N/A: Olá meus queridos leitores! Eu sei que provavelmente vocês querem torcer o meu pescoço por ter demorado tanto, mas é que agora eu simplesmente estou muito feliz por ter terminado minha primeira long-fic! Deu trabalho, quando as aulas recmeçaram eu achei que não fosse arranjar tempo pra escrever nunca mais, mas aqui estou, num domingo preguiçoso de noite do Oscar, eu consegui terminar de escrever o epílogo de "Ano Novo, Vida nova!". E estou muito feliz por ter finalmente concluído alguma coisa.

(E agora dando uma de vencedora do Oscar)

Quero aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os meus leitores, principalmente aqueles que deixaram reviews incentivadoras, e também aqueles que não desistiram da fic, mesmo que tenha demorado pra sair o final.

Bem, sem mais delongas, aqui está o epílogo, escrito com muto carinho e dedicação, e eu espero que todos vocês gostem.


Epílogo:

O Melhor e (Último) Baile de Nossas Vidas

Aviso:

Passeio a Hogsmeade neste domingo.

Apenas alunos do terceiro ano em diante e com autorização dos responsáveis.

Ass: Profª Minerva McGonnagal.

Aviso:

Baile de Fim de Ano Letivo e

Formatura dos Alunos do Sétimo Ano.

Sábado, dia 21 de junho, às oito horas da noite no Salão Principal,

logo após a grande final de Quadribol entre Grifinória e Corvinal.

Todos os alunos estão convidados.

Traje: Fantasia

Organização da Festa por:

Lily Evans e James Potter – monitores chefes

Ass: Prof. A.P.W.B. Dumbledore

Lily contemplou o que acabara de pregar no quadro de avisos da sala comunal com orgulho, e teve que se afastar da multidão que a cercava para ler a proclamação ou poderia ser esmagada.

- Feliz? – James perguntou.

- Bastante. Nunca pensei que fosse ficar ansiosa por organizar um baile ou festa dançante, chame como quiser, ou mesmo participar de um. Sei lá, é "Cinderela" demais pra mim.

- Cind-o-quê? - Lily rolou os olhos, divertida, e James desistiu de perguntar. "Coisa de trouxa", ele já sabia. - Não importa. O importante é que este não será qualquer baile, ou festinha, minha doce flor. Será o melhor baile de nossas vidas. O melhor momento de nossas vidas. Quero dizer, por enquanto; o nosso casamento será o melhor momento. Ou o nascimento do nosso primeiro filho... – Lily corou e deu um ligeiro tapa no namorado.

- James! Quem te garante que até lá eu já não te assassinei por causa dessas bobagens? E, quem te garante que eu vou casar com você?

- Ah, duvido que você seria capaz de me matar! No fundo eu sei que você não conseguiria viver sem mim! E, depois, sempre é hora de pensar no meu futuro ao seu lado...

- Hahahaha! - riu Sirius - Que coisa mais ridícula, Pontas! Pelas calças de Merlin, Lily, você transformou o meu melhor amigo num... bobalhão...

- Nada disso, Sr. Black, - falou Marlene – O James é apenas romântico, e você bem que poderia aprender algumas coisas com ele...

Todos riram ao comentário, menos Sirius, que fez cara de emburrado.

- Mas você sabe que eu gosto de você mesmo assim! – disse Marlene, abraçando-o, no que ele abriu um sorriso.

- Só gosta? Achei que você me amasse, adorasse, idolatrasse...

- Certo, certo, deixa seu egocentrismo pra depois, Black, agora nós temos de ir tomar café, temos que partir para Hogsmeade daqui a uma hora, e eu e James não podemos nos atrasar por causa de vocês dois. - delegou a ruiva.

- Ta bem, ta bem... – respondeu Sirius, como uma criança teimosa.

O Salão Principal estava lotado e muito agitado. A semana dos exames tinha passado, e todos na escola estavam aliviados, apenas aguardando os resultados na semana seguinte e a tão esperada festa de encerramento de ano letivo.

Após terem tomado café da manhã, Lily e James foram para os jardins organizar o passeio à Hogsmeade que era a perfeita oportunidade para os alunos comprarem seus trajes para o grande baile à fantasia que todos falavam há semanas.

Foi difícil, mas James conseguiu convencer Lily de que seria uma boa idéia sugerir à Dumbledore e McGonnagal organizarem um super baile de fim de ano, a exemplo do baile de ano novo. O diretor aprovou de bom grado, a vice-diretora desafiou James para que fizesse tudo sair perfeito, e Lily apenas sorriu, derrotada, e foi forçada a admitir que a idéia era mesmo brilhante e seu namorado era um gênio ("Apesar da idéia não ser muito orginal, uma extensão do baile mascarado do ano novo", comentou a garota).

O já tão conhecido grupo de amigos dos monitores-chefes os seguiram, e logo Hogwarts inteira (salvo os alunos que eram jovens demais para freqüentar o povoado) caminhava agitada pelas ruas de Hogsmeade, à procura de um traje perfeito e original, ou mesmo desfrutando da última visita à vila naquele ano, junto de uma companhia especial.

- Ah, meninas, vamos depressa! – dizia Marlene, agitada – Logo não vai haver mais nenhuma fantasia legal!

- Ei, e nós? Como ficamos? – perguntou Sirius – Também queremos fantasias legais!

- Ai, certo, certo, vamos todos juntos então? – sugeriu Alice – Assim podemos até combinar nossas fantasias com nossos pares...

Todos concordaram e rumaram para a butique mais badalada do povoado, que já estava razoavelmente cheia de garotas e garotos buscando fantasias.

Lily procurava algo num canto distante da loja, acompanhada de James que insistia em roubar-lhe beijos.

- James! Será que você não consegue desgrudar de mim por um minuto?

- O quê? Mas por que eu iria querer ficar longe de você, minha deusa? Depois de tanto tempo, agora não largo mais do seu pé!

Lily riu.

- Ai, deixa de ser carrapato, e me ajuda a procurar alguma fantasia!

- Ta bom, ta bom...

Lily ria de algumas bobagens que James ia dizendo, e às vezes batia nele por outras besteiras. Alice, Marlene e Emmeline divertiam-se igualmente com seus namorados, tentando combinar os temas de suas fantasias. Antes de escurecer já tinham comprado tudo o que precisavam e já voltavam para o castelo. Lily lançou um último olhar sobre o povoado que tanto gostava, tão bonito agora no início do verão... E, sem querer, avistou um casal saindo de uma casa de chá no fim da Rua Principal. Sentiu um aperto no peito momentâneo ao ver Melissa e Bryan, talvez até um pouco de raiva; mas logo se aliviou. Tudo aquilo era passado. Nada disso importava mais. Deu às costas e deu a mão para James, que a esperava com um sorriso encantador que ela já conhecia bem. E assim, caminharam de volta para o castelo ao pôr-do-sol.

xXxXxXx

Era tarde de sábado, o dia do tão esperado baile de fim de ano, e, é claro, a final de quadribol. As arquibancadas do campo estavam lotadas, Grifinória e Corvinal se enfrentavam, e todos gritavam e se agitavam, torcendo por suas casas.

O jogo estava empatado, 140x140, e mesmo com o céu claro e com poucas nuvens, estava difícil para os apanhadores encontrarem o Pomo-de-Ouro que encerraria a partida e renderia a vitória para a casa que o encontrasse.

- Ai, é por isso que eu detesto quadribol! Toda essa tensão... ai, não agüento mais! – reclamava Lily, apreensiva, que dava gritinhos de aflição a cada vez que James fazia um mergulho aparentemente suicida na busca da Goles, ou era pego por um balaço arremessado pelo time adversário.

- Calma, Lil, não precisa ficar nervosa! – ria-se Alice, junto a Frank, que naquele momento torcia pela Grifinória e não desgrudava os olhos dos jogadores por um segundo sequer. – o nosso time é bom, logo o Parker acha esse pomo e o jogo acaba, e ainda saímos vitoriosos.

- Pode ser... ai, não agüento mais olhar! – disse a ruiva, cobrindo os olhos com as mão.

- Você é quem sabe...

"E o jogo está ficando difííícil, uma disputa acirraaaada e só sairá vencedor o time que encontrar o poooomo... opa, mas o que é isso? Vance, a artilheira do time dos leões foi derrubaaaaaada!"

- O QUÊ?? – gritaram Lily, Remus, Alice e Marlene em conjunto.

- Ai meu Deus, será que ela está bem? – indagou Marlene e ela e Lily procuravam a amiga à distância que se encontravam. Ao lado, Remus parecia preocupado.

"Uuuuufa! Potter, o capitão do time e também artilheiro se adiantou para salvá-la! E o jogo voooooolta à sua mesmiiiice..."

Lily suspirou aliviada, e ao mesmo tempo orgulhosa de James, e voltou a observar o jogo, com os dedos cruzados.

"Epa, o que é que é iiiiiiiisso?? Corvinal maaaarca mais dez pontos! Agora sim Grifinória precisa se mexeeeeer pra ganhar o campeonaaaato... e parece que o pequeno Parker já está providenciando a vitória!"

- Ah, finalmente! Não via a hora dessa tortura terminar! – exclamou Lily, observando o apanhador da Grifinória perseguindo algo invisível - a seus olhos – e sendo seguido pelo apanhador da Corvinal, que era bem maior que o garoto de apenas treze anos (mas nada comparado aos trogloditas da Sonserina).

No campo, James dava ordens aos seus jogadores para atrapalhar os jogadores do time adversário para que Daniel Parker apanhasse o pomo sem problemas.

- Sirius, rebate aquele balaço lá, e fica de olho no Cleever, não deixa ele desmontar o Daniel, senão já era!

- Pode deixar! – gritou o batedor sorridente, arremessando um balaço na direção do apanhador da Corvinal.

- James, a gente ainda tem que fazer gols! – repreendeu-o Emmeline, que arremessou em seguida a Goles para ele.

- Eu sei! – replicou, nervoso, e driblando uns dois jogadores do outro time para enfim arremessar a Goles de volta a Emmeline e ela fazer o gol.

"E Grifinória maaaarca mais dez pontos, num exceleeeente lance de Vance precedido por um fantáááástico passe de Potter! O jogo está empatado novamente, e Parker e Cleever se empurram para apanhar o pomo!"

- Droga, Sirius, eu falei pra você ficar de olho no Cleever! – esbravejou James, quando Daniel foi empurrado para uma das arquibancadas.

- Eu tô fazendo o que eu posso! Vai fazer a sua parte também, pô!

- Ah, não...

James mergulhou para amparar Daniel, que estava caindo da vassoura.

- Parker! Isso aqui não é brincadeira! Senta aí, e vai pegar aquele pomo!!

O garoto se assustou com a ira do capitão e recuperou o vôo, um pouco cambaleante, e passou por cima de Cleever, desviando o adversário do objetivo, e agora estava a poucos centímetros da vitória.

"A vitória já está quaaase garantida! Cleever está fooora do caminho e Parker a poucos milímetros da Taaça! Será que ele vai conseguir? Será? Está quase lá, quase, e, QUE QUE É ISSO??"

- JAMES!! – gritou Lily na arquibancada, e todos da Grifinória se levantaram.

Um balaço estava vindo na direção de Parker, e ele estava de costas, por isso não o viu. James não podia deixar que sua vitória fosse arruinada, e se lançou na frente do balaço, que atingiu-o nas costelas, fazendo-o cair da vassoura.

"Numa tentativa desesperaaaada de garantir a vitória, Potter se atiiiiira na frente do balaço lançado para Paaaarker, e caaai da vassoura!!! Mas calma, minha gente, Black e Vance já o apararam, e Parker capturou o pomo!! VITÓÓÓÓRIA DA GRIFINÓÓÓÓÓRIA!!"

As arquibancadas se encheram de 'urras' e 'vivas' e todos os espectadores correram para o campo para saudar o time vencedor.

O time vermelho e ouro estava reunido, recebendo abraços e apertos de mão, e James estava sendo sustentado por Sirius e um outro batedor do time, sentindo dores, mas ainda assim com um enorme sorriso no rosto: conquistara a tão sonhada vitória.

Viu os amigos se aproximando e estava pronto para receber um super-beijo de sua namorada pela magnífica performance em campo e a vitória da tão sonhada Taça de Quadribol.

- E aí, James, foi uma pancada e tanto! – comentou Remus, apoiado por Peter – Está se sentindo bem?

- Muito bem. Melhor agora, que vou receber os parabéns da minha florzinha...

PAF!

Mal a ruiva tinha se aproximado, deu uma bofetada no rapaz.

- AI! Lily, por que você fez isso?

- Pra você aprender a não me deixar mais preocupada! Onde você estava com a cabeça, hein, James Potter? Se atirar na frente de um balaço só pra ganhar um estúpido jogo de quadribol? – nessa hora, todos os jogadores e amantes do jogo que estavam próximos se viraram para quem proferira tal blasfêmia, mas a garota nem se importou. – Francamente, James! Esperava que você fosse mais sensato! E não pense que eu não reparei como você tratou a sua equipe hoje! Você provavelmente traumatizou o coitado do Parker pro resto da vida com seus berros desesperados!

- Rá! - debochou Sirius – Você nem sabe o que eu e o time temos que aturar todos os treinos. Pergunta só pra Emme. Ele parece um tirano, ou sei lá o quê.

Marlene sorriu e pousou um beijo na bochecha do namorado, mas o casal em questão nem prestou atenção ao comentário.

- Mas... poxa, amor... precisava ter me batido com tanta força?

Ele fez aquele olhar pidão que deixou Lily derretida, e por isso ainda mais aborrecida. Ela o olhou de cima, e ficou quieta por uns instantes. A essa altura o campo já estava vazio, a não ser por eles, Sirius e Marlene, que trocavam beijos calorosos alguns metros dali, sob o céu violeta. Todos os outros moradores do castelo já tinham-se ido arrumar para o grande baile à fantasia de encerramento.

- Minha flor... – disse James, ainda com seu olhar e tom de voz de partir o coração – Me perdoa, vai?

Lily deu um passo à frente, encarando James com os cabelos bagunçados, óculos tortos, todo suado e com uma mão nas costelas, que poderiam estar quebradas pela pancada do balaço.

- Ai, eu não consigo mesmo ficar brava com você! – ele abriu um sorriso mais que encantador, e ela sorriu também. – Vamos, vou te levar à Ala Hospitalar.

xXxXxXx

- Como é que é? Eu não vou ao baile?

- Sinto muito, Sr, Potter, mas com duas costelas quebradas e um nariz fraturado, ah, eu não deixo mesmo!

- Mas... eu sou monitor-chefe! e eu sei muito bem que a senhora pode me consertar num piscar de olhos! – a enfermeira apenas o olhou feio e se retirou para seu gabinete, deixando o casal à sós. – Lilyzinha...

- Não me venha com 'Lilyzinha'! – esbravejou a ruiva, estapeando o braço mais próximo do rapaz, no caso, o esquerdo.

- Ai! Puxa, eu já to todo quebrado e você ainda fica me batendo...

- É pra você aprender, James Potter, que para tudo o que você faz na sua vida, há conseqüências severas! Você conseguiu estragar essa noite, sabia?

- Poxa, amor, desculpa... você vai ficar aqui comigo a noite toda, né, cuidando do seu Jimmyzinho, não é? – a garota o olhou com desdém.

- Não mesmo! Estou muito decepcionada com você, James! E me desculpe se sou moderninha demais, mas não vou ficar o baile inteiro aqui com um fanfarrão como você! Estou muito chateada! Eu vou curtir a festa, e amanhã conversamos!

- Mas... minha flor! – a garota já estava na porta de saída da enfermaria.

- Até mais, Potter!

xXxXxXx

Lily voltou para a Torre da Grifinória bufando como um Rabo-Córneo Húngaro, e assim que adentrou a sala comunal encontrou os rapazes, esperando impacientes pelas garotas.

Sirius e Remus estavam sentados no sofá, o primeiro entediado, o segundo lendo um livro. Peter também estava no recinto, sentado no chão com as pernas cruzadas, muito cômico em sua fantasia de bobo da corte.

Sirius vestia uma fantasia de lobo mal, cinzento e peludo, com direito a uma cabeça de lobo cobrindo a sua própria. Cômico, sem sombra de dúvida. Mas com alguns adicionais: óculos escuros na cabeça do lobo e jaqueta de couro preta.

Já Remus, usava uma roupa verde escura feita de folhas, que lembrava à de uma criatura da floresta, um elfo saído da peça sheakespeariana "Sonhos de uma Noite de Verão".

Remus logo notou a presença bufante de Lily.

- Oi Lily, o que aconteceu? Onde está o James? – ela teve que se controlar para não gritar na frente do amigo.

- O James. O seu amigo James. Está na enfermaria, e terá que passar a noite lá, porque tem duas costelas quebradas e um nariz fraturado! E eu terei que ir ao baile sozinha!

- Ui... mas... por que você está tão... nervosa? – perguntou Sirius.

- Por que eu estou nervosa? Será que é porque o meu namorado inconseqüente me pressionou tanto pra organizar e realmente comparecer a esse baile idiota, me fez comprar uma fantasia, e agora eu tenho que ir sozinha??

- Bom... você pode ficar lá na enfermaria cuidando dele... – sugeriu Peter. Lily o fulminou com seu olhar, como se o verde de seus olhos fosse a luz da maldição da morte.

Após deixar os rapazes perplexos com seu ataque de fúria, a garota subiu as escadas batendo os pés, e ouviu um último pedido de Peter, antes de sumir pela porta do dormitório das garotas do sétimo ano:

- Lily, será que dá pra você apressar as garotas? É que eu não agüento mais esperar pra ir comer...

- Rabicho, você sabe que não precisa descer com a gente. Vai comer, se é o que deseja. – respondeu Remus por detrás de seu livro, e pelo seu tom de voz, parecia a quinta vez que dizia aquilo. Sirius permaneceu alheio à cena, de braços cruzados, sua feição enfezada visível pelo grande buraco que era a boca de sua 'segunda cabeça'.

- Ah... bem... ta bom, eu espero.

Assim que adentrou o dormitório feminino, Lily soltou um urro ao ver tamanha bagunça, combinada à sua atual fúria causada por James.

- Lily... o que é que houve? – perguntou Alice, que estava mais próxima, usando um vestido azul-claro, uma trança de cada lado da cabeça e sapatinhos vermelhos, como Dorothy de 'O Mágico de Oz' (de tanto que Lily descrevera para ela durante os anos de amizade uma de suas histórias preferidas, um dia Alice foi em sua casa e assistiram o filme, e a amiga simplesmente ficou encantada. Mesmo depois de Lily lhe dizer que combinaria melhor ela se fantasiar de 'Alice no País das Maravilhas', a amiga manteve seu propósito de vestir-se como Dorothy.)

- O que é que houve é que o idiota do James vai passar a noite na enfermaria e eu terei que ir ao baile sozinha!

- Ah, não é nenhum fim do mundo... ou é? – falou Marlene, ajeitando a capa vermelha com capuz sobre a cabeça, e em seguida alisando o curto e justo vestido vermelho. – Não me diga que você não vai ao baile! Por favor, nada daquela lenga-lenga do ano novo, hein!

- Ah, não, eu vou ao baile! O James terá que se ver comigo depois, por me fazer ir sozinha no baile de formatura, que ele praticamente me obrigou a organizar! Quem sabe eu até nào me vingo dele...

- Epa, que é isso? Não acho que essa seja uma situação pra 'Lily Perversa' entrar em ação... Ah, vai, deixa de drama... tenho certeza de que ele não planejou se machucar todo e ficar sem você esta noite... aposto que ele estava contando os dias para esta festa! – disse Alice, tentando amenizar as coisas.

- Ah, eu não estaria tão tranqüila, Lice... – falou Emmeline, saindo do banheiro. Usava um vestido verde-claro vaporoso com um grande par de asas translúcidas e esverdeadas nas costas, pequenas florzinhas brancas perdidas entre os cabelos muito cacheados, como uma bela fada. – O James sabia muito bem o que estava fazendo quando se atirou na frente do balaço. Ele é assim em quase todos os jogos: faz o que for necessário pra vencer, sem se preocupar com as conseqüências. Ele pode ser meu amigo, mas dessa vez eu estou com a Lily. O James vacilou feio.

- Ah, cansei de falar daquele... imbecil. Vou me arrumar.

- Acho que alguém aqui está de TPM... - Lily mandou um olhar matador para Marlene, que apenas ignorou - Bem, nós já vamos descer. Aposto que os rapazes estão impacientes lá embaixo.

- Você não imagina o quanto. – respondeu Lily, voltando a sorrir, e entrando no banheiro para tomar um banho e se preparar.

xXxXxXx

O Salão estava tão suntuosamente arrumado quanto no baile de ano novo, mas os adornos eram mais coloridos. As flores dos arranjos de mesa eram de cores variadas e as toalhas todas brancas com máscaras coloridas desenhadas nas bordas. No teto do salão, no lugar das velas habituais, o já tão conhecido globo de discoteca mágico, balões coloridos e serpentinas, além de confetes que caíam de dentro das bolas quando elas se estouravam (a intervalos regulares de quinze minutos, e depois magicamente voltavam a se encher de ar e confetes).

Havia pessoas vestidas de tudo o que se pode imaginar: fadas, duendes, vampiros, fantasmas, múmias, odaliscas, sereianos, piratas, anjos, animais, princesas... .

Sirius e Marlene dançavam entusiasticamente no salão, Chapeuzinho Vermelho e Lobo Mau; Remus e Emmeline sorriam para o casal, sentados a uma pequena distância, degustando alguns aperitivos e bebidas antes de começarem a dançar também; há poucos metros dali estavam Alice e Frank, vestido de espantalho, dançando alegremente junto a uns colegas da Lufa-Lufa.

Lily adentrou o salão sozinha, e ainda um pouco magoada. Na verdade não sabia porquê tinha feito tanto escândalo por James não poder acompanhá-la. Sempre fora independente, nunca se sentira presa a nenhum namorado. Mas talvez o verdadeiro motivo fosse que agora ela estava realmente apaixonada e estivesse com medo de ficar sozinha, como acontecera no último baile a que comparecera na escola. Porém, aquele baile não terminara tão mal assim, talvez ela ainda pudesse ter alguma esperança...

Segurando bem a máscara incrustada de pérolas e brilhantes pelo cabo – verdade seja dita, Lily adorava uma boa máscara -, sorriu ligeiramente e se dirigiu para a pista de dança, atraindo alguns olhares. Usava um tutu de bailarina de um tom nacarado de rosa, tão claro, que poderia ser confundido com branco. Da saia subia um corpete trançado e de alças finas, com um laço no decote moderado; no pescoço, havia uma gargantilha com um pingente de pérola pendurado. Os cabelos ruivos e cacheados estavam presos num coque charmoso e clássico, com alguns fios enrolados caindo, e uma pequena tiara no topo. Nos pés, usava sapatilhas cor-de-rosa trançadas nas pernas cobertas por uma meia-fina branca.

- Lily! Você está linda! – exclamou Emmeline, e Remus concordou, ambos levantando-se da mesa ao vê-la.

- Ai, que gracinha! Você é uma bailarina tão fofa! – falou Marlene, se aproximando do grupo.

- Uau, você está linda mesmo! O Pontas deve ser muito tapado pra preferir se quebrar todo ao invés de te fazer companhia... Fica esperta, aposto que vai ter um monte de caras afim de você hoje.

- Ok, Sirius, eu sou bem grandinha, sei me cuidar sozinha, ta legal? – respondeu Lily impaciente, mas sem deixar de exibir seu lindo sorriso.

- Ta legal, ta legal, só não quero que o James venha chorando pra cima de mim depois, por causa de alguma coisa que possa acontecer nesse baile...

As garotas caíram na gargalhada.

- Hahaha, também não é pra tanto! O James não choraria... – disse Lily, ainda risonha e um pouco cética.

- Ah, Lily... bem se vê que você não o conhece bem...

- Como assim? O que quer dizer, Remus?

- Digamos que... O James é muito sensível quando se trata de você...

- Pô, bota sensível nisso! Ele é um bebê chorão! Toda vez que você dava um daqueles seus super-foras ele se jogava na cama e ficava chorando no travesseiro!

- Ah, Almofadinhas, não entrega o Pontas assim! Nós não temos certeza realmente de que ele chorava, sabe. Mas ele soluçava bastante. – concluiu Remus, se voltando para Lily.

- Uau, estou mesmo surpresa! Gostei de saber disso...

Os amigos riram um pouco mais, até que um inconveniente casal se fez presente às costas de Lily. Ela se virou e os encarou.

- Er... Evans. – falou Melissa, usando uma fantasia de Sereiana (mais bonita, parecendo com uma sereia de livros infantis, e não os feios e sombrios habitantes do Lago Negro) e os cabelos pintados de rosa. – Eu e o Bryan temos uma coisa pra te dizer.

Lily respirou fundo e fez um sinal com a cabeça, indicando que ela podia continuar. Melissa deu um cutucão no rapaz, vestido de pirata, que levantou a cabeça e encarou a ex-namorada.

- Lily... eu peço perdão por todo o mal que eu te causei. Eu fui um fraco. Um imbecil. E um estúpido. – Melissa observava, como que verificando cada palavra que ele falava, conferindo se estava dizendo tudo certo. – Me perdoa.

Antes que Lily pudesse dizer que perdoava o patético rapaz, Melissa começou a falar.

- Bom, eu também não agi muito certo com você, Evans. Eu fui ardilosa. E uma espírito-de-porco. Não me orgulho do que fiz. Eu sei que mereço que você me odeie para sempre... Mas... gostaria que pudesse me perdoar. Até porque, se me permite o comentário, acho que você está bem melhor com o Potter, não?

A ruiva encarou os dois, sorrindo internamente. No fundo, eles eram uns pobres coitados.

- Certo, certo, vocês estão perdoados. Eu não gosto de guardar rancor, então... Não precisam mais se remoer com isso. Vamos esquecer tudo, ok?

- Ok... Ai, fico aliviada que resolvemos isso! – falou Melissa. – Eu e Bryan estamos juntos agora, e não estávamos nos sentindo bem com o que tínhamos feito a você, sabe, mas agora vai ficar tudo ótimo, não é Bryan?

- É...

- Sabe, eu sei que ele é meio frouxo – segredou a sereia para a ruiva bailarina – mas é uma graça! E eu vou ensiná-lo a ser um namorado comportado, pode deixar! Bem, agora precisamos voltar a dançar! Até mais, querida!

Lily observou quando Melissa se retirou rebolando devido à justeza de sua fantasia, agarrada ao braço de Bryan. Ela não conseguia pensar em duas pessoas mais loucas que eles.

- Hum... Lily... – começou Emmeline – O que foi aquilo?

- Não tenho certeza... Acho que um pedido de desculpas?

- Bem, pelo menos não teremos mais problemas com ela. – concluiu Marlene.

- É, acho que não.

- Ei, vamos dançar! – sugeriu Remus; já estava no quinto drink com guarda-chuvinha rosa.

- Ah, podem ir, prometo que me junto a vocês depois! – disse Lily, sorrindo e olhando ao seu redor.

Realmente, estava uma bela festa! Valera a pena sacrificar algumas tardes de estudo para participar de um evento como aquele. Tudo estava tão lindo... o Salão Principal, mesmo um pouco descaracterizado do seu tema habitual, ainda passava aquela mesma sensação de deslumbre que a ruiva sentira na primeira vez que entrou no local, sete anos atrás. Sentiu seus olhos lacrimejarem de emoção. Seria sua última noite no castelo, naquele lugar encantado que ela sentia como se fosse sua casa, seu verdadeiro lar. Na manhã seguinte, estaria voltando para o convívio diário com seus pais, como se tudo não tivesse passado de um sonho. Bem, até ela receber os resultados dos N.I.E.M's e decidir o que fazer de sua vida no Mundo Mágico, longe da proteção da boa e velha Hogwarts, rumo à vida adulta independente. Um grande passo, definitivamente assustador.

Enquanto observava seus amigos dançando alegremente, não podia deixar de pensar o que aconteceria com suas amizades. Será que todos se separariam ou continuariam unidos? Que carreiras iriam seguir? Os casais continuariam firmes? E essa guerra que estourava, será que sobreviveriam, que lutariam pelo lado do Bem? Tantas perguntas, e tão poucas respostas! Só o tempo poderia dizer o que aconteceria a eles...

Mas naquele momento, ela não queria pensar em questões tão complicadas. Tudo o que queria era aproveitar "O Melhor Baile De Sua Vida", como James caracterizara. E ela certamente não o aproveitaria direito se não estivesse junto dele. Sorriu. Tinha uma coisa muito importante pra fazer...

xXxXxXx

James estava se sentindo abandonado na vazia Ala Hospitalar, sem poder desfrutar do seu baile de formatura, e com sua amada Lily furiosa com ele. Sim, ele tinha agido meio idiota no jogo de quadribol. Sim, ele era bastante competitivo. Sim, ele havia sido imprudente. Mas isso significava que deveria ser tão severamente punido? Madame Pomfrey poderia tê-lo curado em cinco minutos e ele estaria novo em folha! Bem, pensou o rapaz, certamente deveria ser algum tipo de vingança por dar tanto trabalho a ela durante todos esses anos...

- Ah, isso não é justo! - reclamou o rapaz, para o vazio da enfermaria – Eu vacilei, to todo machucado, perdi o direito de ir à melhor festa da minha vida, com os meus amigos, e ainda acho que perdi minha namorada... O que mais pode acontecer?

- Nós levarmos uma detenção, ou sermos expulsos. - falou uma voz vinda da porta da Ala Hospitalar, para onde James logo direcionou seu olhar. - Mas, como oficialmente o ano letivo já terminou, já fizemos os exames, já estamos formados, e amanhã de manhã estaremos indo pra bem longe, acho que o máximo que nos vai acontecer por sair às escondidas da enfermaria é Madame Pomfrey nos amaldiçoar para o resto de nossas vidas, ou então se recusar a dar tratamento a nossos filhos... Mas duvido que isso vá acontecer.

James sorria de orelha a orelha. Sua Lily estava ali, linda, e sorrindo para ele.

- Ah, e você não me perdeu, James. Fique tranqüilo.

Com essas palavras, a garota se aproximou e beijou o rapaz suavemente.

- E então, o que está fazendo aqui? Veio me fazer companhia? Que papo é esse de sair às escondidas? Nossa... Você está demais...

- Obrigada, mas não estou aqui para te fazer companhia. - o garoto murchou um pouco o sorriso – Vim te buscar pra me fazer companhia. - ele voltou a sorrir.

- Mas... como espera que eu saia daqui sem que a Madame Pomfrey nos pegue? Quero dizer, e se ela for mesmo capaz de nos amaldiçoar ou odiar nossos filhos no futuro?

- Ah, relaxa, a essa hora ela já está roncando em seu gabinete.

- O quê? Você tem certeza?

- Claro. Ela só finge que está "de olho" em tudo. Vamos, antes que ela acorde para os biscoitos da meia-noite.

E assim, o casal deixou a enfermaria (não sem antes pegar os pertences de James, como suas vestes de quadribol que jaziam lá) às escondidas, e uma vez no corredor, o rapaz se virou para a namorada.

- E agora, o que vamos fazer? Eu vou pro baile assim?

- Ah, você fica uma graça com essa camisola de enfermo... - ela riu – Mas acho melhor você ir se fantasiar lá no dormitório.

- Certo. Você me acompanha?

- A uma visita ao dormitório masculino? Não, prefiro te esperar no Salão Principal. – respondeu sarcástica.

- Ah, que é que há? Não tem ninguém lá, seremos só nós dois... nós podemos chegar um pouquinho atrasados no baile... – insistiu o rapaz, com a voz suave e sedutora, aproximando-se da garota, que recuou com passo firme.

- Eu sei muito bem aonde você quer chegar, Sr. Potter, não precisa continuar. Mas a minha resposta agora é não.

- Ah, mas você vai me abandonar assim? Depois de eu ter passado todo esse tempo sem você ao meu lado, e ainda acreditando que você tinha voltado a me odiar? Ah, minha flor será que você consegue ser tão má assim?

A garota o analisou com seus olhos verdes, os braços cruzados e o pé direito batendo no chão num ruído surdo provocado pelas sapatilhas de cetim cor-de-rosa que usava.

- Hum, vou te dizer uma coisa. Se você se comportar direitinho esta noite... talvez eu te recompense mais tarde... agora vá, vista-se, e me encontre no Salão Principal, antes da meia-noite, na 'mesa de comida'. - o rapaz sorriu.

- Certo, no bar. - disse alegre, beijando-a – Te vejo em dez minutos, minha salvadora, minha Bailarina Encantada, minha Princesa, minha Musa, minha Cavaleira em Armadura Brilhante!

E assim James correu para a Torre da Grifinória, radiante como nunca, e Lily voltou para o grande baile, igualmente feliz, e pensando na surpresa que estava arquitetando para o rapaz...

De volta ao Salão Principal, a festa parecia bem animada, e Lily permitiu-se dançar e rir com suas amigas, aproveitando aquele último suspiro de certeza em suas vidas. Tudo o que viria depois era incerto...

De repente, começou a tocar uma música lenta, e a pista de dança se encheu de casais apaixonados, tímidos, felizes e sonhadores. A ruiva sorriu ao ver que até os professores dançavam, e se impressionou com a habilidade do Prof. Dumbledore em guiar a Profª. McGonagall pelo salão, ambos usando vestes bruxas de gala e máscaras venezianas.

Lily agora estava sentada no banco do bar, localizado exatamente no mesmo ponto estratégico do salão que no baile de ano-novo, onde o romance de Lily e James tivera seu início, ou pelo menos, o impulso para tal.

- A bela bailarina me concederia esta dança?

A garota sentiu o hálito quente do locutor à suas costas, e estremeceu os ombros nus, risonha. Num movimento hábil virou-se a encarar o jovem, alto, que oferecia-lhe uma rubra rosa aberta.

Usava uma farda vermelha de soldado ou príncipe dinamarquês, luvas brancas e calças pretas, botas pretas. Os cabelos negros estavam surpreendentemente arrumados, e no rosto esboçava um de seus famosos sorrisos, e seus olhos castanho-esverdeados estavam parcialmente ocultos pelos costumeiros óculos, que nessa noite especial, davam um certo charme à sua aparência.

- Sim, cavalheiro. – respondeu a bailarina, aceitando a rosa e prendendo-a no cabelo.

Enquanto dançavam, as luzes do salão iam diminuindo, e o grande globo prateado flutuante além de tocar música (N/A: Nesse momento, gostaria que vocês pudessem escutar ou imaginar que a música que está tocando é "Do You Realize?" do The Flaming Lips. Eu sei que não é da época, mas eu amooo essa música, e ultimamente todos os filmes fofos que eu vi têm essa música. Acreditem, vale a pena ouvir!), também comandava a nova iluminação azulada, e os balões coloridos haviam sido substituídos pelas costumeiras velas flutuantes, que tinham se transformado em infinitas estrelas douradas que iam caindo lentamente sobre as pessoas, criando uma atmosfera encantada ao redor do salão.

Do You Realize? - The Flaming Lips Do You Realize - that you have the most beautiful face Do You Realize - we're floating in space - Do You Realize - that happiness makes you cry Do You Realize - that everyone you know someday will die And instead of saying all of your goodbyes - let them know You realize that life goes fast It's hard to make the good things last You realize the sun don'-go down It's just an illusion caused by the world spinning round

- Você tem noção... – começou James, olhando intensamente para a garota em seus braços - De que você tem o rosto mais lindo?

Lily apenas soltou um risinho abafado, abaixando os olhos verdes, encabulada. Agora não usava mais sua máscara, tinha-a presa em sua mão esquerda, que envolvia o pescoço de James junto com sua mão direita.

- Eu falo sério. E, não me lembro de ter dito isso ainda, mas você fica realmente linda vestida de Bailarina.

- Obrigada pelo elogio. – sorriu a garota, erguendo seus esmeraldinos olhos – Mamãe ia morrer de orgulho se me visse assim. Sempre quis que eu me tornasse uma bailarina. – James também sorriu – E você também ficou muito bem de Soldadinho de Chumbo. Sempre adorei esse conto infantil, mas o fim era tão trágico... Queria mudar o rumo dessa estória para um final em que os dois ficassem juntos e felizes... E vivos.

- É, eu acho que você conseguiu reescrever a estória do Soldadinho de Chumbo. Da maneira mais prazerosa. – e com essas palavras, abraçou-a firme. – Lily... eu provavelmente já te disse isso várias vezes, mas acho que nunca é demais... Eu te amo.

- Ah, James... Eu também amo você.

Após beijarem-se romanticamente, o rapaz propôs:

- O que acha de escaparmos para o jardim? Aposto que nossos casais amigos já estão lá aproveitando o clima romântico...

- Hum... na verdade, eu tive uma idéia melhor... já que não tem ninguém no dormitório a essa hora... que tal se encerrássemos a noite por lá?

- V-Você está falando sério?

- E então, o que me diz?

James apenas sorriu e beijou a namorada, e discretamente, fugiram para a tranqüilidade da Torre da Grifinória, para comemorar a última noite naquele castelo encantado.

xXxXxXx

- Vamos logo, precisamos pegar uma cabine antes que todas fiquem cheias! – exclamou Lily, quase correndo pela rua.

- Calma, amor, nós provavelmente seremos os primeiros a chegar na estação, pode ficar tranqüila quanto a isso. – falou James, passando um braço pelo ombro da garota e beijando-lhe a testa.

- É, você devia escutar mais o seu namorado, Lily. Quem sabe assim ficaria menos estressada. – alfinetou Marlene, risonha. A ruiva meramente a fuzilou com o olhar.

- Ih, o que é que houve, vocês duas brigaram? – perguntou Sirius, que também tinha o braço passado pelos ombros da namorada, arrastando dois malões o seu e o dela.

- Não, Sirius. – respondeu Emmeline, sorridente, de mãos dadas com Remus. – A Marlene só está brava porque a Lily escondeu um pequeno segredo de nós durante os últimos seis meses.

- Pequeno segredo? Emme, a Lily praticamente nos traiu! – exaltou-se a morena, agitando os longos e lisos cabelos negros e arregalando os olhos azuis.

- Hahaha! Ai, Lene, você é tão dramática! – riu Alice, um pouco afastada do grupo, abraçada a Frank.

- Mas afinal, o que foi que a Lily não contou? Agora eu também quero saber!

- Ah, Sirius, a traidora da Lily deixou de mencionar que quando ela foi escondida no baile de ano-novo, ela beijou o James, e que foi por isso que o Bryan Leigh saiu da festa com um olho roxo!

- O quê? Pontas, você beijou a Ruiva no ano-novo e não contou pra gente? Pros seus amigos? Pros Marotos?

- Xi... essa discussão ainda vai longe... – comentou Frank para Alice. Agora já estavam na estação de Hogsmeade, e o Expresso de Hogwarts os aguardava - Vamos entrar e reservar a cabine, amor?

- Sim, Frank, é melhor deixar esses quatro aí resolverem esse pepino sozinhos...

-... Pontas, como você pôde quebrar o pacto dos Marotos? E ainda mais quando diz respeito à Lily Evans, a sua obsessão nos últimos quatro anos!

- Acho que nós vamos com vocês... – falou Remus, puxando Emmeline para dentro do trem também.

- ... Almofadinhas, eu não podia contar, a Lily me pediu segredo! Eu não podia pisar na bola com ela...

- ... Lene, entenda, eu estava muito confusa, se eu contasse, vocês iam me azucrinar pra sempre, eu na época eu ainda tinha aversão ao James!

- Amor, você tinha aversão à mim?

- Não, Jamie, eu só...

- ... Pontas, você não podia ter escondido isso de mim! Pensei que eu fosse seu melhor amigo!

- Mas...

- ... Mesmo assim, Lily você não podia ter deixado de contar!

De repente a confusão de vozes falando ao mesmo tempo cessou.

- Desculpe, Lene. Eu deveria ter contado. Mas é que na época tudo o que eu queria era fingir que não havia acontecido. Mas agora estou feliz por tudo isso.

- Ah, eu te perdôo, amiga!

Enquanto as duas amigas faziam as pazes se abraçando, James se redimia com Sirius.

- Cara, foi mal. Desculpa. Juro que nunca mais escondo nada de você, amigão.

- Tudo bem, eu te entendo. Acho que até eu teria feito o mesmo (ou pelo menos tentado) pela Lene.

- Ei, o que vocês quatro ainda estão fazendo aqui? O trem já vai partir! – exclamou Hagrid, surgindo por detrás do grupo. Àquela altura, todos os estudantes já tinham se acomodado no trem, faltavam apenas os quatro.

- Ah, Hagrid, vamos sentir saudades! – disse Lily, olhando com ternura para o meio-gigante.

- Eu também. – respondeu, com os olhos lacrimejantes.

Os quatro que estavam ali se despediram do amigo entraram no trem pela última vez.

- Bem, nós vamos procurar a cabine em que estão o Remus e os outros. – falou Sirius.

- Nós já vamos. – respondeu Lily, ainda no degrau, com a porta aberta, observando o castelo encantado fundindo-se com as montanhas ao longe.

- No que está pensando, meu amor? – perguntou James gentilmente, acariciando os cabelos soltos de Lily e beijando-lhe a testa.

- Deixar Hogwarts é difícil. As coisas vão ser bem diferentes agora... Você não sente medo?

- É claro que tenho medo. – murmurou , beijando-lhe a bochecha e entrelaçando seus dedos na mão direita dela, que agora tinha um anel brilhando no dedo anular. – Mas se eu estiver com você, enfrento qualquer coisa. Pode soar meio bobo vindo de mim, mas o amor sempre vence.

A garota sorriu, abraçando-se ainda mais ao namorado.

- Você tem razão. Não há necessidade de me preocupar ainda. Tudo o que eu quero pensar agora é no nosso casamento.

- Eu também, Ruiva. Eu também.

E com um beijo suave e carinhoso, o casal subiu os degraus restantes, a porta do vagão se fechou, e seguiram empurrando suas malas para a cabine onde já se encontravam todos os outros amigos, rumo a um novo começo, a uma vida nova.

Do You Realize - Oh - Oh - Oh
Do You Realize - that everyone you know
Someday will die -

And instead of saying all of your goodbyes - let them
know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun don'-go down
It's just an illusion caused by the world spinning
round

Do You Realize - that you have the most beautiful face

FIM


Música: "Do You Realize?" - The Flaming Lips (foi dividida em duas partes nessa fic, e eu não coloquei tradução, mas vocês podem encontrar em qualquer site de letras de música)


N/A: Espero que tenham gostado, pois eu amei escrever essa fic! Me despeço, mas não definitivamente; ainda falta concluir "Diário de uma Bruxa à Beira de um Ataque de Nervos" e a tradução "Fome de Verdade", então, ainda nos 'veremos' de novo!

E por hoje, é só.