Nota inicial: Esse capítulo é continuação do sexto capitulo "Memórias" em outras palavras tem a continuação da conversa Milo x Kamus.

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Era dourada

Capitulo 8 – Entendimento.

O manto azul-escuro cobria o céu, sendo maculado por inúmeros pontos brilhantes num prateado estonteante e um semicírculo alvo e luminoso indicava a fase crescente da lua. Não havia nuvens e uma delicada e fria brisa soprava, sendo o seu quase inaudível som, o único a reverberar na atmosfera.

Os vários minutos taciturnos estavam incomodando profundamente a jovem mente do ruivo. Por mais que tentasse não demonstrar, sua ansiedade era explícita em seu escarlate olhar, que guiava para a abóbada celeste ou a imensidão verde-enegrecida da floresta diante de si, mas no fim sempre retornava, apreensivo, para belo elfo loiro que permanecia olhando para algum ponto no horizonte.

"Milo...". A firme voz de Kamus quebrou o silêncio, soando muito mais doce do que poderia esperar.

O general do reino de Athlantis notou um respirar mais profundo no outro, porém a esperada resposta não veio. Por instinto ergueu a mão direita sentindo o coração batendo forte, acelerando lentamente seu ritmo e então tocou a face esquerda de seu amado. Os belos e cintilantes olhos azuis fecharam-se consentindo a carícia.

Delicadamente os frios dedos do humano deslizaram por sobre a pele clara que havia sido corada pelos raios do sol, retirando os fios louros que ocultavam a plena visão do perfil encantador, prendendo-os atrás da pontiaguda orelha até que apenas poucos fios estavam livres e novamente acariciou a face bonita, colocando a palma sobre ela para melhor senti-la.

Kamus estremeceu quando a mão esquerda de Milo cobriu a sua e ele inclinou a cabeça para o lado aconchegando-se ao contato, suspirando levemente, parecendo resignado. E então novamente o ruivo surpreendeu-se ao ter aquela mão envolta pelos dedos do outro que não o fitou e então beijou a palma suavemente, virando-a em seguida para repetir a mesma carícia na parte de cima.

Uma avalanche de emoções tomou o peito do general, percebia que seu coração batia em ritmo totalmente descompassado, difundindo pelo corpo esguio um calor intenso que o dominava mais e mais. O que somente veio a crescer ainda mais quando o elfo começou a beijar-lhe o pulso e logo veio uma leve mordida.

"Milo...". Sussurrou sem conseguir conter o tom rouco de desejo, mordendo levemente o lábio inferior.

Então a carícia findou e Milo ergueu seus olhos azuis vibrantes fitando o parceiro a quem não mais conseguia negar que amava, vislumbrando a face alva que havia corado levemente devido aos pequenos toques e a paixão, que sabia, queimava no interior daquele jovem.

Mais uma vez o abalo tomou conta do ruivo. A força daquele olhar superava a tudo o que já havia visto, um misto de paixão violeta e o mais terno sentimento brilhavam naqueles orbes que lhe dirigiam tais emoções, arrebatando sua alma e seu coração e, quando menos esperava, sentiu-se sendo puxando de encontro ao outro e logo notou os dedos longos da mão livre do elfo entrelaçando-se em suas madeixas, na nuca... E os lábios se chocaram um contra o outro no instante seguinte.

A entrega foi completa e imediata para ambos os jovens. Kamus deixou-se ser envolto pelos braços fortes e carinhosos, no pescoço e na cintura, enquanto envolvia o corpo ligeiramente maior do mesmo modo, logo se sentindo ser conduzido, em sutis movimentos, para onde não era capaz de determinar.

Uma arrebatadora e avassaladora sensação invadia ambos os seres, consumindo, pouco-a-pouco, toda a consciência que lhes atormentavam, fazendo-os mergulhar um no outro sem temor em um abraço enamorado. Juntos os corações rufavam como tambores que soam a léguas de distância, deixando sua grave batida reverberar nas mentes de quem quer que possa ouvi-las.

Unidos, os lábios se moviam, assim como as línguas que buscavam o interior mútuo em movimentos serpentiformes na mais impudica das paixões. O bailar era intenso, no entanto, aos poucos, foi se acalmando e se transformando em algo mais contido e cálido, transmitindo uma emoção completamente diferente do fogo que antes flamejava até que finalmente o beijou cessou.

Por ínfimo instante Kamus temeu abrir os olhos e ver que estava imerso em uma ilusão, porém sentia o calor do corpo do elfo que ainda lhe abraçava, também notava facilmente o suave perfume que ele exalava e então tomou coragem entreabrindo os orbes escarlates, somente então se notando parcialmente deitado sobre o corpo maior, e naquele momento deparou-se com o mais brilhante e puro azul que jamais sonhou que pudesse realmente existir.

"Aahh... Kamus, como você é lindo!". Milo afirmou em tom suave, abandonando a cintura do ruivo para acariciar-lhe a face, mantendo a outra mão firme em meios as madeixas bonitas.

Sorriu sutilmente com o elogio.

"Como esperei por isso!". Murmurou docemente o general, estranhando o próprio tom de voz que em outros momentos soava firme e imponente.

"Então você me aceita?". O elfo indagou em meio a um sorriso cálido.

Kamus se conteve bravamente para não liberar uma gargalhada. Depois de tudo aquela pergunta soava como uma boa piada. Suspirou calidamente, olhando dentro daqueles orbes azuis, mergulhando por alguns instantes dentro daquele céu, mas logo voltando a realidade, afinal, Milo esperava uma resposta.

"Eu te amo, elfo! Jamais o negaria, pois te espero há um longo, longo tempo...". Respondeu sem conseguir conter o tom divertido da voz que, aos poucos, se abrandou.

"Você fala como se vivesse a eras...". Observou curioso, o loiro.

"Olhando para trás, minha existência parece um enorme e negro vazio, pois somente agora encontrei minha luz!". Kamus falou erguendo um pouco o tronco até que pôde tocar os lábios do amado em uma carícia superficial que durou apenas alguns segundos.

"Então seremos um do outro...". O elfo disse, encarando aquele profundo mar vermelho muito próximo a si.

"... Pela eternidade!". Completou o general vencendo completamente a curta distância que os separava, fazendo nascer novo beijo, profundo e apaixonado.

Os corpos se uniram com força enquanto as línguas buscavam uma a outra como velhas conhecidas que há muito não se encontravam, fazendo a pulsante e quente sensação tornar a invadi-los, suprimento as demais. Era a paixão que se libertava dos grilhões que lhe aprisionavam e agora rugia feito fera insana em busca de saciar-se.

Em movimentos, agora menos sutis, Milo se moveu. Primeiro as pernas foram dobradas e se ajoelhou segurando o corpo do ruivo que, para sua força élfica, parecia tão leve quanto uma criança, para depois fazê-lo se deitar por sobre o solo, direto sobre a pedra que o tempo encarregou-se de tornar quase completamente lisa. Naquele momento interrompeu o beijo e encarou, fascinado, a beleza exótica daquele jovem, reparando em cada ínfimo detalhe, dando especial atenção aos lábios entreabertos e rosados e passou o polegar esquerdo sobre eles.

"Eu te amo, Kamus... Como jamais imaginei ser capaz de amar!". Afirmou carinhosamente fitando o escarlate olhar.

"Então me ame completamente...". Kamus disse em tom sensual para logo em seguida sentir a face queimar devido ao teor de sua frase.

Um sorriso safado se desenhou na face do elfo.

Kamus, ao ver aquele sorriso nos lábios sensuais, sentiu sua face aquecer-se mais.

"Com todo prazer...". Murmurou em tom malicioso, deliciando-se com a visão do poderoso general corado.

Os olhos escarlates estavam vidrados na mais perfeita figura que já havia visto, cada simples movimento de Milo era um encanto para seus olhos, não conseguia deixar de fitá-lo ao mesmo tempo sentia um desejo arder dentro de si e o mesmo sentimento brilhava nas safiras expressivas de seu amado que, languidamente, sentou-se sobre seu abdômen.

Uma suave brisa soprou brincando com os cachos loiros do elfo, os orbes azuis pareciam ter o brilho das estrelas e a face demonstrava a mais pura luxúria enquanto esquadrinhava, com o olhar, o belo rosto de seu humano. Os dedos longos e frios de Milo tocaram suavemente a pele macia, sentindo sob seu tato todos os aspectos da fisionomia do amado, acariciando os lábios delicados e as maçãs coradas e, aos poucos, foi se inclinando para frente fazendo suas suntuosas madeixas caírem por sobre os ombros em formosa cascata, que logo atingiu o outro e então parou a cinco centímetros de tocar aqueles lábios, fitando o vermelho olhar.

"Você será a minha perdição... Mas valerá a pena...". Murmurou em tom sóbrio, apaixonado e sincero, para em seguida unir os lábios com paixão.

Kamus sentiu uma forte pontada de dor em seu coração, uma agonia que nunca havia experimentado tomou conta de si, não conseguiu fechar os olhos, devido ao choque, enquanto aquela língua serpenteava dentro de si.

"Eu não permitirei... Jamais permitirei que morra, Milo...". Pensou, fechando os olhos, deixando rolar uma lágrima em cada um deles e então envolveu o pescoço do amado entrelaçando os dedos nos fios sedosos, fazendo uma boa parte recuar e começou a corresponder com paixão à carícia oferecida.

O elfo deixou as mãos escorregarem pelo peito do parceiro, acariciando sobre o tecido áspero da camisa marrom-claro indo até a cintura esguia do humano e puxando lentamente o pano para deixar a cútis a mercê de seu contato.

Kamus arfou ao sentir aqueles dedos frios deslizando sobre seu abdômen, em resposta, apertou a nuca do amado aprofundando o beijo, sorvendo o elixir daqueles lábios com paixão e, logo as mãos do outro já estavam em seu peito tendo levado consigo o tecido que o cobria. Rapidamente os lábios se separaram, o ruivo ergueu o tronco e depois os braços para que o loiro retirasse completamente a única veste que cobria seu tórax.

Ainda sentado sobre as pernas do outro, Milo o fitou, o corpo de seu general era lindo, esguio, completamente alvo sem nem sequer uma cicatriz para maculá-lo, os mamilos pareciam duas pequenas flores rosadas e delicadas, e tênues linhas delineavam alguns músculos, simplesmente perfeito!

"Realmente... Você é lindo!". O loiro afirmou tocando delicadamente na maçã esquerda da face do outro, deixando os dedos deslizarem para a nuca, entrelaçando-se aos fios rubros, encontrando a pequena fita de couro que os mantinha presos e a puxou para baixo, e depois para a esquerda fazendo os longos fios caírem em formosa cascata escarlate, em maior parte sobre o ombro do humano.

Nos lábios do general um delicado sorriso de contentamento se desenhou ao ouvir as palavras de seu elfo e nada fez quando esse lhe libertou as madeixas, assim que as sentiu cair sobre sua pele guiou as mãos à cintura do loiro, segurando o tecido branco que lhe cobria o tórax e os braços.

"Quero te ver...". Sibilou em tom levemente sensual.

O loiro sorriu de maneira safada e aproximou os rostos até quase se tocarem.

"...!". Kamus entreabriu os lábios, não desviando seus olhos dos dele.

"Então tira...". Sussurrou rouca e sensualmente para em seguida mordiscar o lábio inferior do ruivo.

Nada respondeu, o ruivo, mas sentiu algo dentro de si acelerar com o gesto do outro. Kamus, sutilmente, começou a puxar o tecido que estava preso dentro da calça preta, quando finalmente a retirou de lá iniciou uma lenta subida deixando seus dedos longos tocarem a pele do outro, sentindo vários músculos proeminentes até que finalmente retirou completamente aquela peça.

Foi à vez do ruivo se perder nos detalhes do corpo sobre o seu. Milo era bem mais moreno do que ele próprio, mesmo sendo um elfo, normalmente seres bem alvos, o torso era esguio, no entanto, completamente delineado por músculos, não muito desenvolvidos, o que transmitia um ar másculo sem perder a delicadeza, os mamilos era também trigueiros, tão belos e sedutores quanto todo o resto daquele ser.

O general então tocou, com ambas as mãos, o abdômen diante de si iniciando uma lânguida subida sentindo cada detalhe sob seus dedos, finalmente chegando ao peito forte, deixando uma mão fluir para cada ombro largo e depois para o dorso levando consigo os fios loiros.

"Não tenha medo elfo... Eu te protegerei.". Kamus disse aproximando lentamente as faces.

Um turbilhão de dúvidas invadiu a mente do loiro. Qual era o motivo daquelas palavras? Será possível que o outro soubesse daquela maldita profecia? Desejou perguntar, porém não houve tempo, os lábios se tocaram novamente e logo aquela língua tímida veio lhe invadir, difundindo uma sensação acalentadora que, ao poucos, foi minando toda a sua confusão, instigando a total entrega ao momento.

Os corpos se tocaram com desejo crescente, lentamente todo o vestígio de racionalidade foi desaparecendo em meio às caricias. Tudo o que havia ao redor desapareceu e tinham consciência apenas um do outro, envoltos na aura cálida e quente da paixão que os consumia.

Não tardou e todo o tecido que os cobria foi retirado. E ali mesmo, sob o testemunho das estrelas e da lua os corpos se amaram pela primeira vez de modo intenso e concupiscente até que, unidos, chegaram ao êxtase supremo.

Finalmente Kamus sentiu uma brisa tocando seu corpo nu. Estava abraçado ao a seu elfo que ainda estava em seu interior, deitado sobre seu peito que se movia lentamente, somente então é que notou as costas doendo devido a algumas escoriações que surgiram durante o friccionar de seu torso na pedra.

"E eu não percebi na hora...". Pensou sorrindo internamente fitando o céu escuro.

Milo abriu seus olhos azuis, vendo o peito delicado abaixo de si, havia belas marcas vermelhas e arredondas, principalmente perto dos mamilos. Afastou-se, erguendo o tronco, vendo os mesmo sinais no pescoço de seu humano. Saiu de dentro dele, sentiu um incomodo frio, e deixou-se cair ao lado do general. Apoiando o cotovelo direito sobre a pedra e a cabeça na mão direita levando a esquerda para tocar uma marca no abdômen branquinho.

"Hum... Creio que você pegou uma doença de pele...". Comentou em tom divertido.

Kamus não conseguiu conter uma pequena risada.

"E você é a causa!". Falou apoiando-se ao cotovelo esquerdo virando de lado ficando de frente para o amado.

Uma brisa mais forte e fria soprou brincando com as madeixas ruivas e as loiras enquanto os azuis e os escarlates se fitavam de maneira intensa. No silêncio havia um entendimento que não poderia jamais ser traduzido em palavras, um juramento mudo de que aquele amor jamais seria efêmero.

"Melhor nos vestirmos, você pode pegar um resfriado.". Milo disse em tom levemente preocupado.

"Isso não te preocupou na hora de tira minha roupa...". Respondeu com uma pitada de sarcasmo.

"Humm... Verdade, mas a temperatura estava mais elevada!". O elfo falou em tom falsamente ofendido.

O ruivo apenas ruiu em resposta, não havia como negar aquele fato...

"Além do quê, temos que voltar para o acampamento.". Já se sentava enquanto falava, o loiro.

"Acampamento? Por quê não ficamos aqui?". Indagou o humano desejando ficar o máximo de tempo possível sozinho com o amado.

Milo fitou os belos rubis que pareciam brilhar de uma maneira mais límpida e suspirou levemente.

"Tudo bem...". Concordou.

Os amantes se ergueram em busca das roupas que logo foram vestidas novamente e foram em busca de um lugar menos exposto onde poderiam passar a noite e encontraram um conjunto rochoso que formava uma pequena caverna, em formato de concha e lá se aninharam...

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O sol raiara há pouco, o céu ainda possuía o tom opaco da alvorada que aos poucos se desfazia. A brisa matinal era sutil e a temperatura amena. Alguns pássaros gorjeavam em bonita sinfonia e outros revoavam pitando o céu com seus contornos indistintos no horizonte.

"Onde Milo está?". Aiolos perguntou para seu irmão mais jovem.

"Não sei, não o vejo desde o anoitecer.". Respondeu o guerreiro.

"Temos que partir logo...". Foi Shura que falou.

"Então vamos procurá-lo". Aldebaran tomou a palavra.

"Eu vou por aqui...". Saga disse rapidamente, já dando o primeiro passo para onde sabia estar o amigo.

"Não... Deixa que eu vou!". O alto elfo se surpreendeu ao identificar a voz do companheiro.

"Carlo...?". Disse voltando-se para trás, vendo o companheiro com uma expressão nada amigável na face.

Saga pretendia argumentar, porém não houve tempo suficiente, Carlo passou a seu lado em rápidos movimentos e se embreou na mata.

"Não seria melhor eu ir atrás?". Afrodite indagou receoso, olhando para onde o amado havia ido e se aproximando do companheiro.

"Não, vamos esperar...". Respondeu em tom baixo.

Shiryu e Ikki se entreolharam com dúvidas nos olhares, não estavam compreendendo nada do que acontecia ali, porém resignaram-se a ficar em silêncio, ajudando a arrumar tudo novamente nas celas dos cavalos...

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O elfo chamado de Máscara Da Morte caminhava rapidamente por entre as árvores, não havia obstáculo que o fizesse diminuir a velocidade, saltou sobre o tronco de um cedro-rosa que havia caído e, em pouco tempo, alcançou uma clareira que terminava em um penhasco rochoso. Caminhou até a beirada se deparando com uma bonita visão da extensa floresta.

"Ele esteve aqui... Posso sentir...". Pensou fechando os olhos e se concentrando.

Havia uma energia diferente no ar, tudo naquela região parecia mais tranqüilo do que o habitual, a energia vinda dos seres, animais e vegetais, que ali habitavam era repleta de uma aura terna de paz e amor... Era como se a vida houvesse surgido e se elevado recentemente.

Concentrando-se um pouco mais o jovem elfo de madeixas curtas que bailavam levemente no ar, pôde sentir cada ser ali presente, desde um simples musgo incrustado na pedra passando por pequenas formigas e pássaros que buscam alimento até alcançar duas consciências bem mais desenvolvidas das quais emanava a energia que sentira.

"Encontrei...". Murmurou se virando para a direita indo em direção a algumas rochas há uns duzentos metros de distância.

Com a velocidade élfica, rapidamente venceu o curto caminho, circulou parte do rochedo até que pôde ver quem procurava. Fechou levemente os olhos sentindo uma fúria absurda subir-lhe as faces.

Diante de si estavam Milo e Kamus. O loiro sentado recostado à pedra com o humano entre suas pernas, sendo que este estava com a cabeça apoiada no peito do elfo e, apesar da lã que os cobria, podia perceber que o amigo estava abraçado ao general.

"Acorda!". Disse de modo ríspido, chutando, sem por força, a lateral do pé de Milo.

Lentamente os olhos azuis foram se abrindo, estava tão bom ali que era impossível não relutar contra o despertar, porém sentiu, novamente, a leve agressão em seu pé esquerdo e finalmente distinguiu a voz a lhe chamar.

"Carlo...". Murmurou sonolento erguendo o olhar, semicerrado, para vislumbrar o elfo que estava parado em pé diante de si.

Em meio ao agradável sono, Kamus achou ter ouvido alguém dizer algo e também teve a impressão de ter sentido a perna sendo movida levemente o que veio a se repetir poucos instantes depois, somente então notou não se tratar de um sono, pois o amado remexia-se levemente. Usou toda sua força de vontade para erguer as pálpebras e pôde ouvir um nome sendo pronunciado por seu elfo.

"...!". O general engoliu seco ao olhar para cima e se deparar com um elfo nada feliz que parecia querer lhe matar apenas com os olhos.

"Temos que partir.". Disse irritado, Máscara da Morte.

"Humm... Tudo bem...". Foi Milo que respondeu ainda sonolento.

O ruivo apressou-se a se erguer espantando rapidamente toda à vontade de permanecer naquele local junto ao amado. Estendeu a mão direita a Milo que a pegou usando como apoio para se levantar já se desfazendo de seu sono.

Um rosnado ininteligível deixou os lábios de Carlo, era insuportável ficar olhando para aqueles dois! Como Milo poderia se aproximar assim de um simples humano? E o pior... Como aquele maldito general tinha coragem mesmo depois ter contado tudo? Realmente revoltante a situação! Deu as costas a dupla e começou a caminhar pisando duro.

Milo olhou interrogativamente para o irritado amigo, depois guiou os orbes para seu ruivo reparando que ele também fitava Carlo de um modo triste e sem-graça e quando Kamus olhou para o loiro este lhe pareceu ainda mais incomodado e então uma luz brilhou na mente élfica! Era óbvio! Máscara da Morte havia contado tudo para Kamus, sem dúvidas, com a maior delicadeza do mundo!

"Com licença...". O loiro falou educadamente se afastando do humano que permaneceu em silêncio.

Carlo caminhava rapidamente, mas a passos humanos, nada mais. Era frustrante querer proteger alguém e ser absolutamente incapaz! Desde que havia tomado consciência de si mesmo apenas teve os companheiros dourados como referência familiar e os mais próximos dele sempre foram Aiolia, Shura, Milo e, claro, Afrodite. Realmente pareciam irmãos desde a infância e doía profundamente a perspectiva de que poderia perder um deles, porém teve seu raciocínio interrompido quando sentiu uma forte mão em seu ombro esquerdo que o obrigou a parar e a se virar para trás e o que veio depois fez seus músculos paralisarem...

"Milo...". Disse surpreso sentindo os braços do amigo envolvendo-o ternamente, um sobre o ombro e outro na cintura, unindo os corpos com carinho.

"Obrigado!". Milo sussurrou ao ouvido do companheiro que relaxou depois de sua fala e retribuiu, meio sem jeito, ao abraço.

"Apenas desejo que você seja feliz...". Máscara da Morte falou em tom audível apenas ao companheiro.

"Eu sou feliz! Por ter vocês, irmãos, e agora por ter meu amado.". Respondeu sinceramente.

"Hei! Não estou gostando nem um pouco desse agarramento!!!!". Uma delicada e familiar voz soou para a surpresa dos amigos que se separaram e guiaram seus olhares para sua direção, mais precisamente atrás de Carlo, obviamente era Afrodite.

Kamus observou tudo de longe, havia visto o belo elfo se aproximando e não conseguiu conter o sorriso quando ele disse aquilo, portando uma expressão ciumenta na face.

"Ops... Desculpe-me, Afrodite, mas fique tranqüilo, não existe ser na Terra-Média que troque você por outro!". Brincou Milo desfazendo completamente o contato e notando Kamus chegar a seu lado.

"Acho bom mesmo...". Falou o elfo que se aproximou de seu amado Carlo e o abraçou, apenas com o braço esquerdo, na cintura, mantendo a expressão séria, mas sem conseguir conter os traços do riso que indicava a brincadeira.

"Agora ele é ciumento...". Máscara da Morte comentou irônico passando o braço sobre o ombro do namorado.

"É melhor irmos.". Kamus abandonou o silêncio, pois podia imaginar que o restante do grupo os aguardava.

Afrodite e Carlo concordaram com acenos afirmativo com a cabeça e deram as costas aos outros dois, começando a caminhar.

"Então vamos!". Milo falou com um sorriso maroto na face e pegou a mão do general, entrelaçando os dedos e foram atrás da outra dupla.

Em poucos minutos o grupo se uniu ao outro. Alguns olhares foram trocados, porém não houve comentários sobre a situação. Dentre todos os mais confusos eram os jovens humanos, Ikki e Shiryu, ver seu general chegando de mão dadas com o elfo foi algo realmente inusitado e mal podiam crer no que seus olhares lhe mostravam: Kamus estava namorando?

A comitiva retomou a caminhada. Por toda a manhã seguiram rumo a oeste em meio à floresta de árvores bem espaçadas entre si. Pararam para se alimentar e depois seguiram viagem, pouco tempo depois, no horizonte, uma tênue linha azul se desenhou cobrindo tudo de um lado ao outro.

"O quê é aquilo?". Shiryu perguntou a Mu que seguia a seu lado.

"É o lago de Afnin.". Informou o elfo.

"Teremos que contorná-lo?". Indagou o rapaz de madeixas negras, imaginando que levariam dias para realizar aquela tarefa.

"Não. Pediremos passagem de outro modo.". Respondeu com um sorriso delicado nos lábios.

O moreno sentiu ímpetos de fazer mais perguntas, mas achou melhor ficar em silêncio. O que perdurou pelas duas horas que se seguiram enquanto os cavalos iam calmamente e a floresta se abria cada vez mais, tornando a vegetação escassa até que não passassem de grama verde em pequenos arbustos.

"Por Poseidon...". Ikki murmurou fazendo seu cavalo parar a menos de cinco metros da margem do lago.

Por mais que já houvesse visto de longe, ainda carregava a ilusão de que aquele local não era algo tão grande, talvez fosse uma miragem ou algo do tipo, porém agora percebia que o lago era ENORME, não se podia ver nenhuma das margens além da que estava diante de si, tanto para a direita, quanto para a esquerda e a frente apenas água se via!

"Será que podemos repassar os planos de transpor isso aí...". Falou em tom sarcástico olhando para Shaka.

"Você logo verá.". Respondeu o loiro com um sorriso na face.

Todos os cavaleiros desmontaram e se agruparam em um círculo mais ou menos formado.

"Qual de nós vai?". Indagou Dohko em tom sério.

Uma pergunta brilhou nos olhos do trio athlantiano, porém permaneceram em silêncio.

"Eu posso ir.". Ofereceu-se Afrodite.

"Não...". Todos os olhares se voltaram para Shaka.

"... Creio que sou o mais indicado.". Sentenciou de modo firme.

"Está resolvido.". Kanon abandonou o silêncio e o grupo começou a se dispersar.

"Mais indicado para quê?". O humano de azuis madeixas indagou.

"Paciência é uma virtude...". O elfo respondeu calmo.

"... Que eu não tenho!". Pensou o rapaz, porém nada disse.

Os olhos azuis do guerreiro humano estavam fixos na esguia figura que se movia languidamente em direção ao lago. Viu Shiryu parado próximo a Kamus e ambos também observavam, aproximou-se deles e reparou que, cada um em um canto, os elfos também olhavam parecendo apreensivos. Ikki engoliu seco, não estava com uma boa sensação...

O lago mais parecia um espelho, refletindo perfeitamente o azul do céu com suas poucas nuvens em sua superfície sem movimento. Finalmente Shaka chegou a margem quase tocando a água com a ponta dos pés e lá se sentou cruzando as pernas com as mãos abertas diante do peito, uma palma voltada para a outra, unidas, fechou os olhos e começou a se concentrar.

Ikki arregalou levemente os olhos azuis quando percebeu uma energia brilhar vinda do loiro que estava de costas para si. Sua surpresa só fez aumentar quando uma aura dourada envolveu aquele ser fazendo alguns fios das longas e lisas madeixas loiras moverem-se serpenteando no ar e então sentiu o mundo girando quando o outro começou a flutuar!!!!

"Estou mesmo vendo aquilo?". Perguntou a Shiryu em tom incrédulo sem conseguir desviar o olhar.

"Se for alucinação também a estou sofrendo...". Disse o moreno também sem ser capaz de acreditar.

Shaka não precisou de muito esforço para chegar aquele ponto, afinal sempre fora disciplinado e facilmente se concentrava. Expandiu sua mente em direção ao lago, porém foi inevitável não tocar a dos que estavam atrás de si e pôde sentir toda a surpresa de seu amado humano. Desviou-se rapidamente daquele ser e voltou a atenção para o lago e então sentiu uma esmagadora presença.

"Az Ragni.". O pensamento reverberou na mente do elfo ao mesmo tempo em sentia a apreensão dos amigos.

"Quem me chama?". Uma estrondosa voz andrógena soou na mente do loiro

"Chamo-me Shaka, elfo da Casa de Virgus, venho de Rhovanion". Respondeu mantendo-se firme.

Ikki estava impaciente, nada se movia, som algum existia. O que poderia estar acontecendo? Não sabia responder! No entanto, devido ao que veio, desejou que as coisas tivessem continuado calmas... Uma enorme massa de água se ergueu formando uma figura feminina de longos cabelos que caiam pelo torso integrando-se novamente ao lago, não havia distinção de pernas, era como um longo vestido que seguia o mesmo caminho das madeixas d'água, o ser era completamente azul e o líquido fluía por seu corpo.

"Shaka...". Murmurou preocupado dando o primeiro passo em direção ao loiro quando aquele ser estendeu os braços ao redor de seu amado, porém sentiu uma mão forte lhe segurando o ombro esquerdo.

"Fique aqui.". Era Aldebaran, o grande elfo perdera a expressão simpática e estava muito sério.

"Mas...". Tentou argumentar, olhando aflito para o loiro e depois voltando o olhar para o elfo atrás de si.

"Confie nele.". Pediu o elfo de mais de dois metros de altura, pele trigueira, de longos cabelos castanho-escuro, com mechas mais claras, que estavam presos em um rabo-de-cavalo baixo e possuidor de olhos azul-petróleo-escuro que facilmente se confundiam com o preto.

Ikki apenas suspirou e voltou a olhar para frente ainda temendo o que pudesse vir a acontecer.

"O que deseja... Elfo.". Indagou Az Ragni diretamente na mente do elfo que lhe invocara.

"Humildemente lhe peço que nos dê passagem.". Disse, mentalmente, a aquele ser e então abriu sua mente permitindo que suas lembranças viessem à tona mostrando qual o motivo de sua jornada.

"Nada tenho haver com suas batalhas.". Proferiu imponente.

"Todo ser vivente da Terra-Média sofrerá as conseqüências caso Hades vença.". Argumentou Shaka.

"...!". Az Ragni nada disse.

"Inclusive as Matas e Águas...". Completou o loiro diante do silêncio.

"Pois bem, que assim seja... Sé onr sverdar sitja hvass!". Desejou a entidade abrandando sua presença e desfazendo a estátua de água.

"Obrigado!". Shaka murmurou permitindo-se relaxar sentindo o solo sobre si.

No instante seguinte o loiro se ergueu e voltou-se para os companheiros que lhe encaravam já aliviados, afinal era óbvia que a resposta fôra positiva, caso contrário o elfo teria sido tragado para as profundezas do lago, porém Ikki nada sabia e saiu em disparada em direção a seu elfo.

"Está tudo bem?". Perguntou ofegante parando diante dele.

"Sim. Te deixei preocupado?". Falou o loiro portando um sorriso de contentamento.

"Não! De modo algum!". Trovejou irritado virando o rosto.

O elfo nada disse, apenas sorriu.

"Eu nunca imaginei que ele fosse gostar de alguém além de Esmeralda e Shun.". Shiryu comentou com Kamus observando a cena de longe.

"Nem eu...". Respondeu o ruivo.

"Kamus?". Uma familiar voz chamou a atenção do humano que se virou para o lado, deparando-se com seu amado elfo.

"Vem comigo...". Milo chamou estendendo a mão direita que logo foi segura pelo ruivo e ambos saíram do local.

"Tá, eu também nunca imaginei ver isso...". Shiryu pensou virando-se para o lado a procura de outro elfo.

Facilmente encontrou o jovem de longas madeixas lavanda que pendiam presas em um rabo-de-cavalo baixo e frouxo. A esguia e alta figura estava de perfil para si, retirando algumas coisas de cima do ocigam no qual cavalgara. Rapidamente chegou até ele.

"Mu...". Chamou parando ao lado dele.

"Sim.". O elfo parou o que fazia dando atenção ao moreno.

"Qual o motivo daquilo?". Indagou referindo ao que Shaka fizera.

"Ele estava pedindo permissão para passarmos". Respondeu em tom normal.

"Suponho que tenha conseguido...". Falou o humano recebendo um acesso positivo do outro.

"Então como passaremos?". Perguntou temendo a resposta, já que não havia barco algum no local.

"Caminharemos sobre a água.". Informou o elfo como se fosse a coisa mais normal do mundo.

De cima a baixo o humano estremeceu! Aquilo era uma insanidade. Andar sobre a água?! Impossível! Sentiu as pernas bambearem, alguém tinha que acordá-lo daquele sonho maluco.

"Fica calmo...". Mu disse colocando a mão direita na face do outro, acariciando ternamente.

Shiryu fitou profundamente aqueles olhos esmeraldas, tão belos e intensos, mergulhando naquela imensidão, sentindo o peito ser tomado por um sereno sentimento.

"Basta que acredite e conseguirá". Murmurou o elfo aproximando, lentamente, os rostos.

Toda dúvida que consumia a mente do jovem se dissipava diante daquela presença marcante, agora todos os seus sentidos voltavam-se apenas para aquele ser diante de seus olhos que foram se fechando e sentiu o toque dos macios lábios contra os seus. As línguas buscaram uma a outra, delicadamente, enquanto os corpos se uniam em enamorado abraço.

A carícia era calma, cheia de amor, no entanto, um desejo libidinoso era expresso pelo elfo que apertava o corpo mais esguio e menor com paixão contida, como se estivesse preste a arrancar todo o tecido que cobria o humano, libertar as negras madeixas e possui-lo ali mesmo.

"ISSO É LOUCURA!!!!!" Um grito ecoou fazendo os amantes pararem o que faziam procurando, curiosos, a origem do som, embora Shiryu conhecesse bem aquela voz.

"O Shaka contou para ele?". Mu indagou vendo o outro rapaz humano com uma expressão de ira na face há alguns metros de distância.

"Com toda certeza!". Afirmou em tom divertido o moreno.

O elfo balançou negativamente a cabeça, era difícil crer que Shaka, sempre contido, havia se envolvido com aquele furacão de emoções. Estão afastou os corpos ainda fitando o moreno.

"Teremos que deixar os cavalos. Pegue tudo que for necessário, deixaremos o resto aqui.". Comunicou o jovem de madeixas lavanda.

"Tudo bem.". Respondeu Shiryu já indo em direção a seu cavalo que pastava na curta grama.

Os preparativos pouco demoraram. As celas dos cavalos foram retiras e os animais libertos para que voltassem para casa sozinhos, há seu tempo. Suprimentos e armas foram colocados nas cinturas ou nas costas e muita coisa foi deixada para trás já que não poderiam carregar. Logo o grupo estava pronto e se reuniram na margem do lago, onde outrora Shaka havia se sentado.

"Eu vou primeiro.". Dohko disse ficando de frente para o líquido.

Algo peculiar aconteceu naquele momento, a superfície ganhou uma aparência cristalizada numa largura de pouco mais de um metro e da espessura, aparentemente, de uma folha de árvore.

"Isso é piada...". Ikki murmurou vendo o elfo de madeixas marrons e firmes olhos verdes pisar naquela superfície começando a caminhar. Em seguida foram Carlo e Afrodite, Aiolia, Aldebaran e então Milo e Kamus.

"É loucura". Pensou o jovem vendo o amigo Shiryu ir recebendo o apoio de Mu. Seguiram-se Aiolos, Shura, Kanon e Saga.

"Vamos?". Shaka convidou o moreno já que eram os únicos que ainda não iniciaram a travessia.

"Você primeiro...". Respondeu o humano tentando se manter calmo, segurando firme na correia de sua aljava de fechas.

O loiro consentiu com a cabeça e foi sendo seguido do outro.

"Isso é loucura! Isso é loucura!" A afirmação se repetia na cabeça do guerreiro a cada passo que dava e já estava há mais de dez metros da margem e foi nesse momento que sentiu algo sob seus pés cedendo.

"Shaka!". Chamou apreensivo olhando para baixo vendo a superfície cristalizada começando a se liquefazer.

O elfo olhou para trás e arregalou os olhos vendo os pés do amado começando a afundar lentamente.

"O que eu faço?". Ikki perguntou meio nervoso percebendo que afundava como se fosse em areia movediça, já tendo os tornozelos completamente tragados, algo lhe dizia que se afundasse não conseguira voltar, mesmo sendo hábil nadador.

"Tenha fé!". Afirmou o loiro quase desesperado, por mais forte que fosse naquele momento não podia fazer algo, pois estava sob os domínios de Az Ragni! A essa altura todos à frente já haviam percebido, porém também não poderiam ajudar.

"Droga, Shaka! Isso eu tenho, mas não tá adiantando!!!!". Sibilou irritado sentindo a água pela canela.

"Olha para mim!!!". Impôs o elfo para o jovem que apenas olhava para baixo devido ao desespero.

Os olhos azuis arregalaram-se devido à surpresa daquele tom e se fixaram na figura muito próxima a si que havia ficado muito mais alta devido a seu afundamento. Ikki sentiu algo dentro de si estremecer absurdamente, apenas com o olhar firme o outro parecia lhe transmitir toda a certeza que faltava a seu ser desde que perdera sua amada, ali presente estava alguém que o queria bem, alguém que realmente o amava!

"Acredite em mim...". Murmurou Shaka em tom doce erguendo a mão direita em convite.

Um profundo alívio tomou o peito do humano. Toda a dor que lhe agoniava há tempos, simplesmente desapareceu deixando espaço para que uma terna chama flamejasse, curando feridas antigas e então segurou a mão estendida e sentiu-se ser erguido e nem mesmo houve resquícios de água em seu corpo.

"Eu te amo, Shaka...". Admitiu, pela primeira vez, o moreno.

"E eu amo você!". O elfo falou sentindo o peito arder levemente, apesar de já terem estado intimamente unidos em momento algum o humano havia lhe dito o que realmente sentia, também havia guardado aquelas palavras para a hora certa, porém jamais se deixaria ser tocado e tocaria, como fizeram, se não o amasse de verdade.

"Temos que ir...". O loiro quebrou o contado dos olhos, virando-se de costas ainda segurando a mão do rapaz, somente então percebendo que os amigos já haviam recomeçado a caminhada.

"Estraga prazeres...". Sussurrou Ikki, estava crente de que viria um belo beijo apaixonado, mas se conformou deixando-se ser guiado.

Os resto da tarde transcorreu sem incidentes. Depois de três horas de caminhada finalmente conseguiram ver a margem oposta a qual havia começado, sendo que esta já havia desaparecido e as laterais continuavam indistintas no horizonte azul. A noite já havia caído quando chegaram a solo firme em uma pequena praia cercada por uma colina.

Ikki olhou ao redor reparando que a terra era completamente seca, mesma com a presença da água do lago, de tal forma que chegava a trincar profundamente e o mais estranho era a cor do solo: Completamente preto! Caminhou subindo a colina para ver o que havia além dela, a seu lado vendo Shiryu.

"Por todos os deuses...". O humano de madeixas negras sussurrou deparando-se com a mais tenebrosa visão de sua vida.

"O que é isso?". Murmurou o outro reparando em tudo diante de si.

Até onde a vista alcançava tudo era inóspito, tingido da cor do ébano, o solo possuía inúmeras rachaduras e de algumas delas jorrava uma fumaça cinza, alguns arbustos completamente secos jaziam retorcidos e, ao longe, uma cadeia de montanhas se desenhava com uma aura negro-arroxeada.

"Isso... É o Bosque Negro De Doriath...". Informou em tom sombrio Shaka surgindo em meio aos jovens...

Continua...

Nota da autora:

Aljava – É aquele estojo que os arqueiros carregam nas costas.

Não, eu não desisti dessa fanfic. Sei que a atualização demorou absurdamente e certamente alguns imaginaram que eu havia abandonado a estória, mas isso não é verdade, ainda pretendo conclui-la!

Alguém ainda lê essa fic? Se "sim" for a resposta, por favor, me digam o que acharam do capítulo, ok? E não desejem minha morte por não ter colocado o lemon Milo x Kamus... --

Um detalhe quanto a aparência de Aldebaran, resolvi deixá-lo mais bonito, já que se trata de um elfo, por isso ele foi descrito como em Episódio G (Só o cabelo é que coloquei mais escuro, como na série de TV).

Os dois termos a seguir pertencem à língua antiga da Trilogia da Herança de autoria de Christopher Paolini... Espero que ele não se importe de eu ter usado... Rrsrsrsrs

Az RagniO Rio (Na fic usado como nome da entidade aquática)

Sé onr sverdar sitja hvass! – Que suas espadas continuem afiadas! (Seria um desejo de boa sorte na batalha que esta por vir...)

14 de Maio de 2007.

08:48 PM.

Aiko Hosokawa