Título:Privilégios Da Paixão
Classificação: T
Shipper: Sasuke/Sakura
Gêneros: Romance/Drama
Disclamer: Os personagens do anime/mangá Naruto pertencem a Masashi Kishimoto e nenhum lucro será obtido com esta fanfiction.
Sinopse: Amor, carinho, amigos. Encontrar sua família, deparar-se com o homem perfeito, era tudo o que Sakura mais desejava possuir. Ela daria tudo de si, para sentir aquela sensação mesmo que por um segundo. Para ter uma casa e chama-la de sua.
Os anos tinham a machucado muito, mais do que era possível entender. E mesmo assim, quando Tsunade a levou para sua casa, acendeu em seu olhar a chama de todas aquelas esperanças.
Ela só não sabia, que existia alguém que necessitava dela para que sua vida tivesse significado. Alguém que precisa dela para conhecer os verdadeiros privilégios da paixão.
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Capítulo IX
Recuperação
" Mesmo que tentasse, eu sabia que nunca iria esquecer aquilo. E novamente, aqueles sentimentos que eu tanto demorei para esquecer antigamente, voltavam para me atormentar! "
Os profundos olhos negros observavam a face adormecida da garota que carregava em seus braços. Ela encolhia-se contra seu peitoral, buscando desesperadamente pelo calor de seu corpo. Mas Sasuke sabia que não poderia dar o calor que ela necessitava.
Mesmo que ele o quisesse fazer, sua pele estava tão gélida quanto á da rosada, e por mais que não quisesse admitir, o Uchiha também tentava buscar calor desesperadamente em sua pele pálida. Rejeitando a ajuda de um dos seguranças de sua casa, o moreno abriu a porta principal com um pouco de dificuldade, adentrando a sala rapidamente.
Seus olhos negros encontraram Tsunade sentada no sofá, com um copo de água cristalino em mãos. As lagrimas marcavam de vermelho suas bochechas, e estas apenas aumentarão quando seus olhos encontraram a garota que carregava. Sasuke não sabia como iria dizer aquilo para a loira!
– Sakura! – Ela exclamou, correndo de encontro á garota adormecida. Naquele momento tantas coisas passavam por sua cabeça. Afinal, o que poderia ter acontecido? Porque ela estava ali encolhida de uma forma tão frágil? – Sakura... – Suas lagrimas caiam sobre a bochecha da rosada, que devagar, abriu seus olhos jades. Mas porque estavam tão opacos?
– Tsunade... Me desculpe... – Sua voz estava baixa e quebradiça, embargada pelo medo e pela vergonha que ainda a atormentavam. Tsunade negou entre lágrimas, deixando um baixo soluço escapar por entre seus lábios.
– Não precisa se preocupar com desculpas, primeiro você precisa de cuidados. – Com delicadeza a mulher lhe acariciou a bochecha pálida. Ela sabia que a rosada tinha feito algo errado, mas naquele momento, apenas se preocupava com sua saúde. Depois conversaria melhor, e lhe mostraria que iria lhe apoiar em qualquer que fosse sua decisão. Mostraria que não era necessário fugir e se esconder, porque ela estava ali para abraçar-lhe nos momentos mais difíceis. – Vamos, Sasuke. Leve-a para o quarto...
OoO
Estava deitada em sua cama, esperando pacientemente que Aime terminasse os curativos. Os momentos que passara nas garras daquele monstro ainda estavam muito vividas em suas lembranças. Ela queria esquecer! Desejava mais que tudo esquecer! Mas então, porque não conseguia?
– Estou tão feliz por ter voltado! – A morena falava, passando a pomada branca sobre o hematoma azulado que estava marcado no pulso da rosada. Apenas as duas amigas estavam naquele quarto, já que Sasuke tivera chamado Tsunade e Naruto para uma conversa misteriosa.
Conversa essa que Sakura sabia muito bem sobre o que era! Assunto esse que ela desejava mais que tudo esquecer.
– Tive tanto medo que não voltasse mais... – Aime falava, deixando as finas lágrimas descerem pelas suas bochechas brancas. Então, naquele momento, Sakura descobriu que era importante para alguém. Perguntava-se mentalmente se Aime tinha chorado muito, ou se tinha sentido sua falta. – Não sabe como me senti culpada... – Ela sussurrava, agora, limpando a ferida que estava marcada no joelho de Sakura.
– Aime... – A rosada a chamou em um sussurro sofrido, deixando que novamente as lágrimas descessem pela sua face. Tocou sua bochecha, lembrando-se do tapa violento que tivera recebido no local. Pelas mãos dele. – Se eu não tivesse fugido... Aquele homem não teria... – A voz embargou, travado pelo medo de completar a frase. Medo de sentir toda aquela angustia novamente. Medo de reviver aquilo que ela nunca esqueceria.
Mas necessitava tanto de carinho. Queria tanto um abraço amigável! Aime tinha se tornado a sua base, e em tudo Sakura tentava apoiar-se nela. Ela era sua amiga e sua conselheira, e naquele momento, Sakura precisava da mesma como nunca precisou antes.
– Ele me tocou, Aime! Ele passou suas mãos nojentas em mim! E eu me sinto tão suja, tão imunda! – Gritava em plenos pulmões, abraçando o próprio corpo com as mãos tremulas. Sua respiração estava ofegante, enquanto as lagrimas traçavam um caminho torto por suas bochechas. Podia sentir o gosto salgado da agua que lhe banhavam os lábios. Tudo aquilo voltava novamente. Não só ó triste episodio daquela noite, como também o de outros momentos de seu passado.
Afinal, sua vida sempre foi daquela forma. Sendo rebaixada e humilhada, sofrendo dia e noite nas ruas desertas. Porque, por mais que várias pessoas passassem por ela, todas pareciam estar invisíveis aso seus olhos, assim como ela era invisível aos olhos daquelas pessoas.
Não lembrava-se de sua mãe, e muito menos do abraço caloroso que ela deveria lhe oferecer. Era triste ver várias crianças passeando pelas ruas, segurando a mão de seus pais, enquanto sorriam e sentiam-se protegidas debaixo de seus braços. Ela não tinha aquilo! Nunca teve, e se um dia tivera sido abraçado por alguém, simplesmente não se lembrava.
Naquele momento, tudo aquilo pesou e doeu mais do que ela um dia pode imaginar. Toda aquela magoa despencou sobre sua cabeça, ao sentir novamente aquela sensação que tanto lutou para esquecer. Estava sentindo-se suja e imprestável, usada e humilhada. Sabia que sentia a necessidade de um carinho, mas no fundo tinha a mais plena certeza de que nada mudaria.
Foi quando sentiu os braços finos de Aime a apertarem fortemente, enquanto lhe sussurrava que iria ficar tudo bem. As lagrimas lavavam seu rosto, pingando uma por uma sobre as costas da empregada, que estavam cobertas pelo uniforme que usava diariamente.
Sakura estava em desespero, tentava agarrar-se ao máximo a Aime, na esperança de que tudo aquilo passasse. Mas não passava! E ela miseravelmente aceitou que nunca iria passar. Aquela dor sempre iria acompanha-la, e a magoa por não conhecer seus pais sempre iria atormentá-la.
– Calma, vai ficar tudo bem! Você vai ver, apenas esqueça tudo isso! – E em silencio, a morena também chorava, imaginando o desespero que a amiga deveria ter passado nas mãos deste homem. Ela sabia, no momento em que Sasuke entrou por aquela porta carregando-a nos braços, que algo mais que serio tinha acontecido, além é claro, do moreno carregar um leve hematoma arroxeado no canto dos lábios.
Sentia-se culpada por tudo o que estava acontecendo, e nada nem ninguém poderia mudar aquele sentimento que estava em seu peito.
– Porque minha vida tinha que ser assim? – A voz sonolenta questionou em um murmuro baixo. Tão devagar que poderia parar a qualquer momento. - Porque... – A cabeça acomodou-se melhor sobre o ombro fino da morena, rendendo-se ao sono profundo que a invadia. Ela dormiu ali, abraçada com uma das únicas pessoas que pareciam realmente a amar.
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Tsunade estava aos prantos, chorava tanto que aquilo estava começando a preocupar o moreno. Talvez tivesse sido melhor não ter lhe contar a verdade!
– Como esse monstro teve tal coragem?! Ela é tão inocente, tão nova... Oh Deus, porque isso foi acontecer justo com ela?! Já não basta o tanto que sofreu durante todos esses anos?! – Sasuke massageava as costas largas da loira, implorando para que ela pelo menos tentasse se acalmar.
Naruto estava abraçado a Hinata, indignado com o que acabara de ouvir. Se Sasuke não tivesse chegado, algo muito pior iria acontecer, e tudo apenas seria mais complicado para a garota esquecer. Em pensar na confusão que simples e maldosas palavras causaram.
Os olhos negros de Sasuke observaram a ruiva que estava distante, encostada na parede com os braços cruzados. Apenas o olhando, reprovando seus atos em silencio. Ele sabia que a mulher novamente iria brigar, mas naquele momento ele nunca se sentiu tão confiante de que tinha feito á coisa certa.
Karin tentou disfarçar ao máximo o seu incomodo, mas era impossível. Algo dentro de si remexia-se em puro desagrado, desejando com todas suas forças que aquela garota desaparecesse. E novamente, ela estava sendo egoísta! Odiava-se por sempre pensar em si primeiro e não tentar pelo menos imaginar o tanto que a garota estava sofrendo.
E durante alguns minutos, ela deixou que uma fina lagrima descesse em consideração a Sakura! Deixou que uma aguda dor atingisse seu coração e se comovesse diante da realidade assustadora que a garota estava enfrentando.
Mas só durante alguns minutos! Pois logo a raiva lhe subia pela garganta, por perceber que novamente ela roubava alguém importante de si. Karin deixou que a magoa e o ódio para com a garota de cabelos rosados inundasse seu coração. E mais uma vez, ela estava sendo simplesmente egoísta.
– Você acha que ela irá superar isso?! Quero dizer... é algo tão terrível para uma mulher, tenho minhas duvidas quanto a seu estado emocional daqui em diante. – Hinata falava, ainda acolhida entre os braços de seu marido. Tsunade secou os últimos vestígios de lagrimas com as costas das mãos, suspirando profundamente.
– Ela precisa de minha ajuda, agora, mais do que nunca. Possa ser que ela fique assustada e que demore um pouco para que se recupere, mas eu estarei lá ao seu lado, segurando sua mão para ampará-la. Vou mostrar a Sakura que ela pode contar com minha ajuda para o que precisar! – Naruto exibiu um pequeno sorriso diante das palavras de Tsunade. Como sempre, ela se esforçava para ajudar as pessoas que mais amava.
Ela tinha o acolhido. Preencheu o vazio horrível que sua mãe deixara ao partir, e o salvou de um poço fundo de dor e sofrimento, onde ninguém o abraçaria ou o beijaria. E ali, depois de tantos anos, ele assistia a mulher que fez tudo por si ajudar outra pessoa, novamente!
Talvez ela nunca conseguisse parar de ser tão bondosa e generosa com os outros! Nunca...
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Sasuke fechou a porta de seu quarto devagar, e calmamente caminhou até a cama, onde se sentou e começou a tirar os sapatos. Karin apenas o observava, de pé no meio do grande cômodo.
Porque ele não falava nada? Porque não lhe pedia desculpas?
A raiva lhe subia pela garganta junto as lagrimas que a tanto tentava parar. Sua expressão era a menos agradável possível, enquanto que suas mãos estavam fechadas fortemente em punho. Maldita seja aquela garota! Pensou.
Se seu noivado já não estava indo bem antes de sua chegada, agora provavelmente iria desmoronar. A ruiva não iria permitir que aquela garota toma-se algo de si novamente. Não outra vez!
– Não vai se explicar?! – Perguntou rancorosa, olhando duramente para o homem que ao menos a observou. Porque ele tinha que ser tão insensível? – Eu odiei chegar em casa e não te encontrar. – Sasuke rosnou em desagrado, levantando-se e desabotoando a camisa branca que ainda estava encharcada pela agua da chuva. Sua pele estava gelada, o canto de seus lábios doía e sua cabeça latejava. Sasuke não tinha tempo algum para ouvir as reclamações de sua noiva! O melhor que fazia era se aquecer e fazer aquela estranha sensação de formigamento sumir de sua pele.
– Estou cansado, Karin! Por favor, deixe-me descansar... – E sem mais palavras, ele adentrou o banheiro e fechou a porta. A ruiva apenas pode ouvir o baque oco da porta ecoar pelos seus ouvidos.
Sasuke tinha a ignorado outra vez...
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Era madrugada, e Tsunade não conseguia dormir. Remexia-se de um lado para o outro sobre a cama, e não encontrava uma posição confortável. Ou seria aquela estranha sensação de perigo?
Por mais que quisesse descansar e abaixar sua guarda, ela sentia um calafrio em imaginar que Sakura estava no quarto ao lado. Desprotegida, a mercê de qualquer maníaco que tentasse novamente violá-la. Sem aguentar mais aquela sensação, a mulher levantou-se, vestindo um fino roupão por cima do vestido vermelho que usava como camisola.
Seus pés desprotegidos tocaram o chão frio ao cruzar o tapete, e cruzando os braços para se aquecer, ela continuo seu caminho. Seu corpo estava pesado, assim como sua cabeça e suas pálpebras, que queriam fechar-se e deixar os olhos mel avermelhados descansar.
Mas a loira não conseguia! Não enquanto não visse sua Sakura dormindo tranquilamente. Não enquanto não constatasse que ela não estava passando por nenhum momento agonizante. Quando chegou perto da porta branca do quarto da garota, ouviu múrmuros chorosos.
Tsunade abriu a porta, preocupada com o que poderia estar acontecendo, e quando seus olhos encontraram a extensa cama, pode vê-la remexendo-se de um lado para o outro, em pânico enquanto o suor e as lagrimas deixavam seu rosto reluzente.
– Oh! Minha querida! – Exclamou um pouco baixo, percebendo que a garota estava tendo um horrível pesadelo. Provavelmente pelo que tinha acontecido naquele dia!
Tsunade tomou as dores de Sakura! Desde que tinha recebido aquela noticia, ela não parava de imaginar que poderia ter impendido que a rosada passasse por aquele momento! Não parava de pensar no quanto ela sofria. No quanto ela estava desesperada!
Porque a vida tinha que ser dessa forma?!
Com delicadeza, a loira passou suas macias mãos pelo rosto assustado, que ainda mantinha seus olhos vendados, com sua imaginação presa em imagens assustadoras. Limpava o suor com as pontas pálidas dos dedos compridos, enquanto deixava que as lagrimas banhassem o seu próprio rosto.
Afinal, quando foi que Sakura se tornou tão importante para ela? Quando a socorreu naquele acidente, estava apenas com pena da garota, Sakura estava sozinha e desolada. Não tinha ninguém com quem contar. Era normal que alguém se comovesse e tentasse a ajudar.
E Tsunade a ajudou. A trouxe para sua casa e deu de tudo para a rosada. Lhe apresentou sua família, e a deu carinho e proteção. Ela a ofereceu bens matérias e sentimentos puros. O que, para Sakura, ser amada era mais do que importante. E sem perceber, a garota dos cabelos rosados ocupou um imenso lugar no grande coração de Tsunade. Como em um passe de magica, ela se tornou importante em sua vida.
Se tornou uma filha!
E aquilo parecia valer para Sakura também. Devagar, sentindo o toque materno e quente de Tsunade, aquelas imagens foram se dissipando em sua mente, dando lugar a uma face tranquila. A loira sorriu minimamente, satisfeita por tê-la ajudado. Pegando a barra do lençol, ela começou a limpas ás minúsculos gotas de suor que banhavam a face da garota, tentando controlas suas próprias lagrimas.
Fungou chorosa, apoiando a mão no colchão e impulsionando seu corpo para cima. Tinha a visão total do rosto pálida, e com carinho, a loira depositou um beijo delicado no topo de sua testa. Como uma mãe super protetora que vela pelo sono de seu filho, Tsunade ajeitou as cobertas, e sentou-se ao lado da cama, mesmo o chão estando frio, segurando as mãos pequenas entre as suas.
E sem perceber, ela adormeceu junto a Sakura.
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Tsunade estava preocupada. Cada musculo de seu corpo estava tenso, enquanto repousava sobre o sofá do escritório de Sasuke. Ela estava sozinha, acompanhada apenas pelo silencio. Seus pensamentos estavam a mil por hora, pensando na saúde da garota de cabelos rosados.
Os dias tinham se passado, e nada de Sakura comer. Recusava-se a sair de seu quarto e ficava o dia inteiro deitada na cama, com as cortinas fechadas, impedindo que o sol adentrasse o cômodo. Durante setenta e duas horas, varias bandejas voltavam com todo o almoço e janta para a cozinha, sem ao menos serem tocadas.
Naquela manhã em especial, Tsunade com muito esforço tinha feito-a beber um pouco de suco de laranja com duas torradas, mas o número não passou daquilo. Ela não comeu mais, e com os olhos opacos e trises deitou-se entre as cobertas e fechou os olhos, tentando ignorar a todos que estavam no quarto.
A loira nunca iria esquecer daquelas grandes perolas perdendo seu brilho verde, tornando-se mais opacas e obscuras. Ficavam tão feios naquela tonalidade triste! Pensou.
– Você realmente gosta dessa garota. – Uma voz rouca veio da entrada do escritório. O homem enorme de cabelos brancos estava encostado na porta, observando fixamente a mulher. Tsunade apenas abaixou a cabeça, e pela primeira vez não bufou com raiva de Jiraya.
– Sabe, eu sempre tratei Naruto e Sasuke com todo o meu carinho. Eu os visitava todos os dias no orfanato. Não deixava eles nem um mínimo dia sem um beijo e um "eu te amo". Mesmo quando eles cresceram, nenhum dos dois passaram por uma situação traumatizante, só antes de me conhecerem, quando perderam suas famílias! – Ela suspirou, engolindo toda aquela camada grossa de dor que se alojava em sua garganta. – Porque estou falhando tanto com Sakura? Deixei que ela saísse de casa sozinha com a intenção de nunca mais voltar e quase foi abusada por um traste qualquer que não sabe segurar o que tem dentro das calças. – Quando seu olhar direcionou-se para Jiraya, as lagrimas já lavavam seu rosto. – Porque isso tem que acontecer com ela?! Sakura já sofreu tanto, e ainda sofre mais? Doí tanto vê-la tão triste e não poder fazer nada para aju-
Antes que terminasse a frase que saia de sua boca em total desespero, Tsunade pode sentir as mãos fortes dele á abraçando fortemente, apertando-a com carinho contra seu peitoral. – Nada disso foi sua culpa, Tsunade! Existem coisas que você simplesmente não pode evitar! Não nos é permitido mudar o passado e apagar tudo de ruim que aconteceu com uma borracha magica, mas você pode ajuda-la a superar esse medo! – Ele esboçou um pequeno sorriso de canto. – E que eu me lembre, você é muito boa na hora de consolar.
– Ora, traste! Não venha dar uma de engraçadinho pra cima de mim. – Tsunade ralhou se afastando dele enquanto secava as lagrimas que manchavam seu belo rosto. Jiraya continuou a observá-la com um fraco sorriso. Ele sempre fora tão pervertido para com a mulher de grandes seios, que na hora que tentava ser serio, qualquer frase sua, e ela entendia em um outro sentido.
– Não estou falando desse tipo de consolo. – Ele murmurou, olhando-a de uma forma terna e carinhosa. – Você é boa na hora de acolher alguém, tem um coração muito bom. Só estou dizendo que, da mesma forma das varias outras vezes, você vai encontrar uma forma de confortar Sakura!
Tsunade riu levemente, com os olhos fixos no chão do cômodo, carregados de nostalgia e cheios de bons sentimentos. Ela o olhou carinhosamente, com os olhos mel brilhando em determinação. Jiraya sempre foi daquela forma, poderia ser um pervertido de carteirinha, mas quando queria confortá-la, ele sabia agir como o bom companheiro que sempre fora.
Era engraçado o fato de terem se separado, indo cada um para um lado da vida, e mesmo assim continuarem unidos, cada qual carregando um sentimento puro e grande dentro do peito. Em segredo, ele a observava, e em segredo, ela o amava.
Tsunade realmente nunca esqueceria daquele homem que fora tão importante em sua vida. O homem que a levantava quando tudo parecia desmoronar sobre sua cabeça. Era realmente abençoada por ter pessoas tão boas ao seu lado.
– Obrigada, Jiraya!
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Os fracos raios de sol iluminavam as belas flores daquele lindo jardim. Era uma manhã maravilhosa, e enquanto andava pelos corredores da grande casa, Tsunade pensava na sua mais recente decisão. Graças á ajuda de Jiraya, a mulher resolveu tentar de tudo para fazer com que Sakura melhorasse. Não aguentava vê-la daquela forma, e para mudar aquilo, tinha muitas coisas em mente.
Parou na em frente á porta branca, e bateu três vezes contra a madeira fina. Pode ouvir um entreabafado e sonolento, e abrindo o objeto que a impedia de olhar o quarto, a loira pode dar o primeiro passo. O cômodo estava um pouco escuro, já que as grossas cortinas estavam fechadas. Na grande cama, um ser pequeno estava coberta pelos lençóis, encolhida enquanto tentava dormir novamente.
Sakura ao menos tentou olhar para Tsunade...
Sabia que a mulher iria querer que ela passeasse e saísse um pouco do quarto, mas Sakura jurou que nunca colocaria seus pés do lado de fora novamente. Tinha medo das pessoas, e mais que tudo vergonha. Depois do momento tão angustiante pelo qual passou, ela já não mais desejava ver a luz do sol novamente.
Nunca mais...
– Sakura, minha querida, porque não sai um pouco?! O sol está tão lindo está manhã... – Sussurrou docemente, sentada na cama ao lado da garota que a observava meio sem emoção. Com seus olhos opacos e estáticos, sem piscar uma única vez.
– Obrigada, Tsunade... mas não quero sair hoje! – Sua voz saiu tão baixa, tão morta, que aquilo fez os olhos da loira encherem-se de lagrimas novamente.
– Então... – Ela fungou, limpando disfarçadamente a fina lagrima que lhe escorria pela bochecha. – Então... pelo menos se levante da cama, vamos passear pela casa, comer na cozinha com todos os ou-
– Também não quero, Tsunade... você poderia me deixar dormir?! – Sakura a interrompeu, remexendo-se por debaixo dos cobertores. Os olhos verdes iam se fechar novamente, prontos para deixar bem claro para a mulher de longos cabelos loiros que não queria sair de seu quarto. Que queria agonizar ali, debaixo de sua própria dor e vergonha. Mas uma voz incrivelmente doce e tímida chegou aos seus ouvidos.
– Acho que isso não é uma opção, dormir justamente no dia que tenho um presente para você?! – Na porta do quarto, Hinata a observava com um doce sorriso nos lábios, com a plena confiança de que sua mais nova noticia iria fazer o animo da rosada se renovar.
