CAPITULO SETE – SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO
Cameron se virou, confusa. Estavam parados nos degraus do Grand Central Terminal. Ela ainda estava olhando para cima, para o imponente e majestoso Chrysler Building, que ficava do outro lado da calçada.
- É muito longe? – ela perguntou.
- Umas dez ou doze quadras. - ele respondeu. - Temos uma meia hora ainda.
- Você sabe ir a pé?
- Sei. Nova York é fácil de andar. Nós estamos na rua 42, e o Garden fica 33.
- Mas Chase... leste ou oeste? - ela perguntou, parecendo perdida. - Em que altura?
- Relaxa. Eu sei chegar lá.
- Tem certeza?
- Tenho. Nós estamos na 42 com Lexington. Estamos a quatro quadras da Times Square. O Garden fica entre a 31 a 33, na altura da Oitava Avenida. E a Times Square fica bem no meio de qual avenida?
- A sétima.
- Portanto...
- Portanto, nós andamos.
Chase sorri pra ela.
- Você é fácil de convencer. - ele disse, mas se arrependeu.
- Tem certeza? - ela perguntou, com as sobrancelhas levantadas.
Chase abriu a boca para se desculpar. Mas ela não deixou:
- Estou brincando, Chase. No quesito direção, eu sou um zero a esquerda.
Chase sorriu de novo, e disse:
- Vamos. - e começou a andar, seguindo a calçada na direção oeste da rua 42.
Cameron, a alguns passos dele, o seguiu.
Nesse quesito e em muitos outros, Chase.
XXX
Chase e Cameron caminhavam as dez quadras que os levariam até o Garden conversando, prestando atenção nas ruas e nas pessoas que andavam por ali.
Um grupo de mulheres vestidas como ciganas vinham na sua direção.
- Ah, não! – exclamou Chase, sabendo que, com certeza, elas os iriam parar para uma "consulta".
Foi o mesmo que dizer 'oh, sim'; duas delas os pararam.
- Nós temos horário! – Ele tentou, enquanto uma delas pegava na mão dele e dizia coisas que nem ele ou Cameron conseguiam entender. – Estamos com pressa.
As mulheres insistiam e Chase repetia as mesmas frases. Cameron bem que queria que uma delas lesse sua mão, mas diante do grau de desespero de Chase, riu e também disse que tinham que ir.
- Nós vamos ao jogo. Nos desculpem.
- É. – Chase confirmou. – Uma outra hora nos voltamos. Quem sabe na volta. – Quem sabe nunca.
Ele puxou Cameron pelo braço e fugiu rapidamente delas.
Cameron não resistiu e gargalhou.
- Calma Chase. Eles não iam devorar a gente.
- Eu não gosto de... dessas coisas.
- Que tipo de coisas? De mulheres estrangeiras que lêem mãos?
Ele riu, e levantou as sobrancelhas.
- Pelo jeito você gosta.
- Acho interessante. Digo... já... já acreditei.
- É mesmo? Você já consultou uma "vidente"?
- Quando eu tinha uns doze anos.
- E o que ela disse pra te fazer acreditar?
- Ela disse o que eu queria ouvir. Só isso.
- E o que foi?
- Ah, não, você vai rir.
- Não vou.
- Bem, você tem que pensar que eu tinha doze anos. Era uma adolescente romântica e sonhadora.
- Ah, já sei. Ela disse quem seria o homem dos seus sonhos.
- Exatamente.
- Ela disse um nome?
- Não, Chase. Ela não era tão boa assim.
Ele gargalhou.
- E o que foi que ela disse como ele seria?
- Eu não vou dizer. Você vai rir.
- Já disse que não vou rir.
- Você disse que não, mas vai.
- Diz, vai. Prometo que não vou rir. Se eu rir, te pago uma cerveja no jogo, certo?
- Combinado. – ela suspirou. – Tá... ela disse que ele seria... médico.
Chase a encarou, abriu a boca, e viu que ela não estava brincando. Em seguida, gargalhou abertamente.
- Tá vendo, seu desgraçado, você tá rindo. – ela disse embaraçada, lívida com ele.
- Descul... – ele tentou dizer, ainda rindo gostoso.
- Chase, chega tá.
- Parei. – ele continuou andando, com um sorriso no rosto, segurando o riso.
- Eu tinha doze anos, eu realmente acreditei. E pus na minha cabeça que seria médica. Foi isso que me fez escolher a Medicina.
- Foi a possibilidade de encontrar o cara dos seus sonhos que te fez escolher a Medicina? – Chase ficou surpreso, ainda segurando o riso.
- No início. Conforme eu fui crescendo, fui me apaixonando pela profissão, e de repente, a idéia inicial não era mais importante.
- E você encontrou o médico? – ele ainda tinha um tom de riso na voz, que irritou Cameron.
- Encontrei.
- É mesmo? – Bem que podia ser eu.
- É, mas ele morreu.
Chase parou de rir.
- É... desculpe, Cameron, não foi por mal. – Chase ficou vermelho.
- Estou brincando, Chase. Eu disse isso só pra você parar de rir.
- Maldade, Cameron. – ele ficou chateado.
- Eu não acredito que Matthew tenha realmente sido o cara que a cigana tinha dito.
- Você ainda acha que vai encontrá-lo?
- Não sei. Normalmente os meus sonhos viram pesadelos.
Chase riu, e tentou animá-la
- Eu acho que ninguém deve desistir de um sonho.
- E se ele já passou por mim, e eu não... não disse que ele era o meu sonho?
- Talvez você ainda tenha a chance.
- Será? – Você vai me dar a chance?
Ele a encarou. Cameron tremeu. Os olhos azuis dele estavam mais escuros, e ela lembrou de quantas vezes ele já teve aquele olhar dentro do olhar dela antes. Suspirou e virou o rosto.
- ALELUIA! – ela ouviu.
Era House. Usava uma camisa e um boné dos Knicks. Ao lado dele, Wilson tinha as mãos no bolso, parecendo entediado.
- Vocês vieram juntos? – perguntou House, com uma risada irônica.
Chase abriu a boca para responder, mas Wilson o interrompeu:
- Não é da sua conta, House.
- Você está protegendo os pombinhos? Que bonito da sua parte.
- Que tal nós entrarmos? O jogo vai começar. – Chase decidiu acabar com a discussão.
Os quatro se misturaram com os torcedores do time da casa. Depois de passarem pelas catracas, entraram em um dos corredores onde haviam lanchonetes e lojinhas.
- Hey, quem vai me comprar um dedo de papelão? – Cameron gritou.
Wilson e Chase riram.
- Eu compro. – disse Wilson.
- Eu também quero! – gritou House.
Alguns minutos depois, House, Wilson, Chase e Cameron passaram pelas imensas portas que davam acesso as poltronas vermelhas, os lugares mais inacessíveis e caros do Garden. O tipo de lugar que ficam artistas e celebridades. Eles estavam na penúltima fileira, então a chance de ver Eddie Murphy ou Whoppy Goldberg eram mínimas.
Alguns jogadores dos New York Knicks já se aqueciam na quadra.
Os quatro encontram seus lugares, bem no momento em que as vaias começam: os Los Angeles Lakers estavam entrando em quadra.
House começou a vaiar. Wilson gargalhou e ele e Cameron começaram a imitá-lo.
Chase balançou a cabeça e riu vendo com House parecia natural ali. Sem a ironia, o sarcasmo e a grosseria do dia-a-dia.
Uma voz no alto-falante começou a chamar os jogadores, que conforme era dito seu nome ele entrava na quadra, cumprimentando os outros jogadores que já estavam lá.
Todas os torcedores de ambas as torcidas ali no Garden gritavam furiosamente saudando seus jogadores.
Chase estreitou os olhos ao ver Cameron também fazendo urras de satisfação, balançando o dedo de papelão que tinha um número um. Riu, feliz. Ela também parecia mais solta e natural ali.
E começou o jogo, já com uma cesta de Nate Robinson dos Knicks.
- Uou! – gritou Cameron, levantando os braços.
Chase não resistiu.
- Não sabia que você era uma fã de basquete. – disse perto do ouvido dela.
- Pois é. Matthew era apaixonado, e não tive opção a não ser acompanhar. Acabei curtindo. Eu ia nos jogos até ele... ele não poder ir mais. – ela disse, sorrindo pra ele. – Apesar de que prefiro os Bulls.
Chase riu.
- A hegemonia dos Bulls acabou a muito tempo.
- Infelizmente. – ela sorriu de novo. – Jordan destruiria todos eles. – e apontou para os jogadores da quadra.
- Você conhece futebol?
- Aquele que é jogado com os pés? – Chase assentiu com a cabeça. – Minha irmã jogava no colégio. Sei que é um esporte adorado no mundo inteiro.
- É, eu joguei no time de Oxford.
- É mesmo?
- Verdade. Na Inglaterra é o esporte nacional. Na verdade, o futebol foi inventado lá.
- É de lá que vem os Hooligans, certo?
- Certo. – ele respondeu. – Eu nunca joguei basquete. Vim mais pela... farra.
Cameron gargalhou e levantou as sobrancelhas.
- Eu te ensino. – ela disse.
- Você não vai me dizer que tem que bater a bola no chão, e depois jogar naquela cesta, né?
- Bem... você já sabe o básico.
- Cam, por favor, eu sou australiano, mas não sou burro.
Cameron riu.
- Oh, desculpe. – ela brincou o fitando profundamente.
O que ele faria se eu o beijasse? Merda, por que House tinha que estar aqui?
Chase olhou naqueles olhos verdes, e viu algo que ele desconhecia. Parecia carinho; ou podia ser desejo; ou será que era... ? Não, não era.Não pode ser.
Queria beijá-la ali mesmo. Sentir o gosto de morangos que ela tinha. Sentir o perfume doce que ela exalava.
Que droga, por que House tinha que estar ali com eles?
- Alguém quer cerveja? – ele gritou, desviando o olhar dela.
- Com certeza. – respondeu Wilson.
- Basquete sem cerveja, não é basquete. – disse Cameron.
Chase levantou as sobrancelhas e sorriu.
- Então eu vou buscar. – ele disse.
- Eu vou com você. – ela deu um passo atrás dele.
Wilson levantou as sobrancelhas para Chase, que devolveu um sorriso divertido.
Cupido.
- Quer jantar saindo daqui? – ele perguntou, ao subir as escadas. Vale a pena tentar.
- Claro. Estamos na cidade que nunca dorme.
- Soube que a Virgin vai ficar aberta à noite toda. A gente dá um perdido no House e no Wilson e eu te compro um álbum do Midnight Oil.
Humm! Perdido? Adorei.
Cameron deu uma risadinha.
- Chase, eu sou americana, mas não sou burra. Eu sei quem é Midnight Oil.
- Ah, é? Canta!
- Cantar? – ele pareceu entrar em pânico. Chase ao ver o rosto dela, riu.
- É, exalte sua voz, com ritmo e melodia. – Cameron fez uma careta, desgostosa. – Já que você conhece, cante "Outbreak of Love".
Eles chegaram a lanchonete, e entraram na fila do caixa.
Cameron pensa. Como é mesmo?
- "'Cos I know this is the end of the/Beginning of the outbreak of love" - Ela parou e viu Chase sorrindo, encantado.
- Tá então. – ele disse rindo. Ela gargalhou vencedora. – Eu te compro um cd do Pink Floyd.
- Oh, Pink Floyd... minha banda favorita.
- Jura? – ele perguntou acentuando o sotaque.
Chase olhou pra frente e o atendente o olhou como se perguntasse o que ele queria.
- Quatro cervejas. – ele se virou para Cameron. – Quer um cachorro-quente?
- Claro.
- E dois cachorros-quentes.
- Dezoito dólares.
- Dezoito? Caramba! – ele entregou ao atendente uma nota de vinte dólares, e recebeu de volta as fichas e o troco.
- Aqui dentro é mais caro que o normal.
- A única vez que vim aqui, foi num show do Aerosmith.
- Adoro Aerosmith.
- Eu paguei quinze dólares por um uísque. – ele disse entrando na fila do bar.
Cameron levantou as sobrancelhas, surpresa. Mas pelo uísque, do que pelo preço.
- Mas voltando ao Pink Floyd – ele disse, entusiasmado. - ... canta pra mim. Adorei ouvir você cantar.
- Ah, não, Chase...
- Ah, vai. Você me ouviu cantar uma vez. Agora é a sua vez.
- Não é justo. Eu ouvi sem querer. – ele a olhou, sorrindo, ignorando o que ela disse. – Ah, tá bem. Mas você vai se arrepender.
- Não vou. – ele sorriu. Ela estreitou os olhos, parecendo brava.
- Okay, deixa eu ver. – ela fechou os olhos. – Ah, já sei.
- Isso vai ser muito bom.
Três garotas usando camisas dos Knicks passaram por eles e assoviaram mexendo com Chase. Ele baixou a cabeça e riu, envergonhado.
Cameron estreitou os olhos, e ele riu.
- Vai, Cam, canta.
Ela geme de raiva por ele obrigá-la a fazer isto.
- "Breath, breath in the air/ Don't be afraid to care/ Leave but don't leave me/ Look around and choose your own grounds..."
Chase continuava a admirando, fascinado.
Ela riu e parou.
- "For long you live and high you fly..." – Chase começou a cantar. Cameron parou para ouvi-lo. – "And smiles you'll give and tears you'll cry/ And you touch and all you see/ Is all your life will ever be."
Chase parou, e ambos ficaram se fitando, sem piscar. Cameron parecia que tinha segurado a respiração.
Oh, Deus, por que eu não percebi você antes?
Chase deu um passo na direção dela, levantando uma mão tentando alcançar o rosto dela.
- PRÓXIMO! – o atendente de balcão gritou.
Aquilo os tirou do círculo quase mágico que tinha se formado ali.
Chase suspirando, se aproximou do balcão e entregou as fichas.
Cameron, atrás dele, fechou os olhos, e amaldiçoou o atendente.
Ele tinha que gritar justo agora? – ela gemeu de insatisfação. – Foi quase!
Cameron o olhou pegando os quatro copos de cerveja no suporte de papel, e os dois cachorros quentes.
É hoje, você vai ser meu essa noite!
- Você não tá afim de me ajudar? – ela agora percebeu que ele falava com ela.
- Claro. – ela pegou os cachorros quentes da mão dele.
- Posso fazer um elogio? Sem parecer que... estou... sabe?
- Pode. – ela disse, com um meio sorriso.
- Você canta muito bem.
Cameron gargalhou.
- Obrigada. – ela disse sem graça.
Chegaram às poltronas, e House não resistiu:
- Como vocês demoraram! Por acaso encontraram algum lugar escondido pra...
- Nem termina essa frase. – Cameron ameaçou.
- Ouch! – House continuou. – Pelo jeito o negocio não foi bom!
- Cala a boca, House! – disse Wilson, pegando uma cerveja da mão de Chase e passando pra ele. – Bebe e assiste o jogo.
- Vamos Knicks! – Cameron gritou, ao sentar. Ela olhou para Chase, que lhe entregou o copo de cerveja, e em seguida, ele esticou o dele pra eles brindarem.
Ela bateu o copo de papel dela no dele, e beberam, ainda se fitando.
Você vai ser minha essa noite!
XXX
O jogo terminou em 102 a 91 para os New York Knicks. House ainda vaiava os torcedores dos Lakers que saiam do Garden.
- É, vão embora! – ele ficava apontando para a saída. – Vocês não são bem vindos!
- Cala a boca, House! – exclamava Wilson, que parecia bêbado ou de saco cheio.
- Fora! – alguém gritou.
Eles se viraram e viram Cameron, exaltada:
- Boa sorte ano que vem!
- Tragam jogadores melhores da próxima vez! – era a vez do House.
- Hey, Chase! – Wilson o chamou para um canto, enquanto Cameron e House decidiram fazer um coro:
- FORA!
- Tenho uma surpresa pra você. – Wilson sussurrou.
- Surpresa? – Wilson não estava bêbado, estava doido.- Como o quê?
- Eu... bem... eu, há alguns dias, reservei uma mesa pra dois no seu nome no "Tavern on the Green".
- Como é? – Chase não estava surpreso, estava abismado.
- É, peça um bom vinho, e dance com ela.
- Você fez uma reserva para Cameron e para mim no Tavern on the Green?
- Fiz.
- Por que?
- Bom... eu acho que um empurrãozinho romântico faz maravilhas.
- Mas... – Chase ainda estava chocado. Não sabia o que dizer.
- Sem mas... só quero ver vocês dois... felizes! – disse ele com um sorriso débil.
Chase riu.
- Obrigado Wilson, foi realmente...
- Que nada. – ele o interrompeu. – Vou sumir com o House pra vocês ficarem a vontade.
Chase riu de novo.
Estava arranjando pretexto para ficar longe desses dois... Nem precisou. Mais fácil que dar tapa em bêbado.
Ele olhou para Cameron, que discutia com House.
- Vamos lá! – ele sugeriu com o olhos brilhando. – Cenzinho!
- Não, House. – ela disse horrorizada.
- Por que? Deixa de ser covarde. Você tá andando demais com o Chase.
- Hey! Eu não sou covarde! – nem o Chase.
- Então, vai. Aposto com você. – House insistia.
Cameron olhou para Wilson e Chase que os olhavam, sem entender.
- Então, tá! Cem por jogador. – ela exclamou, e desceu as poltronas na direção da quadra.
- Não me decepcione! – House gritou.
- O que ela tá fazendo? – Wilson se interessou. – Não vai me dizer...
Wilson viu ela se aproximando do banco dos jogadores, e chegando a falar algo para um deles. O jogador se levantou e sorriu.
Chase arregalou os olhos. Filha da mãe! Não é que ela conseguiu?
Logo, mais três jogadores a rodearam. Chase gargalhou. Cameron parecia uma menininha diante daqueles gigantes. Ela deveria ser uns trinta centímetros menor que eles.
- Eu não acredito que ela tá fazendo isso! – Wilson gargalhou.
Chase continua sorrindo, maravilhado. Não tinha como saber do que ela e os jogadores conversavam. Ele não sabia ler lábios, mas sabia que ela deveria estar puxando o saco deles para pegar os autógrafos.
Ele riu internamente, vendo os jogadores assinarem um papel. Ela consegue tudo o que quer. Pena que não me quer.
Um dos jogadores falou no ouvido dela, e ela enrubesceu. Em seguida gargalhou. Disse algo no ouvido dele, e apontou para as arquibancadas na direção de House, Wilson e Chase. Nate Robinson acenou para eles, e House quase desmaiou.
- Filha da mãe! – House gritou. – Perdi quatrocentas pratas.
- Bem feito! – exclamou Wilson.
- Torça pra que ela não vá tentar o banco inteiro. – Chase gargalhou. – Senão, vai ser 1,500.
Ela estava se virando pra subir as escadas, quando voltou. Pareceu que os jogadores exigiram uma despedida apropriada, dando beijos estalados no rosto dela. Cameron enrubesceu de novo, e sorriu.
Alguns segundos depois, ela chegava onde o trio masculino estava. House estava lívido.
- Nate Robinson, Malik Rose, Jerome James e Quentin Richardson. – ela disse, chacoalhando o papel.
- Tá, Cameron, não duvido mais das suas habilidades femininas.
Ela sorriu, embaraçada.
- Muito obrigada, mas passe o dinheiro.
- Agora?
- Por favor. – ela pediu. – Eu e Chase vamos jantar.
Chase virou para ela, e sorriu.
- E eu vou pagar o jantar de vocês?
- Não, você vai pagar a aposta. Eu vou pagar o jantar... com... o seu dinheiro.
- Eu não tenho quatrocentos dólares aqui.
- Mesmo? E o dinheiro pra pagar as prostitutas? Você não trouxe?
Chase encarou Cameron, atônito. De onde vinha àquela ousadia toda?
House fez um barulho que pareceu um resmungo. Alcançou a carteira e deu a Cameron oito notas de cinqüenta dólares. Ela sorriu, feliz.
- Foi muito bom fazer negócio com você. – ela disse, contando as notas. – Vamos Chase, estou faminta.
- Com certeza. – ele disse, subindo as escadas, e Cameron o seguindo.
- Hey! E os meus autógrafos? – House gritou.
- "Meus" autógrafos você quer dizer.
- Eu paguei quatrocentas pratas por eles.
- Não, você pagou pela aposta. Os autógrafos são meus. – ela continuou andando, rindo.
Wilson e House iam atrás. House estava louco de raiva.
- O que você fazer com isso? Você nem curte basquete. – ele tentou de novo.
- Vai buscar o seu, House. – Cameron ficou impaciente.
- Eles já foram pro vestiário.
- Mas sorte na próxima vez. – ela disse, vitoriosa, piscando para o Chase, que chacoalhava a cabeça se divertindo.
No caminho da rua, House ainda reclamava com Cameron
- Isso não é justo.
- O mundo não é justo, House. – ela brincava, quando chegaram a calçada lotada.
Chase viu um táxi e esticou um braço, assoviando. Ele abriu a porta, e olhou para Cameron.
- Boa noite Wilson, e obrigada pelo jogo. Tchau, House. Ano que vem, talvez você consiga. – ela continuou rindo.
- Boa noite. – Wilson desejou. – Boa sorte, Chase.
Chase o olhou embaraçado.
- Obrigado, Wilson. Tchau House.
- Cuidado crianças! – House gritou, várias pessoas e torcedores que saiam do Garden o olhou. – Não façam nada que eu não faria!
Chase entrou e o táxi acelerou.
- Ou é... – House continuou. -... faça, depois faça de novo e finja que você não fez!
- O melhor é... faça, faça de novo, faça sempre e seja feliz! – exclamou Wilson, com um sorriso nos lábios, vendo o táxi ir embora.
XXX
Dentro do táxi, Cameron ainda ria com as palavras de House.
- Você acredita que ele ainda queria os meus autógrafos? – ela estava admirada.
- Pra onde, señor? – o taxista perguntou.
- Tavern on the Green.
- Tavern on the Green? – Cameron repetiu. – Mas Chase...
- É, eu sei. Wilson realmente se empenhou em ser o cupido.
- Ele reservou uma mesa pra nós?
- Reservou.
Cameron riu.
- Mas... eu não estou vestida para o Tavern on the Green, Chase.
- Relaxa. Caso a gente não possa entrar, a gente vai pra outro lugar. Deve ter um restaurante em Nova Yorque que não precise de reservas.
Ela sorriu.
- Acho que sim. – e em seguida, sorriu.
Ele desviou o olhar e olhou para fora do táxi.
Cameron prestou atenção. O cabelo dele caía nos olhos e ele o retirava, tentando colocar os fios atrás da orelha. Ela achou aquele gesto quase hipnótico.
Ele usava uma camiseta hippie azul com botões que vinham até o meio do peito, que contrastava com seus olhos, e percebeu que era a primeira vez que o via usar algo menos formal. Ela normalmente o via de camisas sociais ou nú.
Ela suspirou ao lembrar dele nú. Como tinha um corpo maravilhoso. Podia competir pau a pau com qualquer modelo de passarela. Com aquele pensamento, sorriu.
- O que foi?
Ela virou e o viu a encarando.
- Nada. Só estava... lembrando... de algo.
- Ah! Está com fome?
- Estou.
- Você vai comer uma das melhores comidas de Nova Yorque.
Ela gemeu de prazer.
- Vou adorar. – ela ficou muda, sorrindo. Pode existir alguém mais doce que você?
- E se der tempo, depois de irmos na Virgin, vou te levar no Café Carlyle. Acho que Simon Jackson ainda toca lá depois das duas.
- Simon Jackson?
- O melhor pianista a oeste da rua 76. – ele disse orgulhoso.
Cameron riu, encantada.
- Chegamos! – o taxista anunciou.
XXX
O ambiente do Tavern on the Green é deslumbrante. Ele possui salas com paredes de cristal e espelhos. No verão, o terraço é aberto, onde é possível, jantar ao lado das grandes arvores do Central Park.
Cameron e Chase foram levados por um dos garçons a uma mesa com toalha rosa e um enorme bouquet com rosas brancas no centro.
Ele lhes entregou dois cardápios, e antes de escolher os pratos, Chase pediu um uísque Jack Daniel's, e Cameron, um drinque Cosmopolitan.
- Bem, Chase... – ela disse, logo que o garçom saiu. -... o que eu peço?
- Vamos ver... aqui tem todo o tipo de coisa: costela, frango, porco, atum, cordeiro...
- Peixe-espada? – ela riu ao ler.
- É, é uma delicia. Você quer?
- Tá falando sério?
- É, sim. Ele é temperado com limão e vem acompanhado de vegetais. O que acha?
- Não sei, Chase. Peixe-espada...?
Chase riu.
- Tá, você quer peixe? O que você acha de... salmão com molho de mostarda e aspargos?
- Parece ótimo. Vou querer esse então.
- Legal. Pra mim, vou pegar Lombo de Porco com Arroz Selvagem com maças caramelizadas.
- Meu Deus! – ela olha o menu, vendo os preços. - Isso é caríssimo, Chase.
- Relaxa. Uma vez na vida, não faz mal. – ele disse, sorrindo.
O garçom chegou, com os drinques deles, e Chase fez os pedidos.
- Você tem uma irmã... – ela disse, depois que o garçom se foi. - ... certo?
- Tenho. – ele respondeu, bebendo seu uísque. – Ela se chama Elizabeth.
- Que idade ela tem?
- A mesma que a minha. – ele disse, e Cameron pareceu não entender. – Somos gêmeos.
- Tá falando sério? Nunca imaginaria que você tinha uma irmã gêmea.
- É, nós somos meio diferentes. Ela é... paisagista.
- Ela mora na Austrália? – ela bebe seu drink, prestando atenção em Chase.
- Não, em Londres. Ela tem uma floricultura em Notting Hill.
- Ela tem filhos?
- Um só, Michael. Ele tem uns seis meses, quase sete. A mesma que David quando... bem, quer ver uma foto? – ele leva a mão a carteira e tira uma foto, passando para ela.
Cameron vê uma mulher loira de cabelos longos carregando um bebê com um macacão do Arsenal. A criança é lourissima, com enormes olhos azuis. A semelhança com Chase é grandiosa.
- Ele é a sua cara. – ela disse.
- É, é o que a Liz sempre diz. James fica furioso.
- James é o pai?
- É, é o marido da Lis. Ele é jogador do Arsenal.
- Arsenal?
- É um time de futebol.
- Ele tem o seu sorriso. E os seus olhos. Na verdade, sua irmã também tem. Genes poderosos.
Chase ri, parecendo embaraçado.
O garçom se aproxima, com os pratos.
- Obrigado! – disse Chase. Em seguida, olha para ela e soltou: - Bom apetite!
XXX
Cameron estava adorando o ambiente. E as pessoas que estavam ao redor deles não eram os "ricos chatos" e sim, turmas de amigos, e celebrações de aniversário.
Ao fundo do terraço, uma banda tocava algumas músicas pops de sucesso no palco.
- Você quer dançar? – Chase perguntou.
Ah, meu Deus! – estava emocionada.
- Claro. – ela respondeu, sorrindo.
Chase esticou a mão, e ela o alcançou. Desviaram de algumas mesas, e chegaram ao espaço em frente ao palco reservado para os clientes poderem dançar.
Pararam junto a vários casais, e Chase se aproximou de Cameron, colocando uma das mãos nas costas dela. Cameron tremeu com um arrepio, ao sentir o calor da mão quente dele atravessando o tecido da sua blusa. Ela podia sentir o perfume, e seu hálito quente.
Chase tentava olhar por cima do ombro dela, disfarçando o nervoso por tê-la tão perto.
- Adoro essa música. – exclamou ele, começando a cantarolar o refrão: - "I don't mind spending everyday/ Out on your corner in the pouring rain/ Look for the girl with the broken smile/ Ask her if she wants to stay awhile/ And she will be loved/ And she will be loved…"
Cameron riu gostoso, ao ouvir a voz melodiosa dele mais uma vez.
- Eu também gosto. É linda. - Serei eu amada um dia?
- A voz dele me lembra o Jamiroquai.
- Realmente.
A música acabou, e eles se separaram para aplaudir a banda, junto com os outros casais. A banda agradeceu e emendou com mais uma:
- "The world was on fire/ No one could save me but you/ Strange what desire will make foolish people do/ I never dreamed that I'd meet somebody like you/ And I never dreamed that I'd knew somebody like you..."
Chase encostou o rosto ao lado da cabeça, próximo ao ombro dela. E Cameron mantinha as mãos perto do pescoço dele. Podia sentir o perfume dele melhor, mais forte, mais cativante. Quantas vezes não sentiu aquele perfume sem dar a mínima importância? Agora doía o fato de não poder mais senti-lo impregnado no seus lençóis, no seu travesseiro, na sua pele.
- "No, I don't want to fall in love[This love is only gonna break your heart/ No, I don't want to fall in love[This love is only gonna break your heart/ With you/With you..."
Chase escutou a letra, sentindo seu coração disparar. As coisas poderiam ter sido diferentes, se não tivesse se apaixonado. Era o mesmo discurso que repetia no seu cérebro. Se sentia humilhado, um fracasso como homem e ser humano. E agora estava ali, com o corpo grudado ao corpo dela, sentindo as curvas, o calor, o perfume... Oh Deus, isso é uma tortura. Isso! É a palavra correta: tortura.
- "What a wicked game you play/ To make me feel this way/ What a wicked thing to do/ To let me dream of you/ What a wicked thing to say/ You never felt this way/ What a wicked thing to do/ To make me dream of you..."
Cameron pensou no jogo perverso que ela fez. Um jogo que terminou mal. Mal para ambos. Não deveria ter terminado assim. Deveria ter continuado apenas no sexo. Mas... que diabos!... por que tinha que ter ficado só no sexo? Não tinha nada. Nessa vida, tudo é mutável, é imprevisível. Deveria ter pensado na possibilidade de que tudo viria por água abaixo. As coisas seriam diferentes. Tão diferentes...
- "No, I don't want to fall in love[This love is only gonna break your heart/ No, I don't want to fall in love[This love is only gonna break your heart/ With you/With you..."
O solo de guitarra da música enchia o ambiente.
Chase levantou a cabeça e olhou para Cameron, que sorriu.
Era tudo o que ele podia ter. A amizade dela. O carinho. O respeito. Se era tudo o que podia ter, aquilo seria a coisa mais importante pra ele. A amizade deles naquela noite havia subido um patamar inigualável. Haviam conversado sobre família, musica, sonhos... Coisas de amigos, certo? Só que seu coração disparava cada vez que ela sorria. Ele perdia o fôlego toda vez que ela o olhava nos olhos. Oh, Deus... isso não é coisas de amigos!
- "The world was on fire/ No one could save me but you/ Strange what desire will make foolish people do/ I never dreamed that I'd love somebody like you/ And I never dreamed that I'd lose somebody like you..."
Cameron suspirou ao olhá-lo nos olhos.
Por que era tão cega? Foi preciso aparecer uma mulher para ela poder ver que Chase era único, que não havia alguém mais incrível, mais doce, mais... maravilhoso? Aquela pontada no estômago lhe doeu de novo.
Precisava fazer alguma coisa... naquela noite. Aquela noite seria decisiva. Se ele a amasse, ele a aceitaria. Será? Será que não era tarde demais?
- "Nobody loves no one." – o vocalista terminava canção, sob uma chuva de aplausos. Chase até assoviou.
- Você quer sobremesa? – ele perguntou.
- O quê? – ela não ouviu.
- Sobremesa? Aqui eles tem uma massa com framboesas e morangos e sorvete de baunilha que é uma delicia. O que você acha?
- Bem... uma vez na vida não faz mal.
Chase riu. Cameron se sentia cada vez pior: Oh, Deus, por que você é tão maravilhoso?
XXX
- O que você tem?
Chase se virou ao ouvir a voz de Cameron.
- Eu? Não tenho nada. Por que pergunta?
- Você parece diferente.
- Impressão sua. – ele mentiu. Os planos que ele havia feito não tinham saído como ele tinha planejado. Achou que conseguiria manter uma postura indiferente a Cameron. Tratá-la como amiga. Tratá-la como ele trata Andy. Mas não conseguiu. E ainda não estava conseguindo.
Tortura. Era tortura. Basicamente era isso. Ele estava se torturando.
Cameron sorriu para ele, e Chase tentou sorrir de volta.
A brisa que vinha das milhares de árvores do Central Park, espalhava os cabelos de Chase, fazendo os fios louros lhe caírem nos olhos. Cameron adorava aquilo.
- E então... onde nós vamos agora? – ela perguntou.
- Para a Virgin. Vou chamar uma táxi.
- Táxi?
- A Times Square fica umas vinte quadras daqui.
- Chase... vamos a pé. – ela disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Ele levantou as sobrancelhas.
- Estamos em Nova Yorque. – ela continuou. – É verão. Não temos que trabalhar amanhã. Vamos caminhar mais um pouco.
- Tudo bem. – ele disse, convencido.
Começou o caminho, e ela o acompanhou, andando a caçada cheias de folhas do Central Park. Continuavam descendo a oitava avenida no sentido do Columbus Circus, e em alguns minutos, já estavam na famosa rua 59, um dos endereços mais caros de Nova Yorque.
Ali era o começo da Broadway Avenue, umas das avenidas de maior movimento da cidade. Mesmo passando da meia noite, a rua estava abarrotada, com turistas e pessoas indo e vindo de restaurantes, boates e teatros.
- Hey, vamos dar a volta e descer a oitava, ao invés de descer a Broadway? – ele sugeriu.
- Pode ser.
Eles caminharam vendo os prédios da Midtown, os letreiros dos teatros, dos fast-foods, dos hotéis e de inúmeras lojas. Cameron nunca tinha prestado muita atenção na vida noturna de Nova Yorque, mesmo morando a meia hora dela.
Chase, as vezes, roubava um olhar dela, que ficava vermelha com tanta atenção.
- Preciso vir mais vezes aqui. – ela soltou.
- Eu também. É tão perto e nunca venho.
- E o que você faria aqui, além de comer em restaurantes cheio de babacas metidos a ricos com pratos com preços exorbitantes?
Chase riu, divertido.
- Bem, acho que gostaria de ver algumas coisas...
- Como o quê?
- Talvez... o Moma, o Rockfeller Center, fazer um piquenique no Central Park...
- Não sabia que você era romântico.
Ele lhe deu um sorriso misterioso. Cameron adorou.
- Vamos cortar caminho por aqui. – ele a puxou por uma rua lateral que provavelmente cairia na Broadway. Parece mais um beco do que uma rua. – pensou Cameron.
- Eu deveria ter te conhecido melhor. – ela soltou, enquanto andavam por entre prédios e lojas fechadas.
- Deveria. Assim...– ele desistiu - ... deixa pra lá.
- Não. Diz. Assim...?
- ... Assim... – ele não sabia se devia dizer. Prometeu que não insistiria mais. - ... Assim poderia ter dado certo.
Cameron parou e o olhou procurando algo mais ali. Ele não sorria, não demonstrava emoção ou qualquer outra coisa.
- Chase... é tarde demais pra eu lhe pedir desculpas?
Ele deu uma risada abafada, baixando a cabeça.
- Nunca. – ele disse. – Nunca é tarde pra pedir perdão.
- Me perdoa. Eu não conseguia ver.
Os olhos dele escureceram.
- Ver o que?
- Você. – ele parecia surpreso. Agora tenho que dizer até o fim! - Os meus últimos dias foram... um inferno. Eu... tentei ser... ser imparcial, não me levar só... pela razão. Coisa que eu fiz o tempo todo quando nós estávamos... bem... juntos.
Chase prestou atenção com muito cuidado. Aquele momento parecia ser o mais importante de todos que tiveram. Ele estava consciente, sóbrio. E Cameron parecia séria, e verdadeira.
Ela continuou:
- Pensei tanto que achei que fosse enlouquecer. E descobri que a única coisa que me afastava de você... – Chase segurou a respiração. - ... era medo.
- Medo do que? – ele perguntou quase sussurrando.
- Eu não sei. Talvez... medo de sofrer.
- Sofrer pelo o que? A perda? De me perder? Perder como você perdeu seu marido? Como eu perdi meu filho?
As lágrimas no rosto de Cameron começaram a cair.
- Não sei, Chase. Uma vez Foreman me disse que eu tenho medo de compromisso. Que eu evitava isso porque sabia o que era. Mas eu não sei! Na verdade, eu não sei.
- Cameron, você não pode fugir disso a vida inteira.
- Eu não quero fugir disso. E nem... sequer percebi que fugia. E então... você entrou na minha vida, e eu finalmente vi. Vi que eu fugia. E não quero mais fugir.
Chase a olhou com os olhos mais doces do mundo. Se aproximou e a abraçou. Cameron se deixou se envolver por aquele abraço, como se só o conforto do corpo dele pudesse diminuir a dor que sentia.
Chase a apertava nos seus braços, como se jamais tivesse sentido o corpo dela antes. Ele sentia o perfume doce que ela usava, e o aspirava como se pudesse se embriagar.
Cameron via agora com uma clareza fantástica. Chase era absolutamente tudo o que ela queria. Estava apaixonada, e só naqueles braços, e ao lado dele, é que conseguia ficar feliz, se sentir completa. E sabia que ele a completava. Sentia que ele a amava e que ele era a única pessoa que jamais a faria sofrer.
Ela se afastou dele e o olhou nos olhos. Levou a mão ao seu rosto e sorriu.
- Me ensina a amá-lo, Chase. Me ensina. – ela pediu, sentindo um enorme desespero.
Chase sorriu, atordoado com as palavras dela, sentindo seu coração se encher como nunca havia sido preenchido antes.
Ele se aproximou, levando os lábios aos lábios dela. Cameron sentia arrepios de ansiedade. Chase sentia suas mãos e suas pernas tremerem de emoção.
- HEY, VOCÊS! – alguém gritou.
Chase e Cameron se viraram no susto.
- Vocês tem um celular? – Um homem gritou. – Meu carro pegou fogo, e meu celular tá sem bateria, e não há um único orelhão funcionando aqui.
Cameron olhou Chase, preocupada.
- Não. – disse ele. Diz que isso não é um assalto.
- Como não? Todo mundo tem celular. – o homem foi se aproximando.
- Eu tenho, mas ficou em casa. – a voz de Chase mudou. Ele tá muito perto.
- E ela? – ele perguntou, quando um segundo homem apareceu atrás dele.
Cameron tremeu. Ah, não, diz que não é verdade?
- Olha, nós não temos nada. – começou Chase. – Por favor...
- Calma, cara. Só queremos sua carteira, seu celular, que com certeza está com você, e aqueles lindos brincos de ouro da sua namorada.
O segundo homem foi para cima de Cameron e a separou de Chase.
- Não! – Chase gritou, e foi para cima do homem.
Tudo aconteceu muito rápido. O primeiro homem também partiu para cima deles, e houve uma espécie de confronto, que de repente, terminou com os dois homens correndo na direção da Broadway.
Chase respirou fundo, tentando pegar fôlego mais rápido. Cameron estava atrás dele, o abraçando pelos ombros, também respirando rápido, pálida como papel.
- Você tá bem? – ele perguntou.
- Estou. – ela respondeu com lágrimas nos olhos. – E você?
- Bem... eu acho que... você vai ter que usar seu celular.
Cameron entrou em choque. Não podia ser.
Ele se virou para ela, e viu a enorme mancha de sangue na camisa dele. Ela abriu a boca e exclamou:
- Ah, meu Deus!
- Ele tinha um... canivete. Acho que não fui rápido o suficiente. – ele disse, perdendo a força das pernas, sentando no chão da calçada.
- Chase, eu vou...vou chamar... – ela disse pegando o celular e mal conseguia segurar o aparelho, de tanto que tremia.
- Calma, Cameron...
- Como calma? – ela tinha lágrimas no olhos e a voz dela estava aguda e chorosa.
- Acho que... – ele gemia de dor, colocando a mão numa das costelas. - ... que pegou no... pulmão.
Em alguns segundos, Cameron havia chamado a ambulância, e ela embalava Chase que ficava mais branco conforme o tempo passava.
- Olha pra mim... – ela pedia, quando Chase ameaçava fechar os olhos. -... por favor, Chase, não faz isso comigo.
Naquele momento, os olhos deles estavam claros, tranqüilos, o que deixava Cameron mais apavorada.
- Sabia que...
- Não Chase, guarda suas forças, por favor. – ela chorava.
-... que hoje foi... um dos momentos mais incríveis... da minha vida?
Cameron chorava, com um desespero incomum.
- Se eu morrer agora... vou saber que, no mínimo... você me queria...
- Não, Chase, pare com isso. Ainda nós dois vamos rir disso.
Cameron ouviu as sirenes da ambulância.
- Tá ouvindo?
Chase a olhou, piscando, exausto de tanta dor.
- Eu te amo... Cameron. – e em seguida, fechou os olhos, iluminados pela luz vermelha do carro de resgate.
XXX
N/A: Pronto! Finalmente!!! Acredite se quiserem, foram 18 paginas!! Normalmente, nas fics do House, eu escrevo 8.
Bem, agora vocês podem me matar. Só não mandem bombas pra minha casa, meu pai não iria entender o motivo.
Explicando algumas coisas, eu li numa fic em inglês que Chase tinha uma irmã gêmea, e adorei. Por esse motivo, inclui isso na história.
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: SALLY, MAI, MONA, LALÁ, LIS, CAMILA, GABY, NAYLA, NAIKY, TATIANA, NICOLE E ANDREA. VOCÊS SÃO MARAVILHOSAS!!! E OBRIGADA TAMBÉM AS PESSOAS QUE LÊEM A FIC E NÃO DEIXAM REWIEWS. VALEU MESMO!!
PS: NÃO MATEM A AUTORA SE NÃO, NÃO HÁ CAPITULO OITO!!!!
ALUSÕES:
Grand Central Terminal é um terminal de ônibus, metrôs e trens que há na região central da cidade. O Chrysler fica em frente, na calçada da frente.
Chrysler Building é um dos prédios mais lindos de Nova Yorque. Se vocês puderem, assistam o filme "Amor a Segunda Vista" (Two Weeks Notice) com Sandra Bullock e Hugh Grant. Eles comentam sobre o prédio, durante um vôo de helicóptero.
Lexington, Sétima, Oitava, rua 42, 31 ou 33 são ruas e/ou avenidas da cidade. Achei interessante colocar sobre isso, para deixar mais natural. Afinal de contas, que não fala sobre as ruas da sua cidade? Ainda mais quando você tem que chegar em algum lugar?
Ciganas – o motivo de eu colocar sobre elas no capitulo, foram dois. Primeiro eu li uma fic de Lost que foi sensacional. Tinha um dialogo perfeito, que infelizmente não coube aqui. E segundo, foi porque eu, praticamente, fui agarrada por uma lá no Largo 13. E o que eu pus no capitulo é verdade. A mulher falava tão rápido, que eu não resisti e disse: Fala devagar, eu não entendo nada do que você disse!
Eddie Murphy e Whoppy Goldberg são atores famosos. Certo? Sei que eles são fãs de basquete.
Bulls são os Chicago Bulls. E Jordan é Michael Jordan, junto com Magic Johnson, uma lenda do basquete americano, é o maior jogador dos Bulls de todos os tempos. Jennifer Morrison nasceu em Chicago, e tirou uma foto com ele quando era criança, então é uma homenagem a ela.
Hooligans são aqueles torcedores fanáticos e violentos dos times da Inglaterra.
Virgin é uma gravadora, que possui uma loja de música, vendendo cds, dvds e derivados. Chase e Cameron decidem ir na megastore que fica na Times Square. Um dos endereços mais caros do mundo.
Midnight Oil é um banda australiana. São totalmente politizados, lutam contra o domínio inglês na Austrália0, e lutam também para tirar a Union Jack (bandeira inglesa) da bandeira australiana.
Pink Floyd é uma banda inglesa de rock progressivo. E uma das maiores bandas de todos os tempos. Sou uma fã declarada e apaixonada. Demorei muito tempo escolhendo uma música para por Cameron cantando, e decidi por Breath, que tem uma levada deliciosa e é fácil de cantar.
Aerosmith é uma banda de rock iniciada nos anos setenta. Ela teve uma queda considerável nos anos 80 (devido às drogas), mas voltou com tudo em 89, emplacando tantos hits, que tenho certeza que você deve ao menos conhecer um.
Tavern on the Green é um famoso restaurante, quase dentro do Central Park. Ele fica em frente ao Prédio Dakota (mais conhecido como o lugar que possui a calçada onde John Lennon foi assassinado). O restaurante é caro, e é necessário de reservas antecipadas. Mas o ambiente é único. Se você for em Nova Yorque um dia, e puder ir no Tavern, faça reservas para jantar no Crystal Room, que tem três paredes de vidros, candelabros e lustres, parece que você esta dentro de um bolo de noiva gigante. E ah, realmente, no verão, eles abrem o jardim e promovem jantares ao som de banda ao vivo.
Ah, os pratos mencionados no capítulo faz parte do menu de verão do restaurante. E realmente tem peixe-espada (não é mentira). Eu só traduzi (o menu tá no site do Tavern e é todo em inglês)
Nate Robinson, Malik Rose, Jerome James e Quentin Richardson são jogadores dos New York Knicks. (Sim, são de verdade. Peguei no site oficial do time.)
Café Carlyle é um bar que fica dentro do Hotel Carlyle. Ele existe desde 1956, e o lugar onde Woody Allen toca com a sua banda.
Simon Jackson é um PO (personagem original). Achei melhor.
Central Park é o maior parque da cidade. É o pulmão verde de Nova Yorque. É gigantesco. Ele vai da rua 59 até a rua 110. Ou seja, quase 50 quadras.
Jack Daniel's é uma marca famosa de uísque. Sempre que falar dele, vou lembrar de Al Pacino no filme "Perfume de Mulher" (Scent of a Woman), que o chamava de John Daniel's. Ele diz que era tão intimo que podia chamá-lo assim.
Cosmopolitan é um drinque. Querem a receita?
Notting Hill é um bairro de Londres. E foi pano de fundo do romance de Hugh Grant (ele de novo) e Julia Roberts em "Um lugar chamado Notting Hill".
Arsenal é um time de futebol da primeira divisão na Inglaterra.
She will be Loved é uma canção da banda Maroon 5. Maravilhosa, né?
Jamiroquai é uma banda de rock. Quer dizer, o som deles é uma mistureba total, com um pouco de jazz e funk (não é o carioca, pelo amor de Deus!).
Wicked Game é a canção maravilhosa que embala a dança de Chase e Cameron. (Escolhida a dedo). Achei a letra tão... tão Chameron, que não resisti. É cantada por Chris Isaak, e possui um dos videoclipes mais sexies na historia do videoclip.
LETRAS E TRADUÇÕES:
Outbreak Of Love – (Derrocada do Amor) - Midnight Oil
The world is crashing down on me tonight
O mundo está caindo sobre mim esta noite
The world is crashing down on me tonight
O mundo está caindo sobre mim esta noite
The walls are closing in on me tonight
Os muros estão fechando sobre mim esta noite
The walls are closing in on me tonight
Os muros estão fechando sobre mim esta noite
'Cos I know this is the end of the
Porque eu sei que isto é o fim do
Beginning of the outbreak of love
Inicio da derrocada do amor
The stars come falling down on me tonight
As estrelas vão cair sobre mim esta noite
The stars come falling down on me tonight
As estrelas vão cair sobre mim esta noite
Sharks are coming up to feed
Tubarões estão vindo se alimentar
I believe it's time to move
Eu acredita que é hora de se mexer
Divers coming up to breathe
Mergulhadores estão subindo pra respirar
But I'm not in the mood
Mas não estou de bom humor.
Breath –(Respire) - Pink Floyd
Breathe, breathe in the air
Respire, respire no ar
Don't be afraid to care.
Não tenha medo de se preocupar
Leave but don't leave me.
Abandone mas não me abandone
Look
around and choose your own ground.
Olhe
ao seu redor e escolha seu próprio chão
Long you live and high you fly
Quanto
mais você vive e mais alto você voa
And
smiles you'll give and tears you'll cry
E sorrisos que você dará e lágrimas que você chorará
And all you touch and all you see
E tudo que você toca e tudo que você vê
Is all your life will ever be.
É tudo que a sua vida sempre irá ser
Run, rabbit run.
Corra coelho corra
Dig
that hole, forget the sun,
Cave
aquele buraco, esqueça o sol,
And when at last the work is done
E quando finalmente o trabalho estiver feito
Don't sit down it's time to dig another one.
Não se sente é hora de começar um outro
For long you live and high you fly
Quanto mais você vive e mais alto você voa
But only if you ride the tide
Mas apenas se você montar na maré
And balanced on the biggest wave
E se equilibrar na maior das ondas
You race towards an early grave.
Você correrá para a sepultura.
She will be loved – (Ela será amada) - Maroon 5
I don't mind spending everyday
Eu
não me importo de passar todos os dias
Out on your corner
in the pouring rain
sentado,
na esquina da sua casa, na chuva
Look for the girl with the broken
smile
Olho
para a garota com o sorriso despedaçado
Ask her if she
wants to stay awhile
Pergunto
a ela se ela quer ficar
And she will be loved
E
ela será amada...
And she will be loved
E ela será amada...
Wicked Game – (Jogo Perverso) - Chris Isaak
The
world was on fire
O
mundo estava pegando fogo
No
one could save me but you.
Ninguém
poderia me salvar, exceto você
Strange
what desire will make foolish people do
Estranho
o que o desejo faz as pessoas tolas fazerem
I
never dreamed that I'd meet somebody like you
Eu
nunca sonhei que eu conheceria alguém como você
And
I never dreamed that I'd lose somebody like you
E
eu nunca sonhei que eu perderia alguém como você
No,
I don't want to fall in love
Não,
eu não quero me apaixonar
[This
love is only gonna break your heart
(este
amor vai apenas partir seu coração)
No,
I don't want to fall in love
Não,
eu não quero me apaixonar
[This
love is only gonna break your heart
(este
amor vai apenas partir seu coração)
With
you
Por
você
What
a wicked game you play
Que
jogo perverso você joga
To
make me feel this way
Para
fazer eu me sentir assim!
What
a wicked thing to do
Que
coisa perversa de se fazer!
To
let me dream of you
Deixar
eu sonhar com você
What
a wicked thing to say
Que
coisa perversa de dizer!
You
never felt this way
Que
você nunca se sentiu assim
What
a wicked thing to do
Que
coisa perversa de se fazer!
To
make me dream of you
Deixar
eu sonhar com você
And
I don't wanna fall in love
Não,
eu não quero me apaixonar
[This
love is only gonna break your heart
(este
amor vai apenas partir seu coração)
And
I don't want to fall in love
Não,
eu não quero me apaixonar
[This
love is only gonna break your heart
(este
amor vai apenas partir seu coração)
World
was on fire
[O
mundo estava pegando fogo
No
one could save me but you
Ninguém
poderia me salvar, exceto você
Strange
what desire will make foolish people do
Estranho
o que o desejo faz as pessoas tolas fazerem
I
never dreamed that I'd love somebody like you
Eu
nunca sonhei que eu amaria alguém como você
I
never dreamed that I'd lose somebody like you
E
eu nunca sonhei que eu perderia alguém como você
No
I don't wanna fall in love
Não,
eu não quero me apaixonar
[This
love is only gonna break your heart
(este
amor vai apenas partir seu coração)
No
I don't wanna fall in love
Não,
eu não quero me apaixonar
With
you
Por
você
Nobody
loves no one
Ninguém
ama ninguém
