Derek se ajeita de barriga para baixo. Steve cobre -o com um lençol, senta na cama, estende as pernas e começa a fazer carinho em suas costas até que ele pegue no sono. Dá um beijo em sua cabeça antes de levantar.
Respira fundo antes de abrir a porta. Lidar com Daniel, como sempre exigia uma enorme dose de paciência.
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Assim que o pai se afasta da porta do banheiro, Daniel volta a respirar, se xinga internamente – Tá feliz agora imbecil?
Toma banho o mais rápido que consegue, tem pouco tempo para deixar tudo em ordem. Se enxuga no box mesmo para não causar nenhum estrago no piso, olha em volta, por sorte não tinha sujado nada, era só limpar o quarto mesmo. Se enrola na toalha e sai do banheiro.
Mal entra no quarto ouve a voz do pai e pelo tom, as coisas não estavam indo bem pro lado do moleque. Não que ele gostasse quando os irmãos apanhavam, mas desta vez não consegue sentir nada além de satisfação.
Veste uma cueca, uma bermuda e uma regata, mal termina de se vestir começa ouvir Derek, tenta ouvir oque ele falava, mas é impossível entender já que pra variar ele estava chorando. Como era mole, antes mesmo de apanhar já chorava... quem aguenta isso? Coloca o fone para não ouvir oque consequentemente viria a seguir, os gritos do pai e mais choradeira.
Olha em volta, precisava arrumar logo o quarto, pensa desanimado. Bom, tinha que pegar a vassoura, para tirar a areia do chão.
Desce correndo as escadas e antes de entrar na cozinha ouve a voz da Mércia, acha que ela esta falando com a mãe, respira fundo, não estava afim e nem tinha tempo para ouvir sermões, porém para chegar a lavanderia tinha que passar pela cozinha, então entra a passos largos com a intenção de não olhar para ninguém, mas se surpreende quando vê o caçula... de papo com a faxineira? Olha pra ele exatamente com esta cara de ponto de interrogação, mas não pára, pega a vassoura e começa seu caminho de volta, agora seguido por Dominic.
- Daniel?
Daniel continua andando - Não posso falar com você agora, Dominic.
- Oque aconteceu? Por que o pai tá assim bravo?
Daniel não responde continua subindo as escadas, Dominic praticamente corre atrás dele, mas antes de entrar no quarto, Daniel tira os fones, fala baixo, mas irritado – Qual parte do "não posso falar com você agora", que você não entendeu? Eu sei que tanto faz pra você, mas se eu não limpar essa porra (aponta pra dentro do quarto) eu vou me ferrar ainda mais! Agora some!
Dominic franze a testa e começa se afastar – Você não vale minha preocupação.
Daniel joga a cabeça pra trás, novamente se xingando internamente. Corre atrás de Dominic, segura ele pela blusa antes dele descer - Espera Domi... desculpa
- Tira a mão de mim!
- OK, OK tirei... por favor não fala alto, se o pai ver que eu tô aqui de papo e não fazendo oque ele mandou, me tira o couro.
Dominic ergue os ombros – Como você disse, pra mim tanto faz.
Daniel coloca a mão no peito como se tivesse levado um tiro, depois sorri – Tá certo... eu mereci essa.
Domi balança a cabeça – Mereceu! Cara... você é um idiota, sabia?
Daniel bagunça o cabelo dele e começa andar na direção do quarto – Sabia, eu sei tudo, esqueceu? Agora é sério, preciso arrumar aquela merda antes do pai ir olhar.
- Eu te ajudo...
Daniel entra no quarto, mas para na porta – Seria ótimo, mas se ele te pega aqui me ajudando...
- Nós dois rodamos... (Apesar de estar morrendo de curiosidade, Dominic recua, Daniel tinha razão, interferir no castigo um do outro nunca tinha dado bons resultados.)
- Se eu sair vivo... e não ficar de castigo... a gente se fala mais tarde.
Dominic abre a boca pra responder quando o barulho das cintadas começar, arregala os olhos, olha pra Daniel. Daniel pega os fones, coloca e aponta com a cabeça para as escadas, Dominic não precisa de outra dica, corre pra baixo.
O tempo passa... e pela vigésima vez, Daniel levanta da cama e anda pelo quarto, olha no relógio, não tinha passado muito tempo desde que Derek tinha parado o escândalo, talvez uns 15 minutos, porém pareciam horas e a espera era uma tortura. Olha novamente pela janela, dá graças a Deus pelas casas não serem muito próximas umas nas outras ou a vizinhança inteira teria ouvido. Claro que não era com a reputação de Derek que ele se importava. Muitos de seus colegas de colégio moravam ali na vizinhança, e se eles soubessem que Derek apanhava... logo concluiriam que ele também, oque com certeza não seria nada bom para sua popularidade.
Lembra da festa a noite, passa a mão no rosto preocupado, provavelmente o pai iria proibir... sente a raiva crescer, mais uma vez, Derek tinha ferrado com ele! Se arrepende por não ter batido muito mais e com muito mais força, afinal ele tendo razão ou não, sempre levava a pior. Ser o mais velho naquela casa significava "culpado", independente de qualquer coisa.
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Steve resolve checar o banheiro antes de ir falar com Daniel e para sua surpresa estava tudo limpo e arrumado.
Dá uma leve batida na porta do quarto, apenas como pro forma e entra. Normalmente não faria isso, mas quando os filhos estão de castigo ou para serem castigados, perdem o direito a privacidade.
Daniel já esta olhando para porta desde que o pai saiu do quarto de Derek e mesmo sabendo que em segundos ele entraria ali, assusta com a batida.
Steve entra e Daniel sente o corpo inteiro reagir, o coração acelera, as mãos suam, o estomago trava. Decididamente não tinha nada que ele temesse mais do que uma surra do pai. Mas mantem a pose, não quer que o pai ache que ele é um fracote chorão.
Steve dá uma olhada por cima, não tem a menor intenção de procurar falhas na limpeza, é seu dia de folga e castigar os filhos por coisas sem tanta importância não é seu foco. Balança a cabeça, demostrando que gostou do resultado – Muito bem, está tudo em ordem.
Nem Daniel sabe porque mas aquela frase o tinha irritado profundamente – Ufa, que sorte a minha, menos uma coisa na lista.
Steve não gosta da impertinência do filho, mas deixa passar – Como você sabe este nunca foi nosso assunto principal. (Sem aviso começa andar na direção dele)
Daniel engole a seco, passa as mãos nas laterais das pernas para enxugar o suor, dá um passo pra trás.
- Pára aí mesmo Daniel! Eu não vou ficar correndo atrás de você!
- Ah tá bom que eu vou ficar parado esperando o senhor me bater
Steve dá um tapão no braço dele – Se eu mandar você ficar parado, você vai ficar parado. Com quem você pensa que está falando? Já é a segunda vez que você banca o esperto, se eu fosse você não tentava a terceira! Estamos entendidos?!
Daniel não tira os olhos do pai, tentando manter a pose, mas a impertinência e o pouco caso de antes sumiram completamente, está com medo. Um sacode e uma frase praticamente vociferada em seu rosto o tiram do transe – EU PERGUNTEI SE ESTAMOS ENTENDIDOS!
- Sim senhor, estamos.
Steve segura seu rosto olha de um lado, de outro, um pouco abaixo do olho esquerdo tem um vermelhão, mas só. Começa a levantar a camiseta de Daniel, ele segura, franze a testa – Oque o senhor vai fazer?
- Tira a mão Daniel, eu chequei seu irmão, vou checar você também.
- O senhor não está achando que... ah, pelo amor... rsrs
Steve cruza os braços – Ahhh você está achando engraçado... Pois eu não estou vendo graça nenhuma!
Daniel olha pra baixo, encarar o pai agora, não seria uma boa, ainda mais porque ele não conseguiria esconder , que sim, ele estava achando graça naquilo tudo.
- Quantas vezes eu já disse que não quero brigas entre vocês?
Daniel de cabeça baixa, vira os olhos. Leva outro tapa forte no braço – Não vire os olhos pra mim!
Daniel passa a mão onde levou o tapa, olha pro pai como se tivesse sido injustiçado, mas não ousa negar.
- Me responda Daniel, quantas?
Daniel ergue os ombros, está incomodado com o pai assim tão próximo – Sei lá... muitas... mas desta vez ele
- Não me interessa o motivo!
Daniel olha pra ele cheio de raiva – Ah não? Então ele pode quebrar minhas coisas e eu tenho que fazer oque? Achar legal? Ele fez de propósito! Agora pergunta oque eu tinha feito pra ele, pergunta. Eu não fiz nada, pai, nada!
- Ele já foi castigado por isso e acredite ou não, ele está arrependido.
- Pois é, eu não acredito. Eu ainda tenho contas a acertar com ele.
- Você não vai fazer nada, entendeu? Nada! Se um dos seus irmãos fizer qualquer coisa, não é você quem tem que corrigi-los. Você fala comigo e eu resolvo.
Ri sarcasticamente- Claro... aí eles choramingam e o senhor deixa passar com uma bronca ou a mãe intercede por eles e nem isso eles levam.
Steve passa a mão no rosto, estava difícil manter a calma – Daniel... se eu achar que uma bronca é o suficiente, vai ser só uma bronca e pronto! Eu não tenho que discutir com você, sabe por que? Porque quem decide as punições nesta casa, sou eu , não você! Coloque uma coisa nesta sua cabeça dura, sempre que você levantar a mão pra um dos seus irmãos, você vai levar uma surra. Simples deste jeito!
Daniel bufa, cruza os braços, olha pro outro lado, Steve segura e vira o rosto dele, enquanto fala em um tom totalmente ameaçador – Quando eu estiver falando, você olha pra mim e presta atenção, você não cruza os braços e muito menos bufa, entendeu?
Daniel não descruza os braços, olha bem nos olhos do pai, estreita os olhos e vira a cabeça, fazendo o pai soltar o rosto dele.
- Se é assim que você quer... depois não chora!
Steve sai do quarto, volta em alguns minutos, Daniel olha pra mão dele e quase surta – Não, isso não... espera pai... Não é justo!
- Infelizmente pra você, quem decide isso, também sou eu! As duas mãos sobre a cama! E não me faça esperar!
- Ele estraga meu dvd e eu apanho de vara?! Mas não mesmo!
- Daniel, se vc não apoiar nesta cama, vai levar uma surra de cinto e depois você ainda vai apanhar de vara. Oque vai ser?
Daniel abraça a cabeça – EU VOU TE MATAR DEREK!
- CHEGA! TUDO TEM LIMITE!
Steve tira o cinto em segundos, pega Daniel pelo cotovelo e desce o cinto com toda força, dá 10 cintadas, vira-o – Está pronto para obedecer agora?
Daniel não responde, estreita os olhos, Steve se enfurece ainda mais, levanta o cinto e dá mais 10. Daniel se torce inteiro – Tá bom, tá bom... eu vou obedecer, pára, pára!
No mesmo segundo é liberado. Steve joga o cinto sobre a cama, pega a vara, bate na cama – AQUI!
Daniel esfrega a bunda, as pernas antes de fazer oque o pai manda. Vira a cabeça, não consegue deixar de olhar pra trás, esta desesperado, lembra bem a dor que aquela coisa proporcionava.
Steve aponta com a vara pra frente, Daniel respira fundo, fecha os olhos, se concentra disposto a retardar o choro o máximo que conseguisse. Recebe a primeira lambada, morde o lábio inferior, puxa o ar , mas não tem tempo de se recuperar recebe a segunda, agora junta os lábios para não gritar, os olhos enchem de lágrimas.
Steve balança a cabeça, dá uma com um pouco mais de força e Daniel solta o primeiro gemido abafado pelo braço, mais uma na dobra da perna e Daniel dobra os joelhos sobre a cama – ARRRGHHH
Assim mesmo como está recebe a quinta e a sexta, não se segura, cai sobre a cama, soca-a, as lágrimas que tanto segurou agora saem livremente.
- Levante!
- Por favor pai... dói demais...
- Eu mandei você levantar!
Daniel passa o braço no rosto para tirar as lágrimas, junta todas as suas forças e ergue o corpo tremulo, se arrasta pra fora da cama e apoia novamente.
- Eu tenho sua total atenção Daniel? Você está ouvindo agora?
Daniel balança a cabeça afirmando, mas para Steve não basta, desce a vara nas pernas dele.
- AAAAAAAAAAAAHHHHHH DÓI MUUUUUUITO PAI, PÁRA PELO AMOR DE DEUS, PÁRA (grita entre lagrimas)
- Levante, vire e olhe pra mim. (Devagar, Daniel vai erguendo o corpo, passa a camiseta no rosto, as mãos tremem tanto que ele mal consegue segurar a camiseta. Vira de frente pro pai, fica de cabeça baixa, não consegue olhar diretamente pra ele, precisa controlar o choro antes)
- Olhe para mim, Daniel.
Com muito custo ele ergue a cabeça e olha pro pai, os olhos estão vermelhos, molhados, assim como o rosto.
- Eu vou tentar de novo e desta vez eu espero que você ouça e não fale nada que me obrigue a te bater mais.
Daniel aperta os lábios, concorda com a cabeça. Faz qualquer coisa pra não apanhar mais.
Steve olha pra ele, sente o coração apertar, mas tem que se manter firme - Não quero mais saber de brigas, Daniel. Se você tiver um problema com Derek ou Dominic e não conseguir resolver conversando, você vem até mim e eu vou resolver... da forma que eu achar que devo. Você pode não concordar, mas é assim que será. Tente não esquecer disso, porque daqui pra frente, se eu tiver que te castigar por isso novamente, você vai apanhar de vara e depois de cinto. Estamos entendidos? (Daniel baixa a cabeça, afirma várias vezes). Que bom... então já que nos entendemos, vá lavar o rosto, o almoço já deve estar esfriando... mas não pense que terminou... eu, você e Derek ainda vamos terminar este assunto.
Daniel ergue a cabeça, as lágrimas querendo voltar, respira fundo pra responder com pelo menos um pouco de dignidade – Sim senhor.
– Vamos conversar Daniel, só conversar. Vocês são irmãos, tem que se acertar.
Respira fundo de novo - então... isso de conversa... isso nunca acaba bem pra mim... eu sei que o senhor vai querer que a gente se desculpe um com o outro e... (ergue os ombros) e... eu vou acabar apanhando de novo, porque eu não estou preparado pra desculpar e também não estou arrependido por ter batido nele. Não precisa me olhar assim... eu não sou louco, não vou relar nele, juro.
Steve fica olhando pra ele, depois puxa-o e dá um abraço, a principio Daniel fica rígido, depois acaba relaxando um pouco, mas não a ponto de se deixar chorar. Steve percebe, dá um beijo na testa dele – Você sabe que não precisa dar uma de durão pra cima de mim, não sabe? Eu já estive no seu lugar mais vezes do que eu gostaria e sei que você está com dor. Pode chorar, filho, ajuda a melhorar.
Daniel nega, afundando a cabeça no peito do pai – O senhor me pegou pra valer, chorar não vai melhorar... Pai... promete que vai só conversar com a gente? Promete?
- Vai depender mais de vocês do que de mim.
CONTINUA...
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