FINALMENTE, O REENCONTRO

Venceram a última meia hora de viagem em silêncio, não conseguiam falar mais nada depois das declarações no mirante. Chegaram finalmente ao endereço indicado por Seika. Entraram em uma estradinha rumo a um bonito bosque, e avistaram uma clareira com um lago. Sobre as aguas, uma casa construída em estilo típico japonês, toda em madeira, com varanda em todo entorno, grandes portas de vidro por todos os lados da casa.

Seiya estacionou o carro, abriu a porta para Saori, pegou sua mão para ajuda-la a descer, percorreram uma pequena trilha de pedras que levava até a casa, seguiram até um bonito deque, decorado com duas mini árvores de cereja, totalmente pintadas de cor-de-rosa pela primavera.

A edificação era de muito bom gosto, tudo muito simples e elegante, emoldurado pela vegetação nativa, típica da região. Tocaram um pequeno sino, perto da porta, o coração de Seiya estava quase saindo pela boca, ansioso como sempre foi... a porta se abriu, e ele não conteve as lágrimas ao ver sua irmã, adulta, saudável, feliz... como ela ficou linda! Trajava roupas simples, estilo japonês, uma calça de seda e uma blusa imitando um quimono de seda estampada, tamancos nos pés. Os cabelos acobreados, que lembravam muito os de sua mestre Marin, estavam presos em um coque, expondo totalmente o rosto oriental, a pele alva.

Ela também muito emocionada, praticamente saltou do degrau e abraçou seu irmãozinho... lágrimas copiosas rolavam pelo rosto... tanto tempo não via Seiya, se sentia responsável por ele e profundamente triste por não encontra-lo! Finalmente separou o abraço, segurou o rosto do irmão nas mãos, agora ele era bem mais alto que ela, estudou os seus traços... "Você não mudou nada, só cresceu! Manteve estes olhos infantis e puros, me lembro deles como se fosse ontem!"

Ele sorriu entre as lágrimas, parecia ter perdido as palavras com o impacto emocional do momento. "E você deve ser a Senhorita Kido! Meu Deus, como você é linda! Obrigada por ter cuidado do meu irmão!" "Na verdade, seria mais o contrário, seu irmão que tem cuidado de mim por todo este tempo" Saori corou ao falar, Seiya também corou um pouco, deixando Seika se perguntando se aquela moça linda seria o amor do seu irmão. Imaginou o quanto da vida dele ela não pode acompanhar, seriam eles mais que amigos? Teriam mais que uma relação profissional?

"Vamos entrar? Vocês devem estar cansados! Vou mostrar as acomodações, depois você busca suas bagagens, irmão! Ah, mas antes de tudo, tem alguém que vocês precisam conhecer..." Ela os levou para dentro da casa, e os guiou até um pequeno quarto, com um berço delicado, lá estava acordado seu bebezinho de 6 meses, pele branca como da mãe, cabelos castanho acobreados e olhos castanhos muito vivos. "Conheçam meu pequeno Seiya!" falou pegando a criança no colo. Seiya já tinha secado as lágrimas, mas, sentimental demais como era, voltou a chorar de novo, por mais que tentava secar as lágrimas, elas teimavam em cair... a irmã perguntou "Você quer pegá-lo no colo?" Ele só conseguiu assentir com a cabeça.

Foi amor à primeira vista, a criancinha de início, ficou olhando nos olhos do tio, tocou seu rosto com as pequeninas mãos, e abriu um sorriso. Seiya, um eterno moleque, sempre levara jeito com as crianças, começou a brincar com o bebê, que logo dava risadas até quase perder o fôlego. As duas mulheres no cômodo, olhavam extasiadas de amor, a cena.

Saori amou tanto seu cavaleiro, o vendo com o bebê, que achou que não fosse capaz de tamanho sentimento, de um amor tão profundo. Nos seus devaneios, imaginou como seria ser mãe dos filhos dele, a alegria, a completude, a paz de uma família normal. A moça só saiu do transe, quando o viu se aproximar e perguntar "Quer pegar nele um pouquinho?" Ela falou constrangida... "Não sei pegar em bebês", ele disse "Deixe de ser boba" entregando o neném no colo da desajeitada Saori.

Parecia um talento natural, o bebezinho se aninhou nos braços dela, se aconchegou o seu peito, e bocejou, Seika pediu licença para conferir os preparativos para o almoço, deixou os dois cuidando do pequeno Seiya que já cochilava no colo de Saori, com seu tio coruja, que quase sem perceber, dada a intimidade da situação, estava ao lado dela, encostado em seu corpo, admirando o bebê totalmente aconchegado no colo de sua amada.

"Um dia você será uma mãe maravilhosa!", Ela olhou para ele, seus rostos estavam muito perto, ambos muito emocionados, olhos brilhando de emoção... Seika então entrou no quarto, os avisando que o almoço estava servido. Pegou o bebezinho, agradeceu Saori, e o colocou no berço... no fundo se repreendeu: tinha certeza que interrompera algo importante... "ah, esses dois!" – pensou.

Seiya saiu um pouco desconcertado, dizendo que iria buscar a bagagem, Saori queria lavar o rosto e as mãos. Foram para os aposentos indicados pela anfitriã. O almoço foi agradável, típica comida japonesa, em uma mesa tradicional, os três assentados em almofadas no chão, a sala de jantar, tinha paredes de vidro e dava vista para o belo bosque, algumas sakuras estavam entre as arvores da propriedade, pintando o céu e o chão de rosa.

Saori comentou sobre a beleza da edificação, Seika lhe informou que seu marido era um comerciante próspero e muito bem relacionado da região, e que ele tinha um gosto primoroso, e uma preferência pela arquitetura tradicional do Japão. Falou que ele não poderia estar lá para almoçar, devido aos negócios, mas estava ansioso para conhece-los à noitinha.

O dia se passou agradável, Seika queria saber tudo sobre o irmão, ela e Saori se deram muito bem, conversaram sobre amenidades da vida naquela cidadezinha tão bela. Quando o sobrinho acordou, Seiya o pegou no quarto, e ficou com ele no colo o resto da tarde, o fato de ter tido uma infância de órfão, o fazia valorizar muito aquele momento em família. Se tivesse um filhinho, pensava, tinha certeza que faria de tudo para não sair de perto dele.

A tarde se passou com todos muito felizes, quando o Sol começou a se pôr, Saori se retirou para tomar um banho e descansar, Seiya também foi fazer o mesmo logo após a moça, queria causar uma boa impressão em seu cunhado, mas sabia que ia gostar dele, por ser um pai e marido tão honrado, se amava sua irmã, e sua irmã o amava, certamente seria uma boa pessoa.

Saori saiu do quarto um tempo depois, foi para a varada da casa respirar o ar perfumado da tarde-noite quente. Aquele lugar romântico a inspirava muito, colocou um lindo vestido de seda branca, estampado com delicadas borboletas, saia rodada, um decote v na frente, coberto por uma renda delicadíssima, nos braços, nenhuma manga, mas um vaporoso babado. Por causa do calor, resolveu amarrar os cabelos e um rabo de cavalo baixo, sandálias rasteiras nos pés... se sentia leve, feliz por promover a felicidade daquele encontro ao querido Seiya.

Como se atraído por seus pensamentos, o rapaz também entrou na varanda, estava de calça jeans clara e camiseta branca, bem descontraído. Parou por um minuto, como paralisado pela visão de Saori com aquela aparência etérea e descontraída ao mesmo tempo, na penumbra da quase noite, emoldurada pelo lago e as árvores do bosque. Foi andando até ela, apoiou-se na varanda ao seu lado. Foi ela quem quebrou o silêncio: "E então Seiya, feliz com o reencontro? Fez juz aos seus sonhos?" Ele respondeu "Nem no meu sonho mais perfeito, eu imaginava que seria tão lindo assim". Ficaram um pouco em silêncio, apenas desfrutando da companhia e contemplando a paisagem, em completa harmonia.

Um carro estacionando quebrou o silêncio do cenário. Um homem bonito, um pouco mais velho que eles, alto, magro, moreno, desceu do carro, olhou sorridente para porta, ambos então viram Seika correr ao seu abraço com o pequeno Seiya no colo, era bonito de se ver, um tipo de alegria, que não existia na vida dos dois jovens até o momento, mesmo Saori sendo herdeira de uma das maiores fortunas do país. Se entreolharam, e seguiram em direção à entrada da casa para conhecerem o marido de Seika.

O homem se aproximou sorridente, Seiya estendeu a mão, o homem pegou a mão do cunhado, mas o puxou para um abraço sincero, o moço ficou meio constrangido, mas ao mesmo tempo feliz. Cumprimentou também Saori, agradecendo pela iniciativa de promover o reencontro. Todos foram jantar, conversaram sobre o passado, sobre amenidades. E então, o cunhado convidou: "Sou membro da associação de comerciantes do vilarejo, e todo ano promovemos o festival da Sakura. Este ano, conseguimos os pátios do templo da cidade para fazer o evento, é um dos lugares mais belos do Japão, gostaria muito que vocês fossem conosco, como comemoração de boas vindas!" Seiya e Saori responderam no mesmo momento: "Claro que vamos, adoraríamos!"

Depois das fortes emoções do dia, todos decidiram ir deitar cedo para descansar, afinal, amanhã seria noite de festa!

CONTINUA...

P.S.: Pessoal, sei que fugi um pouco do destino que deram à Seika, mas não me conformei com aquela história de fugir e perder a memória. Construí uma versão em que ela nunca desistiu de encontrar o irmão, mas construiu em meio tempo, uma vida feliz para recebe-lo.