Hello guys! Então, here i AM, ouvindo "we are the champions" do Queen após a maratona de respostas de reviews! Que, infelizmente, não tocou na minha formatura ¬¬ Pra mim tocou OPA GNA STYLE GENTE porra, sabe o que é pegar o certificado de conclusão do curso ouvido OPA GNAN STYLE? ¬¬
Enfim, dramas a parte, mais um mês se passou e aqui vem o capítulo que, infelizmente, será fracionado de novo e no mesmo dia again :/ Sinto muito em fazer isso, mas sabe aqueles dias longos que nunca parecem terminar e parecem um pesadelo? Pois é Itachi e companhia estão tendo um. :/
Sejam pacientes e tenham estômago: as coisas vão esquentar.
Infelizmente, ninguém acertou os três povs, mas hey boys and girls: não desistam! Vocês são mais fortes que isso!
Uma honrosa menção a: Anemy (no ffnet) e para a Meels (no nyah) que acertaram o pov's do Shisui! Parabéns pelo chute! Vocês ganharam uma estrelinha e uma mini dedicatória lol Continuem chutando gente!
= Obrigada a Kiki300, Jujulindama e a Diih_Malfoy por favoritarem no AS.
= Um big thanks para minha beta, Kitsune Lyra por me aturar, suportar a fic e todo o vale de lágrimas que vai começar a partir de hoje u.u/
******Ah e galera tem umas notas de fim importantíssimas que vocês PRECISAM ler.******
Agora, let me go to my ferias '-' Rio de Janeiro, aqui voy yo! Wiii!
OITO
All the hell breaks loose
Parte 1
Shisui's pov.
Normalmente o natal era para você descansar com a família, enchendo o bucho com comida boa (ou nem tão boa porque o Chester saiu aguado demais, só que ele dava um desconto: Shizune era enfermeira, não uma cozinheira.), mas o seu natal? Não, ele tinha que ter colocado chiclete na cruz de Cristo e agora recebia um Krampus (1) de encomenda.
Porque só isso podia justificar tanta frustração numa tacada só.
-"Ele vai se comportar!" –Shisui arremedou o tom de voz de Itachi, enquanto batucava na lateral do celtinha vermelho que tinha. O nome do carro era Sharingan e era o seu bebê. –Aham, meu... Rabicó!
Shizune estava dirigindo e acabou tendo uma crise de riso, o que a fez dirigir apenas com a mão direita enquanto cobria os lábios com a mão esquerda, tentando controlar o riso, já que sabia que ele estava irritado. Só que Shisui não conseguia ficar irritado quando Shizune sorria. Muitos diriam que era um idiota apaixonado, mas a verdade? Ele era um mesmo.
Mas claro! Por que ele não poderia aproveitar sua linda esposa? Porque seu sobrinho idiota tinha agido como um idiota, é claro! Não é segredo na sua família que ele sempre se deu melhor com Itachi, veja bem, não é que ele não amasse menos Sasuke porque isso estava bem longe de ser verdade, mas o fato é que ele tendia a ser mais benevolente com Itachi do que com Sasuke.
Por isso ele fez a mercadoria de confiar no seu sobrinho cego para cuidar de um garoto com sérios problemas de hierarquia!
-Rabicó, Shisui? –questionou Shizune sorrindo divertida para ele. Ela ficava linda com as bochechas meio rosadas e aquele brilho alegre no olhar escuro.
-Hunf, nem tenta amenizar. –ele pediu em tom contido, mas falhando miseravelmente porque sua esposa ergueu uma das sobrancelhas como se dissesse: "pra cima de mim?". -Eu ainda estou irritado.
-Não sabemos se o Sasuke realmente fugiu. –refutou Shizune bondosamente, ainda com aquele sorriso de "não se irrite, amor" no rosto. –É melhor verificarmos.
-Ah, mas meu instinto Sherlock 'tá ativado e ele não 'tá lá. Você vai ver! –afirmou Shisui em um tom categórico. –É batata! Só espero que ele não tenha feito nada com o Itachi de novo!
Há cerca de uns vinte minutos o amigo de Itachi, aquele com cara de tubarão branco, ligou para ele, aparentando estar desesperado, dizendo que estava tentando falar com Itachi e nada. Isso já era preocupante: Itachi podia ter um sono de bela adormecida e odiar telefones, mas era educado demais para ignorar uma chamada. O que só podia significar uma coisa: Sasuke fez alguma coisa.
Era lógica pura!
Agora, pelo que aquele cara tinha dito, Sasuke saiu com um moleque, havendo alguma chance de também ter saído com a filha do doutor Uzumaki. Shisui não tinha ideia para onde três adolescentes com nada na cabeça além de caraminholas podiam ir, mas sabia que quanto antes soubesse, mais rápido Sasuke ia estar de volta, só que dessa vez com couro quente. E dessa vez nem sua adorável esposa e nem seu inocente sobrinho iam impedi-lo disso!
Itachi e ele cresceram na base da palmada e as dores das cintadas o ajudaram a ser um homem integro que era. Shizune discordava dele, mas bem, não era como se Shisui quisesse ter um filho agora. Primeiro ele queria se livrar de Madara e estar estável financeiramente, depois encheria a casa de Uchihazinhos.
Shizune virou uma curva e logo eles chegaram ao prédio onde Itachi morava que ficava relativamente bem centralizado, o que tornava tudo ainda pior de estacionar. Mas sua esposa conseguiu uma vaga do outro lado da rua, eles desceram do carro e Shisui tateou o bolso do casaco, sentindo as chaves do apartamento lá. Ele deu a volta no carro e segurou a mão da esposa, ambos atravessaram a rua e entraram no prédio, mas não antes de Shisui fazer uma careta de desagrado; o prédio onde Itachi morava não tinha vigia. Isso deixava Shisui seriamente preocupado, mas Itachi era uma mula de tão teimoso e ele não queria discutir sobre isso agora.
Eles caminharam pelo corredor iluminado pelas luzes brancas até dobrarem a direita e encontrarem aquele amigo de Itachi em frente da porta do apartamento onde seu sobrinho morava. O homem era muito alto, tinha o porte físico de um jogador de futebol americano ou de um lutador de MMA, o que deixava Shisui nervoso.
-Boa noite. –Shisui saudou estendendo a mão para o gigante.
-Yo. –disse o homem com a voz educada, cumprimentando-o com um aperto de mão com força o suficiente para não quebrar todos seus dedos.
-Boa noite Kisame-san, te fizemos esperar muito? –perguntou Shizune com a voz suave. Shisui se sentia muitíssimo grato que ela se recordasse do nome do pé grande. Seria constrangedor ele chamar o gigante de "tubarão".
-Não muito. –respondeu o cara dando um sorriso e ficando mais parecido com o ator que fez John Coffe em a espera de um milagre, só que versão com cabelo e branco. -Peço desculpas por tudo isso, é só que meu moleque...
-Tudo bem. Nós entendemos. –disse Shisui se virando para a porta e abrindo o apartamento, tentando fazer a maior quantidade de barulho possível para que Itachi acordasse, caso estivesse dormindo.
Shisui abriu a porta e ligou a luz, o apartamento parecia estar do mesmo jeito que há três horas, quando ele e Shizune voltaram para sua própria casa. A louça da ceia enxugava no escorredor ao lado da pia, a mesa estava arrumada apenas com pão e uma cesta com frutas que Itachi comeria: tangerina, maçã, pêra e abacaxi. A porta do quarto estava fechada.
-Itachi? –ele chamou caminhando até o quarto dos sobrinhos em passadas rápidas. -Itachi?
Antes de entrar no quarto, Shisui bateu duas vezes na porta, não obtendo resposta alguma. Todos ficaram em silêncio por um momento enquanto Shisui se certificava se escutava alguma coisa dentro do aposento, mas não conseguiu captar nada, então ele abriu a porta. Sua mão tateou a parede do quarto até achar o interruptor, assim que sua vista se adaptou a claridade, seus olhos focalizaram no sobrinho e ele sentiu uma vontade gigantesca de rir.
Não importava quantos anos se passassem, Itachi às vezes parecia uma criança. O sobrinho estava com os cabelos pretos soltos, deitado de lado, completamente embrulhado em posição quase que fetal, um travesseiro debaixo da cabeça, outro debaixo da perna esquerda e outro com o qual dormia abraçado. Dava até pena acordar, mas a cama do lado direito arrumada era motivo o suficiente para isso.
-Itachi? ITACHI! –chamava Shisui enquanto mexia nos pés do sobrinho, recebendo pequenos chutes. -SUA CAMA 'TÁ PEGANDO FOGO!
-QUE?! –perguntou Itachi ainda sonolento. Mas logo seu rosto ficou em alarme e ele pareceu empalidecer. -Fogo!? – em um instante ele saiu das cobertas. -Onde?! – e o pobre coitado tropeçou no lençol e caiu da cama.
Era maldade pura, mas ele não pôde deixar de rir sonoramente da expressão desnorteada de Itachi. Seu sobrinho era a melhor pessoa para fazer esse tipo de pegadinha porque não acordava de mau humor e quando acordava ficava mais parecido com um bichinho do que qualquer outra coisa. E, claro, Itachi realmente ficava irritado com ele, mas bem, era uma causa nobre.
-Ahá, muito engraçado. –resmungou Itachi afastando a franja negra do rosto, ainda no chão.
-O que...? –perguntou sua esposa surgindo ao seu lado. -Itachi! –ela correu até o sobrinho, ajudando-o a se levantar. –Você está bem?
-Pelo menos alguém ainda se preocupa comigo. –resmungou Itachi ainda irritado, agora passando a mão no rosto para tentar ficar acordado.
As iris cobertas pela película prateada ainda eram um choque para Shisui.
-Ora deixe de drama, foi só uma brincadeirinha! –justificou-se Shisui.
Às vezes era difícil acreditar que Itachi estava cego. Seu sobrinho sempre foi muito inteligente e independente, sempre gostou de fazer as coisas por si só e mesmo agora ele estava se dando muito bem com a cegueira. Conseguia tomar banho sozinho, se vestir, memorizava a disposição dos móveis com facilidade e em momentos como aquele parecia sentir para onde deveria virar o rosto e dar a impressão que realmente o enxergava, mas os olhos de Itachi ainda estavam cobertos com uma fina película cinzenta.
Era difícil olhar para Itachi agora porque era insuportável saber que seu sobrinho não era capaz de vê-lo naquele momento. E também era difícil olhar para Sasuke sem lembrar que foi o garoto o responsável pelo dano em Itachi, todavia, Shisui reparava que Sasuke tinha plena noção do que fez e o sofrimento disso já era lição o suficiente.
-'Foi só uma brincadeirinha!' –arremedou Itachi ainda irritado. -O que estão fazendo aqui?
-O moleque fez alguma coisa com o Itachi? –perguntou Kisame preocupado.
-Kisame? –inquiriu Itachi agora com a voz soando confusa. –Aconteceu alguma coisa?
Um silêncio incômodo se instaurou entre os três. Alguém precisava dizer: "o gênio do seu irmão mais novo aproveitou da sua inocência e deu no pé", mas ninguém disse nada. Era especialmente difícil dizer isso depois da cena que ele e Shizune tinham presenciado após cumprimentar os parentes da esposa. Eles chegaram um pouco tarde em casa e quando foram ao quarto checar se tudo estava bem com os sobrinhos, os dois se depararam com uma cena no mínimo esperançosa.
Sasuke estava dormindo sobre o peito de Itachi, como às vezes fazia quando criança, já que o mais novo tinha medo de raios até mais ou menos quando fez cinco anos. Shizune deixou os irmãos dormirem até a hora da ceia, o que foi mais ou menos às dez horas (esperar até meia noite pra quê?). Enquanto Sasuke tomava banho, Itachi explicou para ele que tinha conversado com o mais novo e que os dois estavam começando a se entender.
Ao mesmo tempo em que isso deixava Shisui contente, também o deixava extremamente irritado por dois motivos: 1) Itachi e essa mania ridícula de sempre se responsabilizar por tudo, muitas vezes se esquecendo de si mesmo; 2) havia alguma coisa muito errada com Sasuke. Não era só drogas. Havia algo ainda pior e que Itachi não queria dizer.
Shisui não era burro, apenas se fazia de idiota porque isso era conveniente. Mas ele suspeitava de algumas coisas. Havia uma chance de Sasuke ter tentado aliciar Itachi, o que era algo inconcebível e era por isso que ele pretendia esclarecer bem as coisas na mente do garoto.
Incesto era nojento, asqueroso em tantos níveis que Shisui nem sequer se daria ao trabalho de pensar. Forçar Itachi a uma relação homossexual também era uma ideia horrível. Não, Itachi tinha que conhecer uma boa mulher e casar com ela, porque seu sobrinho merecia ser feliz e saber o que era se apaixonar, e ter alguém retribuindo esse amor.
Não que Shisui fosse preconceituoso ou qualquer coisa assim, mas forçar alguém a algo que não queria era algo completamente impossível para ele e ele sabia que Itachi não concordaria com ambas as opções.
O que remetia a Sasuke de novo e ele voltava a estaca zero, já que ele não sabia que outras coisas o adolescente escondia e havia mais coisas ali. O jeito sorrateiro de Sasuke nunca passou despercebido por Shisui, como se o garoto sempre tivesse escondido algum segredo.
Ai ai... Seria tudo tão mais simples se seus sobrinhos chegassem lá e falassem, em vez de tentarem agir por si só. Sasuke poderia simplesmente dizer qual é a da droga e aí ele e Itachi teriam uma luz sobre como agir, só que infelizmente a vida não é fácil.
-Pessoal? –tentou Itachi novamente. –Aconteceu alguma coisa com o Sasuke?
Shisui suspirou, o trabalho era difícil, mas tinha que ser feito.
-Sasuke fugiu. –ele disse.
-Com o meu rebento. –pontuou Kisame.
-E não sabemos onde eles estão... – acrescentou Shizune com a voz falha. –Sinto muito.
E a expressão de Itachi mudou de preocupada para decepcionada em um instante, o que só fez com que ele se sentisse três vezes pior. Obvio que estava preocupado onde Sasuke teria se enfiado, mas ver Itachi triste daquele jeito também era horrível. Graças a Deus que ele tinha Shizune lhe apoiando porque se não ele teria dado uma de maluco e teria espancado Sasuke, mas tanto, tanto, que talvez o conselho tutelar tivesse tirado a guarda deles.
-Nós vamos procurar ele agora. –continuou Shisui. –Fique com o celular ligado, ok?
Antes mesmo que alguém pudesse se mover para sair do quarto, Itachi suspirou e disse:
-Eu sei onde eles estão.
Shisui se virou com tanta rapidez que por um momento ele pensou se não tinha dado um jeito no pescoço. Itachi olhava para baixo, a franja negra ocultando seu rosto. O sobrinho tinha voltado a colocar o lençol por cima de seus ombros, talvez para ocultar a camisa de manga longa branca e o moletom azul-claro que usava para dormir.
-Você sabe onde? –inquiriu Kisame e a expressão em seu rosto mudou, ficando completamente tomada pela adrenalina.
-Sasuke te disse alguma coisa? –Shisui perguntou em tom sério.
-Não, ele não disse, mas eu sei. –respondeu Itachi com a voz vazia. –Eles estão na praia Akatsuna, em uma festa chamada Akashi!Fest. –acrescentou Itachi. -Tenda três.
-Como você sabe? –perguntou Shizune com assombro.
-Naruto me contou. –Itachi respondeu, colocando uma expressão estoica em seu rosto.
Que lindo. Sasuke não era o único escondendo coisas.
-Mas como eles poderiam estar lá? – grunhiu Kisame ficando medonho por causa da raiva que transmitia em sua voz. -Eles precisariam de ingressos e eram quase trezentos pila pra ir pra essa área vip por causa da carta branca pra entrar naquele hotel de riquinho! –resmungava.
-Essa não...! –murmurou Shisui sentindo que estava empalidecendo.
Os ingressos que o maldito tinha lhe dado.
Ele quase conseguia visualizar a cara de Madara lhe dizendo: "guarde-os bem, alguém vai precisar". Maldito! Ele sabia! Ele sabia que isso aconteceria! E nunca antes Shisui Uchiha sentiu tanto ódio e raiva quanto naquele exato momento. Saber que era um brinquedinho nas mãos daquele assassino já era estressante de uma maneira surreal, mas aquilo? Ser manipulado como uma peça de xadrez assim na cara dura era três mil vezes pior!
-Você...? –disse Kisame atordoado, mas Shisui não se importou.
-CARALHUS! –gritou Shisui, saindo do quarto e batendo a porta.
-Amor...?! –inquiriu Shizune amedrontada.
-Não venha! –ele pediu tentando se acalmar enquanto tirava o celular do bolso e discava o número. -Eu vou resolver isso agora!
Ele fechou a porta do apartamento atrás de si enquanto colocava o celular ao lado do seu ouvido direito, ouvindo a chamada ser completada e logo o irritante som dos toques de espera, enquanto a pessoa não atendia. "Atende seu...!"pensava Shisui com agonia e raiva, tentando inspirar e expirar para se acalmar um pouco. A cada toque que passava era uma falha em seus batimentos cardíacos, suas mãos estavam começando a suar de puro desespero e pavor quando, no quarto toque, a ligação foi atendida.
-Boa noite, meu caro. Se divertindo muito? –inquiriu a voz grave, levemente embargada do outro lado da linha. -Por que eu certamente estou. Estava me perguntando quando você me ligaria.
"Desgraçado! Você sabia disso o tempo todo, não?" pensou Shisui com raiva, mas sabendo que não poderia falar isso. Não, Madara estava esperando esse tipo de reação, mas ele não era estúpido de cutucar uma onça com vara curta. Ele precisava se acalmar. Durante um segundo ele se imaginou atropelando seu chefe e isso o acalmou um pouco.
-Sim, estou tendo uma noite 'muito' agradável. –respondeu Shisui tentando dar um ar velado em sua ironia. -Mas acho que um dos meus sobrinhos pegou os ingressos que o senhor me deu e foi à festa com os amigos.
-Por favor, esqueça esse 'senhor', não sou tão velho assim. –comentou Madara com a voz agradável enquanto Shisui pensava: "só porque tem dinheiro para o tratamento estético, velho!". -Sasuke é um menino esperto. Mas estou chateado porque você, sua adorável esposa e meu querido sobrinho não estejam aqui, irmãozinho. O hotel está fazendo uma festa realmente fascinante.
Era por comentários como esse que Shisui quase gostaria de chamar Madara de "filho da Puta" até se lembrar que os dois tinham a mesma mãe. Não que ele tivesse lembranças de sua mãe. Sua memória mais antiga já era com Mikoto e Fugaku agindo como seus pais.
"Controle-se! Controle-se!" pensou Shisui freneticamente, enquanto inspirava lentamente em uma tentativa falha de se acalmar. Ele limpou o suor que se formava em seu rosto, mesmo que estivesse uma noite muito fria. E isso porque ele nem queria imaginar como é que não estava a temperatura próximo da praia.
-Se você quer tanto que eu e a minha esposa compareça nessa festa, bem que você poderia fazer algo, não? –ele perguntou em um tom que considerou educado, embora toda a sua vontade fosse de gritar.
-E na verdade posso, você chutou bem. –gracejou Madara em um tom divertido que só irritou Shisui ainda mais. -Por uma coincidência enorme que eu tenha aqui mais quatro ingressos vip. Você, sua esposa, Itachi e até mesmo Kisame. O destino é irônico, não acha?
Infelizmente, Shisui não acreditava em destino. Ele sabia mais, muito mais: Madara tinha planejado tudo. No dia que ele recebeu os três ingressos Madara foi extremamente superficial, com um sorriso prepotente de quem sabia muito mais do que oferecia. Shisui tinha recusado os convites naquela ocasião, Madara o forçou a aceitar dizendo que alguém ia precisar, antes de enchê-lo de manuscritos a serem estudados o que obviamente fez com que ele se esquecesse dos ingressos até que chegou na casa de Itachi.
Mas em vez de rasgar os ingressos, Shisui os jogou no lixo e foi tomar uma cerveja no sofá ao lado de Itachi. Sasuke estava na mesa, terminando de jantar naquela ocasião. Mas como é que ele poderia prever que seu sobrinho gostava daquele tipo de festa? Nem mesmo Itachi sabia disso. Ou, pelo menos, foi o que ele pensou.
Ainda assim, o pior era que Madara sabia. Seu irmão sabia tudo sobre eles e eles não sabiam nada sobre seu irmão mais velho. E o desgraçado sabia disso e achava que podia ficar brincando!
-Realmente. Madara, sejamos francos um com o outro e vamos largar essa conversa de lado. –falou Shisui em tom sério e cansado da conversa fiada. -O que você realmente pretende com isso?
-Eu?- perguntou Madara com a voz branda, levemente ofendida, servindo apenas para Shisui ficar irritado, fazendo uma contagem mental de um a dez para se acalmar. -Nada! Será que não posso querer reunir minha família no natal ao menos uma vez?
"Falso!" pensou Shisui, não ousando fazer qualquer comentário a respeito do que seu irmão mais velho disse. Era difícil aceitar Madara como seu irmão, pois ele não se lembrava de ter qualquer lembrança do outro. Madara era praticamente um desconhecido e, por Shisui, era assim que continuaria sendo. Ele esperou o outro se manifestar.
-Eu apenas desejo conhecer o Itachi. –respondeu Madara por fim, sua voz soando agradável aos ouvidos, porém causando um estremecimento de puro pavor em Shisui. -Dizem que apesar dele ter perdido a visão já está quase que adaptado a cegueira.
"Maldito!" pensou Shisui, cravando as unhas na carne da palma da sua mão e sentindo dor por isso, talvez a dor física ajudasse a controlar a raiva e o pavor que sentia naquele momento. E se seu irmão quisesse alguma coisa de Itachi? Por Deus e a pombinha do divino, Itachi já estava com problemas demais sem ter um assassino na sua cola.
Além disso, Madara era o acusado de ter matado Mikoto que praticamente foi sua mãe. Fugaku sempre dizia que Madara era perigoso e Shisui não tinha motivos para desconfiar disso. O desgraçado do seu irmão sumiu durante toda sua vida e agora reaparecia como um pesadelo, controlando a sua vida, investigando sua família e tornando tudo um inferno.
Como se tudo já não estivesse ruim o bastante!
-Eu gostaria de oferecer ao Itachi meus cumprimentos pessoalmente. –concluiu Madara, muito provavelmente se deleitando do seu sofrimento. -Se você trazer ele aqui.
-Seja o que você estiver planejando, deixe ele fora disso!
-Quanta agressividade, meu irmãozinho querido. –zombou Madara. -Mas não se esqueça daquele que pagou as dívidas naquele hospital e que, oh o destino, também é seu chefe, apenas não se esqueça.
Shisui mordeu os lábios com força para não retrucar. Era obvio que ele não conseguia esquecer esses detalhes. E era obvio que era por isso que a sua sepultura estava aberta! Só esperando por ele!
-Eu não esqueci disso. –ele assegurou com o tom de voz mais frio e controlado que conseguiu por na voz. -Assim como não me esqueço de outras coisas, Madara.
-Pois deveria. –pontuou Madara pela primeira vez em toda a conversa soando quase que verdadeiro. -Eu já disse as regras desse jogo, para ganhar, você precisa esquecer, só assim poderá aproveitar as suas jogadas e não desperdiçar elas como está fazendo agora. Não te pedi para não me deixar cansado?
-Chega de papo. –cortou Shisui com irritação. -Nós podemos contar com os ingressos se formos praí?
-Apenas se Itachi vir.
-É uma festa! –argumentou Shisui exasperado, começando a andar pelo corredor de um lado para o outro. -Ele está cego! É o pior ambiente pra ele!
-Ele não é um inválido e muito menos é uma criança. -pontuou Madara com objetividade, mas sem elevar o tom. –Traga ele para o hotel Rokudou que saberei o que fazer.
-Se você fizer alguma coisa com ele...!
-Tem a minha palavra de que não eu farei nada, afinal, ele é o meu sobrinho mais velho. –gracejou Madara, para sua crescente e infinita raiva. Shisui nunca odiou alguém, mas agora ele odiava Madara. -Eu só desejo conhecê-lo e fazer um convite.
Shisui parou de caminhar, inconscientemente prendendo a respiração enquanto seu olhar se arregalava. Um convite? Madara queria colocar Itachi no meio daquele jogo ridículo que ninguém sabia onde iria dar?
-Que tipo de convite? –perguntou Shisui em tom sério e até mesmo assustado.
-Na hora certa você saberá. –respondeu Madara com docilidade, era obvio que estava se divertindo com ele. -Então? Temos um acordo?
Não queria dizer as palavras. Não queria entrar naquele jogo. Queria que Sasuke não fosse tão inconsequente. Queria muitas coisas, mas não havia outra escolha. Nunca houve outra escolha.
-Diga o local e estarei aí em meia hora.
-Hotel Rokudou, salão colorado. Me ligue quando chegar, mas garanto que você vai querer se apressar, afinal... –comentou Madara com uma gentileza quase sádica. –Nós, não sabemos em que tipo de confusão nosso querido sobrinho mais novo pode se meter, não?
-O que voc...! –mas antes que Shisui pudesse perguntar a ligação foi encerrada.
Sem escolha e completamente exausto pela conversa, Shisui entrou no apartamento, se controlando para não bater a porta com força e acordar os vizinhos de Itachi. Shizune o observava com apreensão, apertando as mãos uma na outra, como se estivesse rezando. O amigo de Itachi estava próximo da parede, observando-o sério. Itachi estava no sofá e foi o único que não se virou para ele.
-Itachi se vista. –ele mandou com a voz séria e se odiando por isso. O sobrinho meramente ergueu a sobrancelha em descrédito. –Nós vamos sair.
Hashirama's pov.
-Ah, estou satisfeito! –disse Hashirama segurando a barriga farta de lombo divinamente cozinhado ao molho barbecue e torta mousse de limão feitos pelo seu neto. –Você 'tá pronto pra casar Naruto!
No mesmo instante, seu neto mais novo derrubou a colher ainda cheia de um delicioso creme de maracujá na mesa, conseguindo um olhar diabólico da sua filha e Hashirama ergueu uma sobrancelha. Naruto não era tímido desse jeito, o neto estava corado e ria sem jeito, Hashirama se voltou para a filha, para ver se ela notou o comportamento esquisito do garoto, mas se enganou. Os olhos de Kushina estavam brilhando em fúria, eles sempre pareceram fumaça, talvez para combinar com seus cabelos de fogo, mas vai dizer isso para sua filha? Era um pedido de óbito antecipado. O pior? Essa parte irritadinha de Kushina nem veio do seu lado da família.
Kushina era tão parecida com Mito que era injusto! Olhar para a mulher de trinta cinco anos era como olhar um retrato da sua falecida esposa. Sua filha tinha os cabelos acaju vibrante, olhos cinza chumbo iguais aos de uma tempestade particularmente feia, havia sardas ao redor do seu nariz, o que lhe deu o apelido de "pimentinha" quando era criança, mas ela odiou. Mas quando ela sorria, sua menininha (agora mulher feita) tinha o sorriso mais lindo do mundo, o único sorriso que se igualava em beleza era o sorriso de Naruto e, certo, certo: ele era um pai coruja e um avô babão.
Mas quem não seria tendo a família que ele tinha?
-Vô! –reclamou Naruto constrangido.
-Naruto...! –ralhou Kushina com o tom de voz pouco mais alto que um sibilo, mas não menos perigoso. Isso era tão nostálgico! Sua falecida esposa, quando estava irritada com ele, usava o mesmo tom de voz mortal e perigoso que sua filha usava.
Ante a lembrança, ele sentiu uma leve pontada no meio das suas costas, como uma velha lembrança das noites que dormiu no sofá por ter deixado Mito irritada. Apesar de tudo, foi um bom e longo casamento, mesmo com os problemas de se casar aos dezesseis anos. É, ele foi louco de fazer isso. Mas também não é como se tivesse escolha, Mito era dois anos mais velha que ele e ele a tinha engravidado, era sua responsabilidade cuidar dela e do filho deles. Ou melhor, filha.
Hashirama não se arrependia de nenhuma escolha que fez no passado.
-Paaaaai! –chamou Naruto com a voz alarmada e amedrontada. -A mamãe 'tá medonha! Paaaai?
Hashirama olhou pela sala de jantar, tentando encontrar o genro, mas o outro já estava na roda de karaokê improvisada na varanda coberta, perto do quintal, cantando junto da meia irmã, Konan. Os dois cantavam "beauty and the beast" de uma forma quase encantadora, se os dois não desafinassem nas notas altas. Ele sentia um pouquinho de inveja de irmãos tão unidos assim, Tobirama não gostava desse tipo de demonstração de afeto.
Minato e Konan cantavam de mãos dadas, com olhares gentis um para o outro. Hashirama tinha visto esses dois crescerem praticamente, Konan agora era até uma universitária do curso de medicina. Se bem que... Quem nessa família não era médico? Minato era médico, Kushina era médica, ele era médico, Konan ia ser médica, Tsunade era médica. E Nagato também queria ser médico antes de falecer. Lembrar desse seu neto doía tanto!
Mas enfim. Ele sempre gostou de Minato, sabia desde sempre sua filhota ia ficar com aquele rapaz, mas Kushina foi a última a saber disso. E apesar de ter sido dureza ter que lidar com uma adolescente grávida (como se não tivesse sido erro o suficiente ser pai aos dezesseis anos), tudo parecia ter caminhado bem e ele era muito grato ao destino por isso.
-Ai ai, queria que o meu irmão tivesse vindo. –comentou Hashirama pensando no irmão mais novo que, a essa altura, deveria estar gritando com algum pobre garçom na festa do hotel Rokudou.
-Foi melhor que aquele chato não tenha vindo. –retrucou Jiraya, o padrasto de Minato, lá da sala. –Nem toda a punheta do mundo seria capaz de espantar o mau humor dele.
-Pai! –ralhou Minato ainda falando no microfone e ficando imediatamente envergonhado.
-Seu velho pervertido, não me envergonhe! –berrou Tsunade, a mãe de Minato, jogando um sapato de salto de madeira no marido.
Hashirama deu uma sonora risada ao ver que o sapato da mulher atingiu em cheio a omoplata do velho babão e isso porque ela estava bêbada, tipo, bebinha mesmo. Não era a toa que Naruto tinha ganhado quinze partidas de truco ao jogar com ela. Se bem que seu neto mais novo era irritantemente bom em jogos de azar. Sendo franco? Ele não desgostaria de Jiraya se os dois não competissem tanto para ver quem era o melhor avô para os netos, algo que ele ganhava com uma larga diferença, é claro!
Todos na roda começaram a rir da briga do casal, até mesmo o tímido casal Nara, que Hashirama tinha conhecido naquela noite. Odiava admitir, mas o velho babão tinha uma equipe de policiais muito gente fina, e nisso ele incluía até aquele garoto novato, Sai, apesar de meio esquisito. Até mesmo Kakashi estava rindo, esse psicólogo malandro.
A verdade era que Tobirama era mesmo um corta prazeres, mas não era tanto. Talvez apenas um pouco. Ele estava na casa dos cinquenta anos e Tobirama na casa dos quarenta, mas era como se a velhice já tivesse chegado para seu irmão enquanto ele tentava preservar seus anos de juventude. Hashirama tinha a teoria de que era por isso que ele tinha poucos cabelos brancos enquanto o cabelo de Tobirama já estava quase com a cabeça toda branca.
Claro que um bom heavy metal também ajudava a relaxar. Ele tinha parado de fumar a alguns anos, insistência da filha e da esposa, e agora até tentava beber menos, em parte por causa da úlcera que desenvolveu. Desde que largou o fumo, Hashirama encontrou um fôlego renovado, seja para assistir os shows de suas bandas favoritas ou para acompanhar o neto nessas baladas raves.
Sendo bem sincero: ele não curtia muito esse tipo de festa, mas ele precisava estar lá por Naruto. Ele tinha bastante ciência do que seu neto estava tentando fazer e o peso que o garoto estava tentando carregar. Normalmente, os avôs e pais serviam para afastar os problemas dos mais novos, mas em uma situação como a de Karin, após tudo o que aconteceu com Nagato... Isso era impossível na sua família.
-Não está ficando tarde para a festa que vocês pretendem ir? –inquiriu Kakashi depois de bebericar sua cerveja preta.
Naruto olhou o relógio da parede da sala de jantar com expectativa, a expressão em seu rosto, durante um segundo inteiro foi sombria, como se o garoto estivesse esperando que o relógio explodisse. Ninguém reparou, mas Hashirama e, muito provavelmente Kushina perceberam; as mães sempre sabiam tudo de suas crias.
Hashirama tinha o sexto sentido de que havia mais caroço nesse angu e que havia um por que para Naruto querer ir nessa tal festa com tanto afinco. O neto ficou lhe pentelhando mais do que o normal para conseguir um ingresso com Tobirama e implorando para ele o levar, chegando ao ponto até de falsificar uma carteira de identidade para entrar nessa tal festa.
Quando ele perguntava o porquê, Naruto recuava e dizia que só contaria quando estivesse perto da data. Além disso, Naruto tinha andado esquisito nos últimos dias, andava avoado, às vezes com um sorriso besta na cara, mas em outros momentos parecia aterrorizado com alguma coisa, às vezes Hashirama pensava se isso não seria em razão do trabalho que o neto conseguiu ao cuidar de um cego.
Porém tudo o que ele precisava fazer era esperar: Naruto sempre se abria com ele. Ele se orgulhava de ter sido o primeiro e único a saber do namoro relâmpago do neto com um garoto chamado Gaara. Ser avô era uma benção, mil vezes mais legal que ser pai. Por ele não ser o pai, os netos se sentiam muito mais confortáveis com ele, além de que ele poderia mimar duas vezes mais.
-E aí moleque? Ainda aguenta o tranco ou quer ir dormir como uma criancinha? –perguntou Hashirama, puxando o neto pela barra da camisa vermelha e fazendo o garoto se sentar sobre seu colo enquanto ele bagunçava as madeixas lisas e loiras. –Você vai aguentar? Hein!
-Para vô! –disse Naruto em meio ao riso e Hashirama o libertou. -Para eu não sou mais criança!
-Você ainda continua uma criança em idade mental, Naruto-kun! –comentou Sai em um tom zombeteiro.
O moleque era apenas um ano mais velho que Naruto, mas já era um policial, o que fazia Hashirama sempre pensar o que é que estavam fazendo com a segurança pública de Konoha. O garoto era novo demais, por Deus!
-Por que você não morre engasgado na sua saliva? –inquiriu Naruto com azedume, fazendo um beicinho contrariado.
-Porque você ia chorar de saudades de mim. –zombou Sai dando um sorriso amarelo que não atingiu seu olhar, mas que ainda assim não tirou o bom humor do neto.
Naruto deu a língua para Sai, que apenas riu baixinho, voltando a prestar atenção no karaokê, enquanto seu neto entrava na casa; provavelmente ia pegar a tal da identidade falsa e trocar de roupa. Ele era o adulto, deveria reprimir esse tipo de comportamento, mas ele sabia que se fizesse isso Naruto ia agir pelas suas costas, o que tornava as coisas duas vezes mais perigosas. O melhor que ele poderia fazer no momento era tolerar essa burrada e estar por perto para proteger o neto. Naruto não era estúpido e Hashirama confiava na educação que Minato e Kushina davam ao mais novo.
-Pai? –chamou a filha em tom conspiratório.
-Eu sei. –disse Hashirama com bondade, colocando sua mão sobre os fios vermelhos da filha. –Eu vou cuidar dele.
A filha lhe lançou um olhar agradecido, com as esferas cinza chumbo reluzindo quase que em um tom azul para ele, havia um sorriso nos lábios de Kushina que, graças ao bom Deus, eram do mesmo formato que os dele. Kushina também tinha o nariz arrebitado igual ao dele e também lhe amava muito.
-Pronto! –disse Naruto voltando para a varanda com um sorriso forçado.
Hashirama nem mesmo hesitou.
-Então vamos!
Todos os convidados foram junto com os dois até a entrada da casa, dando a volta pelo jardim lateral; Hashirama percebeu a expressão desconfiada e quase raivosa que Naruto fez ao passarem pelo quarto de Karin. A janela estava parcialmente aberta e Hashirama estreitou os olhos começando a compreender a situação.
Karin tinha passado a ceia com todos na família, mas mal comeu as iguarias preparadas pelo irmão, nem ficou para a sobremesa. Acima de tudo: durante todo o jantar Naruto tinha ficado aéreo, mal agradecendo aos elogios que eram feitos e parecia estar sempre observando a irmã. Mas Karin não tinha olhado para nenhum integrante da mesa.
Eles ainda ficaram se despedindo dos convidados na entrada da casa e Hashirama deu graças a Deus que sempre saia de casa com seu sobretudo. Não havia melhor combinação no inverno do que sobretudo preto e tênis confortáveis, daí era só escolher uma calça razoável e escura, e pronto. Um fusca preto subia o morrinho para entrar na avenida principal, um dos ocupantes do banco traseiro parecia olhar diretamente para a direção onde estavam, era um moleque bonito, mas que agora estava meio mal tratado, pálido e muito abatido. Hashirama ficou com pena dele.
Ia trocar uma palavra com o neto quando percebeu que Naruto retrucava o olhar daquele garoto no carro, havendo uma tristeza gigantesca no rosto do neto; era o tipo de expressão que só se faz quando se gosta muito de alguém. "Então ele conhece o garoto no carro." pensou Hashirama tentando juntar as peças.
-Então vamos? –ele tocou no ombro do neto e Naruto assentiu, voltando a forçar um sorriso que não o enganava.
Os dois entraram no seu Mercedes preto, Hashirama deu a chave no carro e logo "this song remains the same" começou a tocar, enquanto pegavam a rua para ir para o hotel Rokudou, que ficava próximo da praia Akatsuna. Era uma jornada longa, aproximadamente duas horas, mas durante todo esse tempo Naruto ficou em silêncio, algo completamente atípico.
-Você não vai me contar o que houve? –inquiriu Hashirama com cuidado.
Naruto suspirou pesadamente e começou a bagunçar os cabelos em completo desespero, Hashirama voltou a olhar para a rua, parando o carro em um sinal vermelho. Havia poucos carros trafegando, mas pelo menos a rua estava bem iluminada.
-Ai vô, eu nem sei por onde começar! –explicou Naruto com a voz cansada. –A merda 'tá grande dessa vez! Não quero que o papai e a mamãe saibam disso!
Dessa vez foi ele quem manteve o silêncio. Hashirama aproveitou o sinal vermelho para analisar bem as feições do neto. Os olhos azuis como bola de gude pareciam sinceros ao dizer isso, mas também estavam cheios de confusão e dor. Muita dor. Hashirama suspirou, enquanto massageava a fronte da testa; assim ficava difícil ajudar.
-Isso não é nada bom, hein? –comentou Hashirama em tom ameno, voltando a olhar o sinal e vendo que agora a luz verde estava acionada. Ele deu a marcha e o carro voltou a andar. –Eles só querem o seu bem, você sabe disso.
-É, eu sei, mas isso só torna as coisas piores ainda. Entende? -desabafou o neto com a voz exasperada.
Pelo canto do olho, o avô espiou o neto, que mantinha a cabeça abaixada. Os cabelos loiros caiam pela testa do mais novo, a franja precisando ser cortada, mas, mesmo que o cabelo estivesse no caminho, era bem fácil identificar o cansaço do mais novo. Os ombros de Naruto estavam curvados em derrota e isso não era nada comum no neto.
-Você tem até lá para pensar no que dizer. –afirmou Hashirama sem pressa. Paciência é algo que se aprende a ter com a idade e pelo menos nisso ele ficava contente de ser um cinquentão. -Não pense que eu vou com você nesse treco sem saber onde estou me metendo, entendeu bem?
Naruto se virou para encará-lo, mas Hashirama ainda observava bem a rua por onde trafegavam, apesar de que ele conseguia ver a expressão de alívio no rosto do neto pelo canto do olho.
-'Tá! –assentiu Naruto com um sorriso, dessa vez um verdadeiro.
O resto do caminho se passou em silêncio, com apenas a música os acompanhando e alguns poucos carros que seguiam em direção à praia Akatsuna, mas todos pegavam um desvio antes daquele que eles precisavam seguir. Hashirama sentia pena deles: o caminho para a praia Akatsuna não era tão iluminado quanto a trajetória até o hotel Rokudou, onde ele estava hospedado.
Desde que Mito morreu há dez anos, Hashirama tinha vendido a casa onde moravam, preferindo viajar a esmo por aí. Depois que o pai tinha lhe expulsado de casa por ter engravidado uma moça de família, Hashirama encontrou seu caminho na medicina, foi muito difícil no começo, mas deu certo no fim. Daí por ser médico, em qualquer lugar que fosse havia trabalho.
Além disso, dinheiro não era um problema, já que com a morte do seu pai ele pôde voltar à empresa da família que tinha prosperado bem no ramo editorial e que agora estendia o império ao ramo hoteleiro. Isso era sua ideia. Ele sempre foi um bom empreendedor, já Tobirama era um bom administrador, nisso os dois sempre se deram bem. Mas Hashirama preferia ficar longe do mundo dos negócios e dos magnatas, gostava muito mais de ser médico.
Um dos bons exemplos de como a ideia no ramo hoteleiro era boa estava à sua frente. O hotel Rokudou parecia um gigante de marfim visto por fora e era tão bonito quanto por dentro, mas melhor do que isso estava o lucro que gerava para a família, já que o hotel sempre conseguia hóspedes por causa da vista privilegiada da praia Akatsuna e ainda dava para um bosque com trilha que seguia direto ao lago Shinai.
Ele e Naruto desceram do carro, entrando no hotel pela entrada da garagem e pegaram o elevador que os levaria até a suíte presidencial, onde ele estava hospedado até encontrar um apartamento na cidade. Com o problema que Karin estava metida, Hashirama estava pensando seriamente em ficar mais um tempo em Konoha antes de escolher seu próximo destino.
Após a morte de Nagato, há mais ou menos cinco atrás, Kushina não lidou bem com isso e foi mais ou menos nessa época que eles viraram amigos íntimos de Kakashi, o falastrão. Não entendam errado, Hashirama era amigo de Kakashi também, mas achava que aquela conversa de 'trabalhar em dobro ser uma sublimação para esquecer a dor da perda' devia ser enfiada em um lugar não exposto ao público.
O elevador abriu as portas no décimo andar e eles caminharam pelo corredor bem iluminado, até a porta da suíte, onde ele passou o cartão magnético para destrancar. A camareira tinha arrumado seu quarto com zelo, tinha até mesmo acendido a lareira na salinha que antecedia o quarto. Assim que entraram, Hashirama trancou a porta, enquanto Naruto caminhava até uma das poltronas na antessala do quarto e se sentava próximo da lareira. Calmamente ele fez o seu caminho até a poltrona em frente ao neto, sentando-se confortavelmente, enquanto encarava o mais novo.
-Desembuche. –ele falou com um sorriso encorajador.
Naruto suspirou desalentadoramente e fechou a expressão, sentando-se curvado na poltrona e por um instante inteiro pareceu que o neto carregava o peso do mundo em suas costas. Hashirama deixou o sorriso morrer em seus lábios e ficou tão sério quanto o garoto.
-A Karin fugiu de casa. –despejou Naruto com seriedade. -Eu tenho certeza que ela 'tá aqui com o namorado dela e mais uns dois amigos esquisitos, o Juugo e o Suigetsu.
Até aqui, nada além do esperado, mas ainda assim havia algo inconcebível no meio de tudo isso e seu neto parecia indiferente a isso.
-E você não quer que seus pais saibam disso. –comentou Hashirama.
-Eles tão se divertindo tanto com todo mundo! –justificou-se Naruto exasperado, os olhos azuis reluzindo em sinceridade. Ainda assim, ele não se comoveu e Naruto sabia disso. -E eu pensei! Pensei que se eu viesse pra cá, talvez eu pudesse falar com o namorado dela e...!
Hashirama descruzou as pernas, enquanto erguia a sobrancelha, olhando completamente desacreditado para o mais novo. Como assim 'namorado'? Era para eles pensarem na Karin, como tirá-la dali antes de se meter em mais encrenca. Meio egoísta? Completamente, mas Karin era sua prioridade no momento. Ele tinha ouvido o pranto desesperado de Kushina quando encontrou Karin com o tal do namorado pela primeira vez e Hashirama sentiu uma vontade imensa de dar uma coça no moleque, mesmo sabendo que isso não ia resolver o problema. Sua vontade era simplesmente de que a neta se livrasse desse lixo e com isso eles iriam conseguir fazer com que ela enxergasse o caminho errado que estava tomando.
E agora vinha Naruto querer falar com esse tal namorado?
-Espera, com o namorado? –perguntou ele para confirmar e Naruto assentiu a cabeça em um gesto positivo. -Por que não falar com ela?
-A Karin faz tudo o que o Teme manda, tipo, tudo! –Naruto respondeu quase eufórico e não revoltado. Isso fez um sinal de alerta soar na mente de Hashirama, que apoiou as costas no encosto da poltrona. -E eu sei que apesar dele me odiar, ele ainda escuta o que eu falo!
"Interessante..." pensou Hashirama, cruzando os braços ao redor do seu torso, desfazendo os vincos de preocupação que surgiam em sua testa. Naruto apoiou os cotovelos nos joelhos, estando virado em sua direção. Em nenhum momento o neto fraquejou. Havia um tom decidido em cada palavra que o mais novo usava que só demonstrava que Naruto sentia alguma coisa por esse tal "Teme" e isso não era algo que Hashirama aprovasse no momento.
-Se eu conseguir chegar até ele e convencer ele a sair daqui, eu consigo fazer a Karin voltar, entende? –em nenhum momento Naruto deixou de fitá-lo, tentando convencê-lo da sinceridade de suas intenções. -Eu sou o único que pode fazer isso vô, o Teme não vai escutar ninguém além de mim!
-Entendi... –comentou Hashirama em um tom desconfiado. -Então você 'tá gostando desse garoto também.
Naruto piscou sem entender.
-Que? – perguntou o neto verdadeiramente confuso, o que era quase adorável, se em vez de trágico.
-Você gosta desse garoto. –repetiu Hashirama lentamente. E um estalo lhe ocorreu. -É aquele garoto pálido que estava no passageiro do fusca?
-Sim! –disse Naruto com euforia, depois fez uma careta constrangida. -E não!
Dessa vez quem ficou confuso foi ele. Hashirama ergueu a sobrancelha e seu neto parecia ficar ainda mais constrangido, começando a coçar a cabeça com força como se estivesse tentando espremer alguma ideia.
-Quero dizer, não e sim! –disse Naruto e depois dando um grito, enfiando as mãos nos cabelos e puxando-os, enquanto chutava o ar com total desespero. -'Cê tá me confundindo todo! –reclamou Naruto em tom choroso. Mas logo parou, apontando o dedo em riste em sua direção. –Sim! Ele é o namorado da Karin, o Sasuke. E não, eu não gosto dele! Por Deus! Isso não!
Naruto fazia uma careta de desagrado, talvez para comprovar que a ideia dele, Naruto, gostar do tal do Sasuke fosse repulsiva, mas Hashirama tinha suas dúvidas. Era obvio que Naruto estava gostando de alguém, andava distraído, sorrindo pelos cantos, mas logo depois se conscientizava e puff, uma sombra de tristeza atravessava seu rosto. A princípio ele pensou que fosse apenas os problemas familiares, mas agora ele tinha certeza que tudo convergia para esse moleque, Sasuke, ou o escambau que fosse.
O mais novo o olhava atentamente, esperando que ele acreditasse em tudo o que foi dito, mas Hashirama se manteve firme e ficou em silêncio esperando a confissão que mais cedo ou mais tarde viria. O neto suspirou pesadamente, abaixando a cabeça em derrota e descansando suas costas no encosto da poltrona.
-É o irmão dele... –confessou Naruto com a voz baixa e tristonha. –'Tou apaixonado é pelo irmão dele, o Itachi.
Seja quem fosse esse tal Itachi, a verdade era que Hashirama não gostou do cara. Qualquer um que fazia seu neto ficar com aquela cara de quem comeu e não gostou era inapropriado para ele. Ainda mais se fosse um cara da mesma laia que o namorado de Karin. Se era irmão, deveria saber do mesmo jeito! Não, não e não. Sua netinha já estava ferrada apaixonada por um, seu outro neto não podia ficar com o outro!
-Já estou até imaginando como é esse tal Itachi... –ele comentou voltando a massagear a fronte. O que ele faria com esses netos?
-Quê? –resmungou Naruto se sentindo ofendido. -Nada a ver! Itachi é o cara cego que eu 'tou cuidando e vô ele é incrível! –isso despertou a atenção de Hashirama.
O mais velho voltou a encarar o neto, vendo como toda a ideia do rosto do mais novo mudou a lembrança do tal do Itachi. Havia um brilho radiante nas esferas azuis e um sorriso genuíno nos lábios do mais novo. Quando Naruto falava do tal do Itachi ele parecia feliz, como se tivesse visto o passarinho azul.
Agora Hashirama estava com vontade de chorar de frustração. Seu outro netinho! Era o que faltava!
-Tipo, ele é um pouco mais velho que eu, já tá até formado em engenharia de produção! –disse Naruto com orgulho no tom de voz. "É um pedófilo!" pensou Hashirama em choque. –E ele não é um pedófilo! Ele é cinco anos mais velho que eu só! –bufou Naruto. –Além disso, ele gosta das mesmas coisas que eu, tipo, os mesmos livros, doces e quando fiz ramem pra ele uma vez, ele disse que gostava disso também!
Naruto sorria tão genuinamente que Hashirama estava quase que revendo a ideia de espancar o tal do Itachi, mas uma sombra de dor passou no olhar de seu neto e foi quando ele soube que tinha algo a mais nisso tudo. O mais novo sorriu brevemente, mas dessa vez sem que o sorriso atingisse seus olhos.
-Eu acho que conseguiria ficar conversando com ele por horas. –continuou Naruto em um tom menos eufórico e mais carinhoso. -E ele é o cara mais lindo que já vi na vida. Tipo... Ele parece um modelo.
-Esse cara gosta de você? –inquiriu Hashirama com delicadeza.
O neto suspirou e balançou a cabeça negativamente. Bingo. Aqui estava a parte não contada.
-Aí que 'tá o problema: ele é hetero vô. –disse Naruto olhando dentro de seus olhos com uma tristeza de partir o seu coração em frangalhos. -Eu nunca fiquei assim por alguém e quando fico lá vem o balde de água fria. O pior?
Hashirama nunca tinha visto Naruto tão sério com alguma coisa quanto naquele momento. Seja quem fosse o tal do Itachi, esse cara tinha conseguido mexer mesmo com seu neto. Naruto suspirou mais uma vez, naquele tom de dor de amor não correspondido.
-Eu morro de medo de chegar nele e acabar até com a amizade e causar ainda mais problemas pra ele. –respondeu Naruto com sinceridade. -Não cabe a mim te dizer o que ele passa, mas ele 'tá passando uma barra enorme e eu quero ajudar ele, quero ficar com ele, sabe?
Com uma enorme pontada de dor, Hashirama percebeu que seu netinho, aquele garotinho que ficava cozinhando com sua esposa na cozinha de sua casa há dez anos, tinha crescido. Naruto deu um sorriso triste para ele, antes de abaixar a cabeça, escondendo o rosto atrás das mãos.
-Vô, -começou o outro em voz baixa, pouco mais alta que um suspiro. - O que é que eu faço?
Naruto estava praticamente um homem feito e pedia um conselho amoroso. Hashirama não era o melhor para esse tipo de coisa, mas sabia que o neto precisava de apoio naquele momento e só ele poderia servir de consolo. Não havia mais ninguém na família que apoiava Naruto não importasse qual fosse o problema além dele e de Kushina, mas sua filha era ainda mais porta que ele nesse sentido.
Kushina nunca gostou de alguém do mesmo sexo, sua filha desde adolescente só teve olhos para Minato, afinal de contas. Mas ele? Antes de engravidar Mito ele teve seus casinhos, aqui e ali. Antes da esposa, ele teve o seu próprio amor impossível e tudo seguiu o caminho que deveria correr, com decisões certas e erradas aqui e ali, mas o que isso importava? Ele não se arrependia de nada na sua vida e não seria agora que ia começar a se arrepender.
-Esperar. –ele respondeu com bondade e Naruto ergueu a cabeça. -Você não pode ser impulsivo nessas coisas do coração, ainda mais se você se importa tanto com ele. –disse Hashirama com franqueza. –Tudo pode ser dito e aceito, até mesmo uma confissão como essa, se for na hora certa e com o jeito certo. Espere esse momento, entendeu?
O mais velho se levantou da poltrona, se espreguiçando rapidamente antes de ir até o neto e afagar as madeixas loiras com gentileza. O garoto sorriu, ainda meio triste, mas bem mais contente do que há poucos instantes atrás.
-Sim. –disse Naruto com a voz baixa. Hashirama sorriu em aprovação.
-Naruto... –ele chamou com a voz séria. Ele precisava mesmo avisar Minato e Kushina sobre a fuga da neta. Era o certo a se fazer.
-O senhor vai ligar pra eles, né? –perguntou o garoto, erguendo o olhar para encontrar o seu. Hashirama assentiu.
-É preciso. –ele disse em um tom sério. -É o melhor que podemos fazer por ela, entende Naruto? –ele viu o garoto suspirar e balançar a cabeça afirmativamente. -Esse tipo de coisa não é algo que só você tenha que lidar, é um problema de todos nós. Temos que estar juntos para conseguir resolver. E isso inclui seus pais.
-Eu... Ok.
-Eu já venho.
Hashirama pegou o celular do sobretudo e avisou Minato do que estava acontecendo, como previsto, o genro ficou preocupado e lhe alertou que em breve estaria no hotel com Kushina. Ele assentiu, ligando para Tobirama e avisando-o de toda a situação, o que fez com que ele ganhasse uma bronca gigantesca de seu irmão caçula por 'envolver os negócios da família com barracos pouco práticos', mas ao menos tudo estava encaminhando.
Ainda assim, seria uma noite muito, muito longa.
Juugo's Pov.
Era difícil dizer se era uma situação vergonhosa ou honrosa saber que seu fusquinha preto, ano de 1973, estava na garagem daquele hotel caro que ele não conseguiria nunca pagar com o seu salário de zelador. Mas como para muitas coisas na vida, Juugo apenas fez o que normalmente fazia: deu de ombros e se voltou para os amigos.
Sasuke andava ao centro, com Karin segurando sua mão direita com força, como sempre, demarcando o território. Suigetsu andava do lado esquerdo do Uchiha, com pelo menos um palmo de distância, mas Juugo sabia que Suigetsu invejava Karin com todas as forças, já que também era apaixonado por Sasuke. Esse era um dos maiores problemas de harmonia do grupo, mas, às vezes, ele pensava que mesmo que os dois não gostassem de Sasuke, Karin e Suigetsu encontrariam um jeito de fazer barraco.
Era sempre irritante, mas Sasuke tocava a moral com os dois. Quando nem isso funcionava, Sasuke apenas ia vir para o seu lado e os dois ficariam quietos, deixando os outros brigar. Era por coisas assim que Juugo gostava de Sasuke, na verdade, Sasuke era o único que não tinha medo de suas crises de raiva. Era o único amigo de verdade que ele tinha, desde a morte de Kimimaro e era por isso que ele estava ali afinal de contas.
O Uchiha estava quieto como sempre, mas Juugo o conhecia até que razoavelmente bem e sabia que se Sasuke estava indo para aquela festa, ele estava querendo um 'remédio'. Juugo era o responsável por manter os três em segurança e isso era bom, porque assim ele podia se concentrar em algo que diferente da raiva que existia dentro de si.
Eles entraram no hotel e o queixo de Juugo quase caiu: o lugar era muito chique. O piso de mármore brilhava, as paredes eram brancas e com detalhes dourados que deixavam o ambiente todo classudo, havia luminárias imitando flores nas paredes e volta e meia havia um ou outro quadro com paisagens naturais. O teto era alto, em madeira branca, parecia alongar ainda mais o corredor. Segundo a fitinha, a festa era no salão de festas no térreo. Quando é que ele pensaria em entrar em um lugar assim?
—Está tudo bem mesmo virmos aqui Sasuke? –ele inquiriu sem realmente olhar o mais novo, sua voz um pouco tímida. Esses ambientes muito chiques lhe deixavam nervoso. Se ele quebrasse alguma coisa nunca ia conseguir pagar o dano.
—O gatinho amedrontado do grupo 'tá com o rabinho entre as pernas? –provocou Suigetsu em um tom zombeteiro.
Em outros tempos, ele já teria socado aquele riso debochado e Suigetsu estaria com um ou dois dentes a menos. Havia, sim, um pouco de raiva pelo que foi dito, mas uma raiva que ele conseguia controlar. Juugo não conseguia esquecer que foi abandonado e que cresceu nas ruas; raiva das pessoas, raiva das circunstâncias, raiva do mundo inteiro. Raiva, fúria, vontade de espancar, vontade de ser machucado. Tudo isso estava dentro dele, era uma parte dele que não ia mudar, "irreversível" diria Kimimaro. Mas manter a mente ocupada ajudava.
Não conseguia esquecer a fome, o frio e nem outras coisas que passou até encontrar ajuda numa ONG, até encontrar Kimimaro e agora Sasuke. As coisas não estavam ótimas, mas estavam melhores. Ele tinha um emprego como zelador em um prédio mais ou menos na cidade, graças a isso tinha um lugar para ficar e um lugar para guardar o fusca que herdou de Kimimaro. Sasuke estava olhando para ele e em momentos como esse ele conseguia enxergar um pouco de Kimimaro no garoto mais novo. " 'Tá tudo bem, se acalme" era isso o que Sasuke queria dizer e Juugo entendeu.
O Uchiha se virou para enxergar o corredor enquanto Suigetsu de novo o chamava de 'cara estranho', mas 'estranho' era algo tão besta. Na sua opinião, estranho era o Suigetsu com o cabelo descolorido com água oxigenada até ficar branco como o cabelo de um velho. Estranha era Karin que vivia mudando de temperamento, parecia uma doida. Tudo era estranho, para dizer a verdade.
Eles se identificaram ao guarda que parecia um robô saído de "o exterminador do futuro" de tão amedrontador. Ainda bem que ele tinha mesmo vinte anos, porque se tivesse que apresentar uma carteira falsa que nem Sasuke e Suigetsu, ele com certeza teria sido pego. Juugo nem queria pensar nisso porque poxa, agora ele tinha um emprego! E até um lugar para ficar. Não queria perder tudo aquilo que ele conseguiu graças a ajuda de Kimimaro, a primeira pessoa que disse que ele podia controlar a raiva, se tentasse se concentrar em alguma coisa mais útil como estudar.
O segurança os deixou entrar e a decoração da festa era tão linda como tudo naquele lugar. Havia uma mesa enorme cheia de comida. Estava decorada com uma toalha branca e uma decoração de natal com enfeites prateados, dourados e vermelhos. O bar estava aberto, mas ele era o motorista, não podia beber. Muitas pessoas ainda jantavam, todas vestidas em tons de vermelho, branco, verde e prateado, as cores do natal.
Ao ver aquelas pessoas bem vestidas, Juugo se sentiu um mendigo com suas roupas surradas. E isso também dava raiva e o deixava super nervoso, e um pouquinho amedrontado.
—Deixem-me adivinhar... –perguntou um sujeito atrás deles. Quando Juugo se virou quase tomou um susto: se não soubesse que o pai de Sasuke estava morto ele pensaria que aquele cara poderia ser o pai de seu amigo fácil fácil. —Vão para aquela tal... hn –o cara bebericou uma bebida destilada. —Rave?
O homem tinha um olhar superior irritante, apesar do seu tom de voz ser quase agradável. Mas ainda assim o que espantava era a semelhança com Sasuke que era ridícula de tão marcante. Os dois tinham a mesma pele branca, os cabelos preto-azulados, bem espetados na parte de trás, olhos bem pretos, até mesmo os lábios finos e desenhados. A idade só era visível no outro cara por causa das bolsas debaixo de seus olhos, mas num geral o desconhecido era bem apresentável. Quase bonitão.
E se vestia bem demais. Usava calça preta com um bom caimento e um suéter vermelho-sangue que não escondia sua boa forma (o velho malhava?). Juugo percebeu que todo mundo que se vestia bem parecia combinar a roupa, mas aquele cara não combinava e mesmo assim ninguém era babaca de dizer que ele não tinha estilo. O homem lhe lançou um olhar e Juugo deu um passo para trás, se sentindo nervoso. Não precisava ser um gênio para saber que aquele cara tinha dinheiro, poder e todas essas coisas que importavam.
Em resumo: era uma pessoa com quem ele não queria se meter.
—'Tá com bosta debaixo do nariz, tio? –perguntou Suigetsu para a imensa vergonha de Juugo.
E desagrado do desconhecido. O homem desfez o sorriso agradável, lançando um olhar tão mortal para Suigetsu que Juugo podia sentir farpadas invisíveis atravessando o seu corpo e ele nem era o alvo daquele olhar. Suigetsu ficou calado, reconhecendo que aquele cara não era de brincadeiras; Juugo nunca ficou tão aliviado com alguma coisa quanto naquele momento.
—Eu sugiro que tome cuidado com o que diz garoto. –comentou o homem em tom de aviso. —Palavras têm poder e acredite, você não vai querer que eu seja seu inimigo, criança.
Que Deus tenha piedade da sua alma, porque Suigetsu era um idiota e ia retrucar.
—Escuta aqui...! –disse Suigetsu com raiva apontando o dedo em riste para o desconhecido, que franziu o cenho com a babaquice do idiota ao seu lado.
—Já chega. –disse Sasuke em um tom de voz imperioso. Suigetsu meteu o rabo entre as pernas. —Como fazemos pra ir pra lá?
O estranho estreitou os olhos e depois fez algo que surpreendeu Juugo: sorriu. Se antes ele queria sair dali, a vontade que ele tinha agora de dar no pé era ainda maior.
—Boa jogada, Júnior. –desdenhou o estranho. Juugo queria sair dali, mas Sasuke nem se abalou. –Siga em frente, haverá uma escada que dará para o mirante e a piscina, lá haverá outra escada que os levará até a praia, sigam as luzes por alguns metros e vão chegar na tenda três.
Sasuke se virou sem sequer dizer obrigado para aquele cara, Karin e Suigetsu se viraram e seguiram o Uchiha que já tinha dado uns bons passos em direção a saída daquele restaurante. Com medo de que o homem pudesse fazer alguma coisa que os faria pagar o maior mico, se não coisa pior, Juugo se virou para ele e tentou controlar o nervosismo.
—Obrigado, senhor. –agradeceu Juugo doido para sair dali.
O homem sorriu mais uma vez, erguendo a taça como se dissesse que estava tudo bem ele ir embora dali. Juugo não pensou duas vezes em se virar e ir com os outros quando o cara disse:
—Divirtam-se com os ingressos que dei pra vocês.
Quando Juugo se virou, o homem já tinha se misturado em uma roda de homens bem vestidos, nem parecendo ligar para eles.
—Juugo. –chamou Sasuke, já estava perto de uma porta de vidro.
Juugo balançou a cabeça e foi até o amigo, que se desvencilhou de Karin e começou a andar ao seu lado. Obviamente, depois disso Suigetsu começou a provocar a ruiva e os dos começaram com o lenga lenga de sempre, o que era uma bosta, se quer saber. Foi então que Sasuke perguntou o que aquele cara queria e ele explicou. Juugo já tinha visto Sasuke vomitar, já tinha visto o outro bêbado, drogado, dormindo na rua, já tinha até visto Sasuke transando com Karin! E também já estava acostumado com o Charasuke também, mas nunca, nunca tinha visto Sasuke apavorado desse jeito.
Ele esperou que Sasuke falasse alguma coisa, mas, para variar um pouco, Sasuke engoliu toda a dor para si novamente. Típico. Sasuke costumava falar mais quando ficava no alter-ego que Suigetsu chamava de "Charasuke" (2).
Todos eles tinham algum problema.
Não era difícil ver isso. Karin era uma coisa com Sasuke (e ele suspeitava que ela tinha um jeito diferente com o irmão que ainda estava vivo, o tal Naruto), quando os dois estavam a sós e era outra com todo o resto (e ainda conseguia se tornar uma terceira pessoa quando tava 'alta'). Suigetsu era de um jeito 'normal' e tinha o jeito 'ligadão', que era quando bebia ou se drogava. Ele próprio tinha ele como era, um covarde, tentando parar de ter raiva e viver a vida do jeito que era, e tinha a besta dentro dele querendo sair. Sasuke não fugia a regra, normalmente era quieto, na dele, até mesmo prepotente, o Charasuke era o "foda-se", o oposto do Sasuke normal. Charasuke dançava, brincava, falava pelos cotovelos, gostava de se exibir e tentava seduzir qualquer pessoa na sua frente. Quando Sasuke ficava no alter-ego ele fingia ser alegre o tempo todo.
Mas era tudo uma farsa, Juugo nunca ia esquecer uma conversa que teve com o Charasuke há uns três meses mais ou menos. Antes das coisas ficarem pretas.
Estava amanhecendo e a rave continuava firme e forte. O som de música eletrônica invadia seus tímpanos e isso tornava impossível escutar o canto dos pássaros, apesar de que estavam em uma rave bem longe da cidade. A tenda ainda estava bem agitada, com pessoas dançando não muito longe deles, ninguém se importava com a muvuca.
E havia por que se importar com isso? Não, não havia. Com a bala ou o doce na veia, nada importava. Havia rodinhas de pessoas a cada árvore mais afastada, o chão inteiro era uma poça de lama e ninguém se importava com isso. Todo mundo estava feliz e se dando bem. Uma laminha não era nada. Tinha uma rodinha fumando um baseado próximo deles, o cheiro da Mary Jane perfumava o lugar onde estavam e Juugo inalou aquele cheiro profundamente.
Porque só muito chapado para aguentar aqueles dois tontos.
—Cara é incrível como de cada dez palavras vinte palavras são todas merdas puta merda! –reclamou Karin com raiva.
— Usa a sua lógica, ô vadia, como de dez palavras, vinte podem ser merdas? Faltou ir a educação básica?–retrucou Suigetsu dando um sorriso zombeteiro que era sua especialidade. — Então cala a boca sua piranha!
—Pelo menos o Sasuke me come! –afirmou Karin rindo da cara de cu do Suigetsu. –Não tu! Bicha de sétima categoria!
Saco. Era sempre assim.
Juugo queria ver o nascer do sol. A bola de fogo surgia no horizonte com uma lentidão tão grande que isso era quase tão irritante quanto à briga idiota da Karin e do Suigetsu. Eles estavam brigando por que... Isso não interessava. Provavelmente a resposta era "Sasuke" mesmo. Juugo levou a garrafinha de água aos lábios e caminhou para uma árvore milagrosamente desocupada e mais distante dos amigos. Seus tênis estavam sujos de lama, a barra do seu jeans tava imunda também e ele não conseguia se importar. Ao chegar mais perto da árvore, ele viu que essa tinha raízes para fora do chão e ele se sentou sobre uma, era desconfortável, mas pelo menos a sua bunda não ia parecer suja de merda.
A música parecia menos barulhenta onde estava agora, Juugo fechou a garrafinha de água e se virou para olhar para os amigos atrás de si. Sasuke tinha jogado a cartada final, gritando para os dois calarem a boca, mas isso só fez com que a ruiva e o cabelo de velhote brigassem ainda mais; o Uchiha jogou o pano. Ele começou a rir da cara de enfezado que o Uchiha tinha e logo o amigo veio em sua direção, se sentando na mesma raiz, puxando sua garrafa de água e tomando uns bons goles.
Os dois ficaram em silêncio, observando o sol surgir, colorindo as nuvens uma a uma com um tom alaranjado. Juugo se voltou para Sasuke.
—É bonito, né? –perguntou Juugo e ele imediatamente soube que tinha alguma coisa de errado com o amigo.
Às vezes ele ainda tinha dificuldade em saber quando o Charasuke voltava a ser Sasuke. Ele não era tão observador quanto Karin ou tão stalker quanto Suigetsu. Não gostaria de ser assim também. Só que naquele momento ele queria ser, só para saber o como deveria agir a aquele olhar vazio. Talvez aquele fosse o 'Sasuke' e não o 'Charasuke', talvez o efeito da bala já tivesse passado. Mas vai saber?
—É sim, mas também é tudo uma mentira. –respondeu Sasuke com a voz machucada, mas sem lhe ver. —Não há fim nunca. E você sabe por que Juugo?
—Por quê?
—Porque nunca melhora! –exclamou o Sasuke voltando a ser Charasuke e começando a rir, não, gargalhar. O outro batia no seu joelho com força enquanto ria e Juugo começou a rir também, embora não fosse engraçado. —Sabe aquele dia que a gente se conheceu?
Demorou um tempo para que Juugo conseguisse parar de rir e outro para ver se Charasuke ainda queria saber a resposta. Por fim ele parou de rir e começou a tentar se lembrar. Claro que ele lembrava!
Foi depois do enterro de Kimimaro, há uns dois ou três meses mais ou menos. Ele estava com raiva, seu melhor amigo, a pessoa que tinha agido como um mentor para ele tinha sido assassinado e agora ele estava fodido no mundo de novo. Um cara tinha batido no seu ombro sem se desculpar e isso fez com que ele ficasse com raiva ao ponto dele começar a espancá-lo. O cara era Suigetsu. Sasuke viu isso e fez com que ele parasse de golpear Suigetsu lhe dando um soco bem doloroso que quase tinha deslocado seu maxilar.
Ele tinha caído no chão e em vez de correrem ou baterem ainda mais, Sasuke estendeu um cigarro de maconha para ele dizendo que isso servia "para acalmar". Juugo tinha ficado em pé, puxando o moreno pela gola do uniforme engomadinho, pronto para matar aquele infeliz. Sasuke tinha rido pelo nariz e dito: "Vai em frente" jogou um pouco de fumaça nele "O problema seria todo seu. E a solução só minha, ainda vai querer descontar em mim? Você pode descontar a raiva no que quiser, até mesmo nisso".
Foi nesse momento que ele percebeu que Sasuke não tinha medo dele, que havia alguém ainda mais quebrado do que ele. E que se ele descontasse a raiva do jeito certo, ele não precisava mais se preocupar tanto.
—Eu lembro. –ele disse limpando uma lágrima do olho. —Você disse que o remédio pra minha raiva era descontar em alguma coisa.
Charasuke riu em aprovação, balançando a cabeça para frente e para trás de um jeito engraçado. O cabelo preto parecia o de um porco espinho ou de um marreco prestes a cagar e quando esse pensamento cruzou na sua mente, Juugo voltou a rir. Dessa vez, pelo menos, foi algo engraçado.
—Eu costumava me cortar quando doía demais. –disse Charasuke em um tom ameno, quase distraído. —Agora eu tomo isso. –ele bateu no bolso da frente da camisa polo roxa, Juugo sabia que era ali que estava a outra metade da bala que tinham comprado. —Essa merda toda.
O amigo ficou em silêncio e por um segundo sua expressão ficou confusa, como se estivesse avaliando tudo o que estava acontecendo, voltando a ser o Sasuke. Quieto, cheio de machucados, mas então Sasuke piscou e ele voltou a sorrir como Charasuke de novo. Juugo franziu o cenho e retribuiu o sorriso. Ao longe, Karin e Suigetsu ainda estavam brigando, barraqueiros.
—Mas 'tá melhorando? –perguntou Charasuke com animação. —Não! –Charasuke sorriu ainda mais. —A cada vez que passa 'tá pior, 'tá doendo mais!
Estava difícil se concentrar no que Sasuke estava dizendo, era difícil saber se era o Charasuke ou se era o Sasuke normal ali. Talvez fosse um meio termo dos dois. O Charasuke fazendo o Sasuke por para fora tudo o que doía. Só que Juugo não conseguia se sentir infeliz ali, quer dizer, tinha toda essa música, todo esse sol, toda essa vibe! Ele tinha amigos, estavam numa festa incrível, o sol estava nascendo de novo e era bonito. Sasuke estava rindo, estava gargalhando e no instante seguinte Juugo percebeu que era um riso de quem estava tentando não chorar.
—'Tá ficando mais longe! –continuou Sasuke gargalhando ainda mais. —Super longe, cara!
Juugo piscou para não se perder. Sasuke continuava rindo, achando graça do que estava dizendo, mas os olhos... Os olhos do amigo pediam ajuda, como se inconscientemente ele soubesse que aquelas palavras machucassem ainda mais. Era o Charasuke falando, mas era o Sasuke quem o olhava. O Charasuke fugia da dor e o Sasuke enfrentava a dor. Eram duas pessoas em um, como aquelas promoções leve dois e pague por um.
—O que você disse me ajudou. –disse Juugo timidamente.
—Mentiras e mentiras! –resmungou Sasuke, dessa vez sem sorrir. —Eu estou farto de mentiras! Minha vida é uma mentira, e sabe o que é pior?
Não havia mais riso. O riso estava morto. Só restava desespero. Só isso.
—Nunca acaba e eu não tenho coragem suficiente pra acabar com tudo. –respondeu Sasuke com a voz firme e raivosa. Depois o amigo riu baixinho e voltou a encarar o nascer do sol. —Quanto mais perto eu acho que 'tou, mais longe ele 'tá.
Sasuke suspirou baixinho, olhando desalentadoramente para o sol. Depois ele arrancou umas folhas de grama do chão, sua expressão ficando raivosa num segundo só.
—Que nem a merda desse sol! –gritou Sasuke jogando as folhas no ar, quase como uma tentativa de ferir o dia.
Mas o dia não podia ser ferido. Juugo desviou o olhar de Sasuke, enquanto piscava muito. 'Tava doendo. Não era para doer, mas estava. Os dois voltaram a ficar quietos e logo as vozes de Karin e Suigetsu chegaram aos seus ouvidos, Juugo se virou e viu que os outros dois estavam voltando.
—É irônico não acha? –comentou Sasuke em um tom ameno. Juugo se virou para ele. —Todo mundo me ama. Aqueles dois idiotas tão brigando pra ficar comigo. Mas... –Sasuke se virou para lhe encarar. —... Quem eu amo nem olha pra minha cara!
Com horror, Juugo percebeu que Sasuke estava a ponto de chorar.
—Quem?
—Aquele cara... –disse Sasuke em um tom sonhador, voltando a fitar o nascer do dia. —Será que se ele soubesse da verdade... Será que aquele cara ainda ia olhar pra mim e sorrir Juugo?
Juugo foi forçado a voltar a realidade quando percebeu que Karin havia voltado ao seu posto habitual, segurando a mão de Sasuke, só que havia algo diferente: Suigetsu e ela não estavam brigando. Foi assim que ele percebeu que o Uchiha estava com aquele olhar desalentado de novo.
—Que foi gato? –perguntou Karin em um tom sério e delicado, o tipo de voz que ela usava apenas e tão somente para Sasuke.
O sinal do apocalipse soou na sua cabeça. Karin sempre esperava que ele ou Suigetsu não estivessem por perto ou quando estavam dormindo para usar aquele tom de voz para Sasuke. Não havia dúvidas em sua cabeça que dos três que mais conhecia Sasuke fosse ela. E não era porque Karin era a namorada de Sasuke, não, mas sim porque ela tinha um dom absurdo de entender os outros.
Karin era uma garota extremamente sensível, era capaz de entender a situação de qualquer um. Foi a primeira a entender o motivo da sua raiva e, apesar de ter medo dele, Juugo sabia que sempre poderia contar com ela, se ele precisasse desabafar com alguém. Karin era gente fina assim, mas que levou uma boa surra da vida. A surra de perder algo que era muito, muito amado e nunca mais poder ter algo assim de novo.
Ele só sabia as entrelinhas disso tudo, Karin escondia mais dor do que aparentava. Talvez por isso agisse como uma doida varrida. Mas ela era realmente, de verdade mesmo, uma boa pessoa. Juugo gostava mesmo dela, assim como sentia pena.
Contudo, Sasuke não era conhecido por facilitar as coisas. O outro não respondeu a pergunta dela. Karin e Suigetsu trocaram olhares, como sempre o ignorando sobre as coisas que diziam respeito à Sasuke; Juugo não ligou. Os dois conheciam Sasuke melhor do que ele, os três se conheciam a mais tempo, além disso, tanto Karin quanto Suigetsu forçavam Sasuke a dizer as coisas que o perturbavam e Juugo não era assim. Não, se Sasuke não queria falar, tudo bem. Que falasse quando sentisse vontade, ele ia falar, tipo quando o Charasuke fez o Sasuke falar aquilo para ele naquele dia.
Mas isso o fazia imaginar. Juugo chutava que só havia mais outras duas pessoas que conhecessem Sasuke tão bem quanto aqueles dois: o irmão do Sasuke, Itachi, e aquele tal de Naruto. Mas mencionar os dois era um tabu. Sasuke se descontrolava a qualquer menção de qualquer um dos dois.
Eles caminharam vários metros em silêncio, a cada passo dado, mais e mais o som da tenda chegava aos seus ouvidos. Fazia muito frio e Juugo queria surrar até a morte o idealizador do evento por fazer essa merda de festa no inverno, em uma praia, com aquele frio filho da puta. Nem a boa e velha música eletrônica dava jeito! E olha que ele gostava de música eletrônica, embora ele preferisse mais um rap mesmo. Eminem, Jay-z, Dr. Dree, Rei Tupac e outros, todos eles eram fodas. Não que ele tivesse condições de comprar CDs originais, ainda bem que existia internet, pendrives e aquelas caixinhas de som com entrada USB! Já estavam bem próximos da tenda, quando Suigetsu deu um passo a frente e fez sinal para que eles parassem.
—Caras, valeu! –agradeceu Suigetsu com uma timidez quase insuportável porque parecia deboche. —Eu 'tava pra pegar a faca e cortar meus pulsos se eu tivesse que ver aquela carranca de tubarão desgraçada na minha frente. –o outro sorriu. —Ou então asfixiar ele enquanto aquele merda dormia.
Era obvio que Suigetsu estava falando do pai. Juugo queria acertar um murro na cara do outro. Todo mundo no planeta conseguia ver que Suigetsu era amado pelo pai, menos Suigetsu. Antes ele até acreditava que o tal do Kisame odiava o filho, mas nos últimos tempos, quando Suigetsu tinha começado a morar com o pai dava para ver que era o contrário. O pai do Suigetsu não tinha medo dele, nem de Karin, muito menos de Sasuke, queria afastar Suigetsu deles, mas a intenção era obvia que não era de foder Suigetsu e sim de tentar protegê-lo.
Só que aquele imbecil via isso? Não.
Não era segredo que ele sentia um pouco de inveja de Karin e Suigetsu porque os dois tinham pais. Ao menos sabiam de onde é que tinham saído. Ele? Ele nem se lembrava do rosto de seus pais. Sasuke era órfão, tinha um irmão e um tio com quem podia contar e Juugo sabia que o Uchiha amava os dois, amava a um ponto de ser insuportável ficar perto deles porque se achava um merda quando ficava perto deles. Karin também amava os pais, amava os dois tanto que sofria ainda mais por conta disso; ela compreendia Sasuke nisso. Sofria por si mesma e sofria por Sasuke quando ele se sentia um merda por conta disso.
Karin parecia que gostava de acumular sofrimento. Ela sofria por tudo, mas principalmente pelo irmão que morreu e pelo irmão que não desistia dela. Aquele irmão que estava vivo e que sempre encobria as merdas dela e do Sasuke também.
Juugo nunca falou com esse tal de Naruto, mas já tinha visto esse cara. Era um garoto que parecia estar sempre rodeado de pessoas, parecia sempre estar sorrindo por aí. Quando esse garoto estava por perto, Sasuke e Karin ficavam diferentes, como se estivessem considerando tudo e nada ao mesmo tempo. Só que no fim Sasuke ficava com raiva desse garoto, os dois brigavam e o Uchiha afundava mais, Karin afundando junto e aí vinha Suigetsu.
O seu trabalho era garantir que os três não afundassem tão fundo assim, mesmo que fosse impossível evitar afundar junto.
Karin e Sasuke se olharam e nenhuma palavra foi trocada, mas ficou obvio para Juugo que os dois não queriam estar ali. Só que Suigetsu estava precisando de ajuda, então os dois estavam ali. Um por todos, e todos por um. Que maravilha de mundo! E a raiva ameaçava explodir de novo. Não, ele podia controlar isso. Ele podia controlar!
Sasuke olhou em sua direção, quase como se soubesse que ele estava prestes a ter uma crise de raiva. O Uchiha sempre sabia disso. E olhar para Sasuke o acalmava tanto quanto no passado olhar para Kimimaro o acalmava.
—Por que eu 'tou achando que a gente não devia 'tá aqui? –ele perguntou com franqueza para Sasuke.
O moreno olhou para o mar parecendo fazer a mesma pergunta. Karin se voltou para o céu com o mesmo ar perdido. Alguma coisa aconteceu com os dois e os dois estavam travando uma batalha interna naquele exato momento. Qualquer imbecil parecia perceber isso.
Qualquer imbecil que não fosse Suigetsu.
—Ô não vão arredar agora! –chamou Suigetsu com raiva. —'Tão com medinho?
Dessa vez, ele e Karin trocaram um breve olhar e os dois se viraram para Sasuke. Tudo dependia de Sasuke. O que ele decidisse estaria bom, voltar para casa, curtir a festa. Não importava. Karin concordava com ele.
—Cala a boca! –resmungou o Uchiha com raiva, mas não era o seu tom raivoso habitual. —Suigetsu, você queria vir, então vamos curtir essa porra e pronto!
Havia raiva no olhar de Sasuke, mas nem por isso Suigetsu ficou chateado ou qualquer outra coisa do gênero. Suigetsu parecia ainda mais apaixonado por Sasuke naquele momento e Juugo revirou os olhos. Às vezes ele pensava que se Sasuke peidasse, tanto Karin quanto Suigetsu iriam reverenciar o peido como um rei ou alguma coisa assim.
—'Cê 'tá muito estressado Suke, vamos tentar encontrar alguém. –comentou Suigetsu em um tom despreocupado, voltando a caminhar em direção a festa. —'Tou doido por um doce hoje!
Juugo suspirou resignadamente. Ainda bem que ele tinha se lembrado de trazer algum dinheiro. Não gostava de pagar sua droga do jeito que aqueles três pagavam, isso poderia arruinar com o pouco que ele tinha ganhado. Só que mesmo sabendo que os três a sua frente praticavam pequenos furtos aqui ou ali, ou pagassem a droga com boquete, Juugo não conseguia ignorá-los. Kimimaro poderia ter ignorado ele, quando ele precisou de ajuda, mas Kimimaro não fez isso. Ele o ajudou. Esses três precisavam de alguém que tomasse conta deles.
—'Tá com dinheiro? –inquiriu Sasuke.
—Não há nada que essa boca de boqueteiro não pague! –respondeu Suigetsu se virando para dar uma piscadela cheia de intenções para Sasuke e Karin grunhiu. —Ânimo cara!
—Não ouse flertar com o meu gato na minha frente bicha! –grunhiu Karin tomando a dianteira e andando lado a lado com Suigetsu.
Sasuke parou de caminhar, fazendo uma careta e Juugo passou a caminhar lado a lado com o Uchiha. Os dois estavam há vários passos atrás da dupla encrenqueira que caminhava na frente, discutindo em altos brados. Às vezes até parecia que os dois eram namorados e que brigavam como marido e mulher. Mas Juugo sabia que do seu jeito Sasuke se importava com Karin. E com Suigetsu e até mesmo com ele. Mas havia alguém que mexia com Sasuke muito mais do que eles.
Ao seu lado, o Uchiha caminhava em silêncio, parecendo que estava perdido em pensamentos e não querendo realmente estar ali. Aquela expressão era reservada para uma pessoa.
—Hey Sasuke. –chamou Juugo se virando para encarar o amigo. Sasuke se virou em sua direção. —É o lance com aquele cara de novo?
Sasuke deu um sorriso triste em sua direção, com os olhos tão profundamente tristes que Juugo queria poder fazer qualquer coisa para ajudar, mas não podia. Ninguém podia.
—E quando não é?
Juugo parou de caminhar e Sasuke continuou caminhando, como se nunca tivesse respondido a sua pergunta. O Uchiha nunca facilitava. Com um suspiro resignado, Juugo correu para acompanhar os outros que estavam muito lá na frente. Talvez ele nunca compreendesse seus amigos, mas se eles precisassem dele, ele estaria lá por eles. Foi assim que entraram na área vip da tenda três, sem qualquer ânimo para festejarem ou dançarem, mesmo que fosse uma noite de festa.
Estavam dançando há algum tempo, pessoas esbarravam neles e Juugo estava vendo a hora de ficar realmente irritado e a socar algum infeliz azarado. Dançar era um dos meios de se aquecer porque fazia um frio do caralho naquela merda de festa. A vontade de espancar Suigetsu por ter metido todo mundo nessa roubada 'tava grande, até Suigetsu ver Kabuto, num cantinho mais escuro da tenda, mais próximo do mar.
—ESTÃO VENDO O QUE ESTOU VENDO? – inquiriu Suigetsu aos gritos e apontando freneticamente para o homem de capuz prateado e óculos num canto mais reservado. —É A LUZ NO FIM DO TÚNEL! VAMOS LÁ!
Eles foram até Kabuto que sorriu ao ver Sasuke. Os fornecedores sempre sorriam quando viam Sasuke por algum motivo, embora ele pensasse que fosse uma cortesia bizarra de Orochimaru, o chefão da vizinhança. Ninguém em sã decência ia contra o homem. Orochimaru era quase tão medonho quanto o desconhecido que encontraram no hotel.
O barulho da música eletrônica dificultava a negociação, mas Kabuto era experiente; sabia a forma de pagamento de Sasuke e Suigetsu. Acima de tudo, aceitava o pagamento deles "in natura". Karin se mordia de ciúmes quando isso acontecia. Naquela noite, Kabuto estava vendendo uma bala nova, "orbital roxa", Juugo comprou uma dessas para ele, Karin também comprou uma igual, pagando com um dinheiro que ganhou do avô.
Mas Juugo sabia que ela tinha mesmo era pego o dinheiro da carteira do velho. O pobre coitado teria um susto quando visse a carteira vazia.
—OROCHIMARU ESTÁ AQUI! –gritou Kabuto para Sasuke. –ELE VAI QUERER RECEBER O PAGAMENTO 'IN NATURA'!
Sasuke não arriou.
—ME LEVE ATÉ ONDE ELE 'TÁ! –gritou o Uchiha em resposta.
—ÓTIMA RESPOSTA UCHIHA! –respondeu Kabuto em meio a barulheira. —VENHAM COMIGO!
Kabuto, Sasuke e Suigetsu mal tinham chegado na área vip e já iam retornar ao hotel para 'pagarem' pelas balas que compraram. Tinham combinado de que ele e Karin não deviam sair daquele lugar onde estavam, porém enquanto tomava a sua bala, Juugo não pôde deixar de ter a sensação de que tudo aquilo daria em merda.
—VAMOS DANÇAR? –perguntou Karin, mas havia tanta preocupação nos olhos dela que ele sabia que a garota estava tendo pensamentos iguais aos dele.
Os dois começaram a dançar e conforme a pira da bala subia na cabeça, mais os medos pareciam muito distantes. Quase tão distantes quanto às estrelas no céu. Quanto qualquer coisa longe e que não dava mais medo. Não tinha como sentir medo porque não havia porque ter medo, o mundo todo era algo legal, bom. E ele estava se divertindo com Karin dançando ao seu lado. Nem sequer havia tempo para ficar irritado com as pessoas que estavam ao seu redor. Porque já não existia motivo algum para ficar preocupado, o mundo existia naquele momento para ele ser feliz e isso bastava.
Ao menos, tinha que bastar.
Referências
1 – Krampus - Criatura do folclore alpino que é o 'papai Noel do mal', diz a lenda que quando as crianças se comportavam mal durante o ano, o Krampus apareceria no natal para puni-las.
2 – Charasuke – Spoiler do filme Road to Ninja! Naruto e Sakura são tragados para uma realidade onde todos os personagens estão com as personalidades o oposto do que são e Sasuke não fugiu a isso. Naquela realidade, Sasuke é um playboy mulherengo e tagarela que vivia sorrindo. O tumblr chama esse Sasuke de "Charasuke" para diferenciar do nosso Teme habitual.
Respuestas de las reviews \o/
Anemy
Oi oi! Eu sei que faz diferença: é mó frustrante deixar uma review bonitinha e o autor te dar um banho de gelo ao te ignorar. Também sou leitora e odeio quando fazem isso, daí por saber como é, evito fazer o mesmo que alguns fazem comigo.
Ain fico tão contente que pense assim. Eu morro de medo de acabar ofendendo pessoas, sabe? Já tive leitores que se sentiram ofendidos e não é essa a intenção. O que eu mais quero é mostrar que existe gente passando por isso, claro que algumas coisas na fic são estrambolicas propositalmente porque aqui ainda é fic, mas isso não vai mudar o fato de que tem gente passando por aquilo e que não é fácil.
Então, é pertinente a sua pergunta: desejar já está sendo escrita há dois anos, praticamente, e só agora que eu estou conseguindo finalizar a parte um da fic. Eu estou me programando bonitinho para continuar a escrever e estudar pra concurso (eu tenho que estudar no mínimo umas 5 horas, sabe?), só que eu tenho que priorizar o estudo. Quando escrevo desejar vai brincando umas cinco horas escrevendo e eu preciso desse tempo pra estudar. O que eu posso garantir é que eu estou me esforçando com a fic, mas não posso mesmo garantir quanto tempo ela vai durar.
Sobre a fic lol
Nossa, você é corajosa para acordar tão cedinho! Mas eu concordo que deve ser muito bom! *-* Nunca fiz isso (sou do tipo que é difícil de sair da cama), mas eu adoro ver o por do sol. O lugar onde eu moro não tem muitas coisas bonitas para se ver, mas o por do sol daqui é muito lindo. (apesar de eu discordar), aqui também é frequente aparecer aquelas noites com 'lua de lobisomen', sabe? Quando a lua tá enorme no céu, brilhando amarelada, cheia de nuvens cinzentas e esbranquiçadas, com o céu azul noturno salpicado de pontos brilhantes. Eu tenho medo dessas noites, mas muita gente acha lindo '-'b
Sim, ele é BEM grandão na fic. Na minha cabeça e nessa fic ele equivale aqueles caras bombadões de academia, embora o Kisame da fic não faça academia. Acho que fica um paradoxo legal com o Itachi que é todo oposto a ele, com as feições suaves e o jeito plácido, enquanto o Kisame é intenso e com aspecto selvagem.
Ahuahuahuahauhauhauhaua Olha, sei de nada não do Madara hahauahuaha Mentira, eu sei. Madara está interessado no Itachi, agora de que jeito eu não vou dizer hauhauhauhauahuahaa E sim: Sugetsu tá facim facim pro Sasuke, mas o Sasuke não tá muito a fim ahuahauhauhauaha
Hauahuahuahuahuahuaha Desculpa por te lembrar de traumas infantis! Agora você me fez lembrar do meu, minha mãe costumava apontar o dedo em riste para mim, bico nos lábios fininhos e uma fúria gélida no olhar, com a promessa de surra de espada de São Jorge (é uma planta) assim que eu chegasse em casa e dizia: "engole o choro!". Hoje penso como é que um ser que mal sai da casa do 1:50 pode ser tão assustador quando quer...
Não exatamente... Bem que eu queria que o Sasuke não fosse tão babaca as vezes... -.-'
Você acertou um Chute! O Shisui começou narrando o cap 8! Você não estava tão errada afinal! Das hipóteses de personagens que existia, você acertou na mosca! Palmas pra você porque merece! Lol
Hauhauahuahuahuahuahauhauah Eu tive que pular um pouco a parte do shisui vendo o Itachi e o Sasuke dormindo, mas ele viu sim S2
E sim: Madara aparece no capítulo divando pra cacete porque ele é o Supremo S2
Brigado pelo review, é muito importante pra mim receber o apoio de vocês leitores, porque aí todas as vezes que eu tou com preguiça ou quando não aguento mais olhar pra cara do Word (isso acontece MUITO), eu lembro das palavras carinhosas de vocês e continuo a escrever S2
Obrigada!
Kitsune Lyra
Hi! Eu tou mortinha da Silva, são cino da manhã e eu tou desde as duas tentando dar conta de postar e responder review, e ainda nem arrumei a mala D: tou fodida porque amanhã terei de fazer o inferno pra ver uma aula D:
Enfim S2
Shisui mamãe irritando o Itachi é vida! Confesso que tou morrendo de saudade de escrever eles assim de novo, mas é necessário ._.
Hauahuahuahuahauha sim! Também acho que o Kisame esteja certo e que o Itachi está sendo uma porta!
Huahauhauhauhauaha Sim sim O Madara é vilão de classe, de catiguria! Esse lindo S2 E não falo nada... Minha boca é um túmulo! (e não é por mau hálito D:)
Hauahuahuahuhuahuaha
Isso me tranqüiliza muito Kit, de verdade. Porque eu não tenho a menor ideia de quando esse monstrinho vai acabar e isso assusta um pouco. :/
Cê sabe quem vai betar a naruita né? xD ahuahuahauahuahuaha Te prepares!
Brigada pelo review! E Não me mata por não ter revisado a cena e nem escrito a outra cena! Eu vou tentar rabiscar essa bostinha na viagem D:
Guest
Olá, fico contente que tenha deixado um review, mas não considero nenhuma das críticas que você me deu como produtivas e vou justificar o porquê.
1) Itasasu.
Sim, eu não gosto do Itasasu, mas não considero que isso se reflita em desejar porque não é a intenção falar do par itasasu e sim que na nossa sociedade a maior parte das pessoas repudia o incesto. Fandom a parte, muita gente pensa que incesto é "pecado" ou "nojento" e o Itachi da fic é feito aos moldes das pessoas normais. Não é uma crítica ao par, mas sim uma concepção de realidade que eu abordei. Você por um acaso já se imaginou na situação do Itachi da fic? Ter um irmão que do nada se envolve em drogas, clamando que está apaixonado por você? O irmão que você cuidou, trocou fraldas, contou estórias pra dormir disse que está apaixonado por você. Isso é algo delicado e muita gente sente nojo disso. Então, não é uma direta ao itasasu e sim a como alguém reagiria nessa situação. Veja que ele sente nojo do incesto, não do Sasuke. Ele sente nojo da ideia do Sasuke desejando ele lascivamente, não do irmão. Itachi quer o bem do Sasuke, mas não quer uma relação de casal com ele, o que é perfeitamente possível.
Isso é o que o Itachi pensa, haverá outros personagens na fic que terão pensamentos diferentes do Itachi nesse aspecto, mas isso só ocorrerá nos capítulos vindouros, com as mudanças de povs.
Outra coisa: eu estou tentando criar uma relação familiar entre os dois. Itachi está primeiramente tentando clarear os pensamentos do Sasuke para tentar resgatar o lado fraterno dos dois, se infelizmente você interpretou como anti-itasasu então é uma pena. O amor que o Itachi sente pelo Sasuke é real e é muito forte, mas não está vinculado a um desejo carnal.
Antes de tudo, até mesmo do par romântico, eu estou tomando o cuidado para que essa fic seja sobre "família". Não sei se estou fazendo um bom trabalho, mas eu estou me esforçando para isso.
2 - Itachi
Em nenhum momento o Itachi disse que amava o Minato. Ele tinha uma paixonite pelo Minato e há uma grande diferença entre "ilusão/Paixão" e "amor", o próprio Itachi sabe a diferença disso. Ele tem dificuldades em se relacionar amorosamente com alguém, só conseguindo ter algum vislumbre de atração física quando estabelece um vínculo de confiança com alguém.
Minato era o médico que estava lhe ajudando, o médico que Itachi confiou para receber ajuda, em uma situação onde ele tinha sido descartado. Foi o que originou a atração do Itachi pelo Minato: o cuidado que o Minato teve com o Itachi após aquele baque que é descobrir estar cego. Não é amor, é apenas algo platônico e o próprio Itachi sabe disso. Só que ele tem tantos problemas que não pode perder muito tempo pensando em coisas tolas quanto isso quando tem coisas mais urgentes a resolver.
Ah, caso não saiba, isso é uma orientação sexual chamada "demisexualidade", dê uma olhada sobre isso, se acaso você ficar interessado.
3 - Enrolação.
Sim, são três capítulos no mesmo dia porque não sei se já aconteceu na sua vida, mas eu acredito que isso acontece na vida de todos: às vezes nós temos um dia tão cheio de coisas que é difícil dizer o que é mais importante, enquanto uma semana ou mesmo alguns meses podem passar sem que nada interessante ou novo ocorra. E o Itachi está tendo um dia decisivo onde muitas coisas ocorrem e todas são importantes para o desenrolar da fanfic.
Mas se você não está gostando de como eu narro ou como as situações se desenvolvem lentamente, eu recomendo você parar de ler a fanfic porque esse é o meu estilo de narrar. Pode até soar prepotente, mas eu penso que cada autor tem um estilo para narrar suas tramas e elaborar seus plots, o meu é mais lento e gradual, com longas explanações e diálogos. É como eu gosto do meu text que eu procuro para ler também.
Pode te parecer surpreendente, mas existem autores antiquados como eu que gostam de perder tempo em coisas aparentemente supérfluas, mas que para o autor são importantes.
Eu gosto de narrar as coisas com tranquilidade e meus textos são naturalmente longos, muitas pessoas acham cansativo, daí se elas se cansam, tudo bem. Veja que até mesmo a minha resposta é longa hauahuahauhauhaa Tenho o defeito de ser prolixa na escrita e compreendo que muita gente não curte isso, daí elas podem procurar textos melhores que os meus (porque eu sei que tem um monte de gente melhor que eu por aí) e mais no estilo delas.
Vejo que o meu estilo não lhe agrada, já que lhe decepcionou, então você está livre para procurar outra coisa: você não é obrigado a ler algo que não te faz feliz. Só porque sua amiga disse que a fic é boazinha não significa que você vai gostar, porque cada um tem um gosto muito próprio. Se minha fic não te faz feliz, pare de ler.
Agradeço ao elogio quanto ao português e espero que encontre uma fic que lhe agrade ^^ Ah sua review não me deixou triste, meu único medo é ter soado prepotente ou mal educada XP
Nota de fim de capítulo que é importante
(tanto quanto as dores nas costas da autora -.-')
Então, durante dias eu fiquei pensando no que colocar aqui e mesmo agora não tenho certeza do que por. Mas, tipo, eu penso que autores e leitores precisam estar sintonizados, daí tento ser o mais franca o possível e sempre me manter acessível aos leitores, daí como eu tou vendo certa demanda disso, vou esclarecer algumas coisas:
a) Um capítulo mensal.
Desejar tem 352 páginas de Word. Isso quer dizer que enquanto vocês estão lendo a primeira parte do capítulo oito, eu estou terminando o capítulo dez. Parece poucos caps, mas vocês só leram até a página 184. Isso não significa que eu vou poder postar mais de uma vez ao mês, pois essas cenas são grandes e o processo de criação delas é demorado. Daí para ter regularidade de atualizações é melhor pra mim e pra vocês que eu continue do mesmo modo, se não ia ter capítulos só quando eu conseguisse terminar tudo e isso demora meses. Mas vou ser sincera: a fic está bem longe do fim, dúvidas serão respondidas nas reviews ^^. OBS: já tem um lemon escrito.
b) Eu estar sendo preconceituosa.
Os personagens são baseados no que se chama "realidade do homem médio", isso significa que eu estou tentando humanizar os personagens de acordo com o os conceitos e a moral do que a maior parte sociedade dita como certo, mesmo que algumas coisas sejam preconceituosas ou hipócritas. Isso existe e está por todo o canto, só estou reproduzindo no texto.
Vocês podem discordar disso ou achar que eu esteja fazendo um trabalho ruim, mas eu estou me esforçando para dar certo o encaixe personagens + ambientação + plot.
c) A partir do capítulo 8 e seguintes algumas situações são puramente fictícias.
Eu já esclareci antes e torno a repetir: o texto é fictício e algumas das circunstâncias apresentadas são propositalmente mais intensas, pois precisei delas para dar consistência ao plot que elaborei. NÃO tenho a intenção de ofender ninguém ou distorcer o pensamento de vocês, ao contrário.
O intuito geral é apresentar pensamentos e situações que algumas pessoas eventualmente enfrentam, assim incentivando vocês a pensarem por si próprios sobre o assunto, buscando a informação que mais se adequar ao pensamento de vocês.
Eu faço o trabalho de pesquisa básico para não escrever qualquer merda, mas nem toda a informação na internet é 100% válida e uma parte eu tenho que adequar ao que o plot da trama pede.
d) Data de postagem da fic.
Eu vou padronizar a postagem para o dia 9 de cada mês. Fica melhor para vocês se programarem e para mim. Se o dia 9 cair no sábado, a postagem fica para o dia oito (sexta), mas se o dia nove for cair no domingo, a postagem será no dia 10, segunda feira. Por quê? Porque o nyah fanfiction recebe uma enxurrada de fic sasusaku, o sistema pode cair e ainda tem o lance da atualização sumir no site. Daí é melhor postar em dia de semana nessa droga. ¬¬'
e) Os povs do próximo cap!
A próxima parte do capítulo oito terá dois povs. Dicas: 1) Ambos os personagens já foram mencionados na fic; 2) Um é homem; 3) e outro mulher. Quem acertar os dois ganha o direito de fazer uma pergunta da trama, que eu vou responder com sim ou não :~ Quem acertar só um ganha dedicação lá em riba!
e) Fic Naruita
Muita gente se manifestou favoravelmente a fic naruita yay Eu fiquei até empolgada com ela de novo! Eu vou estudar bonitinho o plot, adiantar alguns caps que aí se eu conseguir, ela será o presente de natal de vocês, tá? (Ela é um pouquinho longa, não chega nem perto de desejar em tamanho, mas é tão densa quanto). O nome provisório é "sua voz".
