Capítulo 08

-Entre, Bella. Sr. Cullen. Sentem-se. Estava à sua espera.

Edward cumprimentou o dr. Harvey.

-Agradecemos por encaixar Bella com tão pouca antecedência.

Edward tinha uma capacidade de tomar conta da situação, mas provavelmente nem se dava conta disso. Não estivesse tão fraca e confusa, Bella teria dito alguma coisa, mesmo que o embaraçasse na frente daquele médico compassivo.

-Bella, creio que seu cunhado já lhe confidenciou seus temores.

Ela assentiu, desajeitada.

O médico franziu o cenho e se sentou à escrivaninha.

-Tomei a liberdade de discutir o seu caso com o dr. Masen, o neurocirurgião da equipe. Assim que acabarmos de conversar, você deverá ir à sala dele na ala leste. – O médico fez uma pausa. – Se nos últimos quinze meses você não teve problemas médicos anteriores à gravidez, problemas que possa ter esquecido de me contar quando levantei seu histórico médico, então, teria dificuldade em acreditar que você sofre de um tumor no cérebro.

-Graças a Deus!

Bella ficou tocada com a emoção de Edward.

-Por favor, não me interprete mal, sr. Cullen. Há um fator de probabilidade aqui que diz que Bella poderia partilhar da situação da irmã. Mas pode não estar num ponto tão avançado, ou pode estar numa posição que ainda não a tenha afetado. Esse é o departamento do dr. Masen. Infelizmente uma varredura por radiação não é possível por causa do bebê.

Bella estremeceu, não apenas pelo comentário do médico, mas porque a expressão de Edward era desolada. Não passava de uma farsa desde a noite em que ele chegara à fazenda e encontrara a ela, ao invés de Rosalie.

O médico olhou para Bella.

-O dr. Masen e eu visualizamos a possibilidade de submete-la à quimioterapia. Não sabemos quais os efeitos possíveis, caso ocorram, sobre o bebê. Mas já está com quase dezessete semanas agora. Não obstante, tudo parece correr bem e não antevemos problemas.

-Esqueça o bebê. – interrompeu Edward. – Se Bella realmente tiver um tumor, e for operável ou tratável com quimioterapia, então, precisamos agir agora.

O médico voltou a encarar Bella.

-Concordo. Como se sente a esse respeito, Bella?

Ela não reconhecia sentimento algum a não ser dor profunda, desespero e uma sombria falta de esperança. Devagar, balançou a cabeça.

-Não.

-Não está falando sério. – A voz de Edward parecia vir de muito fundo da alma.

Ela prendeu a respiração.

-Edward, agradeço a sua preocupação. Você tem sido maravilhoso para mim, quando nem precisava sê-lo. Desculpe por Rosalie forçá-lo a sentir uma responsabilidade totalmente sem garantia por mim. Mas isto é meu problema, não seu. Se não se importar, gostaria de conversar com o médico a sós. Por favor, não se ofenda.

Bella percebeu sua raiva e o enrijecer de seu corpo antes de se levantar e deixar a sala. Ele fechou a porta com cuidado, informando-a de que se controlava com muito custo.

Bella sentou-se mais na beirada da cadeira.

-Doutor – começou, com voz trêmula – uma vez que eu e Rosalie tivemos o mesmo histórico médico desde o dia do nascimento, provavelmente há um tumor. Provavelmente é inoperável, o que significa que não vou viver muito.

Ele franziu os lábios.

-Não saberemos nada antes de fazer os exames.

-Será uma perda de tempo. Gostaria de estar livre para comparecer ao enterro de minha irmã amanhã, e então vou para Paris passar um tempo com minha madrasta. Ela estava com Rosalie no final, e saberá o que fazer por mim. Quero ser enterrada na França com meus pais.

Levou algum tempo até que o médico respondesse:

-Posso entender seus motivos e sou simpatizante. Entretanto, precisa considerar a possibilidade de o tumor não existir. Você não sofre de dores de cabeça. Não perdeu a audição, nem teve a visão embaçada.

-Mas minha pressão está alta e não sabe explicar por quê. Quando fiz um check-up em Nova York, não ia ao médico havia mais de dois anos. Não sei dizer se minha pressão era normal antes daquela visita.

Ele agarrou o lápis.

-Está relutante, pois está assustada em saber a verdade. Não a culpo.

Bella balançou a cabeça.

-Dr. Harvey, não está entendendo. Já sei a verdade. Bella e eu vivemos uma vida unida, dividimos tudo. Seria anormal se não morrêssemos exatamente da mesma forma.

Se posso ser grata por alguma coisa –declarou, trêmula –é por meu bebê morrer comigo e sofrer o mesmo destino.

Ele franziu ainda mais o cenho e se levantou, enfiando as mãos no bolso.

-Não é o tipo de conversa que quero ouvir. Meus instintos como médico dizem que você não vai morrer de tumor no cérebro. Quero que faça os exames para confirmar meu diagnóstico.

-Não vai confirmar, você sabe.

-Uma coisa que aprendi em muitos anos de prática médica é que nunca se deve presumir nada. Há muitas variáveis que devem ser consideradas ao se analisar no global.

-Não no meu caso.

O sorriso era gentil.

-Percebo que você e sua irmã tiveram uma existência única. Mas admita que por um instante que você não partilha da mesma condição fatal.

Bella sabia que ele estava tentando dar-lhe esperança, mas ele não entendia. Ninguém nunca entenderia, exceto Rosalie, e ela se fora.

-Considerando sua pressão alta, não quero que viaje para lugar algum, e não quero que viva como uma bomba-relógio em potencial pelo resto da gravidez. É melhor descobrir já, como sugeriu seu cunhado, assim sua mente deixará o corpo relaxar, o que diminui a probabilidade de toxemia. Mas é uma decisão que deve tomar depois de conversar com o dr. Masen.

Ele foi até a porta e a abriu bem a tempo de Bella perceber Edward lá fora. Irracionalmente, ela se irritou por ele ainda estar por perto. Mas o que realmente a aborreceu foi vê-lo conversando com uma enfermeira como se fosse seu marido e tivesse o direito de discutir seu caso.

O dr. Harvey encorajou-a batendo em seu ombro.

-Quando acabar com o dr. Masen, volte para me ver.

-Faremos isso – respondeu Edward por ela. Acabara a conversa com a enfermeira e já os alcançava.

Bella passou por eles sem dizer nada. Edward planejara a consulta, insistira em ficar com ela para ter certeza de que compareceria à sala do neurocirurgião. Se estivesse sozinha, disse a si mesma, deixaria o hospital sem olhar para trás.

Edward a tomou pelo cotovelo.

-Ele está no fim do corredor, virando aqui. A enfermeira me disse que o exame só leva meia hora e não há nenhum desconforto. Vão entregar os resultados ao dr. Harvey em uma hora. Enquanto esperamos, podemos jantar na lanchonete.

-Não estou com fome. – Ela começou a caminhar mais rápido.

Ele a manteve bem segura.

-Eu estou.

-Então, você come, e pare de se preocupar comigo.

-isso é impossível! – murmurou ele, com calma enervante. – Chegamos.

Antes que ela pudesse protestar, ele abriu a porta da sala do dr. Masen e a introduziu.

Se não houvesse tantos pacientes na sala de espera, Bella teria livrado o braço. Encontrava grande dificuldade em controlar a irritação.

-Sou Bella Swan – anunciou à recepcionista, antes que Edward tomasse a dianteira.

-Oh, sim. Acabamos de receber seu prontuário. Deve ir lá para trás. Segunda porta à esquerda.

Bella se virou para encarar Edward.

-Não há necessidade de esperar.

-Mesmo assim, vou ficar – sentenciou ele, sem permitir recorrência. – na verdade, planejo conversar com o dr. Masen antes dos exames. Vamos?

Forçada a conter o ressentimento ante tamanha interferência, Bella caminhou à sua frente de propósito, de modo que ele não pudesse pegar seu braço.

Entraram em outro consultório parecido com o anterior. O médico tivera de encaixa-la entre outras consultas, e ela achava que teria que esperar bastante. Mas estava errada.

Assim que se sentaram, um homem magro, imaculadamente vestido, já com seus cinqüenta anos para mais, apareceu com seu prontuário. Apresentou-se, cumprimentou-os e sentou-se à borda da escrivaninha.

-O dr. Harvey e eu discutimos o seu caso longamente, srta. Swan, e, baseados na sua consulta anterior, acreditamos que não tenha um tumor. Mas achamos mais seguro que o sr. Culln a trouxesse para sabermos com certeza.

-Se encontrar um tumor, será inoperável como o de Rosalie. Portanto, não vejo sentido.

-É verdade que você e sua irmã tiveram históricos médicos similares. Mas estudos de casos em gêmeos idênticos revelaram que, quando se trata de órgãos mais importantes do corpo, tais como o cérebro ou o coração, um dos gêmeos pode manifestar um estado grave que pode inexistir no outro.

-Não tenho razão para não acreditar, doutor, mas não acho que as estatísticas se apliquem a mim e Rosalie.

-Porque não enfrentaram nenhuma enfermidade mais grave.

-Se ela não tem um tumor, então, o que, na sua opinião, pode ter causado o desmaio? –perguntou Edward, enquanto Bella ainda ponderava sobre o comentário.

O médico olhou para Bella.

-A ciência médica não pode explicar a extraordinária ligação mental partilhada pelos gêmeos. De acordo com o histórico, você sentiu que sua irmã tinha morrido. Se eu fosse gêmeo e tivesse vivido uma experiência assim, não tenho certeza de que a dor e o choque, combinados à alta ansiedade, não me teriam feito desmaiar também. Mas vamos ver o que diz o exame. Vou pedir a Mary que a leve ao centro de exames. Sr. Cullen, é bem vindo para acompanha-la até a sala de espera.

Com um sentimento de inevitabilidade, Bella ouviu Edward aceitar o convite do médico.

Dane-se ele e seu senso de dever.

Tinham acabado de sair do velório. Edward não devia estar tratando de nada, a não ser aliviar a dor.

Que droga, Rosalie. Dane-se por nos deixar nessa situação.

Edward se sentou para esperar e descansou a cabeça contra a parede, exausto. Tinha a impressão de que mal fechara os olhos quando ouviu alguém dizer:

-Sr. Cullen, o médico pediu para que o acordasse. Sua cunhada está aguardando na sala do dr. Harvey.

Sobressaltado, Edward deu uma olhada no relógio. Quase uma hora e meia havia se passado. O resultado dos exames já devia estar pronto.

Surpreso por ter realmente dormido, levantou-se e andou a passos largos através dos corredores, a ansiedade concentrando-se na boca do estômago. Por alguma razão, que ainda tinha de entender, a segurança do bebê e a de Bella passaram a ser tudo para ele. Não podia atribuir seus sentimentos à perda que experimentara. Não fazia sentido.

Ao entrar no consultório, procurou atento por Bella, mas ela se recusou a encará-lo. Sua pele estava mais pálida que antes.

Voltou-se para o médico.

-Qual é o veredicto? –exigiu, sem rodeios.

O dr. Harvey sorriu.

-É exatamente como imaginei. Bella não mostra sinais de tumor.

-Graças a Deus. – Seu alívio era genuíno. Edward sentia que podia respirar novamente. Mas quando percebeu que Bella não estava dizendo nada, procurou seus olhos. – O que foi, Bella? Isso significa que vai poder ter o seu bebê. Vai poder criar seu filho.

-Não é tão simples assim, não é? – respondeu o médico por ela. Voltou-se para Edward. –Não tenho dúvida de que ela vai dar à luz uma criança saudável, desde que tome cuidado consigo mesma. Mas, por causa do estresse, temo que a pressão esteja mais alta que no outro dia. Estou recomendando que, tão logo o enterro se encerre, ela vá direto para a cama e fique lá, sem meio termo.

-Vou cuidar disso – decretou Edward, ignorando o olhar furioso dela.

-Ótimo, espero vê-la daqui a uma semana, Bella. Fale com a recepcionista e marque a consulta. Lembre-se: nada de sal.

Quando Bella não respondeu, Edward interveio:

-Daqui em diante, vou verificar todo o cardápio com a caseira.

Despediram-se, e Edward acompanhou Bella à recepção. Marcada a consulta, escoltou-a para fora. Estava mais frio do que quando chegaram.

-O ar-condicionado vai aquece-la em um ou dois minutos –murmurou ele, dirigindo do estacionamento do hospital até a via principal. Não tinham ido longe quando viu uma mercearia e estacionou. –Vou comprar alguma coisa para comermos. De que gostaria?

-Nada, obrigada. –Ela se mantinha olhando pela janela, quieta e distante como uma estátua.

-Volto já.

Sem perder tempo, Edward apressou-se para a loja, escolheu uvas, maçãs e bananas e colocou num pacote, pegou alguns refrigerantes sem sódio e passou pelo caixa, tudo isso em poucos minutos. Bella não fez nenhum comentário quando ele voltou.

Após terem viajado um trecho, ele comentou:

-Precisa comer alguma coisa. Ordens do médico. Senão vai estar fraca demais para comparecer ao enterro amanhã. –Mencionou o funeral de propósito para espanta-la.

Aliviado, viu-a escolher algumas uvas e começar a come-las.

Alarmado e com raiva daquele silêncio, Edward protestou:

-Bella, não se feche! Foi exatamente o que Rosalie fez, para nós dois, e você sabe como nos magoou. Não cometa o mesmo erro. Fale comigo, droga!

-O que quer que eu diga? – Ela se voltou, olhando-o de forma acusadora. – Que aprecio a maneira como dirige minha vida?

-É o que estou fazendo? –questionou Edward, esforçando-se para manter o controle. –Teria se importado em consultar um médico para verificar a pressão por conta própria?

-Se teria ou não, não é da sua conta. Depois do enterro, vou para Nova York.

-Ah, não vai mesmo! O dr. Harvey ordenou repouso permanente.

-Primeiro, tenho de fechar meu apartamento em Nova York. Depois, vou para Paris.

Paris?

-Acha honestamente que o homem que a engravidou vai se divorciar e se casar com você? –Ele sabia que estava sendo cruel, mas não podia evitar.

-Não. –A voz dela se alterou, tocando o coração de Edward. –Minha decisão não tem nada a ver com ele. Na verdade, penso muito pouco em Mike.

-Então, o que está dizendo?

-Esme me convidou para morar com ela.

Ele fechou o punho no volante.

-Está fora de questão. Ela acaba de largar o marido, e vai ser obrigada a enfrentar Paul Beliveau quando voltar a Paris. A vida dela vai ser conturbada, não importa o que ela decida fazer depois. Não é ambiente para você. Talvez, mais tarde, depois que o bebê nascer e você estiver de volta ao normal, quando as coisas estiverem mais assentadas para ela, de um jeito ou de outro, você possa fazer uma visita. Mas agora, não vai viajar a lugar algum. O médico proibiu viagens aéreas até a sua pressão voltar ao normal.

Ouviu-a respirar fundo.

-Não me importo com o que o médico diga. É a minha vida.

-Não é mais – nocauteou Edward. – Está carregando uma criança que por acaso é minha sobrinha ou sobrinho. Esse bebê era tão importante para Rosalie que ela a mandou para a fazenda, onde sabia que cuidaríamos de você. Está querendo fazer pouco caso dela? É dessa forma que pretende honrar a memória de sua irmã? – Quis matar o ponto, ignorando completamente a crueldade das próprias palavras.

-Como se atreve a dizer isso a mim?

-Me atrevo porque você não está pensando claramente agora. Não sabe o quanto é abençoada por não ter aquele tumor? Vai ter a oportunidade de dar à luz!

-Você quer dizer que vou ter a oportunidade de dar à luz uma criança que sempre quis ter com Rosalie! Por que simplesmente não admite? Não se conforma por eu estar viva, ao invés dela!

Edward ficou em silêncio por um segundo.

-Pode ter sido verdade, quando a dor era muito grande – admitiu ele, com honestidade – mas não é mais esse o caso. O que quer, Bella? Quer fazer disto uma tragédia grega? Não se importa com ninguém além de você mesma?

-Me deixe sair do carro!

-Esqueça. Se está querendo se suicidar, não vou deixa-la levar isso adiante. Temos de enterrar Rosalie amanhã, e então, você vai para a cama e não vai sair de lá.

-Não pode me forçar!

-Não me tente.

-Odeio você. Não consigo imaginar o que Rosalie viu em você.

-Obviamente não o suficiente.

-Bom Deus, Edward. Não quis dizer isso. – Bella sentia-se como que saindo de um transe, num arroubo de desespero e falta de esperança. –Não sei o que está acontecendo comigo, o que estou dizendo.

Ela sabia que tinha sido horrível com ele, mas as palavras pareciam se despejar sem critério. Não tinha o direito de tratá-lo daquela forma. Era um homem que sofrera também. Um homem excepcional, e que estava sendo maravilhoso com ela.

E tudo o que ela fizera em troca fora atirar a raiva contra ele. Limpou as lágrimas e desviou o olhar, humilhada por seu comportamento pouco característico.

-Vamos concordar que nenhum de nós está bem – resmungou ele. –Agora, sugiro que comece a comer e beber, ou encosto na estrada e a forço goela abaixo.

-... e assim, dedicamos o túmulo de nossa querida falecida, Rosalie Swan Cullen, pedindo a bênção de Deus para protege-la dos elementos até o dia glorioso em que todos se erguerão triunfalmente do túmulo e se unirão na glória de Nosso Senhor. Amém.

Um grupo grande se reunira. Tantas pessoas que Bella não conhecia, incluindo o pastor que conduzia os serviços dominicais na Capela dos Pinhos em West Yellowstone e que casara Rosalie e Edward.

Alice Hale, uma amiga chegada de Rosalie e quem Bella gostara de imediato, foi a primeira a jogar uma rosa sobre o caixão azul-claro que Edward escolhera. Azul-claro era a cor favorita de Rosalie.

Um por um, todos fizeram sua homenagem. Depois que Ida e Jesse se despedira, foi a vez de Esme. Então, Bella posicionou sua rosa. Estava tremendo tanto que Edward teve de ampara-la nos últimos passos.

-Remo – sussurrou ela, ainda chocada com a idéia de a irmã estar deitada naquele caixão. –Prometeu que nada iria acontecer a você. Mentiu para mim. Que farei sem você? – De repente, as lágrimas que estivera retendo se manifestaram.

-Bella... –A voz de Edward ressoou em sua alma. Sentiu seu braço ao redor da cintura quando ele começou a conduzi-la para longe do túmulo.

-Não. Ainda não.

-Precisamos encerrar, Bella. Então, vamos voltar – sussurrou ele, implorando.

-Não podemos deixá-la ir para aquele chão frio e escruto. Não posso suportar. Papai sempre a chamava de sua garota brilho do sol.

-Ela está com seus pais agora. O sol está brilhando lá, eu juro. Ela está feliz.

-Como sabe? – Choramingou ela, num tom lamentoso, agarrando-se à lapela do terno.

Quando o encarou, os olhos negros refletiam sua agonia. Foi a última coisa de que se lembrou antes que tudo ficasse negro.

-Oi!

Mike assentiu ao rapaz de camiseta que abrira a porta da gerência.

-Se está aqui por causa da vaga – informou o rapaz -, o único apartamento disponível foi alugado há uma semana.

-Non, non. Estou procurando alguém. Bella Swan.

-Fala daquela ruiva de pernas longas?

Mike limpou a garganta.

-Sim. Ela ainda mora aqui?

-Mora.

-Não consegui falar com ela pelo telefone.

-Ela não está na cidade.

-Sabe como posso entrar em contato com ela?

-É parente?

Ainda que tivesse vontade de mentir, Mike não se atreveu.

Já tinha havido muitas mentiras. Nunca saberia se Lauren já estava a par de seu relacionamento com Bella. Seria típico dela não dizer nada e sofrer em silêncio.

-Non. Ela é uma amiga muito chegada.

-Então, não posso lhe dar essa informação. Mas se quiser deixar uma carta, vou providenciar para que chegue a seu endereço.

Mike balançou a cabeça.

-Está certo. Sabe quando ela deve estar de volta?

-Não. Se ela perguntar, quem a esteve procurando?

-Não importa. Obrigado por sua atenção.

-Disponha.

A porta se fechou no rosto de Mike.

Não fora a Nova York a trabalho; Bella era a única razão para aquela viagem rápida. A censura de George, juntamente com sua própria reprimenda, o mantiveram acordado várias noites, até que a consciência o forçasse a tomar alguma atitude quanto à dor que lhe infligira.

Queria pedir desculpas, se explicar. Implorar seu perdão. Vê-la uma última vez, uma voz interior se manifestou.

E então o quê?

A menos que se divorciasse da esposa, que ainda amava, não tinha direito a nada de Bella, nem mesmo de revê-la.

Não havia solução sem corações partidos, percebeu com tristeza, enquanto se forçava a descer as escadas pensando em tomar um táxi.

Ela provavelmente iria ao apartamento da próxima vez que viesse a Nova York a trabalho. Talvez, então, já teria decidido se seria melhor deixar tudo como estava. No entanto, quando um táxi surgiu no tráfego intenso, a decepção por não vê-la se intensificou tanto que teve que admitir que não estava preparado para tira-la de sua vida.

Toda vez que a porta do quarto de hospital se abria, Bella temia que fosse Edward. Quando Esme entrou, sentiu a tensão se dissipar.

-Mon ange... –lamentou a madrasta, com preocupação maternal. –Ainda está tomando soro? Tinha esperança de que estivesse comendo alguma coisa hoje.

Bella virou a cabeça para a janela para evitar a censura da madrasta.

-Não tenho fome.

-Mas você precisa comer! – Esme parecia escandalizada – está magra demais e o bebê precisa de alimentação. Como posso partir com você assim?

-Partir? –Bella sentiu o coração se acelerar em alarme, e se soergueu na cama do hospital para agarrar a mão de Esme. –Mas só está aqui há duas semanas. Não pode ir!

Esme ergueu a mão e acariciou seu rosto.

-Não quero ir, mas meu visto vence em três dias. Depois que Rosalie morreu, não fosse a ajuda de um funcionário da embaixada que era amigo do seu pai, eu não teria conseguido providenciar tudo para minha vinda em tempo hábil.

Bella não percebera que a viagem de Esme a Montana tivera de ser especialmente providenciada. Aceitara a presença da madrasta como divina: ainda assim, não conseguia acreditar que ela partiria.

-Me deixe voltar com você.

-Não há nada de que gostaria mais, mas no momento precisa ficar na cama e recuperar suas forcas. Esse descanso tem sido bom para você. Eu sei, porque sua pressão vem caindo. Estou satisfeita com isso. Agora, se começasse a comer, voltaria contente. Não percebe o quanto Edward está preocupado?

-Edward não tem nada a ver com minha vida!

Lá estava ela novamente, dizendo coisas sobre Edward que realmente não desejava. Mas parecia não poder se conter.

-Não é como ser rude com qualquer um – lembrou Esme, censurando com gentileza. –Porque insiste em mantê-lo afastado?

Bella foi salva de ter de responder, com a chegada do dr. Meyers, o psiquiatra que a acompanhava. Ele pediu a Esme para que os desculpasse enquanto conversava com a paciente a sós. Bella abominava vê-lo quase tanto quanto a Edward.

-Vou estar lá fora quando acabar, ma chèrie. – Esme se inclinou para beijar o rosto de Bella, e então deixou o quarto.

O dr. Meyers era um homem tão alto que, quando se sentava na cadeira ao lado da cama, Bella tinha a impressão de que ele ainda estava de pé.

-Li uma transcrição da conversa que teve com o dr. Harvey no dia em que veio para os exames, e descobri algo que precisa ser esclarecido.

Ela não tinha escolha senão ouvir.

-Bella, está querendo perder o bebê porque acha que ele vai crescer e ter um tumor como o que vitimou sua irmã?

Ela estava tão espantada com a perspicácia que não pôde dizer nada e simplesmente desviou o olhar.

-Não vai acontecer, Bella. O tipo e a localização do tumor de sua irmã era muito raro, um caso em vários milhões de nascimentos. Seu bebê é produto de você e do pai da criança, não de sua irmã. Além disso, todos os exames que fizemos indicam que está carregando um bebê normal e saudável.

Essas palavras trouxeram tal alívio a Bella que ela não conseguiu reter as lágrimas.

-Vo... você me deixa envergonhada. – Ela quase engasgou ao dizer. – Por favor, não diga nada a ninguém que eu... que eu disse aquilo.

-Não digo. Mas vou fazer um trato: você começa a comer, e esquecemos toda essa conversa.

-Feito.

-Mais uma coisa. Não acha que já é tempo de parar de punir seu cunhado?

A pergunta a espantou de repente, a maneira com que ele deduzia seus pensamentos e ações parecia excepcional. Sabia que dissera coisas horríveis a Edward, e que não podia mais retira-las. Ele não merecia nada daquilo.

As lágrimas rolaram por seu rosto.

-Estou tão envergonhada de mim mesma, dr. Meyers. Não sei por que venho tratando-o tão mal.

-É muito simples. Uma parte sua o culpa por ter roubado Rosalie de você. Você admite que a longa separação de sua irmã a levou a se envolver com Mike. Parece razoável que Edward fosse um obstáculo à intimidade que você e Rosalie possuíram um dia. De forma indireta, você o culpa por sua gravidez problemática, pois isso impediu que estivesse com sua irmã quando o fim chegou.

Bella escondeu o rosto nas mãos.

-Tem razão. Mas há mais coisas ainda. Sinto-me culpada sempre que ele está por perto.

-Porquê você acha que ele a odeia por estar viva ao invés de Rosalie?

-Sim! – gritou ela. –Como sabe? –Um soluço descontrolou seu corpo. –Toda vez que ele faz algo gentil para mim, não posso suportar, porque lá no fundo sei que ele se ressente. Não sabe como ele me olhou, como ele falou comigo na noite em que veio para casa e me encontrou no lugar de Rosalie. Foi horrível.

-Não duvido. –murmurou o médico.

-É por isso que prefiro ficar no hospital. Tenho medo de voltar à fazenda e ser uma... farsante.

-Não a culpo por se sentir assim. O que me contou faz sentido.

Ela ergueu o rosto transtornado.

-Faz?

-Sim. Dadas as circunstâncias, tenho certeza de que em alguma época ele tenha realmente odiado o fato de você estar viva, e a esposa, morta.

-Ele quase chegou a dizer – admitiu ela, desolada.

-E é porque é uma pessoa intuitiva, provavelmente captou esses sentimentos sem que ele expressasse. Sua reação natural foi erguer uma defesa. O que precisa entender é que a raiva dele foi normal e natural, assim como a sua foi. Mas aquelas são emoções transitórias. Não perduram. Deixe-me contar-lhe alguma coisa sobre a dor. Depois do choque, do desespero e da dor vem a raiva. É um passo necessário no processo de cicatrização. Já posso lhe adiantar que está superando a pior fase. Hoje, você fez progresso de verdade: admitiu seus sentimentos para mim. Com o tempo, você e seu cunhado vão aceitar o que aconteceu e continuar suas vidas.

-Edward contou-lhe isso?

-Não. Ele não precisava.

-Doutor, como posso me redimir com ele?

-Se conversar com ele, assim como está conversando comigo agora, ajudaria em sua recuperação. O homem esteve no inferno. Perdeu a esposa, uma mulher de quem esteve separado por quase um ano sem saber por quê. Você é toda sua família agora, a única pessoa que entende o que ele está passando e que pode lhe dar o tipo de conforto de que necessita. Ao invés disso, nas duas últimas semanas se recusou a vê-lo ou mesmo a conversar com ele pelo telefone. Seu amor por sua irmã é tão estanque que se esqueceu de que outras pessoas estão feridas também. Ele não tem a quem recorrer para superar isso tudo. Naturalmente, vai superar tudo, no devido tempo. Mas você poderia acelerar o processo.

Bella mal conseguia engolir em seco, sentindo um nó na garganta.

-Estou me sentindo um monstro.

-Não um monstro, mas um ser humano que partilhou um relacionamento único com sua gêmea. Não sei como é isso, mas estudos de casos provaram que as ligações são mais profundas do que com outros irmãos. Conversei com sua madrasta. Aparentemente, ela tentou ajudar você e sua irmã a aprender a levar vidas separadas e encontrar a própria individualidade. Você deu um passo nessa direção, e o bebê que está esperando vai mudar sua maneira de ver as coisas mais uma vez. A pergunta é: você quer mesmo essa criança para fazer tudo o que puder para salvaguardar seu bem-estar? – Ele se levantou da cadeira. – Pense nisso, e me dê uma resposta amanhã.

Bom genteee

Mais um cap pra vcs

Postei agora pq to muiiito feliz, assisti eclipse hoje CARAMBA, muito bom. Não vou dar Spoiler. Só digo uma coisa a vontade de ler 'A breve segunda vida de Bree Tanner' aumentou .Ah e eu comprei o combo da promoção do Bugger King e valeu cada centavo.

Comentem me falando o que acharam do cap e do filme é claro!

Obrigado aos cometários e ate a próxima

Comentem por favor

ps ACHO que já estou de férias (torçam por mim) pro cap sair todos os dias só depende vcs