Capítulo 9 – Nunca é Tarde Demais

- Quanto tempo você precisa? – indagou Kagome.

- Acho que só vai levar algumas horas. Eu mandei os Shinigamis [N/A: Carregadores de Alma] embora antes de me encontrar com você.

- Certo! O que eu tenho que fazer agora?

- Volte para o vilarejo e aguarde até o pôr-do-sol, depois retorne a Goshinboku.

- Tudo bem!

- E kagome...

- Sim?!

- Obrigada.

A colegial sorriu meigamente e logo seu rosto ficou aflito.

- Tem certeza do que está fazendo? É isso mesmo o que quer?

- Na verdade, não sei exatamente o que estou fazendo, nem se isso dará certo, mas é o que eu desejo.

- Entendo... até o pôr-do-sol então.

- Tudo bem!

Kagome viu Kikyou se afastando e antes que a silhueta da miko sumisse completamente na névoa ela sussurrou:

- Boa sorte!

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- Kagome-sama... está certa disso?

- Eu devo isso à ela Miroku.

- Eu só quero que você seja feliz Kagome-chan.

- Eu também, Sango-chan... eu também...

Kaede entrou na cabana vagarosamente e anunciou:

- O sol está começando a se pôr. Kagome! Está na hora.

- Certo!

- Boa sorte! – disseram todos em uníssono.

- Obrigada.

Ela sorriu e saiu apressada da cabana com os nervos à flor da pele. O momento crítico que ela tanto aguardava estava se aproximando rapidamente e a colegial só desejava que tudo desse certo no final.

- Kagome?! – Kouga a chamou já fora da cabana e da vista dos outros.

- Kouga-kun?! O que faz aqui?

- Eu precisava ter certeza que você estava bem. Só o pensamento de vê-la morta me angustia.

- Estou bem Kouga-kun. Obrigada por se preocupar assim comigo.

- Eu te amo!

- Me desculpe, mas...

- Você ama aquele Inukkoro irritante, eu sei. Só quero que saiba que é por conta desse amor que eu a deixarei em paz, minha flor. Comigo, com aquele hanyou ou com quem for, eu só quero que você seja feliz.

Kagome ficou sem palavras diante das palavras do youkai. Naraku também não tinha sido capaz de manipular Kouga, talvez por este ter alguns fragmentos ou sabe-se lá o porquê. Isso agora não importava. O que importava era que ele sempre foi o mesmo. Tanto na vida real ou numa ilusão, ele continuou sendo o Kouga.

O doce e compreensível youkai lobo.

- Você está indo atrás dele, não é mesmo?!

- Sim... – ela respondeu cabisbaixa.

Doía ter que magoar os sentimentos de Kouga, mas ela tinha que fazê-lo. Só ela sabia as dores que uma vida ilusionária poderia causar.

- Hum... entendo. Eu agora vou seguir meu próprio caminho.

- Espero que encontre alguém que te faça feliz.

- Se essa pessoa for metade do que você é, com certeza serei feliz.

- Obrigada e boa sorte Kouga-kun.

Kagome se aproximou e abraçou o youkai; um abraço quente e repleto de carinho. Em seguida começou a caminhar.

Kouga a agarrou pelo pulso, fazendo-a parar imediatamente.

- Kagome... talvez não nos encontraremos mais. Por isso só queria pedir uma única coisa; uma lembrança sua.

Ele se aproximou devagar e os olhos do youkai confessavam seu desejo. Kagome se deixou guiar e em poucos segundos os lábios de Kouga estavam macios e quentes nos dela.

O beijo foi calmo, uma mistura de tristeza e alívio. Aquela era uma despedida. O sabor do adeus.

- Obrigado – sussurrou o youkai abrindo os olhos. – Vou sentir sua falta.

- E eu a tua Kouga-kun. Até um dia.

- Adeus Kagome!

Ele se envolveu em seu redemoinho de vento e em poucos segundos desapareceu no horizonte. Ela também se foi, afinal tinha algo a fazer.

Kagome caminhava lenta e trêmula pela densa floresta. Seu destino? A majestosa Goshinboku. O final seria onde tudo começou.

O sol estava sendo engolido pelo horizonte e a noite começava a desabrochar. Aquele era o momento; um esperado e complicado momento que influenciaria na vida de muitos.

Caminhos seriam traçados pra uns, destinos seriam entregues à outros. A guerra não estaria terminada, mas uma batalha seria vencida se tudo corresse bem.

Kagome logo avistou a Goshinboku e a clareira que contemplava a grande árvore. Pôde ver e sentir a barreira de Kikyou. Deu um passo adiante e sentiu-se detida pela kekkai.

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- Como vou atravessar uma kekkai sua? – perguntou Kagome. – E qual o motivo dela?

- Não quero que ninguém interrompa. E ela irá camuflar seu cheiro. – respondeu Kikyou, sempre calma. – E você poderá atravessá-la.

- Como?

- Kagome... nós temos a mesma alma, os mesmo poderes. Você só precisa sentir... sentir a energia que carrega dentro de si. A minha energia.

- E como eu faço isso?

- Sinta a vida Kagome. Apenas sinta!

::::::::::::::: Flash Back [Off] :::::::::::::::

- Sinta Kagome! – sussurrou as palavras para si mesma. – Vamos lá... eu sei que consigo!

A colegial abriu os braços, fechou os olhos e buscou dentro de si a energia que Kikyou mencionara. Tentou novamente avançar sobre a barreira, porém foi logo impedida.

- O que eu preciso fazer Kikyou? Me ajude!

Uma voz conhecida ecoou em sua mente.

Sinta a vida Kagome.

- A vida... sentir a vida. O que isso quer dizer?

Foi então que Kagome ouviu ao longe o canto dos pássaros, viu os vaga-lumes que traziam luz à densa floresta, o coaxar dos sapos, o barulho das folhas que dançavam com o vento, o perfume inebriante das flores e então descobriu.

- É isso! Só pode ser isso! Kikyou era uma sacerdotisa... ela queria o bem de tudo, de todos. Ela contemplava e protegia a vida. Era esse seu propósito... o motivo de seus poderes.

Kagome, novamente abriu os braços e deixou que a vida tomasse conta do seu ser. Assim que o som nadou por seus ouvidos, o cheiro foi filtrado por seus pulmões, as cores apreciadas por seus olhos, ela pôde sentir a energia lhe invadindo; algo novo e prazeroso que desabrochava dentro de si. E mais uma vez tentou seguir a diante.

A barreira estava quase sendo rompida; faltava apenas mais uma coisa.

A colegial pensou o que poderia estar faltando, a chave-mestra para a abertura da barreira. De repente ela lembrou-se do seu amor por Inuyasha e a energia pareceu explodir dentro peito. Kagome arriscou novamente a entrada e conseguiu, finalemnte, conseguiu.

- Arigato Kikyou – ela sussurrou e mesmo que Kikyou não estivesse ali, Kagome sabia que podia ser ouvida.

Rapidamente ela se escondeu atrás de uma árvore que dava vista à clareira e sentiu os músculos se contraindo ao ver ele.

Seu amado hanyou. Seu Inuyasha.

Agora ela tinha que ficar quieta e esperar... tinha feito uma promessa para Kikyou e a cumpriria.

- Kikyou?! O que você tem? – perguntou Inuyasha ao ver a miko fraca diante de si.

- Eu preciso falar com você Inu... Yasha. – ela pronunciou o nome com dificuldade e em seguida caiu ajoelhada no chão.

- KIKYOU! – gritou o hanyou desesperado. Inuyasha aconchegou a miko em seu braços e uma máscara de dor e desespero ficou clara em sua face. – Eu já perdi a Kagome. Por favor, não quero perder você!

Kagome ficou com ciúmes no momento, mas logo esqueceu o sentimento. Inuyasha pensava que ela o odiava e não poderia culpá-lo por sentir que a perdeu.

- Quieto! Deixe-me falar. – Kikyou parecia estar definhando rapidamente. – Não tenho muito tempo.

- Não tem muito tempo? Deixe de best...

- Ouça, Inuyasha! E-Eu queria te p-pedir perdão!

- Pelo quê? Fique quieta e tudo ficará bem. Eu vou te levar à Kaede e ela vai...

- Eu estou fe-feliz, Inuyasha. A primeira vez meu coração estava consumido pelo ódio, mas agora... eu estou feliz!

- Kikyou?!

O hanyou se surpreendeu com a afirmação.

- Eu te amo... sempre te a-amei. Perdão por ter t-tentado te.. te matar.

- Kikyou, não fale mais. Eu preciso te levar...

- Não! Eu já estou no lugar onde deveria estar. Diante dos pés da Goshinboku eu te imploro por perdão. Diga que me perdoa, Inu... Yasha.

- Eu perdôo. Eu perdôo Kikyou. Mas, por favor, não morra! – disse o hanyou banhado por lágrimas. – Fica comigo Kikyou.

- Eu já completei meu papel aqui, Inuyasha. – ela levantou levemente a cabeça e tocou seus lábios com os dele.

O beijo teve o sabor da despedida e do perdão. A história dos dois finalmente havia se esclarecido; não haveria ressentimentos, não haveria mais ódio, não haveria mais nada além da saudade e das lembranças do que eles viveram um dia.

Kagome observava tudo atentamente e então veio o beijo. Ela quis virar-se, mas não o fez, apesar de não querer que aquilo ocorresse.

Aquele seria o último beijo, o último olhar, o fim de tudo. Ela então lembrou-se do pedido de Kikyou.

::::::::::::::: Flash Back [On] :::::::::::::::

- O que você quer pedir, Kikyou?

- Um último beijo Kagome. Apenas um único e último beijo.

Kagome hesitou com o pedido inesperado, mas cedeu. Não seria egoísta depois de tudo que Kikyou ia fazer por ela.

- Tudo bem.

- Arigato, Kagome-chan!

- Huh? Kagome... chan? Você nunca havia me chamado assim.

Kikyou sorriu.

- Cuide bem do Inuyasha por mim.

- Hai!

::::::::::::::: Flash Back [Off] :::::::::::::::

Kikyou separou seus lábios dos de Inuyasha e sorriu.

- Arigato... por tudo Inuyasha! Cuide da Kagome e não a faça sofrer mais. Tenho certeza que ninguém nunca amou um humano, youkai, hanyou como ela ama você! Adeus!

O corpo de Kikyou começou a se transformar em diversas bolhas brilhantes que flutuavam no ar. Elas voaram até onde Kagome estava escondida e pode-se ouvir a voz da miko.

- Seja feliz, Kagome-chan. Quando precisar de mim, procure-me dentro de ti e saberá que poderá me encontrar. Adeus!

Kagome começou a flutuar no ar e as bolhas entraram como um meteoro em seu corpo. Quando voltou ao chão, sorriu e levou a mão ao peito. sua alma estava completa de novo.

- Arigato, Kikyou-chan!

Kagome olhou para frente e se deparou com a imagem paralisada de Inuyasha que observava tudo incrédulo.

- Olá Inuyasha.

- K-Kagome?! Você acordou...

Kagome olhou para baixo.

- InuYasha eu...

Antes que pudesse terminar, o hanyou se encontrava a centímetros dela.

[Música On – Flavor Of Life / Utada Hikaru]

- Perdão Kagome. Por qualquer coisa que eu tenha lhe feito. Perdão por não ter conseguido protegê-la. Perdão por fazê-la sofrer. Perdão por...

- Inuyasha... – ela sussurrou, interrompendo-o.

- Espere Kagome... eu ainda não disse à você o que é realmente importante.

- Algo importante?

- Arigato! Você sempre, sempre acreditou em mim. Sempre foi atenciosa comigo. Eu estou realmente agradecido!

- Inuyasha, você sempre foi egoísta, egocêntrico, mas mesmo agora, no futuro e ainda mais no futuro... você será o único que eu amarei.

Quando te escuto dizer "obrigado"
Meu coração dói por alguma razão

Inuyasha a olhava incrédulo. Os orbes âmbares brilhavam devido a lágrimas que se aglomeraram e que ele lutava para que não saíssem.

- Eu sei que você está feliz! – disse Kagome, sorrindo.

- De jeito nenhum. – ele disse de modo convencido e sorriu em seguida.

- Seu mentiroso! Você me ama!

Ele suspirou.

- Sim eu amo! Sua intrometida, imã pra perigo, meu anjo da guarda. Eu me apaixonei...

Sempre que eu desejei, acreditei em você

Ele foi bruscamente interrompido por um abraço inesperado.

- Kagome?!

Inuyasha a envolveu em seus braços e ficaram ali por segundos que pareciam uma eternidade.

Quero abraçá-lo
Ainda com o tempo limitado, quero estar contigo

Kagome começou a chorar no ombro de Inuyasha, enquanto ele sorria; feliz. Depois de tanta dor e sofrimento, eles estavam finalmente juntos.

Então ele a beijou com todo o amor que estava sufocado em seu coração. A alegria de sentir os lábios daquela jovem garota era indescritível. Incompreensível. Inabalável.

Existem momentos em nossas vidas onde o ontem reflete o hoje e o hoje reflete o amanhã. Momentos onde nem mesmo as palavras que feriram podem curar, restaurar. Onde somente atos podem intervir, pois a verdade vem à tona e a desculpa vem em forma de beijo. O desesperado beijo!

As palavras se perdem no momento em que as almas se encontram e nada mais precisa ser dito. Nesse momento a fusão de vidas ocorre e o amor é selado. Nada mais pode intervir e se surgirem barreiras, elas serão apenas mais um obstáculo que, como todos os outros, será ultrapassado, pois o amor supera tudo, até a morte. Até a eternidade.

Tudo então pareceu desaparecer. Não havia brigas, não havia traições, não havia mentiras, não havia problemas.

Só aquele momento.

O sabor da vida...

- Kagome... está vendo o céu?

Ela olhou para cima e notou a imensidão azul escura, quase negra; estava mais claro do que nunca. Ele parecia estar feliz pelo casal.

- Hai! – ela o encarou com dúvida. – O que é que tem?

- Finalmente estamos debaixo do mesmo céu.

Ela abriu um sorriso satisfeito.

Sim. Eles finalmente estavam debaixo do mesmo céu, porque agora partilhavam o mesmo sentimento.

- Aquela constelação está feliz por nós, Kagome. – ele apontou para um conjunto de estrelas que pareciam formar um rosto sorrindo. – Aquela será a NOSSA constelação!

Kagome sentia que poderia explodir a qualquer momento, tamanha era a sua felicidade. Ela levou seus lábios até os do hanyou, tocando-os com ternura. A língua de Inuyasha invadiu a boca dela, encontrando sua língua. Juntas, elas travaram uma batalha prazerosa, ávidas uma pela outra.

O hanyou acariciou o bochecha da jovem vinda do futuro e separou seus lábios com dificuldade. Agora que estavam juntos queria poder beijá-la até o dia seguinte e no outro. E outro. E outro. Mas havia algo que ele precisava dizer à ela. Algo que deveria ter sido dito há muito tempo.

O sabor da vida...

Inuyasha levou a boca até a orelha de Kagome e sussurrou as palavras com todo o amor e o carinho que seu coração tinha.

- Eu estarei ao seu lado por toda a eternidade. Sempre! Eu estarei lá. Até que as estrelas deixem de brilhar, até os céus explodirem e as palavras não rimarem. E eu sei que quando eu morrer você estará no meu pensamento. E eu te amarei sempre.

O coração de Kagome falhou em uma batida depois das palavras do hanyou.

- Como se sente? Está feliz? – ele perguntou.

- Felicidade é pouco, Inuyasha. O que eu sinto ainda não tem nome. Eu amo você!

E mais uma vez os lábios da humana e do hanyou se fundiram. O que eles não sabiam é que a partir daquele momento não seriam mais a Kagome e o Inuyasha.

Seriam, finalmente, duas almas. Mas um só coração.

[Música Off]

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Esse foi o último capítulo. Espero que tenham gostado e aguardo reviews! Logo, logo eu venho com o epílogo e finalmente a fic terá seu fim.