N/A: Depois de um bom tempo, aqui está a continuação da história. Eu acho que todos os escritores devem ter a sensação no peito de que está tudo ficando muito ruim e uma vontadezinha besta de desistir de tudo, principalmente quando a história é longa :v

Bem, eu não quero desistir ainda o/

Para o anônimo dos comentários, suas mensagens continuam chegando pra mim cortadas kkkk eu não sei porque isso acontece, mas obrigada por aparecer e me dar apoio moral :*

Boa leitura!


Apesar do esforço e do cansaço, Cato só se deu por vencido e parou de pedalar quando chegaram à uma espécie de hotel de luxo. Uma família acabava de deixá-lo, colocando as bagagens no porta-malas de sua mini van com pressa e partindo antes mesmo que eles pudessem alcançar a entrada.

Enquanto Peeta observava aquele carro se afastar em alta velocidade, Cato se espreguiçou e fez caretas ao alongar os músculos, pelo visto, não importava o quão em forma ele estivesse, toda aquela aventura começava a colocá-lo em seu limite físico. De qualquer modo, os dois se entreolharam, confusos pelo comportamento daquela gente que nem teve tempo para cumprimentá-los antes de saírem como loucos, cantando pneu pela estrada de onde eles tinham vindo.

Caminharam até a recepção do hotel e viram que ela também estava vazia.

— Isso está muito, muito suspeito. – Peeta disse, apertando a campanhia do balcão e não recebendo nenhuma resposta.

— Só pode ser brincadeira. – o loiro estava chateado e era compreensível, nenhuma de suas tentativas de encontrar Haymitch tinham sido bem sucedidas e agora ele estava cansado e dolorido. Sua paciência para ficar esperando era mínima e ele começou a verificar os cômodo por cômodo, salas comunais, sala de jantar, quartos, tudo estava vazio. Por fim, foi para a cozinha, com Peeta no encalço, e, finalmente, ouviram um barulho que indicava a presença de alguém.

— Hey! – Cato chamou a atenção de um homem negro pequeno, de cabelos grisalhos e que tinha um par de óculos fundo de garrafa apoiado na ponta do nariz. Ele corria de uma lado para o outro colocando caixas no porta malas de um carrinho pequeno e velho, mas que estava bastante sobrecarregado. Até no teto haviam parafernalhas amarradas. O homem não parou nem por um segundo, mas quando percebeu que eles estavam ali, começou a berrar em um língua que às vezes parecia inglês e às vezes parecia uma língua perdida. Nenhum dos dois entendeu coisa alguma. — Você… conhece… Eyjafjallajökull?

Cato falava como um daqueles turistas estrangeiros que achavam que falar devagar e pausadamente seria a solução para os seus problemas de comunicação com os nativos, mas, naquele caso (e como é de se esperar com um método como esse), o homem só continuou gritando, embora parecesse ter reconhecido o nome do vulcão. Peeta estava começando a ficar de saco cheio daquela exasperação toda.

— Eyjafjallajökull! – depois de desocupar os braços pela última vez, o sujeito repetiu o nome e apontou para as montanhas que ficavam abaixo de onde o hotel se localizava. Cato se virou para Peeta e sorriu, depois, agradeceu avidamente pela informação antes de sair apressado, praticamente arrastando o outro pelo braço.

Peeta ainda olhou para trás e viu que aquele cara ainda estava meio fora de si, ainda pior do que antes, bradando algo que eles não faziam a menor ideia do que fosse e claramente indeciso entre ir atrás deles ou se enfiar dentro de seu próprio carro e dar o fora do mesmo jeito que aquela família havia feito momentos antes.

— Cato, espera. – ele deu um puxão no braço e obrigou o outro a parar. Primeiro pra expor suas dúvidas quanto aquela situação toda, depois, porque sua perna já estava começando a reclamar. — Você não acha estranho o fato do hotel estar abandonado e daquele cara estar tão desvairado que a cabeça dele parecia que ia explodir a qualquer momento? Porque eu acho.

— Relaxa, ele devia estar falando alemão ou algo assim, você sabe como eles são naturalmente estressados. – ele disse, dando de ombros e voltando para recuperar a bicicleta. — Eu não sei você, mas eu pretendo chegar até lá antes do anoitecer.

Quanto a isso, não tinha muito que discutir, ele também não queria esperar mais e se conseguissem alcançar Haymitch antes que ele saísse para outra incurssão sinistra em algum país totalmente esquisito estilo Islândia/Groelândia, todo mundo ia ficar feliz mais cedo, voltar para os Estados Unidos, esfregar a vitória deles na cara do Seneca Crane, tomar um bom banho, comer comida de verdade, e dormir por uma semana inteira sem parar.

O homem suspirou, ainda deu uma olhadela para o hotel de novo, mas acabou dando de ombros também e seguindo Cato. O loiro parecia renovado depois dessa parada e recomeçou a pedalar com afinco, especialmente porque o percurso que se seguia era uma decida e a estrada estava muito boa, Cato só tinha que se preocupar em tomar cuidado nas curvas, que eram muito fechadas.

Nesse ritmo, eles alcançaram a cidadezinha mais próxima com muita rapidez e pararam na entrada, impressionados com o quanto aquela porcaria estava vazia e deserta. Nenhuma alma viva caminhava naquelas ruas e as portas e janelas estavam bem fechadas.

— Mas que diabos… – Peeta ia reclamando, quando uma sirene muito alta começou a soar. Foi inevitável que os dois pulassem de susto e procurassem de onde vinha aquele o som, e acabaram encontrando postes de altos falantes espalhados pelas esquinas, todos berrando um sinal de advertência que ele não sabia o que significava. — O que é isso!?

A essa altura, ambos já haviam desmontado da bicicleta e estavam relativamente perdidos, sem saber o que fazer e o que estava acontecendo naquela porcaria de país, com as mãos amparando os ouvidos e uma sensação angustiante de que algo se agitava sob seus pés.

Então a terra começou a tremer com vontade e um barulho muito pior do que simples sirenes veio do que parecia ser todos os lugares, como se o chão estivesse se rompendo. Peeta olhou para Cato e percebeu que um verdadeiro pandemônio se iniciava nas montanhas. Uma fumaça preta e densa tomava os céus, que se escureciam gradativamente. Quando um pedaço sólidos de rocha voou pelos ares deixando um rastro escuro atrás de si e à uma velocidade tão alta que Peeta nem conseguiu ver aonde ela tinha ido parar, o homem perdeu o controle e começou a gritar loucamente, compreendendo que Eyjafjallajökull tinha escolhido a pior hora do mundo para acordar e entrar em erupção.

Antes que Cato também entrasse em desespero e eles se transformassem em dois condenados correndo em círculos no meio de uma cidade fantasma prestes a ser coberta por lava de vulcão, um carrinho velho e sobrecarregado apareceu pela estrada e parou ao lado deles. Aquele senhor que ainda estava indeciso sobre que idioma falava, abriu a janela e fez sinais claros para que entrassem dentro do veículo.

Ele não precisava dizer duas vezes.

Por sorte o carro daquele sujeito era tão velho que o banco da frente era inteiriço, se não, teria sido terrivelmente desconfortável dividir o banco do passageiro com Cato, uma vez que o banco detrás estava abarrotado com as quinquilharias que ele tinha tirado do hotel. Mal tinham se espremido e fechado a porta, o senhor já tinha partido, passando por cima de meios fios e voltando o mais rápido possível para a estrada.

Virando-se para trás, só o que Peeta conseguia ver era a fumaça engolindo as casas e cobrindo os locais por onde tinham passado. Não tinha nenhuma chance de conseguirem escapar daquilo.

— Poderia ir mais rápido? – Cato sugeriu ao motorista e quase foi engraçado a calma e a gentileza dele diante de uma situação de morte iminente.

— Será que dá meter a droga do pé no acelerador? – Peeta enfatizou, enquanto tinha um semi-ataque de pânico.

Mas o homem estava fazendo o melhor que podia e era difícil imaginar aquele carro indo mais depressa do que aquilo. Eles mal puderam escutar os próprios gritos quando foram tragados pelas sombras.

De qualquer modo, o velho não parou de dirigir e, por algum motivo, ligou os limpadores do parabrisa, ainda que não estivesse enxergando absolutamente nada. Em algum momento, o cenário começou a clarear aos poucos e eles puderam voltar a ver a estrada através da parte limpa do vidro. O resto estava coberto de fuligem, de camadas tão grossas que era impossível ter uma visão do que estava acontecendo do lado de fora. Por algum milagre, nenhuma lava os tinha tocado e Peeta nunca tinha estado tão em choque quanto naquele momento.

Os dois ficaram um bom tempo mortalmente calados, aterrorizados com a experiência, enquanto o homem passava-lhes um sermão em um inglês capenga, falando de algo sobre eles serem burros e não saberem escutar. E eles estavam engolindo, porque era verdade.

Depois de um tempo rodando, a natureza pareceu dar um acalmada; isso ou eles tinham, pelo menos, se afastado de onde a coisa tinha realmente pegado fogo. De qualquer modo, aquele senhor, que se chamava Stein, os levou em segurança até uma outra cidade, distante o suficiente do Eyjafjallajökull e se mostrou não ser tão irritante e estressado quanto tinha demonstrado ser até aquele momento. Quando passaram o perigo, Stein ficou interessado em escutar a história deles e os dois se revezaram para contá-la.

No final as contas, descobriram que Haymitch tinha ficado hospedado naquele hotel em que haviam estado até bem pouco tempo e ele planejava tirar fotos do vulcão quando ele entrasse em atividade. Que foi mais um alarme falso do que uma erupção da forma propriamente dita.

Eles estavam mais do que desanimados quando voltaram a ficar á pé de novo, deixados em frente à uma das franquias do Papa John's, que, supreendentemente, existia até mesmo na Islândia. Agora eles não tinham nenhuma pista sobre para onde ir em seguida e restavam-lhe apenas dois dias para completar a missão.

— Acabou… – murmurou Cato, pegando de volta a bolsa que Charbel havia lhe dado e que Peeta vinha carregando desde então. — É impossível encontrá-lo… ele pode estar em qualquer lugar!

— Não se desmotive. Essa cara… pare de fazer essa cara. Eu tenho certeza de que ainda existe alguma coisa que a gente pode fazer. – Peeta disse, dando tapinhas nas costas de Cato, que só fez revirar os olhos e abaixar a cabeça, derrotado. — Por que você não me leva até aquela lanchonete gordurenta e me obriga a comer? A gente pensa no que faz depois.

— Ah, sim. A gente tem que decidir entre pegar o voô hoje ou amanhã. – respondeu irônico, enquanto caminhavam.

— Talvez a Katniss tenha mais alguma informação, não custa nada ligar para ela antes de planejar a nossa volta. – sugeriu, tentando parecer mais otimista do que realmente estava.

Enquanto Cato fazia os pedidos e esperava por eles no balcão, longe de Peeta, o que o deixou ligeiramente preocupado, ele aproveitou para fazer a tal ligação e ver se havia mais alguma coisa a ser feita. Ele suspirou.

Alô? – então um pirragueio. — Quero dizer, Life, como posso ajudá-lo?

— Erm… Katniss? – ele tinha certeza que era ela, mas não custava nada confirmar.

Sim, sou eu. – respondeu, desconfiada.

— Aqui é o Peeta.

Hm…

— Ahn, o assistente do Cato Rawlins.

Oh! Peter! Ha ha, sua voz fica tão suave pelo telefone. – ela ainda riu um pouco consigo mesma antes de parar de repente e fazer um barulho, como se tivesse se lembrado de alguma coisa muito importante. — PETER! Me desculpe, eu juro que fui obrigada!

— Obrigada a quê?

Por ter acabado de te demitir. – Katniss soava realmente infeliz com isso. — Na verdade, eles estão me forçando a demitir todo mundo e eu sei que eles vão me fazer me auto-demitir no final de tudo. Isso é cruel, Peter.

— Como assim eles já começaram a despedir os funcionários? E a quintessência? – Peeta não podia evitar começar a ficar um pouco desesperado. Quando viu que Cato tinha dado uma olhadela para o lado dele, o homem disfarçou e preferiu não tornar as coisas piores para o outro. Pelo menos ainda não. — E a última tirada da revista!?

Certo, eu exagerei um tiquinho. Eles estão demitindo todo mundo aos poucos. Quem for fundamental para a última edição vai permanecer por mais alguns dias, mas um dos andares já foi quase todo.

— Isso é… péssimo. – Peeta nem sabia mais o que dizer.

Estão começando a desmontar os cubículos e a maior parte dos escritórios. Está uma zona aqui. – ela deu uma pausa e pirragueou mais uma vez antes de continuar. — O setor de vocês já era, só tem o suficiente pro Cato trabalhar, quando voltar.

— O QUÊ? – ele não podia acreditar no que estava ouvindo, era surreal. — Mas nós tinhamos um acordo! Crane filho da puta…

Que acordo?

— Quer saber, esqueça… – Peeta viu que Cato já tinha pegado as bandejas e estava voltando para a mesa deles e decidiu dar aquela ligação por encerrada. — Olha, Katniss, obrigado pelas informações. Eu garanto que vamos voltar logo e dar um jeito nisso de uma vez por todas.

Mas o que…?

— Ainda não sei o que podemos fazer, mas eu sei que Cato não vai deixar isso desse jeito, então… só fique firme.

E desligou.

O pessimismo no rosto do loiro era consternante e, como se Peeta já não tivesse motivos suficientes para se sentir mal, o olhar frustrado do outro só fazia tudo pior.

Os dois começaram a comer em silêncio, o que era um sinal do quão ruim as coisas estavam para Cato, e Peeta ficou o tempo todo incomodado, tentando descobrir uma forma de quebrar o gelo, de ser capaz de animá-lo pelo menos um pouco, fazê-lo distrair-se dos problemas. Mas Peeta não era bom em começar assuntos, ou ser engraçado, ou em ser desenrolado o suficiente para usar as palavras e contornar a situação. Ele nem mesmo sabia por que diabos Cato achou que ele seria uma boa companhia pra essa viagem maluca! E isso o deixava frustrado. E enquanto pensava em sua inabilidade, ele ficava ainda mais incapaz de pensar em alguma atitude para tomar.

Sentia suas mãos atadas e um arrependimento muito grande por ter se metido nessa enrascada.

Então ele decidiu ficar calado de vez, encarando a comida, evitando Cato e sua visível crise interna ao invés de tentar fazer alguma coisa.

De qualquer modo, enquanto se esforçava para desviar o olhar, fingindo que todos os pontos naquele restaurante eram mais interessantes que aquele bem à sua frente, a presença de uma pessoa sentada próxima à janela chamou a sua atenção.

Era, claramente, um mochileiro. Ao lado de sua cadeira pousava uma bolsa gigantesca, com direito a coberta enrolada no topo e um copo de alumínio pendurado de um dos lados, e ele lhe era familiar de um jeito estranho. Tinha cabelos loiros oleosos na altura do queixo e olhos claros, azuis talvez, sua pele era bronzeada e ele tinha uma sombra de barba no rosto. Parecia estar na faixa dos cinquenta, mas que era, ao mesmo tempo, um cara jovem e saudável.

Peeta não tinha nenhum motivo para estar olhando e se arrependeu de estar fazendo isso quando percebeu que o homem o havia notado e o encarava de volta, com uma expressão enigmática e, no mínimo, suspeita. Ele ficou nervoso e voltou-se para seu prato, praticamente intocado, ainda sentindo o olhar daquele estranho queimar-lhe.

Por que diabos ele acabava fazendo essas coisas idiotas?

Depois de um tempo, Peeta experimentou levantar a cabeça novamente e o sujeito ainda estava olhando para a direção deles, também distraído na simples tarefa de comer um sanduíche, sua atenção variando entre ele e Cato, como se estivesse estudando-os.

Foi quando Peeta achou que a coisa estava começando a sair do controle.

— Cato? — ele chamou, mantendo um tom casual e esperando que o loiro o olhasse de volta antes de continuar. — Tem um maluco islandês atrás de você secando a gente como se nós fossemos a próxima vítima… Eu não quero ser uma vítima. Que tal se a gente desse o fora e entrasse em um avião antes de sermos abordados e mortos por um islândes maluco?

Peeta estava, definitivamente, exagerando e não foi algo muito sábio de se fazer, uma vez que Cato tendia a ser levemente agressivo quando estressado. E o que ele fez ao ter conhecimento disso foi o contrário do que Peeta estava propondo. Ele estava pronto para entrar em uma briga se fosse necessário. De novo.

Mas quando virou-se para lançar sua expressão de ódio na direção do sujeito, o homem abriu um sorriso sacana de orelha a orelha e gritou um "há" alto, chamando a atenção dos outros clientes. Ele apontou os dedos para Cato e começou a se levantar. O maldito estava indo na direção deles.

Cato voltou-se lentamente para Peeta, com os olhos levemente arregalados, pálido. Talvez esse fosse um momento oportuno para entrar em pânico.

— Esse maluco islândes… – ele disse, só com o movimento dos lábios, sem emitir sons e garantindo que o outro não o estava vendo apontar para trás. — … é o Haymitch.

— O quê? – Peeta também se manteve silencioso e deu uma segunda olhada para o homem, que acabava de tropeçar na própria mochila.

— Haymitch. – então, no momento em que ele haviam perdido as esperanças, o seu objeto de busca simplesmente os encontrou. Era fantástico. Mas, por algum motivo, Cato não tinha uma expressão alegre no rosto. Na verdade, ele parecia… embaraçado.

— Qual o problema? Tipo, é o Haymitch!

— Eu odeio esse cara. – ele explicou, falando alto desta vez, enquanto o outro finalmente conseguiu chegar até eles e apoiou-se nos ombros de Cato, bagunçando seus cabelos como se fosse um amigo íntimo ou um velho conhecido. O homem era barulhento e entusiasmado. Cato, entretanto, estava mais concentrado em fingir que aquilo não estava acontecendo e se manter quieto até que a sessão de cumprimento estilo "agarramento" acabasse. Peeta não podia estar mais confuso.

— Puta merda! – Haymitch exclamou, rindo, sentado-se ao lado deles sem ser convidado. — Eu sabia que era você, Cato, seu cafajeste… Ombros largos, esse seu cabelinho, longe de casa, fugindo do papai com um namoradinho debaixo do braço. Inesperado, mas totalmente a sua cara.

— Ah é? Jura? — Cato respondeu, desanimado. Peeta ficou aborrecido com o tom daquele sujeito, especialmente por causa do efeito negativo que ele estava causando no loiro. Quer dizer, ele passaram por tudo aquilo por causa disso?

— Não tem nenhum namoradinho e não tem ninguém fugindo de casa aqui. – Peeta disse, mais ríspido do que gostaria, e acabou tendo a atenção de Haymitch voltada para si.

— Ah… então estão de lua de mel!? – ele deu dois tapinhas no ombro de Cato, que o afastou com um movimento no braço, e Peeta assistiu horrorizado enquanto o homem roubava a sua coca, fingia fazer um brinde com ela e a bebia como se fosse dele. — Eu sempre soube que você superaria as suas… hã, pequenas desavenças com aquele velho ranzinza. Ah, a vida é boa…

O fotógrafo tirou uma garrafinha prateada da jaqueta e despejou parte de seu conteúdo no copo que acabara de roubar antes de tomar uma golada e colocá-lo de volta na frente de Peeta como se nada tivesse acontecido.

— Você ficou maluco? – Cato disse, neutro. — Nós não estamos aqui pra nos divertir, estamos aqui por sua causa… tio.

Essa última parte saiu como um sussurro, e ele deu uma olhada culpada para Peeta, por ter omitido esse pequeno detalhe da história.

— Tio!? Você disse tio? – ele não sabia se tinha razões plausíveis para estar tão chateado, mas sabia que estava. E muito. Ele sentia como se estivesse acabado de entrar em uma bolha de problemas pessoais que não eram dele e onde ele jamais gostaria de ter entrado. E Peeta estava se sentindo traído, de algum modo. Todo esse tempo, acreditou que Cato era um livro aberto, contagiante e sincero, teve um instinto automático de confiar nele desde o início e agora tinha a sensação de que cometera um grande erro.

Era idiota e, provavelmente, sem fundamento, mas não era algo que ele poderia evitar sentir.

— É, você sabe… quando seu pai ou sua mãe tem um irmão isso faz dele, meio que, seu tio. – Haymitch interferiu, irônico.

— Cala a boca. – Cato estava amargo e olhava para Peeta, com uma expressão de quem estava se desculpando, mas não estivesse certo do porquê exatamente.

— Acabaram de casar e já estão brigando? Tsc. Que coisa feia.

Cala a boca. – os outros dois disseram juntos dessa vez e Haymitch só levantou as mãos, fingindo trégua e pegou a coca batizada de Peeta novamente, tomando o resto em um só gole.

E a cada minuto as coisas ficavam melhores.