Notas iniciais: Ouçam a música nesse link entre parênteses, obviamente sem os espaços (http : / www . youtube . com / watch?v=jhqntqRQQZI). A música é "Se você me quiser", dos The Fevers. Apesar de antiga a música, encaixa direitinho na fic :D
Cap 8: Homens que se dizem durões não têm conversas civilizadamente esclarecedoras com homens próximos demais de Deus.
Shaka POV
Quando eu te encontrei
Eu não imaginei
Que minha vida iria mudar.
Mas notei que você
Fez questão de evitar meu olhar.
Quando eu entrei por aquela porta e dei de cara com o Ikki, por uma fração de segundo não sabia como reagir. Uma parte de mim queria ignorá-lo, outra queria socá-lo, uma terceira queria agarrar e beijá-lo, mas espantei comigo mesmo quando senti meu rosto sorrir e ouvi minha voz dizendo – Oi, Ikki.
-Oi, Shaka – Ele nem olhou para mim e começou a vestir uma roupa. Seu rosto estava vermelho, de dentro do banheiro saía um vapor quente, a voz dele soava ríspida e, somado com a nudez, realmente não dava para saber se ele corara por calor, raiva ou vergonha. – Vai ficar aí olhando?
- Ah, não. – Guardei meus pertences dentro do armário e me virei para ele novamente – Como foi seu dia?
- Por que quer saber? – Ele já vestia uma bermuda leve e uma camiseta. Olhou para mim como se eu tivesse ofendido a mãe – Meu dia foi horrível. Acordei tarde, perdi não só a primeira, mas a segunda aula também, tinha um teste na terceira em que fui ruim, não consegui prestar atenção na quarta, comi não-sei-o-quê estragado no refeitório da faculdade que me fez mal e me fez perder as aulas da tarde. Foi o melhor dia da minha vida, obrigado por perguntar!
Eu preciso salientar que dava para pegar o ódio das palavras? Realmente, o dia deveria ter sido muito, muito perverso. Mas eu dormi bem, acordei de bom humor e meu dia foi ótimo. Espalhemos alegria então.
- Dia ruim? – Perguntei por perguntar mesmo, mas não esperava a resposta que recebi.
- Shaka, qual é a sua? – Ele finalmente se virou para mim (ele estava arrumando alguma coisa no guarda-roupas), com a sobrancelha franzida e estalando os dedos – Ficou a semana inteirinha me ignorando completamente, como se eu nem existisse, e agora vem com um sorriso de comercial de pasta de dentes pro meu lado perguntando como foi meu dia?
- É que eu tive um dia bom e... – Não tive tempo de terminar, já que ele muito bruscamente me interrompeu.
- E veio esfregar na minha cara? – Confesso que fiquei meio chateado com isso que ele disse – Você era mais santo, Virgem.
- Nunca fui santo, Fênix – Ikki tem a incrível capacidade de me irritar a ponto de me desarmar totalmente – E eu não vim esfregar nada na sua cara.
- Qual é a sua então?
- Eu que pergunto isso, qual é a sua? – Método infalível de ganhar discussões por Shaka de Virgem, lição 1: inverta o alvo da discussão.
- Qual é a minha o quê? – Tomara que dê certo, por que ele já está com as mãos na cintura, sobrancelhas quase no nariz de tão franzidas e meu sorriso está quase, quase, murchando.
- É, qual é a sua. Eu chego aqui todo feliz, querendo espalhar a felicidade, querendo uma conversa amigável com você, pergunto todo inocente como foi seu dia e você me vem com pedras na mão! – Há! Lição número 1 completa; falta saber se ele vai engolir.
- Desculpa.
Ah, não! Eu estava preparado para uma discussão prolongada, uma briga de socos e tapas, uma noite de sexo selvagem, uma noite de sexo romântico, um pedido de casamento, um rompante de lágrimas ou até um pacto de suicídio. Mas eu não – repito, não – estava preparado para um humilde olhar sincero, cabisbaixo e quase choroso, acompanhados de um pedido de desculpas, DA PARTE DO FÊNIX.
Por Buda, como ele sabe me desarmar.
Ikki POVSeus amigos então
Descobriram a razão
Que mudou o seu modo de ser.
Que você também sente
O amor que eu sinto em mim.
Hahahah, cara, como eu gosto, e sei, desarmar esse loiro. Aposto como ele estava preparado para tudo, menos um pedido humilde de desculpas.
Ok, ok. Ele de certo merecia esse pedido. Nem hoje e nem nunca ele fez algo para merecer minhas provocações. – É que meu dia foi ruim e eu não deveria descontar em você – Completei depois de um tempo de silêncio. Eu estava muito ocupado em me deliciar com a linda cara de taxo do loiro.
- Não tem problema. A culpa não foi sua, realmente – Depois de falar isso, ele finalmente saiu da porta do quarto, entrou, fechou a porta e se sentou na cama. – Quer conversar sobre?
- Shaka, toda vez que conversamos tudo dá em merda. – Respondo com sinceridade, sentando na minha cama, de frente para ele – Da ultima vez que isso aconteceu minha mente deu um nó tão grande que até agora eu não consegui desatar.
- Sua mente ou seu coração? – PQP! Ele agora aprendeu a ler mentes, é? Qualé a desse loiro? O futuro psicólogo aqui sou eu, viu!
- Preciso responder? – Respondo com rispidez, pra ver se ele muda de assunto.
- Sério, Ikki. Qual o seu problema em admitir que gosta de mim? A gente não precisa ficar junto, mas pelo menos admita seus sentimentos! Você é um homem ou um rato?
- Com quem você andou conversando? – Sério, o Shaka não diria isso. Com quem ele andou conversando?
- Com o Mu, mas não mude de assunto.
Suspiro vencido e resolvo abrir o verbo – Quer saber a verdade? Para início de conversa, eu não sei se amo você, como você disse que me ama. Amar é uma palavra muito forte que não merece ser dita a qualquer um de qualquer maneira. – Ele fez menção de se pronunciar - Cale a boca, quem fala agora é eu. Em segundo lugar, eu ainda não tenho certeza do que senti pela Esmeralda, então acho errado comigo, com você e com ela admitir qualquer sentimento agora.
- Mas admite que você sentiu.
- Shaka, não piore as coisas, quer que eu fale, não quer? – Ele assentiu com a cabeça e continuei – Terceiro lugar, mesmo que eu goste de você e não tenha admitido para mim mesmo ainda, eu não estou preparado para gostar de uma pessoa do mesmo gênero que eu ou para assumir um romance com essa pessoa. Em quarto lugar, ainda nessa hipótese, eu ainda não percebi, as outras pessoas que me disseram o que eu sinto. Quem tem que perceber é eu, ou então o sentimento não vai ser de verdade, entende? Em quinto, mesmo que eu assuma meu hipotético amor por você e esteja preparado para ter um relacionamento gay, não estou preparado para ter um relacionamento, sendo ele gay ou hétero. Não me sinto confortável. E em sexto e último lugar, o mais importante de todos: existe uma lei, que, mesmo que nossa vida de santos de Athena tenha mudado um pouco, nos proíbe de relacionarmos amorosamente com alguém. No meu caso eu poderia dar um jeito, mas você, além de monge, é cavaleiro de ouro. É praticamente impossível ter um no seu caso.
Acho que peguei pesado demais com ele, mas eu realmente precisava dizer aquilo.
- Então não é por orgulho? – O sorriso dele tinha sumido, e me olhou com olhos chorosos – Posso dizer minha parte agora? – Depois que meneei com a cabeça, ele começou – O amor é tão simples, Ikki, que eu poderia lhe dizer que te amo, se eu tivesse ciente disso, desde a primeira vez que te vi, lembra? Eu sei que te amo. Eu sinto isso. Eu entendo seus motivos, mas não entendo por que você tem que complicar algo tão simples como o amor. Eu não estou pedindo para assumir um compromisso com você como naquele dia. Eu estou te pedindo para descobrir o que você sente. Por que amar é querer tudo de bom para o amado, mesmo que não seja do jeito que a gente queria. E, do jeito que eu quero, morando em uma casa no campo, com uma horta nos fundos, com dois ou três Ikkizinhos correndo pela casa, acordando de manhã para preparar seu café e receber um beijo como bom-dia é quase impossível de acontecer, então que você seja feliz do jeito que você quiser. Eu te conheço há tempos. E você não está feliz confuso desse jeito.
Shaka POV
O orgulho talvez
Adiou por um mês
Seu desejo de me procurar,
E dizer do amor que também eu sentia
E que veio alegrar meu viver.
Me sinto bem melhor agora que me desabafei e que ele se desabafou também. Quando eu terminei meu monólogo, sorri de volta (eu ainda estava feliz, afinal) e recebi como resposta outro sorriso, que me fez sorrir mais ainda.
- O que quer que eu faça agora? – O olhar e o sorriso deles estavam bastante confusos – Depois desse seu discurso não sei mais o que fazer. Eu estava pretendendo te ignorar até agora pouco.
- Bem, não se recebe nada além de ignorância quando se ignora. – Falei bastante sério, mas ele riu do que eu disse – Podemos ser amigos? Sabe, eu também preciso de um para me mostrar um pouco da vida de fora do Santuário, os outros dourados não entendem nada também, ficam olhando igual crianças perto de doces com qualquer novidade. Pode te ajudar, por outro lado.
- Amigos então? – Ele se levantou e deu uma volta pelo quarto, coçando a cabeça – Ok, então.
E ele saiu do quarto, sorrindo.
Não posso dizer que fiquei triste com essa conversa. Fiquei muito feliz de colocarmos as coisas em pratos limpos até. Na verdade, ele foi muito mais racional que eu pensando do jeito que ele pensou, principalmente em não me magoar.
Fico meio ansioso até pensando no que vai acontecer daqui para frente; acho que estou fazendo as coisas certas, seguindo meu coração, finalmente (preciso agradecer e contar tudo para o Mu).
Ikki POV
Se você me quiser e comigo ficar
Mando embora a minha solidão.
Se você me quiser eu lhe dou meu amor
E farei você muito feliz.
Talvez o Shaka tenha razão, só se ganha ignorância quando se ignora. Talvez se eu me aproximasse dele, como amigo, não com o objetivo de irritá-lo e não o ignorasse, eu consiga descobrir o que sinto por ele, se é amor, paixonite, amizade ou o quê.
Não é só nisso que ele está certo; também tem o caso da simplicidade do amor. Eu sei como é isso, mas ele esqueceu uma parte: o amor não é só simples, ele também é confuso, ele nos deixa confusos.
Caso contrário eu não estaria tão assim.
Simples é amar. Difícil é lidar com esse amor.
(Preciso salientar: achei fofinha a visão dele de felicidade, comigo e um monte de Ikkizinhos em uma casa no campo)
Se você me quiser.
Xxx XXX xxX
Há!
Esse capítulo é o maior até agora: 1773 palavras, sem contar o título e as notas da autora. Ele realmente ia sair maior, mas eu achei que não encaixava alguma outra cena nele, pelo conteúdo fortemente fofo do caps. E pensei assim: Se vocês agüentaram a merdinha que foi o capítulo anterior, por que não agüentariam esse daqui, que mesmo pequeno é o maior de todos? :D
Sobre a música: Amo música da Jovem Guarda e The Fevers tem lugar cativo no meu coração. Eu estava ouvindo essa música enquanto lavava louça quando veio um insight na minha mente e pensei: a cara do Shaka e do Ikki da minha fic! Ok, ok, a música é a cara do relacionamento dos dois, não exatamente da parte de um só, não acham?
Quem ai leu o capítulo ouvindo a música no link que mandei? Ficou bom, não ficou? O link foi certo? Particularmente eu não consigo ler ouvindo, então eu coloquei a música láááá em cima mais para quem não sabe saber que música é n.n
PS: Esse capítulo está pronto desde o dia 17/12, bem antes do meu prazo mental de postagem, mas acontece que eu simplesmente fiquei (ainda) mais incomunicável em termos de net por conta das festas de final de ano. Sorry, só agora deu pra postar...
Beijos mil e até o próximo capítulo!
