1920 – Japão
Finalmente, eu havia chego ao Japão. Meu país de origem, de onde eu nunca deveria ter saído um dia. Me peguei perguntando se ir aos Estados Unidos fora parte do meu destino, caso contrário, eu estaria morto naquele momento. Ao lado do túmulo dos meus pais.
Tudo havia mudado. As ruas, as pessoas, até mesmo o costume e a tradição estavam alterados. O que eu esperava, afinal? Que o Japão parasse no tempo? O país provou que não. E eu era mais um indigente naquele lugar, uma pessoa sem nome, sem identidade, e a única coisa que comprovava minha existência, era meu atestado de óbito, numa lista esquecida que ditava os pacientes de um hospital da época.
Meus pais não tiveram outros filhos, eu mal sabia quem eram meus parentes e tudo que um dia foi meu, mesmo a pequena casa em que vivi os últimos dias no país, agora dava lugar a uma casa mais modesta, bem maior e espaçosa do que a antiga.
Concluí o meu objetivo, e logo em seguida, me perguntei por que estar ali. Fugir de Nicholas era o motivo principal, mas todas as cordas que me ligavam ao Japão haviam se rompido. E eu estava sozinho, de novo. Mas daquela vez foi diferente... Percebi o quanto mudei. Se anos atrás eu sentaria num canto afastado e choraria, dessa vez eu estava irado. Com raiva do mundo. Com raiva da minha doença. Com raiva dele.
Aquele sentimento me dominou e não só ele como a vontade de me tornar mais forte. Uma vez havia lido que é possível tornar-se forte e anexar os poderes de outros vampiros ao tomar seu sangue. Mais eu não estava contente em apenas me alimentar com o sangue vampírico. Eu queria provar a mim mesmo, e a todos, que era forte e com isso, iniciei uma verdadeira caça.
O que começou com algumas mortes, se estendeu para uma chacina. Todos os vampiros eram meus inimigos e eu era um, em um milhão. Mas nem aquilo me desanimava. Se tornou uma necessidade, um ato compulsivo, desejar o sangue daqueles seres que eu mais odiava e o que eu havia me tornado. Passei a aceitar trabalhos, que me renderam verdadeiras fortunas, e eu não soube a hora de parar.
Havia apenas um único problema. Toda vez que me alimentava de um outro ser da noite, ficava bêbado. Nunca entendi porque eu tinha esse efeito, já que aquela era uma prática comum até mesmo entre os clãs. Os clãs...! Eu almejava alcançar um deles. E apenas um era especifico na minha mente. O que eu soube, feito por estudos atrás, que já havia enfrentado Nicholas e este saíra bastante machucado.
Era alguma coisa. Uma fonte a mais de poder, e me infiltrei no meio deles, me mostrando um dos melhores. Tive a admiração do chefe e o consentimento dos anciões. Mas eu queria o que estava além deles. Escrituras sobre Nicholas, tão antigas e precisas, que algumas faziam parte até mesmo do acervo pessoal do vampiro que um dia foi seu mestre.
A minha forma de obter poder continuou a mesma, me alimentando dos membros daquele clã, até um dia ser descoberto. O desespero me atingiu, e eu soube que ali, provavelmente iria morrer. Sem chance alguma de evitar. A única que tive foi fugir novamente, mas não sem antes roubar o que desejava. Nesse mesmo dia, o ancião me viu com as escrituras na mão. Por algum motivo, ele não me impediu. E eu voltei a fugir, me escondendo até o momento em que estivesse preparado para enfrentar Nicholas.
