Capitulo nove – O embarque na plataforma nove e meia
- Certo, quem quer ler agora?
- Eu – disse Lice pegando o livro – O embarque na plataforma nove e meia.
Mas Lice não conseguiu ler, pois de repente todos ali se viram girando, e girando e girando. Até que pararam. E notaram que tinha quatro pessoas ali. Dois ruivos, um de cabelo preto e uma de cabelos loiros.
Eram Fred e Jorge Weasley, Neville Longbotton e Luna Lovegood.
- Como vieram parar aqui? – perguntou Hermione
- Remo disse que deveríamos vir para cá. E disse que estavam fazendo algo – explicou Neville
- Ham. – disse Harry
Hermione os apresentou.
- Mãe? Pai? – Neville perguntou vendo Alice e Frank
- Filho – disse Alice correndo e o abraçando
Frank seguiu a namorada e o abraçou também.
As meninas tinham lágrimas nos olhos.
- Mas então, o que estão lendo? – perguntou Jorge
Ai, eles explicaram o que estavam fazendo, os capítulos e estavam prontos pra continuar.
- O embarque na plataforma nove e meia – leu Lice
O último mês de Harry na casa dos Dursley não foi nada divertido.
- E quando foi? – questionou Sirius
É verdade que Duda agora estava tão apavorado com Harry que não queria nem ficar no mesmo aposento com ele, e tia Petúnia e tio Válter não trancaram Harry no armário nem o obrigaram a fazer nada, tampouco gritaram com ele, na verdade, sequer falaram com ele.
- Isso realmente é muito ruim. – comentou Luna sonhadoramente
- Vocês não viram nada – disse Harry sombriamente
Meio aterrorizados, meio furiosos, agiam como se a cadeira em que Harry se sentasse estivesse vazia.
Embora isso fosse sob muitos aspectos um progresso, tornou-se um tanto deprimente depois de algum tempo.
- No inicio era legal, mas depois...
- Tudo bem. Se estamos lendo isso, é porque você merece ter uma vida nova – disse Gina sorrindo
Harry sorriu de volta. Os marotos deram uma risadinha.
Harry ficava em seu quarto, com a nova coruja por companhia.
Decidira chamá-la Edwiges, um nome que encontrara na História da Magia. Seus livros de escola eram muito interessantes. Deitava-se na cama e lia até tarde da noite.
- Nãooooooo, volte para a luz branca – disse Sirius dramaticamente
- Sirius, cala a boca. – disse Lene
- Mas estava lendo – disse Sirius dramaticamente
- Bom pra ele – disse Hermione
Sirius fez uma cara dramática.
Edwiges voava para dentro e para fora da janela, quando queria. Era uma sorte que tia Petúnia não aparecesse mais para passar o aspirador de pó, porque Edwiges não parava de trazer ratos mortos para o quarto.
- Pena que ela não viu – resmungou Lily – quem sabe ela não morria de susto.
Eles olharam espantados para Lily.
- Essa mulher até pode ser a minha irmã, mas ela tratou o meu filho pior que um rato.
Harry, Gina, Rony e Hermione se entreolharam.
Toda noite, antes de se deitar para dormir, Harry riscava mais um dia no pedaço de papel que pregara na parede, para contar os dias que faltavam até primeiro de setembro.
No último dia de agosto ele achou melhor falar com os tios sobre a ida à estação no dia seguinte, por isso desceu à sala de estar onde eles estavam assistindo a um programa de auditório na televisão. Pigarreou para avisar que estava ali e Duda deu um berro e saiu correndo da sala.
- Medroso – rosnou Remo
- Eu ainda mato esses Dursley – disse Tiago
- Hum... Tio Válter?
Tio Válter resmungou para indicar que estava escutando.
- Hum... Preciso estar amanhã na estação para... Embarcar para Hogwarts. - Tio Válter resmungou outra vez.
- Será que o senhor podia me dar uma carona? - Resmungo.
Harry supôs que quisesse dizer sim.
- Não sabia que você falava a língua dos trasgos Harry – exclamaram Fred e Jorge
- Vai ver é um talento que só aparece com os Dursley – pensou Fred – o que você acha Forge?
- Pode ser Gred.
Eles começaram a rir.
- Adorei os seus irmãos – disse Sirius para Rony
- Muito obrigado.
- Tão educado – disse Lily sorrindo
- Sempre – disse Gina sorrindo
E já ia voltando para cima quando tio Válter falou de verdade.
- Que modo engraçado de ir para a escola de magia, de trem. Os tapetes mágicos furaram todos?
- O que esse cara tem na cabeça? – perguntou Tiago
- E porque ele perugntou se os tapetes estavam furados? – perguntou Neville
- Pros trouxas, em desenhos, aparecem tapetes mágicos, voando. Uma grande bobagem é claro – disse Hermione
Harry não respondeu.
- Onde fica essa escola afinal?
- Na Escócia – disse Hermione prontamente – está em...
- Hogwarts: Uma história – dissera Harry e Rony em coro – já sabemos isso de cor – completou Harry
Eles riram.
- Não sei - disse Harry pensando nisso pela primeira vez. Tirou do bolso o bilhete de passagem que Hagrid lhe dera.
- Vou tomar o trem na plataforma 9 e ½ às onze horas - leu.
A tia e o tio arregalam os olhos.
- Plataforma o quê?
- Nove e meia.
- Não diga bobagens - repreendeu tio Válter - Não existe plataforma nove e meia.
- Existe sim. Basta atravessar as plataformas nove e dez – informou Lily prontamente
- Acho que todos sabemos – disse Tiago
- Fica quietinho.
- Está no meu bilhete.
- Loucos - disse tio Válter - de pedra, todos eles. Você vai ver. É só esperar.
- Esperar o que? Você emagrecer? Idiota – resmungou Gina
- Acho que devemos, sabe, continuar a ler – disse Neville – mãe – ambos sorriram.
Está bem, levaremos você até a estação. De qualquer maneira tínhamos de ir a Londres amanhã ou nem me daria ao trabalho.
- Por que o senhor vai a Londres? - perguntou Harry, tentando manter a conversa cordial.
- Vamos levar Duda ao hospital - rosnou tio Válter - Precisamos mandar cortar aquele rabo vermelho antes de mandá-lo para Smeltings.
- Pena que ele não deixou. Ia ficar perfeito nele – disse Sirius
- É, devemos tentar fazer isso de novo mais tarde – disse Fred
- Com certeza Gred.
- Claro, Forge.
- Vocês são de mais – disse Tiago sorrindo
- Lice – pediu Frank – volte a ler.
Harry acordou às cinco horas na manhã seguinte e estava demasiado excitado e nervoso para voltar a dormir.
- Cinco da manhã? – perugntou Rony de olhos arregalados
- Eu estava ansioso – Harry se defendeu
- Acho que a maioria dos alunos que nunca ouviu falar de magia acordam ansiosos – disse Hermione
- É como conhecer um mundo completamente diferente – disse Lily
Levantou-se e vestiu o jeans porque não queria entrar na estação com as vestes de bruxo, mudaria de roupa no trem.
Verificou novamente a lista de Hogwarts para se certificar de que tinha tudo de que precisava, viu se Edwiges estava bem trancada na gaiola e então ficou andando pelo quarto à espera que os Dursley se levantassem.
Duas horas mais tarde, a mala enorme e pesada de Harry fora colocada no carro dos Dursley. Tia Petúnia convencera Duda a se sentar ao lado do primo e eles partiram.
- Eu adoraria ter enfeitiçado ele – comentou Harry – mas estava nervoso de mais pra pensar nisso.
Chegaram à estação de King's Cross às 10:30h. Válter jogou a mala de Harry num carrinho e empurrou-o até a estação, com um gesto curiosamente bondoso até tio Válter parar diante das plataformas com um sorriso maldoso.
- Bom, aqui estamos, moleque. Plataforma nove, plataforma dez. A sua plataforma devia estar aí no meio, mas parece que ainda não a construíram, não é mesmo.
- Idiota – disse Sirius
Ele tinha razão, é claro. Havia um grande número nove de plástico no alto de uma plataforma e um grande número dez no alto da plataforma seguinte, mas no meio, não havia nada.
- Tenha um bom período letivo - disse tio Válter com um sorriso ainda mais maldoso. E foi-se embora sem dizer mais nada.
Harry se virou e viu o carro dos Dursley partir. Os três estavam rindo,
- Onde está a graça? – perguntou Tiago
- Eles são desprovidos disso – disse Fred
- Com certeza. Apoiado, apoiado – disse Jorge
Harry sentiu a boca seca. Que diabo iria fazer? Estava começando a atrair uma porção de olhares curiosos por causa da Edwiges. Teria que perguntar a alguém.
Parou um guarda que ia passando, mas não mencionou a plataforma nove e meia.
- É uma boa idéia. Mas ele não iria te ajudar de qualquer jeito – disse Hermione
O guarda nunca ouvira falar em Hogwarts e quando Harry não soube lhe dizer em que parte do país a escola ficava, ele começou a mostrar aborrecimento, como se Harry estivesse se fazendo de burro de propósito.
Desesperado, Harry perguntou pelo trem que partia às onze horas, mas o guarda disse que não havia nenhum. Ao fim, o guarda se afastou, resmungando contra pessoas que o faziam perder tempo. Harry tentou por tudo no mundo não entrar em pânico. Pelo grande relógio em cima do quadro que anunciava os trens que chegavam, só lhe restavam mais dez minutos para embarcar no trem de Hogwarts e ele não tinha idéia de como ia fazer isso, estava perdido no meio da estação com uma mala que mal podia levantar, o bolso cheio de dinheiro de bruxo e uma corujona.
- Você estava realmente perdido – disse Remo
- Sei, mas logo vai tudo ficar ótimo.
Hagrid devia ter esquecido de lhe dizer alguma coisa que tinha de fazer, como bater no terceiro tijolo à esquerda para entrar no Beco Diagonal. Perguntou-se se deveria tirar a varinha da mala e começar a bater no coletor de bilhetes entre as plataformas nove e dez.
Naquele instante um grupo de pessoas passou as suas costas e ele entreouviu algumas palavras que diziam...
- Aqui estamos nós – cantarolou Fred
- ... Cheio de trouxas, é claro...
- Foi impossível eu não achar que não eram bruxos. Todos com malões e falando trouxas – Harry se defendeu antes que alguém falasse
Harry deu meia-volta. Era uma mulher gorda que falava com quatro meninos, todos de cabelos cor de fogo.
- Weasley! – gritaram os gêmeos
- Nós já sabemos – disse Hermione revirando os olhos – agora sentem.
Cada um deles estava empurrando à frente uma mala como a de Harry e levavam uma coruja. O coração aos saltos, Harry os seguiu empurrando o carrinho. Eles pararam e ele também, bem próximo para ouvir o que diziam.
- Agora, qual é o número da plataforma? - perguntou a mãe dos meninos.
- Nove e meia - ouviu-se a voz fina de uma menininha, também de cabelos ruivos que estava segurando a mão da mulher.
- Gina – disse Rony
- Sério? Eu realmente não tinha reparado – disse Gina sarcasticamente
- Volte a ler – pediu Lene
- Mamãe, não posso ir...
- Você ainda não tem idade, Gina, agora fique quieta. Está bem, Percy, você vai primeiro.
- Percy – rosnaram os Weasley
- Quem é esse? – perguntou Lily
- Vamos ler. Acho que o livro pode explicar melhor – disse Gina
O que parecia o menino mais velho marchou em direção às plataformas nove e dez. Harry observou-o, tomando o cuidado de não piscar para não perder nada, mas assim que o menino chegou à linha divisória entre as duas plataformas, um grande grupo de turistas invadiu a plataforma à frente dele e quando uma mochila acabou de passar, o menino havia desaparecido.
- Fred , você agora - mandou a mulher gorda.
- Eu não sou Fred, sou Jorge - retrucou o menino. - Francamente, mulher, você diz que é nossa mãe? Não consegue ver que sou o Jorge?
- Desculpe, Jorge, querido.
- Aposto que você é o Fred – disse Tiago
- É brincadeira, eu sou o Fred - disse o menino, e foi.
- Viu.
- Essa é a nossa brincadeira preferida – comentou Jorge – pena que não podemos mais usar.
- Por quê? – perguntou Luna
Ele apontou pra orelha.
- Quem...?
- Se continuarmos a ler. Será explicado.
O irmão gêmeo gritou para ele se apressar, e ele deve ter atendido, porque um segundo depois, sumiu, mas como fizera aquilo?
- Atravessando a barreira – disse Hermione
- Sério? Juro que se você não tivesse falado eu não teria descoberto – disse Rony sarcasticamente
Hermione revirou os olhos.
Agora o terceiro irmão estava se encaminhando rapidamente para a barreira, estava quase lá e, então, de repente, não estava mais em parte alguma.
E foi só.
- Com licença - dirigiu-se Harry à mulher gorda.
- Olá, querido. É a primeira vez que vai a Hogwarts? O Rony é novo também.
Ela apontou o último filho, o mais moço. Era alto, magro e desengonçado, com sardas, mãos e pés grandes e um nariz comprido.
- Graças Harry – disse Rony vermelho
Os outros estavam as gargalhadas.
- Descrição perfeita – disse Fred chorando de tanto rir
- Quero ver a sua Hermione – retrucou Rony
- O que você quer dizer? – ela perguntou ameaçadoramente
- Alice – ele implorou
- É - respondeu Harry, - A coisa é, a coisa é que não sei como...
- Como chegar à plataforma? - disse ela com bondade, e Harry concordou com a cabeça.
- Não se preocupe. Basta caminhar diretamente para a barreira entre as plataformas nove e dez. Não pare e não tenha medo de bater nela, isto é muito importante. Melhor fazer isso meio correndo se estiver nervoso. Vá, vá antes de Rony.
- Hum... Ok.
E Harry virou o carrinho e encarou a barreira. Parecia muito sólida.
- Mas quando... – começou Hermione
- Não comece Hermione. Ela vai até amanha falando – disse Rony
Ele começou a andar em direção a ela. As pessoas a caminho das plataformas nove e dez o empurravam. Harry apressou o passo. Ia bater direto no coletor de bilhetes e então ia se complicar, curvando-se para o caminho ele desatou a correr, a barreira estava cada vez mais próxima. Não poderia parar, o carrinho estava descontrolado, ele estava a um passo de distância, fechou os olhos se preparando para a colisão..
E ela não aconteceu... Ele continuou correndo. Abriu os olhos.
- E encontrou a sua alma gêmea – disse Sirius
- Cala a boca pulguento – disse Tiago
Uma locomotiva vermelha a vapor estava parada à plataforma apinhada de gente. Um letreiro no alto informava "Expresso de Hogwarts 11 horas".Harry olhou para trás e viu um arco de ferro forjado no lugar onde estivera o coletor de bilhetes com os dizeres "Plataforma 9 e ½".Conseguira.
- Claro! Você esperava o que? – perguntou Neville rindo
A fumaça da locomotiva se dispersava sobre as cabeças das pessoas que conversavam, enquanto gatos de todas as cores trançavam por entre as pernas delas. Corujas piavam umas para as outras, descontentes, sobrepondo-se à balbúrdia e ao barulho das malas pesadas que eram arrastadas.
Os primeiros vagões já estavam cheios de estudantes, uns debruçados às janelas conversando com as famílias, outros brigando por causa dos lugares. Harry, empurrou o carrinho pela plataforma procurando um lugar vago. Passou por um garoto de rosto redondo que estava dizendo:
- Vó, perdi meu sapo outra vez.
- Neville – disseram os gêmeos, o trio e Gina
- Ah, Neville - ele ouviu à senhora suspirar.
Neville corou.
- Espera, onde nós estamos? – Alice perguntou
- Provavelmente trabalhando – disse Frank
- Mas eu tenho certeza que estaríamos para levar nosso filho pra Hogwarts – disse Alice sem entender nada – porque não estamos lá?
Neville olhou pros outros.
- Tenho certeza que os livros vão dizer.
Um garoto com cabelos rastafári estava cercado por um pequeno grupo de meninos.
- Lino – disseram os gêmeos
- Quem?
- Lino Jordan. Nosso amigo.
- Deixe a gente espiar,Lino,vamos.
O menino levantou a tampa de uma caixa que carregava nos braços e as pessoas em volta deram gritos e berros quando uma coisa dentro da caixa esticou para fora uma perna comprida e peluda.
Rony e Lice se arrepiaram.
- Eu odeio aranhas – disse Lice
- Eu também – concordou Rony
Harry continuou andando pela aglomeração até que encontrou um compartimento vago no final do trem. Primeiro pôs Edwiges para dentro e começou a empurrar e a forçar com a mala em direção à porta do trem. Tentou erguê-la pelos degraus acima, mas mal conseguiu suspender uma ponta e duas vezes deixou-a cair dolorosamente em cima do pé.
- Ai – gemeram eles
- Quer uma ajuda? - Era um dos gêmeos ruivos que ele seguira para atravessar a barreira.
- Por favor - Harry ofegou.
- Fred! Vem dar uma ajuda aqui!
- Muito legal da parte de vocês – disse Lily sorrindo pros gêmeos
Eles sorriam de volta.
Com a ajuda dos gêmeos a mala de Harry, finalmente foi colocada a um canto do compartimento.
- Obrigado - disse Harry, afastando os cabelos suados dos olhos.
- Que é isso - perguntou de repente um dos gêmeos apontando para a cicatriz de Harry.
- A cicatriz – murmurou Harry
- Foi mal – se desculparam os gêmeos
- Tudo bem.
- Caramba - disse o outro gêmeo. - Você é...?
- Ele é - disse o outro gêmeo. - Não é? - acrescentou para Harry.
- O quê? - indagou Harry.
- Harry Potter -disseram os gêmeos em coro.
- Ah,ele
- Ah, ele – Sirius gargalhou
- Francamente Harry – disse Rony rindo
- Eu não estava acostumado com toda atenção – Harry se defendeu
- disse Harry - Quero dizer, é, sou.
Os dois garotos olharam boquiabertos e Harry sentiu que estava corando.
- Lily – cantarolaram Tiago, Sirius, Remo, Alice, Lene e Frank
- Ei, eu não tenho culpa se coro com facilidade – disse Lily revirando os olhos
Então, para seu alivio, ouviram uma voz pela porta aberta do trem.
- Fred? Jorge? Vocês estão ai?
- Estamos indo, mamãe.
Dando uma última espiada em Harry, os gêmeos saltaram para fora do trem. Harry sentou-se à janela onde, meio escondido, podia observar a família de cabelos ruivos na plataforma e ouvir o que diziam.
- Harry – repreendeu Lily – isso é muito feio.
Harry corou.
- Eu queria ouvir. Eu nunca tinha visto uma família agir assim. E muito menos com muitas crianças.
A mãe tinha acabado de puxar o lenço.
- Rony, você está com uma crosta no nariz.
Rony fez uma careta.
O menino mais novo tentou fugir, mas ela o agarrou e começou a limpar aponta do nariz dele.
- Mamãe, sai para lá - Desvencilhou-se.
- Será que as mães nunca percebem que isso constrange a gente? – Tiago perguntou
- Nunca. – disse Rony
- Aaaah, o Roniquinho está com uma coisa no nariz? - caçoou um dos gêmeos.
Os gêmeos sorriram. Rony os fuzilou com os olhos.
- Cale a boca - disse Rony.
- Onde está o Percy? - perguntou a mãe.
- Está vindo aí.
- Vocês devem adorar o irmão de vocês – comentou Sirius – pra dizer "está vindo ai".
- Percy é um idiota metido – disse Gina com raiva
Lice achou melhor ler.
O garoto mais velho vinha vindo. Já vestira as vestes largas e pretas de Hogwarts e Harry reparou que tinha um distintivo de prata reluzente com a letra"M".
- Não posso demorar, mãe - falou ele. - Estou lá na frente, os monitores têm dois vagões separados...
- Jura? Eu nunca teria adivinhado – ironizou Rony - obrigado por me informar.
- Ah, você é monitor, Percy? - perguntou um dos gêmeos, com ar de grande surpresa. - Devia ter avisado, não fazíamos idéia.
- Espere ai, acho que me lembro de ter ouvido ele dizer alguma coisa - disse o outro gêmeo. - Uma vez...
- Ou duas...
- Um minuto...
- O verão todo.
Eles começaram a gargalhar. Snape revirou os olhos negros para as bobagens.
- Vocês são de mais – disse Sirius
- Aprendemos com os melhores – disse Fred
- Os marotos – completou Jorge
- Espere, vocês aprenderam com a gente? – perguntou Sirius
- Vocês são os marotos? – os gêmeos perguntaram incrédulos
- Sim eu sou Aluado – disse Remo – o Pontas – apontou para Tiago – e Almofadinhas – apontou para Sirius – só falta o Rabicho, mas a carta dizia que ele não podia ler. – deu os ombros
- Harry, você é filho de um maroto, afilhado de outro e amigo de outro? – questionaram os gêmeos se virando para Harry
- Sim.
- E você nunca nos contou? – eles pareciam decepcionados
- Achei que sabiam.
- É uma honra conhecê-los – disseram eles se virando e fazendo uma reverencia
- Sim. Os melhores fazedores de travessuras do mundo.
Tiago e Sirius ganharam sorrisos convencidos. Remo corou.
- Agora chega de baderna – disse Lene – Alice, leia, por favor. Se não vamos até amanhã assim.
- Pode deixar – e voltou a ler
- Ah, calem a boca - disse Percy, o monitor.
- Afinal por que foi que o Percy ganhou vestes novas? - disse um dos gêmeos.
- Porque é monitor - disse a mãe com carinho
- Grande coisa – disse Sirius revirando os olhos
- Obrigado Almofadinhas – ironizou Remo
- Quando precisar Aluadão.
- Está bem, querido, tenha um bom ano letivo - mande-me uma coruja quando chegar.
Ela beijou Percy no rosto e ele foi embora. Então. Virou-se para os gêmeos.
- Agora, vocês dois, este ano, se comportem. Se receber mais uma coruja dizendo que vocês... Vocês explodiram um banheiro ou...
- Não de idéias – gemeu Lily
- Explodiram um banheiro? Nunca explodimos um banheiro.
- Mas é uma grande idéia, obrigado, mamãe.
Eles começaram a rir.
- Nós fizemos – disse Sirius com orgulho
Os olhos dos gêmeos brilharam.
- Quando? – Lene perguntou
- Ano passado. Invadimos o banheiro dos monitores da Sonserina e explodimos ele. Inteirinho – os olhos de Sirius brilhavam ao dizer isso
Todos deram uma risada. Snape revirou os olhos.
- Não tem graça. E cuidem do Rony.
- Não se preocupe, Roniquinho está seguro com a gente.
- Cale a boca – disse Rony
- Cale a boca - mandou Rony outra vez.
- Você não muda – gemeu Hermione
- E você gosta dele desse jeito – disse Luna sonhadoramente
Hermione e Rony coraram. Os outros riram.
Já era quase tão alto quanto os gêmeos e seu nariz continuava vermelho onde a mãe o esfregara.
- Harry – disse Rony mais vermelho
- Eu não escrevi isso – disse Harry sorrindo maroto
- Ei, mãe, advinha? Adivinha quem acabamos de encontrar no trem?
Harry recuou o corpo rápido para que eles não o vissem olhando.
- Isso mesmo, ninguém pode lhe acusar de nada sem provas – disse Tiago
Ele ganhou um tapa de Lily.
- Sabe aquele menino de cabelos pretos que estava perto da gente na estação? Sabe quem ele é?
- Quem?
- Harry Potter!
Harry ouviu a vozinha da garotinha.
- Ah não – gemeu Gina vermelha
- Ah, mamãe, posso subir no trem para ver ele, mamãe, ali, por favor...
Todos começaram a rir. Gina estava rubra.
- Eu era tão idiota – resmungou Gina baixinho
Mas Harry ouviu.
- Eu achei fofo – murmurou em seu ouvido, ambos se arrepiaram ao toque
- Você já o viu, Gina, e o coitado não e um bicho de zoológico para você ficar olhando. É ele mesmo, Fred? Como é que você sabe?
- Perguntei a ele. Vi a cicatriz. Está lá mesmo, parece um raio.
- Coitadinho. Não admira que estivesse sozinho. Foi tão educado quando me perguntou como entrar na plataforma.
- Harry sempre é educado – disse Luna
- Deixa para lá, você acha que ele se lembra como era o Você-Sabe-Quem?
De repente a mãe ficou muito séria.
- E ai vem à famosa Srª Weasley – disse Fred em tom de locutor de futebol
- Proíbo-lhe de perguntar a ele, Fred. Não, não se atreva. Como se ele precisasse de alguém para lhe lembrar uma coisa dessas no primeiro dia de escola.
- Exato – concordou Lily
- Está bem, não precisa ficar nervosa.
- Qualquer motivo serve – riu Jorge
Ouviu-se um apito.
- Depressa! - disse a mãe, e os três garotos subiram no trem.
Debruçaram-se na janela para a mãe lhes dar um beijo de despedida e a irmãzinha começou a chorar.
Gina corou.
- Não chore, Gina, vamos lhe mandar um monte de corujas.
- Vamos lhe mandar uma tampa de vaso de Hogwarts.
- Eu nunca recebi uma – disse Gina autoritariamente
- Mandamos uma pro Harry – disse Jorge
- Então está bem – ela disse sorrindo
- Jorge!
- Estou só brincando, mamãe.
- Aham, brincando – disse Rony rindo
O trem começou a andar. Harry viu a mãe dos garotos acenando e a irmã, meio risonha, meio chorosa, correndo para acompanhar o trem até ele ganhar velocidade e ela ficar para trás acenando.
- AAAAAAAAAAWWWWWWWWWW – disseram as meninas
Gina corou. Harry a abraçou pelos ombros, murmurando em seu ouvido:
- Você estava muito linda. Aliás, você é linda.
Gina sorriu.
Harry observou a menina e a mãe desaparecerem quando o trem fez a curva. As casas passaram num relâmpago pela janela.
Harry sentiu uma grande excitação. Não sabia onde estava indo, mas tinha de ser melhor do que o lugar que estava deixando para trás.
- Sempre – disse Harry pensando em Hogwarts
A porta da cabine se abriu e o ruivinho mais moço entrou.
- Pelo você não falou o desengonçado e com nariz grande – comentou Rony
- Tem alguém sentado aqui? - perguntou, apontando para o assento em frente ao de Harry - O resto do trem está cheio.
Harry respondeu que não, com um aceno de cabeça, e o garoto se sentou. Olhou para Harry e em seguida olhou depressa para fora, fingindo que não tinha olhado. Harry reparou que ele ainda tinha uma mancha preta no nariz.
- Porque você não me contou?
Harry deu os ombros.
- Oi, Rony.
Os gêmeos estavam de volta.
- Escuta aqui, vamos para o meio do trem. Lino Jordan trouxe uma tarântula gigante.
Rony empalideceu se lembrando de aragogue.
- Certo - resmungou Rony.
- Harry - disse o outro gêmeo -, nós já nos apresentamos? Fred e Jorge Weasley. E este é o Rony, nosso irmão. Vejo vocês mais tarde, então.
- Tchau - disseram Harry e Rony.Os gêmeos fecharam a porta da cabine ao passar.
- Você é Harry Potter mesmo? - Rony deixou escapar.
- Insensível – murmurou Hermione
Harry confirmou com a cabeça.
- Ah, bom, pensei que fosse uma brincadeira do Fred e do Jorge e você tem mesmo... Sabe...
Apontou para a testa de Harry. Harry afastou a franja para mostrar a cicatriz em forma de raio. Rony olhou.
- Então foi aí que Você-Sabe-Quem...?
- Rony existe uma coisa chamada tato – resmungou Hermione
- Foi, mas não me lembro.
- De nada? - perguntou Rony ansioso.
- Ronald! – disse Hermione
- Bom... Lembro de muita luz verde, mas nada mais.
- Era melhor não lembrar – disse Lily, seus olhos sem brilho
- Eu também preferia – disse Harry
- Uau! - Ele ficou parado uns minutos olhando para Harry, depois, como se de repente tivesse se dado conta do que estava fazendo, olhou depressa para fora da janela outra vez.
Rony corou.
- Todos na sua família são bruxos? - perguntou Harry que achava Rony tão interessante quanto Rony o achava.
- Sério?
- Bem, você foi a primeira pessoa que falou comigo sem tentar me bater.
O clima na sala ficou tenso.
- Hum... São, acho que sim. Acho que mamãe tem um primo em segundo grau que é contador, mas ninguém nunca fala nele.
- Por quê? – Hermione e Lily perguntaram
- Ele não fala com ninguém da família – disse Gina – por causa dessa coisa da magia.
- Então você já deve saber muitas mágicas.
Hermione riu.
Rony emburrou.
Os Weasley aparentemente eram uma dessas antigas famílias de bruxos de que o menino pálido no Beco Diagonal falara.
- Harry – disseram os Weasley ofendidos
- Foi mal!
- Ouvi dizer que você foi viver com os trouxas. Como é que eles são?
- Horríveis... Bom,nem todos. Mas minha tia e meu tio e meu primo são, eu gostaria de ter tido três irmãos bruxos.
- Cinco. - Por alguma razão, ele pareceu triste.
Rony corou.
- Por quê? – Neville perguntou – eu adoraria ter irmãos.
Harry e Hermione concordaram.
- São coisas passadas – disse Rony
- Sou o sexto de minha família a ir para Hogwarts.
- Seus pais eram ocupados em – disse Sirius malicioso
- Sirius – disse Lene lhe dando um tapa
- Au! – ele gemeu esfregando o braço
- Você é outro que precisa aprender a ter tato – resmungou Lene
Pode-se dizer que tenho de fazer justiça ao nosso nome. Gui e Carlinhos já terminaram a escola. Gui foi chefe dos monitores e Carlinhos foi capitão do time de Quadribol.
Os olhos de Tiago, Sirius, Lene, Lice, Fred, Jorge, Rony, Gina e Harry se iluminaram.
Os outros reviraram os olhos.
Agora Percy é monitor.
Careta!
Fred e Jorge fazem muita bagunça, mas tiram notas muito boas e todo mundo acha que eles são realmente engraçados.
- E nós somos!
- Ninguém duvida!
Todos esperam que eu me saia tão bem quanto os outros, mas se eu me sair bem, não será nada de mais, porque eles fizeram isso primeiro.
Os Weasley olharam para Rony, que corou.
E também não se ganha nada novo quando se tem cinco irmãos. Uso as vestes velhas de Gui, a varinha velha de Carlinhos e o rato velho do Percy...
- Rato idiota – rosnou Harry
Gina o abraçou pelos ombros. Harry se acalmou.
Rony meteu a mão no bolso interno do paletó e tirou um rato cinzento e gordo que estava dormindo.
- O nome dele é Perebas e ele é inútil, quase nunca acorda.
- Que pena que ele não morreu durante o sono – rosnou Rony
- Por quê?
Percy ganhou uma coruja de meu pai por ter sido escolhido monitor, mas eles não podiam ter...quero dizer, em vez disso ganhei Perebas.
- Preferia não ter nenhum animal – Rony resmungou
- O que esse rato fez? – perguntou Neville, ele só sabia a história por cima
- Digamos que os livros irão contar.
As orelhas de Rony ficaram vermelhas. Parecia estar achando que falara demais, porque voltou a olhar para fora pela janela.
Harry não achava nada de mais que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja. Afinal, ele nunca tivera dinheiro algum na vida até um mês atrás, e disse isso ao Rony, e disse também o que sentira quando usava as roupas velhas de Duda e jamais ganhara um presente de aniversário decente. Isto pareceu animar Rony um pouco.
- Rony! – repreendeu Hermione
- Não foi por isso. – disse Rony corado – apenas, sei lá, não tem explicação. Eu não estava feliz por ele crescer assim. Harry é meu melhor amigo.
Harry sorriu.
- ... E até Rúbeo me contar, eu não sabia o que era ser bruxo nem quem eram meus pais nem o Voldemort.
Rony ficou pasmo.
Harry revirou os olhos.
- Que foi?
-Você disse o nome do Você-Sabe-Quem! - exclamou Rony parecendo ao mesmo tempo chocado e impressionado - Eu achava que de todas as pessoas você...
- Não estou tentando ser corajoso nem nada dizendo o nome dele. É que nunca soube que não se podia dizer.
- Hagrid devia ter-lhe contado mais coisas – resmungou Lily – quero dizer, se você fala isso em publico, é capaz de ganhar ou viva ou um puxão de orelha.
Está vendo o que quero dizer? Tenho muito que aprender... Aposto - acrescentou, pondo pela primeira vez em palavras algo que o andava preocupando muito ultimamente - Aposto que vou ser o pior da classe.
- Não. Você é o melhor em DCAT – disse Hermione sorrindo
- Também é a única.
- Não é não. Você também é bom em transfiguração e feitiços. Apenas poções que é sua lástima – disse Rony
- Também com aquele, troço ensinando fica difícil aprender alguma coisa – disse Harry, seus olhos verdes brilhando de raiva
- Quem? – Snape perguntou
Harry o fuzilou com os olhos.
- Não vai ser não. Tem uma porção de gente que vem de famílias de trouxas e aprende bem depressa.
Eles se viraram para Hermione, que corou.
- Eu só estudo. É fácil fazendo isso.
Enquanto conversavam, o trem saiu de Londres. Agora corriam por campos cheios de vacas e carneiros. Ficaram calados por um tempo, contemplando os campos e as estradinhas passarem num lampejo.
Por volta do meio-dia e meia ouviram um grande barulho no corredor e uma mulher toda sorrisos e covinhas abriu a porta e perguntou:
- Querem alguma coisa do carrinho, queridos?
Harry, que não tomara café da manhã ergueu-se de um salto,
- Por que você não tomou café? – Tiago perguntou
- Estava sem fome – Harry murmurou
Mas as orelhas de Rony ficaram vermelhas outra vez e ele murmurou que trouxera sanduíches. Harry foi até o corredor.
Nunca tivera dinheiro para doces na casa dos Dursley e agora que seus bolsos retiniam com moedas de ouro e prata, estava disposto a comprar quantas barrinhas de chocolate pudesse carregar, mas a mulher não tinha barrinhas. Tinha feijõezinhos de todos os sabores,
- Meus favoritos – disse Sirius, os olhos cinzentos brilhando
balas de goma, chicles de bola,
- Os meus favoritos – disse Lily
sapos de chocolate,
- Os meus – disseram Alice, Frank e Neville
tortinhas de abóbora,
- Os meus – disseram Lene e Gina
bolos de caldeirão,
- Os meus – disseram Remo, Hermione e Luna
varinhas de alcaçuz e várias outras coisas estranhas que Harry nunca vira na sua vida.
- Eu gosto de todos – disseram Harry, Tiago e Rony
Não querendo perder nada, ele comprou uma de cada e pagou à mulher onzesiclesde prata e setenuques.
Eles o olharam.
- Que? Eu estava com fome e vontade de conhecer tudo.
Rony arregalou os olhos quando Harry trouxe tudo para a cabine e despejou no assento vazio.
- Que fome, hein?
- Morrendo de fome - respondeu Harry, dando uma grande dentada na tortinha de abóbora. Rony tirara um embrulho encaroçado e abriu-o. Havia quatro sanduíches dentro. Abriu um e disse:
- Ela sempre se esquece que não gosto de carne enlatada.
- Eu também não gosto – concordou Sirius
- Troco com você por um desses - propôs Harry, oferecendo um pastelão de carne. - Tome...
- Você não vai querer isso, é muito seco. Ela não tem muito tempo - acrescentou depressa. - Você sabe, somos cinco.
- Coma... Coma um pastelão - disse Harry, que nunca tivera nada para dividir com alguém antes, aliás, nem ninguém com quem dividir. Era uma sensação gostosa, sentar-se ali com Rony, acabar com todas as tortas e bolos de Harry (os sanduíches ficaram esquecidos).
Todos sorriram.
- Amigos por causa dos doces – disse Hermione revirando os olhos
- Que é isso? - perguntou Harry a Rony, mostrando um pacote de sapos de chocolate. - Eles não são sapos de verdade, são? - Estava começando a achar que nada o surpreenderia.
- Não. Mas vê qual é a figurinha, está me faltando aAgripa.
- Eu tenho – disse Sirius sorrindo – eu troco depois.
- Feito – disse Rony
- O quê?
- Claro que você não sabe, os sapos de chocolate têm figurinhas dentro, sabe, para colecionar, bruxas e bruxos famosos. Tenho umas quinhentas, mas não tenho aAgripa nem oPtolomeu.
- Eu tenho esse já – disse Rony sorrindo satisfeito
- Me falta Merlin. É o mais difícil – disse Tiago
Harry sorriu.
Harry abriu o sapo de chocolate e puxou a figurinha. Era a cara de um homem. Usava óculos de meia-lua, tinha um nariz comprido e torto, cabelos esvoaçantes cor de prata, barba e bigode. Sob o retrato havia o nomeAlvo Dumbledore.
- Cara como fomos tão burros? – Rony perguntou
- Não sei. Levamos mais de meio ano pra descobrir isso – disse Harry
- Descobrir o que? – Remo exigiu
- Vamos ler. Está nesse livro.
- Então este é Dumbledore! - exclamou Harry.
- Não me diga que nunca ouviu falar de Dumbledore! Quer me dar um sapo? Quem sabe eu tiro a Agripa. Obrigado.
Harry virou o verso da figurinha e leu:
Alvo Dumbledore, atualmente diretor Hogwarts.
Considerado por muitos o maior bruxo dos tempos modernos. Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado Grindelwald, o bruxo das Trevas, em 1945, por ter descoberto os doze usos do sangue de dragão e por desenvolver um trabalho em alquimia em parceria com Nicolau Flamel. O Professor Dumbledore gosta de música de câmara e boliche.
- Boliche? O que é isso? – perguntou Sirius
- Você não faz estudo dos trouxas? – perguntou Lene
- Sim.
- E como você não sabe? – Lily questionou
- Eu não presto atenção. É só pra não ficar sem fazer nada. É uma boa aula pra dormir.
- E respondendo a sua pergunta. É um esporte trouxa. – disse Hermione
Harry virou de novo o cartão e viu, para seu espanto, que o rosto de
Dumbledore havia desaparecido.
- Ele desapareceu!
- Ora, você não pode esperar que ele fique aí o dia todo. Depois ele volta. Não, tirei aMorganaoutra vez e já tenho umas seis... Você quer? Pode começar a colecionar.
Os olhos de Rony se desviaram para a pilha de sapos de chocolate que continuavam fechados.
- Sirva-se - disse Harry. - Mas, sabe, no mundo dos trouxas, as pessoas ficam paradas nas fotos.
- Sério? – perguntou Gina
- Ficam? O que, eles não se mexem? - Rony parecia surpreso. - Que coisa esquisita!
- Você parecia o papai – riram Fred e Jorge
- Eu não tenho culpa. Os trouxas tem cada coisa esquisita – disse Rony
Harry arregalou os olhos quando Dumbledore voltou para a figurinha e lhe deu um sorrisinho.
Todos riram.
Rony estava mais interessado em comer os sapos do que em olhar os bruxos e bruxas famosas, mas Harry não conseguia despregar os olhos deles. Logo não tinha só Dumbledore eMorgana, como tambémHengistodeWoodcroft, Alberico Grunnion,Circe, Paraceko e Merlim.
- Droga – disse Tiago
- Eu posso lhe dar um. Tenho vinte Merlin – disse Harry sorrindo
- VINTE? Mas ele é o mais difícil.
- Eu sei. Eu tenho sorte pra algumas coisas. Já pra outras...
Por fim ele despregou os olhos da druidaCliodnaque estava coçando o nariz, para abrir o saquinho de feijõezinhos de todos os sabores.
- EEEEEEE! – gritou Sirius
E ganhou um tapa de Lene.
- Você vai ter que tomar cuidado com essas aí - alertou Rony. - Quando dizem todos os sabores eles querem dizer TODOS OS SABORES. Sabe, todos os sabores comuns como chocolate, hortelã e laranja, mas também. Espinafre, fígado e bucho. Jorge achou que sentiu gosto debicho-papãouma vez.
Jorge fez uma careta.
Rony apanhou uma balinha verde, examinou-a atentamente e mordeu uma ponta.
- Eca! Está vendo? Couve-de-bruxelas.
Rony fez uma careta.
- Odeio esse troço que chamam de comida.
Eles se divertiram comendo as balas. Harry tirou torrada, coco, feijão cozido, morango, caril, capim, café, sardinha e chegou a reunir coragem para morder a ponta de uma bala cinzenta meio gozada que Rony não queria pegar, e que era pimenta.
- ECA – disseram as meninas
Os campos que passavam agora pela janela estavam ficando mais silvestres. As plantações tinham desaparecido. Agora havia matas, rios serpeantes e morros verde- escuros.
- É lindo – disse Gina sorrindo
Ouviram uma batida à porta da cabine e o menino de rosto redondo, por quem Harry passara na plataforma 9 e ½, entrou. Parecia choroso.
Neville corou.
- Desculpem, mas vocês viram um sapo?
Quando os dois sacudiram a cabeça, ele chorou.
- Perdi ele! Está sempre fugindo de mim!
- Não se preocupe. O meu sapo também – disse Lice solidária para o filho
- Ele vai aparecer - consolou Harry.
- Sempre tão educado – disse Hermione sorrindo
- As vezes eu sou educado de mais.
- Vai - disse o menino infeliz. - Se você vir ele...
E saiu.
- Não sei por que ele está tão chateado - disse Rony. - Se eu tivesse trazido um sapo ia querer perder ele o mais depressa que pudesse.
- Ronald! – repreendeu Hermione
Rony corou.
- Foi mal Neville.
- Tudo bem.
Mas, trouxe Perebas, por isso nem posso falar nada.
- E eu tenho razão – murmurou Rony
O rato continuava a tirar sua soneca no colo de Rony.
- Ele não faz mais nada.
- Ele podia estar morto e ninguém ia saber a diferença
- Pena que ele não morreu – rosnou Harry
- Gente, é só um rato. Não é? – perguntou Lene
Mas como ninguém respondeu...
- disse Rony desgostoso. - Tentei mudar a cor dele para amarelo para deixar ele mais interessante, mas o feitiço não deu certo. Vou-lhe mostrar. Olhe...
Remexeu na mala e tirou uma varinha muito gasta. Estava lascada em alguns pontos e havia uma coisa branca brilhando na ponta.
- O pêlo do unicórnio está quase saindo. Em todo o caso...
- Sua mãe não deveria deixar você vir com uma varinha assim – comentou Lily – ela não funciona totalmente. Especialmente se ela não te escolheu.
Tinha acabado de erguer a varinha quando a porta da cabine abriu outra vez. O menino sem o sapo estava de volta, mas desta vez tinha uma garota em sua companhia. Ela já estava usando as vestes novas de Hogwarts.
Hermione sorriu a sua aparição.
- Ninguém viu um sapo? Neville perdeu o dele.
Tinha um tom de voz mandão, os cabelos castanhos muito cheios e os dentes da frente meio grandes.
- Eu não tenho voz mandona!
- Tem sim – disse Rony
Hermione corou.
- E eu não tenho mais meus dentes grandes!
- Isso é verdade – disse Harry
- E meus cabelos abaixaram!
- Sim! – concordou Rony
- Então, eu realmente mudei!
- Exato!
- Já dissemos a ele que não vimos o sapo - respondeu Rony, mas a menina não estava escutando, olhava para a varinha na mão dele.
- Você está fazendo mágicas? Quero ver.
Sentou-se. Rony pareceu desconcertado.
- Já com essa idade? Eu achei que fosse mais tarde – Harry comentou solenemente
Os dois coraram.
- Hum... Está bem. - Pigarreou.
- Sol margaridas, amarelo maduro, muda para amarelo esse rato velho e burro.
Todos caíram na gargalhada.
Ele agitou a varinha, mas nada aconteceu. Perebas continuou cinzento e completamente adormecido.
Rony bufou.
- Você tem certeza de que esse feitiço está certo? - perguntou a menina. - Bem, não é muito bom, né? Experimentei uns feitiços simples só para praticar e deram certo. Ninguém na família é bruxo, foi uma surpresa enorme quando recebi a carta, mas fiquei tão contente, é claro, quero dizer, é a melhor escola de bruxaria que existe, me disseram. Já sei de cor todos os livros que nos mandaram comprar, é claro, só espero que seja suficiente, aliás, sou Hermione Granger, e vocês quem são?
Lice precisou parar para respirar.
Hermione corou.
- Eu queria fazer amigos – ela disse
- Você deveria querer fazer amigos por você mesma. – disse Luna com seu ar aéreo
- É, eu aprendi isso – disse Hermione
Ela disse tudo isso muito depressa...
- Sério?
Harry olhou para Rony e sentiu um grande alivio ao ver, por sua cara espantada, que ele não aprendera todos os livros de cor tampouco.
- Eu nem abri – comentou Rony
Tiago e Sirius concordaram.
- Sou Rony Weasley.
- Harry Potter.
- Verdade? Já ouvi falar de você, é claro. Tenho outros livros recomendados, e você está naHistóriadamagia modernae emAscensão e queda das artes das trevas eem Grandes acontecimentos do século XX.
- Estou? - admirou-se Harry sentindo-se confuso.
- Sim. E depois, tenho certeza, vão existir até biografias não autorizadas – disse Harry secamente
- Nossa, você não sabia, eu teria procurado saber tudo que pudesse se fosse comigo - disse Hermione. - já sabem em que casa vão ficar? Andei perguntando e espero ficar na Grifinória, me parece a melhor,
- Sempre!
- Vai Grifinória! – gritaram Tiago, Sirius, Fred e Jorge
Os outros reviraram os olhos.
ouvi dizer que o próprio Dumbledore foi de lá, mas imagino que a Corvinal não seja muito ruim...
- Não! É a segunda melhor opção. Depois vem a Lufa-Lufa – disse Lily – e...
- Sonserina está fora de questão – disse Sirius
Em todo o caso, acho melhor irmos procurar o sapo de Neville. E é melhor vocês se trocarem, sabe, vamos chegar daqui a pouco.
E foi-se embora, levando o menino sem sapo.
- Seja qual for a minha casa, espero que ela não esteja lá
- Desculpa Hermione – disse Rony sinceramente – eu não te conhecia direito...
- Tudo bem. São águas passadas.
- Hã?
- Ditado trouxa.
- comentou Rony e jogou a varinha de volta na mala. - Feitiço besta. Foi o Jorge que me ensinou, aposto que sabia que não prestava.
- Com certeza!
- Em que casa estão os seus irmãos? - perguntou Harry.
- Grifinória. - A tristeza parecia estar se apoderando dele outra vez. - Mamãe e papai estiveram lá também. Não sei o que vão dizer se eu não estiver. Acho que a Corvinal não seria muito ruim, mas imagine se me puserem na Sonserina.
Rony estremeceu.
- É a casa em que Vol... Quero dizer Você-Sabe-Quem esteve?
- Você não falou o nome dele? – Neville se admirou
- Naquela época eu ainda não sabia dessa maluquice de diz não diz.
- É. - E afundou novamente no assento, parecendo deprimido.
- Sabe, acho que as pontas dos bigodes de Perebas ficaram um pouquinho mais claras - disse Harry, tentando distrair o pensamento de Rony das casas.
Rony sorriu agradecido.
- Vocês dois! Com onze anos de idade e já assim – disse Hermione – tão amigos!
- Bem, digamos que nós nos damos muito bem!
- Então, o que é que os seus irmãos mais velhos fazem agora que já terminaram?
Harry estava imaginando o que fazia um bruxo depois que terminava a escola.
- Carlinhos está na Romênia estudando dragões e Gui está na África fazendo um serviço para oGringotes.
- Gui está na Toca agora – disse Rony – prestes a se casar.
- Vamos a perder o casamento – gemeu Hermione
- Ainda bem! Não to nem um pouco a fim de ver a irmãzinha da Fleur – disse Gina
- Por que será? – disseram os gêmeos mexendo a sobrancelha na direção de Harry e Gina
Que coraram.
Você soube o que aconteceu com oGringotes?O Profeta Diáriosó fala nisso, mas acho que morando com os trouxas você não recebe o jornal. Uns caras tentaram roubar um cofre de segurança máxima.
Harry arregalou os olhos.
- Verdade? E o que aconteceu com eles?
- Já curioso?
- Sempre!
- Nada, é por isso que é uma noticia tão importante. Não foram pegos.
- Ham – pensou Frank
Papai disse que deve ter sido um bruxo das trevas poderoso para enganarGringotes,mas estão achando que eles não levaram nada, isso é que é esquisito. É claro que todo o mundo fica apavorado quando uma coisa dessas acontece porque Você-Sabe-Quem pode estar por trás da coisa.
- Está? – perguntou Lene
- Vamos ler.
Harry repassou as noticias mentalmente. Estava começando a sentir um arrepio de medo toda vez que Você-Sabe-Quem era mencionado. Supunha que isso fazia parte do ingresso no mundo da magia, mas tinha sido muito mais confortável dizer Voldemort sem se preocupar.
- Viu!
- Você é muito estranho. – disse Rony – todos falamos Você-sabe-quem normalmente e quando falam o nome dele de verdade é que nos arrepiamos. E você fica arrepiado quando dizer você-sabe-quem!
- Eu já enfrentei ele vezes o suficiente pra não temer falar o nome dele!
- O que você quer dizer com isso?
- Qual é o seu time de Quadribol - perguntou Rony.
- Hum... Não conheço nenhum - confessou Harry.
Tiago e Sirius arregalaram os olhos como se fosse o fim do mundo!
- O quê? - Rony parecia pasmo. - Ah, espere ai, é o melhor jogo do mundo.
- SIM!
- E saiu explicando tudo sobre as quatro bolas e as posições dos sete jogadores, descreveu jogos famosos a que fora com os irmãos e a vassoura que gostaria de comprar se tivesse dinheiro. Estava mostrando a Harry as qualidades do jogo quando a porta da cabine se abriu mais uma vez, mas agora não era Neville, o menino sem sapo, nem Hermione Granger.
Harry gemeu.
Três garotos entraram e Harry reconheceu o do meio na hora: era o garoto pálido da loja de vestes deMadame Malkin. Olhou para Harry com um interesse muito maior do que revelara no Beco Diagonal.
- Malfoy?
- Ele mesmo!
- É verdade? - perguntou - Estão dizendo no trem que Harry Potter está nesta cabine. Então é você?
- Não eu sou Sherlock Holmes muito desprazer.
- Quem? – Sirius perguntou
- É um detetive trouxa. – explicou Hermione
- Sou - respondeu Harry. Observava os outros garotos. Os dois eram fortes e pareciam muito maus. Postados dos lados do menino pálido eles pareciam guarda-costas.
- E burros, trouxas, metidos, medíocres – disse Gina – quer que eu nomeie mais?
- Ah, este é Crabbe e este outro, Goyle - apresentou o garoto pálido displicentemente, notando o interesse de Harry - E meu nome é Draco Malfoy.
Rony tossiu de leve, o que poderia estar escondendo uma risadinha. Malfoy olhou para ele.
- Olha o nome dele? Nem uma barata merece esse nome – disse Rony
- A família Black tem mania de nomear seus filhos com nomes de estrelas – explicou Sirius -, e sendo filho de uma Black...
- Acha o meu nome engraçado, é? Nem preciso perguntar quem você é. Meu pai me contou que na família Weasley todos têm cabelos ruivos e sardas e mais filhos do que podem sustentar.
Os Weasley rosnaram.
- Virou-se para Harry - Você não vai demorar a descobrir que algumas famílias de bruxos são bem melhores do que outras, Harry. Você não vai querer fazer amizade com as ruins. E eu posso ajudá-lo nisso.
Ele estendeu a mão para apertar a de Harry, mas Harry não a apertou.
- Acho que sei dizer qual é o tipo ruim sozinho, obrigado. - disse com frieza.
- Dá-lhe Harry!
Draco não ficou vermelho, mas um ligeiro rosado coloriu seu rosto pálido.
- Eu teria mais cuidado se fosse você, Harry. - disse lentamente. - A não ser que seja mais educado, vai acabar como os seus pais. Eles também não tinham juízo. Você se mistura com gentinha como os Weasley e aquele Rúbeo e vai acabar se contaminando.
- Eu estaria me contaminando se andasse com você e sua laia – rosnou Harry
Harry e Rony se levantaram. O rosto de Rony estava vermelho como os cabelos.
- Repete isso.
- Ah, você vai brigar com a gente, vai? - Draco caçoou.
- A não ser que você se retire agora - disse Harry com uma coragem maior do que sentia, porque Crabbe e Goyle eram bem maiores do que ele ou Rony.
- Isso não foi muito inteligente – disse Lily gemendo
- Mas não estamos com vontade de nos retirar, estamos, garotos? Já comemos toda a nossa comida e parece que vocês ainda têm alguma coisa. Goyle fez menção de apanhar os sapos de chocolate ao lado de Rony. Rony deu um pulo para frente, mas antes que encostasse em Goyle, este soltou um berro terrível.
Perebas, o rato, estava pendurado em seu dedo, os dentinhos afiados enterrados na junta de Goyle.
- Foi a única coisa útil que ele fez na vida – murmurou Rony
Crabbe e Draco recuaram enquanto Goyle rodava e rodava o braço, urrando, e quando Perebas finalmente se soltou e bateu na janela, os três desapareceram na mesma hora. Talvez achassem que havia mais ratos escondidos nos doces, ou talvez tivessem ouvido passos, porque um segundo depois, Hermione Granger entrou.
- Há!
- Que foi que aconteceu? - perguntou, vendo os doces espalhados no chão e Rony apanhando Perebas pela cauda.
- Acho que apagaram ele - disse Rony a Harry. E examinou Perebas mais atentamente. - Não... Não acredito... Ele voltou a dormir.
E dormira mesmo.
- Você já conhecia Draco Malfoy?
Harry contou o encontro deles no Beco Diagonal.
- Já ouvi falar na família dele - disse Rony sombrio. - Foram os primeiros a voltar para o nosso lado depois que Você-Sabe-Quem desapareceu. Disseram que tinha sido enfeitiçado.
- Claro! E nós fazemos parte do FBI, e do esquadrão contra magia da mulher trouxa – disse Hermione sarcasticamente
Todos riram.
Papai não acredita nisso. Diz que o pai de Draco não precisou de desculpa para se bandear para o lado das Trevas. - E virou-se para Hermione. - Podemos fazer alguma coisa por você?
- Tão gentil – murmurou Hermione
- Ele e Sirius podiam abrir um centro de gentileza – disse Lene
- Ia fazer um grande sucesso.
Todos riram.
- É melhor vocês se apressarem e trocarem de roupa. Acabei de ir lá na frente perguntar ao maquinista e ele me disse que estamos quase chegando. Vocês andaram brigando? Vão se meter em encrenca antes mesmo de chegarmos lá!
- Perebas andou brigando, nós não - disse Rony, fazendo cara zangada. - Você se importa de sair para podermos nos trocar.
- Existe algo que chama Tato. Alguém devia te ensinar Rony – disse Gina
- Está bem. Só vim para cá porque as pessoas nas outras cabines estão se comportando feito crianças, correndo pelos corredores - disse Hermione em tom choroso. - E você está com o nariz sujo, sabia?
Rony corou.
Rony amarrou a cara quando ela se retirou.
Rony levou um tapa de Hermione.
Harry espiou pela janela. Estava escurecendo. Viu montanhas e matas sob um céu arroxeado. O trem parecia estar diminuindo a velocidade. Ele e Rony tiraram os paletós e puseram as vestes longas e pretas. A de Rony estava um pouco curta, dava para ver as calças. Uma voz ecoou pelo trem.
- Vamos chegar a Hogwarts dentro de cinco minutos. Por favor, deixem a bagagem no trem, ela será levada para a escola.
- HAGRID!
O estômago de Harry revirou de nervoso e ele reparou que Rony parecia pálido sob as sardas. Os dois encheram os bolsos com o resto dos doces e se reuniram à garotada que apinhava os corredores.
- E bota gente nisso!
O trem foi diminuindo a velocidade e finalmente parou. As pessoas se empurraram para chegar à porta e descer na pequena plataforma escura. Harry estremeceu ao ar frio da noite. Então apareceu uma lâmpada balançando sobre as cabeças dos estudantes e Harry ouviu uma voz conhecida.
- Alunos do primeiro ano! Primeiro ano aqui! Tudo bem Harry?
O rosto grande e peludo de Rúbeo Hagrid sorria por cima de um mar de cabeças.
- Ele é sempre tão carinhoso – disse Lice
"Não vejo como" – Snape pensou
- Vamos, venham comigo. Mais alguém do primeiro ano?
Aos escorregões e tropeços, eles seguiram Hagrid por um caminho de aparência íngreme e estreita. Estava tão escuro em volta que Harry achou que devia haver grandes árvores ali.
Harry estremeceu.
Ninguém falou muito. Neville, o menino que vivia perdendo o sapo, fungou umas duas vezes.
Neville corou.
- Vocês vão ter a primeira visão de Hogwarts em um segundo. - Hagrid gritou por cima do ombro -, logo depois dessa curva.
Ouviu-se um ooooh muito alto.
O caminho estreito se abrira de repente ate a margem de um grande lago escuro. Encarrapitado no alto de um penhasco na margem oposta, as janelas cintilando no céu estrelado, havia um imenso castelo com muitas torres e torrinhas.
- É lindo!
- Só quatro em cada barco! - gritou Hagrid, apontando para uma flotilha de barquinhos parados na água junto à margem. Harry e Rony foram seguidos até o barco por Neville e Hermione.
- Vocês se tornaram amigos como? – perguntou Fred
- Será explicado ai!
- Todos acomodados? - gritou Hagrid, que tinha um barco só para si. - Então... VAMOS!
E a flotilha de barquinhos largou toda ao mesmo tempo, deslizando pelo lago que era liso como um vidro. Todos estavam silenciosos, os olhos fixos no grande castelo no alto. A construção se agigantava à medida que se aproximavam do penhasco em que estava situado.
- Abaixem as cabeças! - berrou Hagrid
- Acho que só ele devia abaixar – observou Luna
quando os primeiros barcos chegaram ao penhasco, todos abaixaram as cabeças e os barquinhos atravessaram uma cortina de hera que ocultava uma larga abertura na face do penhasco. Foram impelidos por um túnel escuro, que parecia levá-los para debaixo do castelo, até uma espécie de cais subterrâneo, onde desembarcaram subindo em pedras e seixos.
- Ei, você ai! É o seu sapo? - perguntou Hagrid, que verificava os barcos à medida que as pessoas desembarcavam.
- Trevo! - gritou Neville feliz, estendendo as mãos.
- Até que em fim – disse Frank sorrindo
Então eles subiram por uma passagem aberta na rocha, acompanhando a lanterna de Hagrid e desembocaram finalmente em um gramado fofinho e úmido à sombra do castelo.
Eles suspiraram.
Galgaram uma escada de pedra e se aglomeraram em torno da enorme porta de carvalho.
- Estão todos aqui? Você aí, ainda está com o seu sapo?
Hagrid ergueu um punho gigantesco e bateu três vezes na porta do castelo.
- E fim – disse Alice - Quem quer ler, agora?
- Eu – pediu Tiago – O chapéu seletor.
