Capítulo 9

BPV

Assim que Edward fechou a porta, meu sorriso havia se desfeito e ainda estava assim enquanto eu assistia televisão. Estava em casa, sentada no sofá e sem qualquer capacidade de andar por aí pra pegar qualquer coisa que eu precisasse. Edward sabia disso, por isso me deixou mergulhada numa montanha de salgadinhos, o controle remoto na minha mão e uma garrafa de refrigerante na minha frente.

Ele realmente dobrara a preocupação que teve comigo. E isso me preocupava.

Muito.

Poxa vida, eu estava num momento delicado. Ter um cara simplesmente lindo cuidando de mim não ajudava muito a manter a cabeça no lugar certo. Suspirei, pensando nos olhos verdes, no maxilar forte e no corpo alto e forte. Mesmo antes do acidente, ele já seria inalcançável. Agora então... Comigo presa nessa cadeira de rodas ridícula.

O telefone tocou embaixo de um pacote de salgadinho. Estendi a mão e atendi.

–Oi, Bella! – Alice gritou do outro lado da linha - Voltamos!

–Alice! – eu ri – Mas já? Pensei que fossem ficar mais tempo...

–Nós íamos, mas conseguimos convencer nossos pais a voltarmos mais cedo – ela suspirou – Queríamos ficar com você.

–Não precisava... – falei, mas ainda assim me senti tocada – Vocês são demais mesmo. Quer vir aqui em casa?

Alice deu um risinho, e eu ouvi seus pulinhos na minha varanda.

–Surpresa! – ela gritou, me fazendo ouvi-la pelo telefone e através da porta.

–Pode entrar! – eu gritei, desligando o celular.

Como um mini tornado, Alice entrou na sala, correndo em minha direção e enrolando os braços em meu pescoço. Abracei-a de volta, rindo com a intensidade do amor.

–Senti saudades – eu admiti – Como foi a viagem?

–Foi ótima! – ela sorriu e sentou ao meu lado virada para mim, colocando os pés no sofá e abraçando o joelho, exatamente como eu costumava fazer – Nossos pais foram em várias conferencias e reuniões... O de sempre, você sabe... Então eu e Emmett aproveitamos para conhecer a cidade. Ai... Paris é tão... – ela sorriu sonhadoramente - romântico!

–Exceto quando você está com seu irmão gêmeo – eu ri.

–Exatamente – ela bufou – Foi meio deprimente, mas é sempre bom ter Em por perto.

Eu assenti, concordado imediatamente.

–E onde ele está? – olhei envolta. Ele com certeza não estava na minha pequena sala, eu teria notado.

–Ficou em casa... Você conhece ele... – ela revirou os olhos – Não consegue chegar em casa sem arrumar minuciosamente as roupas de volta no armário, os sapatos nas gavetas, os relógios no cofre, e por aí vai... Ele tinha que ser como eu, sabe? É tão mais fácil colocar tudo junto no armário!

Eu ri. Eles eram gêmeos, mas eram tão opostos que se tornavam cômicos. Emmett era enorme, esportista e organizado. Alice era pequena, sedentária e bagunceira. Quem iria entender? A única coisa que os dois tinham igual era o humor.

–Se ele fosse como você, sua casa gigante seria pequena pra tanta bagunça.

–Minha bagunça é saudável – ela cruzou os braços – É arte, sabe? Minha forma de me expressar – ao encontrar meu olhar cético, ela agitou os braços na minha frente – Mas o assunto aqui não é minha bagunça!

–Não quero falar sobre aquilo – apontei logo para a cadeira de rodas.

–Eu já sabia que não – ela sorriu – E eu fiquei pensando no que você falou a última vez que fomos te ver... – ela levantou a mão direita – eu prometo que não vou te tratar como vítima nem ter pena de você. Bom, não que eu vá deixar transparecer.

Eu sorri para ela, puxando-a para mais um abraço.

–Obrigada, Alice. É só disso que eu preciso no momento.

–Estou aqui pra te dar forças – ela se afastou e limpou rapidamente as lágrimas que lhe escaparam, rindo de si mesma – Eu sou muito bicha mesmo – ela riu – Mas o que morri a viagem inteira pra saber é de uma coisa – ela arregalou os olhos e se curvou para mim – Edward Cullen!

Eu revirei os olhos.

–O que quer saber?

–Nada disso, Bella – ela empurrou meu ombro – Não venha para cima de mim com invasivas. Sabe exatamente o que eu quero saber!

–Não aconteceu nada – eu falei – E nem vai acontecer.

–Mais detalhes! – ela implorou de olhos fechados e mãos juntas, então alguma coisa pareceu atingi-la, porque ela abriu um dos olhos e me olhou – Espera aí... Não dá pra saber mais sobre um nada aconteceu.

–Exatamente – eu dei de ombros.

–Bella! – ela resmungou – Por favor! Me diz o que tá passando aí na sua cabeça!

Eu suspirei, sabendo que só estava tentando adiar o inevitável.

–Ok. O que está passando na minha cabeça é que ele é incrivelmente lindo.

Alice deu um gritinho.

–Ah! Eu sabia! Ele realmente é um pedaço de mau caminho... Na escola é como um deus. E o que mais está pensando?

–Que é exatamente por isso que não vai acontecer nada – eu dei de ombros – Ele é bonito demais, alto demais, anda demais.

–Oh – Alice segurou meus ombros – Não me venha com essa, Isabella!

–Alice – eu me soltei – para com isso! Você sabe que é verdade... Sem falar que eu não estou apaixonada por ele – eu parei e olhei para o chão – Eu só tô quase, o que é totalmente diferente.

–Como ele é? – ela levantou a sobrancelha – Ele jogou aquele charme safado em cima de você? Te seduziu com toda aquela rebeldia libertina?

–O que? – eu ri – Do que você tá falando?! É claro que não – eu revirei os olhos – Ele é muito diferente do que foi nos primeiros dias. Ele é muito carinhoso e preocupado. Quando ele encosta em mim, é sempre com muito cuidado – Alice tinha a boca aberta num belo "o", mas eu ignorei e continuei – Ele tem muitos problemas com a família. Ainda não sei nada sobre isso, mas eu vou descobrir.

–Edward... Atencioso? Carinhoso? Estamos falando sobre o mesmo Edward?

–Para com isso, Alice – eu ri – Ele não o que parece ser. Ontem... – eu suspirei – Ele apareceu de noite no hospital. Tinha brigado com seu pai e passou a noite lá. Dormimos juntos e... Foi tão especial, Alice. Foi como se ele tivesse se mostrado para mim inteiramente pela primeira vez.

–Vocês transaram? Uh, Bella - ela deu uma cutucada em meu ombro - sua safadinha.

–Não! – Eu gritei – Ai meu Deus, Alice. Claro que não. Nós só dormimos. E acordamos juntos – eu tampei meu rosto – abraçados.

–Você está corando – ela acusou rindo, mas seu rosto ficou sério e ela segurou minha mão – Gosta dele?

–Não sei – eu dei de ombros – Ele é tão diferente, sabe? É tão bom comigo, mas esse é o meu medo: Ele só estar fazendo tudo isso por causa do programa. Não quero me machucar num momento assim. Por isso – eu estufei o peito – O melhor que eu faço é manter a distância.

~0~0~0~0~0~0~

Alice tinha ido embora logo que minha avó chegou com a promessa que continuaríamos nossa conversa. Eu estava jantando com minha avó no sofá quando a campainha tocou. Por alguma esperança estúpida, achei que poderia ser Edward, mas Emmett entrou em casa.

–Emmett! – eu sorri – Que bom que veio!

Ele sorriu largamente e plantou um longo beijo na minha testa.

–Vim te buscar para mais um passeio noturno – ele sorriu – Se estiver tudo bem para a vovó – ele olhou para minha avó.

Emmett e eu sempre saíamos para dar uma volta pela vizinhança em seu carro quando queríamos conversar. Nos conhecíamos desde criança, antes caminhávamos, mas assim que fizemos dezesseis anos, a vontade de dirigir conseguiu uma boa justificativa. Com tanto tempo frequentando minha casa, minha avó tornou-se nossa avó, e seus pais, meus tios.

–Por mim está tudo bem – minha avó sorriu – Acho que seria bom para Bella andar pela vizinhança.

–Eu só vou terminar de comer – eu respondi – Senta aqui enquanto eu acabo.

Estávamos na cozinha, sentados na pequena mesa de quatro lugares. Eu tinha conseguido, depois de muito esforço, voltar para a cadeira de rodas, então uma das cadeiras pesada de madeira estava encostada no canto da cozinha enquanto eu ocupava seu lugar.

Emmett tentava, mas não conseguia passar muito tempo sem me olhar inteira, focando, principalmente, na porcaria da cadeira. Tentei fingir que não notava, mas me pegava suspirando irritada mais de uma vez, então ele se tocou.

Depois de comer, fui escovar o dente no banheiro do andar de baixo. A pia estupidamente alta me incomodava, mas nada que não pudesse ser superado. Com tudo pronto e minha cama pronta no sofá (Graças à Deus o sofá era um sofá cama! Meu quarto ficava no segundo andar, era impossível para mim chegar lá.), Emmett e eu nos dirigimos para a varanda, onde ele me pegou no colo e me levou até sua caminhonete, colocando, depois, minha cadeira atrás. Entrou no carro e começou a dirigir.

–Então... uh... Como está sendo com o Cullen? – ele falou olhando pra frente.

–Por que a pergunta? – eu ri – Alice já passou o relatório, não foi?

–Por isso tô perguntando? – ele riu – O que diabos estava passando na sua cabeça pra dizer que o Cullen era um deus grego do sexo?

Arregalei os olhos para Emmett.

–Mas eu nunca disse isso!

–Alice disse que você falou – ele riu, então fiquei mais calma e acompanhei sua risada.

–E você ainda acredita nela? – sacudi minha cabeça, sorrindo – Quando Alice relata qualquer fato, temos que diminuir o drama pela metade.

–Pois é – ele deu um meio sorriso – Não sei de quem ela herdou isso. Mas agora é sério... Você não está seriamente envolvida com ele, né?

–Claro que não, Emmett – eu bufei – Não está acontecendo nada. De verdade.

–Ótimo – ele pareceu realmente satisfeito – Você é boa demais pra ele.

–Eu demais pra ele?! – eu ri amargamente – Sou eu quem está na cadeira de rodas!

–Isso é irrelevante, Bella – ele respondeu bravo – Você é a mesma Bella de antes. E esse cara não presta!

–Você nem conhece ele! – eu retruquei – Ele é diferente! Ninguém percebe isso!

–Não tem nada pra ser percebido. Ele é uma traça de calcinhas. Só vai acabar te magoando.

–Não vou falar sobre isso com você – eu cruzei os braços – Você nem quer me ouvir! Só fica falando sobre o que acha dele, sendo que fui eu quem passei todo esse tempo colada nele.

Ficamos em silencio por um tempo. Ele finalmente suspirou e se rendeu.

–Então me conta o que sabe dele? Não a baboseira superficial que falou pra Alice.

Então eu contei. Conforme andávamos pela vizinhança, contei a Emmett cada lembrança que tinha desde que acordei. Cada pequena mudança no comportamento de Edward. Contei quando ele lavou meu cabelo. Admiti envergonhada que ele me ajudava a me vestir, mas que nunca me desrespeitou. Falei como ele lembrou do rissole e da coca, de como sentávamos e assistíamos filmes juntos, fazendo piadas juntos, ou Edward rindo da minha excessiva sensibilidade. Contei de cada detalhe como eu podia lembrar.

No final, Emmett parecia mais insatisfeito ainda.

–Você realmente está envolvida com ele...

–Talvez, mas... – eu suspirei – Não quero me envolver. Vou manter tudo no profissional.

–Vocês podem ser amigos, Bella – ele me olhou – É só manter o pé no chão. Esse não é o momento pra criar um romance.

Concordei e o silencio do carro passou a ser preenchido por uma musica alta vindo de uma casa de esquina.

–Oh, merda – Emmett gemeu – Esqueci que Tricy Barnes ia dar uma festa hoje. Não devíamos ter passado por aqui.

–Vai bem devagar – eu avisei – Tem pessoas bêbadas aqui. Não queremos atropelar ninguém.

Na primeira marcha, Emmett andava lentamente com o carro, desviando o melhor que podia das pessoas que invadiam a rua. Olhei para a movimentada residência e suspirei, pensando nas pessoas andando pelo quintal. Andando...

Então um casal chamou minha atenção. Arregalei os olhos quando vi Edward nos braços da garota mais linda que eu já tinha visto em minha vida. Quando digo nos braços, quero dizer literalmente, porque ele se apoiava completamente bêbado no pescoço dela. A proximidade deles me magoou, o toque casual dos seus braços envolta do pescoço dela me chocou.

–Roselie? – Emmett sussurou, olhando horrorizado para a loira que se afastava com Edward da casa – Junto com Edward?

O choque não me permitiu afastar os olhos dos dois. Eram tão perfeitos juntos. As longas pernas, o corpo perfeitamente moldado, o rosto angelical. Roselie, agora sabia quem era, tinha lindos cabelos loiros que escorriam em suas costas como uma cascata dourada. Engoli seco, sentindo, sobressaltada, um nó em minha garganta.

Eles abandonaram o jardim e pisaram na calçada. Desconcentrado, Emmett deixou o carro morrer, e eu queria socá-lo.

–Vamos embora logo! – eu gemi enquanto Emmett ligava a chave. Não queria mais ver nada daquilo.

–Edward, seu filho da puta! – a loira gritou irritada – Bêbado ridículo! – ela xingou, apesar de não parecer muito mais sóbria que ele.

Edward resmungou alguma coisa e ela rolou os grandes olhos azuis.

–Eu já disse que não sei onde essa Bella mora! – ela gritou, carregando ele pela calçada – E não vou bater lá no meio da noite com um bêbado desacordado!

Emmett começou a andar com o carro, claramente alheio ao que eu acabei de escutar.

–Em, para o carro! – eu gritei – Edward estava me procurando!

–Ele está bêbado – ele falou – Não vou deixa-lo se aproximar enquanto está assim.

–Não – eu pedi – Desça e vá busca-lo. Vamos leva-lo para minha casa.

–Você tá doida?! – ele gritou.

–Estou pedindo! – eu falei irritada – Eles são só amigos, e ela tá ajudando ele. Faça uma boa ação na frente dela – falei incisivamente, sabendo da pequena atração que ele sentia por Roselie.

Emmett bufou e desceu do carro. Correu até os dois e Roselie abriu um sorriso agradecido quando Em livrou-a do peso de Edward. Seus olhos azuis faiscaram em minha direção e ela sorriu timidamente.

–Você deve ser a Bella – ela se aproximou da janela – Aquele bunda mole não parava de falar de você.

Eu corei fortemente e sorri, completamente sem jeito.

–Ele estava bêbado – eu ri – Então não conta muito.

Emmett abriu a porta de trás e deitou Edward no banco. Depois de fechar a porta, virou-se para Roselie e sorri.

–Tem certeza que não quer uma carona?

–Obrigada – ela sorriu, as maças do rosto tomando um tom delicadamente rosado – Tenho algumas amigas na festa e não poderia ir embora sem elas – ela deu de ombros sorrindo – Mas obrigada.

Relutante, Emmett começou a dirigir, se afastando da casa, mas mantendo os olhos no retrovisor até Roselie desaparecer.

–Ela é linda – eu falei sorrindo, tirando-o de seu devaneio.

–Sim... – ele sorriu – Esse semestre vou me aproximar dela. É a última chance, sabe como é... – ele riu – Último ano.

–Tenho certeza que vai conseguir – acariciei seu ombro e ele sorriu pra mim, pegando minha mão de seu ombro e beijando-a.

Chegamos a minha casa e Emmett deixou Edward no meu sofá. Depois de eu quase expulsá-lo a chutes, Emmett foi embora, me deixando sozinha com Edward.

Suspirei, e direi a roda da cadeira para me aproximar dele. Deitado de bruços no sofá aberto, seu rosto desacordado era lindo. Mas estava fedendo a bebida. Bem... Que merda. Uma mecha de cabelo caía sobre sua testa, e eu lentamente afastei-a com a ponta dos dedos. Com o movimento, ele pareceu acordar.

–Bella? – ele me olhou, mas não se mexeu.

–Está se sentindo bem? – inconscientemente, acariciei seu rosto.

–Acho que quero vomitar – ele admitiu.

Me afastei e andei com a cadeira o mais rápido que eu pude para buscar um balde. Quando voltei, coloquei o balde no chão, ao lado da cabeça dele.

–Edward, pode vomitar aqui se – ele girou o corpo, colocando só a cabeça para fora do sofá e vomitou no balde – precisar.

Ele vomitou e vomitou. Senti pena dele, mas já estava acostumada com a cena. Nas vezes que minha mãe aparecia para nos visitar, sempre terminava a noite comigo cuidando dela. Fui para o banheiro e peguei uma toalhinha limpa, que minha avó costumava usar pra secar a pia, no armário do banheiro e na cozinha, peguei uma vasilha com água.

Voltei para a sala e Edward já estava deitado de barriga pra cima, com os olhos fechados fortemente.

–Trouxe isso pra você limpar o seu rosto – eu falei, mas ele só assentiu sem demostrar qualquer força pra abrir os olhos.

Mergulhei a toalha na vasilha e torci, passando em seu rosto e limpando. Molhei novamente e passei a toalhinha úmida em seu pescoço. Quando ele parecia bem o suficiente, voltei para a cozinha, tendo dificuldade pra carregar aquele balde cheio de vômito. Quase chorei pensando na possibilidade de derrubar aquilo no chão, mas consegui. Depois de limpar o balde no tanque, peguei um copo de água e um comprimido pra enjoo.

Quando voltei, o sofá estava vazio. Olhei em volta preocupada, então vi Edward saindo do banheiro, se apoiando nas paredes e se jogando no sofá de novo.

–Bebe isso aqui – eu falei, entregando a água e o comprimido para ele – Vai ajudar com os vômitos.

Ele pegou o copo, e enquanto bebia, me fitava de um jeito intenso.

–Usei uma escova de dente amarela que estava no banheiro – ele falou, me entregando o copo.

–Era minha – eu protestei – Porque foi escovar o dente?

–Não queria que tivesse que sentir mais o cheiro de vômito vindo de mim – ele deu de ombros, fitando o chão.

Ele estava envergonhado?

–Tudo bem – eu suspirei – Pode passar a noite aqui, se quiser. Até se sentir melhor.

–Sinto muito – ele falou, levantando o olhar para me fitar – prometi que não me veria mais bêbado, mas aqui estou eu.

–Está tudo bem – eu assegurei – Acontece.

–Obrigado por cuidar de mim – ele se curvou e segurou minhas mãos, começando a acaricia-las.

–Por que bebeu tanto? – perguntei, olhando para seus longos dedos enquanto eles traçavam círculos em meus pulsos.

–Queria te esquecer – ele falou. Senti um choque de mágoa e tentei afastar minha mão, mas ele a segurou com mais firmeza – Não porque não goste de você – ele falou logo, e se aproximou mais de mim, acariciando meu queixo – mas porque eu goste demais. Fiquei com medo do que está acontecendo aqui dentro.

–O que está acontecendo? – consegui perguntar. Da distancia que nossos rostos estavam, conseguia sentir sua respiração em meus lábios.

–Eu não sei – ele balançou lentamente a cabeça.

–Está bêbado, Edward – tentei me afastar – Não sabe o que está falando.

Mas antes que eu pudesse me soltar completamente, Edward me puxou pelos braços para o sofá. Por reflexo, segurei-me a ele enquanto ele me sentava ao seu lado. Com as costas no encosto, arregalei os olhos quando ele virou o corpo para mim.

Sua mão deslizou pelo meu braço, chegando ao meu ombro e então ao pescoço enquanto seu polegar acariciava minha bochecha.

–Eu sei o que estou dizendo – ele se aproximou – Só... Me deixe... – ele perdia as palavras com a mesma intensidade que eu perdia o fôlego com sua súbita proximidade.

Então ele baixou o rosto lentamente e escovou os lábios nos meus, tão levemente que me perguntei se seria imaginação. Como se tivesse lido meus pensamentos, ele afundou os lábios nos meus, chupando e mordendo meu lábio inferior. Soltei um suspiro quando sua outra mão envolveu a lateral da minha cintura, subindo até quase alcançar a base dos meus seios, e descendo até quase alcançar minha bunda.

Edward segurou suavemente meu queixo, me fazendo abrir uma fresta em meus lábios e passou a língua por eles. Quando toquei sua língua com a minha, foi como se algo ligasse dentro dele, e ele invadiu minha boca com sua língua, transmitindo no beijo total intensidade. Suas mãos deixaram meu pescoço, e eu pisquei, parando em cima dele, cada perna de um lado. Entendi que ele tinha puxado minha perna por cima de sua cintura, mas não havia sentido nada.

Envolvida, afundei minhas mãos em seus cabelos, puxando um pouco quando ele subiu com uma das mãos para meu seio, comprimindo-o inteiro. Gemi quando Edward segurou minha cintura e empurrou o quadril contra mim. Oh, Deus, obrigada por ter me deixado ainda sensível naquela região! Senti sua ereção entre minhas pernas e quando ele passou a língua pelo meu pescoço, chupando e beijando até chegar ao topo dos meus seios, tombei a cabeça para trás, segurando seu cabelo com força, trazendo-o para mais perto. A alça da minha blusa deslizou pelo meu ombro e Edward, com livre acesso aos meus seios, tomou-os na boca. Delirei com sua língua contra meu mamilo, brincando com ele e depois chupando com força. Quanto tentei mover o quadril contra sua ereção, sedenta por atrito, percebi que precisava das pernas para isso.

EPV

O beijo de Bella era suave, mas ao mesmo tempo cheio de desejo e intensidade. Ela respondia minhas investidas com gemidos e suspiros, e aquilo estava me deixando completamente maluco. Senti-la montada sobre mim era gostoso demais, nossos corpos se encaixavam e ouvi-la gemer ao menor dos meus toques me deixavam em êxtase. Quando empurrei meu quadril contra seu centro e tomei seu peito na boca foi o melhor momento mais excitante da minha vida. E nós nem tínhamos chegado até o final.

Mas alguma coisa acordou Bella do momento, porque ela congelou.

–Não posso fazer isso, Edward – ela falou, me afastando dos seus seios e subindo a alça da blusa.

–Por quê? – eu perguntei, me recusando a tirá-la de cima de mim – Não estava bom?

–Estava, mas... – ela suspirou, abaixando o rosto – Eu não sou normal, Edward. Não mais – me olhou com o olhar frágil – Eu quero apertar minhas coxas contra você, quero me esfregar em você, quero sentir seu toque na minha perna, mas... Não posso. É como se metade do meu corpo estivesse morta. Olha para minhas pernas! Estão jogadas!

–Não importa – eu falei.

–Estou quebrada, Edward – ela gemeu – Não posso te prender a isso.

Eu suspirei.

–Você não se enxerga – eu apertei meus braços envolta de sua cintura e afundei meu rosto em seu pescoço – mas eu não vou desistir.

~0~0~0~0~0~

Meu celular tocou alto na silenciosa sala onde eu dormia com Bella. De costas pra mim, Bella tinha meu braço enrolado em sua cintura e segurava minha mão em frente ao seu peito.

Gemi quando me levante e me afastei de Bella. Estiquei o braço sobre o corpo de Bella e alcancei o celular, lendo o número de casa. Olhei para o relógio no visor, eram quatro horas da manhã.

–O que foi? – eu falei, a voz rouca.

–Edward? – Esme falou do outro lado do telefone.

–Por que está me ligando? – falei irritado.

–Não desligue! – ela pediu, e algo em sua voz me impediu de desligar – Edward, tem uma amiga sua aqui – sua voz tremeu – Por favor, venha logo para casa. Ela se trancou em seu quarto.

–Amiga? – eu sentei-me rapidamente, acordando Bella – Quem é?

–Ela não disse o nome. É loira. Edward - Esme fez uma pausa – Acho que está machucada.

Saltei do sofá com o coração acelerado.

–Estou voltando agora! – eu falei – Não deixe ela sair.

Desliguei o celular.

–O que houve, Edward? – Bella falou sobressaltada – Aconteceu alguma coisa com uma amiga?

–Roselie está lá em casa trancada em meu quarto.

Peguei meu celular e liguei para uma companhia de taxi. Em menos de dez minutos, havia um carro parado em frente da casa de Bella.

–Quando as coisa estiverem mais calmas – ela falou – me diz se está tudo bem!

–Tudo bem – eu corri pela porta, sem me despedir propriamente de Bella.

A viagem até em casa foi extremamente lenta. Minha mente viajava com preocupação, sem saber o que tinha acontecido com Rose. Quando cheguei a minha rua, vi o carro de Rose parado em frente a minha casa, completamente mal estacionado. Quando o taxi parou, entreguei o dinheiro sem me preocupar com troco. Corri para casa e Esme estava sentada no sofá. Ela levantou-se assim que entrei, mas não disse nada conforme eu subia pelas escadas. Cheguei a porta do meu quarto e olhei para a maçaneta. Havia sangue.

–Rose? – eu gritei, batendo na porta. Virei a maçaneta e a porta estava destrancada.

Entrei em meu quarto escuro, ouvindo os soluços de Rose. Estendi a mão para o interruptor e quando o quarto se iluminou, vi Roselie encolhida no canto do quarto. Ela tinha as mãos cobertas de sangue, o cabelo sujo. A cena era chocante, mas o frio subiu minha espinha quando vi suas pernas escorridas com sangue vindo da barra de seu short jeans. Ela levantou os olhos, a maquiagem borrada e escorrida pelas lágrimas.

–Edward! – ela gritou e chorou ao mesmo tempo, estendendo as mãos para mim. Vi de relance os pulsos machucados – Edward! – ela chorou – Eles...

Corri em sua direção e ela se jogou em meus braços, afundando o rosto em meu peito. Sem me importar com o sangue, tentei segurar Roselie o máximo que podia, mas seu corpo se sacudia severamente com os soluços desesperados de seu choro.

–Eles – ela soluçou, não conseguia parar de chorar – Eles me... Oh Edward! Me...

–Shhh – eu afaguei seus cabelos – Não precisa dizer – eu falei, sentindo um nó em minha garganta e um ódio que nunca tinha sentido antes correndo em minhas veias.

Segurei Roselie chorando até que o dia amanheceu. Quando ela se acalmou um pouco, levantei-a do chão.

–Consegue limpar esse sangue todo? – eu perguntei, levando-a para o banheiro.

–Não! – ela voltou a chorar – Não quero tocar... Não posso!

–Tudo bem! – eu a acalmei – Eu... Posso limpá-la?

Ela assentiu, tampando o rosto com as mãos. Os pulsos estavam severamente machucados. As pernas lhe falharam e percebi que os tornozelos também estavam machucados, como se tivessem sido amarrados. Levei-a para o banheiro e despi-a.

–Está tudo bem, Rose – eu assegurei – Eu vou ligar o chuveiro, tá bom?

Fui narrando cada passo meu, pela permaneceu parada em minha frente, os braços juntos ao corpo. Ela ficou de olhos fechados enquanto eu ensaboava seus braços, pernas e barriga. Chorou novamente quanto eu esfreguei suas costas. Com medo de estar lhe fazendo mal, parei, mas ela sacudiu a cabeça.

–Limpa isso! – ela gritou – limpa isso, Edward! Tá sujo!

Ela começou a arranhar-se e balbuciar sobre estar suja.

–Rose, para – eu tentei afastar suas mãos para que parasse de se machucar – Não faça isso!

–Eles ainda estão aqui! – ela gritou – Edward! – ela chorou, caindo no chão – Eles estão aqui!

Abaixei-me e continuei a limpá-la.

–Eu vou limpar tudo, tá? – Ela assentiu, e continuou chorando enquanto eu a ensaboava e enxaguava, ensaboava e enxaguava. Repetidas vezes até o sabonete diminuir.

Levantei-a e deliguei o chuveiro. Ela saiu do box e fitava o chão enquanto apertava as mãos em punho. Enrolei uma toalha limpa envolta de seu corpo, tentando ignorar as marcas de mordidas e chupões espalhadas.

–Espere aqui – pedi. Rose sentou na beirada da minha cama e eu saí do quarto, fechando a porta atrás de mim.

Desci os degraus, me sentindo fraco. Esme ainda estava na sala, mas andando de um lado para o outro sem parar. Quando me viu, cruzou os braços apertados contra o peito.

–Como ela está? – perguntou preocupada.

–Péssima – eu esfreguei o rosto com as mãos – Dei banho nela agora, está muito machucada.

Esme pôs uma mão sobre a boca, com os olhos marejados e assentiu.

–Eu pude ouvir.

–Acha que poderia emprestar alguma roupa para vesti-la?

–Mas é claro! – Esme subiu as escadas e foi para seu quarto, pegando um conjunto de calcinha e sutien ainda com etiquetas e um pijama de algodão. – Acho que você deveria vesti-la. Ela se sentiria mais à vontade.

Assenti e voltei para o quarto.

–Vamos te vestir e depois vamos para uma delegacia – eu falei com firmeza.

–Não, Edward – ela pediu – Se formos para uma delegacia, vão acabar descobrindo sobre o acidente.

Eu congelei. Ajoelhei-me na sua frente.

–Não me diga que James tem alguma coisa a ver com isso...

Ela fitou o chão, lágrimas escorreram pelo seu rosto.

–Teve – ela assentiu – Ele pegou meu celular enquanto... – levou as mãos ao rosto – Enquanto eles...

Engoli seco e segurei suas mãos.

–Rose, o vídeo não tem a menor importância – eu falei – O que não pode acontecer é esses malditos saírem impunes!

–Edward – ela me olhou – eu não quero levar isso pra polícia.

Houve uma batida na porta e nós olhamos. Esme entrou com um copo de água e um comprimido.

–Aqui está – ela ofereceu para Rose – É um calmante. Vai ser bom você descansar um pouco.

Rose tomou o comprimido e eu deitei-a na cama, só saindo do seu lado quando ela já tinha dormido. Saí do quarto e desci exausto. Esme estava lá me esperando.

–O que eu faço? – eu perguntei – Ela não quer ir até a polícia.

–É uma escolha dela – ela falou – Liguei para uma amiga minha. Ela é uma ótima ginecologista. Podemos levar Roselie para vê-la pela manhã. Assim tomamos todas as precauções necessárias para a saúde dela.

–Obrigado – eu falei – Vou ligar para Jasper, é seu irmão.

–É uma boa ideia – ela falou – Fale com seus pais também.

–Os pais deles não moram aqui. Ela mora sozinha com o irmão. Acha que devo contar logo o que houve?

–Você quem sabe, Edward – ela cruzou os braços – Vai precisar contar mais cedo, ou mais tarde.

Suspirei e digitei o telefone de Jazz na tela.

–Alô? – a voz masculina familiar soou do outro lado da linha – Edward?

–Ei, Jazz – eu falei, suspirando – Rose está aqui.

–O que ela tá fazendo aí? – ele perguntou confuso, mas parecia mais aliviado – Estou tentando ligar em seu celular, mas está desligado!

–Jazz, você devia vir pra cá. Ela precisa de você.

–O que aconteceu? – ele perguntou assustado – Ela se machucou?

–De certa forma, bastante. Só... Venha logo, tá?

Desliguei o telefone e caí no sofá. Apoiando a cabeça contra o encosto, fechei os olhos por um momento, tentando descansar um pouco, esperando Jasper chegar. A campainha tocou e Esme foi abrir.

Jazz entrou parecendo assustado. Vestia uma camisa preta com um jeans escuro, era tão alto quanto eu. O cabelo leonino era tão desgrenhado quanto o meu, mas tão loiro quanto o de Rose. Assim que ele me viu, veio em minha direção.

–O que aconteceu com ela? – ele perguntou sem rodeios.

Contei tudo para ele. Desde o momento em que eu cheguei, até o momento. Eu nunca tinha visto Jasper chorar ou chegar perto disso, mas conforme eu falava, seus olhos ficaram vermelhos e lágrimas ameaçavam escorrer.

–Ela está dormindo agora – eu falei.

–Rose... – ele falou, coçando os olhos – Como isso foi acontecer?

Um grito intenso veio do segundo andar e nós nos olhamos antes de correr escada acima. Escancarei a porta do meu quarto para encontrar Rose sentada em minha cama, o corpo tremendo quando ela nos olhou com o rosto molhado.


Nota da Autora:

Oi, gente... sniff sniff... Esse capítulo, se não foi o mais triste, com certeza está entre os três primeiros, néé?

Bom, teve a parte boa, que foi o beijo do Edward e a Bella, mas o final foi de matar!

Coitadinha da Rose... Realmente deu pena... :/

Quem acertou o que ia acontecer foi a ArcanjaDhaja... Ela tinha escrito na review do último capitulo e acertou em cheio!

E aí, gente... James merece morrer, né?

O Jasper finalmente apareceu, será que ele e o Edward vão voltar a ser amigos? Quem também reapareceu foram os gêmeos!

E a Esme... Super boazinha, né?

No próximo capítulo, vamos finalmente descobrir o que aconteceu no passado de Edward! Sim, a Bella vai fazê-lo contar!

Esse capítulo está GIGAANTE, comparado com os outros, e também muita coisa acontece nele! (X

E aíí... O que acharam? S:

Beeeijinhooos!