Capítulo 9: Janela.

Passei aquela noite de lua quase cheia numa hospedaria da mesma cidade. Um quarto simples. Uma cama de solteiro, um criado-mudo ao lado da cama com uma jarra de água e um copo em cima, uma cômoda com quatro gavetas grandes, um espelho na parede no mesmo lugar da cômoda, que ficava de frente para a cama. E no lado direito da cama existia uma janela. Ela estava aberta.

Caminhei até ela e fiquei por alguns minutos olhando através dela. Mesmo sendo uma simples janela, sua visão me fazia visitar muitos outros lugares que já fui, já que esse ritual de olhar a paisagem era feito por mim em todos os lugares pelos quais passava. Era como se meu eu viajasse través dos céus usando as janelas como porto seguro. O céu sempre será o mesmo, mas nas noites de lua, ele parecia outro. Ainda mais naquela noite, onde a lua era cheia, e estava pronta para bruxaria.

A noite era contaminada com o poder sobrenatural daquela lua. Algo tão puro e belo era nada mais que uma armadilha do próprio demônio nas terras de deus. Seus domínios celestes apodreciam aprisionados pela beleza da lua cheia. Ela concebia um ambiente próprio para causar o deslumbramento e assim encobrir os calafrios emanados pelos ensinamentos de Lúcifer. Fechei a janela. Fechei a cortina.

Hoje não queria rir da lua, não queria ridicularizá-la como faço de costume após uma caçada dessas. Essa noite queria ficar apenas na escuridão do meu quarto, para ver se conseguia encontrar algo mais negro do que os pensamentos que permeavam minha mente afetada por aquele maldito feitiço.

Nunca havia combatido uma bruxa dessas antes, e desde o começo sabia que ela era diferente, e mesmo assim não usei de toda a minha força e frieza para dar cabo dela. Nem se quer tive a audácia de queimá-la. Se bem que, morrer com a água pura dentro de seu corpo possa vir purificar a sua alma. Acho às vezes que morrer nas chamas deve ser honrado para elas, afinal, essas chamas que as estão tirando das terras de deus, as estarão levando para os domínios daquele com quem elas se deitam.

Não sei o que pensar a respeito disso... Nojo? Repúdio? Raiva? Ódio!? Não talvez seja inveja. Sim, inveja. Inveja porque ele mesmo sendo feio, asqueroso, consegue levar para seu lado as moças mais belas. Só de pensar as orgias que vez com a bruxa dos cabelos rosados tenho vontade de cortá-lo pedaço por pedaço. Queria ser o único a poder profanar o corpo daquela ninfa das profundezas, a ninfa do fogo, a ninfa das flores belas que brotam das cinzas de gente morta e queimada.

Aquele corpo belo de que eu judiei e matei na verdade foi do próprio antes mesmo que eu pudesse tê-lo olhado pela primeira vez. E nesse exato momento ela está com ele... Ele, ela e mais várias outras...

Não entendi o que aconteceu comigo até hoje, mas acabei fechando os olhos no meio dos meus pensamentos. O quarto estava escuro, e o silêncio havia se instalado no quarto. Perdido no som dos meus próprios pensamentos, senti um arrepio peculiar começando pelo pescoço. Era uma brisa suave levemente gelada, e fiquei me deliciando com aquela sensação de arrepio. Sorte de a noite estar linda e sem muito mais vendo, pensei.

Mas, algo estava errado, e talvez você já tenha percebido, se não, saberá o que eu percebi. Havia deixado a janela fechada. Não havia a possibilidade de existir essa brisa dentro do quarto. O arrepio foi mais forte ainda.

Forcei os olhos para abri-los, foi em vão. Não conseguia. Tentei me mover, mas meu corpo estava rente ao colchão e eu não conseguia destacá-lo de lá. Não vou mentir, O desespero me atacou. A brisa não parava, e continuava do mesmo jeito, parecia que alguém estava soprando em meu pescoço. Aquilo estava me tirando do controle quando... A brisa cessou.

Por um momento comemorei aliviado. Até que o pior estava por vim naquele exato momento. Senti a mesma brisa em meu ouvido. Eu continuava em desespero. Abrir os olhos e me mover não era impossível, eu não tinha o controle. A brisa fresca tornou-se um bafo quente, aquele bafo quente de respiração em meu ouvido.

Não era uma respiração normal, quanto menos uma respiração ofegante, era o intermediário entre o rápido e devagar, como se fosse aquela respiração nervosa, prestes a fazer alguma coisa muito errada, ou uma coisa muito esperada. E aquela respiração começou a ganhar som, e esse som era o riso. Riso... Riso de mulher... Mulher, BRUXA!

Tentei desesperadamente gritar, mas minha boca apenas emitiu um suspiro de prazer, de esforço. E a risada aumentou por isso e logo cessou. Estava tentando pelo menos virar a cabeça, qualquer coisa... Senti que conseguiria, mas aquelas duas mãos femininas geladas tocaram meu rosto.

Mãos geladas, meio úmidas. Essa não... SAKURA! E novamente tentei gritar e me mexer, mas aquelas mãos tiraram de mim qualquer esperança de movimento. Minha respiração acelerou, aquele silêncio momentâneo com apenas as mãos frias em meu rosto estava deixando meu coração cada vez mais descompassado.

Até que ela começou a cantarolar eu meu ouvido, uma melodia suave conhecida em geral naquela parte do país. Não era uma música nobre, era uma música de viajantes. Aquela música adentrava meu ouvido. Antes meu corpo que estava duro e bloqueado, agora estava mole, mas sem movimento nenhum, até porque, estava sem vontade alguma de mexer qualquer parte dele.

A música encerrou com uma risada de leve, as mãos foram tiradas de meu rosto, e novamente, senti-me só. Dessa vez por muito mais tempo. Tentei então abrir os olhos, ela provavelmente teria ido embora. Novamente não obtive sucesso. Comecei a me sentir fraco e sem força alguma. Minha respiração que antes era de nervosismo e pavor, agora estava uma respiração de cansaço. Como se aquela maldita tivesse me drenado a vida com aquela música.

Desgraçada. Veio aqui só para me atormentar, tirar minha força vital para sair por ai viajando novamente, procurando um local para se abrigar. Foi ela que induziu a amiga, e não o contrário. Bruxa maldita. Tentei desesperadamente gritar, mas nem falar foi possível, só o mesmo suspiro foi dado. Tolo eu fui.

Senti que o que me cobria foi retirado. Ela não havia ido ainda. Estava agora deitado com as costas no colchão, apenas de ceroula na frente dela. Ela afastou as minhas pernas, e meus braços como se amarrasse cada um a uma extremidade da cama. Senti o peso em minha cama, e depois, o peso sobre meu sexo.

Conhecia aquela posição, ela estava sentada sobre mim exatamente sobre minhas vergonhas de perna bem aberta. Uma coisa tão suja. Tão... Tão... Excitante. Ela começou a fazer os movimentos proibidos sobre mim, e eu estava sendo induzido ao prazer. Estava tendo aquilo que eu tanto almejei, ela nua sobre mim.

Até que ela deteve o movimento quando sentiu que eu estava praticamente no meu limite. Senti-a debruçar o corpo sobre o meu. Senti seus seios deliciosos mais uma vez em contato com o meu peito, o que me ouriçou mais ainda, e eu nem sequer poderia me mexer. Mas nessas alturas, não sabia mais se gostaria de fazê-lo, nunca havia transbordado de tamanho prazer. Não queria que ela continuasse, mas também não queria o oposto.

Até que a bruxa se descolou do meu corpo e eu senti água sendo derramada diretamente em meu rosto, e no meu corpo. A água que estava no criado-mudo me molhava agora. E ela estava com sede, muita sede. E resolveu beber toda água que havia derramado "acidentalmente" em mim.

A língua quente lambeu meu pescoço, meu peito, minha barriga, e quando avistou minhas ceroulas molhadas, pediu ajuda das mãos não tão frias para que as tirassem do caminho. Agora sim a posição lasciva reiniciaria, e os movimentos pérfidos também. Eu sabia disso, eu o queria inteiramente, queria tudo que aquela bruxa nojenta estava disposta a me amaldiçoar.

Mais uma vez senti o prazer e a satisfação de encontrar com o corpo demoníaco dela. Ela sentiu isso e permitiu que eu a ajudasse em sua missão. No momento em que os lábios dela revestidos com veneno encostaram-se aos meus, senti que podia me mexer. Primeiro só retribuí aquele beijo enfeitiçado, estava louco demais para pensar. Beijo gostoso, mulher gostosa. Ela deve ser a própria maçã proibida, Eva transfigurada em fruta demoníaca.

Eu dei a primeira mordida na maçã, seus lábios, e ela respondeu isso com um movimento de quadril. Tentei fazer o mesmo e abrir os olhos. O movimento eu fiz, mas os olhos não consegui abrir. Desisti de vê-la, e apenas a pressionei sobre mim e saciei a minha vontade quase que insaciável em imacula-la.

Não sabia que sensação era aquela, não era só carnal, não era só prazer, era algo a mais em tê-la só pra mim, de dizer pra mim mesmo que o demônio não foi o único a lhe arrancar gemidos de prazer, e que aquele que a fez sair do lado do demônio para fazê-la louca e profanada mais uma vez era somente eu.

Estava ela lá ao lado do seu grande aliado, mas ela levantou da cova submersa para me imergir nesse prazer indescritível e nesse turbilhão de sensações misteriosas em minha cabeça.

Quando finalmente terminei o meu serviço, ela largou o corpo sobre mim mais uma vez e encaminhou-se em direção ao meu ouvido. Ela passou mais um tempo ofegando nele, minha curiosidade aumentava, o que será que ela faria agora? Estava transbordando de prazer e ansiedade, um sorriso cansado e safado brotou em meus lábios agora sensíveis. E aquela espera só me deixava mais louco para começar tudo outra vez.

Foi ai que ela sussurrou. Começou timidamente emitindo um som, e quando terminou a segunda palavra, comecei a suar frio. Eu já sabia o que ela falaria. E meus pensamentos ditaram para o que ela sussurrava no exato momento que ela o fazia, como se falássemos juntos a mesma frase horripilante. A frase que ecoava no meu subconsciente desde nossa última conversa: "Eu sei a verdade".

Minha reação foi imediata de abrir os olhos. Eles abriram. No susto esbarrei a mão no criado-mudo e a jarra e o copo se espatifaram no chão.

Olhei para mim mesmo e estava coberto e vestido. Olhei para o quarto ele estava vazio. Estava exatamente igual de como estava antes de eu fechar os olhos. Será que pela primeira vez em anos eu teria dormido e sonhado?

Não... Não tenho tanta certeza, pois quando olhei para a janela, ela estava aberta.

~ {Meus amados leitores, eu andei uma correria sem fim, e como não tive um grande pedido de "POSTA LOGO ESSA PORRA" eu acabei postergando – chantagista – Mas taí o capítulo... Espero não ter ferido a moral de ninguém!! OAHSOASHOSHAOSHOSHAOSHAOSHAOSHASOAHSOAH

AMO VOCÊS!} ~

NO PRÓXIMO CAPÍTULO:

Não podia ficar pensando que aquilo foi uma mera viagem de meu corpo sedento de vontade, um verdadeiro tarado por tocar aquela pele macia, por lamber aquela mulher com gosto de licor. Devia aquilo ser mais uma de suas bruxarias, e para que elas me atingissem, viva ela estava, isso era certo já.

Não percam o próximo capítulo de A maçã da bruxa! Capítulo 10: Vida.