso estar de bem com a vida e não ser preconceituosa mas quando soube esta manhã que teria que liderar este projecto, soube automaticamente que devia estar preparada para enfrentar situações pelo menos estranhas. Isto não estava obviamente na minha ideia de ''coisa estranha''. Ultrapassava em muito tudo o que pudesse imaginar.
Vim aqui tratar de negócios e acabo de madrugada a inalar as cinzas de um vampiro realmente morto. A ideia fez-me revirar o estômago.
EPOV
Não cheguei a esta idade perdendo o controlo da situação desta forma. Primeiro aquela tentativa ridícula na festa. Agora o Chow encontrou a morte verdadeira. A única coisa em comum é a presença de humanos em ambos os ataques mas o ''modus operandi'' mudou. Na festa estavam armados com estacas e prata. Agora o ataque demonstra conhecimento sobre como nos eliminar. Se ignorei o outro ataque, este é preocupante. Sei bem que há grupos que não são nossos fans mas daí a representarem uma real ameaça vai uma grande distância. Tenho a situação controlada e são apenas grupos de humanos ridículos que falam muito mas agem pouco. Preciso de informações urgentemente. Tenho que agir rapidamente e cortar o mal pela raiz antes que haja danos irreparáveis. Não interessa a quem tenha que pagar, quem tenha que torturar e quantas cabeças tenha que arrancar.
A Catherine estava ainda perto de nós e reparei que debaixo do seu braço direito estava o seu PC. Apesar de ter uma crise em mãos não pude evitar ficar surpreendido. Mesmo numa emergência, ela trouxe o computador com ela, nunca o perdendo de vista.
Ela sentiu-se na obrigação de dar uma explicação.
- Ah, eu posso deixar a mala e tudo o que me faz falta mas o computador anda sempre comigo.
Qualquer outro humano teria deixado tudo no escritório e fugido aos gritos.
Fiz um sinal à Pam para que eliminasse os restos de Chow. Regressei ao escritório. A Catherine e o Vasile acompanharam-me e segundos depois a Pam juntou-se a nós.
Sentei-me na minha cadeira e reclinei-me.
- Lamento pela morte do Chow .
Olhei para ela. Parecia realmente preocupada com a minha perda.
Não me afecta a morte do Chow. Não era muito eficiente e será fácil substitui-lo. Não compartilhei isso com ela, afinal é uma humana. O que me deixa apreensivo é saber que há alguém com ousadia suficiente para terminar com um vampiro da minha área e para cúmulo nas traseiras do meu bar. Isto era grave e era uma declaração de guerra.
O Vasile deu uma gargalhada teatral encarando a Catherine.
- Idiota! Somos vampiros. Não precisamos dos teus lamentos.
Rugi para ele ao mesmo tempo que cravei os dedos na secretária, arrancando um pedaço de madeira com facilidade. Ele está a passar das marcas!
- Eric. Não compreendo o que faz aqui esta subcriatura a testemunhar um ataque da sua espécie aos nossos.
Não admito ser questionado. Este vampiro vai ficar sem cabeça.
Ele recuou uns passos mas continuou:
- Eric, temos que reagir. Os humanos estão a revoltar-se contra nós. Vais permitir isto?
A Pam não hesitou e agarrou-o pelo pescoço, fazendo-o colidir com a parede atrás dele. A minha criança nunca falha. Apesar de ele ser mais velho e mais forte estava a lutar contra o aperto que ela mantinha no seu pescoço.
- Podes larga-lo Pam. Já fizeste ver o teu ponto de vista.
- Eric? – Suplicava Vasile.
- Eu resolvo o problema. Não preciso da tua ajuda. Mantêm-te à parte.
- São humanos. Podemos aniquila-los. O mundo será nosso como sempre deveria ter sido!
Vi a Catherine recuar alguns passos na direcção oposta de Vasile. Esta conversa acaba aqui.
- Queres terminar a tua existência aqui e agora?
Ele calou-se. Finalmente!
Fiz sinal à minha criança. Ela sabia o que deveria fazer antes de madrugada. Contactar os nossos aliados e reunir informações.
Quando os dois saíram, olhei para a Catherine. Podia sentir que estava mais calma mas o seu silêncio era perturbador.
- Boa noite Eric. – Sorriu para mim timidamente.
Dei por mim a querer que ela falasse, gritasse, dissesse o que pensava. A verdade não correspondeu aos meus desejos. Ela saiu sem dizer uma palavra.
Para todos (as) os(as) leitores(as) que começam a ficar cansados de ler e ler e não encontrar sexo nesta história, não desistam ainda! Quando se espera muito tempo por algo, acaba por valer a pena!
