Gion olhava triste para o relógio em cima da pia.

O jogo já devia ter lá pelos seus 5 minutos; por ai. Se certificou de só olhar as horas, quando tivesse certeza de que a partida realmente aconteceria sem sua presença em campo.

Gion estava deprimido. Pensou que se ficasse com Zanba, tudo mudaria e eles seriam felizes para sempre e todas aquelas merdas de casal apaixonado. Mas, a verdade, é que talvez, Zanba o tenha beijado apenas por pena. "E devia mesmo, é o mínimo depois de me dar um murro daqueles!". Por mais que insistisse que aquilo nem doeu tanto assim, Gion tinha certeza de que seu olho passou a piscar sozinho depois do soco. "Devia ter me deixado pelo menos pegar na sua…"

Gion se assustou com alguém batendo na porta do banheiro.

Quem poderia ser aquela hora? Todo mundo estava no campo, inclusive o dono da pousada e sua filha. Será que algum dos seus estimados amigos teria voltado só para dividir uma bed com ele? Não, era um jogo importantíssimo, para todos. Ninguém seria louco o suficiente para trocar um jogo daquele porte pela sua companhia estúpida. Talvez, fosse só o dono que resolveu voltar, porque o jogo estava chato demais sem ele lá. Não, mesmo que o jogo fosse ruim sem a sua presença, ainda assim, o velho era muito preguiçoso para chegar e voltar logo em seguida.

Nesse caso, só tinha uma explicação para isso; estavam assaltando a pousada. O lugar não era um hotel cinco estrelas, e nem tão chique quando a pousada da Ryoin, então não teriam muito o que levar dali.

Mais duas batidas e Gion se irritou!

– O CAIXA FICA LÁ NA ENTRADA! - De qualquer forma ele nem tinha as chaves.

A pessoa do outro lado deu um baque tão forte na porta, que Gion chegou a pensar que, na verdade, a pousada estava é sendo atacada por gigantes. "Tenho que parar de assistir esses animes!" "Perai; gigante?" Gion só conhecia um gigante, além de Iwashimizu.

– Gion? Você está ai dentro?

A voz grossa, só confirmou sua suspeita.

– O que você tá fazendo aqui, o jogo já começou sabia!

– Oh que engraçado, eu ia te dizer a mesma coisa!

– Eu não vou jogar! Não vou ser motivo de piada pra ninguém, ouviu!

– Piada? Então você tem vergonha Gion; do que sente por mim? - Zanba ficou surpreso. Não imaginou que depois de tudo, o garoto ainda tivesse algum receio em assumir sua preferência sexual. – Então você não assume que gosta de garotos?

– OE CARAMBA! QUANTAS VEZES EU VOU TER QUE DIZER QUE NÃO GOSTO DE GAROTOS? - Gion abraçou os joelhos e afundou o rosto ali, envergonhado. – Pelo menos não no plural! - Diante o silêncio do outro lado da porta, Gion apenas continuou. – Eu não tenho vergonha do que eu sinto por você, muito pelo contrário, eu tenho orgulho de sentir isso apenas por você. Mas, eu vou ser motivo de piada sim, agora que todo mundo sabe que você me dispensou; com um belo soco no olho!

– Eu te dei sim um soco no olho, mas, nunca te dispensei! Eu até já desconfiava, da forma como você gostava de mim, Gion. Mas, eu realmente fui pego de surpresa, naquela hora!

– Você nunca me pediu desculpas! - Zanba riu da forma extremamente manhosa com que Gion pronunciou aquilo.

– Desculpa… Kenji! - Zanba tentou imitar o mesmo tom de Gion, mas, tinha certeza que sua voz grave, acabou deixando aquilo assustador.

– Nã… não adianta me chamar assim! Vai ter que pedir direito!

– Abre a porta então, para eu poder pedir direito! - Zanba ouviu a chave girar, mas assim que puxou a fechadura, escutou outro clic, e a porta foi novamente trancada. – Eu não vou te bater, Gion! - agora sim, a voz de Zanba soou triste como nunca.

Mais uma vez a chave girou, e uma fresta revelou um olho castanho.

– Vai ter que abrir mais, se quiser que eu entre!

– Seu maldito pervertido, não fale coisas assim do nada! - Gion ameaçou fechar a porta mas Zanba a segurou e entrou de uma vez.

– Eu estava me referindo a porta, Gion!

– E… eu sei!

– Desculpa… - Zanba segurou o rosto de Gion e se abaixou, beijando com suavidade os lábios do garoto. – … Kenji!

Gion esticou os braços envolvendo Zanba pelo pescoço e o beijando com mais intensidade. O gigante se afastou um pouco, deixando Gion apreensivo. Zanba retirou a camisa para que Gion pudesse apreciar o corpo moreno e musculoso. Gion fez o mesmo, e, aproveitou para beijar o abdômen definido de Zanba. Por mais que Gion ainda sentisse certo trauma, pela última vez em que tentou fazer isso com Zanba, ele se arriscou e deslizou a mão por baixo do short, tocando, ainda por cima da peça íntima, o membro do gigante.

– Gion! Eu já disse que isso não! - Zanba simulou uma expressão de fúria, que pareceu não convencer muito Gion. Gion levou a mão de Zanba para dentro de seu short, ansiando para ser logo tocado por ele também.

Zanba, pareceu não gostar nem um pouco daquilo.

– Ah, Ryu, só tá a gente aqui… - Gion fez sua melhor cara de inocência e aproveitou para usar algo que já havia funcionado antes. – Deixa vai!

Ainda olhando sério para Gion, Zanba se sentou sobre o assento puxando o braço dele, fazendo-o se sentar em seu colo. Deixou que Gion juntasse os membros e iniciasse uma deliciosa punheta entre os dois. Pouco antes de gozar, Zanba deu uma dentada no ombro de Gion para conter um gemido, enquanto doses cavalares de sêmen sujava os corpos, já muito suados.

Assim que abriu os olhos, Zanba viu Gion aos prantos.

– Gion o que foi?

– Zanba, que cruel! Eu nem consegui me aliviar, você quase arrancou meu pescoço, seu monstro!

– De… desculpe Gion! - Zanba pareceu realmente preocupado. – Não consegui me segurar, não queria te machucar, de novo. - Zanba limpou as lágrimas dos olhos de Gion, que acabou sorrindo com o carinho. – Prometo compensar depois!

– Depois do Hanazono, né!

– É, depois do Hanazono!

Assim que os dois chegaram ao portão que dava direto ao gramado, Gion deu um passo para trás. Dava para ouvir dali todo mundo gritando eufórico com o jogo.

– Você entra primeiro ou eu? - Gion ainda se sentia envergonhado com toda a situação que causou.

Zanba sorriu e segurou na mão de Gion, enquanto abria a grade.

Quando Zanba abriu o portão, uma avalanche de garotas quase voou em cima dos dois garotos. Pararam assim que notaram as mão entrelaçadas dos dois jogadores. Todas pareciam muito confusas com a cena, até que uma acabou se manifestando, com a possível obviedade da situação.

– Ai, que bonitinho, Zanba-kun! - a menina esfregou os cabelos de Gion sorrindo carinhosa. – É seu irmãozinho?

– Ah, que fofo! - uma outra, apertou Gion entre os seios fartos. Gion até pensou em reclamar, como sempre, mas, achou melhor aproveitar um pouco do momento. Afinal, não faria essa desfeita às fãs de Zanba.

– Ele é uma graça, Zanba-san! - uma menina ruiva olhou um pouco desconfiada para Gion. – Eh, não sabia que você tinha um irmão, e muito menos que ele também jogava. - a menina reparou no uniforme que Gion usava. – Pera, eu te conheço! Você não é irmão do Zanba!

– Não é meu irmãozinho… - Zanba explicou com um sorriso. Gion o olhou como se dissesse que seria mais prudente concordar que eram; ainda mais agora, que elas os viram de mãos dadas. – … é meu namorado! - a garota peituda, largou Gion na hora, como se ele queimasse.

Alguns "ehhh" e uns outros hãnnn, puderam ser ouvidos em coro no meio das garotas, que levavam as mãos a boca chocadas com a revelação; e outras, que davam felicidades ao novo casal com olhares maliciosos.

Zanba saiu arrastando Gion, que travou, em direção ao gramado.

– Oe, Zanba! Solta a minha mão! Já não basta as garotas? E os caras; o que vão pensar da gente?

– Gion, se você estiver com vergonha de ser visto assim comigo, é melhor me falar agora!

Gion olhou para Zanba, ele parecia decepcionado. Voltou a segurar sua mão ainda com mais força. Recebeu um sorriso em troca.

– ZANBAAAAAAAAAA! - o treinador de Ryoin começou a gritar com o jogador assim que eles se aproximaram. O homem ficou ali gesticulando irritado. – O QUE DIABOS VOCÊ TAVA FAZENDO ATÉ AGORA? - o velho olhou para o lado e viu Gion; segurando sua mão. – AHHHH, POR FAVOR NEM QUERO SABER! JÁ PARA O CAMPO!

O treinador jogou os equipamentos e a camiseta do uniforme para Zanba vestir.

– Perai vou pegar os meus equipamentos também!

Assim que Gion se virou, para ir até seu lado do campo, deu de cara em uma enorme muralha formada por músculos. Gion conhecia aquele impacto como ninguém; Sekizan.

O capitão emitia uma aura negra e pesada, enquanto fuzilava Gion com os olhos. Raita, Iwashimizu e Kokuto vieram junto, para assistirem a bronca de camarote, imaginou Gion.

– Você não vai jogar, Gion!

– AHHHÃ? Por que não? - o pequeno fez cara de indignação.

– Não pense que pode fazer o que quer, abandonar o time por causa de um problema pessoal e depois voltar assim, como se não fosse nada! Essa será sua punição!

– É eu sei, foi vacilo meu! - Gion se limitou a admitir o erro. – Vou ficar desse lado aqui então e assistir o Zanba e Sekito jogar. - Sekizan abriu a boca e um som agudo e medonho saiu de sua boca, quando percebeu que Gion procurava alguém em campo. – Oe, cade o Sekito?

– Ah, Sekizan-kun! O Kota disse que você e o Sekito combinaram de vir juntos ao jogo. - Zanba acabou falando, assim que se lembrou que o capitão esteve na pousa mais cedo, para avisar que Gion não jogaria.

– É cade ele, Sekizan? - Kokuto cruzou os braços na frente do peito de uma forma extremamente ameaçadora.

– OE!

De longe Sekito vinha caminhando bem devagar e meio desengonçado. Apesar do sorriso de sempre, os dentes do garoto pareciam serrar a cada passo dado. Kokuto e Raita foram em sua direção, para tentar ajudar.

– Sekito! - Kokuto ficou muito preocupado ao ver o irmão praticamente se arrastar em campo. – O que aconteceu, por que está andando assim?

– Ah, eu… - Sekito olhou para Sekizan, que parecia prestes a desmaiar a qualquer momento. – … eu… cai?