NARUTO NÃO ME PERTENCE, NEM A HISTÓRIA! CAPITULO NOVE
Um sorriso irreverente perpassou as feições extraor dinariamente belas de Kakashi.
— Vamos comer primeiro? Devo confessar que tenho muita fome.
Nervosa como gato em um telhado quente, Hinata mordiscou o lábio inferior. O temperamento rude dele, sua certeza de que ela nada tinha de importante a confidenciar, desequilibrou-a. Ela afundou na mesa. Quando o prato principal foi servido, a contri buição dela para a conversa restringia-se a respostas monossilábicas.
— Quando fica quieta assim, fico preocupado — comentou Kakashi.
— Às vezes falo demais — disse ela com descon forto.
— Mas já estou tão acostumado que gosto, cara mia. Bem, acho que calculei mal quando deduzi que você não tinha nada importante para me dizer.
— Sim... — Hinata engoliu em seco. — Mas não é algo que você poderia ter adivinhado e eu... Não se zangue comigo... Sei que vai ser difícil, mas não se zangue comigo — ela pegou a si mesma dizendo e desprezou a própria fraqueza. — Em certo sentido, somos ambos culpados.
Ao ouvir isso, Kakashi cerrou os dentes e observou Hinata com seus olhos apertados.
— E então? Minha paciência tem limites...
— Estou... — Ela movimentou nervosamente o garfo com a mão e o abaixou, com seu interior vazio por medo e falta de alimento, pois não conseguira comer nada. - Estou grávida... Aconteceu na pri meira semana em que estivemos juntos.
Kakashi empalideceu, o que fez se acentuar sua sober ba estrutura óssea.
— Compreendo que esteja chocado. Eu também fiquei — admitiu ela com firmeza.
Num movimento tão poderoso quanto revelador, Kakashi empurrou a cadeira para trás e levantou-se. Di rigiu-se a passos largos para a mureta e lá ficou, com os olhos perdidos na noite. No silêncio terrível que se seguiu, o ruído das ondas na arrebentação parecia si nistramente alto.
Ela pigarreou de maneira desajeitada. — Nunca pensei que acabaria indo para a cama com você e, quando aconteceu, não pensei em contraceptivos. Ocorriam tantas coisas e eu sabia que não deveria ter deixado você fazer amor comigo. Me sen ti tão culpada... todas essas coisas atrapalharam.
Kakashi serviu-se de uma dose enorme de uísque, que bebeu de um gole só.
Com a apreensão estampada no rosto tenso, Hillary levantou-se da mesa e dirigiu-se com cerimônia para o meio do terraço.
— Por favor, diga alguma coisa...
— Você agora é a futura mãe do meu filho. — A ponta de insolência da entonação dele fez com que soasse como uma frase ofensiva gelidamente educada, e ela sentiu-se enrijecer e empalidecer. — Tenho que ser muito cuidadoso com o que vou lhe dizer. Uma esposa grávida tem muitos direitos e não menos importante é o cuidado civilizado por seu estado. Quando você descobriu?
— Quando você chamou aquela médica após o meu desmaio.
Kakashi soltou uma risada ríspida.
— Há tanto tempo assim? Como conseguiu escon der a notícia por toda essa semana?
— Não foi difícil... Se eu pudesse fugir disso, teria fugido — disse ela em voz baixa. — Eu não queria... não quero perder você.
Seus duros olhos escuros cravaram-se nela com força impiedosa.
— Você nunca me teve... exceto do modo mais básico.
— Eu sei — murmurou ela, debilitada. — Mas isso está a ponto de destruir o que temos.
— Não suponha que sabe o que eu penso ou sinto. Ou o que pretendo fazer a seguir — Kakashi advertiu-a com severidade.
— Pode dizer o que pensa. Não me ofenderei. O rosto magro e inteligente dele endureceu.
— Bene... muito bem. Por que eu me surpreenderia com seu feito? Na família Hatake os bebês sempre vêm com uma enorme etiqueta de preço amarrada neles.
— Não o nosso bebê... — disse-lhe Hinata com ardente convicção. — Não o nosso bebê... — repetiu. Embora sua voz estivesse trêmula, seus olhos estavam resolutos e ela franziu as sobrancelhas. — Você vai sair?
Kakashi dirigiu-lhe um duro olhar zombeteiro.
— O que você acha?
— Onde você vai?
— Isso é problema meu.
Muito depois da partida dele, ela ainda vagava pelo saguão, abraçando-se como se estivesse com frio. Durante todo esse tempo, tentava não pensar em como Kakashi se comportara. Como se a desprezasse to talmente, como se ela estivesse abaixo de qualquer crítica. Como se Hinata tivesse engravidado de pro pósito e planejasse vender-lhe o bebê pelo maior pre ço possível.
Uma hora após sua partida, ligou para o celular dele.
— Você vai voltar logo para casa? — perguntou com falso entusiasmo.
— Simplesmente não vou voltar para casa — disse Kakashi em voz baixa e frieza.
— Antes que tome uma decisão sobre isso — mur murou ansiosa —, quero dizer que se passar a noite fora ficarei muito triste. Acho que eu não conseguiria apenas sentar e esperar. Ficaria tão preocupada que teria de sair à sua procura.
— Essa conversa não tem sentido — disse Kakashi e desligou.
Meia hora depois, entretanto, ela ligou de novo para ele. Quando ele atendeu, ela ouviu uma leve risadinha feminina por perto e seu coração desabou.
— Você está com uma mulher? — indagou com repugnância.
— Se ligar de novo, não atenderei.
— Acho que vale a pena lutar por nós dois, mas eu não poderia perdoar infidelidade... — Ela o advertiu trêmula, com a garganta cheia de lágrimas.
— Saiba que chantagem emocional não funciona comigo.
— E que tal histeria? Olhe, sei que pareço louca, mas tudo que eu quero é que você volte para casa para conversarmos.
— Mas eu não quero e você não vai me obrigar a fazer o que eu não quero.
Era uma hora da madrugada quando Kakashi apareceu na porta do quarto. Ela estava deitada, mas acordada sob o luar, e deixara a porta aberta para que pudesse escutar a chegada dele. Sentando-se rapidamente, Hinata acendeu as luzes de cabeceira. Com os cabelos brancos em desalinho e a barba, também grisalha, deli neando seu queixo obstinado, Kakashi olhou fixamente para ela. Sem hesitação, ela pulou da cama e correu para atirar-se a ele. Ele voltara. Isso era tudo que lhe importava nesse instante.
— Não...
Essa única palavra parecia muito resoluta e por demais inflexível. Com as mãos, ele a afastou fria mente de si.
Ela deu um passo para trás, esmagada pela rejeição e subitamente consciente de que, com o cabelo despenteado e os olhos vermelhos e inchados, devia es tar horrorosa.
— Cheguei a certas decisões — proferiu Kakashi.
— É preciso duas pessoas para tomar uma decisão num casamento — ousou Hinata.
— Mas não quando apenas uma delas está errada — rebateu Kakashi sem hesitação. — Quero que você faça um exame para que se verifiquem as datas que interessam. Antes de o bebê nascer quero ter o máxi mo de certeza de que ele é realmente meu — disse Kakashi com voz arrastada e sem qualquer expressão no rosto.
Hinata afastou-se dele, oprimida por uma dolorosa aflição.
— Você tem dúvidas? — murmurou, horrorizada com o fato de que ele chegasse mesmo a suspeitar que outro pudesse ser o pai da criança que ela carre gava.
— Algumas mulheres matariam por uma porcen tagem ínfima do que esse bebê vai valer em termos financeiros — argumentou Kakashi. — Afinal, a con cepção de um filho meu lhe assegura que você viverá no luxo o resto de sua vida.
— Você não está sendo justo. Se não tem nenhuma fé em mim, como poderei algum dia provar que está errado a meu respeito? — retorquiu Hinata com cres cente angústia.
— Mas eu não estou errado a seu respeito.
— Ainda hoje você me disse ter concluído que eu não era uma caçadora de ouro.
— A última revelação me fez mudar de idéia.
— Como poderia saber que engravidaria após uma semana com você? — argumentou ela de maneira apaixonada. — Não é nessas condições que eu gostaria de ter meu primeiro filho. Por que amaldiçoaria meu bebê com um pai indeciso que me odeia?
— Não sou indeciso e não odeio você. Hinata levantou as mãos em desespero.
— Toda sua raiva vem do fato de que quando você teve amnésia eu mantive em segredo a verdade quan to ao nosso casamento.
— Você me mentiu por repetidas vezes.
— Não pensei que estava causando mal algum... Então me deixei levar um pouco, estava vivendo meu sonho...
— Agora você está finalmente me contando a ver dade — interveio Kakashi com sarcástica satisfação. — Você estava tão seduzida por meu estilo de vida que não se preocupava o quanto teria de afundar para des frutar os benefícios.
— Por estranho que possa ser, você parecia viver em perfeita felicidade dentro da minha fantasia...
— Vamos nos ater ao bebê — disse Kakashi em tom glacial.
Com dificuldade, Hinata fixou a mente exausta na fundamental tarefa de dissuadir Kakashi da convicção de que ela planejara engravidar.
— Por favor, me ouça. Quando dormi com você, eu não me importava com as conseqüências. Nunca havia tido que me preocupar com contraceptivos an tes. Eu era descuidada e tola, mas nada além disso. — Ela lhe lançou um olhar de súplica. — Você também não se importava.
O rosto magro e forte dele contraiu-se numa nega tiva.
— Eu tinha a curiosidade de saber quanto tempo você levaria para fazer essa exigência. Perdoe decep cioná-la, cara, mas você ainda não está qualificada para livrar-se da prisão.
— O que isso quer dizer?
— Nada de separação, nada de divórcio. Você vai ficar na Suíça, onde posso vigiá-la.
— Como você se sente realmente sobre o bebê? — ela juntou coragem para finalmente perguntar.
— Eu planejava ter um filho algum dia — admitiu Kakashi com a mesma carga de emoção que gastaria para informar sobre a intenção de adquirir um par de abotoaduras. — Agora ele está vindo cedo demais, em vez de tarde demais... Eu me adaptarei a isso... Não tenho outra escolha senão me adaptar.
Daria tempo a ele. Kakashi era muito teimoso e muito cínico em suas suspeitas. Precisava de mais tempo. Ele necessitava da compreensão dela. Ela o amava tanto... Kakashi mudaria, sim, ele mudaria...
Até que ponto, porém, Kakashi teria de mudar para aceitar Hinata Hyuuga, cabeleireira, como esposa? Ele nunca a aceitara como esposa. Poderia ela culpá-lo por isso? Kakashi nunca lhe pedira para ser sua esposa e viver com ele e com certeza não a convidara para conceber seu filho! Era importante que ela encarasse os fatos e os fatos eram dolorosos, reconheceu com imensa tristeza. Kakashi sentia-se preso num laço. Kakashi preferia sua liberdade.
