FALTOU DIZER EU TE AMO

Capítulo 9: Acerto de contas

—Irá pagar com sua vida, Kuroi! –o ruivo determinou, sentindo seu sangue ferver de raiva ao ver Botan caída e inerte no chão.

—Lute para valer desta vez, Raposa! –o youkai corvo desafiou, avançando contra Kurama em posição de ataque com suas garras.

Kurama confrontou o golpe ao transformar uma rosa que materializou com seu poder em um chicote e desviou-o para o lado e depois girou ao redor para se defrontar com uma nova investida.

—Estou farto de você, Kuroi!

Sua resposta foi outro choque de garras contra chicote, só que desta vez, o corvo segura o chicote com a mão, ignorando os ferimentos que os espinhos causavam nesta.

—Não está se divertindo, Kurama? Eu estou! –começou a rir.

Kuroi era forte, concluiu Kurama, um oponente formidável em qualquer mundo. Custava toda a força e sagacidade do ruivo para defletir cada investida e bloquear cada golpe, e depois se afastar e assumir uma nova postura.

E mesmo assim, não desviava totalmente sua atenção de Botan. E se o golpe que recebera de Kuroi pudesse fazer-lhe algum mal no estado em que se encontrava? E se isso prejudicasse sua gravidez? Queria acabar com aquilo logo e cuidar de Botan o quanto antes.

Desviou de outro ataque do Youkai corvo e saltou para trás, ganhando uma certa distância entre eles.

—Qual o problema, Kurama? Por que não libera o Yoko dentro de si para lutar a sério? O que teme? –o moreno o provocava.

Talvez devesse, refletia Kurama. O Yoko realmente estava agitado dentro de seu coração, louco para sair e punir exemplarmente Kuroi por tudo o que fizera, inclusive ameaçado sua fêmea.

—Depois de tantos anos, libertar as amarras que mantem sua verdadeira natureza presa, não deveria ser um problema para você. -Kuroi continuava a falar, mantendo em seu rosto seu sorriso irritante e convencido.

—Realmente é o que quer? –Kurama estreitou o olhar. –Deseja tanto assim morrer, Kuroi?

—Desejo enfrentar o lendário Yoko Kurama e não essa carcaça humana ao qual está encerrado. –falava, caminhando e se aproximando perigosamente de Botan. –Será que precisa de outro incentivo para aparecer?

Ao perceber o que Kuroi pretendia, a raiva dominou Kurama. Imediatamente tomou a ofensiva, investindo com golpes incessantes, aproveitando toda a experiência aprendida em incontáveis outras batalhas ao longo dos séculos que viveu como youkai e nesses anos na Terra, ao lado de Yusuke e dos seus outros amigos.

Enquanto trocava golpes com o Youkai Corvo, Botan foi despertando, ainda meio zonza pelo baque e ergueu o tronco apoiada nas mãos, se tornando testemunha da luta feroz diante dela.

Kurama mostrava-se incansável, até sentir que o adversário vacilava sob a barragem de golpes e percebeu que a vitória estava a seu alcance.

—Kurama? –Botan sussurrou seu nome e ele parecia ter percebido que a jovem havia despertado.

Foi o que Kuroi precisava para atingi-lo com um golpe, aturdindo-o quando o apanhou com a concentração rompida. As garras do moreno o atingiram no abdômen, cortando não apenas o tecido de suas vestes, mas carne também.

—KURAMA! –Botan grita seu nome, colocando a mão sobre a boca ao notar que ele havia sido ferido.

Este é lançado para trás e mesmo assim não cai, tocando o local ferido com a mão, avaliando o estrago causado. Kurama fita Kuroi que estava rindo, se divertindo com a situação, lambendo os dedos cheios de sangue da raposa.

—Hm, delicioso! –disse em provocação, se preparando para voltar a lutar. –Já que não quer lutar pra valer, vamos acabar com isso!

—Tem razão, Kuroi. –Kurama sorri e uma estranha energia sobrenatural começa a envolver seu corpo, a balançar seus cabelos. –Vamos acabar com isso!

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Enquanto isso, no pátio do templo Hōkoku-ji.

Kin, o youkai de máscara dourada, não conseguia conceber que estava diante de um enorme poder. Haviam muitas histórias envolvendo o nome de Yusuke Urameshi, sobre seu ancestral e sobre todas as batalhas que venceu.

Achava que boa parte delas pudesse ser exageradas, mas agora estava para comprovar que poderiam ser mais reais do que imaginava.

—Eu evito usar todo o meu poder. –explicava Yusuke. –Pois ele ficou tão grandioso que eu não poderia mais viver aqui entre os homens, sem colocar as pessoas em risco. Se eu continuasse assim, teria que viver como um monstro de no Meikai pelo resto da minha vida, pois meu poder superava os dos monstros de Classe S. Por isso abri mão dele em troca de viver com a Keiko, com minha família e amigos em paz.

—I-impossível!

—Maior erro vocês terem resolvido puxar briga comigo. –Yusuke concentrava todo o seu poder na palma da mão. –Vacilão morre cedo aqui, meu irmão!

Assim dizendo, ele fecha o punho na energia que outrora ali se concentrava, e ergue o dedo imitando uma arma e dispara sua energia contra Kin. Este colocou as mãos diante do corpo, numa vã tentativa de conter o golpe de Yusuke, mas a força do ataque é tão grande que envolve Kin.

O youkai tem seu grito sufocado, enquanto seu corpo é praticamente desintegrado pela energia espiritual disparada por Urameshi. Onde a energia atingia, deixava um rastro de destruição e o solo por fim calcinado, até onde a vista alcançava além do Bosque dos Bambus.

Quando tudo cessa, nada resta do corpo de Kin e Kuwabara olha embasbacado para a destruição causada.

—Ih, acho que exagerei! –Yusuke diz sem graça, coçando a nuca.

—Acha? Quero ver quem vai explicar isso para as autoridades!

Yusuke olha ao redor e vê o parasita se arrastando em sua direção, atraído pela enorme energia que emanava de seu corpo, ele abaixa para pegá-lo e recoloca novamente contra a pele de seu peito. A criatura novamente se une a ele, assumindo uma forma que lembrava vagamente uma pele queimada.

—Irch! Isso é nojento mesmo! –diz Kuwabara diante da cena. –Isso dói?

—O tempo todo. –fala tocando o local. –Mas é melhor do que a outra alternativa.

—Eu não sabia disso. –Kuwabara se aproxima do amigo e lhe dá um soco na cabeça. –Devia ter contado para os amigos sobre isso!

—Ah, dá um tempo! –aplicando uma gravata em Kuwabara. –Não queria preocupar a Keiko ou vocês!

—Isso não é desculpa! –se desfazendo da gravata e aplicando no Yusuke o mesmo golpe, mas puxando sua bochecha também. –Amigos são para apoiar nessas horas!

—Tá bom! Eu me rendo! Desculpa! -Kuwabara o solta mas recebe um soco do Yusuke em seguida. –Desculpa aí!

—Tá desculpado. –esfregando o rosto dolorido e depois olha ao redor. –Cadê o baixinho e a garota?

Hiei lutava ferozmente com Gin, quase não dando oportunidades ao youkai de cabelos prateados de reagir a não ser tentar se defender dos golpes aplicados pelo koorime. Ele sentiu o adversário fraquejar e, quando hesitou, Hiei desferiu outro golpe. E mais outro.

Gin em desespero, tanto pela pressão dos golpes de Hiei, quanto por sentir que seu irmão fora derrotado, lança a esmo sua energia sobrenatural forçando o koorime e saltar para trás para evitar ser atingindo. Nesse momento, Gin salta em sua direção, e com suas garras transpassa o corpo de Hiei.

—Há, maldito! Vai morrer! –Gin se vangloriava, certo da vitória pelo golpe, girando a mão para que Hiei sentisse mais dor. –O que acha disso? O lendário Hiei irá morrer pelas minhas mãos!

Ele retira a garra e dá um chute bem no local que atingira, com a intenção de lhe infligir mais dor.

—Hiei! –Yuki o chama.

—Para trás! –Hiei ordena com um tom de voz imperioso.

Yuki pretendia interferir na luta, mas para ao ver que o koorime lhe faz um sinal para que não interfira e mesmo a contragosto ela decide obedecer.

—No dia que eu perder uma luta para um verme como você, eu mesmo me matarei. –Hiei diz com um sorriso de lado, recolocando a espada na bainha e assumindo uma posição de ataque.

—Não precisa se dar esse trabalho. Eu mesmo encerrarei sua vida.

Gin volta a investir, mas Hiei permanecia calmo e parado com a mão sobre o cabo da espada. No instante seguinte ele desaparece do campo de visão de Gin e Yuki, movendo-se a uma incrível velocidade mesmo com o ferimento recém adquirido cortando o ar com sua espada.

Olhos destreinados diriam que ele aplicou apenas um golpe com a espada.

Mas tanto Gin quanto Yuki sabem que foram dezenas a uma velocidade espantosa. Gin fica parado onde estava, não acreditando no que havia testemunhado.

—Eu... perdi...?

E em seguida seu corpo que havia recebido dezenas de cortes da espada de Hiei se despedaça diante dos olhos assombrados de Yuki. E somente ao vê-lo se apoiar no chão com um dos joelhos é que ela sai daquele choque e corre em sua direção.

—Hiei!

—Estou bem. Foi um ferimento inofensivo.

Yuki ignora o comentário dele e o força a se sentar, olhando com mais cuidado o ferimento de onde sangue escorria em abundância.

—Se ficar assim vai morrer pela perda de sangue.

—Eu não morreria por algo tão idiota! –protestou, mas ficou parado enquanto a via usar seu poder para parar o sangramento. Apesar do gelo criado em volta de seu ferimento, ele podia sentir que o toque dos dedos de Yuki eram quentes e agradáveis.

—É provisório. Até que receba cuidados adequados. –explicou, evitando fitar seu rosto, pois se o fizesse teria testemunhado o rosto corado do koorime.

—O-obrigado! –desviando o olhar.

Yuki o fitou e sorriu. Hiei fica mais corado ainda com isso, mas leva a mão até o ferimento e toca a mão de Yuki com a dele. Ambos ficaram se fitando longamente.

—Beija logo a garota, mané!

Gritou Yusuke assustando os dois que se afastaram correndo um do outro.

—Cê não é nada discreto, Yusuke! –diz Kuwabara.

—Idiotas! –Hiei resmunga se levantando. –Vamos logo! O Kurama pode estar precisando de nossa ajuda.

Todos concordam com um aceno de cabeça e começam a caminhar na direção que Kurama havia seguido anteriormente.

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Kuroi e Kurama haviam sentido as energias do combate no templo e ambos sabiam que a luta havia chegado ao fim e com resultado bem óbvios, mas aquilo não parecia intimidar o Corvo.

—Chegou o momento de encerrarmos isso antes que convidados indesejados apareçam.

Disse Kuroi, concentrando suas energias, transformando seu corpo que ia assumindo uma forma mais animalesca. Garras surgiram nos pés e mãos, asas negras se formavam em suas costas e sua face assumia a de um pássaro, mas que possuía presas em seu bico.

Kurama o fitou com frieza, e fez o mesmo com sua própria energia.

—Kurama, cuidado! –pediu Botan.

—Cale-se, mulher! –Kuroi se irrita e lança um ataque contra Botan, mas o golpe foi interceptado por Kurama que recebeu todo o choque deste, ferindo o seu corpo. –Oras, essa mulher realmente é a sua fraqueza.

—Não demônio... ela é minha força!

Kurama investiu contra Kuroi, com a intenção de mantê-lo longe de Botan. Ele desviou e desviou e saltou fora do alcance do segundo, que sabia que se seguiria.

Os golpes choviam conforme ambos atacavam, para depois rapidamente se reposicionarem e em seguida investirem novamente. Kurama avançou até superar os músculos que travavam e queimavam de fadiga, e desferiu um ataque após o outro, pressionando Kuroi até ele se sentir acuado.

Por fim, o viu ajoelhar-se, fatigado.

—Me mate! –ele disse, quase cuspindo.

Naquele momento, Kurama olhou para o oponente.

—Ainda não. –disse-lhe lhe dando as costas. –Não vai ser uma morte rápida e misericordiosa que terá.

—Do que está falando, maldito? -Kuroi tentou se levantar. –Se não me matar agora, voltarei e continuarei a caçar sua família, sua fêmea e sua prole. Acha mesmo que...

Ele para de repente de falar, sentindo uma dor aguda em seu coração. Tão forte que o impediu de proferir outras palavras a Kurama, levando a mão até o local que doía com intensidade.

—Eu lhe disse, Kuroi. Que hoje encerraríamos essa loucura!

—M-maldito... o que...? -Novamente a dor o arrebatou. –O que fez?

Um grito de agonia encheu o ar, quando do local onde a dor era mais intensa um ramo de algum tipo de planta brotou, rompendo a carne e pele de Kuroi.

—Essa é a Pulchra sicarius, ou Bela assassina. –explicava Kurama, parando e observando Kuroi por sobre o ombro. –Uma das mais mortais plantas do mundo das trevas. Ela vive uma perigosa simbiose com seu hospedeiro.

Enquanto Kurama falava, Kuroi observa estupefato raízes brotarem de suas coxas causando uma imensa dor e fixarem no chão, impedindo que se erguesse.

—Ela só consegue sobreviver sugando o youki e a vida de seu hospedeiro, seu veneno impede que sua vítima consiga se livrar dela, por mais forte que ele seja.

Mais ramos rompem a carne de Kuroi, envolvendo seu corpo em heras enquanto ele agonizava.

—Uma morte lenta que pode durar anos ou séculos. Quando sua vítima finalmente é reduzida a uma carcaça sem vida...

Um ramo maior rompe sua clavícula e dela surge uma bela flor rubra de odor agradável.

—... a Bela assassina procura outro youkai para sobreviver. Mas você é forte, Kuroi. O que significa que poderá durar talvez uns quinhentos anos antes de definitivamente morrer. Adeus, Kuroi.

Kurama volta a caminhar, largando para trás uma criatura disforme envolvida pelos ramos mortais da bela flor das trevas.

Botan estava amontoada no chão, contra o tronco de uma árvore. Seus longos cabelos caíam sobre os ombros e a face quando ela lentamente se ergueu, apoiada nas mãos. Encarou-o, ela correu até ele que a puxou para os braços fortes enquanto caía de joelhos.

—Kurama! Você está bem? E Kuroi?

—Ele não é mais um problema, Botan. –ele responde com um sorriso.

—Você veio me buscar.

—E porque eu não viria? -ele perguntou, tocando seu rosto e seus lábios se fecharam sobre os dela quando ele a beijou com ardor. -Eu te amo, Botan. Morreria por você.

Botan o fitou sentindo os olhos marejarem com a declaração do rapaz, mordeu o lábio nervosa enquanto tocava em seu rosto.

—Não vai me dizer nada? –ele perguntou, parecendo ansioso.

—Eu também te amo... –ela disse quase em um sussurro, abraçando-o.

Kurama ergue-se, ainda mantendo-a em seus braços, apertando o corpo da mulher contra o seu com cuidado.

—Vamos pra casa? –ela perguntou por fim.

Nesse momento, Yusuke, Hiei, Kuwabara e Yuki chegaram ao local e olharam aliviados para o casal, e percebendo que não sentiam mais a presença de Kuroi deduziram que o amigo havia finalmente dado fim ao ensandecido youkai. Kurama olhou para os amigos e sorriu:

—Vamos para casa, Botan.

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Algum tempo depois...

Todos estavam reunidos no restaurante da família Urameshi, fazendo os últimos preparativos para receber seus amigos que estavam para chegar. Keiko e a senhora Minamino acabavam de arrumar a mesa do buffet, enquanto Yusuke ralhava com os filhos que corriam entre as mesas, quase derrubando o padrasto e irmão de Kurama.

Kuwabara ajudava Yukina com a decoração das mesas, na verdade, ele suspirava olhando abobado a jovem arrumar algumas flores em um pequeno vaso com delicadeza.

Nesse momento, a porta abriu-se e todos olharam com ansiedade para quem entrava e não disfarçaram o desapontamento em verem que era o Koenma na sua forma adulta.

—Olá, pessoal! –ele saudou entrando e deixando com Keiko uma caixa grande embrulhada para presente. –Eles não chegaram ainda?

—Estão um pouco atrasados, mas não demoram.

Keiko respondeu, depois se distraindo com os filhos, chamando sua atenção por estarem furtando alguns doces da mesa.

—Aí, Koenma meu velho! –disse Yusuke se aproximando e cumprimentando. –E o ogro não veio?

—Diante do fato da família humana de Kurama estar aqui, melhor não. –respondeu baixinho para não serem ouvidos. –Eu queria falar sobre seus filhos, Yusuke. Eu acho que já reparou na energia poderosa que eles possuem.

—Eu já. –coçando a nuca e olhando os meninos serem colocados sentados e de castigo numa mesa. –Mas eu ainda não falei com a Keiko sobre isso.

—Melhor conversarem. Quanto mais cedo seus meninos forem treinados, poderão controlar esse poder e terem uma vida normal se quiserem.

—Ou se tornar detetives também?

—Talvez.

—Essa decisão deixarei para eles. –suspirou. –A velha Genkai seria uma mestra da hora para eles.

—Sim.

—O Hiei não vem? –Kuwabara perguntou se aproximando.

—Acho que não. –respondeu Koenma. –Ele tem tido muito trabalho desde que resolveu se aliar a Yuki e Takaki.

—Aquele lá não me engana! –Yusuke começou a rir. –Tá caidinho pela dragoa de gelo lá!

—Dragoa gatinha, quer dizer! –Koenma começou a rir. –Aquele safadenho!

—Pois é... tem doida pra tudo mesmo! –Kuwabara diz com os braços cruzados.

Do lado de fora, observando de longe a movimentação no restaurante, Hiei espirrava de repente.

—Saúde. –Yuki diz com um sorriso e Hiei desvia o olhar. –Não vai lá?

—Não.

—Pensei que iria dar os parabéns ao seu melhor amigo!

—Ele sabe como me sinto.

—Mesmo assim. –ela suspirou, observando a movimentação. –Ele vai sentir sua falta.

—Talvez. Mas temos um trabalho, não temos? –Hiei dá as costas, saltando para longe.

Logo em seguida, Yuki o alcançava ficando do seu lado enquanto corriam pelos telhados.

—Onde está Takaki? –Hiei perguntou, sem diminuir a velocidade.

—Vai nos encontrar no local combinado! Ele tem prova hoje na escola e não pode faltar!

—Humanos. –resmungou. –Sorte que ele é forte e tem aprendido rápido a ser um detetive, senão já teria morrido!

—Você gosta dele, senão não estaria ajudando. –Yuki o provocou.

De repente, Hiei para de correr e segura o pulso de Yuki puxando-a contra seu corpo, segurando-a forte entre seus braços.

—Eu gosto mais de você. –ele respondeu, exibindo um sorriso provocante antes de tomar os lábios da youkai em um beijo nada inocente, sendo prontamente correspondido por ela.

Após o beijo que parecia não findar, se fitaram.

—Vamos acabar logo com aqueles youkais arruaceiros. –disse a jovem. –Quero chegar cedo em nossa cama essa noite.

—Vou cobrar isso. –ela sorriu, se afastando dos braços dele e saindo correndo na sua frente.

Hiei apenas a observava, olhou para a rua e reconheceu um automóvel que subia a avenida e deu um discreto sorriso sabendo quem eram seus ocupantes e correu atrás da sua companheira.

O automóvel seguiu pela rua até, minutos depois, estacionar em frente ao restaurante. Nesse momento um grupo de pessoas saíram do estabelecimento, felizes em recebe-los.

Kurama foi o primeiro a descer, acenando para os amigos e abraçando a sua mãe, que estava muito ansiosa. Então, ele abre a porta do carona e Botan desce segurando com muito cuidado entre os braços um recém-nascido envolvido em uma manta branca.

—Por favor, conheçam o mais novo membro da família Minamino. –Kurama fazia as apresentações, mostrando para todos um bebê de ralos cabelos ruivos, que dormia tranquilamente. – Sakura Minamino.

—Nossa filha. –disse Botan, muito emocionada.

—Minha netinha é linda! –a mãe de Kurama estava encantada com a bebê, assim como todos que cercavam o casal.

—Aí, ela é linda mesmo! Puxou a mãe! –Yusuke brincava, olhando para a criança que abriu os olhos esverdeados com preguiça e sorria para a atenção que recebia. –Ah, que linda! Keiko! Quero uma!

—Não inventa moda, Yusuke! –Keiko ficou vermelha de vergonha pela brincadeira do marido.

—Ela se parece com meu Shuichi! –dizia a senhora Minamino, pegando o bebê no colo depois de pedir permissão à nora.

Todos entraram acompanhando a avó orgulhosa, deixando o casal para trás. Kurama abraçava nesse momento Botan pela cintura, beijando seu pescoço.

—Arrependida?

—Do que? –ela o fitou sem entender a pergunta.

—De abrir mão de ser uma deusa e viver como uma mortal pelo resto da vida ao meu lado. –ele a fitava intensamente, esperando uma resposta dela.

Botan exibiu um largo sorriso e se atirou nos braços dele, abraçando-o e beijando-o com entusiasmo.

—Foi a melhor decisão da minha vida! Eu te amo, Kurama Yoko. -ela declarou, com os olhos brilhando.

—Olhando para você e para Sakura... sinto como se tivesse ganhado o mundo inteiro.

—Eu te amo. -ela sussurrou. -E a cada dia que passa eu te amo mais.

—Eu também te amo, Botan.

Então de mãos dadas seguiram para a reunião promovida pelos amigos, a família que elegeram como sua e que sempre fariam parte de suas vidas. E Botan sabia que sua felicidade não conhecia fronteiras.

—Nós ficaremos juntos para sempre. -disse ele amorosamente, segurando o rosto da esposa pelo queixo, com as pontas dos dedos.

Com o próximo beijo, ele selou o acordo.

FIM