8. Conversa de mulher.
Rose entrou em casa como um furacão. Bateu a porta e antes que quaisquer de seus pais pudessem pergunta o que houve, a garota subiu as escadas batendo o pé, as lágrimas rolando soltas por seu rosto.
Entrou no quarto e bateu a porta com tanta força que fez o barulho ecoar por toda a casa.
Jogou-se na cama e começou a chorar com vontade.
Agarrou o travesseiro para abafar o som, enquanto pensamentos horríveis passavam por sua cabeça.
Porque ele fizera isso com ela?
Porque ele dissera que ela era única?
Porque dançara com ela se queria dançar com outra?
Será que depois de todos esses dias, depois do porta-retrato com um monte de coisa escrita, será que ele não se ligou que ela o amava?
"Oh Rose! Como você é idiota, ele nem ao menos se deu ao trabalho de olhar o que estava escrito atrás da foto."
Porque nossa consciência tinha sempre que trazer os piores pensamentos para nós?
Eram tantas perguntas que ela se fazia, nenhuma com resposta.
A única resposta que tinha:
Ela o amava, e ele brincava com ela.
Ela era o que?
Uma garota bonitinha, uma das únicas de Hogwarts que ele não pegou. Então porque não passar Natal na casa dela e beija-la? Seria como um troféu não é?
Ela se sentia péssima, tinha ânsias, mesmo sabendo que não comia nada a mais de cinco horas.
Parecia que seu estomago queria sair dela.
Mas ela sabia, que dentro de algumas horas ele voltaria, e ela não iria deixá-lo vê-la chorar.
NUNCA.
Ele não ia sequer saber que a fizera sofrer.
Ele não valia isso.
Ele não valia nenhum dos sorrisos que ela havia dado para ele.
Não valia a foto.
Não valia os momentos que ela dedicava a ele.
Não valia a sua amizade.
Não valia a vontade que ela tinha de te-lo.
Só que mais uma vez, sua consciência trouxe o pensamento mais cruel e difícil:
Não valia o quanto ela o amava.
Com um movimento brusco ela levou a mão ao pescoço e sem se dar ao trabalho de abrir a corrente arrancou-a do pescoço, quebrando-a.
Jogou a no chão, levantou da cama e tirou aquela roupa que tanto machucava.
Pobre Julieta...
Colocou seu pijama, deitou novamente e dormiu. Sem se importar com nada.
Nem consigo mesmo.
Tentando por Merlin tirar aquele garoto da cabeça, tirar a cena dele beijando Melissa.
Rose acordou no dia seguinte se sentindo péssima.
30 de dezembro. Anti-véspera de ano novo.
Normalmente nesta época do ano ela se sentia esperançosa e feliz.
Agora, ela se sentia deixada e triste.
Olhou para o lado a prima e a amiga dormiam tranquilamente. Não estava com fome. Não queria comer nada. Muito menos queria descer.
Foi ao banheiro e ao se olhar no espelho não levou um susto de ver a cara inchada e vermelha. Os olhinhos pequenos, e os azuis outrora radiantes sem nenhum brilho.
Lavou o rosto com a água estupidamente fria, o que não era aconselhado, pois estavam no inverno e a temperatura da água era muito fria.
Ela nem se importou.
Olhou no relógio 10:45 da manhã.
Sabia que o pai e o resto já deviam ter ido trabalhar, só sua mãe devia estar acordada ainda.
Mas ela não queria ver ninguém.
Escovou os dentes e sentou no chão.
Ficou ali até alguém abrir a porta.
Virou-se e viu Lily, que deu um beijo de bom dia na prima. Depois que a ruiva mais nova se lavou, Becc acordou.
Rose não trocara palavras com nenhuma das duas apenas o cumprimento de bom dia, mas podia sentir mais do que ouvir as duas especulando as suas costas.
-Rose a gente pode conversar? –Perguntou Lily, Becc ao seu lado.
Rose, que estava sentada na cama de costas para ela virou-se e as duas sentaram-se na cama também. A ruiva fez um gesto de desdém para a prima.
-Rose você quer se abrir conosco?
-Não, obrigada Becc. –Rose sabia que estava sendo seca mas não se importou nem um pouco.
-Ok. Você não quer falar conosco. Mas nós queremos falar com você.
Elas apenas se encararam.
-A Kell disse que você chegou, subiu as escadas e se trancou aqui. O que você pretende, continuar trancada?
-Sim.
-Deixe de ser burra.
-Não estou sendo burra. Só que eu não quero pessoas me enchendo o saco Becc.
Becc não parecer se ofender. Trocou um olhar com Lily, que parecia estar ficando nervosa com a prima, esta desviou o olhar.
-Rose você gosta do Scorpius. Nós sabemos.. E você viu a Melissa beijando ele. A Becc me contou como aconteceu. Só que você já parou para pensar que talvez ele tenha sido beijado, e não ele que beijou ela.
-Grande diferença.
-É uma diferença enorme.
-Não não é Lily. Ninguém é beijado se não quer. Você entende isso? Se o Scorpius não quisesse, aquele beijo não teria acontecido. Você não pode obrigar as pessoas a fazerem nada, a não ser que você as deixe fazer isso com você.
-Eu vi o que aconteceu. Eles estavam dançando, e um pouco antes, talvez tenham sido 5 segundo antes de vocês voltarem ela puxou ele.
-E assim que você desaparatou ele a empurrou. –Terminou Becc, feliz por Rose ter voltado a encará-las.
-Ele procurou por você na mansão inteira. E não te encontrou. Sabíamos que você tinha voltado por que você deixou o galeão com a Becc, então chamei o tio Ron e ele e a tia Mione apareceram para nos buscar.
-Eles perguntaram...?
-Seu pai. Sua mãe parecia saber o que tinha acontecido.
Rose não pode deixar de sorrir. Sua mãe sempre sabia de tudo.
-Vamos descer para o café? O Scorpius deve estar lá embaixo querendo falar com você.
-Não importa o que vocês me digam. Eu não quero vê-lo. Digam a minha mãe que eu quero ficar sozinha. Não quero ver mais ninguém a não ser vocês e ela. Nem o Al. –Acrescentou para Becc, que concordou.
-Rose vamos. –Tentou persuadir Lily. – Tá cheio de neve. A gente pode fazer guerras de bola de neve. Assim você esquece tudo isso.
Ela sacudiu a cabeça categoricamente. Não ia sair daquele quarto.
Lily conhecendo o gênio teimoso da prima não insistiu mais.
Ela e Becc saíram do quarto deixando a ruiva sozinha, mas só um pensamento estava em sua mente:
"... ele a empurrou. Ele procurou por você na mansão inteira".
Uma dor tomou conta do peito da garota.
Ela não podia se iludir de novo.
-Scorp come alguma coisa.
-Não quero Albus eu já disse. Cadê a Rose?
-Está no quarto. Ela disse que não vai sair de lá tia.
Hermione olhou triste para o rosto do garoto loiro. Hugo tinha uma expressão assassina no rosto que Hermione não gostou nada nada.
Todos acabaram de comer, e Scorpius não comeu nem uma torradinha, tinha olheiras profundas em baixo dos olhos. Não dormira a noite toda pesando em Rose... Em como a garota agiria no dia seguinte.
Será que ela não tinha se dado conta do quanto ele a amava?
Um minuto antes daquela vaca daquela Melissa beija-lo ele havia dito que ela era tudo. Que ninguém iria atrapalhar o amor deles... Será que ela o achava um galinha?
"Com certeza, querido".
-Cala boca consciência idiota.
-Que que você falou Scopius? –Becc o olhou intrigadada.
-Nada.
-Vamos fazer guerra de bolas de neve?
Todos sorriram, menos Scorpius. Não tinha vontade de fazer nada a não ser falar com Rose, se desculpar...
-Vai querido. –Era Hermione. O sorriso dela era bondoso, e o garoto não pode deixar de sentir afeto pela morena. Mesmo sabendo que era o causador do sofrimento de sua filha continuava sorrindo.
Todos saíram e Scorpius continuou ali.
-Hermione?
-Sim.
-Você sabe que eu não quis beijar a Montague, não é?
Ela não respondeu, apenas sorriu.
-A senhora acha que a Rose vai me perdoar?
Ele esperava uma resposta tranqüilizadora, coisa que uma mãe faria, mas ela apenas encolheu os ombros e disse:
-Vá lá para fora. Deixe a Rose esfriar a cabeça, Deus sabe quantas vezes eu e o Ronald tivemos brigas assim.
Sorriu para o garoto, que entendeu como uma dispensa. Foi se juntar ao grupo alegre com uma esperança a mais:
"... O quanto eu e o Ronald tivemos brigas assim.."
Rose estava jogada na cama com a luz acessa lendo pela milésima vez "A História Recontada de Hogwarts", por Hermione Granger Weasley.
Adorava aquele livro que a mãe escrevera.
Ouviu alguém bater na porta e virou a cabeça.
-Posso entrar filha?
-Claro mãe.
Hermione entrou e abaixou a cabeça para ver que livro a filha estava lendo:
-A História Recontada de Hogwarts?
-A única que menciona elfos domésticos e as aventuras do trio maravilha na maior Escola de Magia e Bruxaria do mundo mágico.
Rose até decorara a escrita das costas da capa.
A mãe sorriu.
-Sabe filha, quando temos problemas desse tipo, não faz bem nos entregarmos aos livros.
A filha olhou para a mãe com um olhar incrédulo. Era Hermione Granger Weasley aquela? A mulher que sempre disse que os livros nos trazem solução.
-Os livros não trazem solução para tudo.
-Mas mãe..
-Rose escute. –A filha marcou a página do livro e o pôs de lado. –Quando eu tinha uns 17 anos, no meu sexto ano, eu e seu pais nos amávamos muito já. Só que nenhum tinha coragem de dizer isso pro outro. Eu o chamei para irmos juntos a uma festa. Só que no meio tempo em que eu o chamei ele descobriu que em meu quarto ano, se lembra do baile de inverno e do meu amigo, o Viktor Krum? –A garota fez uma careta- Esse mesmo que você não gosta, Merlin como você é igual ao seu pai! Então, seu pai descobriu que tinha beijado o Viktor. Só que isso tinha sido há tanto tempo... Eu pensei que ele entendesse que eu gostava dele. Então nós brigamos várias vezes, e um dia, depois de um jogo de quadribol eu voltei para o salão comunal e lá estava seu pai, aos beijos com outra.
Rose estava boquiaberta. Nunca soube dessa história. Sabia que seu pai havia namorado outra garota e sua mãe morrera de ciúmes, mas os detalhes sempre eram poupados.
-Então eu deixei de falar com o seu pai. Passamos o Natal sem trocar presentes, ele na Toca e eu em casa. Eu fui com outro garoto a tal festa, e disse que estávamos namorando. Depois parece que ele não acreditou mais. Porque não era verdade, eu nunca namorei ninguém além do se pai.
Rose sorriu. Adorava a história de seus pais.
- No dia do aniversário de 17 anos do seu pai, eu ainda não estava falando com ele. Foi então que ele foi envenenado.
Rose sabia um pouco sobre a historio do envenenamento, na sala de poções, tio Harry o salvara com um bezoar.
-Você imagina o quanto eu me senti mal? E se eu tivesse perdido o amor da minha vida, por causa de uma outra garota? Não, eu tinha que voltar a falar com ele. Voltamos a ser amigos.
Rose não sorriu.
-Filha você entendeu o que eu quis dizer com esta história?
Ela sacudiu a cabeça negativamente. Era estranho não entender alguma coisa, ela sempre entendia tudo.
-Não deixe que nada atrapalhe o amor que você sente por ele. E que, eu acho ser retribuído. Não perca tempo, a vida é curta de mais.
Rose se jogou em cima da mãe.
-Você sabia que você é a melhor mãe do mundo.
-Eu só tento não ver minha filha cometer os mesmos erros que eu cometi.
Rose sorriu para ela.
-Você acha que o Scorpius quis beijá-la?
-Não, eu acho que não. As meninas me contaram sobre a dança.
Rose mordeu o lábio, agora se sentia um pouco culpada, nem deixara ele se justificar.
-Está na hora de você tomar a sua decisão filha.
-Eu já tomei mãe. –Dando um abraço na mãe, e murmurando um 'obrigada', Rose saiu do quarto correndo.
N.A./ Se ela não se trancasse no quarto, não fizesse drama, quisesse ouvir uma explicação para o beijo, ela não seria a filha de Ron e Hermione certo?
Obrigaaada por todas as reviews, e poor todo mundo q. está lendo.
Próximo capítulo: Hate that I love you.
Eles se encaravam nos olhos, e todos os presentes podiam sentir a tensão.
-Eu quero conversar com você Malfoy.
Ela usar o sobrenome dele foi como uma faca em brasa ser colocada em seu coração. A formalidade significava que ela ainda não o perdoara.
Reviews continuam a importar :)
Obrigada!
