Capítulo 9: Sakata versus Sakata

- Demorei muito? – Ginmaru perguntou, logo que chegou ao local combinado, encontrando seu adversário.

- Chegou bem na hora. – o Shiroyasha respondeu com um sorriso confiante no rosto. – Onde estão seus "amiguinhos"?

- Não os chamei. Esta luta é minha. Vou te mostrar do que eu sou capaz.

- Ferido desse jeito? – o outro ironizou.

Ginmaru já desembainhou sua katana, colocando-se em posição de combate, e respondeu no mesmo tom:

- Tá com medo de perder de um moleque ferido?

- Eu? O lendário Shiroyasha? Claro que não! E você vai ver do que eu sou capaz de fazer com moleques como você!

Os dois albinos partiram ao ataque com tudo, lâmina se chocando contra lâmina. Por ter lutado uma vez com ele, Ginmaru percebeu que a forma de lutar de seu adversário seguia a mesma, mesmo diferindo muito da forma de lutar que seu pai tinha dez anos atrás.

Ao contrário do primeiro embate, isso não atemorizava Ginmaru. Tinha uma rápida visão de combate, aprendera isso quando criança e quando treinava no dojo dos Shimura. Com isso, sabia agora como lutar direito.

Seu intento era trazer seu pai de volta ao que era, nem que fosse na base da pancada e da espada. Sabia que aquele não era o Sakata Gintoki que conhecia. Aquele não era seu pai que, apesar de ser um completo estúpido – tal qual sua contraparte do passado – sempre se esforçava em ser um pouco mais responsável.

Queria de volta seu pai histérico, maluco, estúpido, mas que não pensava duas vezes em defender aquilo que queria defender e em que acreditava. Claro que não gostava de ser comparado, mas isso não o fazia menos orgulhoso em ter o sangue de um Sakata em suas veias.

Enquanto isso, as lâminas das duas katanas não cediam. Nem para o seu lado, nem para o lado do Shiroyasha. Ginmaru trocou rapidamente a forma de pegar na espada e deu um giro completo para surpreender o seu oponente usando a mão esquerda, que possuía tanta força quanto a direita.

A colisão das duas espadas foi tão forte, que gerou uma lufada de vento devido ao impacto. Isso acabou surpreendendo o Demônio Branco, que não esperava que seu adversário tivesse uma força física comparável à sua. No entanto, isso não abalou sua expressão fria. Afinal, tinha a seu favor a experiência, não só a habilidade na espada e a sua grande força. O moleque à sua frente certamente não era tão experiente, apesar da potência dos seus ataques.

Essa aparente inexperiência de Ginmaru poderia ser seu trunfo. Mas não poderia subestimá-lo, pois ele mais uma vez partia ao ataque ferozmente, visando feri-lo em algum ponto importante.

Ginmaru sabia perfeitamente o que queria, procurando ignorar a dor dos ferimentos da véspera. Mais uma vez, os dois albinos partiram ao ataque, colidindo novamente as espadas com uma força descomunal. Ambos atacavam sem parar, ao mesmo tempo em que mantinham suas defesas sólidas, nenhuma katana deixando a outra escapar.

O jovem já estava ficando impaciente, ao mesmo tempo em que começava a sentir dor no ferimento do seu abdome, feito no dia anterior. O esforço usando o braço esquerdo como elemento-surpresa já estava mostrando suas consequências, pois sua mão canhota começava a tremer, fazendo com que a katana também tremesse devido aos golpes fortes que dera e recebera. Sendo assim, trocou novamente para a mão direita.

No entanto, fora infeliz com tal ato. Mesmo que de forma muito breve, baixou sua guarda, o que favoreceu um novo ataque da parte do Shiroyasha, que atingiu seu ombro direito, transpassando-o com a sua espada. Com isso, Ginmaru urrou de dor e deixou sua espada cair ao solo, no mesmo instante em que caía de joelhos com o rosto pálido e contraído de dor, enquanto seu ferimento sangrava abundantemente, chegando a formar uma pequena poça no chão.

- O que foi, pirralho? – o albino mais velho debochou. – Já vai se render?

Ginmaru lançou-lhe um olhar de fúria. Seus olhos estavam tão injetados de ira, que parecia que iriam mudar a coloração avermelhada para um vermelho escarlate. Não poderia se permitir fracassar! Sabia que, adormecido naquele corpo, ainda residia o seu pai. De alguma forma, precisava vencer o Demônio Branco para conseguir o que queria.

Sua teimosia o impulsionou a pegar novamente a katana com sua mão esquerda. Ser ambidestro tinha suas vantagens. Apoiou-se em sua espada para se levantar e continuar a lutar. Não estava nem aí para seu braço direito seriamente ferido.

- Shiroyasha... – Ginmaru disse rangendo os dentes. – Devolva o meu pai, AGORA!

Lançou-se mais uma vez contra o seu adversário, que viu a sua guarda aberta novamente e desferiu-lhe mais um golpe com sua katana sedenta de sangue, atingindo seu peitoral que já fora ferido no dia anterior. Ginmaru caiu de cara no chão e tentou se levantar, levando a mão ao ferimento recente, que ardia muito.

- Droga...! – praguejou assim que sua katana caiu mais uma vez no chão. – Eu vou fracassar de novo...!

Diante disso, o Demônio Branco não teve dúvidas: era hora de agir como carrasco. Levantou sua espada, logo acima de sua cabeça e direcionou seu golpe para tentar cortar Ginmaru ao meio. Mas seu golpe parou no ar, a pouco mais de um palmo de distância da cabeça do rapaz.

Um poderoso contra-ataque fez com que a espada do Shiroyasha fosse parar longe.

Ginmaru, com os olhos arregalados, viu à sua frente um par de botas pretas, que conhecia perfeitamente bem. Assim que conseguiu levantar a cabeça, viu que Gintoki havia chegado a tempo.

- Você ficou maluco, moleque? – ele disse. – Poderia ter morrido!

A mesma cena de dez anos atrás se repetia para Ginmaru, que não conseguia se levantar. Queria recusar qualquer ajuda, pois aquela luta era sua. No entanto, sabia que não tinha condições de continuar. Seu braço direito fora seriamente ferido e, para piorar, seus ferimentos anteriores estavam doendo terrivelmente.

Com muito custo, conseguiu se levantar e colocava a mão no ferimento do ombro direito ainda tentando conter o sangue que escorria por entre seus dedos. Hesitou. Não queria deixá-lo lutar. No entanto, sem condições, não havia mais nada a se fazer.

- Você tem certeza de que quer enfrentar seu "outro eu"? – perguntou.

- Nós dois sabemos que você não tem nenhuma condição de continuar. – Gintoki respondeu sem se virar.

- A Tama me disse que, se você lutar, não é apenas a sua vida que corre riscos.

- Do que está falando? – desta vez o Yorozuya encarou interrogativamente os olhos de Ginmaru.