Cap 7 – Descobertas!

Uma hora depois...

A pedido de Milo os cavaleiros estavam reunidos no quarto de Athena.

- O que aconteceu escorpião? – perguntou Shion, carrancudo – A deusa já está dormindo. Seja breve.

O cavaleiro sorriu e tirou do bolso da calça um pentagrama preso a um pedaço de fita preto, como um colar.

- Temos as nossas assassinas... – ele exibiu o colar aos amigos - E sinto informa-lhes, mas alguns de vocês ficarão extremamente decepcionados...

Carlo, que estava sentado no parapeito da janela, quase perdeu o equilibro e despencou do décimo segundo andar. Kamus teve um leve presentemente de que Lune estaria envolvida, pois o escorpião lançou-lhe um olhar sugestivo, mas o aquariano manteve o semblante frio. Shura sentiu o estomago revirar e uma sensação de deja vú absorta tomou conta do capricorniano, como se ele já tivesse vivido aquela cena antes, ou quem sabe apenas estivesse esperando por ela. Shion, por sua vez, sorriu de forma vitoriosa e disse:

- Sabia que descobriríamos alguma coisa, mas nunca imaginei que seria você a achar algo, Milo. – ele mirava os presentes com seu habitual olhar e tom de voz superior – Agora me corrija se estiver errado, mas aquela mulherzinha está envolvida, não está?! – concluiu de forma exaltada.

Milo olhou-o surpreso, pois não era do feitio de Shion exalar-se daquela maneira. Mas antes que Milo pudesse abrir a boca, Kamus dirigiu-se a Shion de uma forma nada comum.

- Por acaso a mulherzinha que você citou seria aquela que você estava beijando no cassino? – perguntou Kamus sem perder a pose nem o tom gélido, mas deixou transparecer acusação e reprovação pelo comentário do Grande Mestre.

Os cavaleiros de escorpião, câncer e capricórnio tinham suas bocas levemente aberta e os semblantes estarrecidos. Primeiro Shion faltara o respeito com alguém – o que era extremamente raro, pois este sempre demonstrou respeito por tudo e por todos -. Kamus disparando aquele comentário indiscreto e, no mínimo, constrangedor. E o mais incrível de tudo... Shion beijando uma mulher! Não, não era possível!

- Haha! – o sorriso amarelo de Shura era cômico – Milo... O que você acha de comentar sobre suas suspeitas, heim?

- Ah! Claro! – ele voltou a mostrar o medalhão, tentando amenizar o clima – Bom... Uma das mulheres que eu e Shura encontramos naquela noite usava esse colar...

- Isso não prova nada! – Carlo, já nervoso, cortou o escorpião – Quantas pessoas podem ter um colar igual a este? Muitas! – o canceriano tinha medo que as conclusões de Milo confirmassem suas suspeitas.

- Na verdade a possibilidade não é tão grande assim Mascara, quer dizer, duas pessoas com o mesmo colar dentro desse hotel... – o aquariano pediu que Milo lhe desse o colar, este passou a peça para as mãos do amigo, delicadamente – Não é uma peça que se encontra em qualquer lugar, é ouro branco e... – o olhar de Kamus se tornou curioso – O que é isso?

Atrás do pentagrama, mais precisamente na fina volta prateada que rodeava a estrela de cinco pontas, um nome estava gravado de forma muito delicada. Um trabalha tão bem feito que muitos julgariam impossível se gravar algo naquela circunferência tão frágil.

- Morgana... – Kamus sussurrou – Está escrito Morgana aqui!

A jóia passou de mão em mão até retornar as mãos de seu descobridor, Milo.

- De quem é isso afinal? – indagou Shion que estava carrancudo desde de Kamus "cutucara" sua ferida chamada Alicia.

- Da recepcionista!

- A que te deu o fora? – Shura falou displicentemente.

- Isso é apenas um detalhe... – o escorpião fechou a cara de imediato após o comentário.

Fez-se silencio por alguns segundos.

- Morgana... – Mascara murmurou, mas como o silencio era absoluto todos ouviram sua voz – Pode ser um nome código...

- Nome código? – indagou Shura.

- Assassinos profissionais não vivem com seus verdadeiros nomes e muito menos os usam durante o trabalho sujo, por assim dizer... – ele suspirou – Nomes códigos marcam o assassino e lhe dão fama. Alguns chegam até a tatuar algo que os represente...

- Tatuar... – Shion pensou alto – Vanessa tem um ás de ouros tatuado nas costa...

- Não é uma tatuagem comum. – comentou Milo.

- Mad disse que ela jamais perderia precisando tirar um Ás, mas... – ele fez uma pausa, pois tinha receio de suas próprias palavras – Como ela poderia saber que Vanessa jogava tão bem se estão convivendo há poucos dias...? (N/A: esse Mad é de Madeleine, não de Madson).

Todos se entreolharam, e, por um momento, acharam estar pensando a mesma coisa.

- Vocês ouviram sussurros durante o jogo? – indagou Kamus, receoso.

O silencio de todos veio em resposta. Tudo estava começando a ficar claro, claro demais...

Prédio Secundário...

Depois de muito álcool e uma noite com Dante, Carol, entrava cambaleante no quarto que dividia com o loiro. Este se encontrava sentado na cama e ainda trajava seu habitual terno cinza.

- Bendita cachaça! – exclamou, divertido – quer ajuda?

Sua resposta foi um olhar mortal de Caroline seguido do saque da arma guardada em seu decote. A 38 brilhou quando foi apontada para a cabeça do loiro e este, por sua vez, se perguntava como Dante não percebera a arma ali depois do amasso que ele e Caroline tiveram.

- Quer perder a cabeça? – perguntou numa calma amedrontadora.

- Certamente não! – ele mostrou-se tão calmo quanto ela, embora tivesse uma 38 apontada para a testa – Só tentei ser gentil.

Depois da calorosa reação da italiana ele decidiu não perguntar como a arma não foi descoberta.

- Realmente não quer ajuda? – insistiu.

- Hum... – Carol bufou – por favor... – ela colocou a arma na cômoda, levantou os cabelos das costas e virou de costas para Fred – me ajuda com o zíper.

Qualquer outro homem levaria aquilo na maldade, mas Fred sem duvida era diferente de todos os outro. Às vezes o loiro podia até ser chato, mas, assim como elas, apenas cumpria ordens. A própria italiana se perguntava como um homem tão capaz trabalhava para Alle.

Quando o loiro terminou de baixar o zíper do vestido da assassina virou-se de costas. Carol tocou de roupa rapidamente. Colocou um short preto com uma regata branca, travou a 38 e colocou-a debaixo do travesseiro e jogou-se na cama.

- Cara... O absinto ainda ta fazendo efeito...

- Quantos?

- Sei lá... Parei de contar no quarto...

- Quarto?! – ele se exaltou – eu entraria em coma no segundo!

Carol riu do comentário do homem.

- A única coisa que eu tinha para fazer era beber! Quer dizer, o papo do Dante é péssimo!

- Infelizmente não entendo de "papo de homens". – ele fitou a companheira de quarto ainda deitada.

- Isso que dá não ter uma mulher por perto...

- Posso não entender de homens, mas sou tão observador quando uma mulher!

Carol se sentou da cama e fitou o amigo de forma divertida, como se o desafiasse a notar algo de diferente nela.

- Você está sem o pentagrama hoje, por exemplo. Após que ninguém mais reparou.

- Ah? Pentagrama... – seus olhos amendoados se arregalaram – Filho da P...!!

- Não entendo as mulheres... – murmurou assustado.

Carol saltou de cama e, de repente, o absinto já não fazia efeito.

- Eu perdi! Perdi o colar! – ela caminhava pelo quarto passando a mão pelo colo nu e procurando embaixo da modilha.

- Não está aqui. – Fred a fitava andar de um lado para o outro, ainda assustado – você estava usando ele na festa.

- Como você não falou isso antes?!

- Como eu ia saber que aquilo era tão importante?! – ele ainda observava a assassina andar de um lado para o outro - E existem muitos como aquele! Compro um novo pra você amanhã!

- Você não entende! Nada pode substituir aquele!

Fred tentou acalmá-la, sem sucesso. Alguns minutos depois, ainda inconformada, se deitou. Não demorou a pegar no sono, mas não desistiria de achar o valioso pingente...

Jardins do Royale...

Já passara das três quando Elle e Alicia resolveram trocar de quarto. Ambas levavam suas malas para o prédio principal onde um quarto digno de uma rainha as esperava. Ainda usavam seus trajes de laja, mas enquanto Alicia parecia cansada Elle ainda tinha energia para mais três festas como aquela.

- Ah! – Elle corria na frente da jogadora – Você ta muito mole!

- Será porque não estou sobre efeito de comprimidos? – indagou, sarcástica.

- Eu só tomei dois! - a mulher de cabelos alaranjados de defendeu – E isso não é nada demais!

- Imagina... Se eu tomar meio já fico ligada por horas... – pensou, enquanto via Elle pular com uma energia sem fim – To ficando cansada só de olhá-la...

Durante todo o trajeto Gabrielle não parou de correr e pular, mas acalmou-se ao adentrar a luxuosa recepção do hotel. Esta contava apenas com a presença de alguns funcionários e o silencio mórbido só era quebrado pelas risadas do grupo de camareiras fofocando. Nenhuma das assassinas deu atenção aos olhares curiosos das moças e se dirigiram ao elevador. Este era incrivelmente espaçoso e bem decorado. Alicia não demorou em apertar o botão do décimo segundo andar.

- Finalmente teremos um quarto a nossa altura! – exclamou, animada – cama macia, banheira, carpete fofinho, serviço de quarto! Só falta minha Mercedes.

A jogadora esperava que Elle respondesse, mas esta continuou acuada num dos cantos do elevador.

- O que foi? Achei que estaria tão feliz quanto eu de deixar aquele pulgeiro!

A resposta da amiga veio na forma de um sorriso amarelo. Esta sentia: calafrios, a garganta seca e o corpo pesado, mas nada de sono, certamente, não dormiria aquela noite.

Alicia ia fazer algum comentário irônico sobre o efeito da droga estar passando, mas o elevador aparou bem na hora, enquanto a porta se abria revelando um lindo corredor acarpetado. A jogadora deu um meio sorriso e saiu carregando suas malas com Elle em seus calcanhares. Observaram a numeração e seguram a direita do corredor.

- 1207... – murmurou Alicia ao chegar na porta do quarto.

Fitou-a por alguns segundos até virar-se para a porta paralela a do seu novo quarto.

- 1208... – novamente murmurou – Estou de frente para a Kido e de quebra perto do bonitão! Haha! Essa missão não poderia estar sendo melhor...

A chave encaixou-se na fechadura perfeitamente e Alicia suspirou com prazer, enquanto Elle ainda parecia meio desligada da realidade e constantemente tremia. A jogadora girou a chave e o barulho da fechadura destrancando ecoou, contudo, o som pareceu produzir um eco estranho, e, quando Alicia virou a maçaneta...

- Você aqui?! – Shion indagou em alto e bom tom, num misto de surpresa e apreensão– Só pode ser castigo dos deuses!

Gabrielle assustou-se ao ver Shion sair da porta em frente. Acabou por constatar que o barulho fechadura não produzira o eco, e, o que ouviram, foram duas fechaduras se abrindo quase que simultaneamente.

- Isso é jeito de falar com sua nova vizinha? – Alicia fez-se de vítima ao perceber que os demais "seguranças" também saiam do quarto 1208 – Mas sem duvida, para mim, é uma graduável coincidência.

Shion cerrou os punhos com força e ruborizou de raiva, queria voar no pescoço da jogadora, mas antes que pudesse acusá-la de mais alguma coisa os outros cavaleiros passaram do quarto para o corredor.

- Porque está gritando Shion? – indagou Kamus – A senhorita Kido já esta dormindo.

Se antes Shion já estava possesso com o aquariano agora, certamente, queria matá-lo.

- Boa noite senhoritas. – cumprimentaram, simpáticos, Shura e Milo assim que as virão.

Kamus acenou discretamente para as mulher que retribuíram o gesto.

- Moon! – exclamou Carlo – O que faz aqui? – indagou num misto de intriga e felicidade.

A pergunta demorou a ser processa pela francesa que, na verdade, só agora notara que Carlo estava no corredor.

- Alicia consegui a chave desse quarto e, como divido quarto com ela, vim pra cá também.

Mascara estranhou o olhar perdido da mulher de cabelos alaranjados e seu desanimo nada comum. Isso fez a mente do cavaleiro relembrar uma idéia antes improvável, mas agora perfeitamente plausível.

- Como você conseguiu essa chave?! – a repentina indagação de Shion tirou Carlo de seus pensamentos – Na certa roubou isso de alguém! – acusou o Grande Mestre.

Os quatro cavaleiros presentes não conseguiam reconhecer o homem à frente deles. Onde estava aquele Shion respeitador? Aquele que jamais gritaria num corredor de hotel as três e meia da madrugada.

- Pois fique você sabendo que ganhei isso de forma justa. – o tom de Alicia continuava calmo – Assim como ganhei seu... – a frase foi interrompida, pois ao ver o semblante do Grande Mestre ela decidiu que não seria prudente provocá-lo mais – Bom... Você sabe como termina essa frase...

- Sua...

- O que esta acontecendo aqui Shion? – a voz de Saori ecoou pelo corredor – Posso saber por que está gritando há essa hora?

Milo e Shura, que estavam mais atrás, abriram caminho para a mulher de cabelos lilás que não parecia de bom humor. Esta trajava uma camisola branca e comprida, quase até os pés.

- Se-senhorita... – balbuciou Shion.

- Retornem aos seus quartos rapazes. – ela pediu docemente – E você venha comigo Shion.

Todos assentiram diante da ordem e rumaram para o corredor. Carlo se despediu do Elle, mas esta ainda parecia perdida e não ligou para as palavras do canceriano. Este sumiu pelo corredor ao lado de Shura, assim como Kamus e Milo.

- Boa noite. – desejou Saori – espero que não liguem para a desconfiança do meu segurança.

- De maneira alguma! – Alicia, como sempre, estava sendo cínica – Passar bem.

- Igualmente.

A jovem Kido puxou Shion para o quarto, enquanto a porta do quarto enfrente também batia.

- O que foi aquilo?- indagou Saori ao cobrar explicações de Shion – Achei que tinham combinado de esperar mais algum tempo para terem certeza!

- Eu sei, mas aquela mulher... – o Grande Mestre parou de falar ao se dar conta do comentário de Athena – Como a senhorita sabe que...?

- Eu não estava dormindo. – ela se sentou na cama e passou a fitar o ariano – Sei que vocês têm quase certeza que Vanessa e Karina estão envolvidas, logo, desconfiam de Madeleine, Mina e Moon, por mais que Shura e Mascara não queiram aceitar. Também acho que Kamus está perturbado com a idéia, mas sabe como ele é... Nunca demonstra o que sente.

Shion nada respondeu, seu olhar cansado foi o suficiente para Saori perceber que o homem de cabelos esverdeados não queria conversar sobre aqui, talvez a idéia de acusar Alicia o deixasse perturbado, mas, diferente de Kamus, ele não ocultava o que sentia, apenas tentava nutrir ódio por ela ou qualquer outro sentimento relacionado com aversão.

Saori não tardou a pegar no sono, mas a o resto da madrugada se arrastou para Shion, visto que seus pensamentos e sonhos o atordoavam com o beijo daquela noite e com a aposta perdida.

Prédio Secundário...

Lune já estava deitada e parecia dormir tranqüila há algum tempo, já a latina continuava a fitar o teto a espera do sono que não chegaria tão sedo. Fechava os olhos na esperança de adormecer pelo menos cinco minutos, mas o único resultado que conseguia era relembrar a festa que passara com o espanhol e, obviamente, o beijo ardente do cavaleiro.

- Merda... – balbuciou – Precisamos matar logo o Dante e a Kido... Preciso me afastar dele o mais rápido possível...

- Concordo plenamente com você... – a voz aveludada de Lune chamou a atenção de Mad – Também não posso ficar mais muito tempo perto daquele francês...

Lune apesar de ter os olhos fechados estava bem acordada. A face quase sempre serena da tcheca facilitou o disfarce.

- Acordei você? – indagou Mad, enquanto tirava o lençol branco de cima do seu corpo e se levantava da cama.

- Não, na verdade nem cheguei a dormir...

A passos lentos e cansados Mad rumou até seu armário, enquanto Lune a acompanhava com seus olhos violeta.

- Pensando no espanhol? – perguntou a tcheca ainda deitada.

- Você é muito inteligente, Lune, sabe a resposta dessa pergunta. – Mad deu um meio sorriso e abriu o armário – E você? Pesando no francês?

- Sim e não... – a mulher de cabelos curtos e negros abraçou o travesseiro – Na verdade estava supondo algumas coisas que, por um acaso, envolvem ele.

- Acha que eles suspeitam de nós?

- Tenho quase certeza. – respondeu Lune – Já desconfiam de Alicia e de quebra devem achar a Elle suspeita. Ainda mais depois do incidente que te contei durante a festa, não sei se Kamus notou, mas o tal de Carlo sacou que ela estava drogada.

- Parece que teremos mais problemas partir de agora. – Mad tirou de dentro do armário sua besta e a armou.

- O que vai fazer agora?

- Vou limpá-la e calibrá-la. Tem tempo que não faço isso.

- Quer ajuda?

Madson olhou surpresa para a comparsa que, por sua vez, já se levantara da cama a caminhava em direção a latina.

- Claro... Obrigada!

Sentadas a mesinha do quarto limparam a besta, calibraram as armas e bolaram planos para o assassinato que aconteceria na próxima madrugada.

Submundo de Las Vegas, 11:00 AM

Embora estivesse perto do meio dia e a manhã ensolarada aquele local parecia sempre escuro e mórbido. Além dos ratos e baratas, Fred era o único ser que caminhava pela rua. O loiro parecia tranqüilo, e, como sempre, feliz. Levava consigo uma pasta preta cheia de arquivos e uma arma na cintura. Parou enfrente para um portão enferrujado no final da rua e abriu-o.

A mudança de cenário era algo fora do comum. Lá fora uma rua suja e pobre, dentro uma garagem lindíssima recheada de automóveis importados, dentre eles a Mercedes de Alicia. Fred caminhou por entre os carros e subiu uma longa escadaria, mas uma voz grossa e conhecida o parou.

- Veio mais rápido do que imaginei.

O loiro girou nos calcanhares e quase caiu do degrau onde estava. Atrás dele se encontrava Alle com sua habitual aparência Albina, semblante um tanto fechado e terno negro com finíssimas riscas brancas verticais.

- Bom dia senhor – cumprimentou Fred – Trouxe o que pediu.

- Ótimo! – exclamou de satisfação – Vamos para o escritório.

Fred deu passagem a Alle, pois tanto a escadaria quanto o corredor que viria a seguir eram demasiadamente estreitos.

Sentou um arrepio ao passar por uma das portas e ouvir gritos macabros de uma mulher.

- Nesse ponto Elle é bem eficiente... Ela mata e tira todas as informações das pessoas que interroga sem que elas gritem.

- Concordo plenamente, senhor... – murmurou o loiro, num nítido desconforto.

Adentraram a sala Alle. Este se sentou na poltrona atrás da escrivaninha e esticou as mãos para receber a pasta de Fred que, por sua vez, se acomodou numa cadeira à frente do chefe.

- Elas me passaram isso há exatamente oito horas, mas não pude trazer antes.

- Eu esperava mais... Aqui só tem o itinerário das duas vitimas, os nomes dos seguranças e as posições dos federais.

- O que mais você queria...? – pensou Fred, revoltado – Isso é mais que o suficiente para agirmos.

- Já tem algo em mente? – ele pousou os papeis na mesa e passou a fitar jovem rapaz.

- Eu não, mas elas sim.- o loiro desviou do olhar de Alle – Aquelas cinco são muitos melhores que eu imaginei.

Alle deu um sorriso sádico.

- Quando vão agir?

- Nessa madrugada, senhor. Creio que ocorrerá tudo bem.

- Assim espero! – o olhar de Alle congelou até os ossos do rapaz.

- Assim será, senhor...

- Prefeito... Agora, me dê licença. – ele falou, enquanto a porta atrás de Fred se abria – Tenho umas mulheres para testar, se é que me entende.

Mulheres não, meninas. Fred se retirou antes de tivesse o desprazer de ver garotas de no máximo 17 anos seminuas entrarem naquela sala. Parece que idéia de servir ao chefão da máfia começara a desagradar até mesmo a Fred...

Prédio do Cassino, 11:35...

Lune deixara Mad dormindo já que esta não acordaria tão cedo, contudo, mesmo após uma noite em clara a tcheca não sentia sono, nem mesmo vestígios dele.

Observava o piano ser mudado novamente de local com tédio no olhar.

- Vou ficar cheia com olheiras... – reclamou Lune – Droga...

- Pode crer que mesmo com olheiras você continuará linda. – falou Kamus que há tempos a observava - Bom dia, Mina. – cumprimentou o aquariano ao beijar-lhe a mão; ela sentiu um arrepio correr pelo corpo com o contato dos lábios frios de Kamus.

- Bom dia, Kamus – respondeu ao ocultar perfeitamente o arrepio.

O francês sentou-se ao lado da tcheca num sofá incrivelmente macio e estofado em veludo vermelho.

- Posso saber o motivo da sua insônia? – indagou o francês.

- Problemas... Mas já já serão resolvidos. – respondeu num tom tranqüilo; ele a olhou de canto com desconfiança.

- Acho que foi lhe dar mais um problema, senhorita Crystal...

- O que di...?

Antes que Lune pudesse se quer pesar no final da frase Kamus se levantou a puxou para junto de si, tomando-lhe os lábios com volúpia. Lune, por sua vez, não sabia o que fazer diante de tal atrevimento e da brutal mudança de comportamento da parte do francês, pensou um meter-lhe a mão na cara, mas seu corpo já correspondia o beijo na mesma intensidade. Seu corpo começou a esfriar e arrepios desciam pela sua nuca a todo o instante. O contato já durava algum tempo quando Lune recobrou a razão e empurrou o cavaleiro que caiu sentado no sofá.

- Como ousa?! – exclamou revoltada e arfante – O que pensa que está fazendo?!

Kamus apenas sorriu de um jeito cínico que não combinava nem um pouco com ele.

- Estou lhe dando mais um problema... Um que você não pode resolver com armas ou com assassinatos. – sua voz era desafiadora agora – Tiros não matam sentimentos, Mina...

- Mas matam homens atrevidos... – ela sibilou.

- Então minhas suspeitas estão certas?

- Não vou esconder nada de você, Kamus. Mato por dinheiro e, modéstia parte, executo muitíssimo bem meu trabalho.

- Principalmente à parte de seduzir um homem... Qual era o próximo passo? Levar-me pra cama e me matar enquanto eu dormia depois de uma noite de "amor" com você? – ele pronunciou o nome sentimento com desdém.

A assassina ficou estática, já fizera isso, inúmeras vezes, diga-se de passagem, mas ouvir aqui de Kamus incomodou muito. Já fora chamada de vadia para baixo durante o leito de morte de suas vítimas, contudo, nunca sentira tanta raiva por um insulto.

- Seus dias estão contados, Kamus! Ou melhor, suas horas! – ela ameaçou – aproveite bem, pois está noite vou te matar bem lentamente... E nunca mais vou esquecer sua expressão de dor e angustia.

- Tente a sorte... Vai ver que definitivamente não sou uma pessoa qualquer. – falou secamente. Aparentemente, o aquariano já retomara sua pose.

- Digo o mesmo...

O sibilo de Lune foi a ultima coisa que Kamus ouviu antes da assassina sair do recinto a passos rápidos. Ela não estava assustada, mas não podia negar que um receio crescia dentro dela, afinal, nunca tinha sido descoberta antes, ou será que Kamus tinha razão? E o problema que viria a seguir não se resolveria com um tiro?

Enquanto isso...

Alicia esperava Elle sair do banheiro há quase quarenta minutos, mas a francesa não dava nenhum sinal de que sairia tão cedo.

- Saco... – murmurou Alicia que jogava a segunda rodada de paciência – Acho que ela morreu lá dentro...

Continuou jogando displicentemente até que a idéia anterior passou a não lhe parecer mais tão absurda.

- Será que... – ela soltou o baralho no chão fazendo varias cartas se espalharem – Ela não seria tão irresponsável... Ou seria...

O receio da americana a levou até o armário da comparsa, e, ao abri-lo, ficou pálida. Os frascos dos remédios de Gabrielle estavam intactos, isso mesmo, intactos. Provavelmente não os tomava desde que Alicia a socorreu na manhã em que passara mal.

- Meu Deus... – murmurou a americana, embora fosse atéia.

Pegou o remédio e correu até a porta do banheiro e, com muita força, chutou-a. Esta foi ao chão com um grande estrondo.

- Elle...! – ela balbuciou.

O corpo da francesa estava nu e caído no boxe, a água ainda corria e o sangue de Elle se misturava a ela, dando-lhe um tom avermelhado. Alicia correu e desligou o chuveiro, pegou uma toalha e cobriu o corpo da francesa.

- Sua irresponsável! – ralhou, pois a mulher de cabelos laranja entreabriu os olhos – como faz isso?! Como não toma os remédios?!

- Meus remédios não são esses... Eles não aliviam a minha dor em nada... – ela parou e tossiu um pouco mais de sangue; este respingou no rosto da americana.

- Não acredito que você esta substituindo os remédios por drogas!

- Elas aliviam as duas dores que eu sinto... Minha dor física e minha dor psicóloga...

A mulher de olhos dourados fitou a comparsa, atordoada. Elle estava num estado péssimo, havia vomitado sangue e a cada tossida um gorro escarlate saia dos lábios da francesa. Seu corpo estava frio e as pontas dos dedos enrugadas. Seu olhar triste e perdido.

- Vou lhe ajudar... Apenas volte a tomar seus remédios... – Alicia acariciou os unidos cabelos da francesa.

- Já estou morta Alicia... Estou viciada e... - tossiu mais sangue – Minha doença é fatal...

Não havia palavras na boca de Alicia e isso nunca acontecera antes. Sempre tinha um comentário, mesmo cínico ou sarcástico, na ponta da língua.

- Não quero mais matar... Quero sair dessa vida, Lici...

Lici. Ninguém mais chamava Alicia daquela forma. Talvez fosse porque ela e Gabrielle haviam cursado juntas a academia de assassinos, e, naquela época, ainda havia escrúpulos no coração das duas.

- Lici...

- Sim? – Alicia falou docemente.

- Será que eu vou por inferno...?

A americana foi pega de surpresa com aquela pergunta. Pensou em responder algo como: "Se for nós vamos juntas". Mas antes que pudesse abrir a boca uma voz raivosa ecoou.

- É claro que você vai por inferno! – uma terceira voz apareceu vinda da porta.

Elle, que tinha os olhos entreabertos, os arregalou ao ver quem adentrara. Alicia tentou sacar a arma, mas estava paralisada, como pôde cometer tal descuido? Como pôde não trancar a porta do quarto?

Enquanto isso ²...

Embora mal tivesse dormido Carol pegara o turno da manhã naquele dia. Continuava estressada pela perda do colar e só de pensar que teria de agüentar Dante mais tarde seu sangue fervia. Só deus sabe a vontade de matá-lo que a mulher de cabelos castanhos e compridos sentia.

A recepção estava bem calma, visto que a maioria dos hospedes dormia em virtude da festa da noite anterior. Milo, que jazia sentado num dos sofás da entrada principal, lia um livro há horas e era observado pela italiana. O que ele tanto lê ali? Ela se perguntava sem se dar conta de que o encarava descaradamente.

Minutos de passaram até que um senhor de aparência gentil parou no balcão e chamou a atenção de Caroline. Esta se armou de seu mais simpático e forçado sorriso para atender ao senhor. Contudo, quando terminou de atendê-lo, virou-se para observar Milo que não estava mais sentado no sofá.

- Mas ele estava lá há segundos atrás...

- Agora estou aqui! – a voz divertida de Milo ecoou.

A assassina por pouco não gritou, mas não conseguiu evitar pular no susto que o escorpião lhe dera. Como foi parar no local onde o velho estava sem que ela percebesse?

- Te assustei? – indagou num tom provocativo.

- Não! – ela rebateu, seca – O que deseja?

- Saber como foi sua noite com o milionário. – o tom provocativo deu lugar a uma ironia acentuada.

- Te interessa? – Carol estreitou os olhos já que não sabia onde o escorpião queria chegar.

- Claro! A partir do momento em que me deixa sozinho para se agarrar com ele tenho, no mínimo, o direito saber se ele é melhor que eu.

- Como vou saber? – ela passou a mexer no computador a fim de parecer indiferente a situação – Nunca provei, nunca fiquei com você.

Milo deixou escapar um sorriso de canto, era obvio que ela queria continuar com as provocações. Achou que era a oportunidade perfeita para fazer o Carlo havia sugerido, e, com uma displicência convincente, colocou o livro sobre o balcão.

- Pelo menos lê bons títulos. – comentou a assassina ao ver o livro.

- Gosta deste?

- Minha série preferida. – ela fitou o volume sobre o balcão – Pelo visto gostou... Leu-o rápido. – comentou sem perceber que estava entregando que o observava.

O titulo, por acaso, era "Brumas de Avalon".

- Confesso que já tinha lido, mas há detalhes no livro que não me agradam... Morgana, por exemplo, é uma personagem inescrupulosa. Fez tudo que fez para...

- Ela foi uma grande mulher e é uma das minhas maiores inspirações! Não ouse falar coisas absurdas sobre ela! – ela o cortou com fúria. – Tem mais alguma coisa a dizer?

- Só tenho mais uma coisa para lhe mostrar. – ele sorriu de forma sarcástica e retirou o colar do bolso do terno – Não sentou nada faltando desde ontem à noite?

Carol ficou trêmula, mas não deixou passar o nervosismo. O encarou de forma fria e falou:

- Devolva para o seu próprio bem...

- Fique você sabendo que não tenho medo da máfia... – ele se debruçou no balcão e completou a frase junto ao ouvida assassina – E muito menos de alguém que se alto intitula Morgana...

Carol não respondeu, nem poderia responder nada. Ficou parada e viu o escorpião se afastar, embora sua mão estivesse coçando para sacar a arma.

- O que se passou aqui? – indagou Fred que acabara de chegar e presenciar tudo – Como vão as coisas?

- Bem... – ela sorriu sinistramente para as costa do escorpião que ainda se afastava – Melhores impossível...

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Primeiramente não taquem pedra nessa autora. Desculpem pela demora. Essa cap deveria ter sido postada há três dias, mas como o mundo resolveu, literalmente, conspirar contra mim, ele atrasou bastante. Até meu vestido da formatura foi trocado, porque a imbecil da costureira estragou o outro T.T resumindo, a três dias da festa eu estou sem vestido! É futilidade, eu sei, mas to uma pilha de servos por causa disso, mas chega de desculpa e vamos a Fic. Gostaria de dizer que à parte do cassino deve acabar dentro de dois caps, mas depois terá um cap dedicado a cada menina e seu dourado, e, talvez, um ou dois para o final.

Gostaria de saber também quem vota num final feliz para o Fred! Confesso que criei o personagem para matá-lo no final, mas me apeguei a ele xD! Então? Mata ou não mata?

Espero que estejam gostando!

Até mais!

Ps: Danoninho! Preciso que você volte a mandar reviews para mim e responda a minha PM, ok?