_Ah, Hermione, eu queria tanto poder descansar um pouco, sabe? – Draco reclamava, contido, não querendo parecer implicante na frente dos sogros e dos filhos.

_Você não vai trabalhar em nada lá, Draco! Vai descansar do mesmo jeito.

_Ahhh! – ele bufou.

_Vamos papai! – Helena pediu. – Vai ser divertido. Lá tem um monte de coisas para fazer, e um quintal enorme para brincar o dia inteiro.

_Por que não vão vocês duas, hein? – Apus resolveu opinar. – Papai e eu podemos ficar aqui fazendo algo mais interessante.

_Por que não ficamos os quatro juntos? Por que temos que ir para a casa dos Weasley?

_Porque você acabou de chegar, também é convidado para a festa e, sinceramente, é o que todos esperam que você faça: se comporte como o Malfoy que eles têm certeza que você ainda é! – Hermione despejou então, numa última tentativa.

Tudo que Draco não precisava, e não queria, era os amigos de Hermione falando mal dele para ela, falando mais mal do que deveriam ter falado nesse tempo em que ele esteve longe.

_Ok Hermione! – ele virou de uma vez a xícara de chá quente que estava tomando. – Você me convenceu, mas nós não vamos ficar o dia inteiro lá! Acho que eles vão entender se você quiser ficar um pouco com seu marido, ou não?

_Claro que vão. – Hermione respondeu pouco convencida. – Ok, crianças. Se já terminaram vão trocar de roupa e escovar os dentes.

_Eu já terminei! – Helena respondeu, empolgada. Pulou da cadeira e, antes de correr escada acima para se arrumar, enroscou o pescoço de Draco e lhe deu um beijo molhado na bochecha. – Estou tão contente de você estar aqui, papai! E ainda tenho uma surpresa! – então o largou e correu para o quarto.

_Humpf! – Apus reclamou. – Eu perdi a fome. Vou me arrumar porque quanto antes chegarmos lá, mais cedo saímos, não é?

_Fico impressionada. – Hermione refletiu em voz alta. – Nem você era tão carrancudo assim, Draco.

_Não podemos dizer que ele não tenha razão, não é? – ele provocou.

_Vou ver se eles não brigam pelo banheiro. – ela falou, então, ignorando o comentário do marido.

hr

Mais do que nos outros dias, a confusão de pessoas, caixas e enfeites era cada vez maior na Toca. A sra Weasley passava o dia seguindo os funcionários que entravam e saíam deixando cadeiras, mesas, tendas e tudo o mais para preparar o quintal para o dia da cerimônia. Luna e Gina comentavam, empolgadas, os enfeites que chegavam e as flores de várias cores que Luna havia escolhido para adornar a recepção. Rony observava a tudo com uma animação forçada. Sua cabeça dividia-se entre a preocupação pela volta de Draco e o medo de magoar Luna.

_Olha lá o tio Rony! Eu já volto! – Helena soltou-se da mão do pai assim que avistou Rony ao longe.

Rony ouviu o próprio nome e olhou na direção da voz animada que o pronunciara. Não podia deixar de sentir-se bem com a alegria que Helena emanava. Curvou-se ligeiramente para receber o beijo que, certamente, a menina daria nele, mas não foi fácil disfarçar a carranca quando notou que Draco viera junto com a família daquela vez. Draco, por sua vez, também não disfarçou o desgosto pelo apego da filha exatamente com Rony.

_Aposto como ele tem feito de tudo para agradar as crianças. – Draco murmurou para Hermione.

_Não começa, Draco. – Hermione disfarçou, sorrindo para Luna que vinha cumprimentá-los.

_Que bom que vieram. – ela sorriu, sincera, principalmente ao ver que Draco estava lá também.

_As coisas estão bem adiantadas por aqui, não? – Draco comentou, observando a movimentação toda.

_Estão! – Luna virou para a mesma direção em que ele olhava. – Faltam apenas cinco dias. Mal acredito! Estou tão ansiosa!

_Só você para ficar ansiosa para se casar com o Weasley! – Draco provocou. Hermione o olhou feio, mas Luna apenas sorriu com seus olhos sonhadores.

_Não pense que não falaram coisa pior de você no dia em que vocês se casaram!

Foi o suficiente para que Draco perdesse o sorriso debochado. Hermione sorriu também.

_Venha, Mione. Quero te mostrar uns arranjos de cabeça que eu encontrei no Beco Diagonal. Não faço questão que todas as madrinhas estejam com o vestido da mesma cor, mas gostaria que vocês usassem o mesmo arranjo.

_Hermione vai ser sua madrinha?! – Rony chegou de repente, de mãos dadas com Helena, pegando todos de surpresa.

_Oh! Eu não te falei? – Luna perguntou ao noivo. Achei que fosse meio óbvio. Ela e a Gina. – Luna o olhou com estranheza, diante da cara indignada que ele fez. - Venha, Mione! – ela a puxou pela mão, como se quisesse afastá-la o mais rápido possível do noivo.

Hermione a acompanhou, embora receosa de deixar Rony e Draco juntos. Enquanto era puxada por Luna, olhava para trás torcendo para que eles não começassem a brigar.

_Veja papai, o que o tio Rony me deu. – Helena soltou-se de Rony e puxou a manga da blusa de Draco.

Este se ajoelhou, com boa vontade, e aguardou o que a filha ia lhe mostrar. Helena estendeu uma das mãos, onde uma pena minúscula repousava. Na outra ela segurava uma varinha em tamanho menor.

_Essa pena é da coruja do tio Rony. – ela explicou.

_Eu já sei o que você vai fazer. – Apus disse, pouco interessado.

_Não perguntei nada! – Helena respondeu. – Wingadium leviosa! – a menina exclamou, apontando a varinha de brinquedo para a pena. No mesmo momento a pena, meio trêmula, começou a flutuar, cada vez mais alto.

_Que maravilha! – Draco falou, embora pouco impressionado. – Essa é uma daquelas varinhas de brinquedo da loja dos seus irmãos, não é? Cada uma contendo um feitiço básico. – ele se levantou e perguntou a Rony.

_É sim. – Rony respondeu, carrancudo. – Mas só tem efeito se a criança que a usar tiver magia.

Draco levantou a sobrancelha, admirado.

_Que cara é essa, Malfoy? – Rony colocou as mãos nos bolsos e riu torto, como o próprio Draco costuma fazer quando queria importunar alguém. – Achou que a Lena não fosse bruxa?

_Viu só, papai! Eu sou uma bruxa, como você e a mamãe! Não sou um aborto! – a menina falou, realmente orgulhosa de si.

_Eu tinha certeza que não era, querida! – Draco sorriu amarelo para a menina.

_Posso testar as outras varinhas, tio Rony! Prometo não fazer bagunça. – ela pediu.

_Claro que pode! – Rony sorriu.

_Eu vou também! Aposto que as varinhas funcionam melhor comigo! – Apus correu para chegar antes da irmã.

_Funcionam do mesmo jeito para todos os bruxos, Apus! – Helena correu atrás dele.

_Espero que você não a esteja iludindo, Weasley, porque se não...

_Você realmente não acreditava que ela fosse bruxa, não é? – Rony perguntou. – E aposto como andava decepcionado por isso. Envergonhado, talvez?

_Eu nunca tive vergonha da minha família, Weasley! – Draco deu um passo à frente, ameaçador. – Mas como você se sentiria se sua filha não apresentasse nenhum sinal de magia aos sete anos?

_Ela é apenas uma criança, Malfoy. As crianças desenvolvem suas habilidades em tempos diferentes! – Rony também deu um passo à frente, mostrando-se na briga. – Você só precisava ter paciência, não fazê-la se sentir diferente!

_Eu nunca fiz isso! Pelo menos não intencionalmente. Eu amo minha família, Weasley! E não vou permitir que você tente colocá-los contra mim!

_Você não precisa de ajuda para isso, Malfoy!

_Eu estou vendo o seu jeito, Weasley! Quer começar pelos meus filhos, não é? Depois tentar reconquistar a Hermione!

Rony riu, satisfeito, e ia dizer qualquer coisa quando Hermione chegou.

_Parem com isso, os dois! – falou severa, embora num tom muito baixo. – Parem agora! - os dois homens se calaram imediatamente. – Draco, eu não te trouxe aqui para você ficar arrumando confusão com o Rony... E Rony, sua noiva está te chamando!

Rony olhou para ela confuso, como se não pudesse acreditar no que ela tinha falado.

_Não ouviu o que ela disse, Weasley? – Draco perguntou, passando a mão pela cintura de Hermione.

_Acho que é para te mostrar os arranjos de cabeça. – ela estendeu a mão e mostrou aos dois seu arranjo. – Até que é bonito. Tive medo que fosse uma daquelas coisas estranhas que ela costumava usar no colégio. – riu-se, lembrando.

_O casamento é dela! – Rony respondeu. – Ela pode se casar de verde fluorescente se quiser!

Hermione ficou séria e olhou para ele assustada. Não teve a intenção de ofender, mas percebeu que não devia ter falado daquele jeito. Sentiu-se mal com o olhar mortífero que o amigo lhe dispensara. Suas orelhas estavam vermelhas e de seus olhos quase saíram faíscas quando ele encarou Draco, que ria, e deu meia volta para ir ao encontro de Luna.

_Parece que a proximidade do casamento está deixando o Weasley com os nervos a flor da pele, não é? – Draco falou. – Você sabia que a Helena pode fazer magia? – mudou logo de assunto.

Mas Hermione mal o ouvia. Estava agora pensando na última conversa que tivera com Rony, e em como o convenceria de que as coisas ficariam melhor do jeito que estavam.

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As horas foram passando e, desde que não cruzasse com Rony pelo caminho, Draco até conseguia relaxar. A impressão que tivera de que todos ali o odiavam foi passando aos poucos. Os únicos realmente hostis eram Harry, que chegara um pouco mais tarde, bem na hora do almoço, e Rony, obviamente. Os outros haviam adquirido, ou se forçado a adquirir, certa simpatia por ele depois que ele se casara com Hermione.

Esta, aliás, se escalou para ajudar a sra Weasley e as outras mulheres a arrumarem tudo depois que a refeição acabara. Com aquela quantidade enorme de pessoas na família sempre havia trabalho suficiente para deixar todos ocupados. Hermione preferira lavar a louça, desse modo ficaria meio isolada dentro da cozinha, pensando na vida.

_Você desistiu, não foi?

Hermione levou tal susto que quase deixou escorregar o copo que estava lavando. Rony chegou sorrateiro e despejou de uma vez a pergunta. Seu semblante não disfarçava a decepção e a tristeza. Fez Hermione lembrar-se de quando, oito anos atrás, contou para ele que estava apaixonada por Draco.

_Rony... Entenda...

_Eu sabia! – ele apoiou as mãos na pia e ficou olhando para os fundo do quintal, através da janela sobre a pia. – Bem que o Harry me avisou.

_O Harry? – ela se assustou. – Hum... Eu devia saber, não é? Ele já havia percebido e é lógico que não ficaria por fora do assunto.

_Por que você me iludiu então? Fez-me acreditar que ficaríamos juntos de novo? Que eu não teria que me casar com a Luna.

_Você falou com ela? – Hermione arregalou os olhos e seu coração acelerou.

_Ainda não. – Rony baixou a cabeça.

_Oh... – Hermione respirou fundo, tomada de uma mistura de alívio e desapontamento. – Está vendo? Nem mesmo você tem certeza do que quer, Rony, senão já teria falado com ela.

_Você é que não sabe o que quer, Hermione? Agora vai achar ruim porque eu ainda não falei com ela? – ele perdeu a paciência.

_Claro que não! – Hermione defendeu-se. – Eu estou mesmo aliviada que você não tenha feito isso. Luna não mereceria tal decepção e eu não posso desistir do meu casamento assim, de uma hora para outra. Tenho que pensar nos meus filhos também. No que é melhor para eles.

_Mas eu achei que você não o amasse mais. Você não é obrigada a ficar com ele para sempre. Um dia seus filhos entenderão isso.

_Eu nunca disse que não o amava mais, Rony. – Hermione forçou-se a olhar em seus olhos para dar de vez um ponto final àquele assunto. – Eu estava chateada, desapontada, e seria perfeitamente normal ficar confusa perto... perto de você.

_Então, agora que ele está aqui você percebeu que é a ele que você ama?

_Eu percebi que tenho que dar mais uma chance para nós dois. Não vou te dizer que sou completamente indiferente a ele, Rony.

_Mas e quanto a mim?! – ele abriu os braços, indignado. – Eu não mereço outra chance também?

_Sinto muito, Rony, mas você tem a Luna...

_Mas eu não a amo mais, Mione! – ele segurou uma das mãos dela, mesmo molhada e ensaboada. – Eu tenho certeza disso!

_Será que tem mesmo? – ela perguntou apenas. Soltou-se das mãos dele e voltou a lavar a louça.

_Ah! Então é aí que você está! – Luna entrou na cozinha com mais uma pilha de louça suja. Hermione não se atreveu a olhar para ela, mas se o tivesse feito, teria percebido a expressão de falsa naturalidade em seu rosto. – Harry quer saber onde exatamente você quer que as chaves de portal cheguem. Você sabe que eu não entendo nada disso.

_Mas ele entende. – Rony falou, agressivo. – Não precisa de mim para isso!

_Só vim te dar o recado dele, Rony. Achei que, como noivo, você estivesse mais empolgado com os preparativos! – falou, chateada. Deixou a louça de qualquer jeito perto de Hermione e saiu de novo.

Rony ficou observando-a sair, carrancudo, sentindo-se mal pelo modo como falara com ela, mas sem querer demonstrar. – Essa é a sua última palavra?

_É Rony. – Hermione respondeu sem olhar para ele.

_Vou ver onde colocar as malditas chaves de portal!

_Rony.

_Sim? – ele parou a meio caminho da saída, esperançoso.

_Se você não acha que será feliz com a Luna, independente de ficar comigo ou não, termine com ela, antes de fazê-la sofrer mais ainda.

_Não se preocupe, Hermione. – ele falou, amargurado. – Quando você fugir de seus sentimentos para a Alemanha tudo voltará ao normal. Com licença.

Hermione balançou a cabeça, chateada, mas voltou ao seu trabalho. - Eu nunca deveria ter vindo para cá... – ela suspirou, triste.

_Eu avisei! – a voz de Draco a surpreendeu, abordando-a segundos depois de Rony ter deixado a cozinha. – O que te fez pensar isso? – ele a abraçou pela cintura e encostou o queixo em seu ombro.

_Nada de mais. – mentiu.

_Hum... Com seus amigos você se entende, não é? – ele perguntou, disposto a não se meter naquele assunto para não começar uma briga.

_Uhum.

_Certo. – ele a soltou e olhou para o quintal atrás da casa. – Acho que já ficamos por aqui tempo suficiente, não acha?

_Acho. – ela admitiu. – Só vou terminar essa louça.

_Não por isso! – Draco retirou a varinha do bolso e, com um aceno, fez todas as louças ficarem limpas instantaneamente.

_Draco!

_Não sei por que vocês gostam tanto de ter trabalho com essas tarefas de casa. Essa é uma casa de bruxos, não é? Se não têm elfos domésticos, então enfeiticem a casa para fazer as coisas.

_Hum... – Hermione pegou um dos pratos e passou o dedo em seu fundo, como para se certificar. – Louça lavada sem água não dá a impressão de que está limpa.

_Mas está! – ele mesmo desamarrou o avental dela e o tirou. – Eu já fiz minha parte por hoje, agora é a sua vez!

_Ok, ok! – ela sorriu. – Vamos pegar as crianças e voltar para casa.

_Ótimo! – Draco sorriu também.

hr

Hermione decidiu não ir à Toca no dia seguinte. Assim como na tarde anterior, decidiu dedicar-se inteiramente ao marido e aos filhos. Além disso, o clima com Rony ficara tão pesado que ela estava mesmo em dúvida se deveria ir ou não ao casamento dele.

O Beco Diagonal foi o escolhido para passar o dia, não à toa, mas porque Draco, muito animado agora, resolvera que precisava de um terno novo para participar de tão solene celebração.

Seria um dia perfeito em família, não fosse a figura misteriosa que os vinha seguindo desde a saída da casa dos Granger, onde Draco e Hermione foram buscar as crianças, já que ele se recusara a se hospedar na casa dos sogros.

Hermione sabia que não precisava se preocupar em acompanhar Draco na escolha de seu traje. Como homem de negócios e nascido em família rica, ele sabia exatamente o que caía bem em cada ocasião.

Apus, como bom admirador, não saía de perto do pai e prestava atenção em todos os comentários que ele fazia. Helena também admirava o pai, mas não tão fervorosamente. Ao invés disso, resolveu olhar uma edição de aniversário da revista que Mme Malkin lançara há alguns anos para sua loja, a qual trazia um histórico dos uniformes de Hogwarts que a costureira havia feito ao longo do tempo.

Hermione acompanhara a filha um tempo durante essa viagem pela história de Hogwarts, mas logo perdeu o interesse. A nova loja de livros que abrira do outro lado da rua parecia-lhe mais interessante. Depois de avisar Draco e as crianças, lá foi ela, de encontro aos objetos que mais adorava.

Era a oportunidade que Sophie, escondida sobre uma capa e um capuz violetas, apesar do calor, estava esperando desde que começara sua perseguição mais cedo. Com muita importância, a mulher livrou-se da capa, guardando-a, depois de um feitiço, em sua minúscula bolsa vermelha, que combinava perfeitamente com o resto de sua roupa, e entrou na loja atrás de sua rival.

_Hermione? – resolveu começar num tom casual, como se tudo não passasse de uma coincidência.

Sem reconhecer a voz ou o sotaque, porque nunca imaginara encontrar Sophie um dia no Beco Diagonal, Hermione virou-se curiosa. – Sophie?! – exclamou com um sorriso surpreso, mas sincero.

_Como vai, querida? – a mulher lhe deu dois beijos no rosto, sustentando com cinismo um sorriso muito falso.

_Eu estou ótima, mas o que é que você está fazendo aqui? – Hermione perguntou realmente interessada.

_Oh! Bem... Depois que seu marido resolveu a crise na empresa, resolvi me dar alguns dias de férias.

Hermione duvidara que ela estivesse realmente precisando de férias, mas decidiu guardar essa opinião apenas para si mesma. – Mas por que justo a Inglaterra? Você me parece o tipo de mulher que prefere passar as férias em alguma ilha distante, ou lugar exótico... – comentou.

_E prefiro mesmo, mas eu tinha um assunto sério para resolver aqui. – ela ficou mais séria.

_Mesmo? Algum problema? – Hermione preocupou-se.

_Será que poderíamos nos acomodar numa daquelas mesas ali no canto. – ela apontou o outro lado da loja, onde uma espécie de café fora montado.

_Claro. – Hermione estranhou o tom, mas resolveu acompanhá-la.

Depois de acomodadas e com uma xícara de chá cada uma – Sophie aconselhou Hermione a escolher chá de camomila – a mulher começou, com falso nervosismo.

_Não sei nem por onde começar, Hermione... – ela não olhava para sua acompanhante, querendo por mais dramaticidade à situação.

_Espere aí. Essa conversa tem a ver comigo? Achei que você precisava apenas desabafar. – ela começou a ficar tensa.

_Não deixa de ser um desabafo, querida, mas sim, tem a ver com você.

_Diga de uma vez Sophie! – ela pediu, completamente esquecida de seu chá.

_Se você soubesse como tenho me sentido mal por isso... – ela baixou o rosto e o cobriu com uma das mãos.

_Sophie... – ela quase implorou para que a mulher começasse logo.

_Oh... O fato é... O fato é que... – ela respirou fundo. – Seu marido a enganou, Hermione.

_Como é? – ela quase não acreditou.

_Me desculpe por te falar isso desse jeito, mas eu, como mulher, não acho justo deixá-lo te fazer de boba. Nos fazer de bobas!

_ "Nos"?! – o coração de Hermione batia acelerado agora.

_Sim, Hermione! – ela secou uma falsa lágrima que escorria de um de seus olhos e, com importância, continuou. – Assim que você partiu da Alemanha Draco e eu... Bem... Você sabe! – ela recusava-se a olhar para Hermione, amassando um lencinho entre os dedos e mirando-o fixamente. – Ele me iludiu, Hermione! – as lágrimas corriam agora livremente. – Ele me disse que não a amava mais, que estava aliviado por você ter partido com as crianças, que agora poderia ser meu para sempre.

Hermione não queria acreditar naquelas palavras. Mais de uma pessoa já lhe falara da má índole de Sophie, mas ela parecia tão convincente. Suas lágrimas pareciam mesmo tão sinceras, e ela não duvidava que Sophie pudesse mesmo se apaixonar por Draco, visto que ela mesma, contra todas as possibilidades, se apaixonara por ele.

_Você veio da Alemanha até aqui para me contar isso, Sophie? – Hermione perguntou com os olhos vermelhos e a voz já embargada.

_Sim, Hermione! – Sophie respirou fundo e encarou-a. – Pode parecer o cúmulo para você, mas eu me senti enganada, passada para trás! Draco me iludiu, me fez acreditar em suas mentiras, conseguiu o que tanto desejava e então me guardou no armário para usar mais tarde?!

_Usar mais tarde?! – Hermione estava vermelha de raiva agora.

_Ou você acha que quando voltassem para a Inglaterra, trabalhando comigo e me vendo todos os dias, ele se manteria fiel, Hermione?

_E você aceitaria isso?! – Hermione ficava mais indignada a cada palavra que ouvia.

_Eu sou uma mulher apaixonada, devo admitir isso, e não sei se resistiria às investidas dele. Resisti até sua partida, mas também nunca havia visto vocês numa crise. Depois do nosso encontro no shopping achei mesmo que tinha acabado.

_Você me aconselhou, Sophie, me disse para não desconfiar dele, mentiu sobre não saber nada a respeito da crise na empresa! Queria nos ver brigados, não é mesmo?! Sua paixão por Draco não começou no dia em que vim para cá, não é? – Hermione estava revoltadíssima.

_O que você faria se estivesse apaixonada, Hermione? Não faria de tudo para ficar com o homem que ama? – Sophie perguntou, com lágrimas nos olhos, fazendo-se de vítima.

_Nem tudo Sophie! – ela se levantou, completamente abalada, agora. – Principalmente se esse homem tivesse uma família. – caminhou revoltada para fora da loja.

_O que você pretende fazer agora? – Sophie levantou-se também, falando alto sem se importar com os olhares curiosos dos outros clientes.

_Vou tirar essa história a limpo, Sophie! – Hermione parou e virou-se para ela com os olhos vermelhos e lágrimas teimosas escorrendo por seu rosto. – Me desculpe, mas já ouvi coisas demais a seu respeito. Não vou acreditar numa história dessas, a menos que o próprio Draco a admita. – e voltou a caminhar para fora da loja.

_Ele nunca vai admitir Hermione! – Sophie despejou revoltada por seu plano não ter dado certo. Ela nunca imaginou que Hermione se sujeitaria a acreditar em Draco. – Ele vai continuar te enganando depois de te convencer que nunca tivemos nada um com o outro.

_Há quanto tempo, Sophie?! – Hermione chorava declaradamente agora. Afinal as desconfianças que tivera todos esses dias podiam mesmo ter fundamento.

_No mesmo dia em que você partiu, Hermione. – ela se aproximou da mulher, os olhos estreitos de raiva, louca para ver a decepção e a amargura nos olhos da rival. – Ele foi até meu apartamento horas depois do seu trem partir. – ela fixava os olhos de Hermione com prazer por vê-la sofrendo. – Foi seu modo de comemorar por ter se livrado de você!

_Isso não pode ser verdade. – Hermione riu abalada e sem poder acreditar no que ouvia. – Sempre notei seus olhares direcionados ao Draco, Sophie. Sempre notei muitos olhares direcionados a ele. Draco não seria cruel a esse ponto. Anos atrás eu não duvidaria, mas depois de tudo que passamos... – ela enxugou as lágrimas, disposta a não acreditar naquelas intrigas.

_Tire a prova da maneira que achar melhor, Hermione. – Sophie se empertigou, segura de si. – Se conhece tão bem o homem com quem se casou, tire a prova.

Hermione olhou para a mulher, confusa. Sua fala contradizia tudo que ela dissera até então. Notou que Sophie olhava para a entrada da loja, com um sorriso debochado nos lábios. Olhou também para saber do que se tratava.

Sophie acabara de ver Draco entrando na loja. Seu semblante estava animado e feliz como há dias ela não vira, mas então ele resolveu olhar a loja a procura da esposa, e quando a viu conversando com Sophie não pode disfarçar seu espanto. Sophie leu o medo em seus olhos e teve certeza de que ele não conseguiria mentir para Hermione, assim como ele mesmo havia admitido para um dos patrões.

Draco olhava de Hermione para Sophie, congelado, sem saber o que fazer, o que falar, como agir. Seu coração acelerou mais ainda quando Hermione o olhou inquiridora. Conforme se aproximava das duas mulheres via com mais clareza o sorriso debochado de Sophie e o rosto decepcionado e manchado de lágrimas de Hermione. Não havia como negar: ela já sabia.

_Tia Sophie? – Helena perguntou, admirada.

_Ela não gosta que chame de tia! – Apus corrigiu a irmã. – Como vai, srta Sophie? – ele a cumprimentou com o mesmo ar galanteador do pai.

_Como vão, anjinhos? – Sophie sorriu para eles, cínica.

_Mãe? – Helena a chamou, preocupada com sua feição. – Papai já comprou o terno. Vamos embora?

_É vamos! Estou com fome, mas não quero comer aqui. Vovó disse que ia fazer aquela torta de batata que eu adoro.

Mas Hermione não lhes deu atenção. Como uma imagem de cera permanecia imóvel, olhando para Draco, esperando por qualquer sinal dele. Qualquer um. O sinal que ele lhe deu não poderia ser pior. Envergonhado, culpado, Draco baixou a cabeça, incapaz de olhar a própria mulher nos olhos.

Hermione suspirou com pesar. Sua garganta se fechou num nó, e seus olhos começaram a transbordar com mais lágrimas. Lágrimas essas que ela deu um jeito de disfarçar. Com outro suspiro, dessa vez para se recompor, ela disse:

_Que bom. Vamos então. Também estou com fome. – e sorriu olhando para os filhos, embora tivesse certeza de que Helena, perspicaz como era, não se convencera da sinceridade daquelas palavras.

_Tchau, Sophie. – ela falou, sem olhar para trás. Estendeu as mãos para os filhos, fazendo-os romper o contato com o pai. Passou por Draco sem olhá-lo, sem dizer nada, e foi em direção à rua.

_Vamos logo, pai! – Apus gritou. – Tchau srta Sophie!

Helena não se despediu, apenas olhou desconfiada para a mulher que os observava, e dela para a mãe, completamente desnorteada. Seu coraçãozinho se apertou tentando adivinhar o que Sophie poderia ter dito para a mãe a ponto de deixá-la daquele jeito. Sua inocência de criança incapaz de imaginar algo que se assemelhasse a realidade por trás daqueles olhares.

Quando Draco teve coragem de levantar os olhos novamente Hermione já estava há alguns passos dele, perto da porta. Ele olhou para ela mortificado, sem conseguir imaginar o que se seguiria assim que eles ficassem sozinhos.

De Hermione seus olhos pousaram em Sophie. O sorriso satisfeito que ela exibia o fez ter vontade de lançar-lhe uma maldição imperdoável, mas ele se refreou. Sem dizer palavra, lhe deu as costas e seguiu a esposa e os filhos, sentindo-se como um Comensal da Morte culpado, prestes a receber o beijo do Dementador.

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_Hermione... – Draco começou.

Algumas horas haviam se passado desde o surpreendente encontro com Sophie no Beco Diagonal. Apesar do desapontamento e da dezena de coisas que apertava seu coração e sua garganta tentando saltar aos ouvidos de Draco, Hermione não queria discutir na frente dos filhos.

Não dando importância ao silencio incômodo que acompanhou a chegada e o almoço deles à casa dos Granger, o casal esperou até estarem sozinhos para colocarem as cartas na mesa.

_Eu não esperava isso de você, Draco. – Hermione falou com a voz calma de quem havia tido muito tempo para pensar e acalmar os ânimos.

_Eu posso explicar! – ele se aproximou dela, que estava de costas para ele, olhando a paisagem que se estendia para fora do quarto de hotel que os dois vinham dividindo desde que Draco chegara à Inglaterra.

_Não há o que explicar, Draco! – Hermione virou-se de frente para ele, embora fugindo de seu toque. – Esses anos todos eu achei realmente que você tivesse mudado! O que foi que deu errado?!

_Eu mudei, Hermione! Mudei mesmo! – ele insistia. – Se você me deixar falar...

_Falar?! – Hermione gritou. – Eu esperei que você dissesse qualquer coisa naquela livraria! Qualquer coisa que atestasse sua inocência! Eu não dei crédito a nenhuma palavra daquela mulher, não sem antes perguntar a você! Mas o modo como você reagiu, ou melhor, não reagiu, disse tudo! Não foram precisas palavras para elucidar a culpa nos seus olhos, Draco!

_Eu estava nervoso! Com raiva! Você simplesmente me largou! Disse-me com todas as letras que não se importava com os meus sentimentos!

_Eu nunca disse isso! – Hermione gritou de volta.

_Você não deu a mínima para o meu pedido de que ficasse na Alemanha comigo! Se você não tivesse resolvido correr para os braços dos seus amigos nada disso teria acontecido! – ele se descontrolou também, piorando mais ainda a situação.

_Então a culpa foi minha, Draco?! – ela bateu com as duas mãos no peito para enfatizar. – Foi por minha culpa que você iludiu Sophie, dizendo que a amava e que não me agüentava mais? Que estava aliviado por se ver livre de mulher e filhos?! Foi por minha culpa que você mal esperou ouvir o apito do trem para se enfiar na cama dela?!

_Isso é uma mentira deslavada, Hermione! Nós dois sabemos que Sophie não é do tipo de mulher que se ilude facilmente!

_Eu também não, Draco! Mas você conseguiu fazer isso, não conseguiu?

_Eu nunca iludi você, Hermione! – o rosto dele estava vermelho de raiva. Podia admitir que Hermione estivesse brava com ele, mas não que desconfiasse do sentimento que o tomou anos atrás e que o fez abandonar tudo em que acreditava. – Meus sentimentos por você sempre foram sinceros! Eu nunca tive o interesse de te iludir! Eu te amo!

_E mesmo assim foi para cama com outra? É assim que você me ama?

_Foi uma vez só! – ele admitiu. – Eu estava com raiva, com meu orgulho ferido. Você me conhece! – ele apontou um dedo acusador para ela. – Eu havia bebido demais e caí na sedução dela! Sóbrio isso jamais teria acontecido, e você sabe disso! Eu nunca reclamei de você e das crianças para ela. Vocês são as coisas mais importantes da minha vida! – ele andou na direção dela com os braços estendidos, tentando abraçá-la. – Eu amo vocês mais do que qualquer coisa nesse mundo!

Hermione fugiu mais uma vez dos braços dele. Seus olhos novamente cheios de lágrimas, dessa vez de raiva.

_Eu posso até ter dormido com a Sophie, sim, mas foi por uma fraqueza, não por não te amar mais! Eu estava enciumado, enraivecido, carente!

_Ah sim! – Hermione começou a bater palmas, sarcástica. – Mais uma vez a culpa é minha por você ter ido para a cama com ela, não é? Você foi procurar com ela o que não tinha em casa, Draco? – ela colocou as mãos na cintura, possessa. – E por que você não tinha mais sexo em casa, Draco? Por minha culpa?! Ou porque você estava sempre cansado demais, preocupado demais com a empresa e com os malditos galeões que você perderia se dispensasse alguma atenção à sua esposa e filhos?!

_Eu já te pedi desculpas por isso, e já disse que não vai acontecer de novo, Hermione!

_Não vai mesmo, Draco! – ela olhou para ele séria e controlada, novamente. – Pelo menos não comigo. – ela tirou a varinha das vestes e com um aceno suas roupas arrumadas nas gavetas do quarto começaram a se empilhar dobradas sobre a cama enquanto ela pegava a mala para guardá-las.

_O que você está fazendo? – ele falou com desespero na voz.

_Acabou. Estou voltando para a casa dos meus pais, Draco. – falou sem emoção e sem olhá-lo. – Eu poderia esperar qualquer coisa de você, menos uma traição. – ela o olhou com indiferença.

_Não foi uma traição, Hermione! – ele insistiu, sentindo o coração acelerado e apertado em seu peito. – Foi apenas um deslize e não significou nada para mim.

_Mas significou para mim! – ela falou com raiva. – Como você acha que eu me sinto sabendo que não sou mulher suficiente para meu marido? Que ele não consegue agüentar a tentação de se deitar com outras? Significou muito para mim, Draco.

_Por favor, Hermione...

_Eu vou conversar com as crianças hoje, explicar as coisas da melhor maneira possível. Você pode ir até lá amanhã para falar com elas a seu modo. Não vou querer afastar vocês, mas de mim você pode esquecer, Draco.

_Eu não vou desistir de você, Hermione! Tem que haver um meio de você me perdoar! Eu já disse que não foi nada!

_E eu já disse que para mim foi muito! – ela se dirigiu a porta do quarto. – Foi demais! – abriu a porta e saiu, altiva, sem olhar para trás. Segurou a emoção como pode até chegar ao elevador, onde se deixou desabar, colocando para fora, em forma de lágrimas, toda frustração e tristeza que estava sentindo.

Draco ainda ficou alguns instantes olhando para a porta, estático. Não podia acreditar que Hermione tivesse realmente colocado um fim no relacionamento dos dois. Não podia acreditar que havia perdido a única mulher que fora capaz de amar na vida.

Confuso com todas aquelas novas sensações que o invadiam, Draco deu passos lentos e imprecisos para trás, até trombar com a cama e cair sentado. Olhando para a parede salmon do quarto se deu conta de tudo que havia se passado ali, do vazio que se instalara em seu peito, do desespero que o abalava. Como nunca havia feito antes na vida, apoiou a cabeça nas mãos cobrindo os olhos e chorou.

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Hermione não foi a única que decidira não ir à Toca naquele dia. Harry e Gina resolveram dispensar a companhia dos familiares para curtir um ao outro. Já haviam tido tempo suficiente para desfrutar os carinhos um do outro, mas ainda assim a campainha os irritou, fazendo-os afastar os lábios e parar as carícias que trocavam no sofá da sala.

Resmungando, enquanto Gina ajeitava suas roupas deslocadas por causa das mãos afoitas de Harry, ele levantou-se do sofá e foi atender a porta. A campainha soou ainda uma vez depois que ele já havia girado a maçaneta, mas antes que pudesse dizer "Pronto!", dois braços aflitos enlaçaram seu pescoço.

_Her... Hermione? – ele se assustou, antes de colocar as mãos em volta da cintura da amiga, lembrando-se de como ela costumava pegá-lo de surpresa desse mesmo jeito anos atrás.

_Hermione, o que houve? – Gina veio em direção à amiga e ao namorado, preocupada.

_Vocês tinham toda a razão! – ela se soltou de Harry e se abraçou a Gina. O casal ficou se entreolhando sem entender nada.

_Eu vou pegar um copo de água para você. – Harry deixou as duas abraçadas no meio da sala.

_O que houve, Mione? – Gina perguntou de novo.

_Draco... – ela resmungou. – Vo-vocês tin-nham razão. – ela enxugou as lágrimas que ainda rolavam. Sem esperar o convite foi sentar-se no sofá da sala.

_O que foi que ele fez? – Harry voltava da cozinha com um copo de água com açúcar e se agachou na frente dela, preocupado.

_Ele me enganou... – ela tomou um gole da água, respirando profundamente de vez em quando para acalmar o choro. – Mal esperou que eu viesse para a Inglaterra...

_Do que exatamente você está falando, Mione? – Gina perguntou, confusa. – Vocês pareciam tão bem. Eu achei que vocês tivessem se acertado, afinal de contas.

_Eu também achei! – ela colocou o copo na mesa de centro, com raiva. Levantou-se e ficou andando pela sala, sem rumo. – Ele me enganou direitinho, me fez pensar que estava enganada o tempo todo, me fez até sentir culpada, injusta. – ela secava agressivamente as lágrimas em seu rosto.

_Estamos falando de... – Gina hesitou. – De outra mulher?

_Estamos sim. – ela afirmou, arrasada. – Uma sócia da empresa. – suspirou. – A mesma que um dia me aconselhou descaradamente! – ela bateu uma mão na outra, mal acreditando em sua inocência.

_Mas você tem certeza? – Harry tentou. – Pode ser um mal entendido, não pode? Como você ficou sabendo?

_Oras, Harry! Você não vai mesmo tentar defender o Draco, vai? – ela se virou para ele, nervosa. – Ela mesma me contou! Eu não acreditei a princípio, mas ele admitiu! – ela sentou-se no sofá novamente. – Depois disse que estava arrependido, lógico!

_E você não acreditou nele? – Harry sondou.

Hermione não se deu ao trabalho de responder. Apenas olhou-o como se pudesse atravessá-lo com o olhar.

_Harry... – Gina o chamou. – Por que você não vai... Sei lá... Nos deixe conversar, ok?

_Mas Gina! – ele se ofendeu. – Tem que haver um outro lado nessa história, não é?

_Harry! – Gina exclamou. – Isso não interessa no momento! – e começou a empurrá-lo em direção a escada.

_Ok, ok! – ele levantou as mãos, rendendo-se. Depois de subir dois degraus, já fora do campo de visão de Hermione, ele sussurrou: - Não se esqueça que Luna está vindo para cá!

Gina balançou a cabeça impaciente, embora também tivesse se preocupado com este fato. Balançou os ombros sem saber o que fazer e mandou que ele subisse de uma vez.

Já sozinhas, um pouco mais calma, Hermione continuou: - A culpa foi minha, Gina...

_Como assim? – Gina sentou-se ao lado dela, confusa.

_Eu não devia ter vindo para cá...

_Ora, Hermione!

_É verdade! – ela enfatizou. – Ele fez isso porque estava com ciúmes. Um ciúme infundado é verdade, mas foi por ciúme. Por minha culpa meu casamento está acabado, Gina.

_Se você se sente responsável de algum modo pelo que aconteceu, então porque não dá mais uma chance a ele?

_Porque não foi por ele que eu soube! – ela se levantou novamente. – Se ele tivesse me contado desde o começo, me pedido desculpas, mas não! Eu nunca saberia se Sophie não tivesse me contado. – ela pegou novamente o copo com água e tomou mais um gole. – Ele poderia muito bem continuar me enganando o resto da vida e eu nunca ficaria sabendo... – suspirou.

_Então acabou mesmo? – Gina levantou-se também, colocando as mãos sobre seus ombros.

_Acabou, Gina. – suspirou novamente. – Não há mais volta...

_Hum, hum. – as duas se sobressaltaram com a voz repentina. – Desculpe... Rony disse que podíamos ir entrando... – Luna estava parada na porta da cozinha, com seus olhos grandes mais arregalados ainda.

_Oi Luna. – Gina, incomodada, a cumprimentou. – Não tem problema não.

_Cadê o Harry para me ajudar com essas caixas! – Rony veio gritando logo atrás, visivelmente mal-humorado. – Hermione?! – se espantou ao vê-la ali. – Você estava chorando? O que houve?

_Eu não pude deixar de ouvir. Eu sinto muito, Hermione... – Luna falou, abalada.

_Obrigada, Luna, mas não se preocupe. – Hermione respondeu.

_O que houve? – Rony perguntou novamente.

_Eles já chegaram? – Harry apareceu no topo da escada. – Eu não ouvi a campainha.

_Entramos pela cozinha. – Luna sorriu para ele, tentando desanuviar um pouco o ambiente. – Rony falou para deixarmos as caixas aqui mesmo.

_Por acaso eu fiquei mudo e não percebi? – Rony se pronunciou, enraivecido por ter sido ignorado. – O que foi que aconteceu aqui? Por que a Hermione está chorando?

_Eu não estou chorando. – ela respondeu. – Obrigada, Gina, Harry. – ela olhou para os amigos. – Eu já vou indo. Tchau Rony, tchau Luna.

Luna acenou para ela, tristemente, Rony continuou ignorado, olhando de um para outro confuso e mais nervoso ainda.

_Ninguém vai me dizer o...

_Hermione e Draco brigaram, Rony! – Luna o interrompeu bruscamente. – O casamento deles acabou! – falou de uma vez, dando as costas para os amigos e voltando para a cozinha para terminar de carregar as caixas que haviam trazido.

Os três amigos se entreolharam, inseguros. Gina suspirou, Harry resolveu fingir que estava tudo bem e foi ajudar Luna, Rony encostou o ombro no batente da porta, baixou a cabeça e sorriu discretamente.

N/A: Aí está... Espero q gostem, e que sejam pacientes, pq estou no fim do meu mestrado, escrevendo e corrigindo minha tese, então já viu, não é?
Defendo em fevereiro e aí poderei escrever um pouco mais.
Não esqueçam de comentar, ok? bjos!