Musica: Onde Estiver - Glória
"Os dias são tão iguais o vento toca a janela
Não sei se sou tão capaz de viver (de viver sem você)
Sua indecisão (tentando aprender, seguir)
Quase me matou, me matou (desistir nunca mais)
Partiu meu mundo em dois (hoje espero você)
Onde estiver saiba que eu sempre estarei aqui
Mesmo que o tempo te levar
Tive que aceitar
Mais me perco sem você
Tive que continuar
Mais não vivo sem você
Essa me faz lembrar de tudo que passamos
Essa noite vou dançar sem você"
Assim que Hinata saíra do trem na estação de Sakai, ela avistara Neji esperando por ela. Sentiu o coração apertar e, em muito tempo, teve medo. Sentira um medo tão grande de perder a mãe que se assustara.
-Onde está minha okaa-san? Eu quero vê-la. – ela disse assim que se aproximara o suficiente para que primo pudesse ouvi-la.
-Sua okaa-san está no hospital. Minha okaa-san está com ela. – disse Neji pegando as malas da prima e levando-as para a caminhonete – O médico nos disse que a situação é estável. – Hinata o acompanhou e entrou no carro – Minha okaa-san pediu para eu te levar pra casa. Assim você pode tomar um banho e descansar um pouco. – terminou ao se sentar ao lado de Hina.
-Leve-me para o hospital, Neji. – ela pediu quando ele ligava o carro
-Mas você precisa descansar um pouco pelo menos e... – ela puxara o rosto do primo para olhá-lo nos olhos
-Leve-me para o hospital, Neji. – a voz dela havia falhado e ele viu desespero e medo nos olhos marejados da garota. Assentiu e os dois foram para o hospital particular de Sakai.
Fazia uma semana desde que Harumi estava internada. Hinata não saia do lado da mãe e não tinha planos de ir pra casa tão cedo. Ela estava dormindo em uma cadeira que tinha ali e tomando banho no pequeno banheiro do quarto.
O médico tinha explicado o que acontecera, mas ela não estava prestando muita atenção. Harumi tinha sofrido uma parada cardíaca e se não fosse por Aika, ela estaria morta agora. No momento a mãe de Hina estava em coma, mas pelo menos a situação era estável. Isso devia ser uma coisa boa, certo?
Hinata queria conversar com a mãe. Queria pedir desculpas por tudo que ela tinha feito, pelas preocupações, pela tristeza que ela trouxera, mas a mãe não acordava e isso a deixava cada vez mais preocupada. Ela amava a mãe incondicionalmente e daria sua vida para salvar a dela.
Neji aparecia no hospital sempre que podia e fazia companhia para Hinata. Ela estava acabada. Sem maquiagem nenhuma, os cabelos sem brilho e sempre presos de qualquer jeito, tinha olheiras profundas sob os olhos que, ele tanto admirava, estavam opacos.
Na ultima vez que Neji estava com elas o aparelho que estava mostrando os batimentos cardíacos de Harumi começaram a apitar freneticamente e Hinata ficou desesperada, então ele chamou os médicos. Os primos precisaram sair do quarto enquanto os doutores cuidavam da mãe da morena.
Hina estava desesperada na sala de espera. Queria ver a mãe, precisava falar com ela.
Uma enfermeira foi até eles avisar que Harumi tinha entrado na sala de cirurgia para uma operação de emergência e que assim que tivesse alguma notícia ela voltaria para avisar.
-Tudo vai ficar bem, Hina – disse Neji colocando a mão no ombro da prima.
-Não diga isso – ela falou com os olhos agoniados – Sempre quando alguém diz que "vai ficar tudo bem", as coisas nunca ficam bem – ela tinha algumas lágrimas nos olhos e elas começaram a cair.
-Você precisa ter fé – disse Neji – Deus vai cuidar da sua okaa-san
-Deus? – ela perguntou com a voz se alterando – Deus? – estava cheia de sarcasmo também – Deus é uma criatura filha da puta que fez uma pessoa boa como a minha okaa-san sofrer e ficar doente. – ela gritava agora – Que tipo que criatura boa faz isso? Enquanto a minha mãe está sofrendo, existem cretinos por ai que fazem coisas horríveis e nojentas. Mas eles estão bem, com saúde e nada acontece com eles. – ela chorava compulsivamente – Eu não quero ajuda desse seu Deus. EU QUERO QUE MINHA MÃE FIQUE BEM.
-Calma Hina – Neji murmurou abraçando a prima – Calma, eu estou aqui pra te apoiar – ele murmurava coisas para deixá-la mais tranqüila.
-Hina – ela ouviu seu nome, mas não prestava atenção em quem a chamava – Eu vim assim que soube. Como você está? – ela procurou pela voz e tentou identificar quem era.
-Anna? – ela murmurou e sentiu os olhos arderem. – Abraça-me, Anna – ela murmurou sentindo as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Annabele abraçou a amiga e murmurou palavras de conforto sem tocar no assunto religioso, pois sabia que Hina era meio contra essas coisas.
Depois de horas de espera em agonia uma outra enfermeira se aproximou e perguntou por Hinata.
-Minha okaa-san está bem? Posso vê-la? – a morena estava ansiosa para conversar com a mãe pedir perdão pelas preocupações.
-O médico que operou sua mãe quer conversar com a senhorita antes de qualquer coisa – a enfermeira respondeu simplesmente e saiu andando, esperando que a garota a seguisse e foi o que ela fez.
As duas andaram pelos corredores até chegar ao elevador, entraram e subiram até o terceiro andar. Lá a enfermeira guiou Hinata até uma porta branca como todas as outras que ela vira, e nessa tinha uma plaquinha escrita Cardiologista.
Hina abriu a porta e entrou. A sala não era muito grande, mas também não era muito pequena. Tinha uma cor clara, mas era diferente do branco sem graça do resto do hospital, era uma tinta meio creme. Havia uma mesa grande de cor tabaco, e atrás dela tinha uma cadeira grande e preta. Na frente da mesa havia duas cadeiras da mesma cor da outra. Sobre a mesa estava um note book, alguns porta-retratos e uma placa escrita Dr. Matthew Forbes, Cirurgião Cardíaco.
-Sente-se – disse a enfermeira, da porta – O Dr. Forbes já está vindo. – Hinata assentiu e sentou-se em uma das cadeiras a sua frente. Ela ficou ainda mais nervosa assim que se viu sozinha.
A morena deu uma olhada nos três porta-retratos que estavam ali e reparou que, alem do nome, o médico tinha feições ocidentais. Em uma foto havia um homem jovem, loiro de olhos castanho-escuro junto com uma mulher também jovem de cabelos castanho-avermelhados e olhos verdes. Os dois pareciam tão felizes. Na segunda havia duas mulheres, na verdade uma mulher, a que ela percebeu ser a mesma da outra foto, e uma garota loira de olhos verdes. E na ultima foto os três estavam juntos. Uma família linda e muito feliz. Ela sentiu inveja.
-Desculpe-me a demora – Hinata ouviu uma voz masculina forte com sotaque diferente tirando-a de seus pensamentos. Olhou para trás e viu o homem da foto entrando na sala e indo sentar-se de frente para ela.
-Esta é sua filha? – perguntou ela curiosa, esquecendo da mãe por um segundo.
-Sim – respondeu assim que se sentou – Annabele deve ter sua idade – a voz do médico era calma, grave e agradável. Desde que Harumi fora internada ela não se sentira tão calma quanto agora.
-Ela tem – respondeu Hina – Temos aula de desenho juntas no sexto tempo – continuou ela quando o médico pareceu confuso. – Gosto muito da Anna. Ela faz essa cidade ficar suportável. – ele sorriu.
-Fico feliz em saber disso.
-Vocês se parecem, sabe? – a garota comentou – O senhor deve ter orgulho da sua filha. – a morena tinha um sorriso melancólico.
-Sim, muito – respondeu o Dr. – Mas tenho certeza que seu pai também sente orgulho de você. – ele o viu abaixar a cabeça e murmurou.
-Tenho certeza que se o homem que engravidou minha okaa-san se lembra de mim, não é com orgulho. – ela tinha amargura e raiva na voz. Hinata não conseguia chamar aquele homem de pai. – E minha mãe, como está? Quando posso vê-la? Preciso conversar com ela. – disse Hina subitamente lembrando-se do porque estava ali.
-Senhorita Hyuuga. – o tom de voz do médico era cauteloso e sério e antes que ele pudesse falar qualquer coisa ela já sabia. – Tenho uma péssima notícia para lhe dar. – ela sabia o que tinha acontecido. Ela pressentira desde que falara com Neji. Maldito Deus que fizera isso com sua mãe. Ela não merecia isso, Harumi era bondosa, gentil e se a mãe estava morta agora era culpa dela.
-x-
-Não vai ter nenhum velório. – Hinata falou quando a Aika disse que ia cuidar de tudo. A tia e Neji foram chamados pelo médico para receberem a noticia. Annabele também estava lá.
Todos olharam para ela com expressões surpresas. A morena tinha permanecido quieta desde que o médico lhe explicara o que tinha acontecido. Hinata apenas tinha ficado ali sentada sem nenhuma expressão no rosto, olhando para o nada.
-O que disse querida? – perguntou a tia esperando ter entendido errado.
-Eu não quero que façam velório para minha mãe. – ela respondeu com o olhar meio desfocado
-Mas Hina-chan, não acha que deve uma ultima homenagem a sua okaa-san? – Aika tentou argumentar sem sucesso
-Por isso mesmo. Minha mãe não precisa de um monte de gente hipócrita enquanto ela tenta descansar. Vai ser só o enterro e ponto.
Dois dias depois da morte de Harumi, aconteceu o enterro. Estavam presentes, Aika, Neji, Annabele e seu pai, além de Hinata.
Aika queria que um sacerdote budista, um pastor ou um padre fosse até o cemitério para "abençoar a alma de Harumi-san", mas a filha disse que não queria nenhum tipo de benção. A mãe não precisava que o Deus que a matou abençoasse sua alma. Harumi não precisava dessas merdas. Ela iria descansar em paz, sem nenhum tipo de perturbação. Hinata devia isso à sua okaa-san.
-x-
O primeiro instinto de Neji ao saber da morte da tia foi abraçar Hina e dizer que tudo ia ficar bem, mas se lembrou da reação dela da ultima vez que ele disse isso, então ficou quieto. Tentou encontrar uma forma de ampará-la e cuidar dela, mas a prima não parecia estar tendo problemas com a situação.
Ela permanecera quieta, soturna, calma e estupidamente fria. O rapaz não sabia o que pensar sobre a atitude dela. Ele não conseguia, nunca, saber o que ela estava sentindo ou pensando de verdade. Hinata era ótima em esconder suas reações e sentimentos. Poderia ser uma ótima atriz.
Neji não sabia o que fazer, de como agir, porque sempre parecia fazer a coisa errada quando se tratava de Hinata. Queria ajudá-la, conversar com ela como eles fizeram nos últimos dias antes da viagem e do incidente com Harumi, mas sentira que a prima se fechara de novo em seu próprio mundo. E a presença de Annabele não ajudava em nada. Aquela loirinha estava sempre grudada na morena e não facilitava a aproximação do rapaz. Ele teria que esperar um pouco, mas o que eram algumas horas para quem esperou a vida inteira para estar com a garota certa?
-x-
Assim que o enterro acabou Annabele se ofereceu para levar Hinata para casa e fazer companhia para a amiga, mas ela recusou.
-Vocês podem ir. Eu vou ficar mais um pouco. – ela disse séria.
-Mas, como você vai voltar pro sítio? – Neji perguntou preocupado.
-Dou meu jeito, nii-san. Não se preocupe comigo. – os olhos de Hinata estavam frios e sem emoção nenhuma. Neji não sabia o que fazer, mas sentia que precisava ajudá-la.
-Tudo bem, - ele respondeu – Me ligue se precisar que eu venha te buscar – completou antes de sair juntamente com a mãe na direção do estacionamento.
-Eu vou ficar contigo, Hina – disse Annabele depois que Neji já tinha desaparecido.
-Não vai não. – respondeu Hinata – Você vai embora com seu pai e vai me deixar aqui sozinha com a minha okaa-san.
-Hina... – Anna tentou argumentar, mas Matthew a cortou.
-Annabele, querida. Hinata precisa de um tempo sozinha. Deixe-a e vamos para casa. Vocês se falam outra hora.
-Escute seu pai. – disse a morena olhando para a amiga e a abraçou – Obrigada por tudo – ela olhou para o Dr. Forbes – Vocês dois.
-Se precisar de alguma coisa, Hina – disse Annabele – Qualquer coisa, é só me ligar. – a loira abraçou a amiga de novo – Se cuida.
-Obrigada – Hinata murmurou e Anna foi embora com seu pai deixando-a ali sozinha.
Assim que ficou sozinha ela se aproximou do túmulo da mãe e se ajoelhou no chão.
-Mamãe, é minha culpa – ela disse sentindo os olhos ardendo. – Eu sempre te dei trabalho, a deixei preocupada por tanto tempo que você acabou criando esse problema do coração. A senhora era tão boa pra mim, okaasan. Perdão por não dizer o quanto eu a amo enquanto estava viva. A senhora era tudo pra mim. – as lágrimas que ela segurou por dois dias começaram a cair sem parar.
Hinata ficou ajoelhada ao lado do túmulo de Hyuuga Harumi, chorando, até que a noite caiu. Então ela se levantou e saiu do cemitério sem nem olhar para trás.
-x-
Assim que Hinata chegou em casa Neji foi até o quarto dela. A prima estava deitada na cama quando ele entrou. Ele se deitou com ela, como da vez em que ela lhe contou sobre o romance desastroso com Sasori. Os dois ficaram ali se olhando por um longo tempo. Nenhum dos dois disse uma só palavra, mas Hinata nunca tinha se sentido tão amada e acolhida como naquele momento. Talvez ela devesse mesmo dar uma chance para o primo.
-Quando sua mãe quer que eu vá embora? – ela murmurou um tempo depois.
-Ir embora? – perguntou ele surpreso – Do que você está falando Hinata?
-Agora que minha mãe morreu não faz mais sentido eu ficar aqui atrapalhando a vida de vocês. – ela disse dando de ombros. – Assim que puder eu arrumo um lugar pra ficar e... – o primo a interrompeu
-Cala a boca, garota. – ela se assustou com as palavras, mas a maneira que ele disse não era ofensiva – Você não vai a lugar nenhum, me ouviu? Eu não vou deixar nos separarem novamente – ele disse em um murmúrio tão carinhoso que fez Hinata sorrir. Ela se aconchegou ao corpo dele e caiu no sono.
A pequena garota estava deitada na grama do jardim da casa onde morava com a mãe. O sol de fim de tarde pintava o céu de cor-de-rosa e aquecia a pele da menina. Ela vestia um vestido florido e delicado. Sentia-se tão triste e não sabia como fazer para mudar esse sentimento.
-O que faz ai, Hinata-sama? – ela ouviu aquela voz que tanto admirava e sentou-se para vê-lo se aproximar. Ele se sentou ao seu lado e logo depois de admirá-la por uns segundos se deitou olhando para o céu, algumas estrelas estavam começando a aparecer.
-Só estava pensando, nii-san. – ela respondeu com uma voz melodiosa.
-Eu gosto do tom que seu cabelo fica no sol – ele disse fazendo-a ficar envergonhada. A garota deitou-se novamente e ficou olhando para o menino pouco mais velho que ela. Ele a olhou – também gosto do tom da sua pele quando fica com vergonha. – Ela corou ainda mais.
-Para nii-san – ela retrucou com vergonha, mas estava sorrindo. O menino olhou para o céu novamente e ela fez o mesmo. – É verdade que você e titia Aika vão se mudar? – ela já estava sentindo as lágrimas se acumulando em seus olhos e eles começavam a arder.
-Sim, hime. – ele respondeu com pesar. – Quero que me prometa uma coisa. – disse se virando pra ela.
-Prometo tudo que você quiser nii-san – ela olhou pra ele também, com a visão turva por causa das lágrimas.
-Prometa-me que, quando florescer, vai ser apenas a minha flor de lótus. – ele disse e tocou o rosto da prima com carinho. – Hime, me prometa que vai ser só minha.
-C-c-cla-claro, nii-san. – ela tinha o rosto em brasas agora, mas estava feliz por saber que ele a amava tanto quando ela o amava. – Sempre serei apenas sua.
Hinata acordou assustada. Aquele sonho parecia tão real, tão verdadeiro que a deixou tonta. Olhou para o quarto e viu que estava sozinha. Neji a deixara depois que caíra no sono. O que havia de errado com ela?
Estava ficando louca, só podia estar acontecendo isso. Não tirava o primo da cabeça e ficava em paz quando ele estava por perto. Estava agradecida, claro, por tudo que ele vinha fazendo por ela. Mas por que sentia essa necessidade de tê-lo ao seu lado? Era algo tão forte e absurdo.
Fechou os olhos e tentou dormir novamente. E foi então que percebeu. Não tinha sido um sonho. Tinha sido uma lembrança.
Hey dudes do meu coração :D
então que eu não vou me desculpar pela demora porque eu tava tentando dar uma adiantada na história, que está quase pronta :D
Então, quero saber o que acharam do cap? Forte demais? Sentimental demais?
Boa noticia.. nos proximos caps vai ter Hentai NejiHina hihi
Deixem reviews :D
