Título: Wicked Game
Autora: Senhorita Mizuki
Categoria: Slash
Gênero: Romance
Classificação: Lemon
Personagens: Harry Potter e Draco Malfoy
Avisos: Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe.
Agradecimentos especiais a: sis Mudoh Belial, que permitiu ser alugada duas semanas por esta criatura que vos fala. Merece um altarzinho das betas! XD
Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.
Wicked Game
Por Senhorita Kaho Mizuki
Capítulo 17
Draco seguia encapuzado um grupo vestido da mesma maneira, sentindo-se ao mesmo tempo um fracassado e um bastardo – mais uma vez – e a sensação era tão terrível quanto daquela outra vez. Esgueiraram-se pelas sombras, perto das docas onde repousavam barcos que levavam até a pequena ilha ao norte. Lembrou-se amargamente do tempo em que, junto com Crabble e Goyle, fazia o mesmo, esperando o momento de atacar trouxas em seus bairros tranqüilos.
Quis que um buraco abrisse e o engolisse quando ouviu Richard, – que o chamou no meio do jantar com sua mãe – dizer que os Comensais de Lestrange haviam movido de seu esconderijo nas Ilhas Hébridas e se encontravam perto de Londres. O que significava que Shacklebolt havia mandado seu grupo de aurores montar seu cerco nas montanhas da ilha tarde demais. E que sua mansão encontrava-se a mercê, sem dele presença e a de Snape.
O plano que estava sendo aguardado por meses – e Draco com custo tentava saber aconteceria, devia tomar parte dele, como um puro sangue defensor da causa dos Comensais. O loiro se viu na berlinda, pronto a recusar vestir sua capa e se esgueirar pelas terras britânicas como sombra do falecido lorde. Mas pela primeira vez em eras, Richard o colocou contra a parede, contando o plano.
- Azkaban...? – sua voz falhou e teve de se sentar.
Por meses Richard havia travado contato e subornado guardas da prisão bruxa. Com a última guerra, o Ministério havia decidido diminuir muito o número de dementadores para guardar os prisioneiros – achavam que muitos deveriam ter aprendido da primeira vez em que eles se juntaram ao Lorde das Trevas. Não se arriscariam mais uma vez.
Ao invés das criaturas sugadoras, o posto foi substituído por guardas – estes não muito preparados como os aurores, o que na opinião de Shacklebolt era um tremendo erro. Pessoas corruptíveis existiam em qualquer lugar, Draco bem sabia.
Lestrange pretendia soltar mais Comensais para aumentar sua limitada tropa. O passo seguinte era pura vingança, caçar bruxos que mais uma vez se livraram das suas sentenças negando sua associação a eles e entregando milhares deles.
- Sabe que comando Lestrange deu a todos nós, Malfoy? – esperou até que o loiro o olhasse receoso – "Massacre todos os traidores que encontrarem lá, sem piedade". Sabe o que isso significa?
Colocou a mão sobre a boca, reprimindo um gemido estrangulado, Draco sabia. Seu pai seria um homem morto se qualquer um daqueles Comensais encontrasse a cela dele. Não fazia idéia do tempo que levaria para os aurores chegarem quando o alarme de invasão fosse dado, mas poderia ser tarde demais até que acontecesse.
- Mas... – sua voz voltou a falhar – E quanto ao plano que nós...
- Não se preocupe, nós teremos Potter. Você nos dará ele, se seu plano de seduzi-lo deu certo. – disse sarcástico.
E colocou a sua frente um pergaminho e uma pena simples, ditando a carta que queria que escrevesse. Draco escreveu obedientemente, com o cenho franzido. Quando terminou e teve o pergaminho arrancado da sua mão, apenas rezou para que Harry não fosse estúpido o bastante de acreditar nela, ou ao menos de não ir sem alertar Kingsley, achando que era realmente um maldito de um encontro amoroso.
Nas horas seguintes era conduzido até onde Lestrange e outros Comensais estavam a postos, com Richard em seus calcanhares para que não perdesse um passo seu. O marido de sua falecida tia sorriu malicioso ao ver Draco, parecendo bastante satisfeito em ter o herdeiro dos Malfoy em suas mãos. Com o canto dos olhos jurou ver o apático Nott fazer o mesmo.
Os Comensais se dividiram em grupos, seguindo por diferentes caminhos. Malfoy e seu grupo aguardavam, até que Richard conseguiu fazer contato com o guarda que cuidava das docas. Como Hogwarts, ao redor da ilha havia um escudo que impedia aparatar dentro do seu território – o único acesso eram os barcos. Draco reconheceu as embarcações, sabendo muito bem como era remar dentro delas, balançando em meio à névoa que circundava a ilha.
Deviam ir deitados nos barcos, poucos a cada vez, até que o guarda trouxesse todos para outra margem. A névoa tornava a visibilidade praticamente nula, sabiam que os guardas não os enxergariam. Isso também denotava a presença de dementadores na ilha. Draco engoliu em seco. Sua experiência com essas criaturas fora das piores quando estiveram envolvidos em um dos ataques dos Comensais. Aproximando-se lenta e silenciosamente de barco, Draco começava a sentir a presença deles.
Cerrou os olhos com força e tentou esvaziar sua mente, para que não enlouquecesse – era inútil, ela estava cheia de pensamentos sobre seu pai jazendo em alguma cela da prisão. Cada hora que passava sua aflição crescia.
Descendo à margem, aguardou. O silêncio na prisão era perturbador, como o que vinha antes de uma tempestade. O guarda os conduziu por uma estreita entrada e Draco estranhou aquela calma ficando entre aflição e alívio ao pensar que poderia ser uma armadilha, e que lá em cima o que encontrariam seria uma barricada de aurores atirando feitiços para todos os lados.
Entretanto ao alcançarem uma ala da prisão o que encontraram foram os guardas adormecidos, enquanto um os aguardava com a varinha em punho. Draco segurou a sua dentro do robe, mas relaxou, vendo que o homem sorria e indicava atrás dele as celas abertas. O loiro deu um passo para trás, reconhecendo alguns presos que saíam de suas celas.
Dois homens do seu grupo se adiantaram até eles, distribuindo varinhas para os prisioneiros. Viu dentes amarelados sorrindo maliciosos e estremeceu. Tudo que sobrara naqueles homens fora maldade. Draco agradeceu ao fato de Greyback ter sido morto em uma batalha de lobisomens por aquele Lupin.
Logo mais presos eram soltos a medida em que avançavam pelas alas que pareciam ser de assassinos perigosos. Draco seguia olhando para as celas, procurando. Surpreendeu-se ao encontrar mais guardas adormecidos, enfeitiçados provavelmente por culpa de relaxarem em seus postos. Não demorou muito para que visse um dos Comensais atacar o preso de uma cela específica. Correu até lá, vendo uma luz verde atingir o homem, que caiu como um boneco ao chão.
Draco cobriu a boca com a mão, vendo o rosto sem vida. Não era alguém que conhecia, mas ainda assim gelou – haviam começado o massacre. O homem olhou lascivamente para ele, quando passou para continuar pelo corredor. Depois disso, o alarme pareceu ter sido finalmente dado e guardas empunhando suas varinhas apareceram. O número de assassinos armados, contudo, já superava o deles.
Isso dificultava as coisas para Draco, que se viu obrigado a contra-atacar, aproveitando a confusão de Comensais e guardas nas alas para prosseguir. Ouviu Richard chamá-lo, mas ignorou-o sem olhar para trás. Atacava com azarações simples, como a de tropeço e de corpo preso, defendendo-se com o escudo. A guerra o havia feito mais ágil do que quando saíra de Hogwarts em seu sexto ano, sob as asas de Snape.
Blasfemou mentalmente. Porque diabos ele nunca quis saber onde seu pai estava preso?, pensava, enquanto desviava dos combatentes e prosseguia, checando cada cela fechada. Soltou todo o ar preso nos seus pulmões quando avistou através da janelinha de uma cela olhos cinzentos como os seus.
Lucius, que viera até a porta quando ouviu o som de batalha, arregalou os olhos quando encontrou seu filho. Draco mandou que se afastasse e explodiu a tranca. Entrou e estacou, franzindo o cenho para uma gargantilha de ferro no pescoço de seu pai.
- Mas o que... – disse, erguendo a mão para tocar.
- Uma pequena punição para os que se rebelam aqui. – tocou o objeto – Impede que manifestemos nossos poderes. Brincam que assim viramos trouxas. – informou-o com escárnio – Novidade do Ministério de Scrimegour.
- Não tenho tempo para descobrir como abre. – murmurou nervoso – Temos de sair daqui agora!
- Sair? – riu, balançando a cabeça para o filho – Me solte disso e me dê uma varinha, nos juntemos a eles. Mostrarei a esses guardas quem é Lucius Malfoy! – rosnou com um sorriso insano no rosto.
- Não teria tanta certeza quanto a nos juntarmos a eles. Lestrange é o líder. – viu o pai ficar mais branco do que já era – E não está muito contente com nossa família.
Outra explosão mais alta estourou próxima a eles e, percebendo que não poderiam se demorar mais, Draco acenou para que o pai o seguisse. A maldita prisão era um labirinto de corredores como Hogwarts, e sentiu-se irritado por ter de chegar até ali sem um plano. Lucius estava abatido como o esperado e tentava retirar com as mãos nuas a gargantilha apertada.
Alcançando um corredor vazio, Draco os levou para trás de uma parede, esperando e pensando em como sair dali. Enquanto espiava o corredor, Lucius falava com ele, parecendo-lhe mais um homem em delírio.
- Quando sairmos daqui, – começou sorridente – Levarei você e sua mãe para a Índia, lá não poderão nos encontrar. – murmurava frenético – Era o que deveria ter feito desde o começo. Porque eu não fiz... Por que...
Draco desviou seu olhar do corredor, ouvindo seu pai lamentar. A visão de seu pai abatido, prestes a desabar, se lamentando e deixando de lutar contra as lágrimas era uma imagem que nunca vira em sua vida. Mesmo nos momentos mais difíceis, quando sua mãe desabava em lágrimas e ele sentia-se triste, seu pai se mantinha firme – a máscara fria e aristocrática em seu rosto, recriminando o jovem Draco por demonstrar-se tão fraco.
Ergueu a mão e hesitou, pensando se devia ou não tocá-lo, ainda o medo juvenil de ser repreendido por ser sentimental. Estava prestes a ceder e tocar os mal cuidados fios prateados do pai, quando ouviu mais explosões. No instante em que espiou o corredor, uma mão grande agarrou seus cabelos, puxando-o pra cima. Draco ganiu de dor, enquanto Lucius continuava sentado ao chão, o rosto escondido, parecendo não perceber.
O homem puxou o capuz e mostrou os dentes amarelados em um sorriso sádico. Era Macnair, bastante satisfeito por encontrar dois Malfoys de uma vez só. Lucius ergueu o rosto, recuando-o prontamente ao se ver na mira da varinha do Comensal.
Empurrou os dois por uma passagem, as lutas pareciam estar controladas. Draco franziu o cenho, estranhando que os aurores ainda não houvessem aparecido. Suas mãos estavam atadas por um feitiço, assim como as de seu pai, seguindo para o saguão da construção. Os Comensais se postavam em volta, deixando o centro aberto. Quando Lucius reconheceu Lestrange, tentou se soltar, fazendo o bruxo rir debochado.
- Ótimo. – o homem gargalhou – Na falta de um, temos dois Malfoys!
- Seu bastardo... – grunhiu Lucius.
- Igualmente, Lucius. Não se preocupe, Malfoy. – disse se dirigindo a Draco – Não os matarei porque cumpriu o que disse.
O rapaz entendeu no instante seguinte, quando trouxeram Potter igualmente de mãos atadas, com uma gargantilha igual à de seu pai no pescoço. Debatia-se e soltava palavrões, muito nervoso. Parou quando encontrou os olhos de Draco, que suspirou.
Enganara-se. Potter era o tipo de idiota que acreditaria naquela carta.
Capítulo 18
E Harry havia partido direto para o local com Ron, descobrindo ser perto de uma lanchonete trouxa. Imaginou que conversariam novamente tomando café e aquilo o acalmou um pouco. Do seu lado Ron resmungava, achando um absurdo estarem encontrando Malfoy. Poucos minutos depois de chegaram ao local, vira ao longe o loiro, que acenou com a cabeça para ambos. Harry sentiu uma fisgada estranha, ele não cumprimentaria Ron, mas sim faria algo como uma carranca ou revirar os olhos para cima.
Mas assim que esse pensamento lhe veio à mente, ouviu um baque e viu o corpo de Ron ir ao chão. Sacou sua varinha, mas não rápido o suficiente para atacar – e então viu tudo ficar preto. Quando acordou estava em um barco com mais dois homens encapuzados, remando em meio à névoa. Remexeu-se inutilmente, tendo sua boca cerrada com alguma azaração e sentindo algo lhe apertar o pescoço.
Ao longe ouviu som de pessoas batalhando, gritando, e luzes vermelhas e verdes riscarem a névoa. Logo desembarcaram e dois homens muito grandes o puxaram para a margem. Debateu-se novamente, mas então não era páreo fisicamente para eles.
Por todo o caminho, xingou Malfoy mentalmente. Não entendia porque confiara nele, quando passara um ano todo o seguindo desconfiado e estivera certo com relação ao seu mau caráter. Que fora posta em dúvida no incidente do banheiro e na Torre, verdade, mas um Malfoy era sempre um Malfoy. Mesmo que este tivesse mãos que o excitassem.
Percebeu tardiamente estar em Azkaban, vendo bruxos lutarem em todos os cantos, parecendo um festival de fogos de artifício. Debateu-se mais, levando coices dos homens, até que chegaram a um saguão grande. Lá um deles desfez o feitiço que cerrava sua boca e encheu seus pulmões para gritar. Mas parou de imediato quando seus olhos, percorrendo a roda de homens vestidos de trajes de prisioneiros e capas negras, encontraram duas figuras parecidas, de cabelos loiro-prateados.
Sentiu uma onda de raiva subir-lhe a garganta, querendo arrebentar a cara de Malfoy. Mas então franziu o cenho, vendo ele e Lucius Malfoy cativos, de mão atadas. O ex-sonserino olhava para ele com decepção. Foi então que percebeu Lestrange, olhando-o como se fosse um cão encarando um enorme pedaço de carne suculenta. E voltou-se para os Malfoys.
- E como foi entregue com satisfação, irei poupá-los. – disse Lestrange.
Harry viu dois Comensais agarrarem os dois Malfoys, e o mais jovem pareceu entrar em pânico, enquanto o outro parecia abatido demais para uma reação mais forte.
- Não irei matá-los, mas isso não quer dizer que não farei nada. – e com um movimento de cabeça mandou que os levasse.
Com o canto dos olhos, avistou Richard vestido com a capa negra, olhando consternado Malfoy ser levado arrastado. Mas não se moveu nem falou, talvez temendo um destino pior. Harry tentou novamente se soltar, e chamou a atenção de Lestrange, que se virou para ele.
- Agora, o nosso acerto de contas. – disse com uma expressão sombria.
Mandou que soltassem Harry, o que fizeram, empurrando-o para o centro do saguão. Olhou para os homens ao redor, gargalhando e o olhando, sádicos. Aquela situação lhe era familiar, com a diferença de nesta que havia um número bem maior de Comensais. Mas não deixou que isso o intimidasse, acostumado por anos que estava em enfrentar coisas piores. Lestrange mandou que lhe dessem uma varinha. Harry segurou-a firme entre os dedos, estreitando os olhos e ficou em guarda.
- Vingança, Lestrange? É isso que quer? – rosnou.
- Antes de sairmos daqui, quero levar sua cabeça empalada como nosso estandarte, seu moleque! – disse entredentes.
Prontos para o duelo, os dois andaram ao redor do espaço que tinham, sem tirar os olhos um do outro. Sem perder tempo, Harry apontou a varinha para atirar o feitiço de Impedimenta. Mas nada aconteceu, e mal teve tempo de se questionar porque, quando o homem tranquilamente lançou um Crucio.
Harry se contorceu, sentindo a dor percorrer-lhe o corpo, caindo ao chão, gritando de agonia. Havia tanto tempo desde que recebera uma imperdoável como aquela, mal podia lembrar de como a dor era dilacerante. Com esforço apoiou a mão no chão, pondo-se de joelhos. Sentiu uma ânsia de vômito e começou a suar. Respirando com dificuldades, olhou furioso para Lestrange, que o olhava de cima, debochado.
Segurou a varinha com firmeza novamente, pondo-se de pé com esforço, limpando a boca com as costas das mãos. Mais uma vez, ele proferiu o feitiço a plenos pulmões, e ainda assim nada aconteceu. Olhou para a varinha, o maldito lhe havia dado um pedaço de pau medíocre. Encarou Lestrange quando esse riu sonoramente.
- Deve estar se perguntando por que não consegue lançar feitiços, não? – apontou para seu pescoço – Esse colar é a novidade do Ministério. Como vê, ele inibe nossos poderes, transformando-nos em meros trouxas. Que ironia, não?
- Covarde. – trincou os dentes, tocando o colar – Nem ao menos quer me enfrentar de igual para igual? – deu um sorriso de escárnio – Está com medo de que eu acabe com você como fiz com Voldemort? – viu com prazer muitos se remexerem ao ouvir o nome, mesmo o dono dele não existindo mais.
- Eu fui criado como um sonserino, não um cabeça dura feito os grifinórios. E não seja tão convencido, moleque. Quanto a sua vitória, é sabido que só conseguiu destruindo as horcruxes do lorde, enfraquecendo-o pouco a pouco. Quando nem ao menos Dumbledore conseguiu, porque um garoto conseguiria?
- O garoto aqui aconteceu de estar em uma profecia. – replicou.
- Oh, mesmo? E existe alguma profecia sobre isso?
Lançou seguidos Crucios em Harry que caiu de joelhos e agüentou, lutando contra a ânsia e a tontura. Riu baixinho, passando a mão pelo cabelo úmido.
- Quer saber como eu matei Bellatrix, Lestrange? – disse baixinho, mas o suficiente para que ele ouvisse – Quer os detalhes? Eles estão frescos na minha memória.
- Maldito. – murmurou entredentes, chutando o ombro de Harry.
Ele gemeu de dor, mas continuou firme. Não havia mentido, porque Bellatrix fora a primeira pessoa que matara e o prazer que sentira ao vingar Sirius o assombrava até aqueles dias. Lembrava que a encontrara abrigada na mansão dos Malfoy, escondida pela irmã. Bellatrix estava ensandecida, clamando que entregaria sua cabeça a Voldemort. Balbuciava coisas como o fato de tê-la rejeitado e ter posto Snape em seu lugar.
A mãe de Malfoy implorava para que ela parasse, sendo segura por Kingsley, enquanto Harry colocava-se em meio a ilustre mansão, enfrentando-a. Fora bastante difícil lutar com ela – a mulher ria e o atacava sem parar, destruindo paredes e coisas. Harry sabia que usar as azarações que ele mesmo ensinara aos colegas da AD não adiantaria daquela vez. Ela lutaria até morrer.
- A maldita mulher gritava feito uma louca. O que ela realmente era... – deu um sorriso de canto.
- Cale a boca, mestiço imundo!
O furioso Lestrange ergueu Harry pelo pescoço, empurrando-o até uma parede, batendo a cabeça dele. Harry cerrou os olhos ligeiramente, mas segurou o pulso do homem. Ele tremia de raiva, apertando o pescoço acima da gargantilha.
- Eu a cortei duas, três, quatro vezes. – continuou Harry, sufocando – A maldita só parou quando parti sua garganta. – rosnou.
Bellatrix caíra ajoelhada, engasgando com o próprio sangue, enquanto a irmã gritava horrorizada e escondia o rosto no peito de Kingsley. Os olhos da mulher reviraram para trás antes de cair, banhada de sangue. Ele usara o Sectusempra pela segunda vez então, mas ao invés da culpa, olhara o corpo a sua frente com imensa satisfação.
- Ela mereceu o que teve. – disse por fim.
Sentiu-o apertar mais sua garganta e levou dois socos no estômago, fazendo-o cuspir sangue. Receberia mais golpes, se não fosse pela agitação dos Comensais. Lestrange virou-se e se distraiu um momento para ver o que acontecia. Harry conseguiu afastar a mão em seu pescoço e jogou seu corpo contra o tórax dele, fazendo-o cair no chão junto. Montou em cima de Lestrange segurando a frente da sua capa e socou-lhe o rosto algumas vezes antes de ouvir a voz de Kingsley chamando-o.
Harry respirou, aliviado, vendo além dele mais aurores invadirem o saguão e perseguirem os Comensais, lutando. Olhou para Lestrange que tocava o nariz quebrado, soltando sua capa e erguendo-o.
- Está orgulhoso de uma mulher que morreu por devoção insana a um louco feito Voldemort? – silvou, recebendo um olhar perigoso do Comensal.
Mas então antes que o homem pudesse se levantar e atacar, dois aurores o seguraram e o estuporaram. Em algum tempo a situação foi controlada – com alguma dificuldade dada a quantidade de Comensais. Kingsley soltou o colar em seu pescoço e entregou-lhe sua varinha, e Harry ajudou a azarar alguns Comensais.
Ao fim, encontrou Ron também empunhando sua varinha, acompanhado de uma irritada Hermione, que o olhava envergonhado por ter sido pego fácil. Harry deu um sorriso igualmente embaraçado para os dois. Kingsley se aproximou, parecendo bastante insatisfeito.
- Vocês dois realmente fizeram tudo errado! – elevou seu vozeirão – Não pode mesmo superar suas diferenças com Malfoy e trabalhar direito?
- Oh droga, Malfoy! – Harry bateu na testa.
- O que quer dizer com isso? – Kingsley franziu o cenho, não entendendo.
Para onde haviam levado Malfoy e seu pai?
Continua...
Fevereiro/2007
