O Segredo dos Anjos
By Dama 9 e Saory-San
Nota: Os personagens de Saint Seiya não nos pertencem, apenas Diana e Aisty são criações únicas e exclusivas nossas, para essa saga.
Boa Leitura!
Capítulo 9: Sonambulismo Crônico.
I - Encontro Repentino.
-"Que inferno, não sei como eles conseguem dormir com tanta tranqüilidade, sem se incomodarem com isso"; Saga pensou, embrenhando-se entre as árvores do bosque que levavam ao templo da Coroa do Sol.
Deparou-se com os diversos templos que compunham o lugar, era uma boa caminhada para chegar ao central, ainda mais quando se estava com sono como ele; ele pensou, andando cuidadosamente.
Saíra tão irritado e com tamanha pressa de casa que mal se incomodara em colocar um sapato ou camisa, permanecendo apenas com uma fina calça de malha.
Uma leve brisa passou por seu corpo, causando-lhe um breve estremecimento, viu algo movimentar-se relativamente rápido próximo de onde estava.
Ocultou-se entre a sobra de algumas árvores, sobre um dos pilares tombados do primeiro templo, viu a sombra de uma mulher projetar-se.
-"Quem será que é?"; Saga se perguntou avançando entre as folhagens sem fazer barulho.
Sentiu um vento gelado envolver-lhe o corpo, engoliu em seco, conhecia uma energia parecida com a aquela, mas não conseguia acreditar que ela também estivesse ali.
Abaixou-se ocultando-se a sombra de uma árvore, viu a imagem de uma jovem de costas para si, ela vestia-se completamente de preto. Uma saia canelada, botas de cano alto e um corpete, sem muitos detalhes, mas que delineava as curvas esguias e marcantes. Não teve mais duvidas ao observar o tom avermelhado dos cabelos curtos, que caiam displicentes sobre o ombro.
-Aisty; ele murmurou surpreso, saiu de onde estava vendo-a caminhar para a entrada de outro templo, abaixando-se lentamente até um dos joelhos tocar o chão.
Deixou a ponta dos dedos correr pelo chão gramado, como se pudesse identificar algo que estivesse ali.
-O que esta fazendo aqui?
Sentiu uma respiração quente e ritmada de alguém chocar-se contra a curva de seu pescoço, não se importou nem em perguntar quem era. Num movimento rápido e brusco, eriçou as unhas virando-se para trás, o individuo consegui desviar parcialmente.
Saga olhou-a surpreso, ao ver três finos cortes surgirem sobre o peito no lugar que ela possivelmente iria acertar e ficou imaginando se ela acertasse se ainda estaria vivo.
-Idiota, o que esta fazendo aqui? –Aisty perguntou furiosa.
-Tirando a parte do idiota, eu fiz essa pergunta primeiro; Saga rebateu indignado.
Aisty rolou os olhos, dando-lhe as costas, não iria interromper suas investigações por culpa dele.
Fitou-a atentamente, ela estava diferente; o cavaleiro pensou aproximando-se, vendo-a voltar para o que fazia anteriormente.
A mascara; ele pensou vendo-a com um diferente da convencional, o que lhe proporcionava uma visão mais ampla sobre a face da jovem, embora aquela máscara não ajudasse a aliviar sua curiosidade, pelo menos podia ver a cor de seus olhos.
Eram verdes. Tão intensos que eram capazes de fazer o inferno gelar e o céu pegar fogo; Saga pensou aproximando-se dela quase hipnotizado, até parar as suas costas.
Aisty levantou-se rapidamente, batendo as costas contra o peito do geminiano, assustou-se por não sentir a presença dele ali e o pior, naquela proximidade desconcertante. Virou-se para ele, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ouviram vozes se aproximando.
-VAMOS, OUVI UM BARULHO POR AQUI; uma voz feminina avisou.
Como um mecanismo de defesa, seu cérebro apenas processou a mensagem de buscar um esconderijo. Antes que o cavaleiro tivesse reação alguma, puxou-o para as sombras de alguns pilares do templo que estavam, ocultando rapidamente seu cosmo.
Entretanto, isso não pareceu uma boa idéia, não para alguém que queria distancia daquele 'idiota prepotente'. Devido ao pouco espaço que tinham, sentiu o corpo bem talhado completamente colado ao seu, fazendo com que qualquer movimento que viesse a fazer fosse limitado.
Procurou manter o olhar voltado para o caminho que haviam feito, tentando não encará-lo, mesmo porque, sabia que ele lhe olhava.
-O que veio fazer aqui? –Saga perguntou num sussurro.
-Isso não é da sua conta; Aisty respondeu fria.
-Se não fosse, não estaria perguntando; ele insistiu, tocou-lhe a face de maneira suave, porém fazendo-a encarar-lhe. –Então?
-Você é irritante; ela vociferou, afastando-lhe a mão com um tapa.
-Mas um irritante que agora faz parte dos seus pensamentos; o cavaleiro rebateu com um sorriso nada inocente, ao aproximar-se quase tocando-lhe os lábios com os seus.
-Pretensioso; Aisty falou, rolando os olhos. Como alguém conseguia ser tão convencido?
Desviou o rosto antes que ele conseguisse aproximar-se mais, viu que o grupo de amazonas que haviam aparecido, passaram bem longe de onde estavam, pelo menos não haviam sentido a presença deles ali.
Essa era a deixa para sair dali e avançar entre os templos, tinha uma leve idéia de onde aquele cosmo estava vindo. No momento que tentou se afastar, sentiu uma mão pousar de maneira firme sobre sua cintura, retendo-lhe os movimentos.
-Vamos, não vou lhe deixar em paz, enquanto não admitir; ele insistiu.
Não podia negar que desde que ela chegara, sentira-se fascinado pela presença singular da jovem, ela lhe tirava do sério e massacrava seu ego, mas mesmo assim não poderia negar que também desejava vê-la corresponder a suas investidas e caricias, por isso não desistiria enquanto não conseguisse. Mas e depois? –tal pensamento fê-lo hesitar por um minuto.
-Admitir o que Saga? –Aisty perguntou impaciente querendo sair o mais rápido possível dali.
-O que sente; ele sussurrou ignorando seus recentes pensamentos.
Segurou com suavidade uma das mãos da jovem e num movimento lento e preciso, fê-la enlaça-lo pelo pescoço, aproximando-os ainda mais.
-Do que esta falando? –ela perguntou, tentando manter a linha de pensamentos no lugar ao senti-lo enlaçar-lhe pela cintura, enquanto a outra mão subia de maneira possessiva pelo meio das costas.
-Aquilo que sente, quando estamos assim; Saga sussurrou, deixando os lábios roçarem provocantes sobre o ombro desnudo, indo parar sobre a curva do pescoço.
Serrou os orbes, sentindo-se completamente entorpecida. Não podia deixar-se levar por isso, mas era obrigada a admitir que simplesmente não tinha a mínima vontade de sair dali, entretanto isso não podia acontecer.
-Sabe Saga; ela começou, deixando que uma das mãos pousasse sobre o peito dele, empurrando-o levemente para afastar-se de si.
-O que? –ele perguntou, pensando se finalmente ela teria cedido.
-Tenho uma coisa a admitir sim; Aisty falou calmamente, deixando que seus dedos brincassem com alguns fios azuis que caiam sobre os ombros dele.
-Tem? –o cavaleiro perguntou, animado, vendo-a assentir. –O que é?
-Que você é um completo idiota e eu mais ainda por ouvir o Kamus, quando ele me disse que você não era o idiota que aparentava ser; ela completou, saindo rapidamente dali.
-Uhn? –ele murmurou confuso, vendo-a sumir rapidamente dali.
Kamus, o que o aquariano teria falado para ela sobre si? –Saga se perguntou confuso, o único problema é que não conseguiria nem perguntar a ele agora, era melhor esperar uma oportunidade melhor e saber melhor sobre isso; ele pensou retornando a seu templo antes que fosse visto.
-o-o-o-o-o-
-"Droga, aquele idiota tinha que atrapalhar"; Aisty pensou exasperada, enquanto saltava entre os pilares, procurando aproximar-se o máximo que podia do templo central. Não poderia ir sem descobrir a fonte daquela energia, porém ela mal sabia que iria encontrar mais do que procurava.
II – Noite mal dormida
-Acordou cedo Shura? Caiu da cama foi? –alguém perguntou de maneira debochada.
-Vá para o inferno! –o espanhol vociferou sem ao menos se voltar para trás, não era preciso isso para saber quem era.
-Calma; Milo pediu levantando ambas as mãos em sinal de paz, enquanto sentava-se junto do amigo num dos degraus do templo. –Que mau humor todo é esse? Pelo que eu saiba o único capaz de fazer essa cara que, eu diria, chega a assustar até mesmo Hades, é o Kamus, mas...; ele ponderou vendo o espanhol voltar-se para si ainda mais carrancudo. –Poxa você superou o nosso 'Freeze'. Por Zeus, devia ver essa sua cara...;
-Milo; Shura falou pausadamente como se estivesse tentando conter a ânsia em fatiar o artrópode. –Não tem mais nada pra fazer além de me atormentar?
-Calma, eu vim em paz, além do que tenho sim mais o que fazer. Acredite ficar olhando pra sua cara não é um bom passatempo ao contrário, porém vim aqui te chamar para os treinos na arena, o pessoal já desceu eu acho.
-Vá sozinho não estou afim; Shura falou.
-Todo mundo vai, acho que até as novas amazonas; ele falou indignado com a recusa. -E você...
-O que disse? –o cavaleiro perguntou mais interessado.
-Ah, agora se interessou é? –o Escorpião provocou, mas mudou o tom diante da expressão sisuda do espanhol.
De fato estava pior que Kamus, aquele olhar estava a ponto de lhe cortar; pensou.
-É, as novas amazonas também vão, ouvi dizer; Ele continuou. –Aisty e Diana. Nossa to doido pra ver como seriam aquelas duas em combate, já imaginou, aquelas duas que mesmo de máscara são capazes de gelar o inferno com um único olhar e... Hei aonde vai? –Milo perguntou ao ver o espanhol se levantar e começar a caminhar.
-Pra arena, oras; Shura respondeu casualmente, olhando-o de soslaio por cima do ombro. –Não é para isso que veio?
-É, mas...; Milo balbuciou com ar confuso.
-Sem 'mas' Milo; o espanhol o cortou. –Pra a arena; ele completou sendo seguido por um Escorpião extremamente abismado.
-o-o-o-o-
Sentou-se com aparente desânimo sobre as arquibancadas, ouvia a voz do amigo que como sempre não parava de falar e gesticular, mas se lhe perguntassem sobre o que conversavam, não saberia responder.
Era como se o volume fosse se abaixando aos poucos até que não ouvisse mais nada, apenas os movimentos poucos discretos do mesmo que pareciam falar por si só.
Não pregara os olhos à noite toda, dormira sentindo o perfume daquela mulher, a essência de flores impregnada em seu corpo, que banho algum conseguira tirar. Era como se ainda a pudesse sentir perto de si.
Aquilo já estava virando obsessão; ele pensou com desalento. Dormia pensando nela e acordava pensando nela, porém, mais obsessiva ainda era a ânsia que tinha em descobrir o que o amigo, seu melhor amigo, tinha com ela.
Duas da manhã? Aquilo não era hora para uma simples conversa entre amigos...
-ZEUS, CADÊ TODO MUNDO? SERÁ QUE UM DISCO VOADOR PASSOU POR AQUI E ABDUZIU TODO MUNDO? –o Escorpião exasperou ao ver que ninguém estava na arena.
-O que? –Shura perguntou como se gradativamente o volume fosse aumentado. A sua frente Milo gesticulava lançando um olhar demorado para a arena, os orbes serrados, onde apenas poucos aprendizes treinavam.
-Estranho é cedo, mas não tanto. E depois sou eu o irresponsável que não cumpri os seus compromissos e-...; de repente ele parou de falar voltando-se para Shura que ainda estava sentado com uma expressão distante. –Alouuuuuuuuuuu? Por acaso ouviu alguma coisa do que eu disse nos últimos vinte minutos? Droga; Milo resmungou desapontado. –Realmente acho que o santuário em massa foi abduzido;
-Ahn? – Shura murmurou sem ao menos entender o que ele falava.
-Nada. Esquece; o Escorpião falou sentando-se junto do amigo. Será que ninguém ali assistia os filmes do Spielberg? –Acho que o jeito é esperar... E aí; o cavaleiro abriu a boca, mas imediatamente foi cortado pelo amigo.
-Milo, se não se importa, não estou a fim de conversar. Tudo o que quero é dormir; Shura o cortou, levando uma das mãos aos lábios, contendo um bocejo. –Não preguei os olhos à noite toda e to todo quebrado;
-Uhn; Milo murmurou com um sorriso malicioso moldando-se em seus lábios. –Dormiu acompanhado foi? Ou melhor, não dormiu e...;
-Milo; Shura falou pausadamente. –Me deixa vai! –ele bufou afastando-se do cavaleiro e deitando-se de costas sobre a arquibancada.
Cruzou as mãos sobre o corpo e respirou fundo, a luz pálida do sol lhe acalentava. Fechou os olhos. Talvez agora com o calor da manhã pudesse dormir, porém...
-Então quer dizer que o Don Juan do santuário, finalmente conseguiu; Milo falou com uma pontada de incredulidade.
Shura abriu os olhos, no degrau à cima um par de orbes azuis com um sorriso nada inocente o fitava inquisidor. A cabeleira azul definitivamente lhe privando do calor do sol. Rolou os olhos e por fim respondeu:
-Consegui o que?
-Dobrar a Shina; Milo respondeu.
-O que? – Shura exasperou sentando-se novamente.
-Ah Shura fala sério; Milo abriu o seu 'pior' sorriso. –Não é segredo pra ninguém que você vive rondando a Shina e bem...; Ele se afastou fitando a expressão atônita do amigo. –Parece que por fim ela cedeu aos encantos do... Conquistador de Servilha! Vai me diz, como é que foi?
-Como é que foi o que? –o cavaleiro perguntou incrédulo quando ao questionário.
-Como é que foi com a Shina; ele falou rolando os olhos. –Não se faça de desentendido!
-Não houve nada! –Shura exasperou, estava se cansando de tanta pergunta sem fundamento e principalmente daquele olhar sobre si. –E mesmo que houvesse eu não lhe contaria!
-Houvesse? -Milo perguntou arqueando a sobrancelha. Shura havia lhe dado às costas e fitava a arena com o único intuito de não olhar para si. –Então, quer dizer que...;
-Que droga Milo! –ele exasperou voltando-se para trás com um olhar cortante fazendo o Escorpião encolher-se. –Chega! Será que só sabe pensar besteira? Eu apenas disse que estava com sono, por que não consegui pregar os olhos a noite toda. Treinei até a exaustão, mas mesmo assim o sono não veio, apenas isso e você deturpou tudo o que eu disse!
-Desculpa, cara, é que...; Milo tentou se justificar.
-É que? O que você queria? Que acordasse totalmente disposto depois de passar a noite toda me revirando na cama sem conseguir dormir; o cavaleiro falou indignado, abaixando o tom de voz meio envergonhado ao ver alguns aspirantes comentando sobre o pequeno 'acesso'.
Já não estavam mais sozinhos...
II – O inimigo deixa rastros.
Droga! –A amazona praguejava mentalmente enquanto descia apressada os inúmeros degraus rumo a arena. Ainda se recordava da voz de Aisty, a lhe chamar varias vezes enquanto resmungava pensando ser um sonho e se enrolava nas cobertas tentando voltar a dormir.
E conseguiu, dormiu durante horas e somente quando sentiu os raios quentes do sol atravessarem as janelas onde as pesadas cortinas jaziam abertas, provavelmente uma tentativa frustrada usada pela amiga a fim de acordá-la, é que de fato despertou, porém tentava justificar-se.
Como iria conseguir acordar para os treinos às seis horas da manhã, tendo conseguido pregar os olhos somente às quatro e meia?
Quatro? Talvez cinco e aí sim, finalmente conseguira pegar no sono. Passara uma noite agitada, se revirara na cama à noite toda como se a mesma estivesse repleta de espinhos. O presságio da noite anterior ainda lhe perturbava, como um mau agouro. Aquela energia hostil que haviam sentido em Sagitário só queria dizer uma coisa, que o inimigo estava mais perto do que pensavam. Era hora de abrirem os olhos.
Devia ter saído à procura do dono daquele cosmo hostil que sentira a noite passada, mas Aioros a aconselhara a esperarem amanhecer e aí sim tentarem descobrir o que de fato acontecia.
Estancou. Descia as escadarias tão perdida em pensamentos que nem percebera os templos pelos quais já havia passado e já estava na arena. Sentiu um arrepio correr-lhe a espinha e levou uma das mãos a nuca.
Há alguns passos de si, Shura e Milo jaziam sentados em um dos degraus das arquibancadas. De costas para si, os cavaleiros pareciam apenas fitar distraidamente o rotineiro treino na arena.
Estranho. Por que sempre se sentia estranha perto dele?
A resposta era somente uma, pensou a amazona. Porque ele é um idiota machista e...; balançou a cabeça levemente para os lados, desviando o olhar dos braços musculosos do cavaleiro.
Afinal por que estava perdendo tempo com... Ele? Puff; a amazona bufou contrariada. Às vezes odiava a si mesma por certos pensamentos.
Suspirou e voltou a caminhar, altiva, como se nada, ou melhor, ninguém estivesse ali lhe 'obstruindo a passagem'. Passou pelo espanhol sem ao menos lhe voltar um único olhar. Ao avistar a amazona Shura imediatamente se levantou e abriu a boca como se fosse dizer algo, porém ela não lhe dera tempo. Como sempre.
-BOM DIA PRA VOCÊ TAMBÉM; ele gritou contrariado, voltando a se sentar nas escadarias com o mesmo desalento de outrora, talvez mais, já que a amazona sequer o olhou.
-Hum, acho que agora entendi...; Milo que havia presenciado tudo em silencio por fim se manifestou.
-O que disse? –Shura se voltou imediatamente para si com um olhar cortante.
-Nada. Nada não; respondeu Milo se encolhendo diante da lamina afiada que via brilhar nos orbes negros do amigo.
-"Então quer dizer que a Shina já perdeu o posto de 'musa' do nosso Conquistador de Servilha..."; pensou Milo e aproveitando a distração do amigo que tinha os orbes perdidos num certo ponto e num certo alguém na arena, sorriu. Um sorriso maroto moldou os lábios do Escorpião.
-o-o-o-o-
-Bom dia; Diana falou sentando-se nas arquibancadas ao lado de Aisty.
-Bom dia, Diana; Aisty respondeu jogando uma toalha sobre o ombro, controlando aos poucos a respiração, já estava a algum tempo treinando com Yuuri, já que a amazona simplesmente se recusara a acordar. –Só agora que conseguiu acordar é?
-Me perdoe; ela respondeu sem jeito, fitando os aprendizes que treinavam no centro da arena sendo supervisionados por Marin e Shina. –É que, eu estava com muito sono e...;
-É deu pra perceber; Aisty sorriu ao se lembrar da cena. –Nem Zeus lhe tiraria daquela cama tão cedo, ou melhor, nem que um tsuname estivesse passando pelo santuário;
-Bem, é que ontem eu fui dormir muito tarde, ou melhor, só consegui dormir hoje, lá pelas quatro ou cindo da manhã, mas o que queria comigo?
-Conversar; Aisty respondeu calmamente. –Ontem a noite aconteceu algo estranho, uma...
-Um cosmo hostil; Diana interpelou. –Também senti isso, ou melhor, sentimos, estava em Sagitário quando Aioros e eu sentimos essa energia hostil e...;
-Sagitário? –Aisty arqueou a sobrancelha.
-É, e...; Diana ponderou por fim percebendo o tom jocoso na indagação da amazona. –Espera, não é nada disso que você está pensando;
-Eu? Pensando? Pensando em que? –Aisty perguntou com ar de falsa inocência percebida rapidamente pelo tom de sua voz. –Foi você quem disse que tinha dormido tarde e que estava em Sagitário;
-Eu não disse isso e... Grrrr! Sabia que esse sorriso, assusta? –a amazona perguntou após bufar irritada, sabia que a amiga ria mesmo sob a mascara.
-Calma, é que eu pensei que, bem... Vocês dois e... Às duas da manhã? Porque foi nessa hora que também pressenti essa energia hostil e...;
-E? –Diana interpelou. –Um certo idiota me disse a mesma coisa; ela falou indignada.
-O que? –Aisty perguntou curiosa, era impressão sua ou a amiga a estava comparando a algum idiota? Ou melhor, lhe chamando de idiota?
-Esquece; Diana falou balançando a cabeça para os lados como se quisesse afastar certos pensamentos. –Mas enfim, o fato é que eu senti essa energia hostil e Aioros também, mas não sabemos de quem é, talvez alguém a mando de Apolo. Pensei em ir atrás desse cosmo e tentar descobrir quem era, mas...;
-Eu fui; Foi à vez de Aisty interromper com um tom de voz agora sério. –Segui essa energia hostil a fim de descobrir quem era, mas aquele imbecil do Saga tinha que atrapalhar e...;
-Saga? –Diana arqueou a sobrancelha. Era hora de dar o troco; pensou com um sorriso matreiro. –Quer dizer que saiu acompanhada?
-É claro que não; Aisty respondeu prontamente. –Acha que perderia tempo saindo em busca de algo tão importante junto com um idiota como ele? Não tenho culpa se aquele imbecil sofre de sonambulismo e costuma sair seminu pela noite e...;
-O que? –Diana perguntou com os orbes arregalados e mesmo não vendo sua expressão Aisty percebeu que falara mais do que devia.
-É, é, bem; ela balbuciou desconcertada.
-Não precisa me explicar; Diana sorriu. –Continue;
-Bom, vamos deixar esse idiota pra lá, bem o fato é que eu segui esse cosmo e encontrei sua fonte, o templo da Coroa do Sol; a amazona falou, mudando rapidamente de assunto.
-E o que encontrou lá? –ela perguntou por fim abandonando o tom zombeteiro, afinal falavam de algo realmente sério, tirando a aparição de um certo geminiano 'seminu e sonâmbulo' que de fato ainda não entendera bem.
-Amazonas.
-Amazonas? –Diana indagou surpresa.
-Sim, amazonas; Aisty continuou. –Um grupo de amazonas se reunia no templo central onde pareciam planejar algo, nem de longe, tido como algo bom. Melina, aquele projeto de...;
-Melina? –Diana a interrompeu, vendo a amiga cerrar os punhos e abaixando a cabeça. –Aquela amazona com que você...;
-Essa mesma; Aisty completou voltando-se para ela. –Melina pelo que pude ver, é a líder do grupo de traidoras que obviamente servem a Apolo;
-Não acredito que aquele imbecil conseguiu tal feito; Diana começou, como se não estivesse acreditando no que ouvia. –Infiltrar espiãs bem debaixo do nosso nariz?
-Mas conseguiu e pior sem que ninguém percebesse, pelo menos até agora; Aisty respondeu.
-O que vamos fazer? –Diana perguntou.
-Informar aos demais, saber se mais alguém além de mim, você e Aioros percebeu essa energia e aí sim, partirmos para a 'caçada'. Quer dizer, aquele idiota também sentiu, mas isso não tem a menor importância...; Aisty completou com desagrado.
-Saga? –Diana indagou e a amiga confirmou com um aceno de cabeça. –Tem razão é melhor comunicarmos aos demais e agirmos logo, pois já deve ter percebido que a tal da Melina e o seu grupinho não está por aqui hoje;
-É, percebi sim; Aisty respondeu acompanhando o olhar da amazona que fitava a arena hoje menos movimentada sem o grupo supostamente de traidoras e sua líder. –É melhor subirmos e nos reunirmos com os demais;
-Claro e o quanto antes; ela falou levantando-se e acompanhado a amazona. –Aí você aproveita e me explica melhor esse lance do Saga ser sonâmbulo e ter mania de andar seminu pela floresta;
-Claro, mas só se você for até lá chamar o nosso 'amiguinho' para a reunião; Aisty rebateu diante do tom provocativo da amiga, apontando para cima.
Diana mirou a direção apontada pela amazona onde ninguém mais, ninguém menos que, Shura, estava sentado junto de Milo conversando, ou melhor, o inseto falava e o espanhol bufava com o olhar perdido.
-Prefiro domesticar Cérbero; Diana respondeu com desdém. –Não quero perder o meu dia tendo que falar com aquele imbecil, já chega ontem à noite que tive o desprazer de ser barrada por aquele idiota; ela falou levando uma das mãos ao braço que ainda sentia dolorido.
-Barrada? –Aisty arqueou a sobrancelha.
-Esquece; Diana foi rápida em responder, pois sabia que ai vinha retaliação. –Temos uma reunião há fazer lembra? Traidoras a caçar? Não podemos perder tempo;
Balançou a cabeça levemente para os lados, com o típico sorriso canceriano a moldar-lhe os lábios, ela conseguira fugir do seu questionamento agora, mas nada como um dia após o outro; Aisty pensou, enquanto deixavam à arena.
Mesmo porque, aquela história estava mal, muito mal contada; Aisty pensou imaginando se o motivo da amiga perder o sono não tinha um outro motivo com nome e signo especifico, muito diferente do qual havia imaginado, porém pelo menos por enquanto era melhor deixar na incógnita, afinal não estava disposta a voltar no assunto 'geminiano sonâmbulo e seminu'.
Continua...
