Flashback on

David colocara a última caixa no carro dela. O ar estava congelante. Mary fechou o porta-malas, e David a acompanhou até a porta do carro.

"Você não quer mesmo uma carona, David?"

Ele sorriu, mas declinou a oferta.

"De qualquer modo, obrigada. Eu estaria perdida sem sua ajuda! Espero não ter atrapalhado o seu trabalho."

"Ei, claro que não! Eu dou conta."

Eles sorriram um para o outro, e Mary se aproximou, abraçando-a rapidamente. Entretanto, eles não se distanciaram no término do abraço. Ela olhou fundo nos olhos dele, e David não conseguiu pensar em outra coisa a não ser acariciar a maçã do rosto dela, tão lisa e angelical. Mary Margareth fechou os olhos, e David percebeu que ela estava pedindo para ser beijada, os lábios umedecidos, formando um leve bico. Seria fácil e seria ótimo satisfazer uma vontade, mas a custo de quê?

"Mary... me desculpe. Eu não posso fazer isso."

Afastando-se dela, ele colocou as mãos nos bolsos da jaqueta.

"Eu achei que estavamos... Que você, eu..."

"Eu também achei mas estava errado. Me desculpe por ter passado a ideia errada."

David beijou-a na testa e se dirigiu até seu carro, deixando no estacionamento uma Mary Margareth chocada e magoada.

Flashback off


"Regina?"

David sussurrou o nome dela, mas ela estava de costas para a porta. Talvez estivesse dormindo. Ele tirou os sapatos e a jaqueta, colocando-o com cuidado sobre a mesa, não queria acordá-la e deixá-la ainda mais brava. Ele ficou apenas com a boxer e se deitou na cama. Ele se ajeitou sobre a cama, puxando o lençol.

"David, nós precisamos conversar."

Ele olhou para o lado, e seu olhar encontrou o dela.

"Eu nem sei o que dizer, Regina."

"Você quer ficar com ela?"

David olhou para o teto.

"Não, não é isso. Eu a acho bonita, e ela é atraente. Não estamos apaixonados. Eu não estou, pelo menos."

"Você a beijou?"

"Não."

Regina deitou-se de lado, ficando de frente para ele. David também se virou, e eles permaneceram ali, deitados, olhando um para o outro. Regina estendeu a mão, acariciando o maxilar dele com a costa da mão.

"David, o que está acontecendo com a gente?"

"Você me ama?"

"É claro que eu te amo, dear." Ela lhe deu um sorriso genuíno.

"Então fique comigo. Me perdoe pelo meu ciúmes bobo e por esse deslize injustificável. Por favor, Gina."

Regina sentou-se, encostando-se na cabeceira da cama.

"O Graham não voltou por mim. Ele voltou porque aqui é a cidade onde ele nasceu, dear. Voltou para rever o local onde cresceu, as pessoas da sua infância. Coincide que nós fomos namorados por algum tempo, mas daí achar que isso quer dizer que vamos ficar juntos outra vez é besteira."

"Eu sei... me desculpa. Foi um erro pensar isso."

"Eu também quero pedir desculpas. Devia ter perguntando diretamente sobre o telefone e não usado isso contra você no momento da raiva."

"Nós dois erramos."

Regina sorriu para ele e eles trocaram um olhar carregado de carinho. Ela se debruçou e o beijou, sem pressa, sua língua acariciando a dele lentamente, preguiçosamente, com desejo e amor. Quando se separaram, ele sussurrou.

"Por favor, não me deixe."

"Eu não vou te deixar, baby. De onde tirou isso?"

"Quando nós nos conhecemos, eu estava com a Abigail ainda. Tecnicamente, faz de mim o traidor e você a outra. Tenho medo do carma virar contra nós, entende?"

"David, nós só ficamos juntos quando você se separou dela. Você não fez nada errado."

David a olhou por alguns segundos, e ela retribuiu o olhar. Ele continuava deitado, então Regina virou-se e com movimentos rápidos, sentou no colo dele. Ele se levantou um pouco, apoiando os cotovelos no colchão e ela segurou-o pelos cabelos, beijando-o novamente. Assim que o beijo foi se desfazendo, os lábios dela percorreram o maxilar dele até a orelha, onde ela mordiscou o lóbulo e sussurrou.

"Faça amor comigo, David."

Ela não precisou pedir duas vezes.


Robin estava sentado na varanda quando Marian o abraçou por trás e ele pode sentir o perfume dela.

"No que está pensando, Robbie?"

"Em uma bobagem."

"Compartilhe comigo! Eu apoio você."

"Eu... quero concorrer à prefeito."

Marian sorriu, os olhos brilhando.

"Que ideia ótima, querido!"

"Você acha que teremos problemas com os Nolan?"

"Robin, eles são adultos. Política é política."

"Você acha que eu tenho chance?"

"Claro que tem, querido! Você tem ideais incríveis!"

Robin sorriu. Virando-se de frente para ela, ele a puxou para um beijo, cheio de carinho e cuidado.

"Boa sorte para nós, primeira dama."


O telefone de Regina tocava insistentemente. Ela abriu os olhos, e percebeu que não era hora de estar acordada ainda. Xingando mentalmente, ela checou se David ainda estava na cama, mas não estava.

"Alô?"

"Acho melhor você se levantar da cama. Temos problemas."

"Gold? Você sabe que horas são?"

"Tanto faz, queridinha. Você sabe das notícias?"

"Que notícias?"

Ele riu do outro lado da linha, e Regina sentou-se na cama, esticando os braços.

"Você não sabe. É a única razão de ainda estar dormindo."

"O que diabos pode ter acontecido para você me ligar tão cedo?"

"Você tem um concorrente."

"Ahn?"

"À prefeitura."

Regina abriu os olhos imediatamente. Ela nunca tivera que enfrentar ninguém pelo cargo, até porque ninguém ousaria disputar qualquer coisa com ela. Era tudo o que ela não precisava. Uma campanha política.

"Quem é o bastardo?"

"Você não vai acreditar." - Riu Gold do outro lado da linha.

Assim que Gold lhe dissera, Regina sentia a cortina da raiva descendo sobre o seu corpo. Era óbvio que era pessoal. E ela não teria nenhuma, nem um resquício sequer de piedade. Se queriam jogar com ela, ela iria mostrar quem fazia as regras do jogo.

"É hora de trabalharmos duro, Regina."

"Estarei na sua loja em uma hora. Fique tranquilo, Gold. Nós vamos destruir a campanha deles."

Gold desligou, e ela levantou, resignada.

Eles iam destruir a campanha, mas para ela, aquilo tomara um rumo particular.

Ela ia destruir o Robin.