Sinopse: Como vocalista do Stage Dive, Sasuke estava habituado a ter o que quiser, quando quiser, seja bebida alcoólica, drogas ou mulheres. No entanto, quando um desastre nas relações públicas serve como um despertar para sua vida e o leva para uma clínica de reabilitação, ele conhece Sakura, sua nova assistente em tempo integral para mantê-lo longe de problemas. Sakura não está disposta a aceitar merda do sexy roqueiro e está determinada a manter seu relacionamento completamente profissional, apesar da forte química entre eles. Mas quando Sasuke vai longe demais, Sakura vai embora, e ele percebe que pode ter perdido a melhor coisa que já aconteceu com ele.
— É isso que você vai usar? — Sasuke encostou-se na parte inferior da balaustrada me vendo descer. Ele usava um terno preto e camisa branca, muito elegantes e muito caro. Aposto que custam mais do que eu ganhava em um mês. O homem era como um show, um que eu era só hormonalmente suscetível.
— Sim, é isso que vou vestir. — Eu disse. — Por quê?
— Por nada.
Na primeira chance que eu tivesse, eu escreveria para o Papai Noel e pediria a capacidade de ler a mente das pessoas este Natal. Ou apenas uma mente - a de Sasuke. Embora eu duvidasse de que eu gostaria do que eu encontrasse lá.
— O que há de errado com isso?
Ele olhou na minha blusa de bolinhas branca e azul com babados, legging preta e botas.
— Nada. Apenas... Escolha interessante.
— Eu gosto dessa escolha.
— Claro, é muito legal. Só pensei que você pode se vestir mais um pouco.
— Nós vamos apenas a um jantar no centro. É para ser descontraído. — Arrumei meus óculos. Estava ficando com raiva dessa vez, foda-se ele, eu tinha até os acessórios certos. Além disso, eu tinha meticulosamente aplicado minha maquiagem e ajeitado meu cabelo rosa. Longo e grosso, que era o meu único e verdadeiro orgulho e alegria. Mas Sasuke parecia totalmente não impressionado, e não é de admirar que eu tinha dificuldade em acreditar em seus cumprimentos escassos quando logo no dia seguinte ele olhava para baixo do seu nariz para mim.
— E você está descontraída. — As chaves do carro passaram de um dedo.
— Oh, cale a boca. Onde você vai? — Eu perguntei. — Achei que você tivesse dito que ficaria em casa essa noite.
— Eu vou levar você. — Ele disse. — Eu disse a Shikamaru que o encontraríamos no restaurante.
— O quê? Por quê?
— Não há necessidade dele vir buscá-la quando estou indo para lá. — Ele pegou meu casaco vermelho, mantendo-o aberto para que eu vestisse. Típico da dicotomia no comportamento dele. Ele confundia a minha mente, me insultava em um minuto e em seguida, comportava-se como um perfeito cavalheiro.
— Obrigada. — Eu disse. — Você vai com Itachi e Konan?
— Hum.
— Bem, isso é bom, você terá um pouco de companhia.
Ele balançou a cabeça e abriu o caminho para a garagem no andar de baixo. O novo e quase terminado estúdio estava à frente do edifício, a grande área aberta meio desordenada com equipamentos de exercícios e instrumentos musicais. Na parte de trás estava a garagem com os dois carros de Sasuke. O preto cromado 1971 Plymouth Barracuda brilhava na luz fraca. Eu sempre quis roubar as chaves de Sasuke e dar uma volta. Mas, como sempre, ele dirigiu-se para a Mercedes último modelo. Tão sensível nesta época do ano.
Nós dirigimos em silêncio por todo o caminho até lá, uma chuva fina caindo. Em vez de parar na frente do restaurante, ele dirigiu e virou até a esquina e estacionou no primeiro local disponível.
— Você não vai embora? — Eu perguntei, estendendo a mão para o meu guarda-chuva.
— Vou ver você entrar. Dizer oi para Shikamaru.
— Está bem.
Nós descemos amontoados, o braço de Sasuke frouxamente em torno de minhas costas e sua mão sobre a minha, ajudando a segurar o guarda-chuva dos constantes ventos fortes. O restaurante especializado em cozinha de fusão asiática e francesa era bastante extravagante. Muitas das cadeiras e mesas eram de madeira entalhada, as paredes tinham faixas de seda vermelha. Um espelho antigo mostrou o meu cabelo antes liso e agora crespo e úmido com perfeição. Oh, bem, eu tentei. O moderno penteado de Sasuke ainda parecia perfeito, é claro. Eu duvido que a Mãe Natureza se atreveria a mexer com ele mesmo ela sendo mais brava. Ela fazia tanto esforço para tê-lo bem, depois de tudo.
Em uma mesa de canto, Shikamaru levantou-se e acenou. Curiosamente, o seu sorriso só cresceu com a visão de seu colega de banda ao meu lado. Eu assenti para a linda garota loira tatuada na recepção e fiz o meu caminho através do labirinto de clientes devorando seu jantar. Não houve vestidos de noite em evidência, eu estava vestida bem.
— Hey, Sas. Não sabia que você iria se juntar a nós. — Shikamaru me deu um grande sorriso. — Sakura, você está fantástica.
— Ora, muito obrigada, Shikamaru. — Eu disse. — Você está muito bonito.
Ele abaixou-se, obviamente, com a intenção de beijar minha bochecha. E então ele se inclinou um pouco mais enquanto eu estiquei o pescoço e fiquei na ponta dos pés (é importante ser prestativa). Além de eu ser um pouco abaixo da altura média, o cara era malditamente alto.
— É bom ver você, Shika. — A mão de Sasuke atirou para dentro diminuindo rapidamente o espaço entre Shikamaru e eu, me batendo fora de equilíbrio. Antes de eu tropeçar, Sasuke agarrou meu cotovelo, me segurando firme.
— Sim, Sas. — Shikamaru deu à sua mão uma batida saudável. — Você também.
— Ele está apenas me deixando e dizendo oi. — Eu disse. — O que ele já fez agora.
— Na verdade, eu tenho tempo para tomar uma bebida. — Sasuke levantou a mão e um garçom se apressou. — Uma garrafa de Coca-Cola para mim e um Gin Tônica para ela. Obrigado.
O garçom assentiu e saiu correndo. Uma garrafa de cerveja já estava em cima da mesa na frente de Ben.
Eu dei uma olhada para Sasuke enquanto me sentava. Não era feliz.
— O quê? Você não queria isso? — Sem esperar por uma resposta, ele arrastou uma cadeira desocupada de uma mesa próxima. Não se preocupando em virá-la para enfrentar a nossa, ele sentou-se nela de trás para frente. Seus braços descansaram ao longo do encosto alto. O homem parecia pronto para uma sessão de fotos do caralho. Desta forma, ele tinha sobre ele, uma graça natural, o que me irritava profundamente. Se ao menos ele fosse mais como nós, pessoas pequenas, desajeitadas e ineptas. Mas não. — Eu sei que é isso o que você bebe às vezes, Sakura. — Ele disse. — Não é grande coisa.
— Água teria sido bom. — Eu alisei a carranca do meu rosto com um pouco de esforço. — Como você sabe o que eu bebo? Eu não tenho bebido na sua frente. Nunca.
O que Sasuke estava passando confrontando seus vícios já era bastante difícil, sem eu ser tão insensível. Além disso, havia respeito, apoio, solidariedade, coisas assim a considerar.
— No segundo casamento de Itachi e Konan. — Ele disse. O casal decidiu se casar novamente no seu aniversário de seis meses. Muito extravagante, tanto quanto você possa imaginar. Eu vinha trabalhando para Sasuke a um mês ou mais na época. — Eu estava conversando com Shikamaru na varanda por uma hora ou algo assim, você estava lá dentro. — Ele disse. — Eu acho que o garçom se aproximou, um pouco mais tarde eu vi você tomando um Gin Tônica. Ele foi embora no momento em que voltei.
— Como é que você notou, ou se lembra? — Eu perguntei. — Eu não sei se eu deveria estar emocionada ou preocupada.
— Não foi nada. — Ele marcou o queixo saliente. — Meu nome é Sasuke Uchiha e eu sou um alcoólatra. Eu sei o que Shikamaru bebe. Eu sei o que você bebe. Eu nem mesmo sei como as nove pessoas sentadas nas três mesas ao nosso redor se parecem. Mas eu poderia dizer o que cada uma delas está bebendo.
— O inferno que você pode. — Shikamaru disse.
Sasuke sorriu sombriamente e sentou-se na cadeira, movendo seu rosto perto do de Shikamaru para mostrar que ele não precisava olhar ao redor.
— A mesa das garotas à minha esquerda. Duas tequilas e um Long Island Iced Tea. E a pobre coitada tomando suco de laranja, acho que ela é a motorista da rodada. O casal atrás de mim é fácil - a garrafa ainda está na frente deles. Cerveja Porters. O desafio é os senhores à minha direita - um deles está tomando uma cerveja, de modo que é bastante simples. Mas os outros dois? Óculos espirituosos. Líquido âmbar, mas não puro. Não efervescente. Sem gelo. A pista, crianças, são copos altos de água. Eles são bebedores profissionais, apenas o suficiente de um esguicho de água para tirar o gosto do seu Scotch. Já que eu sei por experiência própria que a prateleira superior daqui termina em algum lugar no sótão. Suponho que Blue Label Johnnie Walker. — Ele deu de ombros. — A menos que eles sejam aficionados em malte, neste caso eu não tenho nem uma maldita ideia.
— Caramba, cara. — Shikamaru disse. — Você deveria estar na TV.
— Eu estou na TV, seu idiota.
— Eu não deveria ter deixado você entrar. — Eu disse. — Você costumava beber aqui. Este lugar é um gatilho para você.
Ele bufou e abriu os braços.
— Esse mundo é um gatilho para mim.
— Sasuke, estou falando sério. Você deve ir.
— Ainda não.
— Ele não confia em mim com você. — Shikamaru disse, deslizando seu celular sobre a mesa.
Eu fiz uma carranca.
— Isso é ridículo.
Sasuke só me deu um olhar frio.
— Eu amo Shikamaru como um irmão, mas eu o conheço a um maldito longo tempo. Sem ofensa, certo Shika?
— Nenhuma. — Algo apareceu no celular de Shikamaru e ele deslizou um dedo pela tela, se dobrando mais perto para ler a mensagem.
Tão calmo como poderia ser, Sasuke se aproximou e deu um tapa atrás de sua cabeça como se fosse um filho mal criado.
— Não seja tão rude. Você está em um encontro com Sakura, guarde isso.
— Esperando notícias sobre alguma coisa, não enche. — Shikamaru tomou um gole de sua cerveja e piscou para mim. — Então, Sakura. Sobre o que devemos conversar?
— Cristo. — Sasuke gemeu. — Você vai fazer com que ela faça todo o trabalho? Sério?
Mate-me agora.
— Assistiu algum filme bom ultimamente? — Shikamaru perguntou, sem perder a compostura.
— Ah, sim. Nós assistimos Thelma e Louise ontem à noite. Eu já tinha visto antes, mas é sempre muito bom rever.
— Você e Sasuke assistiram juntos?
Eu balancei a cabeça.
— Sim, nós muitas vezes assistimos TV à noite. Você já assistiu esse?
— Não posso dizer que assisti.
— Não é um final feliz. — Sasuke disse. — Eu posso te dizer isso.
— Depende da sua perspectiva. — Eu respondi com um sorriso.
O garçom entregou nossas bebidas. Seus olhos se arregalaram com a visão de Sasuke, e, em seguida, de novo por Shikamaru. Para seu crédito, ele não teve problema em saber de quem eram as bebidas. Eu pedi uma água com gás pura e coloquei o gin de lado.
— Você parece elegante, Sas. Deveria ter pensado em usar um terno. — Shikamaru usava um suéter vermelho e jeans. Combinava. Deus abençoe um homem desalinhado em um par de jeans azuis. Hum. Sasuke com seus ternos e formas elegantes nunca tinha sido o meu tipo. Esta atração por ele, basicamente, era contra as próprias leis da natureza. Eu poderia vencê-la, eu só tinha que tentar.
Eu arrastei para frente no meu lugar, determinada a renovar os meus esforços com o meu par. Quem sabe, talvez Shikamaru e eu nos déssemos bem. Com certeza, como um casal fazíamos muito mais sentido.
— Você deveria ter pensado em trazer flores também. — Sasuke disse. — Isso teria sido uma boa coisa a fazer.
Shikamaru deu um tapa na testa.
— Você está certo. Eu deveria ter feito isso.
— Você não precisava. Está tudo bem. — Eu dei a Sasuke um olhar de advertência, com luzes e sirenes vermelhas, perigo à frente.
É claro que ele ignorou.
— Envie algumas para casa amanhã.
— É isso aí, Sas. — O celular junto ao cotovelo de Shikamaru piscou de novo e ele deu-lhe um olhar furtivo. — Desculpe, Sakura. Eu só preciso responder a isso.
— Cara... — Sasuke estendeu a mão novamente, mas eu peguei seu pulso antes que ele pudesse atacar.
— Pode atender, Shikamaru. — Eu disse. — Não tenha pressa.
Sasuke estreitou os olhos.
— Quem é Shika?
— Ninguém. — Seu dedo ficou tocando ocupado contra a tela.
— E esse ninguém é mais importante do que ser educado com Sakura, eu presumo?
Minhas unhas escavaram nas palmas das minhas mãos.
— Você não deveria estar indo para Itachi e Konan? Nós não queremos segurá-lo.
— Está tudo bem. Eu não falei o horário.
Ótimo.
— Sasuke, leia nas entrelinhas. É hora de você ir.
Ele virou um olhar verdadeiramente doloroso para o céu.
— Um homem não pode terminar seu refrigerante? É realmente pedir muito?
— Sim. Por favor, saia.
— Você não tem nenhum problema comigo estando aqui um pouco mais, tem, Shikamaru?
— Nem um pouco, Sasuke. Então... Sakura. — Shikamaru finalmente largou o celular e pegou sua cerveja, dando-me um sorriso fácil. — Assistiu ao jogo de ontem à noite?
Com um gemido, Sasuke passou a mão em seu rosto.
— Ela acabou de lhe dizer que assistimos a um filme. Além disso, ela odeia esportes. Você está aborrecendo-a, isso é um desastre.
Uma das ótimas coisas sobre esse restaurante era as mesas pequenas. Eu poderia facilmente chutar Sasuke na canela, e quase não precisava me esticar muito.
— O que diabos foi isso? — Ele reclamou, se abaixando para inspecionar a perna da calça. — Esse é um terno feito sob medida, Sakura. Tenha um pouco de respeito.
— Oops. Desculpe. — Eu menti com uma careta, mostrando, assim, minhas habilidades de atuação brilhantes. — Será que eu acidentalmente bati com a minha bota?
— Não! Você me chutou de propósito.
Meus lábios apertaram juntos.
— Oh, seu idiota. Eu menti e acobertei você na outra noite com Konan.
Com movimentos bruscos e irados, Sasuke pegou um guardanapo e cuidadosamente limpou suas calças. Ameaças de vingança brilhavam em seus desagradáveis, bonitos e lustrosos olhinhos.
Sim, pode vir, baby.
— Por que vocês dois estão sempre chutando um ao outro? — Shikamaru perguntou, interrompendo os olhares aquecidos. — Só por curiosidade?
Sasuke encolheu os ombros.
— Todo mundo tem seus hobbies, Shikamaru.
— Certo. — A diversão iluminou seu rosto e assim nesse momento, percebi, esse encontro era uma farsa. Seu telefone tocou novamente. — Sinto muito.
— Parece que você está muito ocupado com quem manda mensagens para você. Talvez devêssemos tentar outra noite, desacompanhados, mesmo. — Eu dei a Shikamaru um sorriso doce. O que eu dei a Sasuke era nitidamente o contrário.
— Não, Sas está certo, eu estou sendo rude. Vou guardar isso. — Ele deu ao celular um último olhar de saudade antes de colocar o lado da tela para baixo sobre a mesa. — Ah... O que devemos pedir? — Com um floreio, ele me passou o menu. — Alguma coisa chama a sua atenção?
Sasuke tomou um gole de Coca-Cola em silêncio. Ele pode ou não ter feito um beicinho, eu me recusei a verificar.
— Hum, tudo parece bom. — Também tudo era descontroladamente superfaturado. Eu sempre gostei de dividir a conta, mas dessa vez, isto poderia muito bem me matar. Confie em Sasuke para escolher o maldito lugar mais caro da cidade. Fiquei tentada a chutá-lo mais uma vez, apenas por diversão.
O celular de Shikamaru vibrou novamente e Sasuke se aproximou para pegá-lo. Suas sobrancelhas subiram mais alto quando verificou a tela.
— Porra, cara. Você está com vontade de morrer?
— Não é da sua conta. — Shikamaru estendeu a mão.
Sasuke colocou o celular de volta no lugar.
— Certo. Boa sorte com isso, eu vou garantir que realmente seja legal o seu funeral.
Shikamaru não respondeu.
— Eu poderia só pedir uma entrada. — Eu disse, interrompendo o que estava acontecendo entre eles. — Eu não estou com fome.
— O que está errado? Você não sabe o que pedir? — Sasuke perguntou, roubando o menu de mim. Ele tomou o seu tempo procurando-o. — Por que você não pede o frango com gengibre, ele tem um molho caramelizado. Você gosta de coisas doces. E... Vermicelli com verduras asiáticas. Isso deve ser bom, eu acho que você vai gostar.
— Eu posso pedir por mim mesma, obrigada. — Eu reclamei. — Eu não estou com fome.
— Você não comeu desde o almoço. Claro que você está. — Seu rosto enrugou em confusão. — Vamos lá, o chef daqui é muito bom ou eu não teria escolhido o lugar.
— Só uma sopa ou algo assim, está bom. Posso ter isso de volta, por favor?
— Não.
— Sasuke.
Ele segurou a coisa estúpida fora do meu alcance.
— Diga-me o que está errado.
Shikamaru não disse nada e se escondeu atrás de seu próprio menu. Covarde. Estávamos terminado. Eu nunca poderia namorar um homem que não ficasse ao meu lado, em face da opressão sem sentido. Além disso, ele era muito alto, eu teria dores no pescoço constantes tentando ser alta o suficiente para beijar o cara.
— Você está errado. — Eu disse, com o rosto aquecido de raiva. — Você está se comportando totalmente errado. Você não deveria estar aqui.
Ele levantou a cabeça e me estudou. Ainda não passou o maldito menu. Juro que vi vermelho, e infinitas extensões dele. Apesar de que poderia ser a seda escarlate que revestia as paredes do restaurante. Eu cliquei meus dedos em pedido.
— Me dê.
Um momento depois suas feições relaxaram e, finalmente, um longo e maldito tempo depois, ele entregou a coisa estúpida.
— Você está preocupada com dinheiro. — Eu segui o bom exemplo de Shikamaru e me escondi atrás da pasta preta grossa. — Sakura? — Sasuke enganchou um dedo na parte superior do menu, puxando-o para baixo para que ele pudesse me ver. — Eu ou Shikamaru vamos pagar. Por que diabos você está se preocupando com isso? Apenas divirta-se, coma o que quiser. É por isso que eu te trouxe aqui.
Fechei os olhos por um momento, em busca de um calmo lugar feliz. Me iludi.
— Sasuke, eu divido a conta quando eu saio em um encontro. É o meu jeito e espero que respeite isso. Além disso, você não me trouxe aqui. Shikamaru, você me trouxe, mas... Não importa, eu estou aqui em um encontro com Shikamaru. Você deveria estar em outro lugar. Não sentado aqui, se preocupando com o que escolho para jantar, quem vai pagar ou sobre o que estamos conversando.
— E se eu estivesse em outro lugar, você ia acabar tomando uma sopa que você nem mesmo quer e ir para casa com fome e ficando entediada enquanto Shika mexia em seu telefone. Então é só por isso que eu estou aqui. — Ele apoiou o queixo no topo da parte de trás de sua cadeira. — Certo, Shikamaru?
— Certo, Sas. — Shikamaru levantou-se.— Gente, eu estou indo só usar o banheiro. Não vou demorar muito.
— Claro. — Sasuke disse, com os olhos ainda em mim.
Com um breve sorriso, Shikamaru virou para ir. Então parou, pegando o seu celular em cima da mesa.
— É melhor levar isso comigo. Sério, eu estou me divertindo muito com vocês dois. Nós definitivamente deveríamos fazer isso mais vezes. Vejo vocês logo.
Eu assisti o grande homem andar em um corredor. A vasta extensão de suas costas desaparecendo em um túnel mal iluminado. Indo, indo, desaparecendo.
— Ele não vai voltar, não é? — Perguntei.
— Não. Ele, provavelmente, já saiu pela porta dos fundos.
— Eu nunca realmente fugi de um cara no primeiro encontro antes. Que façanha.
— Não pense assim.— Sasuke olhou para cima do menu, prendendo-me com os olhos. — É o jeito de Shikamaru. Você é ótima.
Minha mente girou e minhas entranhas se viraram em desordem.
— Não vê? Esse é o problema com você. Para cada movimento ou canalhice impensada que você faz, então você se vira e faz ou diz algo maravilhoso e faz parecer tudo certo. Eu nunca consigo encontrar o meu equilíbrio, porque nunca sei o que vai vir em seguida. Você é impossível.
Ele me deu um longo olhar.
— Terminou?
— Sim.
Ele se levantou e devolveu a sua cadeira furtada para uma mesa próxima. Depois se sentou na que o baixista tinha recentemente desocupado.
— Estou pensando em rolos de camarão na cana de açúcar, frango com gengibre, bolinhos de carne de porco para churrasco, e um prato de legumes. Parece bom?
— Claro.
— Eu não sei se você e Shikamaru seriam bom juntos afinal de contas. Não sei o que eu estava pensando. — Ele não parecia particularmente incomodado com o fracasso. Mas, novamente, lá no fundo, onde importava, nem eu estava. Eu deveria estar chateada com a situação. Com Sasuke sentado à minha frente me olhando, hormônios felizes inundaram meu cérebro provando mais uma vez apenas que idiota eu era quando se tratava dele.
— Oh, bem. Não teria sido melhor se eu tivesse escolhido alguém. — Eu disse com um sorriso. — Eu tenho o pior gosto para homens. — Ele não disse nada. — Desculpe. Sem ofensa.
— Nenhuma.
— Minha coleção de namorados do passado não é algo para se orgulhar.
— É tão ruim, hein?
— Você não tem ideia. Eu já namorei um trapaceiro, um ladrão, um homossexual reprimido, um podólatra, e vários homens que só queriam uma oportunidade de conhecer a minha irmã.
— Por que o fetichista por pé era tão ruim?
— Eu sempre usava saltos altos de tiras. Meus pés estavam me matando.
— Ah.
— De qualquer forma, este não é mais um encontro. — Eu precisava dizer isso em voz alta, colocar isso para fora, para o universo ouvir. Não vamos explorar o porquê.
— Não, claro que não. — Ele concordou imediatamente com grande convicção. Só doeu um pouco. — É uma reunião de negócios entre mim e minha assistente. Eu estou pagando, peça o que quiser.
Eu engoli um gole de água com gás.
— Obrigada. Eu danifiquei seu terno?
— Não, só precisa de uma limpeza. Mas eu tenho certeza que você me machucou.
— Você machucou meus dedos. — Eu disse. — Nós estamos quites.
Eu larguei o menu e desabei para trás no meu assento enquanto Sasuke fazia os pedidos para o jantar. Pobre, Shikamaru. Além disso, que vergonha, espero que ele não fale para os outros. Embora todos eles saibam que estávamos planejando sair, de modo que a história se espalharia. Eles ririam como hienas. Naruto em particular nunca me deixaria viver em paz. Às vezes, ter amigos era um pé no saco.
Era nada mais nada menos do que a verdade. Eles eram importantes para mim. De alguma forma, apesar das minhas melhores intenções de manter para mim mesma, eu tinha falhado miseravelmente. Pela primeira vez em muito tempo eu tinha pessoas que eu considerava como amigos. As pessoas com quem eu convivia em casa e saíamos. Pessoas que me convidavam para algo e realmente queriam que eu estivesse lá. Como eu gostaria de aceitar estes convites.
Era bom.
Antes que o garçom pudesse escapar, eu lhe entreguei o meu gin intocado.
— Eu acabei com isso. Você pode levá-lo, por favor? Obrigada.
Sasuke assistia à sua maneira blasé de costume, completamente imperturbável.
— Você podia ter bebido. Eu não teria me importado.
— Eu poderia. — Eu disse. — Mas não seria certo. E enquanto é ótimo que você tenha opiniões sobre tudo o que penso, visto, e faço, eu não vou fazer algo que não me sinto bem só para agradá-lo, Sasuke.
— Você não vai beber por causa de mim, de modo que isso realmente não faz sentido.
Dei de ombros, e um sorriso hesitante.
— Às vezes as coisas que fazem o mínimo sentido são a mais pura verdade. Tal é o mistério da vida.
Ele levantou uma sobrancelha para mim, depois olhou para o menu e balançou a cabeça.
— Você tirou isso de um biscoito da sorte, não é?
— Talvez.
