O
que veio depois foi uma onda de calor, um tsunami em chamas.
Os
lábios dele estavam grudados nos meus antes mesmo que eu pudesse me
desviar dele, seus braços e mãos me mantinham fortemente presa em
seu corpo, que estava estrategicamente entre as minhas pernas, sim,
ele era mais esperto do que aparentava, mais do que eu imaginava que
pudesse ser, a língua dele invadiu a minha boca, e eu me senti como
um vulcão em erupção, podia sentir a lava borbulhando no interior
prestes a queimar tudo o que tivesse no meio do caminho. A mão que
ele fechou no meu pescoço segurou meu cabelo na nuca com força o
puxando para trás, sua outra mão se ocupava em segurar meu rosto
para que eu não quisesse escapar, e eu queria que aquilo estivesse
doendo, que fosse a pior sensação do mundo, mas não era. Os dedos
dele entre os fios do meu cabelo, ainda que fortes, me deixavam
louca, a forma como ele me segurava e pressionava o corpo contra o
meu, eu queria me lembrar no outro dia de agradecer a Lilly por ter
me feito vir de saia, oh como eu gostaria...
Analisar
os movimentos dele e tentar fugir do que eu não queria já não
funcionava como antes, então eu me deixei levar, eu perdi o controle
mais uma vez, e minha mão espalmou as costas dele o trazendo ainda
mais pra perto de mim, a outra passou pelo seu pescoço cravando as
unhas e arranhando, ele realmente iria acabar comigo a qualquer
momento.
Nossas
línguas se roçavam, não com doçura ou carinho como se espera de
um casal normal, mas com violência, com pressa, com ansiedade, com
tesão, eu podia sentir perfeitamente o nível do tesão em que
havíamos chegado, eu podia sentir nele, e pela primeira vez eu podia
sentir em mim. Então ele deslizou a mão do meu rosto quando
percebeu que eu havia finalmente cedido, passou pelo meu ombro,
descendo pela lateral, devagar, parecia estar querendo me provocar a
todo custo e não chegar onde deveria. Eu tinha vontade de largar a
boca dele e manda-lo tocar um pouco mais pro lado, ele não ia morrer
se apressasse as coisas, certo? Mas bem, o beijo estava muito mais
interessante do que uma conversa que provavelmente iria acabar em
negação, brigas e eu caindo na real. E err, eu não queria cair na
real naquele momento.
Mordi
o lábio dele e o puxei pra cima, ele deu uma risada de satisfação
e me puxou novamente para recomeçar o beijo, eu não pude evitar rir
junto, ele tirava o meu juízo, ele totalmente tirava todo o meu
juízo, a minha sanidade... Eu já não sabia onde estava, eu já não
ouvia nada além do som dos nossos corações acelerados, e os
gemidos baixos, quase inaudíveis de nossa pegação intensa, quando
percebi que ele estava diminuindo o ritmo, terminando o beijo com um
selinho.
Ok,
ele não deveria ter me trago a realidade tão depressa...
A
música voltou aos meus ouvidos, e já parecia tão atrativa quanto
quando eu estava dançando, o volume já estava estridente, eu podia
sentir a tensão no ar, o silêncio, eu sabia que a maior parte dos
olhos daquele salão comunal estavam em mim e eu tinha medo de abrir
os meus e encarar todas as coisas que eu havia acabado de negar, e
tinha feito publicamente.
-
Não é como se você fosse uma mulher de sentimentos, certo Rose? _
James falou, baixo, contido. E isso era sinal de que ele estava muito
puto mesmo. _ E creio que não tem nada a assumir.
-
Não, não tem. _ Scorpius respondeu me pegando no colo e me tirando
da mesa _ E por favor Potter, não venha torrar o saco.
-
James. _ Nique pos a mão no peito ele quando ele fez menção de ir
atrás de nós _ Deixe a Rose em paz.
-
Tem dedo seu nisso, não tem? _ ele questionou levantando uma das
sobrancelhas.
-
Não, não tem. Só um cego não teria visto. Então deixe ela ser
feliz, e seja feliz você também, mas que droga, pare de se
preocupar com a Rose, é sempre Rose, e o que a Rose fez, e porque a
Rose fez... Dammit!
-
Nique, não venha ter crise de ciúmes agora! _ Jay berrou bagunçando
os cabelos.
-
Não estou tendo crises de ciúmes, é a mais pura realidade, é tudo
a respeito da Rose, sempre Rose, oh Rose! Ela não quer você, ela
não gosta de você, ela não vai ficar com você. Supere, seja homem
Potter! Ela acabou de dar um amasso que jamais teria dado em você
bem na sua frente! Acorda pra vida! Pela primeira vez eu vi Scorpius
sair de pau duro de um único beijo, e eu não quero, definitivamente
não quero nem pensar em como ela saiu daqui, então DEIXE ELA EM PAZ
ok?
-
Está com ciúmes dele também? _ ele rosnou _ Está com ciuminho do
Príncipe Sonserino, não é Dominique, do seu primeiro amor, está
morrendo não está...?
-
EWWW NÃO! _ então foi automático, como se ela tivesse esperado
esse momento somente para isso...
Ela se jogou pra cima dele com toda a sua mágoa, e seus braços se movimentaram na direção dele com as mãos prontas para atacá-lo, voaram para cima do corpo dele com pressa, e todos podiam ouvir os estalos dos tapas que ela dava nele, um atrás do outro, enquanto ele pulava de um lado para o outro tentando fazê-la parar. Mas ela não parecia estar afim de parar tão cedo, e os estalos pareciam cada vez mais fortes até que ele finalmente conseguiu prender suas mãos. Estava lívido.
-
Pare de bater em mim! _ ele falou baixo novamente ainda a segurando _
Não venha me atacar porque eu disse algumas verdades pra você!
-
Verdades pra mim? VERDADES PRA MIM, JAMES POTTER? Não sou eu quem
fico choramingando por ai, por alguém que não me quer, é você. E
agora além disso vir falar que eu estou com ciúmes do Malfoy? Conta
outra! Conta outra, mesmo! Eu não tenho ciúmes do meu melhor amigo,
só porque ele está afim de dar uns amassos na minha melhor amiga,
ok?
-
Dominique, o que você faz ou não, não me interessa mais. O que
você fez não tem volta, e eu vou fazer questão de contar ao tio
Ron. _ James falou com a voz solene.
-
NINGUÉM AQUI VAI CONTAR NADA TIO RON NENHUM! _ corri até James e o
estapeei também _ Não sabe ser um bom perdedor Potter? Não
consegue tragar o fato de que um Malfoy é muito melhor de pegada do
que você? Que um Malfoy consegue...
-
Rose, não precisamos saber disso. _ Nique tapou minha boca, sem
graça.
-
Acho que tio Ron vai adorar saber disso também. _ ele deu um sorriso
de vitória.
-
Saber do que Potter? Eu não fiz nada além de beijar ela, então não
foda com a vida da garota porque você é um perdedor.
-
Eu não sou um perdedor. _ ele disse entredentes.
-
Então aceite que sua garota é minha. _ Malfoy sorriu com um ar de
superioridade.
-
Ei, pera ai. Eu não sou de ninguém. _ levantei as duas mãos para o
alto _ Nem venham com esse papo, e Malfoy, eu não sei onde estava
com a cabeça pra te deixar por as patas em mim, estou com nojo de
mim mesma. Jay, pare de ser ridículo e vá viver sua vida, droga. E
eu não fico ligando pra tio Harry pra dizer as coisas que você faz,
eu não vou sair berrando pra familia inteira que você e Nique tem
um caso, então cuide da sua vida, da minha cuido eu. Dos meus erros
cuido eu.
Nossos
olhos se cruzaram quando disse a palavra erros, mas ele permaneceu
intacto em seu pedestal, nenhum sinal de dor, mágoa ou desilusão,
tristesa sequer, tinham percorrido aquela imensidão azul. E ele não
pareceu se afetar com o que eu disse, simplesmente deu um passo para
trás abrindo o caminho para que eu passasse e fosse embora, já que
óbviamente era o que eu faria depois de uma situação horrenda como
aquela, até o efeito do alcool tinha passado tão rápido que era de
assustar.
Foi
o que eu fiz, aproveitei o espaço e fui caminhando em direção a
porta, minha noite tinha sido um estrago, e eu não devia ter ido
parar ali em primeiro lugar, eu já começava a me arrepender de
coisas prévias a festa como ter chamado aquele cara pra vir comigo,
e derrepente eu sequer sabia o nome dele... Alguma coisa Williams.
Merlin, isso não era nada parecido comigo, onde eu iria parar? Meus
pés fizeram o caminho até a saída rapidamente, e eu pude ouvir um
grito aos fundos.
- Viu só Potter? Você estragou tudo.
Era
a voz de Nique, estava indignada. Eu queria saber qual era o maior
problema pra ela, eu ter dado pra trás naquela aposta ridícula e
ainda parecer estar na jogada fazendo com que Jay não a levasse a
sério, ou se o maior problema é que mesmo que eu não estivesse na
jogada, ele ainda não o fizesse porque mesmo que somente no
pensamento, eu ainda era constante na vida de James. Eu sei que ela
estava puta, bufando, eu diria espumando talvez. Mas eu não seria a
pessoa a voltar lá para acalmá-la e enxê-la de mimos, eu tinha
tido demais pra uma noite só e não estava afim de olhar na cara de
nenhuma daquelas pessoas tão cedo.
Passei
pelo portal sem olhar pra trás, e segui rapidamente até o Salão
Comunal, desejando não ter sido burra o suficiente para aceitar
aquele convite, era tão óbvio, eu devia ter pensado em tudo isso
antes, quando eu não estava com a cabeça explodindo, ou quando o
cheiro dele não estava tão impregnado em mim. Principalmente quando
na minha memória não constava nada parecido com o que aconteceu
nessa noite, e quando o gosto da boca dele parecia um conjunto
perfeito com o da minha.
Eu
estava me odiando por dentro, eu havia sido fraca, mostrado que eu
era como qualquer uma outra, fácilmente levada, e isso parecia
causar uma reviravolta horrenda em mim. O que eu tinha feito? Eu
tinha usado um cara só pra fazer ciumes! Como se algum dia da minha
vida, fosse importante que aquele esnobe sentisse ciumes de mim... Eu
me sentia suja, ridículamente igual.
E
descobri que quando você se torna mais uma na multidão de capas
farfalhantes pelos corredores da escola, a sua crosta começa a se
desmanchar, mesmo que você tente reconstituí-la e parecer forte o
suficiente, seus olhos não iram mentir pra você.
Eles
vão ensopar o seu travesseiro, e você vai chorar a noite inteira
por ter se deixado levar por um par de olhos azuis... Um maldito par
de olhos azuis.
