"Eu atendo!"
É o grito da Ellie que faz a Felicity e Oliver, simultaneamente, levantar o lençol e sair correndo para fora, quase destruindo a tenda que ele e Ellie fizeram, meticulosamente construída, quando o Oliver diz: "Ellie, espere!" e a Felicity grita: "Não abra a porta!"
A ideia do Slade tocando a campainha é tão incrivelmente ridícula que não pode, eventualmente, ser ele, mas também poderia ser qualquer um. E a lista de 'qualquer um' que não precisa ver a Ellie é tão longa que poderia envolver todo o mundo umas cem vezes... Isso pode ser um pouco de exagero, considerando os bilhões de pessoas que não têm o menor interesse em saber como os Queens gastam o seu tempo, mas mesmo assim.
Isso também não significa que outra pessoa não a viu quando ela estava na Queen Consolidated ontem.
Isabel.
Por que a Isabel se preocuparia com uma criança misteriosa do passado do Oliver? Ela já tem a empresa.
Mesmo assim.
O cérebro da Felicity está falhando completamente, enquanto ela e Oliver correm pelo corredor - como essa garota já memorizou este lugar, está além dela; Felicity está aqui o mesmo tempo e ela ainda se sente perdida - quando a porta se abre.
"Ellie, espere!" Oliver diz, sua voz ecoa pela casa à medida que eles chegam nas escadas... Mas a Ellie está no patamar da escada à esquerda, olhando para eles. Ambos param por uma fração de segundo, Felicity se pergunta se o Oliver está sentindo o mesmo alívio que está correndo solto através dela antes dele descer correndo as escadas com um suave, "Hey".
"Eu estava esperando, papai, eu sei que não é para atender a porta sem um adulto", diz ela. Ela apontou para a porta. "Mas Raisa chegou primeiro."
"Bom, isso é bom," Oliver diz, e Felicity pode ver o sorriso melancólico em seu rosto quando ele pega a sua filha. "Venha aqui, baby."
Ele a pega no colo, se virando para a porta da frente, parcialmente a
escondendo de vista, parecendo dividido entre a vontade de ir até lá e ver quem está na porta e ficar ali, escondendo ela - ele prefere a segunda opção, porque realmente, ameaça ou não, quanto menos pessoas verem Ellie, melhor. A Felicity está logo atrás dele, ela se move para ficar na frente deles, embora o que exatamente ela acha que vai fazer, ela não tem ideia...
"É tio Diggle!" Ellie exclama com um sorriso gigante quando ela vê quem é o visitante. Ela se mexe nos braços do Oliver. "Papai, eu quero descer."
"Hey," Diggle diz, entrando no hall, segurando alguns papéis dobrados e uma pequena sacola. Ele acena grato para Raisa, ela segurando a porta aberta para ele, enquanto Ellie desliza para fora dos braços do pai dela e contorna a Felicity, indo na direção ao Dig.
A reação imediata do Diggle é congelar, as sobrancelhas levantadas.
Um segundo ele não tem nada além de papéis e um saco plástico, no próximo, há uma Ellie junto a tudo, quando ela se joga nos braços dele.
Felicity pode ver um pouco de hesitação no rosto do Diggle - ele deve pegar ela ou entregar ela de volta para eles - mas talvez seja a pura expectativa e alegria no rosto da menina que faz desaparecer a hesitação e, em seguida, ele está se inclinando para pegá-la.
"Oi!" Ellie diz quando o Diggle a pega, deixando escapar um suspiro.
"Oi para você", ele responde. Ele a mexe para um braço, discretamente segurando os papéis e o saco atrás com a outra mão, e pergunta: "Alguém já te disse que você deve considerar uma carreira como uma jogadora de futebol americano?"
"Eu sou uma", Ellie diz assunto com uma naturalidade, fazendo um sorriso divertido iluminar o rosto do Diggle. "Nós temos nossa própria equipe, lembra? Você é o treinador, Sara é a defesa, tia Lyla é uma segurança, e tio Roy é o meio de campo. E tia Thea é atacante. E quando o papai joga, a mamãe chama ele de meio de campo avançado."
Diggle bufa uma risada, dizendo: "Meio de campo avançado, hã?" enquanto seus olhos vão até onde ela e Oliver estão.
Só é preciso uma olhada rápida dele para a Felicity se lembrar que ela e Oliver estão bastante... Despenteados.
Se é que podemos chamar assim.
Ambos estão descalços, algo que ela fica claramente consciente quando pisa no chão de mármore gelado, Felicity não precisa de um espelho para saber que está com um cabelo de quem acabou de acordar, sua camisa amassada e seus lábios... Bem, se eles estão tão inchados quanto ela sente que estão...
Ela tinha acabado de beijar o Oliver.
Não, ela acabou de dar uns amassos com o Oliver - com o Oliver Queen, 'O' Oliver Queen, o Oliver Queen dela... Bem, não dela, como se o Oliver Queen fosse dela... Exceto... Ow isso está confuso - e, pior, agora o Diggle está encarando eles como se ele soubesse exatamente o que estava acontecendo, tudo o que ela está pensando no momento e ele está achando tudo muito engraçado.
"Bom dia, vocês dois", diz Diggle. Felicity sente o rubor espalhar até o pescoço, fazendo seus ouvidos, estranhamente, quentes, ele sorri para eles, um sorriso que ela realmente quer encarar, especialmente quando o Oliver coloca mão na parte inferior das suas costas, como se ele soubesse exatamente o que ela está sentindo. O Diggle não perde isso. "Eu vejo que tem sido muito boa."
Felicity abre a boca para dizer algo - algo bom, algo realmente bom e lógico e cheio de explicações - o Oliver levanta a mão para o Diggle, como se ele estivesse alertando o outro, mas Ellie os interrompe.
"Você está aqui por causa dos waffles de morango do papai?" Ellie pergunta, puxando a atenção do Diggle de volta para ela.
Os olhos do Diggle vão para o Oliver, as sobrancelhas levantando ainda mais, se isso é mesmo possível. "Uh..."
"Tia Lyla diz que você é louco por morango," Ellie continua e Diggle olha quase ofendido. "Mas você não pode monopolizar todos os morangos desta vez porque não tem muito."
"Tia Lyla... Ela disse o que, hein?" Ele pergunta, sua surpresa inicial com adjetivo mudando para algo mais seco.
"Sim. Mas você não pode comer todos eles, tio Diggle, porque não temos o suficiente."
"Ok", Diggle diz com uma risada. "Que tal... Eu prometer não monopolizar todos os morangos desta vez?"
Ellie assente. "Isso é um bom plano. Eu vou me certificar que o pai tenha a
mais para você da próxima vez."
"Isso é muito gentil da sua parte." Diggle olha para o Oliver, um sorriso em seu rosto. "E eu estou muito interessado em ver seu pai na cozinha."
Felicity não tem que olhar para Oliver para saber que ele está dando para o Diggle um olhar de "pare já".
Ellie balança a cabeça. "Ele não está fazendo eles. Vovó está, da mesma forma como pai faz."
"Vovó?" Diggle ecoa, estreitando os olhos com perguntas sem resposta.
"Sim", diz Ellie. Ela estica a cabeça para olhar para trás do Diggle. Quando ela não pode ver, ela inclina todo o corpo, confiando nele completamente para não deixá-la cair quando ela chega o mais longe que pode, forçando o Diggle a se reajustar. "Sara está aqui?"
"Sara?" Diggle repete, franzindo a testa.
"Sim, mamãe disse que a próxima vez que ela viesse, nós poderíamos fazer cookies. Sara é realmente boa em fazer cookies, tia Lyla ensinou a fazer desenhos, e tia Lyla ia ensinar isso para mim e pro papai."
Passado o fato de que todos eles estão aprendendo que o Oliver deve praticamente viver na cozinha no futuro, Felicity percebe que não é da sua Sara ela está falando. É da filha do Diggle, Sara. Os olhos da Felicity aumentam. O Diggle não sabe que ele tem uma filha, ou que o seu nome é Sara. Ele deveria saber? Faria alguma diferença se eles souberem sobre ela e se ele não souber?
De repente, parece-lhe muito interessante que ela se chama Sara.
Por que eles iriam chamá-la de Sara? Ela não achava que eles eram tão próximos.
A rapidez do seu pensamento e suas possibilidades faz sua cabeça girar e ela está prestes a desviar a conversa, mas Diggle é mais rápido.
"Sara tinha outras coisas para fazer, querida," Diggle responde, mas a linha entre suas sobrancelhas não desapareceu e Felicity se pergunta o que ele está pensando.
"Oh," Ellie diz, desapontamento claro seu tom.
"Tenho certeza que ela vai vir quando ela puder."
Ellie instantaneamente ilumina. "OK!"
Raisa dá um passo à frente de onde ela tinha fechado a porta. "Você vai
ficar para o café da manhã, Sr. Diggle?"
"Sim," Oliver diz antes que o Diggle tenha a chance de responder. Ele balança a cabeça, dando a Raisa um sorriso. "Ele vai."
"Eu vou informar a sra. Queen", Raisa responde e volta para a cozinha, mas não antes de dar um sorriso para o Oliver.
Felicity se pergunta se é sua imaginação ou o rosto da mulher russa está mais suave, quase esperançoso, quando ela vê eles juntos, mesmo despenteados como eles estão. Ela decide que sim, sua cabeça ainda está um pouco confusa, principalmente depois do que ela acabou de fazer com seu futuro marido... Ou namorado, ou... Noivo? Por que isso se tornou uma coisa tão importante para ela saber de repente?
"Ela também me pediu para lhe informar que o café da manhã está quase pronto, Sr. Oliver."
"Obrigado, Raisa."
A mulher mais velha acena com a cabeça, antes de desaparecer por um corredor.
Oliver nunca mencionou antes, nem uma vez, mas o amor entre eles é evidente. É um lembrete de que a Felicity está vendo coisas que ela nunca, nunca, nunca pensou que iria ver, e isso só está fazendo tudo o que aconteceu nas últimas catorze horas, mais real.
"Você quer ir ajudar a terminar o café enquanto eu falo com a sua, uh, mãe e pai?" Diggle sugere.
"Ok", Ellie diz e Diggle a coloca no chão. "Vou me certificar que a vovó guarde alguns morangos para você."
Ele ri calorosamente. "Obrigado, Ellie."
Ellie se vira para correr de volta para a cozinha, mas Oliver se abaixa, pegando seu braço antes que ela possa ir muito longe. "Ei, Speed Racer, não vamos correr dentro de casa, ok?"
"Ok, mas a vovó disse para me apressar", responde Ellie. "Eu vou bater a massa e ela corta os morangos. Ela corta igual você, papai."
"Bem, agora você sabe quem me ensinou," Oliver diz, puxando a camisa dela para baixo. Felicity pisca, uma emoção que ela não está pronta para descrever enchendo o peito - ele nem sequer percebe o que está fazendo, ele
está apenas sendo um pai. Ela morde o lábio para conter o sorriso ameaçando tomar sobre seu rosto enquanto Oliver dá um tapinha no quadril da Ellie. "Sem correr, por favor."
"Ok", Ellie diz, voltando para a cozinha, ainda num ritmo agitado.
Todos eles observam ela ir e quando ela desaparece ao virar a esquina, Felicity olha para o Oliver.
Seu coração aperta ao ver sorriso gentil no rosto dele.
Ele está diferente, e não é apenas o sorriso que faz ele parecer anos mais jovem, é mais do que isso, é mais profundo. Ele está mais leve, mais livre do que ela já havia visto antes. Seus ombros não estão para baixo, as linhas em seu rosto estão mais suaves, quase desapareceram, e os círculos sob os olhos foram embora. As sombras nos olhos... Elas estão mais suaves, menos intensas. É quase como se saber sobre a Ellie, saber que ele pode ter mais do que a fria, úmida foundry, e ela sabia que ele sempre acreditou que esse era o seu destino, deu-lhe...
Esperança.
Isso é o que ela está vendo.
É incrível o quanto isso está mudando ele, e ainda mais surpreendente porque é ainda tão pouco.
O Oliver sempre foi um homem bonito, nunca houve qualquer dúvida sobre isso, mas agora ele está lindo... E este homem lindo a beijou, apenas disse a ela que ele quer estar com ela, que ele quer isso, que ele queria por um longo tempo... Tudo isso, com ela.
"Uau," Felicity sussurra, em voz alta, fazendo ele olhar para ela.
Seu sorriso não desaparece.
Mais uau.
Sua mente está correndo a quilômetros por hora, enquanto ela processa o que está vendo, mas, apesar disso, ela se encontra sorrindo de volta, quase como se fosse involuntário, como se fosse apenas o que ela deveria fazer, porque o Oliver está sorrindo para ela.
"Eu vejo que perdi muita coisa", diz Diggle, fazendo com que eles se afastem. Ele está sorrindo, ostentando o que ela chamaria um sorriso 'escroto', tão largo que parece que está prestes a rasgar seu rosto. "Tava na hora, né?"
"O quê? Não", Felicity diz, a mão do Oliver volta a ficar na parte inferior das suas costas novamente. Ela olha para ele e, em seguida, volta para o Diggle. "Você…?"
"Eu não sou cego, Felicity", Diggle responde, balançando a cabeça, seu sorriso não diminuiu e, nada.
"Bem, eu também não sou cega", diz ela, sua voz aumentando ligeiramente. "Mas nem eu sabia."
"Sempre houve alguma coisa entre vocês dois, desde a noite em que você arrastou o traseiro dele para a foundry quando ele foi baleado." Ele dá de ombros. "Eu definitivamente não achei que precisaria da futura filha de vocês para fazer isso..." Ele acena os papéis entre eles, sorrindo. "Acontecer."
"Nada está... acontecendo", engasga a Felicity. "Ainda."
"Apenas me dá um aviso quando vocês dois forem começar a fazer a pequenina, assim eu posso desaparecer."
O coração da Felicity para. Um tremor passa por ele e por todos os órgãos em seu corpo com o pensamento de fazer isso com Oliver. É o pressuposto lógico, porque 'Olá,' Ellie existe, mas ela acabou de descobrir que o Oliver tem sentimentos por ela, que ele pensava nela dessa maneira, que não era só ela. Eles mal fizeram alguma coisa, além de se beijar – beijos incríveis, os tipos de beijos que pessoas escrevem canções e poesias e óperas inteiras sobre isso - mas não tinha pensado naquilo.
Ok, sim, eles estavam no caminho para fazer exatamente aquilo, e uau, o quão longe eles teriam ido se o Diggle não tivesse chegado? Algo poderia ter acontecido...
O pensamento do que esse algo poderia ser faz seu estômago revirar, seus nervos à flor da pele em antecipação. Apenas beijá-lo era mais do que suficiente para solidificar os poucos sonhos fantásticos que ela se permitiu. Imagine quando... Não, não imagine, eles não têm tempo para imaginar.
"John..." Oliver começa, balançando a cabeça enquanto Felicity diz: "Não, não, nós estávamos apenas... Nós conversamos, nós apenas conversamos. Nós estamos apenas conversando, não é... Nós não estávamos, não..."
Diggle sorri. "Eu estou apenas brincando, Felicity."
"HA!," Felicity diz, com a voz um pouco alta demais. "Só brincando... Sei."
"Eu tenho certeza que você não veio aqui apenas pelos waffles," Oliver diz, a palavra 'waffles' abrangendo muito mais do que o prato do café da manhã, enquanto sua mão desliza para cima das suas costas, os dedos passando pelo seu pescoço. "Alguma coisa apareceu?" Ele faz uma pausa, e Felicity pode sentir o ar mudar quando ele pergunta: "É o Slade?"
Isso deixa todos sérios, instantaneamente.
Slade.
Como ela poderia esquecer por um segundo sobre o Slade? Ela sente como se uma eternidade tivesse passado desde ontem à tarde, desde que Barry trouxe Ellie, uma vez que o Slade apareceu e ela correu com sua filha escondida em seus braços, querendo nada mais do que ficar e lutar, não abandonar seus amigos, não deixar Oliver para trás... Tanta coisa aconteceu, tanta coisa mudou, ela quase se deixou envolver na estranha euforia que tem sido a sua vida desde o último dia. É um pouco surpreendente, na verdade, a rapidez com que ela já está acostumando a ter a Ellie em sua vida, ter Oliver junto dela, como foi ontem à noite... E esta manhã.
Surpreendente... Alarmante... Chocante...
"Na verdade, sim", Diggle diz, balançando a cabeça. "Nós fizemos uma busca rápida na foundry ontem à noite e algo está faltando. Ele pegou a chave mestra."
Oliver endurece.
"Oh," sussurra Felicity. "Isso é ruim. Isso é muito ruim. Ele pode entrar em qualquer lugar que ele quiser com isso."
"Eu sei", diz Diggle.
Felicity não precisa olhar para o Oliver para saber que ele já está pensando no fato de que ele estava aqui enquanto o Slade estava lá fora, fazendo sabe lá o que com a chave mestra. Mas o que ele poderia ter feito? Eles ainda não sabem onde o Slade está ou o que ele planeja, teria sido tão inútil quanto tentar encontrar uma agulha microscópica num palheiro.
Como ela previu, a mão de Oliver deixa seu corpo. Ela pode sentir ele se afastando, para longe dela, para longe do que eles tiveram apenas alguns minutos atrás.
Não.
Felicity não pensa duas vezes. Ela se vira, envolvendo o braço em torno dele, apenas o suficiente para que a sua mão fique nas costas dele, o mantendo bem do lado dela. Ele olha para ela, com o cenho franzido... Mas ele relaxa, ligeiramente, é o suficiente.
Diggle tosse levemente. "E nós temos um relatório desta manhã de um ataque em um armazém nos arredores de Starling."
"Qual armazém?" Felicity pergunta.
"Aparentemente, um que costumava ser uma unidade de armazenamento de estoque para o S.T.A.R. Labs", responde Diggle. "Eles rescindiram o contrato de arrendamento no mês passado."
"S.T.A.R. Labs?" Felicity repete, olhando rapidamente para o Oliver, não passando despercebida a maneira como seu rosto se fecha novamente, antes de olhar para Diggle novamente. "O Barry está no S.T.A.R. Labs. Quero dizer, em Central City, não aqui, mas... Será que alguém se machucou?"
"Não, mas eles estão sendo muito discretos sobre isso, não sei se vale a pena ir lá, nós não sabemos muito. A SCPD (Departamento de polícia de Starling City) não divulgou nada e ninguém está falando sobre o que exatamente foi roubado."
"Então, algo foi roubado?" Oliver questiona.
"Sim."
"Eu posso ligar" diz Felicity. "Ou talvez ir até lá?" Embora ela realmente não queira fazer isso, ela não quer deixar a Ellie. "Bem, ligar pelo menos. Ver se alguém em Central City sabe o que foi levado."
Diggle acena com a cabeça, mas não é um aceno feliz. "Fica pior."
"Ah, claro," Felicity diz, acenando com a mão. "Claro, porque as coisas não são ruins o suficiente."
Diggle indica os papéis na sua mão. "O software de reconhecimento facial emitiu um alerta esta manhã. Era o Slade."
"Onde?" Oliver pergunta, pegando os papéis. Diggle os entrega. Eles são imagens, fotos das câmaras de trânsito encontradas nas partes deterioradas de Starling City. Eles mostram um pouco do rosto de um homem, uma mancha negra onde está seu tapa-olho. Não é muito, apenas o suficiente para ver que é ele. Ele está na parte de trás de um carro, virando na Franklin Avenue, saindo da cidade.
"Mais alguma coisa apareceu?"
Diggle balança a cabeça. "Não, mas a maioria das câmeras de rua no Glades não estão mais no sistema central de monitoramento e eu não sei como acessá-las." Ele olha para Felicity com intenção. "E é por isso que estou aqui."
"Certo, essa é a minha deixa", diz Felicity. "Eu estou com meu tablet, posso fazer isso agora."
"Bom", Oliver diz, respirando profundamente, seus olhos nas imagens. "Precisamos saber onde ele está indo, o que ele está fazendo." Ele olha para Diggle. "Onde está a Sara?"
"Eu não falei com ela desde a noite passada", responde Diggle.
"Vou ligar para ela," Oliver diz antes de olhar para Felicity. "Precisamos saber para onde ele está indo e veja se você pode obter as câmeras desse armazém, tem que ser ele."
"Ok," Felicity diz, pegando as fotos, olhando elas. "Esta área têm poucas câmeras realmente funcionando, é mais um conjunto de antigos galpões industriais e armazéns, mas tenho certeza que alguma câmera filmou ele."
"Próximo assunto," Oliver diz, "O que ele roubou do S.T.A.R. Labs."
"Exatamente a minha pergunta," Diggle diz, entregando a sacola para o Oliver e a Felicity e eles veem rapidamente o que tem dentro.
"E é claro que você precisava de uma muda de roupa para refletir sobre essa pergunta", diz Felicity. "Estamos transformando isso em uma festa do pijama?"
Diggle lhe dá um sorriso. "Não, eu vim aqui por causa do Slade, e porque..." e então de repente ele tosse, se endireitando um pouco mais, elevando a voz para completar, "Eu trouxe essa muda de roupa que você pediu. Já que você não tinha nenhuma... A última vez que lhe vi ".
"Uh..." franze a testa Felicity. "Ok, sim, eu acho que é..."
"Mrs. Queen", Diggle diz, interrompendo-a enquanto ele balança a cabeça respeitosamente para a matriarca Queen, que está atrás da Felicity. "É bom vê-la de novo."
A primeira coisa que Felicity pensa é: eu não tomei banho. Porque ela não tomou e ela ainda não está usando maquiagem e seu cabelo ainda se parece com ninho de passarinho e ela tem certeza que qualquer um com olhos
pode ver o que ela estava fazendo com o Oliver. Por que ela não foi abençoada com o tipo de genes que permite ela acordar com a mesma aparência de quando foi dormir?
A segunda coisa que ela pensa é: Será que ela sabe sobre o Slade?
A terceira coisa é: Por que pelos menos uma coisa não pode ser fácil?
"Mr. Diggle, que agradável surpresa", Moira diz, chegando por trás deles. Apenas um dia atrás, ela tinha certeza de que Moira Queen a desprezava, por isso Felicity pula quando as mãos da mulher mais velha toca seu ombro enquanto ela para ao seu lado. "Eu ouvi que você ficará para o café da manhã."
"Eu só passei para ver como Sr. Queen está, na verdade", Diggle responde, e quando a Felicity olha para ele, ele vê que seu estão nas fotos em sua mão, como se ele estivesse dizendo: 'Esconde, ela pode ver.' "E para deixar algumas roupas para a Ellie."
"Oh?" Moira expressa, diversão em seu tom.
Quando ninguém diz nada, Diggle acena com a cabeça mais uma vez, um sorriso desconfortável nos lábios enquanto ele dá um passo à frente. "Sim. E... Eu sei que ela não tinha uma muda de roupa adicional, porque ela estava... Ela não tinha nenhuma... aqui."
Nunca na vida da Felicity, ela pensou que veria o dia em que John Diggle ficaria realmente nervoso, o suficiente para que ele começasse a falar como ela. Eles não têm uma história combinada para esconder os fatos, e mesmo que se eles tivessem, não incluiria o Diggle. É meio que divertido ver ele lutando para dizer alguma coisa. Porque, o que exatamente se diz para uma mulher que agora está sendo chamado de "Vovó" por uma criança do futuro, uma mulher que, supõe-se, não sabe de nada sobre as atividades extracurriculares do Oliver, incluindo dormir com a sua Assistente Executiva?
Quando Diggle olha para ela por uma fração de segundo, ela sabe que ela está sorrindo, porque ele estreita o olhar.
Ela se esforça para não sorrir, mas o olhar furioso dele não diminui nem um pouco a sua vontade.
"Eu só queria ter certeza que ela tinha tudo que precisava," Diggle continua hesitante. "E também Sr. Queen. E a... Srta. Smoak."
Um pequeno suspiro de satisfação escapa da Felicity antes que ela possa
pará-lo e a mandíbula do Diggle enrijece. Ela está prestes a entrar em cena e dizer-lhe que está tudo bem, mas Oliver é mais rápido.
"John, ela sabe", diz ele.
"O que?" Diggle pergunta, seus olhos voando para o Oliver. "Ela…?"
"Ela sabe, sobre tudo."
As sobrancelhas da Felicity se levantam. O que?
"Tudo?" Diggle repete.
"Tudo," Oliver confirma.
"Como... Você e..." Ele aponta para Oliver e Felicity, depois para a cozinha. "Tudo?"
"Que a Ellie é do futuro e que eu sou o Arrow," ele termina abruptamente.
Os olhos da Felicity ampliam quase comicamente, os lábios formando um pequno 'o', ela olha para Moira, que está sorrindo pacientemente.
"Tudo", finaliza Oliver.
"Oh," Diggle diz lentamente, olhando para Oliver... E então ele olha para Moira, e, em seguida, Felicity, antes de olhar para o Oliver. "Cara, você não pode manter um segredo para salvar a sua maldita vida."
Moira solta uma risada divertida, Oliver franze a testa para ele.
"Eu sei há pouco tempo, na verdade", diz Moira. "Mas eu tinha minhas suspeitas muito antes disso."
"Espero que ele não tenha tentado a coisa das 'garrafa esportivas' com você," Felicity diz, para desgosto do Oliver, ele revira os olhos e Diggle ri. Moira levanta as sobrancelhas em questionamento. "Ele não é muito bom contando mentiras."
"Elas não eram tão ruins", diz Oliver.
"Elas também não eram tão boas." Felicity provoca, cutucando-o no peito. Ele faz uma cara feia para ela e ela sente uma mistura de espanto por estar provocando o Oliver no hall de entrada da sua gigantesca casa, com sua mãe e um de seus melhores amigos presentes – como assim, esta é a sua vida agora, o que aconteceu? - E a sensação de que agora não é o momento para brincadeiras. Ela faz uma careta e diz: "Desculpa."
Exasperação aparece no rosto do Oliver, ele respira fundo e diz "Podemos apenas..."
A porta da frente de repente se abre e antes que a Felicity possa se virar para ver quem é, Oliver e Diggle já estão em movimento, como uma coreografia que eles fizeram várias vezes. Eles nem têm que pensar - o braço do Oliver desliza em torno da sua cintura e ele a puxa para trás dele, o Diggle alguns passos na frente de todos eles, seus ombros rígidos, sua mão pairando sobre a arma no coldre, que ela sabe que ele mantém em suas costas.
Mas é, exatamente, a última pessoa de quem eles precisam se proteger.
Thea Queen invade a casa.
É como se a Ellie fosse um imã de membros da família Queen. Felicity já viu mais da família Queen nas últimas horas do que ela viu desde que o Oliver Queen entrou em sua vida.
Thea fecha a porta atrás dela com uma batida pesada, mal dando a qualquer um deles um olhar, enquanto ela se dirige para as escadas.
Ela sabe que eles estão lá, pela postura dura de seus ombros, seu andar um pouco apressado demais... Ou essa reação talvez seja por causa de todas informações novas que estão vindo à luz - como o fato de que o próprio diabo é seu pai biológico. De qualquer maneira, Thea anda com um propósito que só uma Queen pode carregar, enquanto eles ficam congelados, sem saber o que dizer ou fazer, todos pensando a mesma coisa: Ellie.
Moira é a primeira a se mover.
"Thea", diz ela, surpresa e felicidade clara seu tom, ela contorna o Diggle, seguindo sua filha, mas a Queen mais jovem não reage além de um olhar de desprezo por cima do ombro. "Thea."
"Eu só estou aqui para pegar algumas coisas que eu preciso no clube", Thea diz, subindo as escadas rapidamente. Seus olhos passam sobre a pequena reunião, nem uma sombra de reconhecimento em seu rosto quando ela vê Felicity ou Diggle, antes de disparar para a Moira um sorriso frio. "Não quero acabar com a reunião de família."
"Não, Thea," Moira diz, balançando a cabeça, "Não é..."
Mas ela já se foi.
Moira faz uma pausa na base da escada, observando-a subir, antes de respirar profundamente, voltando-se para eles.
"Felicity", diz ela, e Felicity não tem que ouvir as palavras para saber o que
ela vai dizer. Nem Oliver, que endurece ao lado dela. "Você poderia buscar a Ellie?"
"Aham," Felicity expressa antes do Oliver lhe cortar.
"Agora é o melhor momento para isso?" Oliver pergunta, sua voz calma, mas a hesitação é alta e clara. Felicity não sabe se é hesitação pela a Ellie vendo a Thea ou vice-versa ou por questionar sua mãe sobre, o que é claramente, um assunto delicado, ela não sabe o motivo, mas está lá.
"Devemos dizer a ela", diz Moira.
"Eu não estou dizendo que não"
"Então..."
"Eu acho que a Ellie adoraria vê-la," Oliver interrompe novamente, segurando a mão para dar ênfase, "Mas... Não é apenas o fato de que eu... Que nós temos uma filha agora - ou que fizemos no futuro, ou..." Ele faz uma pausa, recompondo-se e olha diretamente nos olhos da Moira. "É que... Nós teríamos que contar tudo a ela."
"Eu teria que contar tudo a ela."
Felicity ouve o que ele está dizendo: tem que ser tudo ou nada.
As palavras atingem Moira fortemente, Felicity sabe que ela e Oliver estão pensando a mesma coisa: mais outra mentira. Seria mais uma em cima de toda a confusão de mentiras e omissões, o que faria com que a Thea se afastasse ainda mais do que ela já se afastou. Com certeza não ajudaria o fato de que é outra coisa que os dois sabem, que os dois têm mentido para ela novamente. A quantidade de mentiras e segredos entrelaçados na história da família Queen é muito grande, segredos que mudam completamente a sua vida, e com este não seria diferente.
Felicity se pergunta o que aconteceu na conversa entre ele e Moira na noite anterior para ele pensar desta forma, mas independente disso, ela acha que está feliz por isso. Há uma diferença gigante entre o homem diante dela e aquele que tinha pedido para o Roy romper com a Thea para protegê-la, porque ele não podia contar a verdade. Será que ouvir sua filha falar sobre ele ser o Arrow mudou as coisas? Ou foi por saber que eles ainda fazem o trabalho de vigilante no futuro e que têm uma família ao mesmo tempo? Ou saber que ele vive uma vida sem tantos segredos em cada movimento seu, fez ele florescer? Fez eles
florescerem?
É claro que ele não quer mentir para a Thea, mais do que ele já mentiu, e apenas uma meia-verdade - contar a ela sobre Ellie, sobre a reviravolta chocante causada pelo evento de sua filha do futuro estar em suas vidas agora - não vai resolver.
A luta do Oliver é evidente e a Felicity não pensa duas vezes antes esticar braço em volta da cintura dele, segurando-o um pouco mais forte. Ele não reage; ele apenas olha para Moira, e talvez seja sua imaginação, mas ela sente ele se inclinando um pouco nela, de toda forma, ele não reclama ou se afasta. Felicity sente uma onda de gratidão por ele permitir que ela esteja lá por ele, especialmente no momento de ter que dizer a alguém que ele mentiu para ela por anos.
Será que a Thea entenderá por que ele fez isso, por que ele escolheu não contar a ninguém, especialmente aqueles mais próximos a ele, aqueles que ele mais ama? Será que ela entenderá seu raciocínio?
Algo lhe diz que não vai ser fácil de qualquer maneira. E enquanto a Ellie iria ajudar a suavizar a situação, mesmo seu sorriso alegre não mudaria o fato de que seriam mais mentiras. É óbvio, a julgar pela forma como a Ellie fala sobre tia Thea e tio Roy, que os irmãos Queen, eventualmente, colocam seus sentimentos de lado, mas isso não muda o agora.
Moira já sabia sobre ele – pelo jeito, sabe sobre ele - mas sua boa aceitação das atividades noturnas do Oliver seria nada em comparação com a reação da Thea. E foi tudo por causa do timing. Ouvir que seu pai é Malcolm Merlyn foi ruim o suficiente, além de descobrir que o Oliver sabia e optou por não dizer a ela... Agora imagina ter que ouvir que seu irmão é o Arrow? E ainda, conhecer uma sobrinha que tecnicamente não existe neste tempo porque ela ainda não foi concebida... Isso seria a cereja no topo de tudo.
Já seria muita coisa para qualquer um... Mas em se tratando de Thea Queen, seria potencializar a culpa que já rodeia a sua família.
Felicity realmente não pode culpar Oliver por hesitar.
"Talvez seja a hora," Moira finalmente diz. Oliver endurece mais. Sua mãe dá passos em direção a ele, a emoção em seus olhos clara. "Ellie é mais importante do que o que está acontecendo agora, entre todos nós. Thea é a tia
dela, Oliver." Ela balança a cabeça com espanto. "Minha filha tem uma sobrinha. E seria bom para ela, pelo menos, saber que... Apesar de tudo que veio à tona recentemente, esta ainda é a sua família. Ainda somos a sua família. Não importa o que aconteça."
O Oliver não responde. Ele respira lentamente e a Felicity olha para ele. Seu rosto está repleto de culpa, tristeza, arrependimento... E medo. O medo domina cada centímetro dele e Felicity o abraça um pouco mais apertado. Ele olha para ela e ela lhe oferece um pequeno sorriso, um que ele meio que retorna abraçando-a um pouco mais apertado, aceitando o apoio.
Ele volta a olhar para a Moira.
"Talvez. Eu quero... Eu quero que elas se conheçam," diz ele suavemente e Moira começa para responder. Ele a interrompe. "Mas conhecer a Ellie não fará a Thea lhe perdoar, mãe. Ou me perdoar."
"Isso não é o que estou fazendo", Moira diz, seu olhar nunca vacilando. Felicity vê a 'parede' subindo, mas não antes dela ver um segundo de culpa, dor em seus olhos.
Isso é exatamente o que ela está fazendo.
Moira olha para Oliver com desespero, tensão, e pela primeira vez, Felicity se deixa imaginar o que a mulher mais velha passou nos últimos anos - a mágoa e dor, a raiva com que ela teve que lidar, o medo e a ameaça constante do desconhecido, os perigos contra a sua família, especialmente após o naufrágio do Gambit, as escolhas difíceis que teve de fazer, escolhas que a faz olhar para trás com pesar, especialmente porque as consequências dessas escolhas é perder a sua família.
É um pouco chocante que a Felicity pode olhar para Moira Queen agora e realmente sentir afinidade, compreensão e... Empatia.
Apresentar a Thea para a Ellie, sem dúvida, manterá a jovem na vida dela, especialmente porque não se sabe quanto tempo Ellie ficará por aqui. Mas não vai resolver nada.
Mas Moira, obviamente, não se importa. Ela quer que a Thea conheça a Ellie - ela quer sua família unida, a qualquer custo.
Felicity olha para o Diggle, que está assistindo a troca em silêncio, mantendo distância.
Oliver olha para a Felicity, que olha para ele ao mesmo tempo. Ela pode ver a pergunta em seus olhos e ela balança a cabeça, pronto para apoiar qualquer decisão que ele fizer - ela vai estar aqui por ele com o que ele escolher, seja contar tudo para a Thea e para tudo o que acontecer depois.
Ele respira, profundamente, e acena com a cabeça de novo, olhando para a Moira. "Não sabemos quanto tempo a Ellie vai estar aqui, de qualquer maneira. E Thea deve conhecer a sobrinha."
"Obrigado, Oliver," Moira diz, o significado por trás das simples palavras pesa em seu tom. Ela sorri para ele, reconhecendo que ele está cedendo.
Thea desce as escadas interrompendo o momento, sua bota de salto alto ecoando pela sala.
Oliver endurece novamente, seu contato com ela fica um pouco mais apertado e Felicity retribui.
Moira se vira para as escadas assim que sua filha chega ao ultimo degrau. "Thea, há alguém que gostaríamos que você conhecesse."
"Eu tenho que ir, na verdade," Thea responde, passando direto por ela, levando uma mochila de roupas com ela.
"Thea, por favor", diz Moira.
O tom de súplica na voz da sua mãe faz Thea pausar quando ela chega na porta. Ela se vira, levantando uma sobrancelha de forma desafiadora para a Moira, antes de seus olhos passarem por todos eles, parando na Felicity.
Requer muita força da Felicity para não se encolher com a intensidade nos olhos da jovem Queen, e se ela já não soubesse, esse olhar só diz que ela é filha da Moira Queen.
Um leve sorriso ilumina o rosto da Thea quando ela olha para Moira novamente.
"Não posso dizer que estou muito interessada nas atuais 'namoradinhas' do meu irmão, mãe", ela diz secamente.
As sobrancelhas da Felicity se erguem em surpresa quando Oliver a puxa pouco mais perto com um ríspido, "Thea", no mesmo momento que Felicity fala um "Oh, nós não somos...", apontando entre ele e ela.
"Não é realmente da minha conta, na verdade," Thea interrompe, dando à Felicity um sorriso que definitivamente não atinge os olhos. "Não é culpa sua que
a minha família está sentindo a necessidade de compartilhar, uma vez que eles mentem sobre todo o resto." Ela se volta para a porta. "Eu tenho que ir."
"Thea," Moira começa, mas Thea já está abrindo a porta, deixando entrar uma rajada de ar frio da manhã, e depois que ela se foi, a porta se fecha com uma batida forte, alta o suficiente para fazer Felicity pular.
Silêncio enche o hall.
O Diggle está olhando para o chão, parecendo estar tão desconfortável quanto a Felicity, e quando ela olha para o Oliver, sua cabeça está inclinada, os lábios apertados com força. A dor está lá, mas ela também consegue ver o alívio em seu rosto, e ela só pode imaginar a culpa que ele está sentindo sobre ter um pouco mais de tempo antes de ter que se explicar para a irmã.
"Você está bem?" Felicity sussurra só para ele.
A armadura típica do Oliver volta para o lugar e ele coloca um sorriso no rosto com um aceno. "Sim."
Ele está mentindo, ambos sabem disso, mas ele não deixa ela falar nada sobre. Em vez disso, ele olha para sua mãe.
Moira está com os olhos fixados na porta, postura rígida, e quase como se todos estivem fazendo o mesmo que ela, ninguém se move. Por um segundo, os únicos sons que podem ser ouvidos são os nítidos barulhos dos pratos na cozinha e os murmúrios quase inaudíveis entre Ellie e Raisa.
"Mãe," Oliver começa, liberando Felicity, dando um passo em direção a Moira para confortá-la – eles, claramente, curaram mais do que algumas feridas na noite anterior.
"Está tudo bem, Oliver", Moira diz, virando-se com um sorriso nos lábios, tão superficial que parece mais automático do que qualquer coisa, destacando que a rejeição da Thea doeu mais do que ela está disposta a deixar transparecer. A mulher mais velha olha para o Diggle. "Então, você vai ficar para o café, Sr. Diggle?" Ela acena para a cozinha. "Os waffles estão prontos, e tenho certeza que a Ellie fez um especial para você com morangos a mais."
"Obrigado", Diggle respondeu, dando-lhe um sorriso caloroso. "Eu adoraria ficar, Sra Queen."
"Por favor", ela responde. "Pode me chamar de Moira."
O Diggle não responde imediatamente e Felicity não pode culpá-lo - ela
está longe de ser capaz de chamá-la voluntariamente de Moira, apesar de sua insistência, e ela não acha que ele irá chamá-la assim.
"Eu vou ligar para a Sara", diz Oliver. "Saber seu status."
Felicity olha para ele, mas ele não está olhando para ela. Está claro no tom de voz que a parede que ele abaixou nas ultimas horas está, definitivamente, de volta ao lugar. As mudanças que ela viu na noite passada e esta manhã estão escondidas atrás de uma expressão fechada novamente. A aparição da Thea, combinada com a nova informação sobre as atividades do Slade na noite anterior, fez ele voltar ao modo 'negócios' como de costume, de volta para o Oliver de antes da Ellie aparecer, e ele não quer desperdiçar mais nem um segundo.
"Eu vou com você", diz Felicity.
Ela não tem certeza de quem está mais surpresa quando ela fala, ela ou Oliver.
"Não", ele responde, balançando a cabeça, a mão passa para o ombro dela; não lhe escapa o quanto é superficial é seu toque agora. "Vá comer, eu já volto." Oliver se move para passar em torno dela, mas ela agarra o braço dele, o impedindo. "Felicity…"
"Nós estaremos lá em um minuto", Felicity diz, sorrindo para Moira e Diggle.
"Tudo bem", Moira diz com um sorriso, outro que não chega a atingir os olhos, antes de se virar para o Diggle. "Vamos?"
"Mostre o caminho", Diggle diz, dando um passo para segui-la.
Ele olha para Felicity, seus olhos indo para as fotos que ela ainda está segurando, e ela diz logo: "Eu cuidarei disso."
Diggle lhe dá um aceno rápido, os olhos indo para o Oliver, por uma fração de segundos, antes que de desaparecer seguindo a Moira.
E então é só eles.
"Felicity, não vai demorar muito. Vá comer."
"Vinte minutos atrás eu achei você em uma tenda de travesseiros, rindo com a nossa filha," Felicity diz, interrompendo-o, ele pisca surpreso, um olhar terno cruzando seu rosto antes de desaparecer novamente. "Para onde esse cara foi?"
Oliver fecha os olhos.
"As coisas com a Thea não vão ser resolver de uma hora para outra, Oliver" ela diz lentamente e ele estremece, franzindo a testa. "E não é sua culpa o que aconteceu com Slade." Seus olhos se abrem e, no segundo que eles encontram os dela, ela diz: "Não é. Nós não tínhamos pistas, nada para dar continuidade ontem à noite, seria inútil, e você não teria tido esse tempo com a Ellie."
"Eu sei", ele admite tranquilamente, mas Felicity pode ouvir a dureza que reveste as suas palavras. "Isso não muda o fato de que as pessoas poderiam ter se machu..."
"Mas eles não se machucaram."
"Nós não sabemos," Oliver responde bruscamente. Felicity faz uma pausa e ele solta um suspiro agitado, esfregando os olhos. "Eu sinto muito."
"Tudo bem."
"Não está tudo bem", ele responde. Ele respira de forma profunda, quase como se ele estivesse lutando com o que vai dizer. Depois de um momento, ele encontra seu olhar. "Eu sei que você está tentando ajudar, e você está. Eu só... Os 'e se' que não saem da minha mente."
"Oliver Queen em poucas palavras," Felicity responde, mantendo a voz leve.
Oliver bufa uma risada tranquila, seguido por um sorriso que lentamente se torna mais real com o passar dos segundos.
Ele olha para ela e ela vê as paredes começarem a desmoronar, novamente, como se ele estivesse fazendo uma escolha consciente de se abrir para ela. Isso deixa ela sem fôlego. Os olhos dele vão para os lábios dela quando eles se partem e ela tem certeza que ele está lembrando o que eles estavam fazendo há apenas alguns minutos - é estranho pensar que se passaram apenas alguns minutos e ainda mais estranho pensar que tanta coisa aconteceu em menos de um dia... Mas não é ele não está só se lembrando, ele está se abrindo pra isso, que ele está se deixando abrir para ela, se mantendo aberto...
Uau.
Isso vai demorar um pouco para se acostumar.
Oliver inclina um pouco a cabeça e agarra sua mão, entrelaçando seus
dedos, "Vem cá."
"O que…?" Ele a puxa para mais perto e ela sorri, balançando a cabeça. "Essa não é a hora para isso."
"Se há uma coisa que toda esta situação está me fazendo perceber," Oliver diz, sua voz carregada, ele a puxa em seus braços, "é que nós temos que arrumar tempo."
Seu coração pula uma batida e antes que ela possa responder, Oliver a beija.
Não é nada como os seus últimos beijos, nem chega perto da paixão escaldante que estava crescendo entre eles numa velocidade alarmante lá no quarto, mas é tão intenso, tão poderoso, e isso causa uma onda inebriante de desejo e uma emoção que ela não está pronta para nomear, queimando-a, enquanto ela se inclina para ele, beijando-o de volta.
"Uhum", ela sussurra, seus lábios tocando o dele. "Isso é legal."
Oliver sorri, seu nariz roçando o dela. "Isso é."
Felicity suspira e o beija novamente, se movendo para envolver os braços ao redor dele antes de lembrar as imagens em sua mão.
Quando ela suspira de novo, é mais pesado. "Eu preciso pegar o meu tablet."
O lembrete sombrio do que está acontecendo ao seu redor faz o rosto da Oliver ficar sombrio por um instante, mas ele se recupera rapidamente.
"Sim", ele diz balançando a cabeça. "Eu vou ligar para a Sara, e então..."
Um grito de repente quebra o momento, que de forma muito preocupante soa como a Moira, rapidamente seguido pela gravidade de um tiro.
Oh Deus, não.
Oliver e Felicity já estão em movimento.
Ele tenta empurra-la para trás enquanto ele passa por ela, mas ela só pega sua mão, ambos correndo em direção à cozinha. Medo domina, adrenalina corre através dela, tão intensamente e rápido que deixa a cabeça girando, e ela só consegue ouvir as batidas frenéticas do seu coração - não, não, por favor, não - quando ambos entram na cozinha ao mesmo tempo.
Felicity mal consegue registrar o corpo inconsciente do Diggle no chão, a Moira lutando para ficar em pé ao fundo, segurando o balcão, sangue revestindo
parte do seu rosto, um corte grande, e o que parece ser o braço fraturado da Raisa, de onde ela está no chão atrás da ilha da cozinha…
Em uma fração de segundo, ela vê tudo isso, ela vê... Mas ela não se importa.
Porque o Slade está no meio da cozinha...
E sua filha nos braços dele.
