Capítulo 8 :
De Traquinagens e Descobertas - parte 1
Por mais que já tivesse passado uma semana desde seu sonho, Lily não conseguia deixar de pensar nele. Havia algo reconfortante, quase familiar, naquela clareira, naquelas flores e na voz daquele unicórnio.
Seria aquele o unicórnio que ela havia salvado?
Lily não se lembrava bem do dia em que tudo havia acontecido - o que, por si só, já era estranho. Embora nunca dissesse que sua memória era excepcional, aquele evento não havia sido a tanto tempo atrás assim.
Mas ela se lembrava dos gritos.
O que também não era tão difícil de acreditar. Afinal de contas, Lily nunca mais parou de ouví-los.
Estava chegando, porém, o dia de fazer alguma coisa. Suas notas estavam finalmente entrando nos eixos, ela estava quase em dia com a matéria e sua reputação parecia estar melhorando a olhos vistos. Estava tudo bem.
Estava tudo bem.
Então por que ela sentia como se estivesse a beira de um precipício?
De qualquer modo, esse era o momento de agir.
Agora, como ela deveria agir para descobrir o que estava acontecendo e o que eram aqueles gritos, bem isso era uma outra história.
"Bom dia, irmã querida do meu coração!"
Lily piscou, surpresa ao reconhecer um sorridente James vindo em sua direção.
"Peraí. Hoje é sábado?"
James parou e encarou a irmã com confusão. "Er… não?"
"Então você ganhou alguma coisa da mamãe ou do papai?"
"Não? Por que, você ganhou alguma coisa?"
"Não, mas você está de bom humor…"
Agora, James não era uma pessoa de se permitir ficar de mau humor por muito tempo, bem ao contrário. Ele tendia a ser otimista, sempre sorridente e para cima.
Por um outro lado, tinha James feliz e James feliz demais.
Quando James estava feliz demais, inevitavelmente, alguém logo pagaria por isso.
Ela só podia torcer para esse alguém não ser ela.
"Oras, e eu não posso estar de bom humor por que a primeira coisa que eu vi nesse lindo dia foi minha irmãzinha tão bonitinha e fofa?"
Lily estreitou os olhos. Ok, certo. Algo estranho estava acontecendo. "James, você tá bem? Tá com febre?"
James colocou a mão no peito como se estivesse mortalmente ferido. "Isso magoa, Lily. Magoa muito!" Se aproximou então da menina e sorriu. "Só estou feliz em te ver."
"Ok, James, essa foi um pouco demais. Nem eu to acreditando em você agora!" Louis revirou os olhos e sorriu para a prima. "James quer te pedir um favor."
"Ah, sim, eu já desconfiava." Lily fez um sinal afirmativo com a cabeça, enquanto James olhava feio para o amigo.
"O que tem de errado em eu ficar feliz de ver minha irmã, heim, Louis?"
"Nada de errado, Jamie, só estranho." Fred bagunçou o cabelo de Lily. "Oi Lilyzinha."
"Ei, Fred, fica longe do meu cabelo!" resmungou, dando um passo para longe dele antes de se virar na direção de James. "E você, James, o que quer?"
James fungou, ainda fingindo ofensa. "Sabe, me ofende muito que você não acredite nas minhas intenções. Você sabia que você é minha irmã preferida?"
"James." murmurou a ruiva, sua voz cheia de ceticismo. "Eu sou sua única irmã."
James suspirou e colocou um braço nos ombros de Lily, a afastando de Louis e Fred para sussurrar conspiratoriamente. "Bem, você conhece a Seção Restrita?"
Lily piscou os olhos, curiosa. "Da Biblioteca? É claro."
"Bem, muito bem." O sorriso de James se alargou. "E você conhece a Madame Pince?"
"A bibliotecária. Claro que sim, Jamie." Lily murmurou, claramente impaciente. "O que é?"
"Veja bem," James enfiou as mãos nos bolsos, procurando por algo e soltando uma exclamação de vitória quando o encontrou. "ah, aqui está. Muito bem. Lilyzinha. Eu, sendo o aluno exemplar que sou, estou fazendo um trabalho para poções que exige esse livro aqui. Então é claro que eu, novamente, sendo esse aluno maravilhoso que eu sou, pedi autorização para o professor Slughorn para poder pegar o livro emprestado na Biblioteca."
Lily deu uma olhada no bilhete. "Isso aqui é falso né?"
Mais uma vez, James colocou a mão no peito como se tivesse sido extremamente ofendido. "Claro que não, Lilyzinha - eis o motivo pelo qual eu, um aluno tão exemplar, fiquei tão surpreso quando Madame Pince me expulsou da biblioteca."
Lily ergueu os olhos para encarar os primos. "Sério mesmo?"
Fred deu de ombros. "É completamente falsa."
Enquanto Louis começava a gargalhar, James se virou para Fred. "Cara, dá pra ajudar ou tá difícil?"
"Cara," Fred começou, claramente tentando debochar de James. "Essa é a Lily. Ela não vai nos dedurar."
"Não, eu não vou." Lily estreitou os olhos novamente. "Mas se eu tenho que correr o risco de pegar detenção eu quero pelo menos saber por que você quer esse livro."
James parou de encarar Fred, suspirando e, novamente, se aproximou da irmã. "Não, você não quer saber."
Lily estufou as bochechas. "Quê? Você quer que eu me arrisque por nada?"
"Aw, Lilyzinha, mas era um plano perfeito!" Louis murmurou, se aproximando da prima e afagando os cabelos vermelhos dela. "Ninguém vai desconfiar de uma linda menininha de cabelos cor de fogo."
Lily olhou de James para Louis e revirou os olhos. "Bem, nem tenta. Se eu não posso nem saber o porquê, eu não vou me meter."
Fred e Louis imediatamente olharam para James que, suspirando, parecia pensar em uma alternativa. Então, ele sorriu.
"Muito bem, Lils. Eu não vou te contar porque eu quero o livro mas…" James sorriu, vitória brilhando em seus olhos. "Olha, o papai me deu uma coisa quando eu entrei para Hogwarts. Ele me disse para passar para o Albus esse ano mas, bem, acho que ele não vai ficar bravo se eu der para você."
Os olhos da ruiva brilhavam com curiosidade. "Um presente? O quê?"
James simplesmente meneou a cabeça e sorriu. "Primeiro, me diz se você vai concordar em me ajudar…"
Lily franziu o cenho. É claro, aquilo tudo podia ser uma peça de James; ou então podia ser verdade. Ela não sabia qual dos dois era verdade, mas a curiosidade finalmente venceu.
"Ok." Ela disse lentamente, com um suspiro de derrota.
Se infiltrar na biblioteca não parecia algo tão difícil, afinal de contas. Se algo desse errado, ela podia dizer que estava estudando e havia se perdido.
Hm, embora ninguém provavelmente fosse acreditar nisso. A placa era razoavelmente grande.
James abriu um sorriso gigante, os olhos brilhando com alegria. "Muito bem, maninha. Você fez a escolha certa."
"Você não vai se arrepender, Lilyzinha." Fred, um sorriso igualmente largo no rosto, pegou Lily no colo e começou a rodopiar com ela no meio do Salão comunal, muito para seu desespero.
"Certamente que não!" Riu Louis, assistindo conforme o rosto da ruiva ficava mais e mais vermelho e ela batia nos ombros de Fred, pedindo para que ele a colocasse no chão.
Quando Fred finalmente atendeu seus pedidos, Lily parou, segurando-se no sofá enquanto ela assistia os meninos rindo e dando palmadinhas nos ombros uns dos outros.
Por que raios ela tinha a impressão de que tinha sido passada para trás?
Passada para trás ou não, Lily tinha que admitir que seu irmão honrava sua palavra.
Em suas mãos, agora oficialmente sua, estava uma capa de tecido inimaginavelmente confortável que James jurava ser uma capa de invisibilidade.
Lily havia ouvido falar sobre a capa de invisibilidade, claro que ela havia. Seu tio Ron, em particular, era uma fonte inesgotável de histórias sobre todas as coisas que ele havia feito com ela - sempre junto com o seu pai, é claro.
Ela mal podia acreditar que estava com um tesouro tão precioso da família Potter em suas mãos! Algo que pertencera ao seu pai, e ao seu avô antes dele, e tantos, tantos Potters... Suas mãos tremiam levemente e ela hesitou antes de tocar o tecido suave da capa.
É claro, ela ainda não havia vestido e havia a chance de James estar pregando uma peça nela.
James estar pregando uma peça nela era sempre uma possibilidade, porém. Ela havia crescido com isso e, de certa forma, já estava acostumada.
Mas quando Louis questionou se James havia feito a coisa certo dando a capa para ela, o que ele respondeu, por entre gargalhadas, a convenceu mais do que tudo o que ele poderia ter feito.
"Ah, nós já temos o mapa. Não precisamos da capa também e... bem, vocês sabem que desperdício seria dar essa capa para o Albus."
Lily tinha que concordar que o irmão tinha um gênio mais amável do que James - céus, ela vivia com ele, então tinha que saber - mas ainda assim se sentia mal pegando um presente que deveria ter sido dele.
Mas o fato de que Albus… Bem, ele nunca usaria a capa. Ele era bonzinho demais.
Que ela se sentia culpada, ela se sentia. Mas ainda assim, não conseguiu recusar uma capa de invisibilidade.
Uau, uma capa da invisibilidade.
Ela sempre quisera uma, mas sempre que pedia de presente, os preços eram caros demais.
E agora, por bem ou por mal, James tinha lhe dado uma capa de invisibilidade de verdade, não uma imitação dessas que ela sempre sonhava em ter.
Afagando o tecido macio da capa com quase reverência, Lily teve o cuidado de virar a página do livro, para parecer que ela estava estudando.
A ideia de chegar mais cedo tinha sido dela - afinal de contas, Lily queria diminuir a sua detenção caso fosse pega, e se ela já estivesse na biblioteca, bem… Ela não ia ter invadido, ia?
Ela só ia ter perdido o horário, certo? Isso não era crime. Contanto que ninguém a visse contrabandeando o livro da seção restrita…
Além disso, ela podia aproveitar esse tempo livre para estudar tudo o que ela podia encontrar sobre unicórnios.
Conforme sua pilha ia diminuindo, porém, Lily só conseguia se sentir mais e mais frustrada. Ok, unicórnios eram cavalos brancos. E os chifres deles eram usados para diversos tipos de poções mágicas. Além disso, os pêlos de sua cauda eram utilizados com frequência na fabricação de varinhas.
Mas não existia nenhuma menção sobre o que sonhar com um unicórnio poderia dizer, nem mesmo sobre o que ouvir os gritos dos animais mesmo estando a metros de distâncias
Ela estava na metade quando ouviu alguns alunos comentando sobre estar próximo do horário de fechar, quando ela começou a organizar as coisas e fez menção de ser vista saindo da biblioteca.
Quando teve certeza de que Madame Pince a havia visto sair, Lily imediatamente entrou em uma das fileiras formadas pelas estantes de livro e vestiu a capa.
Com um sorriso, Lily percebeu que não via seus pés. Animada, deu uma voltinha, se admirando na capa.
Lily Luna Potter, estreando a sua própria capa de invisibilidade. Quem diria?
Empolgada com sua pequena aventura, Lily checou para ver se estava coberta por completo e, por fim, saiu de seu esconderijo tentando encontrar o livro pelo qual estava procurando.
A biblioteca depois de fechada era um pouco assustadora e sombria, seus passos ecoando sozinhos na escuridão. Lentamente fez seu caminho de volta até a região onde ficavam as mesas para estudo, encarando a placa da Seção Restrita com quieta curiosidade. Um lampião estava esquecido em uma das mesas e, como Lily não conseguia enxergar nem um palmo na frente do seu nariz, julgou que talvez fosse uma boa ideia levá-lo com ela. Com um murmúrio, Lily falou o feitiço de levitação e assistiu o lampião começar a flutuar poucos centímetros à sua frente. Lentamente, virou o lampião em direção a uma das estantes de livro, e seguiu imediatamente atrás.
N/A: Olá a todos!
Então, parece que Lily finalmente foi em busca de algumas respostas - e de confusão, se vocês me permitem dizer! HAHAHA Mas também, ninguém achou que alguém com o nome de James Sirius fosse ser um bom exemplo, certo?
Agora, adoraria saber o que vocês estão pensando! Que tal uma review? ^^
De qualquer forma, muito obrigada a todos vocês que leram até aqui!
Ice
