Pensou consigo se era possível ter ficado roxo de vergonha como se sentira, pois não só não bastara o transito que o homem pegara por sua culpa e o fato de tê-lo chamado de 'docinho' sem querer - coisa essa que fazia com Kanon às vezes -, ele tinha que ser esperado na porta pela avó, que logo que viu o carro parar, veio em direção a ele, dividida entre bronquear consigo e agradecer a gentileza do estranho bonitão que lhe trouxera.

Não que tenha sido o pior, ainda foi chamado umas três ou quatro vezes pela boa senhora por aquele apelido infantil que lhe deram quando neném, coisa essa que não permitia acontecer na frente do amante de forma alguma. Bem, não que tenha tido um final de manhã desagradável... Até que na verdade se divertiu bastante, assistindo a conversa de sua avó, inglesa de nascimento e grega de coração, sobre a eterna relação da França e Inglaterra com o ruivo. Não que esta tenha durado muito, na verdade logo foi descartada, substituída por outra mais leve e descompromissada. E a boa senhora até mesmo insistiu para que o homem almoçasse com eles, o que foi acatado com certo desconcerto.

Não saberia precisar exatamente como passou esse tempo, apenas sabia que Camus ganhara a preferência absoluta de sua avó e que teria de ouvir eternamente agora que ela preferiria se o francês o buscasse em casa ao invés de Kanon. E isso seria algo que realmente gostaria de não ter que ouvir, dados os últimos acontecimentos...

Camus ficou mais duas horas depois do almoço e depois se foi sob o pretexto de ter de se arrumar para a festa de Afrodite, a qual já havia deletado de sua mente. E quase sentiu desanimo ao pensar nisso, o que foi acentuado pela despedida rápida e tímida dos dois ao portão de sua casa, num aperto de mão um pouco demorado demais por sua parte.

– Um amor de pessoa este seu amigo, Mimi... – suspirou satisfeita a boa senhora, chamando-o mais uma vez por aquele apelido infeliz. – Tão educado... E bonito, tenho que dizer também.

– Claro, claro vó. – concordou apressadamente, sem sequer escutar realmente o que a senhora dissera. Ainda iria vê-lo na bendita festa de seu primo. Havia esquecido isso e estava feliz na sua ignorância. – Humm, tem uma coisa mrs. Griffiths... Hoje é a tal festa do Alexander, lembra? Sei que a senhora já havia deixado, mas-...

– Sim, sim... é hoje, não? Claro que pode ir querido... Hum, isso me faz lembrar, seu primo veio aqui numa dessas vezes que você havia saído com aquele seu amigo. Fez questão de me dizer que sente falta da sua companhia e de fato vocês perderam muito o contato! Andavam tão grudados antigamente, até mesmo tive dó dele. Estava lindíssimo como sempre, mesmo que continue um pouco andrógeno... – a senhora parou de falar momentaneamente, pensando consigo por um momento. – Ah, sim, como está seu trabalho no estúdio de pintura meu menino? Nunca falou muito sobre esse emprego, só me fala sobre o café.

Quase conseguiu engasgar com o próprio ar ao ouvi-la, mas conteve-se e forçou um sorriso. – Está... bem, claro!... Não sei o que poderia falar sobre isso vovó, é sempre muito quieto lá... Nossa, olha as horas!Daqui a pouco o Kanon deve vir me buscar, é melhor eu ir me arrumando. Com licença!

Afastou-se antes que a senhora pudesse responder, fingindo uma pressa que não tinha e somente quando se viu no seu quarto libertou um longo suspiro. Não que gostasse de esconder o que quer que fosse de sua avó, mas como iria dizer para ela que posava nu? Não... Nem Kanon sabia disso. Nem seu primo sabia disso! Era algo que dizia respeito apenas a senhorita Kido e ele, afinal ela que o contratara.

Olhou para sua cama e piscou algumas vezes, tentando espantar a vontade que teve de se deitar ali. Iria tomar um belo banho e se arrumar dignamente para suas próximas horas de tortura na casa de seu ex. Ninguém mandou se envolver com parente, certo?

Já podia prever a longa noite que teria...

-x-

Passou os dedos pelos olhos assim que desceu do seu carro, ainda do estacionamento. Conhecer a avó de Milo havia sido estranhamente íntimo e ser alvo de tanta atenção e gentileza o deixara devidamente constrangido. Podia lembrar perfeitamente da reação que Kanon tivera ao conhecê-lo. Aquele "e agora mais outro" bradado sem a menor preocupação por ser ouvido ou não por si ainda lhe soava aos ouvidos.

Tudo bem que realmente fora algo estranho, mal Saga havia terminado com Afrodite e já estava em sua cama. Não um começo muito digno para um relacionamento sério.

... Aliás, porque será que Saga não ligara ainda?

Merde! – praguejou consigo ao ver que haviam quatro ligações perdidas em seu celular, devidamente esquecido no modo silencioso. Duas de Saga, duas de Kanon.

Retornou no celular do cunhado primeiro por ser o que fizera as ligações mais recentes e quando estava quase desistindo, finalmente o outro atendeu, dizendo rápida e secamente que foram para a casa deles para trocarem-se e que deixaria Saga com ele para poder buscar seu 'gatinho'. Concordou e desligou com o exato prazo de uma hora para se banhar e arrumar da forma mais interessante possível - uma das recomendações de Kanon para distrair seu irmão.

Tomou seu banho vaidosamente e, claro, apelou para o que sabia lhe cair bem, selecionou um jeans justo e gasto, tênis de lona e camisa social preta. Gostava do resultado estético e de como os gêmeos lhe diziam que aquele visual lhe emprestava um ar vampiresco. E lembrando-se deste detalhe, foi a uma caixinha de tampa vermelha no seu guarda-roupa e selecionou uma corrente dourada com um pingente de cruz, que sua mãe lhe dera aos seus dez anos.

E quando foi analisar o resultado final não se impediu de sentir orgulho. Passou seu perfume predileto e voltou ao espelho, tentando decidir-se por prender ou deixar seus cabelos longos soltos, mas acabou prendendo-os no fim das contas.

Nada muito minuciosamente feito, tanto que alguns fios escapavam pelas laterais de seu rosto, junto à franja, e na nuca, mas nada que fosse incomodo ou que lhe parecesse comprometer o resultado estético final.

Buscou na prateleira do banheiro seu hidratante labial e passou-o, disposto a evitar aquelas malditas rachaduras que sempre ficavam em sua boca. Passou a mão esquerda pelo rosto, tornando a inspecionar a barba, devidamente aparada e sentiu-se estranhamente leve e bem e então a idéia de sair lhe pareceu bem-vinda, bonito como estava naquele dia. Mesmo que fosse para a festa de Afrodite.

Meneou negativamente a cabeça, céus, só a idéia já lhe murchava o animo! Riu consigo e foi outra vez à busca de Maurice, encontrando-o perto do pratinho de ração vazio, obviamente esperando alimento, o que foi prontamente providenciado junto à água fresca.

Tal sua distração, quase se surpreendeu ao ouvir seu celular tocar e a voz de Kanon anunciar apressada que era para ele descer, pois não daria tempo e teriam que ir todos buscar Milo. Já estavam uns vinte minutos atrasados.

– Claro, deveria ter esperado algo similar... – suspirou consigo ao desligar o aparelho e desceu resignado.

Até parece que qualquer coisa planejada por Kanon Onasis fosse mesmo dar certo.

Mas não achou realmente ruim a idéia, pois não tinha certeza se conseguiria dar conta de emprestar ânimo ao namorado na presente situação...

-x-

Esse capítulo ficou estupidamente pequeno, mas ao fim das contas ele só está aí pra introduzir o próximo capítulo!

E essa festa o que será? Isso ainda vai dar o que falar meus amores, juro.

Capítulo curtinho e rapidinho (talvez bem como o próximo), mas, pensem assim: Como demorei pra postar no FF, publiquei 2 agora!

Mas, por favor meninada, quero review nos dois capítulos, tá? (euvosimplorodetodoocoração!)

E desculpe não ter mais que isso agorinha, mas os próximos capítulos compensam (acho).

E beijos a cada um de vocês! E até o próximo Cap!

beijos!