Parte IX
"Kuwabara, o que aconteceu? Yukina é muito pontual, ela nunca faltaria a um compromisso..."
"Eu sei, Yusuke, mas eu também não imagino o que possa estar acontecendo..."
Kuwabara levou a mão aos olhos e recostou-se sonoramente no sofá onde estava sentado. Alguma coisa estava errada. Yukina não era de dar furo. Chegara uma única vez atrasada a um encontro ou algo do tipo, pois o dia tinha ocorrido um acidente grave e a pista teve que ser interditada, mas ela ligou para avisar.
Mas já fazia bem umas duas horas e nada.
"Chega."
Por pura intuição, foi até o telefone e ligou para Koenma. Enquanto o telefone fazia a chamada indagou-se do porquê de estar ligando para justamente ele.
"Alô?"
"Oi, Koenma..."
"Olá, Kazuma. Eu tava mesmo querendo ligar pra você. Tem notícias do Kurama? Ou da Yukina?"
"Não... Por quê?"
"É que o Kurama não apareceu pro trabalho e nem a Yukina. Ela disse que começaria hoje, mas nada dela. Estou preocupado. A Botan já ligou pra ela e pro Hiei, mas ninguém atende o telefone."
"Tá, tudo bem, eu dou uma ligada pra ela."
"E eu vou tentar falar com o Kurama pra ver se aconteceu algo."
"Valeu cara, até."
"O que aconteceu?" - perguntou Keiko.
"Yukina não apareceu e nem atende o telefone..." - respondeu já discando outro número. Dessa vez o da casa de sua amada.
Já estava na sexta chamada quando ouviu o telefone sendo atendido. Ficou feliz, mas a felicidade durou pouco tempo, e pode ser vista pelo casal que estava com ele.
"Alô, Kazuma..." - a sua voz era arrastada, triste, chorosa, quase desesperada.
"Yukina, o que aconteceu?" - falou preocupado. Nunca em todo o tempo que conhecia Yukina havia ouvido sua voz nesse estado. Era tão profundo que podia sentir uma forte dor no peito e na cabeça de tanta angústia.
"É o Hiei... Ele não está bem." - respondeu, aparentemente chorando ainda mais.
"O que aconteceu com o Hiei?" - a pergunta fez com que Keiko e Yusuke se assustasse. Algum problema com Hiei?
"É que... Ah, Kazuma, eu não sei explicar... Ai, desculpa por não ter avisado, mas eu estou com medo de que ele faça alguma besteira. Ele não sai do quarto desde ontem quando chegou."
"Ah, ele pode estar dormindo, não?"
"Não! Ele chegou muito estranho ontem, ele estava angustiado, eu vi! Ele não está bem. E sinto que ele não dormiu também..." - a cada palavra proferida seu desespero só parecia aumentar.
"Yukina, calma... Olha, você não pode ficar aí sozinha..."
"Mas eu não posso sair daqui!"
"Calma, meu amor. Olha, eu vou até aí, tá? Já chego num segundo. Beijos."
E desligou o telefone.
"O que aconteceu?" - perguntou extremamente preocupado Yusuke, o que também refletiu nos olhos de Keiko. - "O Hiei tá doente?"
"Não... Eu não sei." - se atrapalhou um pouco na resposta - "Yukina disse que ele está estranho desde que chegou ontem."
"Mas vai ver não é pra tanto..." - tentou amenizar Keiko e Kuwabara apenas a fitou com um olhar de quem não acreditava na possibilidade.
"Keiko, o Hiei tem estado estranho nesses últimos dias. Piorou tudo quando o pai deles apareceu..."
"O pai deles?" - estranhou Yusuke. - "Olha... Eu juro que não engolia aquela história toda de terem vindo pra cá pra trabalharem. Eu sempre achei que os pais já eram mortos. Me assustei até com a avó!"
"É, eu também" - completou Kuwabara desconfiado. - "Mas o pai está vivo. E eu senti uma animosidade entre ele e Hiei."
"É melhor deixarmos isso pra depois." - interferiu Keiko ao pegar seu casaco - "Você disse pra Yukina que já estava indo e já demorou muito."
E eles partiram.
"Yukina?" - Keiko gritou. Eles já haviam chegado há alguns minutos e nada da garota aparecer para atendê-los. Já haviam tocado a campainha, batido na porta, telefonado e nada. Já estavam ficando preocupados com a falta de movimento na casa. Será que Yukina havia saído? E Hiei?
Desesperado, Kuwabara procurou pelas chaves reservas da casa que ele sabia onde os gêmeos escondiam. Pegou-as e pôs-se a abrir a porta. Qual não foi a surpresa ao verem que a porta se encontrava aberta e até encostada ao invés de fechada e só agora percebiam.
Ao entrarem na casa deram de cara com a jovem sentada no chão, com o rosto escondido pelos cabelos e braços que se encontravam apoiados no sofá a sua frente.
"Meu amor?"
Yukina levantou vagarosamente o rosto para fitar a pessoa que a apoiava. O choro aumentou e ela se recostou em seu peito. Todos muito preocupados com seu estado, afinal, nunca haviam visto a menina em tamanho desespero.
"O que foi, Yukina?" - começando a se desesperar também, Kuwabara a segurava cada vez mais firme a ponto de machucá-la. Fazia-a encará-lo nos olhos e tudo o que ele podia ver era mais desespero e lágrimas.
"É o Hiei... Ontem ele chegou em casa desesperado... E ainda não saiu do quarto... É tudo culpa minha..." - falava apressada, sem deixar que os outros a entendessem, apenas jogava as palavras hora olhando-os nos olhos, ora olhando escada acima na direção do quarto, ora fechando os olhos e balbuciando a própria culpa.
Yusuke a fez se sentar e Kuwabara tentou acalmá-la enquanto Keiko entregava um copo de água para a menina.
"Está melhor?" - era a amiga perguntando ao vê-la já menos abalada. Afirmando com a cabeça, devolveu o copo e ergueu o corpo, já dona de si.
"O que está acontecendo?" - perguntou novamente, dessa vez Yusuke, aflito com o desespero da amiga e com o que falara. Era visível que algo acontecera a Hiei, mas com ela naquele estado nada poderiam fazer.
Yukina encarou o amigo, depois sua noiva e por fim olhou para o noivo. Já havia atrapalhado muitas vezes e bastante os preparativos do casamento, que também era o seu. Sentia-se mal por estar omitindo coisas que, apesar de não ser de interesse dos outros, até que neste momento era de direito deles saberem.
"Eu sinto muito..." - começou abaixando a cabeça em sinal de derrota - "Vocês nos ajudaram tanto, mas nada sabem sobre nós, ou sobre o que está acontecendo... Ou ainda sobre o que já nos aconteceu."
"Como assim?"
"Simples, Yusuke, o Hiei tem agido de maneira estranha há um tempo, aliás, ele sempre foi desse jeito e vocês sempre o aceitaram, nos aceitaram, sem saber porque. Acho que eu devo algumas explicações..."
"Aconteceu algo ao baixinho?"
"Não, amor... Aliás, não é para se desesperar dessa forma..." - ainda com um restinho de choro, Yukina tentava acalmar os ânimos dos amigos.
"Mas você disse que..."
"Disse que há algo sim de errado com o Hiei, mas isso é uma coisa... Muito nossa..."
FlAsHbAcK
Era um dia lindo como outro qualquer. Um lindo jardim ao ar livre era o lugar onde estavam.
"Vamos, Hina, você consegue dar mais um sorriso!"
A jovem que não se cabia em si de tanta felicidade conseguiu sorrir ainda mais mostrando seus dentes brancos e alinhados pela boca amora que contrastava com a face alva de maçãs rosadas. Os olhos eram duas pedras preciosas, os cabelos eram cascatas que resvalavam por sobre o rosto, ombros e costas. O corpo esguio bem acolhido pela peça fina e ainda assim nem um pouco vulgar, dando-lhe uma aparência onírica.
Tudo terminado, ela resolve pegar seu chapéu que estava no chão e dá um sorriso ao ouvir seu amigo falando-lhe.
"Haha, é incrível como você consegue estar sempre sorrindo. Você nunca fica triste ou de mau humor?"
"Não..." - respondeu com seu eterno sorriso em lábios. - "Por que eu deveria parar de sorrir? É tão bom." - continuava ao pegar sua bolsa e se ajeitando.
"É, você não tem jeito. Já está liberada, mocinha, mas nada de estripulias, viu? Eu te quero inteira e sem manchas na segunda." - um brilho maldoso cintilava em seus olhos.
"Pode deixar, Ken. Como se eu fosse a desvairada da dupla, né?" - respondeu no mesmo tom, o que deixou o amigo sem ter onde enfiar a cara, tirando da moça doces e sinceras risadas. Virou-se abanando a mão e andando para fora do lugar onde se encontravam. - "Até segunda, pessoal."
A equipe era magnífica, e a peça principal um anjo. Hina sempre fora uma garota feliz e talvez por isso a sua beleza se realçasse. Seus olhos sempre brilharam mais que uma chama de lamparina, seu sorriso sempre fora mais sincero que o de uma inocente criança, seu rosto, mesmo muito pálido, sempre teve aquela matiz rosada nas maçãs o que a deixava com um agradável e charmoso ar de saúde, encanto e beleza. Ela era divina. Sua personalidade era mais que magnética e por mais bonita e chamativa que fosse, a pessoa que ela era impedia o surgimento de invejosos ou inimigos que tentassem fazer-lhe algum mal. Não tinha como não gostar dela.
Um exemplo era a sua amizade antiga com o rapaz, que acabou por lhe direcionar o caminho dos flashes. Como fotógrafo, Ken sabia apreciar as coisas belas e Hina era um exemplar de beleza. Insistiu naquilo e hoje ela estava ali: posando para mais uma revista.
"Um dia eu ainda troco de lugar... Vou rodar o mundo e levar cor e melodia para aqueles que choram..." - pensou enquanto se sentava num banco de uma praça e distraiu-se com um gatinho que estava se esfregando em sua perna. - "Ah, que lindinho... Você também quer ouvir uma musiquinha?"
Pegando o gatinho no colo, fez festa em sua cabecinha e entoou melodicamente a letra de alguma música que, por algum motivo, apesar de triste, gostava muito de cantar.
Quando as luzes das sirenes param
E nós somos
largados por nossas contas
Todas as memórias são
tão poucas
Quando a música do pastor toca
E
aquela cascata desce
Eu poderia viver novamente se você
Apenas estivesse vivo por mim 1
Assustou-se ao ouvir um flash. Estava tão distraída que nem reparou quando alguém havia se aproximado.
"Missão cumprida!"
"Hiro!" - sorriu encantada com o rapaz que havia chegado. - "Só podia ser você mesmo, não?" - Ele sempre fazia isso. Gostava de chegar sorrateiro e fotografar aquilo que ele dizia ser a oitava maravilha do mundo (mas que só era a oitava porque era a última a aparecer, pois pra ele era a primeira) e que não poderia nunca desperdiçar as raras oportunidades de se retratar um momento como aquele.
Gostava de fotografá-la assim: verdadeira. Não em poses prontas ou maquinadas.
Ela era linda assim, verdadeira.
"E não era pra ser assim?" - chegou-se perto dela e sorriu, abraçando-a e beijando-lhe o topo da cabeça.
"Eu desisto" - respondeu com outro sorriso nos lábios, deixando o gatinho escapar e ir embora. - "E aí?"
"E aí que deu tudo certo." - falava enquanto se sentava ao lado de Hina. - "Consegui juntar um grupo de fotógrafos para uma exposição, consegui o lugar e assim a gente vai conseguir, Hina, a gente vai conseguir montar o nosso próprio estúdio!"
"Eu estou tão feliz por você... Que bom!"
E ele apenas ficou a admirá-la. Via seus olhos brilhando com total claridade e sinceridade, seus lábios pareciam brilhar também, assim como ela toda era envolta por um brilho que ele além de ver contemplava.
"Como você pode ser assim tão linda?"
Era sempre a mesma coisa.
A primeira vez que a vira foi quando ela descia as escadas da universidade onde estudavam juntos. Eles faziam o mesmo curso, mas não se encontravam com muita freqüência devido ao grande número de alunos inscritos.
Ele queria ser fotógrafo e ela radialista.
Ambos faziam jornalismo.
Ela havia se sentado numa cadeira e ele tinha chegado atrasado e sentou-se, sem querer, ao lado da garota que há mais de três semestres ele guardava de longe, o que quando percebeu o fez ficar muito sem graça.
Era uma daquelas aulas onde você tem que fazer trabalhos em grupo e foi aí que eles começaram a conversar e, por fim, a namorar.
Ele nunca se cansava de deslumbrar-se com ela e ela nunca deixou de se sentir a mulher mais sortuda do mundo por ter encontrado o homem que a via mais que seu corpo. O homem que lhe desnudava a carne e desvendava-lhe a alma.
Era isso o que ela queria e era isso o que ele dava.
"São seus olhos."
Por mais que a resposta parecesse simples e corriqueira, realmente era aquilo que ela achava: os olhos de uma pessoa que conseguia ver além do que o material permitia. Olhos que transcendiam os limites do físico.
"Então vou arrancá-los e colocá-los em uma moldura, assim, todos verão a sua beleza..."
"Ai, que horror, Hiro!" - reclamou da morbidez da piada virando o rosto em asco, mas depois não deixou de sorrir. - "E quando vai ser a exposição?"
"Ai... Vai ser depois de amanhã." - falou com o rosto um pouco retorcido pela preocupação.
Hina se assustou.
"Depois de amanhã?" - retorquiu boquiaberta - "Mas está muito em cima da hora, Hiroshi!"
Ele andava de um lado para o outro passando a mão no cabelo e a outra apoiada na cintura enquanto a namorada o acompanhava com os olhos.
"Eu sei, eu sei. A sorte é que somos bastante organizados e já esperávamos por algum furo desses. Eles realmente estão querendo nos testar, amor..." - ele juntou as mãos e sentou-se de frente para ela, olhando-a nos olhos. - "A gente tem que fazer bonito, assim vamos ganhar credibilidade e é isso o que eles querem saber. Se a secretaria achar que tudo saiu bem, a gente vai conseguir credibilidade. Vamos poder fazer várias dessas mostras e isso será apenas o começo para nós!"
Não se cabia em si de felicidade. Hiroshi tinha noção da importância daquele projeto.
Tinha começado a faculdade de jornalismo, pois desde jovem, moleque mesmo, ele adorava fotografar tudo o que acontecia no bairro. Sua câmera até fazia sucesso, pois ele sempre fotografava a coisa certa na hora certa. Chegou a ceder algumas fotos para jornais pequenos da cidade onde morava como fotógrafo amador, mas muitos sempre elogiavam seu trabalho bem feito.
Fotografias eram a sua paixão. E mais que isso: ele via arte no que fazia. Chegou um momento em que ele fotografava também para exibir ao mundo o que ele via e como ele via.
Ganhou alguns concursos de fotografia em quesito amador e desde então ele não parava.
Junto de sua namorada, este sonhava poder mostrar ao mundo a beleza das cores, das pessoas, do céu, mostrar o mundo com seus olhos.
E aquela exposição era o início da sua vida. Poderia ser o começo de tudo o que ele acreditava.
Sorrindo diante do entusiasmo do namorado, Hina apenas aquiesceu, fechou os olhos, segurou as mãos de Hiroshi entre as suas e sorriu mansamente.
"E eu vou estar junto de você nesses eventos. Vou estar sempre te apoiando." - respondeu abrindo os olhos e encarando-o. - "Sou seu braço direito e seu seio esquerdo."
Hiroshi soltou uma mão passando-a no rosto da amada e sorriu abobadamente.
"Você deveria ser poeta, sabia?"
Eles estavam felizes. Muito felizes. Tudo na vida deles estava dando certo. Se amavam, estavam concluindo o curso e a oportunidade para crescerem estava ali, diante de suas mãos. Logo, eles a agarrariam com força.
A oportunidade cedida realmente abriria-lhe caminhos. Durante aqueles dois dias tudo o que fizeram foi se falar por telefone e, aproveitando o fim de semana arrumaram tudo para a exposição de segunda. Um apoiando o outro, Hina fazendo o perfeito papel do amparo e suporte que Hiroshi precisava.
"Minha avó sempre dizia que aquele dia era o mais feliz na vida de meu pai e, conseqüentemente o da minha mãe. Não só pelo que se sucedeu, mas também pelas expectativas que eles possuíam e construíram juntos desde que decidiram o que eles queriam da vida."
"Mas o que isso tem a ver com vocês serem assim, Yukina?" - Perguntou Keiko, tentando entender onde ela queria chegar. Até agora, tudo o que foi dito não passou dos momentos mais bonitos que um casal pudesse ter.
"Talvez vocês cheguem à mesma conclusão que eu depois de ouvirem tudo, pois só assim para entender perfeitamente." - respondeu, tentando explicar tudo o que poderia para esclarecer de vez a situação dela e de seu irmão. Não mais queria esconder tudo, não mais poderia viver com aquilo preso em sua garganta. "Assim que a segunda chegou, minha mãe terminava de se vestir e entrar no táxi para chegar à comitiva..."
A segunda-feira havia chegado com um sabor de novo e de porta pronta para ser tocada. Ela estava se vestindo para a inauguração da exposição, que ficaria aberta por cinco dias. Sorria toda vez que se lembrava da forma como ele tinha frisado que "sua presença é inestimável", e fazia questão de que ela estivesse o acompanhando desde o início. A cara dele chegava a ser cômica quando a falava, já que era mais que óbvio seu nervosismo.
Tinha acabado de se vestir. Uma saia até os joelhos, creme, uma blusa de um tecido incrivelmente fino e esvoaçante que dava um ar de leveza, um pouco pregueada nos ombros bonitos, um chapéu da mesma cor que a saia e sandálias. Os cabelos presos numa trança bem feita e óculos de sol completavam o visual. Tinha acabado de fechar a porta de casa e o táxi chegou, pronta para apoiar o seu amor.
Entrou no carro e nem precisou dar as coordenadas, já que Hiroshi havia pedido para o homem buscá-la e levá-la até onde ele se encontrava.
Por algum motivo desconhecido, talvez pura nostalgia, ela conseguiu ver toda a sua vida naquele instante no qual se encontrava dentro do táxi.
Sua mãe, Genkai, uma mulher muito forte e decidida criou sua filha única com todo o amor e carinho que uma mãe de verdade poderia dar junto ao seu pai, o senhor Toguro. Um casal que entendia de lutas e que fazia das artes militares sua fonte de sustento não se incomodaram ao ver que a doce e bela filha tinha um grande potencial para algo mais delicado. Nunca se opuseram às suas vontades, pois confiavam nela e na criação que lhe foi imposta.
Ficaram feliz quando a filha lhes apresentou o namorado. Finalmente ela havia se apaixonado.
Hina sempre trabalhava e estudava, era popular, chamava a tenção e todos gostavam de estar perto dela. Foi fácil atrair as pessoas e inevitável a aproximação daquele rapaz tão tímido que lançava olhares envergonhados e que ela já tinha reparado.
Se apaixonaram.
Era a história de amor perfeita. Seu primeiro namorado, o homem que ela sabia ter sido reservado para ela, apenas para ela.
E já eram independentes. Ambos. Responsáveis.
Se amavam verdadeiramente. Eram um a vida do outro.
Sempre estiveram juntos quando um estava prestes a fazer algo, dando força e apoio.
E daquela vez não era diferente.
"Senhorita?"
"Perdão?" - respondeu balançando a cabeça, voltando a atenção ao mundo real.
"Já chegamos."
"Ah, sim. Obrigada."
Saindo do táxi, tomou ar, levantou o rosto e abriu os olhos depois de mantê-los fechados por alguns segundos, tomando coragem para enfrentar o que quer que acontecesse lá dentro.
Subia as escadas elegantemente evocando silenciosa uma prece para que arrumasse forças para o que viesse a enfrentar.
O salão estava belo, magnífico, deslumbrante. Uma verdadeira obra prima para aqueles que tivessem a sensibilidade certa e suficiente para saber distinguir e perceber que tudo o que estava lá tinha um porquê.
- Hina! Aqui!
Virou o rosto procurando pela voz conhecida. Sorriu e correu em direção à voz assim que reconheceu o dono.
- Hiro... Está tudo tão bonito...!
- Obrigado... Me inspirei em você - falou baixinho para que só ela pudesse escutar.
Ela ficou corada, mas pôde perceber isso assim que entrou no salão. As cores tinham a sua matiz favorita, as fotos distribuídas de uma forma que ela sempre fazia com as suas em seu mural e os temas divididos de uma forma tão organizada e displicente ao mesmo tempo que chegavam a ser discordantes, mas que possuíam aquele "quê" a mais de ligação, como duas pessoas diferentes, mas feitas uma para a outra.
- Parabéns, meu amor - respondeu baixinho, entrelaçando seus dedos nos de seu amado apreciando a dedicação desse.
Andaram mais um pouco pela mostra, recebendo elogios, sugestões e críticas construtivas, o que os empolgou bastante, já que ninguém havia depreciado o trabalho até então.
"Olá, Hino."
"Olá, senhor Chiba. Espero que esteja gostando..."
"Sim, estou. Você está de parabéns, meu jovem. Estou muito satisfeito com o evento, fico feliz em poder alicerçar um jovem promissor como você."
"Que isso... Eu fico lisonjeado por poder receber ajuda de alguém tão ilustre e ainda por cima agradá-lo."
"Mas isso era o mínimo... E eu o asseguro que você terá mais gente interessada nas suas qualidades, meu bom rapaz."
"Mais uma vez, muito obrigado."
"Disponha. Mas o senhor não gostaria de nos prestigiar com algumas palavras?"
"E o que aconteceu?" - perguntou Kuwabara.
"A mostra foi um sucesso. O que ele falou agradou a todos. Depois daquilo, meu pai conseguiu prestígio e nome suficiente para bancar outros projetos como aqueles e realizar o sonho dele e da minha mãe. Naquelça mesma noite, meu pai, segundo a minha avó, pediu a mão de minha mãe em casamento na frente de todas aquelas pessoas e, em apenas alguns meses eles estariam se casando."
