Santana estava com cara amarrada e braços cruzados quando Rachel cruzou com ela nos corredores. Até aí, normalidade. Novidade foi a quantidade massiva de olhares quando viu a novata integrante do time de atletismo (isso contava muito mais do que ser capitã do coral relativamente vencedor) e o quarterback titular do time de futebol americano chegarem juntos na escola a bordo da modesta lambreta. Até mesmo Quinn olhava para os dois com a infame sobrancelha erguida. Sem-graça, Rachel aproximou-se de Kurt.

"Oi..."

"Muita cara-de-pau a sua vir falar comigo assim como se nada tivesse acontecido. Vai pro inferno, Rachel Berry!" – e saiu como se fosse o mais ofendido dos homens.

Rachel ficou paralisada, surpresa. Viu Puck aproximar-se de Sam de forma ameaçadora.

"Feliz agora?" – Puck esbravejou – "Agora que roubou a namorada dos outros?"

"Eu não sei do que está falando, cara!"

Sam empurrou Puck de leve, apara recuperar um pouco do espaço pessoal. Nada como um pequeno gesto para motivar alguém que já estava com o outro engasgado havia algum tempo. Levou um soco como resposta. Puck aproveitou a surpresa do colega e montou em cima para continuar a agressão. Rachel acompanhava tudo de longe horrorizada. Finn e Karofsky trataram de separar os dois tão logo viram professores se aproximarem.

"O que está acontecendo aqui? – professor Schuester flagrou os dois jogadores segurando um enraivecido Puck enquanto Sam continuava no chão.

"Nada não... só um pequeno acerto de contas" – Puck virou as costas e saiu caminhando como um rei justiceiro.

Rachel correu em direção ao amigo enquanto Schuester ofereceu uma mão para ajudar Sam a levantar-se. Os três estavam confusos.

"Tudo bem?" – Schuester quis se assegurar.

"Eu assumo daqui, professor" – Rachel colocou um braço do amigo já baleado ao redor do pequeno ombro e o conduziu até a sala de ensaios, que ficaria vazia nos primeiros horários.

Recebeu uma mensagem de texto de Kurt assegurando que tudo não passava de uma encenação da parte dele e que não imaginava que Sam fosse ser agredido. Disse que pediria desculpas pessoalmente depois. Era a parte chata e confusa de ser um botão e ter de agir como um personagem em público. No caso maior, dentro da escola. Rachel analisou os danos ao rosto do amigo. Como se não bastasse a terrível dor nas costas e o abdômen sensível, ainda tinha um lábio cortado e um olho roxo. Rachel correu até o banheiro, pegou uma série de toalhas de papel, umedeceu o suficiente para formar uma massa e andou apressada de volta. Pressionou os papeis molhados no lábio.

"Sinto muito por tudo."

"Está brincando? Eu faria tudo de novo" – Sam forçou um sorriso – "Pelo menos eu sei quem são os meus amigos".

"Kurt mandou uma mensagem perguntando se estava tudo bem contigo..." – Rachel foi interrompida pela presença de duas outras pessoas na sala. Eram Santana e Brittany – "o quê..."

"Essa escola me enoja!" – aproximaram-se dos amigos e entregou um saco plástico com um pouco de gelo e uma toalha para o outro par enquanto Brittany pegou uma cadeira para sentar-se próxima – "Bando de hipócritas. Quem vê até pensa que eles se importam com Kurt."

"Santana..." – Brittany disse com suavidade – "Respira!"

A líder começou a andar pela sala como um animal enjaulado. O primeiro horário já estava em curso e ela não podia simplesmente sair andando pelos corredores da escola. Virou as costas para o grupo e procurou respirar fundo. Fechou os olhos e acalmou a mente cheia de problemas. Às vezes desejava ser uma adolescente normal, sem tantas responsabilidades. No entanto, aquela era a vida dela, aquelas pessoas eram as que mais importavam além da família, e perder o controle seria danoso.

"Chega de encenações" – Santana virou-se para os três – "Cansei disso."

"O que está dizendo?" – o coração de Rachel parou por um segundo.

"Está na hora de ficarmos juntos aqui e lá fora. A gente não pode expressar o que realmente pensamos, mas essa história de não nos falar aqui não tem mais sentido. Puck é um dedo-duro e começou a liderar um grupo estranho de tom fascista. Isso vai crescer. Está acontecendo exatamente como Reynolds alertou num noutro dia. Se a gente não puder sequer nos comunicar também aqui, seremos engolidos."

"Você está sugerindo começar uma briga nós contra eles?" – Sam franziu a testa.

"Não, longe disso. Procurar brigas com eles seria estúpido. Mas a gente não pode fechar mais os olhos e cruzar os braços quando Puck te soca no meio do corredor porque você o chamou de marionete impensante noutro dia no coral, não porque você e Rachel estão juntos agora."

"Concordo... e ei, Sam e eu não estamos juntos" – Rachel quase pulou da cadeira sem perceber que o garoto em questão baixou o olhar diante da má reação.

"Isso é problema particular de vocês, hobbit."

"Apelidos não ficariam de fora?"

"Sou uma bitch natural e gosto de te chamar de hobbit. Algum problema?"

"Bom... já vai ser um avanço você falar comigo naturalmente aqui na escola..." – Rachel ponderou e voltou a atenção dela de volta a Sam, que estava ainda triste com a rejeição – "E Kurt?" – perguntou enquanto voltou a trabalhar o gelo no rosto do amigo.

"Ele precisa ficar 'indignado' contigo pelo menos uma semana" – gesticulou aspas com as mãos – "Depois a gente vê" – finalmente pegou uma cadeira e sentou-se ao lado de Brittany – "Talvez fosse o momento de comermos uma pizza juntos."

"Pizza?" – Britanny e Sam estranharam, mas Rachel entendeu o código. Comer pizza significava visitar a sede dos botões que ficava na pizzaria de Reynolds. Para Brit e o outro garoto, seria a primeira vez.

"Tem certeza, Santana?"

"Tenho, Rach. Eu só quero introduzir algumas coisas. Oito horas está bom?"

"Tão cedo?"

"Cedo?" – foi a vez de Sam indagar.

"Tem uma nova manha que eu quero mostrar" – levantou-se e puxou Brittany com ela – "Qualquer coisa..." – levantou o celular.

Santana saiu da sala com Brittany logo atrás. A dançarina olhou mais uma vez para trás e acenou com a simpatia que lhe era característica. Rachel retribuiu rapidamente e voltou a trabalhar no rosto de Sam. O jogador estava ainda olhando para baixo, introspectivo.

"O que foi?"

"Nada não... acho que posso continuar sozinho."

"De forma alguma. Eu sou mais uma vez culpada por você ter se machucado, não vou te deixar sozinho."

"Mais uma vez?"

"O agente te bateu ontem porque você foi me defender, Sam."

"Não significa que tenha uma dívida de gratidão. Eu preciso ficar um pouco sozinho. Por favor."

"Ok..." – deixou o saco de gelo nas mãos do amigo.

Optou por passar o resto do primeiro horário na biblioteca. Era melhor ficar lá quieta do que ser pega pelo monitor por andar sem rumo aparente pelos corredores. No pequeno intervalo entre uma aula e outra, finalmente foi até o próprio armário. Sequer teve a chance de guardar os materiais quando chegou por causa da confusão. Os olhares estavam em cima dela e eram pesados. Procurou pensar em outras coisas, mas classes, para melhor lidar com os falsos julgamentos. O armário de Mercedes ficava ao lado do dela, mas a colega não a cumprimentou. Já esperava por isso, afinal, Mercedes era a melhor amiga de Kurt. Percebeu que a maioria dos integrantes do coral também virava o rosto. Era como se ela tivesse voltado no ano de calouro do high school quando era desprezada por quase todo mundo. Toda história tinha mocinhos e vilões. Aos olhos dos amigos, ela era a vilã do momento. Antagonistas eram seres solitários. E líderes, e anti-heróis. Pelo menos não era dia de coral. Odiaria prolongar o incômodo de enfrentar as acusações silenciosas.

Na hora do almoço, se surpreendeu quando Santana sentou-se na mesma mesa em que ela. Quando a líder dizia algo, costumava ser para valer, ainda assim, era estranho. Não conversaram. Santana comeu o frango grelhado em silêncio enquanto ela apreciou a salada. Brittany chegou em seguida desculpando-se pelo atraso. Aparentemente ela teve problemas com a professora de economia doméstica, o que era rotineiro.

"Isso é um ultraje! Desde quando uma pessoa pode se achar engraçada por fazer piadas sobre churrasquinhos de gatos?"

"O quê? A professora falou de alguns hábitos asiáticos outra vez?"

"Hábitos canibais!" – Brittany protestou e Rachel segurou o riso – "Que eles comam grilos... eu mesma já comi alguns... quando era pequena. Mas gatos e cachorros? Canibais! E a senhora Kurtinova é uma sádica" – Rachel ergueu uma sobrancelha. Brittany sabia o que significava sadismo?

"Você? Com ela?" – as três foram surpreendidas pela pessoa que menos esperava. Quinn se sentiu uma alienígena com os olhares de espanto – "Vocês dever ter ficado muito amiguinhas desde que a defendeu naquele dia no banheiro" – manteve a pose.

"Fabray!" – Santana fingiu que a caixinha de suco era mais interessante e tomou mais um gole do néctar de uva – "Há lugar vago."

Quinn ergueu a cabeça e foi sentar-se com outras cheerios que odiava. Não foi apenas Quinn que olhou em direção à mesa como se o fato mais bizarro do mundo tivesse acontecendo naquele momento no refeitório de McKinley High. Santana Lopez e Rachel Berry sentando juntas sem discussões e insultos? Pior, sem que as mãos da segunda no comando das cheerios estivessem apertando o pescoço da pequena diva?

"Perdi alguma coisa?" – Sam sentou-se ao lado de Rachel. Mais murmúrios.

"Estamos em meio a um experimento de espanto coletivo. A razão: nós" – Rachel disse com um pouco de acidez. Não estava acostumada com aquele tipo de atenção. Os olhares de admiração do palco, sim. Os de estranhamento: nem um pouco.

"Quem diria que éramos populares?" – Sam começou a se divertir com a atenção.

"Popular eu sempre fui!" – Santana continuou com o ar blasé.

"É verdade então?" – Tina sentou-se excitada – "Que vocês estão juntos?"

"Isso não é da sua conta" – Rachel esbravejou.

"Rachel e eu somos só amigos" – Sam completou um pouco mais quieto.

"Impressionante! Nem mesmo espera sair da high school e já se dedica ao jornalismo de fofocas. O futuro deste país está mesmo em boas mãos" – Santana ironizou.

"Não estou aqui por causa do jornal. Eles são meus amigos" – Tina indignou-se.

"Se você realmente for amiga deles, então demonstre um pouco de respeito. Senta aí, fique quieta e não julgue" – Brittany esbravejou para surpresa de todos. Santana começou a aplaudir e Sam estendeu a mão para um high five.

"Talvez vocês não estejam juntos... Se querem saber, Kurt não aparenta estar tão chateado" – Tina informou depois de um minuto ou dois de silêncio – "Mercedes, Puck e Finn é que estão fazendo o barulho maior."

"Kurt tem um coração enorme" – Rachel abriu um pequeno e constrangido sorriso.

"Sim, ele tem!"

O dia passou sem mais eventos significativos. Rachel tomou uma chuveirada em casa e pegou a mochila com uma muda de roupas. Deixou um recado avisando Anna de que daria a segunda aula particular da semana e que dormiria fora de casa. No horário combinado, entrou na pizzaria de Reynolds e encontrou Blaine, Brittany, Sam e Santana aguardando por ela. Foi bem recebida pelos amigos, que já haviam feito o pedido.

"Você se lembrou da minha favorita?"

"Claro! Calabresa!" – Santana provocou.

"Pedimos uma metade marguerita, Rach."

"Obrigada, Brit. Ao menos alguém tem consideração."

"Bitch, eu não tenho que ter consideração por ninguém" – Santana desdenhou – "Eu sou a top dog do pedaço."

"É por essas que eu lembro porque te odeio na maior parte do tempo" – Rachel disse quieta com alguma sinceridade na queixa.

"Desde quando ser líder dá o direito de ser cheia de si?" – Reynolds surpreendeu os garotos ao chegar por trás de Santana e puxar uma das orelhas dela.

"É que eu cansei de ser como Scott Summers. Talvez eu adote um estilo mais Anthony Stark de ser... exceto que não sou milionária e muito menos um gênio da tecnologia."

"O Capitão América é o líder dos Vingadores" – Sam corrigiu – "E desde quando você entende de quadrinhos?"

"San é uma nerd que não saiu do armário, meu jovem" – Reynolds estendeu a mão ao rosto novato – "A propósito, eu sou Reynolds, o dono na pizzaria. E não me chame de Rey ou apelidos porque vai se arrepender de ter nascido caso o faça" – bateu nos ombros de Blaine, que gargalhou nervoso e, por instinto, esfregou os braços. O próprio experimentou as desventuras por não levar à sério o aviso – "Mas é bom te ver relaxada, San. Faz um tempo."

"No dia que Santana relaxar de verdade, eu juro que ando só com as roupas de baixo pelos corredores da escola para comemorar" – Rachel resmungou.

"Isso é um desafio, anã?"

"Estou tão certa que registraria essa aposta em cartório!" – e veio pequenos urros dos outros à mesa. Santana apertou os olhos e encarou Rachel. Os outros pareciam até que pararam de respirar. Então ela balançou os ombros e tomou um pouco da coca-cola com ar estóico.

"Se eu relaxasse de verdade vocês arruinariam tudo!"

"Ok..." – Reynolds se afastou – "Talvez priorizar o pedido de vocês será benéfico para a casa."

"Quem é esse cara mesmo e como ele sabe sobre a sua liderança?" – Sam ficou intrigado.

"É parte do que vai aprender hoje" – foi tudo que ganhou de resposta.

Neste meio tempo, Matt chegou para o encontro junto com Kurt. Mal se acomodaram, e as três pizzas grandes foram colocadas à mesa. Kurt falou em linhas gerais como foi a sensação de ser a vítima principal e mocinho durante o dia na escola. Revelou que ficou nervoso por causa da agressão sofrida por Sam, mas que a história teve seu lado benéfico.

"Puck está levando a sério essa história de separar o joio do trigo. Pelo que entendi, os dedos-duros estão sendo instruídos para formarem uma espécie de patrulha ideológica. Soa como lavagem cerebral, se quer saber."

"Discutimos isso depois" – Santana ficou séria, compenetrada – "Aqui não é lugar de comentar política."

Os amigos fingiram se despedir. Brittany e Sam acompanharam Matt. Rachel, Blaine e Kurt seguiram Santana até o outro lado da rua. Rachel presumiu que a líder queria mostrar a eles a segunda entrada para a base dos botões. O casal de namorados ficaram impressionados com a passagem enquanto ouviam explicações sobre a segunda senha de entrada e como o sistema mudaria em breve para um código de registro mais seguro, com leitura da íris. O sistema vai contar também quantas vezes e em quais horários cada pessoa, identificada por um número, esteve na base.

"Por um breve período a base vai ficar inacessível para vocês. Mas é só o tempo de se fazer o registro correto de todos os membros dos botões" – explicou enquanto passavam pela passagem subterrânea oposta – "Ainda não existe nada confirmado, mas é possível que o acesso pela pizzaria seja restringido por questões de segurança. As patrulhas estão cada vez mais freqüentes em downtown. Por outro lado, não vamos correr mais o risco de ter de vir aqui durante o toque de recolher" – abriu a 'porta dos fundos' que revelou o velho e confortável salão.

"Não vamos precisar dormir fora de casa com tanta freqüência" – Rachel aprovou as novas medidas – "Com Puck do lado deles, vou precisar ter cuidado redobrado."

"É por isso que decidi que você está de licença das atividades do círculo por este mês, Rach. Quero que você fique o mais longe possível de encrenca."

"E quanto aos nossos treinos? E aos nossos encontros?" – o baque da notícia foi muito maior do que o esperado.

"Os treinos podem continuar. Não há nada de errado ou suspeito. Os encontros... vai depender do caso. Só quero que você fique mais em casa e dedicada aos seus trampos. Também que esta seja a última noite que passará fora de casa em um bom tempo. É uma ordem."

Triste e frustrada, Rachel foi até a coleção de discos. Escolheu "Lady Sings The Blues", de Billie Holiday, o que fez todos os outros revirarem os olhos.

"Temos de combinar como você vai se comportar na escola em relação a ela, Kurt. Penso que um rompimento temporário seja a melhor política."

"Concordo. Até porque..." – Kurt sussurrou para o líder – "ela e Sam... você sabe... está rolando alguma coisa, apesar dela estar em negação por causa da palavra com F."

"Sério?" – Blaine sorriu.

"Não te disse? É quase um enredo de comédia romântica ruim."

"Ceeerto..." – Santana olhou no relógio – "Brit e Sam devem chegar daqui a pouco com Matt..."

"... e que eles não estão habilitados de visitar com frequência ainda. Conhecemos a cartinha, chefe!" – Kurt bateu nos ombros de Santana e foi arrumar briga com Rachel pelo direito a uma trilha sonora mais animada.

Os botões rasos, quase promovidos, chegaram pela porta tradicional. Ficaram surpresos ao encontrarem os amigos espalhados pelo amplo espaço. Brittany estava mais interessada em passar um bom tempo com Santana do que conhecer a variedade de obras literárias e artísticas proibidas. Matt sentou-se no computador para usar um pouco da internet desbloqueada. Blaine e Kurt se retiraram para um dos quartos, onde poderiam namorar em privado. Coube a Rachel fazer sala para o colega botão e, por enquanto, convidado na sede.

"Nós temos livros aqui de várias correntes políticas. Desde '10 Dias que Abalaram o Mundo', de John Reed, até os ensaios direitistas de Mario Vargas Llosa. Tem uma coleção da Hannah Arendt. Diferente do que o governo fez ao queimar e proibir livros, os botões acreditam que é preciso conhecer todas essas experiências para formar uma opinião. Ou então seríamos apenas marionetes de uma oposição secreta. Não é o propósito."

"Você, Rachel Berry, lê sobre política?" – Sam ficou descrente.

"Confesso que não é o meu forte. Prefiro a música..." – percorreu os dedos pelos livros de uma prateleira conhecida – "Este é um dos meus favoritos: 'Ao Vivo no Village Vanguard', por Max Gordon."

"Isso é..."

"Sobre música, eu sei. É a história do dono de uma das casas de jazz mais antigas de Nova York. Barbra Streisand começou a carreira em uma das boates de Gordon. É incrível. Um dia pretendo conhecer esse lugar."

"Você quer sair!" – Sam afirmou com alguma tristeza, embora não fosse uma surpresa. Rachel sempre dizia que mudaria para a capital para se dedicar ao teatro. A diferença é que agora tinha certeza que o sonho da pequena diva estava além das fronteiras.

"É a minha meta. Não pense que não me importe com o nosso país. Desejo mudanças e liberdade, e o fim deste Estado. Mas eu também tenho os meus próprios sonhos e luto por eles. Será que isso me faz uma pessoa egoísta?"

"Não" – Sam segurou o livro e o balançou – "Isso só a torna mais bonita."

Rachel ficou sem jeito e o rosto corou. Colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e olhou para os próprios pés. Naquela altura, Brittany e Santana já tinham se recolhido para um dos quartos. Matt assistia televisão devidamente coberto por uma manta no largo sofá. Rachel estava exausta e só queria pegar o último quarto vazio para dormir. Sam estava num estado pior, com um olho roxo e as costas doloridas. A diva encarou o amigo e pensou melhor: ele merecia mais o conforto do bom colchão do que o sofá. Quando ia sugerir o descanso, o botão raso foi mais rápido e a surpreendeu.

"Quer sair comigo... algum dia... num encontro?"

Rachel emudeceu.

...

C. Honda, Rachel não se envolverá romanticamente com Quinn nesta fic. Se as duas vão ter algum tipo de interação mais adiante? Claro! Mas não será um romance.

Taina, Puck é um troublemaker!

"A", Samchel tem tudo para acontecer... ou não!