As notas dos exames de Dominique foram muito boas, mas não superaram as da prima, que mesmo assim estava desapontada com seu desempenho. O resto da família Weasley também tinha conseguido boas notas, exceto por Fred, que quase ficou fora do time de quadribol da Grifinória por notas baixas.

Os treinos haviam voltado após uma semana somente de provas, Tim estava passando várias novas jogadas, que ele havia visto em um livro na biblioteca, alterando algumas coisas. Dominique voltou a treinar melhor do que antes, ela estava mais concentrada e tentando realizar fintas que nunca havia tentado antes.

No primeiro jogo pós provas, a Grifinória pegou a Lufa-Lufa, e alguns olheiros de times profissionais e amadores foram à Hogwarts olhar a nova safra de atletas. Tim foi chamado para conversar com alguns deles, enquanto isso, Dominique, Fred e os outros voltaram para o vestiário para se trocarem.

- Dominique Weasley? – perguntou uma mulher que entrava no local – Vim aqui hoje para dar uma olhada na goleira da Lufa-Lufa, mas não pude deixar de notar seu jogo. Está no quinto ano, não é? Já sabe o que fazer quando se formar?

- Sim, estou no quinto ano – disse a loira – eu gostaria de jogar quadribol profissionalmente.

- Pois bem, sou olheira do Harpias de Hollyhead, certamente voltarei a Hogwarts em dois anos. – falou a mulher apertando a mão de Dominique. A adolescente ficou muito feliz, seu esforço físico nos treinos e jogos fez seu jogo fluir mais, e agora ela estava colhendo os frutos que plantou. Perdida em seus pensamentos, a Weasley mal percebeu o capitão do time entrar no vestiário, com um sorriso de orelha a orelha.

- Acabei de aceitar o convite para jogar no Puddlemere United na próxima temporada! – disse Tim, nesse momento, Dominique aterrissou de volta no mundo real, ela correu para abraça-lo, o parabenizando.

- Temos que comemorar! – disse Ashton, o goleiro da Grifinória.

- Vamos no Três Vassouras – disse Gabriel, o segundo batedor.

- Posso levar Lucy? – perguntou Dominique, os integrantes do time permitiram. A prima, correta, nunca tomou nada que a alterasse, e a loira achava que estava mais do que na hora de experimentar uma cerveja amanteigada.

Dominique voltou para o dormitório, tomou um banho rápido e encontrou Lucy fazendo o trabalho de DCAT que era para ser entregue em duas semanas. A loira tentava convencer a morena a acompanha-la, mas estava difícil, logo, soltou contou uma mentira:

- Vamos lá, Sam que me pediu para te chamar.

A equipe de quadribol da Grifinória e a Weasley do quinto ano ocuparam a maior mesa do local, eles beberam várias rodadas de cerveja amanteigada, que tinha uma substancia que fazia as pessoas falarem antes de pensar, então as pessoas acabavam ficando mais sinceras. Desse modo, Lucy, que era bem séria, virou a comediante da mesa.

- Não sabia que você era tão engraçada – riu Fred, contagiando os outros.

- Dominique, eu queria voltar aqui outro dia, mas só com a sua companhia – falou Dylan no ouvido da loira enquanto os outros riam da revolta sincera de Lucy com sua nota no trabalho de Runas Antigas. – Seria um encontro.

- Um dia talvez. Vou indo gente, tenho que ver uma parada com minha irmã. – levantou-se Dominique aliviada por Andrew não estar no local.

- Eu te acompanho – disse Dylan também se levantando. "E agora? Como vou dizer a ele que não quero sua companhia, sem magoá-lo?".

- Você não vai querer estar presente em uma conversa entre essas Weasley. Quase sempre termina em discussão – disse Lucy, bebendo a terceira caneca de cerveja amanteigada – Acredite em mim, estava presente em quase todas as discussões da vida delas.

"Muito obrigada Lucy", pensou Dominique, vendo que Dylan tinha sentado novamente. No caminho de volta para o castelo, Louis estava descendo para a cidadela, correndo, seguido por Molly. Dominique ficou surpresa com aquela cena, foram poucas as fezes que viu a prima correndo.

- Passei no teste para o time de duelos da Grifinória – falou o irmão ofegante – Molly não.

Quando sua prima, e irmã de Lucy, passou, Dominique segurou seu braço. Molly era muito parecida com seu pai Percy, ela não tinha senso de humor, era meio antissocial e era extremamente competitiva, queria ser melhor do que todo mundo, em tudo. Exceto em esportes, que detestava.

- Você ainda não aprendeu? – perguntou a loira – Quando mais você der corda, mais ele vai te zoar.

Molly olhou feio para a prima e puxou seu braço, se desvencilhando da mão que a segurava e voltou a correr atrás de Louis. "Acho que no fundo ela gosta das implicâncias dos meninos, é um jeito de interagir com outras pessoas" pensou Dominique.

A cada dia que passava, menos folhas se viam na árvores, o salgueiro lutador já estava completamente pelado. Aos poucos a neve começou a cair nos terrenos de Hogwarts, e agora era impossível sair do castelo sem estar bastante agasalhado. Para disfarçar a proximidade provas bimestrais anteriores às férias, haveria um baile de inverno, que havia virado tradicional, desde quando o Torneio Tri-Bruxo foi sediado no castelo.

Era sábado a tarde, a Grifinória não teria jogo, mas o colégio, quase todo, ia para o estádio para ver Sonserina contra Corvinal. Dominique estava super animada naquela manhã, era o quarto mês de namoro dela e de Andrew, ela mandou uma carta na noite anterior para o rapaz, desejando-lhe boa sorte no jogo, mas não mencionou a data, queria que o namorado lembrasse, já que nos meses anteriores a comemoração partiu dela.

Dominique e Lucy foram para o estádio de quadribol com o time da Grifinória, lá encontraram Louis e Roxainne, o menino foi para encontrar Fred e torcer contra a Sonserina, e a menina foi para torcer para um de seus amigos que jogava no time da Corvinal.

A Sonserina começou muito mal, o adversário tinha maior posse de bola, já haviam feito dois gols e continuavam pressionando. O time de McCoy estava perdido em campo, batendo cabeça nas jogadas de ataque e defesa, até que o capitão pediu tempo.

A volta para o jogo, a Sonserina parecia outro time, eles pareciam com fomo de jogo, estavam lutando para reverter o placar que já estava com uma diferença de sete pontos. Entretanto, a vontade de vencer o jogo dos dois times estava deixando o jogo feio, cheio de faltas e pequenas agressões verbais e físicas.

O jogo foi assim até o apanhador da Corvinal pegar o pomo, explodindo a torcida da casa do corvo de felicidade, pois disputariam o título da Copa de Quadribol de Hogwarts com a Grifinória. O final do jogo foi marcado por discussões entre os jogadores da Sonserina, que tiveram que ser apartados pelo capitão do time, por Andrew e pelo treinador Jordan.

Na saída dos alunos do estádio, Dominique percebeu que o jogador da Corvinal que Roxainne estava esperando sair era seu namorado, a prima apresentou-o para a loira e Lucy.

- Gente esse é Franklin Gordon, estamos namorando há um mês, quase. – apresentou a mulata. As meninas o cumprimentaram e em seguida começaram a retornar a Hogwarts.

- Incrível como Roxainne sempre arranja namorados bonitos, não é? – perguntou Lucy.

- É, mas esses namoros não costumam durar muito – falou Dominique – acho que o que mais durou foram seis meses.

A Weasley estava ansiosa para comemorar aquele dia especial, mas ela passou a tarde inteira sem ter um momento sozinha com Andrew. A menina pode perceber que o namorado estava pouco conversativo com seus amigos, logo, na primeira oportunidade que teve a noite perguntou a ele:

- Você está bem?

- Pareço bem? – perguntou retoricamente Andrew de maneira agressiva.

- Ei, olha como você fala comigo, está achando que sou um dos seus amigos? – perguntou a menina com raiva.

- Desculpe-me, mas preciso de um tempinho para me desestressar, o dia de hoje não foi bom. – disse o rapaz se levantando e saindo do local.

"Não foi bom mesmo, você se esqueceu do nosso aniversário de namoro" pensou Dominique triste. A Weasley foi dormir com os olhos marejados, estava decepcionada com McCoy, as vezes passava por sua cabeça que ela o amava mais do que ele a amava.

Alguns dias se passaram e Dominique não falou com Andrew desde o dia em que a Sonserina foi eliminada do campeonato de quadribol de Hogwarts pela Corvinal. Por esse motivo, a menina andava muito estranha aos olhos de Lucy, que a perguntava toda hora se estava bem.

Para a prima, a gota d'água foi quando Dominique brigou com ela, dizendo que não estava se esforçando para explicar a matéria de adivinhação. Lucy retrucava dizendo que ensinar a loira não era sua obrigação. Sendo assim, o resultado da discussão foi que a morena levou a prima para a ala hospitalar, pois achava que estava com problemas psicológicos.

- Madame Ponfrey, dizem que a senhora cura tudo, por favor, poderia faze-la voltar ao normal? – perguntou Lucy – Preciso voltar a estudar.

A enfermeira ficou olhando para Dominique, e esperou a sua prima sair do local para tocar em um assunto delicado para a loira:

- Cadê Andrew?

- Sei lá – respondeu Dominique mal humorada.

- Vou chama-lo, espere aqui. – disse Ponfrey.

- Não! – exclamou a loira – Não quero falar com ele.

- Mas eu estou achando que vocês precisam conversar – completou a enfermeira. Vendo que a Weasley era muito orgulhosa e não ficaria na ala hospitalar aguardando por ela e McCoy, Madame Ponfrey enfeitiçou Dominique com "Morphemus", que a fez dormir.

Após ter ido a sala de Aritmância buscar Andrew, a enfermeira voltou para a ala hospitalar com o rapaz, que ficou confuso por ter visto a namorada dormindo lá.

- "Finite Incantatem". – desfez o feitiço do sono em Dominique, quando ela abriu os olhos e viu o namorado, a enfermeira completou – Vocês precisam conversar.

Madame Ponfrey foi para seu escritório e fechou a porta, deixando os dois sozinhos. Andrew olhou para Dominique, que não olhou para ele nenhum minuto, ela estava de cara fechada e braços cruzados.

- O que, que aconteceu? – perguntou Andrew – Porque você está assim? E porque você não me encontra mais?

- Você está de brincadeira, não é? – riu ironicamente Dominique – Você pediu um tempo para desestressar, estou te dando esse tempo. Sem mim, você não fica mais estressado.

- O que? – perguntou Andrew – Eu só queria ficar sozinho naquele dia, não no resto da semana!

- Mas era aquele dia mesmo que eu não queria ficar sozinha! – gritou com o namorado. Andrew olhou estranho para a menina, não estava entendendo o que a menina queria dizer. – O número quatro não quer dizer nada para você?

Andrew arregalou os olhos, parecia ter lembrado da data em que fizeram quatro meses de namoro e que ele havia esquecido. Ele pediu mil desculpas para Dominique, falando que ia recompensá-la, mas a menina ainda estava irritada.

- Sabe de uma coisa? – disse o menino acariciando o braço da menina – Eu acho você muito linda irritada. Eu senti sua falta esses dias.

- Não adianta Andrew, eu ainda estou chateada contigo – disse Dominique.

- Pode até estar, mas eu quero te beijar, e sei que você também quer – disse ele – Pare de se segurar Domi, você sabe que não vai conseguir, hoje a noite tem lua cheia.

De repente, a Weasley se tocou, por mais que Andrew tivesse esquecido o dia do aniversário de namoro deles, ele sempre lembrava dos dias que a namorada era afetada pela lua cheia. Como McCoy havia previsto, aquele dia despertava um sentimento profundo em Dominique, que abraçou o namorado e o beijou.

- Marrentinha, temos que resolver um problema – disse Andrew brincando com a franja loira da Weasley – Quer ir ao baile de inverno comigo?

- Queria, mas não podemos – disse Dominique com um sorriso amarelo – Acho que Dylan vai me convidar.

- Eu não gosto dele – falou McCoy.

- Eu sei disso, mas se ele me chamar, terei que aceitar. Na verdade, o primeiro que me convidar eu vou ter que aceitar. – falou a menina – você também terá que chamar uma menina, para seus amigos não desconfiarem.

- Que bom que vocês se entenderam – disse Madame Ponfrey abrindo a porta do seu escritório e vendo os dois abraçados – Mas sinto lhes informar que terão que voltar para suas aulas.

Dominique foi para a aula de D.C.A.T e Andrew foi para sua aula de Astronomia. Não se viram mais naquele dia, mas a noite, a menina mandou uma carta para o namorado dizendo que havia feito as pazes novamente com Lucy e que, como previsto, Dylan havia convidando-a para o baile.