CAPÍTULO 8 de A Sedução Não Mente Tradução de Sara Craven

Aquela foi uma tarde triste. Charlie Swan escutou, com ar sério, tudo o que Bella tinha a dizer, embora ela tenha omitido o encontro com Edward e suas consequências vergonhosas, depois se retirou para o escritório, dizendo:

— Ela não te merece, minha querida. Nunca mereceu.

Ele está preocupado comigo, pensou Bella, mas isso não é nenhuma surpresa. Ela fez o melhor possível para ser otimista, verificando on-line que tinha as qualificações necessárias para entrar na escola de pedagogas, embora descobrisse, com consternação, que teria de esperar até setembro para fazer a prova de qualificação para o ano seguinte.

O que significava que teria de encontrar alguma maneira de se sustentar nesse período.

E, para espanto dela, Mike continuava sem dizer nada, o que dificultava a tarefa de descartar por completo os comentários desagradáveis de Edward.

Vou ter de enfrentá-lo sozinha, ela pensou.

E, então, após o café da manhã do dia seguinte, ela perguntou se poderia se ausentar da oração matinal e usar o Peugeot.

— Eu preciso fazer uma coisa...

— Sim, é claro que você pode — disse o pai, examinando-a por um momento. — Quer conversar sobre isso?

Ela forçou um sorriso.

— Agora, não.

As ruas de Market Tranton estavam silenciosas enquanto Bella prosseguia pela cidade, seguindo em direção ao edifício moderno onde Mike tinha um apartamento. Ela estava prestes a entrar no estacionamento quando um carro parou na frente dela, obrigando-a a frear bruscamente.

Era um conversível com o teto levantado, mas ela o reconheceu de imediato, uma vez que saiu em disparada. Era o carro de Tania Denali e ela o estava dirigindo, usando óculos escuros e com um lenço amarrado sobre o cabelo loiro.

Bella ficou imóvel por um momento, consciente de que o coração estava batendo estranhamente, enquanto dizia a si mesma que não haveria uma explicação lógica para aquela aparição...

Em seguida, respirou fundo. Ao olhar para o estacionamento, encontrou outro carro que partia com pressa, deixando uma vaga vazia.

Uma mulher idosa acabava de sair da entrada principal do prédio quando ela chegou e segurou a porta com um sorriso amigável. Bella subiu as escadas para o primeiro andar e tocou a campainha.

Mike abriu a porta quase que imediatamente. Ele vestia um roupão e um sorriso complacente.

— Você esqueceu alguma...? — Ele começou a perguntar, mas parou, boquiaberto, quando percebeu a identidade da visitante. — Bella... o que você está fazendo aqui?

— Estou apenas tentando ser racional — disse ela, que não acreditava na própria calma, pois deveria estar caindo aos pedaços. — Posso entrar?

Seguiu-se uma nova pausa, mas ele se afastou com relutância. Ela entrou na sala e olhou em volta. A mesa na janela ainda apresentava os restos do café da manhã para dois, enquanto a porta do quarto aberta proporcionava uma visão clara da cama.

— Então... — disse ela. — Você e Tania.

— Sim — disse ele. — Mas eu não sabia que você tinha vindo nos espionar.

— Espionar? — Ela perguntou, incrédula. — Não seja ridículo. Eu não fazia a menor ideia. — Ela fez uma pausa. — Quando isso começou?

— E isso importa?

O tom dele era defensivo. Ele parecia desconfortável.

— Eu acho que tenho o direito de perguntar.

— Ah, pelo amor de Deus... — disse ele, impaciente. — Você é uma boa garota, Bella, mas nós nunca tivemos nada verdadeiramente sério. Você deveria ter percebido isso.

— Estou começando a perceber — disse ela baixinho. — Mas o que não consigo entender é porque... chegamos a ter alguma coisa.

Ele deu de ombros.

— Quando vim para cá, eu precisava de uma namorada, e você... preenchia os requisitos.

— Por isso só me encontrava fora do vilarejo... Para que pudesse me trocar por Tania sem parecer um cretino?

— Será que realmente temos de conversar sobre tudo isso de novo? — perguntou ele, irritado. — Vamos dizer que tivemos alguns momentos agradáveis juntos e ponto. As coisas mudam.

Sim, pensou Bella. Eu perdi o meu trabalho. Posso perder a minha casa... E agora perdi você. Mas a verdade é que nunca tive você...

Ela ergueu o rosto. Sorriu.

— Nesse caso — disse ela — , quero te desejar toda a felicidade do mundo.

E fez uma pausa.

— Imagino que você se casará...

— Sim, quando o divórcio finalmente for assinado. — Ele não sorriu de volta. — Até lá, talvez seja melhor manter a sua boca fechada sobre nós.

— E para quem eu contaria essa história? — perguntou ela.

E foi embora, fechando a porta.

Ela voltou a Hazelton Magna, sem pensar duas vezes. Faltando um quilômetro para chegar ao vilarejo, puxou o freio, desligou o motor e ficou um tempo tentando reunir os pensamentos, avaliando as próprias reações. Bella esperava, também, que a dor parasse, como se tivesse acabado de morder algo com um dente cariado.

Afinal, Mike era o homem pelo qual ela acreditava estar apaixonada, certo?

Mas não havia nada entre eles. E ela não sentia nada... Tudo o que havia era uma voz na cabeça dizendo: "Então, é isso... acabou".

Era como resolver um quebra-cabeça interessante, mas não particularmente importante.

Olhando para trás, com uma clareza nova e repentina, ela pensou que um novo capítulo tinha se aberto na vida dela.

No entanto, como poderia ter confundido algo morno com paixão? Claro que Bella não tinha nenhuma referência para fazer uma comparação. Ou, pelo menos, não para este tipo de comparação...

Não! Nada disso! Esquece essa história!

Voltando a pensar em Mike, ela finalmente entendia por que ele não a pressionara para consumar o relacionamento. Ele não fazia isso pensando nela, mas por pura indiferença.

Meu Deus, ela pensou, com ironia. Até o meu pai viu que eu estava enganando a mim mesma.

E até Edward...

Edward...

Até mesmo o sussurro do nome dele a fazia tremer.

Neste momento, por fim, ela sentiu uma pontada de dor. Uma dor incrivelmente profunda e assustadoramente intensa. Uma dor capaz de mudar uma vida. Perceber tudo isso apertou a garganta e fez com que o pulso acelerasse loucamente.

Os beijos de Mike eram agradáveis, mas ela quase nunca ficava com sede de mais...

No entanto, o simples roçar da boca de Edward na dela abria uma porta para os sentidos que ela nunca sonhou existir. Oferecia uma atração tão excitante quanto perigosa.

E ele ainda não tinha tentado... Na verdade, ele provavelmente tinha se divertido ao medir a profundidade exata da inocência dela.

Talvez porque também a considerasse... uma boa garota, ela disse a si mesma, e se encolheu.

Chegou a hora de blindar-se contra esse sentimento, contra esse homem. Nada de ir de mal a pior, garota!

Amanhã, voltarei a Market Tranton e vou encontrar um trabalho num supermercado qualquer ou outra coisa que me pague um salário, ela pensou.

Fazendo isso, ela se esqueceria do passado, ignoraria o presente e se concentraria no futuro.

— A sra. Stanley foi à igreja? — perguntou Bella ao pai após servir-se de bifes de cordeiro com batatas e brócolis.

— Felizmente, não — disse o sr. Swan, servindo-se de molho de hortelã. — Eu imagino que ela passe a frequentar a igreja de São Pedro, em Gunslade, por um tempo.

Bella olhou para ele.

— Mas, pai, ela está no conselho da igreja paroquial.

— Sim, minha querida, mas isso sempre teve mais a ver com a manutenção do status dela no vilarejo do que com qualquer outra coisa. — Ele fez uma pausa. — Eu já disse que Ãngela Weber e o noivo dela virão esta tarde, às 14h30, para conversar sobre o casamento? Este pode ser a última cerimônia de casamento da nossa igreja... Vamos ter de encontrar uma maneira de torná-lo especial.

— Ah, não diga isso. — Bella balançou a cabeça. — Se fizermos uma petição...

— Não, querida. Acho que seremos obrigados a aceitar o inevitável... embora indesejável.

Uma vez que o crumble de maçã que se seguiu ao cordeiro foi comido, Bella tirou a mesa, colocou tudo na máquina de lavar louça e levou o café para o jardim. Quando pisou no gramado, ouviu o som da campainha a distância. Ãngela e Ben tinham chegado cedo, ela pensou, comum leve sorriso.

Era um dia quente, com apenas uma leve brisa, e Bella ficou caminhando, olhando para o jardim, como se o visse pela primeira vez, tirando os sapatos para sentir a grama fresca e macia sob os pés descalços. Ela queria saber se o lilás sempre fora uma cor tão agradável, queria sentir o cheiro das primeiras rosas. Tentava capturar uma vida inteira de memórias em um único momento.

Ela não tinha ilusões sobre o que aconteceria com aquele jardim. Ele seria comprado por alguém que demoliria a casa e depois usaria o terreno para construir uma série de residências de luxo. Mas ela esperava estar a quilômetros de distância quando isso acontecesse, pensou, raivosa.

Bella se sentou sob a magnólia, no antigo banco de madeira que estava planejando pintar, e tomou um gole de café.

Uma onda de cansaço tomava conta do corpo dela. As novidades do dia cobravam o seu preço... E ela não tinha dormido bem na noite anterior. Fragmentos de sonhos perturbadores continuavam rondando a mente dela.

Acima dela, as flores de magnólia estremeceram, e, com as pálpebras semicerradas, ela viu uma sombra sobre a grama, bem à frente.

Os olhos se abriram, e ela se sentou repentinamente, quase derramando o resto do café quando percebeu quem estava parado lá.

Sem fôlego, ela perguntou:

— Como você entrou aqui?

Edward deu de ombros.

— Toquei a campainha da forma convencional, fui recebido por seu pai e conversei com ele... Mas o futuro casal chegou e ele me mandou para o jardim, para te encontrar. Algum problema?

Ela olhou para Edward.

— Será que você não entende que é a última pessoa que eu pretendia ver hoje?

Especialmente quando estou vestindo esta velha saia jeans desbotada e uma camiseta...

— Sim, eu sei — disse ele. — Mas não vou deixar que isso atrapalhe o nosso encontro.

Em tom frio, ela retrucou:

— Imagino que você tenha vindo pedir desculpas.

— Por quê? Por ter te beijado? Se foi por isso, você vai ficar desapontada. Eu não me arrependo de nada.

Sem ser convidado, ele se sentou na grama, esticando as pernas compridas.

— O homem que está no topo da sua lista de pessoas bem-vindas vai aparecer por aqui?

— Não — respondeu ela, lutando contra o impulso de ranger os dentes. — Acho que não. Muito pouco provável...

— Ah — disse ele, com um olhar pensativo. — Então você sabe...

— Sei — admitiu ela, seca.

— E como descobriu?

— Eu fui ao apartamento dele hoje de manhã... para conversar. — Ela ergueu o rosto. — E Tania tinha... acabado de sair.

Ele disse em voz baixa:

— E você está chateada.

— Estou arrasada — disse ela em tom desafiador. — O que é normal.

As sobrancelhas escuras de Edward se ergueram.

— Então... eu só posso dizer que sinto muito.

Houve um silêncio, depois Bella perguntou:

— Me diz uma coisa: como você descobriu?

— Eu suspeitei... naquela noite no bar. Ela insistiu tanto para irmos, e o dono do pub me disse que eles estavam discutindo... que Mike sentia ciúme de mim. Além disso, eu conheço o ex-marido de Tania, nós jantamos algumas vezes em Londres. Ele me contou certas coisas sobre o breve casamento deles, incluindo a convicção de que ela estava saindo com outra pessoa... quase desde o início. Um namorado dos velhos tempos.

Bella se mexeu, sentindo-se desconfortável.

— Mas agora eles estão se divorciando...

— Não é tão simples assim — disse Edward, fazendo que não com a cabeça. — Aparentemente, a família Latimer exigiu que os advogados elaborassem um acordo pré-nupcial. Segundo esse acordo, Tania receberia uma parte mais do que generosa no caso de divórcio... A menos que a infidelidade dela possa ser comprovada. Neste caso, ela não receberia quase nada.

Ele deu de ombros.

— Acho que foi por isso que ela pediu a Mike para ir embora de Londres... pois eles poderiam estar sendo observados.

Bella disse, entorpecida:

— E por isso ele precisava de uma namorada local... como uma cortina de fumaça.

— Tente olhar para isso como uma bênção — disse Edward. — Poderia ter sido bem pior.

Ela mordeu o lábio.

— E por isso que você está aqui? Para me dizer tudo isso?

— Na verdade, não.

— E o que você quer? — perguntou ela.

— Eu vim te oferecer um emprego.

Houve um silêncio, depois Bella disse:

— Se isso é algum tipo de piada desagradável, desista...

— Muito pelo contrário, é uma oferta de emprego com horários adequados e bom salário. As obras vão começar na minha casa, na semana que vem, e eu não poderei estar sempre por perto para supervisionar, por isso preciso de um gerente de projeto no local, para resolver quaisquer problemas assim que eles ocorram e se certificar de que tudo esteja correndo bem, na hora certa. — Ele fez uma pausa. — Obviamente, pensei em você.

— Não vejo nada óbvio nisso. Você deve estar louco.

— Estou sendo prático — disse ele. — Você mora aqui, está atualmente desempregada, é totalmente confiável, sabe informática e trabalhou de forma competente na administração do colégio... segundo me disseram.

— Como você sabe disso tudo? — perguntou ela, furiosa.

— O seu pai me contou. Assim como eu, ele acha que você poderia fazer esse trabalho perfeitamente. Por um lado, as empresas que contratei são todas locais, e você provavelmente os conhece. Isso é uma grande vantagem. — Ele acrescentou, em voz baixa: — Claro que sei que você está apenas esperando para me dizer que prefere ser fervida em óleo do que aceitar a ajuda de um canalha como eu... Mas, na verdade, sou eu quem precisa da sua ajuda. E tudo o que estou pedindo é que você pense nisso.

— Eu já pensei — Bella respondeu. — E a resposta é não.

— Posso perguntar por quê?

Ela mordeu o lábio.

— Porque você pode ter convencido o meu pai, mas eu não confio na sua palavra. E prefiro manter distância.

— E poderá manter — disse Edward. — Você não me ouviu dizer que ficarei longe daqui nas próximas semanas e exatamente por isso preciso de um gerente de projeto na casa?

Ele fez uma pausa.

— Além disso, você vai ser uma companhia para a Barbie.

Tensa, ela perguntou:

— Quem é Barbie?

— Ela vai cuidar da casa para mim. — Ele sorriu, pensativo. — Eu não sabia que se mudaria em tão pouco tempo, mas parece que está louca para ver tudo concluído.

— Que beleza... — disse Bella, em tom frio, consciente de que o coração tinha dado uma guinada estranha. — Nesse caso, por que não contratá-la como gerente de projeto? Ela parece ideal.

— Ah, ela é... — disse ele em tom suave. — De muitas maneiras. Mas ela não sabe diferenciar a extremidade de um computador de outra. E também não conhece os moradores daqui como você conhece.

Com agilidade, ele ficou de pé e sorriu para ela.

— Mas, com ela por perto, você estará a salvo de qualquer investida não desejada. Se é disso que você tem medo...

— Eu não estou com um pingo de medo — disse ela.

— Ótimo. Isso era um peso na minha mente.

Ele fez uma pausa.

— Agora, espero que você pense de maneira um pouco razoável sobre a minha proposta e não seja guiada por um preconceito muito natural contra mim. Entre em contato comigo quando tiver decidido. Como eu já disse, é um trabalho, nada mais... E puramente temporário. — Ele acrescentou, baixinho. — Além disso, durante metade do tempo eu nem estarei por lá.

Um minuto depois, ela ouviu o som de um carro partindo.

Ela se inclinou no banco, tentando acalmar a respiração.

Se fosse qualquer outra pessoa no mundo, pensou, agitada, ela aproveitaria a oportunidade e agradeceria. Mas Edward Cullen... nunca!

Que manipulador! Falar com o pai dela primeiro, fazer com que ficasse ao lado dele... antes de falar com ela.

E como ela poderia explicar ao pai que tal situação era impossível sem dar a ele os esclarecimentos adicionais que não estava disposta a dar?

Suspirando, ela olhou para o relógio, percebendo que a conversa sobre o casamento estaria chegando ao fim e que era hora de levar uma bandeja de chá e biscoitos ao escritório.

Quando Ângela e Ben foram embora, ela tinha reunido uma lista de motivos perfeitamente aceitáveis para considerar aquele trabalho uma ideia ruim... ou pelo menos o suficiente bons para convencer o pai de que estava tomando uma decisão racional.

Tudo o que tenho a fazer é convencer a mim mesma, pensou Bella enquanto voltava para a casa.

Mas ela se esquecera de que o pai levaria a comunhão à casa de convalescência local... e só pode falar com ele à noite.

Ela disse, de modo abrupto:

— Pai, eu não posso aceitar a oferta de Edward.

O pai se serviu de maionese.

— Que pena, querida. Alguma razão especial?

Todas as desculpas cuidadosamente formuladas desapareceram como névoa da cabeça dela. Atônita, ela disse:

— Edward Cullen flertou comigo.

— Esta tarde?

— Não... No outro dia. — Bella comeu um pedaço de tomate. — Você não parece muito surpreso...

— E deveria estar? — O sorriso do pai era bondoso. — Você é uma menina muito bonita, Isabella.

Ela ficou corada.

— Então você deve entender por que prefiro evitá-lo...

Ele disse com calma:

— Eu acho, minha querida, que se você pretende ficar longe de todos os homens que te acham atraente, está condenada a passar os próximos anos de sua vida na clandestinidade.

Ela olhou para o pai.

— Nada disso. Você parece esquecer que eu estive saindo com alguém...

— Acredite em mim, eu não esqueci nada... — disse o pai com um toque de severidade na voz. — Mas Mike Stanley estava tão sumido ultimamente que eu tinha começado a me perguntar...

Bella inclinou a cabeça.

— Não se preocupe. Nós terminamos...

— Sei... — disse o pai, suspirando. — Foi uma pena enorme eu ter permitido que você saísse da universidade. Adoro este vilarejo, mas sempre soube que se trata de uma espécie de torre de marfim, e você deveria expandir seus horizontes. Na universidade, você aprenderia a diferenciar admiradores de falsários...

Ela mordeu o lábio.

— Edward Cullen será sempre o homem errado... — disse ela. — Você sabe que uma mulher vai morar na casa dele?

— Ele me disse... E eu imaginei que você ficaria menos ansiosa...

Ela engoliu em seco.

— Então, apesar de tudo, você realmente acha que eu deveria aceitar este emprego?

Ele deu de ombros.

— Seria um paliativo bem pago até que descobríssemos o que o futuro nos reserva.

Ele fez uma pausa, pensativo.

— E ele é um homem com muitos talentos. Você sabe que ele está fazendo alguns esboços do interior da igreja?

— Ele mencionou, sim.

— Ele me mostrou os desenhos. E me deu isso...

Ele enfiou a mão na pasta, que continha os papéis do sermão, e tirou uma folha arrancada de um bloco de desenho.

Bella, esperando ver o púlpito extravagantemente esculpido, sentiu o queixo cair.

Era o desenho de uma mulher, sentada à sombra de um pilar, com uma expressão melancólica, quase perdida.

Sou eu, ela pensou.

E, com voz trêmula, disse:

— Ele é bom. Isso é como me olhar num espelho...

O pai disse com delicadeza:

— Eu gostaria que você tivesse uma expressão mais feliz neste desenho.

Ela mordeu o lábio.

— Eu serei mais feliz, prometo.

Após o jantar, Bella telefonou e pediu para falar com a suíte de JaEdward Cullen.

— Seu nome, por favor?

— Isabella Swan — respondeu ela com relutância.

— Srta. Swan, o sr. Cullen está esperando sua ligação.

Bella, horrorizada, ficou tentada a bater o telefone, mas Edward já estava atendendo.

— Que alegria — disse ele. — É um sinal de esperança?

É ela disse, com firmeza:

— Eu decidi aceitar o trabalho, se é isso o que você quer dizer.

— Excelente — disse ele, tranquilo. — Seria ótimo se você pudesse aparecer na minha casa amanhã de manhã, às 8h30.

Ela engasgou.

— Já?

— Claro. Ted Jackson estará por lá, e ele vai te dar uma chave. Eu tenho usado a antiga biblioteca como escritório, e o computador tem uma conexão de banda larga. Você encontrará uma lista preliminar dos itens que precisam ser supervisionados por você e os nomes das empresas que contratei até agora.

Edward fez uma pausa.

— O pessoal do aquecimento vai chegar amanhã, para instalar uma nova caldeira, e estou esperando alguém da empresa de encanamento me passar um orçamento sobre a conversão de parte da suíte principal em banheiro. Você pode tratar disso?

— Sim — Ela conseguiu dizer. — Eu acho que sim.

— A cozinha está em perfeito estado — continuou ele. — Mas eu preciso desligar. Acredite, Isabella, sou sinceramente grato a você.

Houve um clique, e Edward se foi. Deixando Bella se sentindo mole, como se tivesse tido um encontro íntimo com um tornado.

Mas era isso o que ela queria, certo?

Certo ?

Ela não conseguia encontrar qualquer resposta que fizesse sentido.