Trecho Dois - Capítulo Extra
FAZEMOS UM TOUR PELA EUROPA
E eu corria, corria muito, saltava sobre muros imensos e pulava de prédio em prédio enquanto perseguia alguém ou fugia de alguma coisa. Achei estranho que eu nunca precisasse parar nem mesmo para tomar fôlego. E eu me via à frente, observava minhas próprias costas, mas sabia que eu estava correndo. E um segundo depois...
- Acorde! Estamos na Grécia! Saia dessa cama! Vamos visitar a cidade! – Ouvi a voz de Annabeth vindo de algum lugar do quarto. Ela pulou na cama e me sacudiu. Fingi que ainda dormia.
Deuses! Outro passeio pela cidade? Por favor, por favor, façam-me voltar para o sonho louco e correr de volta aos Estados Unidos.
- Sei que está acordado Percy, você está enrugando as sobrancelhas agora mesmo! Pare de enrolar! – Droga. Precisava treinar para fingir que dormia e me lembrar de não fazer caretas enquanto fingia. Abri os olhos. Annabeth estava com o rosto quase colado ao meu, esperando que eu ''acordasse''.
- Annabeth, vamos andar por aí de novo? Já conhecemos tudo nessa cidade! Posso ser um guia turístico de Atenas. Porque não vamos para o Hawaii? Vamos nos divertir muito mais lá do que visitando pela centésima vez todos esses monumentos!
Ficamos duas semanas em Atenas e Annabeth já visitara todos os pontos turísticos da cidade. Duas vezes. E ainda pretendia vê-los novamente porque, segundo ela, ainda havia muita coisa para vermos. Eu preferia a Itália. Veneza é fantástica com sua vida sobre a água. A ilha da Sicilia é muito legal também. O sol e as praias mornas do mar mediterrâneo são incríveis, tanto lá quanto aqui. No hotel ficamos três dias trancados no quarto, nos divertindo sem incômodos. Só abrimos a porta quando a comida ficou totalmente esgotada. Visitamos inúmeros sítios arqueológicos, torres, anfiteatros gregos, palácios, igrejas e templos. Ficamos por lá quase três semanas, comendo e bebendo bem, visitando a cidade de dia e trancafiados no quarto à noite, algumas vezes durante o dia também. Depois Annabeth quis conhecer a cidade de sua mãe e viemos até Atenas. Gostei da cidade também, da primeira vez que visitamos tudo. Agora já estava ficando cansado de tantos pilares em homenagem à deusa da sabedoria.
- Prometo que esse será o último dia. – ela sorriu e me olhou com cara de cachorro abandonado, só faltando choramingar. – Pode ficar mais um dia aqui comigo? Então amanhã vamos para o Hawaii e antes de sairmos da Europa damos uma olhada na Espanha, Portugal e França. O que acha? – Ela sorriu para mim.
- Tentador – respondi.
- E então vamos a lugares novos. Vamos para a Espanha ver uma tourada! Quer ir à Paris? Dizem que é a cidade do amor, muito romântica! – Ela riu e me deu um beijo – Só mais um dia, Percy! Levante-se!
Levantei-me e troquei de roupa rápido, ouvindo Annabeth me apressar. Saímos do hotel e fomos primeiro à Acrópole visitar novamente o Parthenon e passamos também pela Ágora. Depois fomos aos museus, primeiro o Museu Histórico Nacional, o preferido de Annabeth, depois passamos pelo de Arqueologia e por último pelo Museu de Arte Cicládica.
Ao entardecer fechamos nossa conta no hotel e navegamos em direção a Espanha, onde passaríamos uma semana antes de irmos para a França. Ajustei o barco e deixei que seguisse seu trajeto sozinho, ou melhor, guiado por mim, mas eu não precisava ficar ao leme para guiá-lo. Era só uma questão de dar uma ordem para que fosse aonde quiséssemos. Fui até a suíte, tirei meus chinelos e me deitei na cama pensando em tirar um cochilo por ter acordado tão cedo. Annabeth estava no banho e junto com vapor que saia do banheiro eu podia sentir o cheiro de sabonete e shampoo. Fechei os olhos e me concentrei em coisas banais para pegar no sono, estava quase cochilando enquanto pensava em hélices de helicóptero batendo sem som quando percebi o colchão se movimentar sob mim e logo depois senti a água que pingava do cabelo de Annabeth cair em meu peito. Ela se sentou sobre mim e se abaixou para sussurrar em meu ouvido:
- Está dormindo? Abra os olhos. – Ela pediu. Continuei com os olhos fechados para ver o que ela pretendia. Ela se endireitou e logo depois encostou seu corpo nu molhado em mim, jogando alguma coisa no chão, provavelmente o roupão.
- Ainda está dormindo? – Ela sussurrou, descendo as mãos por meus braços.
Mas era claro que qualquer possibilidade de eu estar dormindo fora completamente eliminada assim que senti seu corpo contra o meu. Agarrei seus cabelos na nuca para apoiá-la enquanto me virava sobre ela. Olhei dentro da tempestade de seus olhos, uma tempestade com eletricidade, uma tempestade com raios. Distribui beijos por seu pescoço e ela arfou em minha orelha. Minhas mãos contornaram suas curvas procurando por seu ponto mais sensível. Enquanto eu a tocava intimamente ela agarrava meus cabelos ou arranhava minhas costas, me dava beijos arfantes e se contorcia um pouco.
- Não. Estou sonhando acordado. – Respondi tardiamente antes de ela se virar sobre mim para beijar meu peito, deixando na descida um rastro molhado de seus cabelos por onde sua boca quente havia passado.
* *
Ficamos os cinco dias de viagem nos divertindo com nossas expedições particulares sob os lençóis, vendo TV, cozinhando – Annabeth cozinhava -, tomando sol ou mergulhando para conhecer os peixes raros da região. Quando chegamos à Espanha ficamos apenas cinco dias. Fomos ver uma tourada, ficamos um tempo em Madri e visitamos o Prado, tentei dissuadir Annabeth a aprender flamenco porque achei muito sensual, mas a única coisa que consegui foi que ela risse da minha cara. Passamos pela noite de Barcelona e Annabeth ficou muito admirada com as obras de Gaudí, um arquiteto catalão.
Saindo da Espanha passamos três dias em Portugal e depois ficamos mais cinco dias na França e então seguimos para o Hawaii onde descansamos em um resort por mais uma semana antes de encerrarmos nossa lua-de-mel voltando para Nova York.
Espero que me desculpem pelo capítulo enxuto, porém estou com uma gripe terrível que não me abandona. Tive a idéia e não quis deixar passar, mas fica muito difícil teclar e assuar o nariz ao mesmo tempo. Há.
