Capitulo 9 –Despertar
Acordo desnorteado, confuso e sedento. Tento lembrar como fui parar ali, mas não sei. Levanto-me ainda um pouco zonzo e decido me sentar na maca novamente. Percebo que estou na enfermaria onde levei Katniss anteriormente. Assim que consigo me levantar sem sentir-me tonto Katniss entra na sala e levo um momento para perceber que o que acontece é real e não um sonho, pois ela assim que me vê joga os braços ao redor da minha cintura e me abraça apertado. Afunda o rosto no meu peito e se não me engano está chorando.
-O que está errado? -Pergunto depois de alguns minutos esperando que ela pare de chorar e me explique.
-O que diabos aconteceu com você? -Ela grita comigo, mas não parece estar com medo ou desconfiada. Apenas zangada.
-Eu não sei. -Respondo confuso, afinal eu que preciso de respostas.
-Você... -Ela fala -Se você não acordasse nessa manhã eles levariam você!
-Por quanto tempo fiquei desacordado? -Pergunto entendendo agora sua atitude pouco comum. Se eu demorasse mais me levariam para exames na capaital.
-Um dia. -Ela responde desviando os olhos e limpando o que restou das lágrimas fazendo seu rosto continuar vermelho.
-Eu não sou a única que precisa de você aqui no 12! –Ela fala fazendo meu coração acelerar -Pense em Hamitch e em todos os outros que contam com você todos os dias!
-Você precisa de mim? -Pergunto afoito segurando seu braço de repente fazendo ela me encarar assustada. -Você precisa de mim real ou não? -Pergunto após ela ficar algum tempo em silencio
-Real- Ela responde constrangida como se admitisse uma fraqueza.
Eu não consigo conter o sorriso de felicidade é uma sensação tão quente e expansiva que aproveito quando ela infla em meu peito. Embalado nesse sentimento eu a abraço e digo próximo ao seu ouvido.
-Eu sempre precisei de você, sem você eu não estaria vivo. -Confesso olhando diretamente para o seu rosto que fica vermelho, ela me olha como se nunca mais tivesse me visto e eu vejo a esperança que ilumina seu rosto. Ela serra o espaço entre nós e me beija, não como a ultima com desespero, mas como alguns beijos que me lembro cheio de significados ocultos e ficamos assim ate que Ângela entra no quarto e leva um susto fazendo-nos separar. Deixando eu e Katniss completamente sem jeito. Ela me examina e diz que posso ir para casa que aparentemente só estava exausto e informaria ao dr Aurélio, mas que eu mesmo deveria ligar para ele. No caminho de volta para casa é bem silencioso, olho furtivamente para Katniss que parece perdida em pensamentos e quando passamos pela casa de Hamitch. Ele está alimentando os gansos.
-Estava prestes a ir visitar vocês na enfermaria. Como você está se sentindo garoto? -Pergunta ele.
-Bem, não graças a você! -Responde Katniss bem zangada.
-A conversa ainda não chegou na floresta Tordo -Provoca Hamitch.
-Estou bem, não sei o que aconteceu, Ângela disse que foi exaustão. -Tento apaziguar a discursão deles.
-Tome seus remédios direito e continue sua sessão com dr Aurélio. -Aconselha Hamitch antes de entrar.
Sigo para casa de Katniss Sae está terminando de arrumar a casa e tem um assado no forno que está espalhando um cheiro agradável.
-Chegaram bem na hora. - Sae fala -O assado estará pronto dentro de uns 15 minutos
Sae sempre está bem humorada e logo comemos o almoço tranquilamente.
-O dr Aurélio ligou e pediu pra vocês retornarem a ligação assim que possível. -Ela dá o recado terminando de lavar as louças e saindo.
-Acho que também vou para casa, retornar a ligação.
Volto para casa; Nunca comentei, mas é angustiante voltar para essa casa vazia sem ninguém. É como se fosse um lembrete que eu perdi não só minha identidade, sanidade e memória para o presidente Snow, mas também meus familiares. Vou tomar um banho e trocar de roupa, quando estou na sala Katniss entra pela porta da frente com o livro e se senta no sofá.
-Já que você não vai à cidade hoje, vamos continuar! –Ela fala abrindo o livro na pagina onde se encontra o desenho que eu fiz de seu pai. –Eu gostei muito do desenho é exatamente como me lembro dele. Devemos fazer um para a sua família também.
Pensar na minha família é doloroso para mim, especialmente por que tenho medo que desencadeie episódios e piore minha situação. Mas como vou contar a ela sem que ela se culpe ainda mais? Por sorte o telefone toca quebrando o silencio.
-Alô. –Atendo
-Peeta, como está se sentindo? –É o dr Aurélio, minha sessão foi antecipada.
-Bem, na verdade acho que só estava com sono atrasado demais. –Tento tranquiliza-lo, pois não quero ir para longe do doze.
-Já estávamos prontos para te buscar e levar para exames. Você precisa fazê-los o mais rápido possível. –Ele fala para mim
-Em breve construirão um hospital aqui no doze e quando isso ocorrer farei os exames. –Digo determinado a não ir a capital.
-Peeta não é assim tão simples você precisa fazer esses exames.
-A menos que você traga a equipe médica e o equipamento para o doze não viajarei para nenhum lugar, ficarei aqui! –Não posso ceder, ao terminar desligo o telefone.
Viro-me para sala e ela esta a me observar com um rosto preocupado e curioso.
-O que ele disse?
-Nada demais só que preciso fazer uns exames.
-Então você irá viajar? -Pergunta ela.
-Não, em breve teremos um hospital no doze e farei o exames lá.
Voltamos a nos concentrar no livro decido começar com os tributos do nosso primeiro jogo, Rue já estava feita partimos então para Trasy, desenho como eu me lembrava dele imponente, ameaçador, grande e forte, com um sorriso desafiador. Quando terminei mostrei a Katniss que aprovou e começou a escrever suas habilidades características mais fortes.
-Ele merecia mais. –Diz ela com expressão dolorida.
-Todos mereciam mais, ninguém merecia ser só um tributo morto nos jogos. Talvez Cato e Clover, eles gostavam de matar... –Digo sinceramente, pois quando me lembro deles e como saboreavam tirar a vida de outra pessoa me causa repulsa. Ela dá um sorrisinho e em seguida enche os olhos de lágrimas.
-Bem, vamos continuar. –Diz ela limpando os olhos. Ficamos trabalhando no livro ate umas 9 da noite quando demos uma parada para jantarmos. Katniss foi para a porta e pensei que diria boa noite e partiria para sua casa. Mas ela trancou a porta da casa, se virou e disse:
-Vamos tentar dormir, estou exausta. –Subiu as escadas em direção ao meu quarto e perguntou lá de cima.
-Onde você coloca as toalhas? –Quando vou ao quarto ela está procurando nos armários.
-As toalhas ficam aqui- Digo em direção ao banheiro, ela me segue mostro um pequeno armário que fica em cima da pia. Enquanto aguardo ela terminar de banhar me pergunto o que está acontecendo, por que dela querer dormir comigo? Será que ela está tão preocupada comigo assim.
-Já terminei, poder ir. –Ela fala saindo de toalha, com os cabelos molhado fazendo meu coração disparar e o sangue fluir por entre minhas pernas. Entro imediatamente no banheiro, tento de todas as formas me acalmar e sigo para o banho. Quando termino visto minha samba canção de dormir e saio. Ela já está deitada virada de costas para mim, deslizo pelo lençol me virando para o lado oposto, percebo então que não há motivo para nervosismo, consigo relaxar e pegar no sono.
Acordo sonolento fico tenso por um momento ao perceber que não estou sozinho, mas ao ver o rosto dela relaxado volto a me acalmar. Saio da cama com todo cuidado para não acordá-la, mas é inútil, pois ela acorda.
-Dormiu bem? -Pergunto indo em direção ao banheiro
-Sim, sem pesadelos. -Diz ela com o rosto tranquilo - Estou indo caçar, algum pedido?
-Não, talvez Sae tenha algum pedido. -Falo saindo do banheiro- Vou por a mesa.
Sigo em direção a cozinha, havia uns biscoitos e resto de chocolate que havia feito anteriormente. Umas frutas. Estou terminando quando Katniss desce com sua roupa de caça habitual.
-Katniss será que nós... -Olho para ela tentando achar as palavras, quero perguntar o que exatamente somos, lembro-me dela ter dito que éramos aliados - Certa vez você me disse que éramos aliados...
-Peeta, nós somos mais que isso, somos a família um do outro agora. -Ela está olhando nos meus olhos que ficaram marejado - Esses biscoitos estão uma delicia, vou levar alguns para caçar caso dê fome, leve uns para Sae. -Ela fala terminando o café da manhã, indo em direção à floresta.
Fico ali olhando para a porta por onde ela saiu refletindo em suas palavras "Família um do outro"...
